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Brasil

 

Inimigo Íntimo

A entrevista com a nova Secretária Nacional de Mudanças Climáticas, Thelma Krug do Ministério de Meio Ambiente (MMA) demonstra uma assustadora semelhança com o discurso do Presidente Bush na semana passada no lançamento de sua nova
“iniciativa pelo clima e energia” – ambas são atrasadas, limitadas e perigosas. Fica a pergunta no ar: está é a nova posição da Ministra Marina?

A representante do MMA ao considerar a opção nuclear para o Brasil ignora os cenários alternativos desenvolvidos pela sociedade civil e academia brasileira (como a Revolução Energética elaborado pelo Greenpeace/GPEA-USP) no qual o Brasil poderá gerar a energia que precisa para crescer eliminando as energias sujas como carvão, diesel e nuclear.

A Secretária não acredita em “desmatamento zero” que na prática significa garantir maior governança nas florestas, por meio de políticas de combate ao desmatamento e fortalecimento das instituições responsáveis pela implementação e fiscalização. Uma
política de “desmatamento zero” visa coibir a destruição e valorizar a floresta em pé e seus serviços ambientais. Como disse a Ministra Marina, é possível dobrar a produção agropecuária no país, usando áreas já degradadas e sem derrubar nenhuma árvore na Amazônia.

A ausência de uma política nacional de combate ao aquecimento global é uma vergonha e não temos dois anos para esperar um estudo que indicará a necessidade de eliminar o desmatamento, ampliar a participação das energias renováveis na matriz energética brasileira, identificar as áreas e setores socioeconômicos mais vulneráveis, e elaborar um plano de adaptação para as populações que já estão vivendo as conseqüências do aquecimento global no Brasil.

A população brasileira exige informação e respostas, e não temos dois anos para esperar. O Brasil é o quarto maior emissor de gases efeito estufa do planeta e tem que assumir a sua responsabilidade, que é obviamente, menor que a dos paises ricos que historicamente contribuíram para o problema, mas não é nula. Esta é uma década de vontade política e responsabilidade moral. Se nem a autoridade máxima do MMA para clima sabe qual nosso objetivo em relação a taxa de desmatamento temos pela frente um problema tão sério quanto a sociedade americana com seu presidente Bush.