Fumaça proveniente das queimadas para limpar a terra para pecuária ou agricultura. O crescimento da pecuária é responsável pela maior parte do desmatamento do país e também a maior fonte de emissão de gases do efeito estufa.
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São Paulo (SP), Brasil —
Segundo dado divulgado hoje pelo INPE, taxa registrada entre 2007 e 2008 chegou a 13 mil km2
A divulgação hoje da taxa consolidada
de desmatamento na Amazônia Legal no último ano mostra que a destruição
voltou a crescer após três anos de queda. Entre agosto de 2007 e julho
de 2008, foram derrubados 12.911 quilômetros quadrados, segundo dados do
Prodes, gerados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
No período 2006/2007, a taxa foi de 11.532 km2 .
“O Brasil quer e precisa de desmatamento zero na Amazônia. Perder 13 mil
km2 de floresta em um ano não só é um absurdo como demonstra que o país
não fez seu papel para combater o aquecimento global”, diz Marcio
Astrini, do Greenpeace. O Brasil é o quarto maior emissor de gases do
efeito estufa no mundo, principalmente por causa do desmatamento e das
queimadas.
Com esse novo número, será mais difícil para o governo atingir sua meta
de desmatamento estabelecida no Plano Nacional de Mudanças Climáticas.
Agora, terá de ficar abaixo de 9 mil km2 no período 2008/2009.
DETER – Enquanto o Prodes mostra um retrato mais fiel do desmatamento –
com divulgação anual –, outro sistema também rodado pelo INPE, o Deter,
apenas detecta os focos maiores, sem detalhamento, para alerta rápido,
porém com anúncio mensal.
O número divulgado hoje pelo Ministério do Meio Ambiente, de 578
quilômetros quadrados desmatados em junho, segundo o Deter, deve ser
analisado com cuidado. A temporada de chuvas na Amazônia, nesse ano, foi
mais longa do que o normal, com um índice alto de cobertura de nuvens no
período. Por causa disso, a diferença dos números apontados pelo Deter
para o que realmente está acontecendo em terra deve ser maior do que o
usual.
Em junho, por exemplo, a taxa elevada de cobertura de nuvens – 43% da
Amazônia Legal – impediu a observação correta do que aconteceu em solo.
O Pará, que concentrou 57% do desmatamento registrado pelo satélite (330
km2 ) no mês, estava com praticamente metade (49%) de sua área sob nuvens.
“Todos os números que apresentam uma queda no desmatamento na Amazônia
são bem-vindos, mas comemorá-los como definitivos é absurdamente
precipitado. Só teremos uma visão real do desmatamento após a divulgação
dos dados do Prodes”, afirma Astrini.