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"EPR = PERIGO" pintado pelos militantes do Greenpeace em todo o Leste 
da central nuclear de Belleville-sur-Loire

"EPR = PERIGO" pintado pelos militantes do Greenpeace em todo o Leste da central nuclear de Belleville-sur-Loire

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São Paulo — Dois altos executivos da companhia de energia EDF responderão processo por espionagem

O escritório do Greenpeace na França estava sendo espionado pela EDF, estatal que opera os 59 reatores nucleares em funcionamento naquele país.

Dois altos executivos da empresa foram acusados pelo tribunal francês de estarem envolvidos no esquema. Apesar de a EDF ter sido parcialmente estatizada em 2006, o governo francês continua controlando 84,9% das ações da companhia.

Para o Greenpeace, o esquema de espionagem é mais um exemplo da incapacidade da indústria nuclear francesa de abrir um debate democrático sobre o uso desse tipo de energia. Em vez de chamar a sociedade para o debate como propõe o Greenpeace, a indústria nuclear francesa aplica táticas da época da Guerra Fria contra a organização.

 “Esse é o tipo de comportamento que podemos esperar da indústria nuclear francesa, com quem o Brasil está fechando negócios bilionários relacionados às usinas de Angra dos Reis e à construção de submarinos nucleares”, diz a coordenadora da campanha contra energia nuclear do Greenpeace Brasil, Rebeca Lerer.

Em dezembro de 2008, o presidente francês Nicolas Sarkozy esteve no Brasil e firmou cooperação nuclear com o presidente Lula em diferentes áreas, principalmente no setor militar. Os acordos assinados entre os dois países incluem o desenvolvimento de um submarino nuclear e a construção de um estaleiro e de uma base para submarinos nucleares no Rio de Janeiro, o que custará ao governo brasileiro R$28,38 bilhões. Está agendado para amanhã, às vésperas da reunião do G20 em Londres, um encontro entre os presidentes do Brasil e da França. A cooperação nuclear deve constar da pauta da discussão entre os dois países.

A falta de transparência e outros problemas da indústria nuclear francesa foram detalhados no relatório “Fracassos Nucleares Franceses”, elaborado pela Global Chance - organização francesa sem fins lucrativos que reúne especialistas independentes em energia. A versão em português do relatório foi lançada no último dia 17 de março pelo Greenpeace, junto como uma análise das relações nucleares entre Brasil e França, especialmente as que envolvem a estatal francesa Areva, que constrói e faz a manutenção de usinas.

"O Greenpeace é uma organização ambiental não-violenta e o fato de que estarmos sendo tratados como terroristas na França porque nos atrevemos a questionar a eficiência e a segurança da energia nuclear demonstra o medo da transparência e de um debate democrático por parte dessa indústria", diz Rebeca. Para o Greenpeace, o setor nuclear brasileiro também teme a democracia e o amplo debate. “O governo federal atropelou a Constituição Federal e aprovou a construção da usina nuclear Angra 3 sem consultar o Congresso Nacional”, afirma Rebeca. Até hoje, o setor nuclear brasileiro é protegido por leis de sigilo criadas durante a ditadura militar.

Desenvolvida na época da Guerra Fria, a energia nuclear é parte da indústria militar. Os dois setores são inseparáveis. “Governos e empresas de eletricidade em todo o mundo devem rejeitar a EDF e impedir que ela ou qualquer outra companhia desse perigoso e antidemocrático setor se instale no país”, disse Pascal Husting, diretor executivo do Greenpeace na França. “Seja no Brasil ou em qualquer outro país, essa será a conduta da EDF e da Areva uma vez que estas empresas tenham acesso à seus mercados energéticos”.