Salvador deu mais um passo na
implementação do programa contra madeira ilegal. Decreto municipal
assinado pelo secretário de governo, Gilmar Santiago, representando o
prefeito João Henrique Carneiro (PMDB-BA) cria procedimentos para
garantir que apenas madeira de origem legal seja utilizada pela prefeitura.
O decreto faz parte do
programa Cidade Amiga da Amazônia, promovido pelo
Greenpeace, para estimular a criação de leis locais que eliminem madeira
ilegal e de desmatamento de todas as compras públicas de estados e
municípios. Com isso, o programa deve ajudar a criar condições de
mercado para a madeira produzida de forma responsável na Amazônia.
Atualmente, 64% da madeira extraída da floresta amazônica são consumidos
pelo mercado brasileiro e 36% destinados à exportação. Cerca de 80%
dessa produção tem origem ilegal e predatória.
Compradores públicos, como municípios, estados e órgãos do governo federal são responsáveis por cerca de um terço do consumo interno de mandeira.
“Isso significa que ainda hoje o dinheiro
público financia o desmatamento na Amazônia. Esperamos que exemplos como
o da cidade de Salvador e a futura adesão do estado da Bahia ao programa
Estado Amigo da Amazônia mudem o rumo dessa história”, explica Adriana
Imparato, representante da campanha da Amazônia do Greenpeace.
Estiveram presentes à solenidade de assinatura do decreto diversos secretários de governo, além de
representantes do Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá), Rogério Mucuge,
e do Greenpeace, Adriana Imparato. Salvador aderiu ao programa do Greenpeace em abril de 2006, a bordo do
navio Artic Sunrise.
Para tornar-se uma “Cidade Amiga da Amazônia” as
administrações devem proibir o consumo de mogno, uma espécie ameaçada de
extinção; exigir como por parte dos processos de licitação, provas da
cadeia de custódia que identifiquem a origem legal e sustentável da
madeira; dar preferência à madeira certificada pelo FSC (sistema que
estabelece os melhores padrões de manejo florestal); e orientar
construtores e empreiteiros a substituir madeiras descartáveis
utilizadas em tapumes, formas de concreto e andaimes por alternativas
reutilizáveis como o ferro ou chapa de madeira resinada.
O Programa Cidade Amiga da Amazônia já conta com a participação de 36
municípios entre eles capitais como: São Paulo, Porto Alegre, Salvador,
Recife, Fortaleza e Manaus. Além do estado de São Paulo, primeiro Estado
Amigo da Amazônia.
Notas rápidas
Hoje o Brasil é o 4º maior emissor de gases estufa do mundo e 75% de
suas emissões são provenientes do desmatamento e uso do solo,
principalmente na região amazônica.
Em janeiro passado, o Ministério do Meio Ambiente admitiu que o índice
de desmatamento da Amazônia voltou a crescer nos meses de novembro e
dezembro de 2007, de acordo com os dados do sistema DETER, monitorados
pelo INPE.
Projeto de lei de autoria do senador Flecha Ribeiro (PSDB-PA) pretende
consolidar enormes áreas sem floresta, anistiar desmatadores e reduzir
de 80% para 50% a área de reserva legal que deve ser protegida em cada
fazenda amazônica.