A floresta amazônica arde sob o fogo criminoso que já destruiu milhares de quilômetros da região nos últimos anos. É necessária urgência no Plano de Mudanças Climáticas brasileiro para conter o desmatamento - vilão do aquecimento global.
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São Paulo —
A novidade do documento, lançado segunda-feira (1/12), pelo presidente Lula, são as metas de redução do desmatamento ilegal.
Apesar de serem consideradas um pequeno avanço, as metas de anunciadas
pelo governo são insatisfatórias. Desmatamento Zero é o ideal. O Plano
Nacional sobre Mudança do Clima prevê redução de 40% do desmatamento
ilegal entre 2006 e 2010, em relação à média do período 1996-2005, com
aumento de 30% a cada quatro anos. Além de tímidas, as metas são
condicionadas à obtenção de recursos internacionais.
“Num momento de crise internacional como o que vivemos, essa
condicionante, deixa uma justificativa pronta para o governo descumprir
as metas, além disso documento limita-se ao combate do desmatamento
ilegal - missão que, com ou sem PNMC, é obrigação do Governo”, diz o
diretor de políticas públicas do Greenpeace, Sérgio Leitão. “O Brasil
está na direção certa, mas na velocidade errada”, avalia.
Zerar o desmatamento é a forma mais rápida e barata de conseguir a queda
das emissões globais. Estudos do IPCC (sigla para Painel
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) apontam que o mundo pode
atingir o pico de emissões até, no máximo, em 2015, ano em que os
índices têm que começar a cair para que o processo de aquecimento global
não entre em um ciclo irreversível.
O anúncio do plano coincide com o primeiro dia da Conferência das Partes
(COP), que reúne, em Poznan, na Polônia, governos de todo o mundo, até o
dia 12 de dezembro para negociar o acordo que entrará em vigor quando o
Protocolo de Kyoto expirar, em 2012. “A maior contribuição brasileira
para a luta contra as mudanças climáticas é zerar o desmatamento até
2015”, afirma Leitão.
Para atingir essa meta, o Greenpeace defende que o governo brasileiro
lidere a formação de um fundo internacional de preservação de florestas,
que permita que os países ricos alcancem parte de suas metas de redução
com financiamentos de mecanismos de proteção de florestas em países em
desenvolvimento. “Mas as metas de redução de desmatamento não podem ser
condicionadas a neste mecanismo”, completa Leitão.
Vulnerabilidade
O capítulo sobre vulnerabilidade se resume a
indicações de estudos sobre o tema, não há medidas efetivas que indiquem
que o país está se estruturando para proteger a população dos impactos
das mudanças climáticas.
As mortes causadas pelas chuvas em Santa Catarina já podem ser
consideradas uma consequência do aquecimento global, resultado do
desmatamento da Mata Atlântica na região. “Já alertávamos para o
problema desde o furacão Catarina, em 2004. E continuamos a alertar: se
medidas mais efetivas contra o aquecimento global não forem tomadas
urgentemente, outras calamidades acontecerão”, afirma Leitão. Enquanto
Santa Catarina contabiliza suas perdas, os deputados da bancada
ruralista se articulam para votar mudanças no Código Florestal que
incentivam o desmatamento.
Energia
Sobre o tema energia, o plano continua sem metas de longo
prazo para a produção de energias renováveis. Já para a eficiência
energética, ganhou uma: 8%, bem abaixo dos 20% sugeridos pelo
Greenpeace. “O Brasil tem todas as condições geográficas e climáticas
para fazer uma verdadeira revolução energética, mas está perdendo essa
oportunidade”, diz Leitão.