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Água entregue foi coletada em Caetité, na Bahia, onde a INB opera uma mina de urânio.
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Os ministros Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) e Carlos Minc (Meio
Ambiente) receberam hoje garrafas contendo ‘água radioativa’ que era
consumida por parte da população de Caetité, no sudoeste da Bahia. A
água, coletada em poços que apresentaram altos índices de urânio, foi
entregue por um ativista vestido de “garçom-caveira” para cobrar
medidas do governo federal em relação à denúncia feita pelo Greenpeace
em outubro.
A investigação da organização ambientalista mostrou que a água
consumida por famílias que vivem na área de influência direta da mina
de urânio operada pela estatal Indústrias Nucleares Brasileiras (INB)
apresentava concentrações do mineral radioativo até sete vezes acima
dos limites da Organização Mundial de Saúde (OMS). Na ocasião, foi
divulgado o relatório “Ciclo do Perigo: Impactos da produção de
combustível nuclear no Brasil”, que detalhou as análises da qualidade
da água bem como os acidentes, infrações e problemas de licenciamento
que marcam a operação da INB em Caetité.
Após a denúncia, o Instituto de Gestão das Águas (Inga) da Bahia fez
novas coletas de água e confirmou a contaminação ambiental por urânio
em um poço na mesma região das análises do Greenpeace, localizado
dentro do raio de 20 quilômetros no entorno da mina, definido pela
licença ambiental do Ibama como área de influência direta do
empreendimento da INB. Em novembro, após audiência pública
para tratar do caso, o Ministério Público Federal determinou que uma
auditoria independente fosse realizada para esclarecer a origem e a
extensão da contaminação e os outros problemas relacionados à INB.
Assista ao vídeo da audiência pública:
“Viemos cobrar medidas do governo federal, que ainda não se pronunciou
a respeito da contaminação da água por urânio em Caetité”, afirmou
Rebeca Lerer, coordenadora da campanha de energia nuclear do
Greenpeace. “Até agora, a INB, que é uma empresa estatal controlada
pela Comissão Nacional de Energia Nuclear e vinculada ao MCT,
limitou-se a negar qualquer responsabilidade sobre o caso e não está
colaborando com a investigação independente decidida pelos procuradores
federais”.
Um estudo preliminar do MPF, porém, está em curso graças a convênio com
o Inga. O órgão estadual está custeando o trabalho de uma equipe de
especialistas independentes que está analisando os problemas da
mineração de urânio na Bahia. Segundo o MPF, serão adotadas medidas
judiciais para garantir a realização de uma ampla auditoria ao longo de
2009 sobre a atuação da INB. Após mais de 40 dias de problemas no
abastecimento da água, as comunidades de Caetité se mobilizaram e já
contrataram um escritório de advocacia de Salvador para defender seus
direitos à informação e à água de qualidade.
“Antes de investir bilhões de reais de recursos públicos na retomada de
um perigoso Programa Nuclear Brasileiro, o governo federal tem que
considerar a saúde e o direito à informação das pessoas que vivem à
sombra das operações da INB e que já sofrem na pele as conseqüências do
uso da energia nuclear. É obrigação moral do governo tomar todas as
providências para que a situação seja esclarecida de vez e o mais
rápido possível”, conclui Rebeca.