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As obras de Olkiluoto são grande fonte de problemas: estão com dois 
anos de atraso, orçamento estourado em milhões de euros e com inúmeros 
problemas de segurança. E a Areva, estatal francesa responsável pelo 
projeto ainda que vender pelo mundo EDRs como a usina finlandesa.

As obras de Olkiluoto são grande fonte de problemas: estão com dois anos de atraso, orçamento estourado em milhões de euros e com inúmeros problemas de segurança. E a Areva, estatal francesa responsável pelo projeto ainda quer vender pelo mundo EDRs como a usina finlandesa.

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Finlândia — Documentos obtidos pelo Greenpeace revelam que as obras da usina finlandesa Olkiluoto 3 não seguiram procedimentos básicos.

Documentos confidenciais obtidos pelo Greenpeace revelam que os procedimentos básicos de segurança não foram seguidos na construção do Reator Pressurizado Europeu (EPR, na sigla em inglês) Olkiluoto 3, na Finlândia. O Greenpeace exige que a obra seja paralisada imediatamente.

Dr. Helmut Hirsh, especialista independente em segurança nuclear, analisou os documentos e concluiu que as violações ocorridas no EPR finlandês são "um claro caso de más práticas e indicadores de uma cultura de segurança ruim", e dá "razão para preocupações sérias sobre a resistência do prédio do reator de Olkiluoto 3", aumentando o risco associado a eventos externos como terremotos, explosões ou impacto de mísseis. Hirsh tem 30 anos de experiência na área e trabalhou para os governos da Áustria e da Alemanha. Ele é membro do grupo de especialistas da Agência de Energia Nuclear da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico  

Os documentos técnicos, que incluem Especificações de Procedimento de Soldagem, mostra que a estatal francesa Areva, responsável pelas obras, permitiu que trabalhos de soldagem fossem feitos fora dos procedimentos aprovados durante mais de um ano. A qualidade da solda não foi verificada e amostras de testes de cada porção de soldas não foram coletadas. Se levarmos em conta que não há pessoal qualificado para supervisionar a soldagem, a falta de padrão é ainda mais alarmante.

Clique aqui para saber mais sobre o conteúdo dos documentos obtidos pelo Greenpeace (arquivo pdf, com texto em inglês).

"Enquanto que a energia nuclear é inerentemente insegura, a falta de uma cultura de segurança por parte da contratante Areva e seus subcontratados pode exarcebar significativamente os riscos relacionados a esse reator nuclear. Não estamos falando de uma fábrica de biscoitos - construir uma usina nuclear exige cuidados extremos. Negligenciar padrões de segurança pode ser desastroso", afirma Lauri Myllyvirta, da campanha de Nuclear do Greenpeace Finlândia.

Este é o mais recente caso de uma série de erros na construção de Olkiluoto 3, um EPR desenhado pela França. Apesar dos trabalhos terem começado recentemente, em 2005, o reator EPR na Finlândia está com seu cronograma de obras atrasado em dois anos, teve seu custo dobrado desde o orçamento inicial e mais de mil problemas foram registrados, incluindo aí uso de concreto de baixa qualidade, defeitos em soldagens e uso de componentes chaves fora dos critérios exigidos. No final de julho, um incêndio no local da obra causou sérios danos nas partes externas e internas das estruturas do muro do prédio do reator.

Os dois reatores EPR que estão sendo construídos no mundo - Olkiluoto 3 e Flamanville 3, na França – convivem com vários problemas de segurança, atrasos e custos cada vez maiores. Apesar disso, o presidente francês Nicolas Sarkozy e as estatais Areva e Electricité de France (EDF) vêm tentando vender os reatores franceses para vários países, como Brasil, Canadá, África do Sul, Turquia, Grã-Bretanha e Estados Unidos.  

A energia nuclear prejudica o investimento em soluções mais inteligentes e viáveis para combater as mudanças climáticas, como o foco em fontes renováveis e programas de eficiência energética. Nosso relatório [R]evolução Energética mostra que essa combinação pode suprir o mundo com metade da energia necessária até 2050, sem a energia nuclear.