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Ato promovido pelo Greenpeace em memória das vítimas do acidente 
radioativo com o césio-137, no centro de Salvador, reuniu cerca de 40 
manifestantes.

Ato promovido pelo Greenpeace em memória das vítimas do acidente radioativo com o césio-137, no centro de Salvador, reuniu cerca de 40 manifestantes.

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Salvador, Brasil — Manifestação realizada pelo Greenpeace, GAMBA e Instituto Paulo Jackson na semana do 20º aniversário da tragédia aponta os riscos da energia nuclear.

Ativistas vestidos de preto promoveram nesta segunda-feira, em Salvador, um ato em memória das vítimas do acidente radioativo com o césio-137. A manifestação reuniu cerca de 40 pessoas e foi realizada na Praça Municipal do centro histórico da capital baiana. Os ativistas deitaram no chão enquanto uma pessoa disfarçada de morte representava os riscos da energia nuclear. A morte simbólica foi uma maneira de lembrar os mais de 60 mortos e as milhares de pessoas afetadas pelo acidente com as cápsulas radioativas de césio-137 em Goiânia, que completa 20 anos esta semana. O ato foi iniciativa do Greenpeace, GAMBA e Associação Movimento Paulo Jackson Ética, Justiça e Cidadania, e contou com a participação de Suely Lima de Moraes Silva, representando a Associação das Vítimas do Césio 137 (AVICÉSIO).

Representantes das comunidades afetadas pela mineração de urânio no município baiano de Caetité também participaram do ato. O urânio, após passar por um processo de enriquecimento para aumentar sua concentração, é utilizado como combustível em usinas nucleares como as de Angra 1 e 2. Caetité é a única unidade produtora de urânio no Brasil hoje e as operações da INB (Indústrias Nucleares do Brasil) já foram alvo de multas e autuações por parte do IBAMA. Segundo o relatório da Câmara dos Deputados, a mina de Caetité opera há cinco anos apenas com licença provisória por incapacidade de cumprir os requisitos para obtenção de licença permanente. Vale ressaltar que a controladora da INB é justamente a CNEN.

"A decisão de construir Angra 3 e retomar o Programa Nuclear Brasileiro é ainda mais preocupante para os baianos, que sabem das ilegalidades, insegurança, negligência e imperícia técnica que caracterizam as atividades de extração e beneficiamento de urânio em Caetité (BA)", afirmou Zoraide Vilasboas, coordenadora da Associação Movimento Paulo Jackson - Ética, Justiça e Cidadania. "Sindicatos, organizações e movimentos sociais e populares exigem a implantação com urgência de uma política de fiscalização e controle para a exploração de urânio no estado e no país", completou.

TRAGÉDIA EM GOIÂNIA

Até hoje, a tragédia de Goiânia em 1987 é considerada o pior acidente radioativo em área urbana da história. Uma cápsula com cerca de 19 gramas do césio-137 foi descoberta por dois catadores e, depois de aberta, contaminou mais de 6 mil pessoas - dos familiares dos catadores a policiais, bombeiros e responsáveis pelo transporte do material - além de gerar 20 toneladas de lixo radioativo.

O acidente de Goiânia expôs a incapacidade do governo federal em garantir a segurança das instalações nucleares no Brasil. Essa incapacidade foi mais recentemente detalhada pelo relatório da Câmara dos Deputados “Fiscalização e Segurança Nuclear”, publicado em 2006. O documento aponta diversas falhas na estrutura de controle das atividades nucleares no Brasil tais como a ambigüidade de funções da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que acumula os papéis de fomento, pesquisa e fiscalização das atividades nucleares do país.

“O governo brasileiro não tem capacidade de garantir a segurança das instalações nucleares que já existem e, mesmo assim, decidiu investir mais R$ 7 bilhões na construção da usina nuclear Angra 3. Os enormes riscos e os altos custos envolvidos tornam este projeto inaceitável”, disse Ricardo Baitelo, da campanha de energia do Greenpeace.

As entidades promotoras do ato em Salvador afirmam que o 20º aniversário da tragédia de Goiânia serve como um momento de reflexão para a sociedade brasileira. “Agora que o governo federal anuncia a retomada do programa nuclear brasileiro, a sociedade deve se mobilizar e deixar claro que não quer conviver com mais este risco”, afirmou Renato Cunha, do GAMBA.

Para saber um pouco mais sobre a história do acidente e participar da ciberação contra a retomada do programa nuclear brasileiro (e a conseqüente construção da usina de Angra 3), clique aqui.