Especialistas em mudanças climáticas de
organizações não governamentais de todo o mundo apresentaram hoje em
Bonn (Alemanha) um tratado para servir de referência jurídica ao acordo
climático global que será firmado em Copenhagen no final do ano. O
documento mostra como as principais diferenças entre países pobres e
ricos podem ser superadas no novo acordo.
O “Tratado do Clima de Copenhagen” tem 160 páginas é o resultado de mais
de um ano de trabalho de alguns dos mais experientes especialistas sobre
assunto. O documento que será distribuído aos negociadores dos 192
países reunidos na Alemanha (Bonn) conta com um texto jurídico completo
que abrange os principais elementos necessários para fornecer ao mundo
um acordo justo com metas ambiciosas que mantenham as mudanças
climáticas abaixo dos níveis aceitáveis identificados pela maioria dos
cientistas.
“O que está no centro deste tratado é a sustentabilidade do planeta, o
modelo de desenvolvido econômico vigente e a vida de milhões de pessoas
que sofrerão os impactos das mudanças climáticas e que poderão pagar com
suas vidas pela falta de compromisso dos líderes mundiais”, disse o
diretor executivo do Greenpeace, Marcelo Furtado. “Esse tratado é
exatamente o acordo que o mundo está esperando. O Brasil poderia liderar
esse movimento, se comprometendo inclusive com meta de redução de
emissões de 40%”, afirmou.
O documento descreve o caminho que o mundo deve percorrer para evitar
uma mudança climática catastrófica. Reconhece que o aumento médio da
temperatura global deve ser mantido bem abaixo dos 2 graus Celsius e
estabelece um limite máximo global sobre as emissões. O tratado explica
com detalhes como os países industrializados e em desenvolvimento podem
contribuir para a segurança do planeta e seus habitantes, de acordo com
suas possibilidades e responsabilidades. O documento mostra ainda como
os mais pobres e mais vulneráveis podem ser protegidos e compensados. O
conteúdo do tratado foi construído com base nas propostas oficiais
apresentadas pelos próprios países.
"Esta é a primeira vez na história que uma coalizão de grupos da
sociedade civil dá um passo tão importante como esse. Juntos, produzimos
o documento jurídico mais coerente até agora, mostrando soluções
equilibradas e possíveis, baseadas na equidade e na ciência", disse , do
Kim Carstensen, da WWF Internacional.
O Tratado propõe um acordo jurídico constituído composto por três
partes: Protocolo de Kyoto atualizado, para reforçar as obrigações dos
países industrializados; um novo Protocolo de Copenhagen que exija um
compromisso jurídico dos Estados unidos e aponte caminhos para de uma
economia de baixo carbono nos países em desenvolvimento, apoiados pelos
países desenvolvidos; um conjunto de decisões que estabeleça as bases de
negociações para os próximos três anos.
O Tratado do Clima de Copenhagen foi proposto pelo Greenpeace, WWF,
IndyACT – a Liga independente dos Ativistas, Germanwatch, Fundação David
Suzuki, Centro de Ecologia Nacional da Ucrânia e especialistas
independentes de todo o mundo.
Leia o sumário executivo do tratado aqui.