Florianópolis foi o palco do primeiro show de rock movido 100% a energia solar realizado no Brasil
A iniciativa da entidade ambientalista Greenpeace, em parceria com o
Labsolar (Laboratório de Energia Solar da Universidade Federal de Santa
Catarina), foi inspirada em experiências semelhantes realizadas com
sucesso na Austrália e na Europa.
O show Brasil Solar aconteceu no dia 15 de novembro de 1998, no campus
da Universidade Federal de Santa Catarina. O grupo mineiro Jota Quest
foi a atração principal. Dazaranha, Stonkas & Congas e Valdir
Agostinho, bandas de Florianópolis, fizeram a abertura do evento. A
experiência serviu para divulgar o potencial da energia solar para
gerar eletricidade para as mais diferentes aplicações.

O objetivo do Brasil Solar é popularizar a energia limpa e renovável
que vem do sol. A energia solar é uma das melhores alternativas aos
combustíveis fósseis poluentes, que geram alterações no clima do
planeta e provocam danos à saúde.
"O show demonstrou as duas principais aplicações da energia solar
fotovoltaica", explica Ricardo Rüther, do Labsolar. Junto ao palco, foi
montado um sistema autônomo de ~5kW de potência (~50m2 de placas
fotovoltaicas), para abastecer de energia elétrica parte da demanda de
energia. O sistema conectado à rede elétrica, de 2kW de potência, que o
Labsolar vem operando desde 1997, forneceu a energia complementar,
possibilitando, assim, um show 100% movido a energia solar!
"A grande novidade do show Brasil Solar é que conseguimos reunir, em um
só evento, cultura, inovações tecnológicas e preservação da natureza",
diz Délcio Rodrigues, Coordenador de Campanhas do Greenpeace.
"Demonstrar que a energia solar é uma alternativa viável e não
poluente", completa.
Como funciona...
A energia utilizada no show é proveniente do sol, transformada em
energia elétrica pelos painéis fotovoltaicos, construídos com cristais
de silício. Essa tecnologia permite captar a luz do sol e transformá-la
em energia elétrica. Para cada hora de show, será economizada energia
equivalente ao consumo de dez residências, ou 112 kWh.
O sistema autônomo é composto pelas placas fotovoltaicas e um banco de
baterias, onde se armazena a energia coletada pelas placas (pois o show
não pode parar se uma nuvem passar por sobre o palco ou se o dia for
nublado!), sendo completamente independente da rede elétrica
convencional.
Já o sistema conectado à rede elétrica funciona de forma distinta: ele
usa a rede elétrica como bateria, injetando nela toda a energia
elétrica gerada pelas placas solares (o que dispensa o uso das baterias
convencionais, já que a rede elétrica pública atua como uma gigantesca
bateria), como se o sistema fosse uma mini-usina geradora, em paralelo
às grandes usinas hidrelétricas (como Itaipu, por exemplo). Como este
sistema já vinha injetando energia na rede desde setembro de 1997, o
"crédito" em energia acumulado até o dia em que foi realizado o show
era muito superior à energia necessária para a sua realização. É esse
crédito que garantiu um show totalmente solar.
Numa residência onde a rede elétrica convencional não chega (uma
fazenda, por exemplo), um sistema autônomo, que requer um banco de
baterias para se ter energia à noite e nos dias nublados, pode
satisfazer todas as necessidades energéticas que a vida moderna impõe.
Em residências urbanas, por outro lado, o sistema conectado à rede
elétrica é o mais apropriado, já que ter a rede elétrica convencional
ao alcance significa não depender das baterias, que ainda são bastante
caras e pesadas. No sistema conectado à rede elétrica, toda a energia
que é gerada pelas placas (e não é consumida) é injetada na rede
elétrica (o relógio contador anda para trás e o consumidor acumula um
crédito). À noite, quando as placas não geram nenhuma energia, aquele
crédito acumulado durante o dia é então utilizado. Sem poluição, ruído
ou peças móveis, e de forma renovável, a energia solar fotovoltaica já
pode suprir todas as nossas necessidades energéticas.