Antes de mais nada, é bom que se diga: baleias são mamíferos e, assim sendo, não são peixes. É bom ficar clara essa diferenciação porque ela tem conseqüências para a sobrevivência das espécies.
Historicamente as baleias foram tratadas como peixes pela indústria baleeira, um equívoco mortal para elas.
A maioria de espécies de peixes se reproduzem através da liberação, pelas fêmeas, de enormes quantidades de ovos na água que, então, são fertilizados pelos machos. Em condições ambientais normais, apenas uma pequena porcentagem desses ovos fecundados chegarão à forma adulta. Ainda assim, o número de ovos que vingam é alto e podem suprir às necessidades de consumo do ser humano, desde que se encontre formas sustentáveis de exploração.
Por outro lado, as baleias são mais parecidas com o homem e demais mamíferos. Ou seja, têm sangue
quente, respiram ar pelos pulmões, e dão à luz filhotes bem
desenvolvidos, que crescem sendo amamentados por suas mães. O período
de gestação é bastante longo e, normalmente, um filhote nasce a cada um
ou dois anos, requerendo mais de um ano de cuidados maternais, antes de
poder sobreviver sozinho. Esse filhote pode levar muitos anos para atingir a
maturidade. Por essas razões, as baleias se recuperam muito lentamente das perdas
provocadas durante sua exploração comercial.
Existe também um enorme desconhecimento sobre muitos aspectos da
biologia das baleias. Elas são incrivelmente adaptadas à vida aquática
e, quando submersas, se comunicam através de complexas séries de
cliques, estalos e assobios. As jubartes, por exemplo, são famosas por
suas "canções" - longas melodias que os machos entonam na época de
acasalamento.
Estudos sobre baleias já revelaram um comportamento social bastante
desenvolvido. Algumas espécies formam grupos com forte organização
social, nos quais os indivíduos alimentam-se juntos e protegem jovens e
doentes de forma coordenada e bastante elaborada.
QUANTAS BALEIAS EXISTEM?
Após décadas de pesquisas, as taxas de crescimento das populações
de baleias são ainda desconhecidas, por causa da dificuldade de se
estudar esses animais altamente migratórios, de vida longa e reprodução
lenta. Também não há estimativas seguras das taxas de natalidade ou das
taxas de mortalidade natural de filhotes ou de animais jovens. Mesmo os
métodos mais modernos utilizados para determinar o tamanho das
populações hoje existentes, não conseguem contar o número de indivíduos
com precisão. A atividade baleeira não reconhece esse problema,
escolhendo estimativas que justificam a caça.
Para o Greenpeace, o método utilizado para caçar baleias é cruel e
os produtos dessa atividade não suprem necessidades humanas essenciais.
A caça está acabando com animais especiais e importantes para o
ecossistema marinho. Além disso, grandes mamíferos de topo de cadeia,
como as baleias, são indicadores da saúde do ambiente e da
biodiversidade disponível para o futuro. Seu desaparecimento é um
empobrecimento biológico, o que compromete as condições de
sobrevivência do próprio homem.