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Se em Bali o acordo na Convenção da ONU sobre mudanças climáticas só saiu na prorrogação, em Bangcoc não foi muito diferente. As negociações entre representantes de 159 países duraram até os 48 minutos do segundo tempo, o que indica claramente que estamos perdendo tempo precioso para garantir passos muito modestos.
Os países desenvolvidos tentaram aprovar o uso das florestas como sumidouros de carbono, numa alternativa barata para deixarem de fazer sua lição de casa na redução de suas emissões de gases do efeito estufa. A proposta, criticada pelo Greenpeace, foi rejeitada por países como o Brasil, que aproveitou para defender a alocação de recursos para a adaptação e transferência de tecnologia, além da mitigação nos países em desenvolvimento.
“A responsabilidade do governo brasileiro só ira aumentar neste processo pois além de deter a presidência do grupo de negociação do novo acordo, temos a responsabilidade de liderar pelo exemplo positivo e acabar com o desmatamento de nossas florestas para contribuir na redução de nossas emissões de gases de efeito estufa”, afirma Marcelo Furtado, diretor de Campanhas do Greenpeace Brasil que participou do encontro na capital tailandesa.
Durante toda a semana o Japão (com o apoio incondicional dos EUA, Canadá e Austrália) teve um papel extremamente destrutivo. Para complicar mais a situação, o grupo como um todo perdeu horas e horas de negociação para chegar a um acordo sobre um mero plano de trabalho e uma lista de seminários. Com toda essa falta de confiança, podemos apenas imaginar como vai ficar esta dinâmica quando iniciarem as verdadeiras negociações para um novo acordo de redução de emissões.
Apesar de ainda vacilante, as negociações realizadas em Bangcoc deram seus primeiros passos nos rumos indicados pela Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas realizada em Bali, no final do ano passado. Para a próxima rodada de compromissos do Protocolo de Kyoto, foram incluídas as emissões de CO2 do transporte aéreo e marítimo internacional, mas o Greenpeace alerta para o fato de que os governos não terem a última palavra para determinar de fato a redução dessas emissões.
A questão foi entregue às organizações internacionais de transporte marítimo e de aviação civil, seguindo um acordo feito durante as negociações do Protocolo de Kyoto há mais de 10 anos. Como resultado da decisão tomada nesta sexta-feira, há um grande risco de essas organizações, controladas pela indústria, continuarem a ter permissão para gerenciar suas emissões como bem entenderem.
“Diminuir a poluição produzida pela aviação e navegação é crucial se quisermos evitar as mudanças climáticas, mas essas organizações nada fizeram além de conversar sobre o assunto durante anos”, afirmou Stephanie Tunmore, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Internacional.
“Agora, mais uma vez, a raposa pode ficar tomando conta do galinheiro. Não temos razão alguma para acreditar que essas indústrias vão agir responsavelmente e limitar ou reduzir voluntariamente suas emissões de gases do efeito estufa.”
Para Tunmore, os governos é que deveriam ficar responsáveis por acordos firmes para reduzir as emissões desses setores da indústria. “Os governos não devem abdicar dessa responsabilidade e entregá-la a organizações dominadas pela indústria. Este é um grande teste para ver se eles, os governos, são sérios em relação à ação necessária para combater as mudanças climáticas – como prometeram ao mundo em Bali, em dezembro”, diz ela.
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