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Sérgio Leitão, diretor de campanhas do Greenpeace Brasil, abre evento sobre os impactos ambientais causados pela criação de camarão (carcinicultura) no Ceará. Estiveram presentes ONGs ambientalistas do estado, especialistas da Universidade Federal do Ceará e donos de restaurantes de Fortaleza.
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O consumo de camarão numa cidade como Fortaleza é típico de uma
cidade praiana, de muito sol. As porções e pratos feitos com o
crustáceos estão em praticamente todos os restaurantes e bares da
capital cearense, para deleite dos milhares de turistas que visitam a
cidade todos os anos. Mas o que esses turistas não sabem - e muitos dos
donos de restaurantes também não - é que o camarão servido, quase todo
produzido em fazendas de criação, tem grande impacto ambiental na
região, causando inúmeros problemas aos manguezais e às comunidades
pesqueiras. A carcinicultura (nome técnico da criação de camarão) é
hoje um dos grandes problemas ambientais do Ceará.
O Greenpeace
em parceria com organizações cearenses como o Fórum em Defesa da Zona
Costeira do Ceará (FDZCC), Instituto Terramar e Aquasis, promoveu nesta
segunda-feira um evento a bordo do navio Arctic Sunrise para revelar os
problemas ambientais causados pelo cultivo de camarão em Fortaleza. O evento foi o último da expedição Salvar o Planeta. É Agora ou Agora em Fortaleza. O navio Arctic Sunrise agora segue para Recife. Confira as datas aqui.
Centenas de donos de restaurantes e supermercados foram convidados para o evento, para discutir o assunto e pensar nas soluções viáveis para recuperar os estoques de camarão do mar e evitar que a atividade da carcinicultura continue destruindo os manguezais cearenses e também a atividade de comunidades pesqueiras. Apenas vinte deles confirmaram presença e apenas quatro compareceram ao evento, que começou às 9 horas da manhã com apresentação de um grupo musical de crianças, com canções ambientais, visitação ao Arctic Sunrise e, por fim, exposição de especialistas sobre os problemas da carcinicultura.
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Leia aqui as 13 razões para não à carcinicultura.
"É
uma pena que os empresários de Fortaleza não tenham se sensibilizado
para vir aqui discutir esse tema tão delicado e importante para o meio
ambiente. A carcinicultura está causando danos irreversíveis em áreas
de manguezais do Ceará, baseada em falsas premissas", afirma Leandra
Gonçalves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace Brasil.
"As
fazendas de camarão estão invadindo Áreas de Preservação do Ceará e
causando grandes estragos. Outro problema causado pela criação de
camarão no Estado é o desmatamento dos manguezais – cerca de 25% dos
empreendimentos existentes no Ceará estão localizados em áreas de
mangue e mais de 50% não têm licença ambiental para operar", diz.
O empresário Eduardo Sisi, proprietário do restaurante Moana, na avenida Beira Mar de Fortaleza, compareceu ao evento e admitiu saber quase nada sobre o assunto.
"Vim para aprender e descobrir como a carcinicultura afeta nosso meio ambiente. Não conheço os impactos e por isso estou aqui. Me preocupo com o meio ambiente. Não teria problema algum em deixar de comprar camarão produzido em fazendas de criação. Temos que cuidar do que temos hoje para termos sempre, amanhã e depois", afirmou.
Para Dioneide Costa, coordenadora do Procon de Fortaleza, o evento promovido pelo Greenpeace é importante para conscientizar os donos de restaurantes e supermercados de que a atual produção da carcinicultura não é sustentável.
"Espero que a discussão se fortaleça aqui no Ceará para evitarmos a destruição total de nossos manguezais. Hoje, cerca de 30% deles já foram devastados."
Veja nossa coleção de fotos de Fortaleza no Flickr.