Muito bem-vindo o anúncio do governo australiano de que vai tomar uma série de medidas para proteger as baleias no Santuário da Antártica contra os baleeiros japoneses, que este ano planejam matar mais de mil animais na região, entre os quais 50 jubartes e 50 fins, espécies ameaçadas de extinção.
A decisão tomada pela Austrália esta semana aumenta a pressão diplomática sobre o Japão, que já foi questionado pelos Estados Unidos sobre essa absurda 'caça científica', mas é preciso promover ações urgentes sob a Convenção Internacional de Espécies Ameaçadas (CITÉS) para evitar a matança.
"O governo pode tomar medidas concretas para proteger a indústria de observação de baleias da Austrália, que fatura cerca de US$ 300 milhões por ano, fazendo um protesto formal na CITÉS contra a proposta do Japão de matar jubartes", afirma Steve Shallhorn, diretor executivo do Greenpeace Austrália.
"Qualquer quantidade de carne de jubarte que chegar aos portos do Japão será ilegal sob a convenção CITÉs", afirmou Shallhorn. "As baleias jubartes estão listadas no Apêndice 1 da CITÉS, que não permite a comercialização de produtos de espécies ameaçadas."
A Austrália informou que pretende enviar aviões de reconhecimento e o navio Oceanic Viking para monitorar a frota baleeira japonesa na Antártica. O Greenpeace também está na região, com o navio Esperanza, para defender a vida de milhares de baleias que estão no momento sob ameaça.
Confira o nosso blog de Oceanos, com os relatos de Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de Baleias do Greenpeace Brasil, sobre a expedição do Esperanza no Santuário de Baleias da Antártica.
20 anos sem caça no BrasilNo último dia 18 de novembro foi comemorado o vigésimo aniversário da Lei Federal 7,643 que determinou a proibição da caça às baleias em águas territoriais brasileiras.
A instituição da caça industrial de baleias no Brasil aconteceu em 1910, com a criação da empresa Copesbra, de capital brasileiro e japonês. Com sede na Paraíba, a empresa operou por todo o litoral nacional até 1986, quando o então presidente José Sarney sancionou a lei proibindo a caça - de autoria dos então parlamentares Fábio Feldmann e Gastone Righi, e o vice-almirante Ibsen de Gusmão Câmara. Alei entrou em vigor no ano seguinte.
Apesar da importância da data e dos protestos internacionais contra o Japão e sua pretensa caça científica, o atual governo brasileiro ainda não se pronunciou sobre o assunto, o que seria importante para aumentar a pressão sobre os japoneses. No ano que vem, na reunião da Comissão Internacional Baleeira (CIB) no Chile, o Japão e seus aliados tentarão derrubar a moratória à caça - e com isso, o sonho de muitos de se criar o Santuário de Baleias do Atlântico Sul. Esperamos que as autoridades brasileiras tomem logo uma posição para garantir a sobrevivência das baleias em todo o mundo.