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Voluntários do Greenpeace 'proclamam' a independência energética da 
Bahia em ato realizado em Salvador, incentivando a economia de energia 
e o uso de fontes renováveis.

Voluntários do Greenpeace 'proclamam' a independência energética da Bahia em ato realizado em Salvador, incentivando a economia de energia e o uso de fontes renováveis.

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Salvador (BA), Brasil — Voluntários participaram do desfile comemorativo do dia 2 de julho em Salvador com manifestação a favor das energias renováveis.

Voluntários do Greenpeace vestidos com roupas do século 19 e cartazes participaram, na manhã desta quarta-feira, em Salvador, das comemorações dos 185 anos da Independência da Bahia. Durante o evento foi proclamada, simbolicamente, a Independência Energética da Bahia, incentivando o uso racional de energia e das fontes renováveis do Estado.

"Independência Energética da Bahia: Economia de energia já. Eólica sim. Nuclear não. Carvão não." Essa foi a mensagem levada pelos voluntários do Greenpeace, que se juntaram ao desfile que partiu da Lapinha em direção ao Campo Grande. Na Praça da Sé, no Pelourinho, conversaram com o público, distribuindo informações e convidando os cidadãos a 'declarar' a independência energética do Estado, assinando uma grande faixa, que será encaminhada ao governo estadual.

"Estamos aqui para mostrar que a Bahia pode continuar crescendo economicamente e alcançar sua segurança energética sem apelar para usinas nucleares ou térmicas fósseis", afirmou Rebeca Lerer, coordenadora da campanha de Energia do Greenpeace, que esteve presente à manifestação.

"A Bahia tem um enorme potencial para racionalizar o uso da energia, além de explorar opções renováveis como a energia eólica. Os baianos não devem ser expostos aos graves riscos e altos custos da energia nuclear e o Estado não precisa queimar combustíveis fósseis como carvão e óleo combustível, que contribuem para o aquecimento global", completou.

De acordo com o documento Atlas Eólico Nacional, elaborado pelo governo federal, o potencial de geração de energia eólica do Nordeste chega a 75 gigawatts (GW). A estimativa do potencial baiano é de 17,5 GW, o equivalente a uma usina como Itaipu, segundo o professor Osvaldo Soliano, da Universidade Salvador (Unifacs). A opção eólica é especialmente relevante no Nordeste porque pode ser usada de forma complementar à geração hidrelétrica da bacia do Rio São Francisco.

"Quando chove menos e os reservatórios hidrelétricos têm seu nível reduzido, venta mais. Aproveitar essa condição natural é chave para garantir a segurança energética e o desenvolvimento sustentável do Nordeste", afirmou Rebeca.

Para discutir a viabilização da energia eólica no país, o Banco do Nordeste promoveu, com o apoio da sociedade civil e da iniciativa privada, um encontro dos governadores da região com o Ministro de Minas e Energia, Édson Lobão, no ia 19 de junho em Fortaleza (CE). O governador baiano, Jacques Wagner, esteve presente, declarou seu apoio à exploração do potencial de ventos do Nordeste e reforçou as oportunidades de geração de emprego e renda a partir da instalação de um parque industrial na região para produzir equipamentos eólicos.

RACIONALIZAÇÃO

Há ainda um grande potencial de racionalizar o uso da energia na Bahia, medida que traria benefícios econômicos. Hoje o Estado já utiliza 17% menos energia para produzir a mesma unidade de Produto Interno Bruto (PIB) do que há vinte anos. As vantagens de uma política agressiva de racionalização do uso da energia em nível nacional também são enormes. Nas últimas duas décadas, entre 1986 e 2006, o Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica) conseguiu reduzir a demanda em 7.384 MW. Essa potência é superior a duas usinas como as hidrelétricas do Rio Madeira e equivale a uma economia de R$ 19,4 bilhões.

O Greenpeace vem apresentando novos dados para promover o debate sobre um matriz energética renovável e eficiente que garanta o desenvolvimento sustentável do Brasil. A entidade publicou, em maio, o relatório A Caminho da Sustentabilidade Energética: como estruturar um mercado de renováveis no Brasil, apontando os obstáculos regulatórios que devem ser superados para que o país avance na expansão das energias limpas. Em janeiro de 2007, o Greenpeace já havia lançado o estudo [R]evolução Energética, que demonstra a viabilidade técnica e econômica para o Brasil construir uma matriz energética 88% renovável em 2050.

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