Os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, do Meio Ambiente, Carlos Minc, e da Casa Civil, Dilma Rousseff, em entrevista após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir a posição a ser adotada pelo Brasil na Conferência de Mudanças Climáticas, em Copenhague
Foto: Antônio Cruz/ABr
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Brasília (DF) —
Esperar mais duas semanas para falar o que o Brasil pretende fazer é retrocesso em um momento que o mundo precisa de definições
A decisão do governo brasileiro hoje, 3 de novembro, de adiar para o dia 14 o anúncio da posição e das metas de redução de emissões que o país levará para a Conferência do Clima, em Copenhague, é um passo para trás. O país, há menos de dois meses da reunião na Dinamarca, dá um sinal de falta de transparência diplomática, impedindo que os brasileiros e o resto do mundo tomem conhecimento de sua posição, e perde uma oportunidade importante de voltar a ser uma peça-chave nas negociações internacionais.
Passa ainda uma sensação de bagunça e insegurança, como se só agora, em cima do laço, seus burocratas estivessem começando a planejar a resposta brasileira à crise climática.
Declarações do ministro Celso Amorim ao fim da reunião de hoje reforçam essas impressões. Amorim disse que o Brasil vai separar as questões nacionais das internacionais. É uma indicação de que o Brasil pode chegar a Copenhague sem qualquer intenção de se comprometer com metas internacionais e apresentando metas nacionais que o governo não sabe como cumprir e, por isso mesmo, prefere não ver ninguém cobrando.