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As obras de Olkiluoto são grande fonte de problemas: estão com dois 
anos de atraso, orçamento estourado em milhões de euros e com inúmeros 
problemas de segurança. E a Areva, estatal francesa responsável pelo 
projeto ainda que vender pelo mundo EDRs como a usina finlandesa.

As obras de Olkiluoto são grande fonte de problemas: estão com dois anos de atraso, orçamento estourado em milhões de euros e com inúmeros problemas de segurança. E a Areva, estatal francesa responsável pelo projeto ainda que vender pelo mundo EDRs como a usina finlandesa.

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Amsterdã, Holanda — Usina em obras na Finlândia pela estatal francesa Areva, mesma de Angra 3, tem problemas nos sistemas eletrônicos de controle.

Não bastasse estar com suas obras atrasadas em três anos e ter estourado o orçamento em mais de 50% do valor original, a usina nuclear Olkiluoto 3 agora apresenta mais um problema, desta vez bem mais grave. Segundo denúncia feita pela TV finlandesa nesta terça-feira, o Reator Pressurizado Europeu (EPR, na sigla em inglês) em construção na Finlândia pela estatal francesa tem sérios problemas em seus sistemas de controle eletrônico de segurança. 

A denúncia foi feita com base em uma carta enviada pelo STUK, órgão regulador do setor nuclear finlandês, à Areva, estatal francesa responsável pelas obras da usina EPR - tida como modelo da nova geração de reatores nucleares que a Areva vem tentando vender a diversos países, entre os quais o Brasil.

A carta alerta para a falta de 'progresso real' no 'desenho dos sistemas de controle de proteção", que poderiam causar a interrupção das obras. Os sistemas eletrônicos de controle estão entre os componentes essenciais de uma usina nuclear. Eles controlam tudo num reator, dos níveis de energia a sistemas de refrigeração, e são essenciais para assegurar os mecanismos de segurança do reator.

A conformidade do desenho do sistema eletrônico de controle com a regulamentação nuclear deveria ser uma pré-condição para a permissão das obras do reator, que foi dada em 2005.

"Nós alertamos para o fato em 2005 que o desenho do reator francês EPR de Olkiluoto 3 era insuficiente", afirmou Lauri Myllyvirta, da campanha de Energia do Greenpeace Nórdico na Finlândia. "A Areva obteve vantagem da ingenuidade das autoridades finlandesas e cortou procedimentos essenciais em todas as fases das obras da usina."

A Areva está envolvida no projeto de construção da usina Angra 3, recém licenciada pelo governo brasileiro. A empresa francesa também participou de serviços recentes de manutenção em Angra 1 e será beneficiada com os tratados de cooperação nuclear assinados entre França e Brasil em dezembro de 2008. O EPR seria forte candidato a modelo de reator no Brasil caso o país confirme sua intenção de construir novas usinas nucleares.

"As notícias vindas da Finlândia mostram que não há nada de novo em relação à tecnologia nuclear. Mesmo em países europeus com forte cultura nuclear, os problemas de segurança, prazos e custos estourados das usinas continuam, bem como segue sem solução o problema do lixo radioativo", afirma Rebeca Lerer, coordenadora da campanha Nuclear do Greenpeace. 

"Ao importar tecnologia nuclear da França, o Brasil importa também esse legado de problemas não resolvidos, aumentando os custos da opção atômica para o  país."

A carta enviada à presidente da Areva, Anne Lauvergeon, em dezembro de 2008, pelo diretor geral da STUK, Jukka Laaksonen, indica uma falta grave de profissionalismo na construção de Olkiluoto 3, afirmando que "a atitude ou falta de conhecimento profissional" dos representantes da Areva "evita o progresso na solução das preocupações e erros do desenho original não estão sendo corrigidos." De acordo com a carta, a STUK ainda aguarda que a Areva providencie "um projeto apropriado que siga os princípios básicos da segurança nuclear."

"A Areva nunca perde uma oportunidade de promover seu inacabado reator nuclear por todo o mundo como sendo seguro, mas aparentemente, as medidas básicas de segurança só existem nos prospectos de vendas da Areva", afirmou Aslihan Tumer, da campanha de Energia do Greenpeace International. "Isso deve servir de alerta para outros países que ainda consideram fazer negócios com a empresa francesa.”