Ambos estão sendo julgados por
denunciar um escândalo na chamada “caça científica” de baleias
promovida por aquele país e que o governo continua vergonhosamente
tentando esconder.
Primeiro, a corte reconheceu que a evidência
da fraude não pode ser retirada. Depois, a questão que envolve a
proteção de Junichi e Toru e suas ações sob a Declaração Internacional
dos Direitos Humanos pode e será discutida durante o julgamento. E por
último, foi solicitado que o promotor apresente testemunhas que não
tinham sido ouvidas até então, o que pode se tornar fundamental no caso.
A
promotoria já havia tentado retratar as ações de Junichi e Toru como um
simples caso de roubo, impedindo assim qualquer discussão sobre
contrabando. A corte, em uma atitude correta, se recusou aceitar a
acusação, apontando que essa evidência não pode ser retirada do caso –
pois comprova a intenção de Junichi e Toru de fazer vir à tona um
escândalo muito maior dentro do governo japonês, promovido pelo seu
programa de caça às baleias.
Se acusados, Junichi e Toru podem
pegar até dez anos de prisão. Em maio de 2008 ambos interceptaram uma
caixa contrabandeada de carne de baleia a apresentaram ao Ministério
Público que imediatamente abriu uma investigação sobre a possível
corrupção envolvendo o programa de caça subsidiado pelo governo
japonês. A investigação foi interrompida logo depois – no mesmo dia em
que Junichi e Toru foram presos e o escritório do Greenpeace Japão
revistado.
A corte também solicitou que a promotoria apresente
suas provas. Isso inclui declarações feitas à polícia pelo “dono” da
caixa interceptada, várias pessoas que forneceram a carne de baleia a
ele e um empregado da frota baleeira da Kyodo Senpaku, que organizou o
transporte da “bagagem pessoal” da tripulação do navio para as suas
casas. “Com a opinião do promotor sendo rejeitada pela corte, ganhamos
um apoio nesse caso e a oportunidade de provar o contrabando”, afirma
Yuichi Kaido, advogado de defesa.
Na realidade, o que o promotor
parece estar tentando fazer é manter o escândalo do contrabando de
carne de baleia e muitas testemunhas do lado de fora do tribunal e
longe da opinião pública. Tudo isso só fez com que os juízes ficassem
mais intrigados sobre o caso.
“O governo espera esconder esse
escândalo colocando quem o denunciou em julgamento”, disse Jun
Hosshikawa, diretor-executivo do Grenpeace Japão. “Apesar disso, a cada
dia surgem mais provas e, no fim, é a caça às baleias que estará no
banco dos réus.”
Saiba mais
http://www.greenpeace.org/brasil/oceanos/noticias/sem-festa-de-boas-vindas
http://www.greenpeace.org/brasil/oceanos/jap-o-se-defender-as-baleias
http://www.greenpeace.org/brasil/oceanos/noticias/denunciaram-um-contrabando-de