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São Paulo (SP), Brasil — Maior consumidor de madeira do País adere ao programa de consumo responsável do Greenpeace


O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), assinou neste sábado, dia 25, termo de compromisso com o programa “Cidade Amiga da Amazônia”, do Greenpeace. De acordo com o termo, o Estado deverá elaborar política de compras responsáveis para a madeira nativa utilizada em obras e serviços públicos. O termo estabelece que apenas madeira com origem em planos de manejo florestal será aceita dos fornecedores do governo, excluindo-se madeira de extração predatória e desmatamentos. A solenidade foi realizada esta manhã na Praça Carlos Alberto Leitão (SP). São Paulo é o primeiro estado da federação a participar do programa, que já está em andamento em 28 municípios brasileiros.

“Vamos ajudar a preservar a Floresta Amazônica tomando conta da madeira que chega aqui em São Paulo. Nós vamos trabalhar para impedir a entrada de madeira criminosa no Estado, ajudando também a aprovar o projeto de lei da Mata Atlântica, de autoria do Fábio Feldmann”, afirmou o governador Geraldo Alckmin. O termo de compromisso assinado hoje é complementar ao decreto estadual número 49.674, de 06/06/2005, que estabeleceu o controle da legalidade do produto florestal obrigando fornecedores a apresentar ATPF (Autorização de Transporte de Produto Florestal) nas licitações.

“A partir do momento em que o poder público passa a controlar a origem da madeira utilizada em suas obras, estimula o setor madeireiro a manejar a floresta, ou seja, explorar madeira de forma seletiva e com baixo impacto ambiental, ao invés de promover e se aproveitar do desmatamento. Quem trabalha com madeira de origem criminosa perde mercado”, afirma Rebeca Lerer, coordenadora do Cidade Amiga
da Amazônia.

Cerca de 15% de toda a madeira extraída na Amazônia em 2004 teve como destino o mercado paulista. Este volume é três vezes maior do que o total exportado para os Estados Unidos - o principal importador de madeira amazônica - no mesmo período. Estima-se que entre 60% e 80% de toda madeira amazônica tenha origem ilegal.

De acordo com dados divulgados pelo governo federal, 35 mil km2 de floresta foram desmatados entre 2003 e 2005, uma área equivalente a 14% do Estado de São Paulo. Cerca de 70% do desmatamento é ilegal e, destas áreas, são extraídos grandes volumes de madeira utilizada na construção de escolas, prédios públicos, postos de saúde e obras de infra-estrutura.

O programa Cidade Amiga da Amazônia é um dos motes da expedição pelo litoral brasileiro que o barco do Greenpeace MY Arctic Sunrise começa no dia 29/3. As paradas serão: Porto Alegre (RS), Santos (SP), Salvador (BA), Recife (PE) e Fortaleza (CE). A população que vive nestas cidades ficará mais próxima da Amazônia através de exposição fotográfica que retrata as belezas e os desafios da região.

Em todo o mundo, o Greenpeace luta pela criação e implementação de uma rede de áreas protegidas e de uso sustentável para deter a destruição florestal.

Veja íntegra do termo de compromisso

Confira o decreto estadual para controle da legalidade do produto florestal