Você está aqui:
Numa
linda manhã de sol, eis que surge no mar de Copacabana, a poucos metros
da praia, uma imensa bóia laranja. Na areia, uma régua de medição do
nível do mar foi estendida por ativistas do Greenpeace. A mensagem era
clara: é preciso agir logo para salvar o clima do planeta e evitar os
impactos negativos do aquecimento global e das mudanças climáticas.
Caso contrário, cidades como o Rio de Janeiro vão sofrer as duras
conseqüências, como a elevação do nível dos oceanos.De acordo com estudos do Ministério do Meio Ambiente, 42 milhões de brasileiros podem ser afetados com a elevação do nível do mar.. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, maior concentração urbana costeira do país, as previsões mais pessimistas indicam que, até 2100, o aumento do nível do mar engolirá calçadões da orla, ameaçando casas e prédios à beira-mar. Além disso, tempestades e ressacas no litoral fluminense serão mais freqüentes e fortes. As conseqüências mais graves deverão ser sentidas daqui a 100 anos, quando o mar poderá estar 50 centímetros mais alto e o aumento da temperatura poderá chegar aos 4º C (1).
“O governo brasileiro deve responder ao aquecimento global adotando uma Política Nacional de Mudanças Climáticas e o controle do desmatamento da Amazônia como prioridades”, afirma Rebeca Lerer, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace. “Esta política nacional deve preparar o país para lidar com os impactos das mudanças climáticas, tais como a elevação do nível do mar na costa brasileira, o avanço da desertificação no semi-árido e a savanização da Amazônia”.
Amazônia – vítima e vilã do aquecimento global
Atualmente,
o Brasil é o quarto maior emissor de gases estufa do planeta. Mais de 70% das
emissões são provenientes do desmatamento da Amazônia. Segundo
dados do governo brasileiro, nos últimos dois anos o desmatamento caiu de 26
mil quilômetros quadrados (2003-2004) para aproximadamente 14 mil quilômetros
quadrados (2005-2006). Para o Greenpeace, a queda é importante e mostra que medidas de governança – como criação de áreas
protegidas e operações de fiscalização no campo – estão surtindo efeito.
“No entanto, só poderemos celebrar quando os fatores estruturais que levam ao desmatamento – como o agronegócio voltado para a exportação – não destruírem mais um hectare que for da floresta e derem lugar a um modelo de desenvolvimento sustentável, no uso responsável dos produtos florestais e na conservação deste que é o maior patrimônio ambiental dos brasileiros”, disse Paulo Adário, coordenador da campanha do Greenpeace pela proteção da Amazônia.
A
Amazônia também é uma das regiões brasileiras mais vulneráveis aos
impactos do
aquecimento global. De acordo com um estudo do Instituto Nacional de
Pesquisa Espacial (INPE), divulgado em fevereiro, um aumento médio da
temperatura
global de 3º C pode representar um aumento de até 8º C na região
amazônica. Para o cientista Carlos Nobre, se forem mantidos a
progressão e
o cenário atuais de desmatamento, uma parte significativa dos 6 milhões
de
quilômetros quadrados que compõem a floresta amazônica poderá se
transformar num cerrado.
Veja no filme abaixo como foi a atividade no Rio de Janeiro.
(1) Fontes: Mudanças climáticas globais e seus efeitos sobre a biodiversidade – caracterização do clima atual e definição das alterações climáticas no território brasileiro ao longo do século XXI – José A. Marengo, Ministério do Meio Ambiente, Brasília, 2006 e Seminário “Adaptação e Vulnerabilidade da Cidade do Rio de Janeiro à Elevação do Nível do Mar pelo Aquecimento Global” - FBMC / COPPE / UFRJ, 23 de março de 2007.