Em 1987 a proibição da caça comercial entrou em vigor no Japão, através da moratória da caça comercial mundial. Apesar disso, a frota baleeira, que já praticava a caça comercial, navegou como nos anos anteriores para os mesmos locais na Antártica. Foram atrás das mesmas espécies de baleias, caçadas no ano anterior e que retornaram ao Japão encaixotadas em caixas de papelão de 15kg, pronto para venda. Isso foi possível graças à caça “científica”.

Quando a última grande companhia japonesa de caça comercial foi fechada, em 1987, seus navios-fábrica e aparelhos de caça foram fornecidos a uma nova empresa cujos acionistas eram formalmente envolvidos com a caça às baleias. No mesmo ano uma organização sem fins lucrativos chamada Institute for Cetacean Research (ICR) foi fundada.
A nova companhia que agora possui a frota baleeira doou nove milhões de dólares para a ICR. Essa prontamente habilitou a frota para a nova empresa e partiu, usando o navio-fábrica e a tripulação da caça comercial para caçar baleias em nome da ciência.
Mas, e a ciência?Quando o programa começou com um “estudo de viabilidade”, ele tinha dois objetivos: estimar parâmetros biológicos para melhorar a gestão dos estoques e estudar o papel das baleias no ecossistema marinho Antártico. “Melhorar a gestão dos estoques” significa encontrar formas de aumentar a caça anual de baleias sem reduzir a população.
O objetivo era determinar idades específicas de mortalidade – como as tabelas atuariais humanas que mostram a expectativa de vida restante para uma pessoa de 45 anos. Depois de alguns anos concluiu-se que isso era algo muito difícil de se obter e optaram por determinar somente a taxa de mortalidade.
O primeiro programa de caça “científica” de baleias, chamado JARPA, durou 18 anos e matou 6.778 minkes, em prol da determinação do índice da idade de morte natural, chamado “M”. Em 2006 um encontro de especialistas da Comissão Internacional da Baleia, realizado em Tóquio, concordou (incluindo os cientistas japoneses) que a idade de morte natural não estava determinada – os limites de idade obtidos eram tão vastos que não era possível identificar um valor efetivo. Tão vastos que até o índice zero não estava excluído.
Em outras palavras, 18 anos de “pesquisa” letal foram inúteis até mesmo para excluir a
possibilidade de que as baleias minke possam ser imortais! E apesar dos inúmeros dados coletados, em prol das tentativas de compreender o papel dos animais no ecossistema marinho Antártico, o relatório afirma que “relativamente houve pouco progresso em atingir esse objetivo” e este ainda permanece sem ser atingido.

Mais dois objetivos foram adicionados em 1995 e 1996, mas estes também não foram alcançados. Apesar do fracasso desse enorme programa que não alcançou nenhum de seus objetivos, a ICR migrou para um segundo programa, JARPA II, que matará ainda mais baleias. Isso ficou acordado antes da comissão que avaliaria o primeiro projeto. Mas então qual será o papel da ciência letal no novo programa e o que pode ser feito por meio dos métodos não letais?
De acordo com o governo do Japão, a nova “pesquisa” terá como objetivo em:
1. Monitorar os parâmetros e tendências biológicas como idades de gravidez e maturidade.
2. Monitorar a alimentação e espessura do aparelho digestivo.
3. Monitorar os efeitos de contaminação em cetáceos.
4. Monitorar habitat de cetáceos, como as mudanças na temperatura das águas, salinidade e congelamento.
5. Identificar a estrutura da população
6. Melhorar a gestão de pesquisas.
Mas o que isso realmente significa, como pode ser feito e o que nós aprenderemos?
Monitorar a quantidade baleias é a princípio algo simples – você conta os animais. Mas na prática é um pouco mais difícil que isso.
Quando os dados provenientes dos 18 anos de pesquisa no primeiro JARPA foram analisados pela equipe de especialistas, a conclusão foi de que o índice da quantidade de baleias minke naquelas áreas poderiam demonstrar um possível declínio, aumento ou estabilidade no número de indivíduos.
Em outras palavras, nada foi aprendido.Determinar a idade de uma baleia demanda matar os animais e examinar o crescimento de anéis em seus ouvidos (algo semelhante ao crescimento de anéis em árvores), mas nada foi aprendido durante esses 18 anos, nada será aprendido e nenhum desses resultados parece suprir essa “pesquisa”.
Índices de gravidez poderiam, na teoria, ser monitorados com a biópsia de exemplares, mas essa prática apenas nos contaria que a grande maioria das fêmeas minke está grávida, algo que já sabemos por meio das “pesquisas” feitas anteriormente.

