O presidente George W. Bush discursou nesta sexta-feira durante o encontro promovido por ele na capital americana entre os países mais poluidores do mundo e em nada contribuiu para ajudar na redução do aquecimento global. Ele defendeu a criação de um fundo internacional para o desenvolvimento de tecnologias limpas de geração de energia e reafirmou sua posição de não aceitar um estratégia global para combater as mudanças climáticas.
A confiança de Bush que a tecnologia e o engajamento voluntário dos países poderá salvar o planeta é falsa e perigosa. Sem um compromisso concreto dos países industrializados com cortes de emissões de gases do efeito estufa, conforme negociações realizadas dentro do Protocolo de Kyoto, teremos chances muito reduzidas de enfrentar o problema adequadamente.
"A reunião de Washington não justificou nem as emissões de carbono dos vôos utilizados pelas delegações presentes. O Presidente Bush conseguiu provar mais uma vez que está na contra-mão da história e da opinião pública internacional”, diz Marcelo Furtado, diretor de Campanhas do Greenpeace Brasil. Segundo ele, Bush insiste em salvar o planeta com mágica tecnológica que permitirá manter o insustentável padrão de consumo americano e a
continuidade da geração de energia suja como carvão, óleo e nuclear.
"O mundo precisa de liderança e metas ambiciosas de redução das emissões de gases de efeito estufa. A boa notícia é que cada vez mais a indústria e os estados americanos estão ignorando seu presidente e se juntando a luta contra o aquecimento global”, afirmou.
Na quinta-feira, ativistas do Greenpeace e outras três ONGs – entre eles o diretor-executivo do Greenpeace EUA, John Passacantando -,
foram presos na sede do Departamento de Estado americano, em Washington, durante protesto contra a reunião promovida por Bush.
“Ele trouxe todos esses países a Washington e ofereceu nada de novo para ajudar a resolver o problema do aquecimento global. Ele parece pensar que cruzar os dedos e torcer para que a tecnologia é o suficiente para nos salve. Não é. Precisamos de cortes efetivo nas emissões dos gases de efeito estufa e precisamos já”, afirma Daniel Mittler, coordenador político do Greenpeace Internacional. “O tempo está acabando para o presidente Bush e para o planeta também. Recentes eventos como o derretimento recorde no Ártico nos diz algo importante. A ciência é clara – precisamos reduzir as emissões globais até 2015 e isso tem que acontecer dentro do Protocolo de Kyoto.”
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