O Greenpeace promoveu nesta quarta-feira, em Salvador, o lançamento
de sua primeira campanha em defesa dos oceanos no Brasil. O trabalho,
que terá a duração de pelo menos três anos, tem início com uma série de
atividades de divulgação de informações sobre o tema: publicação do
relatório À deriva – Um Panorama dos Mares Brasileiros, lançamento do
vídeo O Mar é nosso? e inauguração da instalação sensorial Entre Nessa
Onda.
Conheça aqui detalhes do relatório À Deriva.
Veja aqui um trailer do vídeo.
A
cerimônia de lançamento, realizada no Shopping Salvador, contou com a
presença do secretário estadual do Meio Ambiente, Juliano Matos e de
representantes das ONGs Conservação Internacional e do Grupo de
Ambientalistas da Bahia (Gambá), Guilherme Fraga Dutra e Renato Cunha,
respectivamente.
Os materiais apontam as principais ameaças para os oceanos - aquecimento
global, pesca predatória, diminuição da biodiversidade, descaso governamental etc - e sugerem soluções.
"Uma
das saídas é a criação de áreas marinhas protegidas, que são espaços
naturais reservados para garantir a reposição das espécies marinhas",
diz Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de Oceanos do
Greenpeace.
Os oceanos cobrem 71% da superfície da Terra e são os responsáveis por
50% do oxigênio que respiramos.
"Eles estão muito presentes no
nosso cotidiano, mas a maior parte das pessoas não se dá conta disso e
ssociam os mares somente ao lazer da praia", diz Leandra. "A primeira
arte desse trabalho tem o objetivo de informar, sensibilizar e
convocar sociedade para um engajamento urgente pela conservação dos
mares. Os ceanos são muito importantes para nós. Se eles ficam doentes,
o planeta inteiro sofre", afirma a ambientalista.
Mares da Bahia – Entre as ameaças aos mares da Bahia está a pesca predatória, principalmente quando realizada com explosivos. A prática,
além de dizimar diversas espécies de peixes, causa danos ao fundo dos
mares e à saúde dos pescadores, muitas vezes vítimas de graves acidentes
causados pelos explosivos. É necessário um trabalho de informação e
engajamento das comunidades de pesca locais, sobre os impactos da pesca
predatória e os benefícios da criação e manutenção de áreas marinhas
protegidas no litoral baiano.
Abrolhos, primeiro parque nacional marinho brasileiro, que já foi
exemplo de conservação, hoje sofre com carência de recursos humanos e
financeiros para garantir as atividades de fiscalização e
implementação. Outro grave problema no extremo sul da Bahia foi a
derrubada da Zona de Amortecimento, que protegeria o entorno do Parque
de atividades impactantes, como a exploração de gás e óleo e a criação
de camarão em região de manguezal.
"O governo estadual da Bahia deveria encarar a conservação dos oceanos
como uma prioridade e exigir a retomada da Zona de Amortecimento do
Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. É necessário proteger a
biodiversidade dos impactos do desenvolvimento econômico, não aliados à
uma política de sustentabilidade", afirma Leandra.
Um dos objetivos da campanha de oceanos do Greenpeace é divulgar
informações sobre a situação precária de áreas marinhas protegidas como
Abrolhos. "Também vamos exigir do governo a criação e implementação
efetiva de outras áreas" diz Leandra.
A instalação interativa "Entre Nessa Onda" é a atração de 10 a 20 de
setembro no Shopping Salvador. Dentro de um túnel de quase 30 metros de
comprimento e 210 metros quadrados, foram criados quatro diferentes
ambientes que, com a ajuda de sons e aromas, retratam o estado de
conservação dos oceanos. No final, os visitantes são convidados a
assistir um documentário de 12 minutos.
Bandeira antiga – A campanha pelos mares brasileiros é uma expansão do
trabalho de conservação dos oceanos que o Greenpeace desenvolve desde
1974, quando a organização fez a sua primeira campanha em defesa das
baleias. Naquele tempo, o Greenpeace já incluía nas discussões temas
como sobre aquecimento global, pesca predatória, contaminação dos
oceanos e exploração de gás e petróleo.