Você está aqui:
Carne de baleia proveniente do Santuário de Baleias da Antártica e interceptada pelo Greenpeace durante investigação sobre contrabando promovido por tripulantes do Nisshin Maru, navio-fábrica da frota baleeira japonesa.
Aumentar a ImagemDois ativistas do Greenpeace foram presos no Japão acusados de roubar um pacote com carne de baleia do navio-fábrica Nisshin Maru. Junichi Sato, 31, e Toru Suzuki, 41, participaram das investigações realizadas pelo Greenpeace que revelaram em maio um grande esquema de contrabando de carne de baleia. O escândalo traz indícios de participação de altos funcionários do governo japonês e está sendo investigado pela Promotoria Pública de Tóquio.
Sato e Suzuki serão julgados no domingo; inquérito sobre contrabando deve ser encerrado.
Atualização: Tribunal rejeita apelo e ativistas japoneses ficarão mais nove dias na prisão.
Clique aqui e participe da nossa cyberação pela libertação dos ativistas. Acesse a seção de Oceanos e envie uma carta para autoridades japonesas - o primeiro-ministro Yasuo Fukuda, o ministro das Relação Exteriores Masahiko Koumura, embaixador no Brasil Ken Shimanouchi e cônsul-geral em São Paulo Masuo Nishibayashi.
A prisão dos ativistas do Greenpeace no Japão acontece justamente quando o príncipe Nahurito, herdeiro do trono daquele país, visita o Brasil e cumpre uma agenda em comemoração ao centenário da imigração japonesa no Brasil. O Greenpeace Brasil aproveita a presença do príncipe no país para pedir que ele influencie na libertação dos ativistas, honrando assim as baleias que na época da Segunda Guerra Mundial evitaram que milhares de japoneses morressem de fome.
"A conservação das baleias é um ícone da defesa da biodiversidade e sua matança é o verdadeiro delito dessa história. É um absurdo que nossos ativistas sejam presos por denunciar este crime", disse Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de Baleias do Greenpeace Brasil.
Confira esta e outras histórias no blog de Oceanos.
INVESTIGAÇÃO
Depois de quatro meses de investigação, o Greenpeace chegou a indícios de um esquema envolvendo a tribulação do Nisshin Maru, que retirava os cortes mais valiosos das baleias mortas na Antártica para vendê-las ilegalmente no mercado japonês. Uma das caixas retiradas do barco, no meio da bagagem da tribulação, foi interceptada pelos ativistas para comprovar o esquema de fraude. A identificação dizia que a caixa continha papelão, mas na realidade trazia 23,5 quilos de carne de baleia, com valor estimado de US$ 3 mil. Um informante disse aos ativistas do Greenpeace que cada tripulante envolvido no esquema descia do navio com uma média de 20 caixas de baleia.
Depois da denúncia, a pedido do Greenpeace, o ministério público japonês se comprometeu a investigar o caso.
"Descobrimos que forças poderosas do governo japonês estavam envolvidas no escândalo. Então não é de se surpreender que as investigações fossem interrompidas. O que surpreende é prender ativistas inocentes. Essas prisões atendem a quais interesses? Isso nos parece uma tática de intimidação dos órgãos governamentais envolvidos no escândalo”, afirmou Jun Hoshikawa, diretor executivo do Greenpeace Japão. "O programa baleeiro japonês é uma vergonha internacional pela sua falta de credibilidade científica e agora sendo usado pra a corrupção envolvendo o governo", completou.
A carne de baleia não faz mais parte da cultura japonesa. De acordo com pesquisa encomendada pelo Greenpeace, 71% da população é contra a caça de baleias. Em outra pesquisa, realizada pelo jornal japonês Asahi, 96% dos entrevistados disseram que poucas vezes ou nunca comem carne de baleia.
Leia também:
Hora de proteger as baleias, não os baleeiros
Suriname, não envergonhe a América Latina: diga não à caça!
Exportação suspeita de carne de baleia islandesa 'encalha' no Japão
Escândalo de contrabando e G8 adiam caça de baleias no Pacífico Norte