Você está aqui:
Em reunião nesta segunda, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, com o voto contrário do Ministério do Meio Ambiente, uma recomendação para a retomada da construção de Angra 3. Agora, cabe ao presidente Lula decidir sobre a matriz energética brasileira, validando a decisão do CNPE, que vai gastar mais de R$ 7 bilhões em uma energia poluidora e perigosa, ou optando por um futuro limpo e sustentável para o Brasil, com uma matriz baseada em renováveis como a energia eólica, solar e biomassa.
No início da reunião, ativistas do Greenpeace protestaram em frente ao Ministério de Minas e Energia contra Angra 3 e o programa nuclear brasileiro. O presidente Lula, representado por um ativista, demonstrava seu apoio à construção da usina. Outros manifestantes, fantasiados de bombas, carregavam placas com a mensagem “Angra 3,2,1...Governo, não ative essa bomba”. O protesto serviu para expor o que está por trás do programa nuclear brasileiro.
“Os interesses do setor nuclear não são energéticos, como ficou claro com a afirmação do ministro de Minas e Energia, Nelson Hubner, após a reunião. Eles visam garantir mais investimentos para a extração e o enriquecimento de urânio, indispensáveis para combustível nuclear, que pode ser utilizado em usinas, submarinos e bombas nucleares”, disse Guilherme Leonardi, da campanha de energia do Greenpeace.
Hubner chegou a afirmar durante coletiva após a reunião que, com Angra 3, criam-se condições para o Brasil implementar o ciclo completo de extração e enriquecimento de urânio em escala comercial.
“Essa fachada adotada pelo governo federal não convence. Além disso, é de conhecimento público que Angra 3 não vai afastar o risco de apagões, já que levará pelo menos seis anos para ficar pronta, além de ser a opção mais cara e insegura em termos de geração de energia.”, complementou.
O CNPE, composto por ministros, representante dos Estados, do Distrito Federal, da comunidade científica e da sociedade civil - ainda não nomeado - tem o papel de aconselhar o executivo federal no planejamento energético. Agora, a decisão final sobre a expansão do parque nuclear brasileiro está nas mãos do presidente Lula. Na semana passada, o presidente Lula tornou público seu apoio à Angra 3 ao afirmar, em discurso no Rio de Janeiro, que não há riscos de acidentes e que a energia nuclear é limpa porque não gera emissões de carbono.
Para o Greenpeace, ao contrário do que diz o presidente, a energia nuclear é cara, perigosa, gera poucos empregos e não é o caminho para o Brasil enfrentar o aquecimento global. Em termos de custos, com os R$ 7,4 bilhões previstos para construir Angra 3, seria possível instalar um parque de turbinas eólicas com o dobro da potência prevista para essa nova usina nuclear (1.350 MW), gerar 32 vezes mais empregos, sem produzir lixo radioativo ou trazer risco de acidentes graves. - Veja a carta das organizações enviada ao Presidente e aos membros do CNPE. - Proteste agora! Diga ao Presidente e aos membros da CNPE que você é contra a instalação de mais usinas nucleares no Brasil.
Outro problema apontado pela ONG é o tempo que seria necessário para concluir a usina. Segundo as previsões oficiais e afastando-se a possibilidade de atrasos nas obras, Angra 3 levaria pelo menos seis ou sete anos para começar a gerar energia. Um parque eólico com a mesma potência de Angra 3 ficaria pronto em, no máximo, dois anos. O Brasil ainda não possui depósito definitivo para o lixo radioativo das usinas Angra 1 e 2 e a entrada em funcionamento de Angra 3 agravaria este problema.
Ao final do protesto, os representantes do Greenpeace encaminharam à Presidência da República e aos membros do CNPE uma carta assinada por 14 organizações em repúdio à construção de Angra 3 e reivindicando a imediata nomeação do representante da sociedade no CNPE, de acordo com o regulamento do próprio Conselho. “Lula corre o risco de entrar para a história como o líder que ressuscitou o decadente e desnecessário Programa Nuclear Brasileiro, deixando uma herança radioativa e perigosa para as futuras gerações”, finaliza Leonardi.