Monitorar a alimentação e as mudanças na espessura do aparelho digestivo demanda a morte da baleia e pesagem do conteúdo de seu estômago. Dados colhidos das 8000 minkes mortas a mais durante o JARPA e o JARPA II identificaram que elas se alimentam somente de krill (pequenos crustáceos). Informações sobre a dieta das baleias também pode ser determinadas coletando amostras de fezes para análise.
A espessura do aparelho digestivo pode nos descrever as condições da baleia; isso também pode ser determinado se esta for atingida por um dardo de biópsia. Dardos de biópsia removem um pedaço do tecido, mas não matam e nem machucam a baleia.
O objetivo de se medir os níveis de contaminação nas baleias foram cuidadosamente elaborados para exigir a morte das baleias. Investigadores observam os níveis de metais pesados em órgãos internos como rins e fígado e não há outra forma de se obter esses dados a não ser matando uma baleia. Mas as contaminações que são mais possíveis de ter efeitos sobre as baleias, os organoclorados, são solúveis em gordura, logo, poderiam ser identificados por dardos de biópsia.
Há também muita informação sobre metais pesados no último programa e é difícil entender porque é necessário coletar mais. Mas se fosse necessário obter mais, poderiam ser indivíduos do hemisfério sul, mortos por acidente , particularmente aqueles atingidos por navios, redes ou estudando as centenas já capturadas e não analisadas.
Monitorar o habitat dos cetáceos, medindo as mudanças na temperatura das águas, salinidade e congelamento é algo completamente não-letal.
Assim como os grupos humanos organizados em tribos e nações, as baleias se agrupam em diferentes sub-populações com diferentes características. Por exemplo, uma sub-população de jubartes irá para uma área para acasalar e reproduzir, outra população irá para uma área diferente.
Existem diferenças genéticas entre essas sub-populações e a estrutura dessas populações pode facilmente ser determinada por análises de DNA. Amostras de DNA podem ser obtidas por dados de biópsia, mas os “pesquisadores” do JARPA afirmam que é muito difícil fazer essas biópsias na Antártica.
Eles também afirmam que a matança de baleias permite que essa seja vendida no mercado, compensando o valor da “pesquisa”, já que não há retorno financeiro com uma biópsia. Se quiséssemos resolver os estudos sobre a estrutura da população, todo esse processo poderia ser feito com análises de DNA sem matar nenhuma baleia.
O objetivo de “melhorar a gestão” é a maior mentira, dentro de um programa fundamentado em mentiras. Isso porque a “melhora da gestão” significa simplesmente o aumento das cotas comerciais. Os planejadores do JARPA II têm isso muito claro para eles.

Eles reclamam que as atuais regras da Comissão Internacional da Baleia (CIB), que controlariam a caça comercial se essa estivesse autorizada a retornar, estão somente preocupados com a proteção dos estoques de baleias e o objetivo primário do JARPA II seria encontrar evidências que permitissem o banimento dessas leis.
Mas o Oceano Antártico foi transformado em santuário pela CIB em 1994, apenas com um voto contrário, o do Japão. Por isso os “pesquisadores” japoneses estão reunindo dados para facilitar o aumento das cotas comerciais em uma área que está fora dos limites da caça comercial. Embora o Japão tenha se eximido da proibição de caça comercial de minkes, também admitiu que o santuário vale para proteção de fins e jubartes.
Pesquisadores de baleia do mundo todo estudam baleias sem matar ou machucar nenhuma delas. Os pesquisadores do “JARPA” insistem em utilizar métodos letais não porque é necessário, mas porque eles abastecem o mercado de carne de baleias no Japão e oferecem oportunidade de treinar novas tripulações, mantendo assim a indústria baleeira viva.
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Item
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Letal
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Não-letal
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Comprimento
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Pegar medidas atuais
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Tirar fotos e medi-las
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Peso
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Peso do corpo
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Calcular pelo comprimento
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Idade
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Coletar dentes, ouvidos
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Estimativa pelo comprimento e sexo
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Crescimento
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Medir comprimento e determinar idade
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Observar a mesma baleia por vários anos
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Maturidade
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Examinar glândulas reprodutoras
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Observar a mesma baleia por vários anos
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Fertilização
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Examinar glândulas reprodutoras
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Não existe método não-letal, mas pode-se observar
filhotes
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Época de reprodução
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Dedução pelo feto
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Observação em áreas de reprodução
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Gestação
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Presença do feto
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Análise de biópsia de hormônios
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Lactação
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Examinar glândula mamária
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Observar pares de mães e filhotes
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Ciclo de Reprodução
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Determinar por gestação e outros dados
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Observação em áreas de reprodução
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Dieta
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Examinar conteúdos estomacais
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Análise de coleta de fezes
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Rastreamento
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Sensores internos recuperados quando a baleia é
morta
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Fotos de identificação via satélite
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Estrutura de estoque
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Exemplares de tecido e baleias mortas
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Biópsia de baleias vivas
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Métodos não-letais têm vantagens sobre os letais porque permitem repetidas observações do mesmo indivíduo. Métodos letais, por sua própria natureza, oferecem apenas um instante. Uma vez que a baleia é observada, não pode ser observada novamente depois. Isso faz dos métodos letais formas incompatíveis para estudos do comportamento das baleias, como migração, que é um dos grandes pontos de interesse dos cientistas.