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São Paulo (SP), Brasil — Artigo de Sérgio Leitão, diretor de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil, publicado no dia 7 de agosto no jornal O Globo.

A maratona de eleições para as Prefeituras e Câmara de Vereadores em todo o Brasil é uma excelente oportunidade para o debate de propostas para principais questões ambientais do País, que estão diretamente relacionadas à vida dos moradores das cidades. Uma das questões que deve ser tratada é a proteção das florestas situadas nas áreas urbanas - tema geralmente considerado irrelevante na agenda política das nossas metrópoles.

Além dos assuntos tradicionais para os quais devemos voltar nosso olhar, como segurança, emprego, educação e saúde, é fundamental incluir a proteção das florestas e dos mananciais para garantir a qualidade de vida nas cidades.
Não é possível conceber a vida, em nenhum lugar, sem água e ela não existe sem que a proteção das florestas recaia sobre os rios e os mananciais, fontes de água perene e abundante que abastecem as represas, de onde ela é retirada para chegar até nossas casas.

A situação é desesperadora na cidade de São Paulo e região metropolitana. Em dois dos principais mananciais de água da grande São Paulo, o total de florestas de Mata Atlântica protegidas é baixíssimo. Apenas 3% da área da bacia Guarapiranga está protegida por unidades de conservação. Na Billings, o índice é ainda menor: 2%.  

A produção de água de boa qualidade para o abastecimento nas cidades é essencial.  Por isso, é necessário que os candidatos aos cargos municipais se comprometam com a criação de áreas protegidas nas regiões de mananciais e com o reflorestamento das nascentes e matas ciliares, com a utilização de espécies nativas.

É preciso também garantir a manutenção das leis que protegem as florestas e as matas ciliares localizadas no espaço urbano. Apesar de todos os problemas ambientais que assolam as cidades de todo o País, o Código Florestal e a Lei do Parcelamento do Solo Urbano, estão ameaçados de revogação pelo projeto de lei 3.057/2000, da Câmara dos Deputados, conforme denúncia da Associação de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Annama).

Além de manter os mananciais, as árvores são remédio certeiro para combater os efeitos das mudanças climáticas que já se propagam pelo mundo. A dose certa desse remédio é 24 metros quadrados de áreas verdes e parques por habitante, o dobro do padrão fixado pela Organização Mundial de Saúde.

À semelhança dos bichos, nós também precisamos das florestas e das águas para viver, em que pese a nossa teimosia em reconhecer isso. Gente também é bicho!

Os cuidados com a floresta e com os mananciais fazem parte da plataforma ambiental que o Greenpeace lançou ontem. O documento reúne várias propostas que podem ser adotadas por qualquer município do País.  O objetivo é unir forças com outras organizações da sociedade civil e movimentos sociais para ajudar a compor um painel promissor de um futuro melhor para todo o povo brasileiro.