Internacional —
Desmatamento coloca o Brasil como quarto maior emissor de gases do efeito estufa. Campanha, que conta com relatório, documentário e evento aberto ao público, percorreu dez cidades brasileiras para expor vulnerabilidade do país ao aquecimento global
Há um ano, uma seca extrema atingiu diversos municípios da Amazônia,
mudando a paisagem da região: barcos encalhados em enormes bancos de
areia, milhares de peixes mortos nos rios e comunidades inteiras de
ribeirinhos sem comida ou água boa para consumo.
De acordo com cientistas, o desmatamento e as queimadas afetam a
formação de nuvens de chuvas, o que diminui a precipitação sobre a
Amazônia. O aquecimento global torna a floresta mais seca e vulnerável
à destruição. Estima-se que, em algumas décadas, este efeito perverso
do desmatamento e das mudanças climáticas pode ser irreversível e a
floresta amazônica pode desaparecer. “Se a Amazônia perder mais de 40%
de sua cobertura florestal, nós atingiremos um ponto onde será
impossível reverter o processo de savanização da maior floresta
tropical do mundo”, disse Carlos Nobre, pesquisador do Inpe (Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais) e presidente do Programa Internacional
de Geosfera Biosfera (IGBP).
O círculo é vicioso: a destruição das florestas diminui a formação de
nuvens de chuva, tornando a região mais seca. Por sua vez, florestas
mais secas são mais suscetíveis às queimadas e aos efeitos do
aquecimento global, como por exemplo a alteração do clima na região
amazônica, favorecendo climas mais secos, novas queimadas e mais
emissão de carbono. O desmatamento e as queimadas na Amazônia são
responsáveis por mais de 75% das emissões brasileiras de gases do
efeito estufa, colocando o Brasil entre os quatro maiores emissores do
mundo.
Essas são apenas algumas das evidências científicas dos efeitos do
aquecimento global expostas pela campanha “Mudanças do Clima, Mudanças
de Vidas”, que o Greenpeace lança hoje em Manaus, capital do Amazonas.
Testemunhos de vítimas do aquecimento global na Amazônia, no Nordeste,
no Sul e na zona litorânea brasileira são apresentados em um relatório
e um documentário.
“O Brasil precisa assumir sua responsabilidade como grande emissor de
gases de efeito estufa. O governo deve combater o desmatamento de
maneira implacável, promover as energias limpas e programas de economia
de energia, afirma Carlos Rittl, coordenador da campanha de clima do
Greenpeace. “Os brasileiros têm todo o direito de saber onde somos mais
vulneráveis aos efeitos devastadores do aquecimento global e como vamos
reduzir nossa contribuição ao problema. A Amazônia, por exemplo, é uma
das regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas por causa da sua
enorme diversidade de ambientes e espécies”, explica.
O relatório e o documentário mostram também como as mudanças nos
padrões de produção e consumo de governos, indústrias e cidadãos podem
evitar que o cenário de mudanças climáticas, que já é grave, se torne
irreversível e catastrófico para toda a vida do planeta nos próximos
anos.
O documentário está sendo distribuído gratuitamente para fins
educacionais para organizações não-governamentais, escolas, fundações,
instituições de pesquisa e universidades em todo o Brasil. As pessoas
interessadas em saber mais sobre a campanha ou adquirir o filme podem
acessar o site especial do Greenpeace: www.greenpeace.org.br/clima
EVENTO PÚBLICO
A campanha do Greenpeace também conta com uma exposição fotográfica,
com 28 painéis, que mostram como as mudanças climáticas já afetam a
vida de milhares de brasileiros em diversas regiões do país. Ao final
do evento gratuito, as pessoas recebem uma cartilha com informações
sobre causas e conseqüências das mudanças climáticas e dicas de como
ajudar a restaurar o equilíbrio climático do nosso planeta.
Em Manaus, a exposição fotográfica ficará no Parque do Mindu, na
Avenida Perimetral, sem número, no Parque 10, de quinta a domingo
(26-29/10), das 10 às 18 horas.
Mais de 47 mil pessoas já visitaram o evento público nas nove cidades
brasileiras que a campanha já percorreu – Brasília (DF), São Paulo
(SP), Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), Belo
Horizonte (MG), Salvador (BA), Recife (PE) e Belém (PA). Milhares de
assinaturas foram coletadas em um abaixo-assinado pedindo ao governo
brasileiro uma política nacional de mudanças climáticas, combate ao
desmatamento e investimentos em energias limpas.
AGENDA
EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA
Mudanças do Clima, Mudanças de Vidas
Dias: de 26/10 a 29/10, quinta a domingo
Horário: das 10h às 18h
GRATUITO
Local: Parque do Mindu
Endereço: Av. Perimetral, sem número
Bairro: Parque 10 de novembro, Manaus/AM
(esquina com a rua Dom João)