Ativista protesta em frente à sede da Eletrobrás, no Rio de Janeiro, contra o investimento da estatal em energia nuclear. O Greenpeace aproveitou a ação para lançar seu relatório Elefante Branco: os verdadeiros custos da energia nuclear, que revela quanto realmente vai custar a construção de Angra 3.
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Brasília, Brasil —
TCU libera a construção de Angra 3
O Tribunal de Contas da União (TCU)
liberou hoje a continuidade das obras da usina nuclear Angra 3, apesar
do superfaturamento de R$ 469,3 milhões descoberto em seu orçamento.
Mas impôs à Eletronuclear a obrigação de apresentar um novo contrato de
construção com corte de R$ 120 milhões sobre o valor inicial em 30 dias.
A expectativa era de que, se a explicação da construtora Andrade
Gutierrez sobre o valor não se mostrasse satisfatória, seria aberta uma
nova licitação. Porém, o governo brasileiro mais uma vez permite que a
indústria nuclear avance em seu processo de expansão, sem considerar o
contribuinte brasileiro. "O TCU vai contra a sua própria investigação",
afirma André Amaral, coordenador da campanha de energia nuclear do
Greenpeace Brasil. "É decepcionante ver o governo autorizar uma obra
sem nem ter a certeza de quanto será gasto nela. É um desrespeito com o
cidadão brasileiro, principalmente quando o próprio TCU afirma que
serão utilizados na usina equipamentos com mais de 30 anos de
fabricação."
O Greenpeace e o Partido Verde entraram com uma representação ao TCU em
novembro de 2007, o que levou a uma revisão dos contratos apresentados
pela Eletronuclear e a uma visita dos técnicos do tribunal às
instalações das centrais nucleares em Angra dos Reis, em setembro de
2008. O TCU encontrou graves irregularidades no orçamento da usina,
como o “sobrepreço decorrente de preços excessivos frente a mercado”.
O superfaturamento verificado equivale a 6% do valor total da obra
previsto pelo governo. Exemplos de irregularidades não faltam. Para os
serviços de pintura da usina, em especial os de acabamento realizados
com tinta Epóxi, tem-se uma superestimativa de 810% para a 1ª demão
(paredes e tetos) e de 224% para a 2ª demão - um valor que certamente
sairá do bolso de cada contribuinte brasileiro.
Além das perdas decorrentes do superfaturamento, atrasos constantes
incham o valor da obra e aumentam o já imenso desperdício de dinheiro
público. Do início da construção à previsão de operação, Angra 3 deve
tomar pelo menos 31 anos, de acordo com estimativas do governo. Essa é
uma constante na história dos projetos nucleares brasileiros: Angra 1
tomou 13 anos, e Angra 2, 24 anos. Com isso, Angra 3 custará, além dos
R$ 7,3 bilhões inicialmente divulgados pelo governo, pelo menos mais R$
2,372 bilhões por conta dos juros sobre o capital imobilizado para a
obra. A Areva, estatal francesa que instalará o reator da usina, já tem
em seu currículo a usina de Olkiluoto-3 na Finlândia, que teve suas
obras atrasadas em mais de três anos e um estouro no orçamento em mais
de 50% do valor original.
Além do prejuízo financeiro, o contribuinte brasileiro ainda terá de
amargar o prejuízo ambiental e social. O governo insiste em aplicar seu
dinheiro em uma forma de geração de energia ultrapassada, cara, suja e
perigosa. Ao mesmo tempo, deixa de lado o enorme potencial que o Brasil
apresenta na geração de energia por fontes renováveis – só em eólica
são 143 mil MW, o equivalente a mais de 100 usinas de Angra 3. Cada R$
1 bilhão em eficiência energética pode evitar o investimento de R$ 40
bilhões em plantas nucleares para gerar o mesmo volume de eletricidade.