Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Música, exposições e preservação ambiental

    Postado por Brunno Marchetti - 24 - mai - 2013 às 16:02

    Exposição dentro do pavilhão "Ambiente Urbano" mostra os problemas e as possíveis soluções para o meio ambiente nas cidades (©Greenpeace)

     

    A marquise do Parque do Ibirapuera normalmente é cheia de skatistas, patinadores e ciclistas, profissionais ou não. Nesta sexta-feira, 24 de maio, os tradicionais esportistas dividiram o espaço com crianças, adolescentes e adultos preocupados com o meio ambiente.

    A nona edição do encontro “Viva a Mata”, promovido pela Fundação SOS Mata Atlântica, está instalada no espaço da marquise com diversos pavilhões onde vários temas sensíveis à preservação do meio ambiente são discutidos de maneira lúdica e educativa, mas sem perder a dimensão de sua importância.

    Água, Ambiente Urbano, Mudanças Climáticas, Floresta, Mar e Propriedades Sustentáveis são as seis instalações principais do evento. Nelas, o visitante pode conferir a situação da água de algumas das bacias hidrográficas brasileira, ou então conhecer algumas soluções para reduzir o impacto no meio ambiente com poucas mudanças de hábitos. Quem estiver no encontro pode conferir também apresentações de música e teatro realizadas em um palco montado na própria marquise.

    Não esqueça de levar sua camiseta (©Greenpeace)

     

    O Greenpeace está junto ao Pavilhão de Mudanças Climáticas. Além de divulgar a campanha pela a criação da lei de iniciativa popular do Desmatamento Zero, estamos estampando camisetas dos visitantes que querem mostrar o quanto se importam com preservação das florestas brasileiras, e oferecendo um espaço para as crianças colorir. Neste sábado, 25, às 14h, o Greenpeace conduzirá um debate aberto ao público no espaço “Bolha Imobiliária” e transmitido ao vivo. Você pode acompanhá-lo ao vivo no link da Pós Tv.

    Junto às atividades na Marquise, no auditório do Museu de Arte Moderna (MAM) aconteceu o lançamento do Grupo de Trabalho responsável pelo acompanhamento do cumprimento do Código Florestal. O grupo foi lançado pela Frente Parlamentar Ambientalista. Leia mais >

  • Energia jovem

    Postado por Alan Azevedo - 23 - mai - 2013 às 16:47

    Kuno Roth, diretor do Youth Support Center, em capacitação na Suíça (©Greenpeace)

     

    “O mundo é jovem, particularmente no hemisfério Sul. Este é o momento de mudar de “lutando contra” para “lutando com” a geração mais jovem. Integrar jovens é a nossa missão e é fundamental para a sobrevivência do planeta. Quem, se não a juventude, irá continuar nosso trabalho?”

    Este é um trecho da apresentação do Youth Support Center (YSC), centro do Greenpeace que trabalha exclusivamente com programas e projetos para jovens. Conversamos com Kuno Roth, diretor do YSC, sobre o projeto Juventude Solar no Brasil.

    Greenpeace: A palavra Juventude (Youth) faz parte do nome de um projeto sobre energia, no caso, o Juventude Solar. Qual a importância de termos jovens envolvidos nesta campanha?

    KR: A juventude representa as gerações futuras, os jovens serão protagonistas das mudanças simplesmente porque já sofrem com as consequências das mesmas, assim como as próximas gerações sofrerão, com a má gestão dos nossos governos. Um dos objetivos do projeto Juventude Solar é alcançar 50% da produção mundial de energia por fontes renováveis. É uma meta para os jovens, porque vai demorar alguns anos para se tornar realidade.

    GP: O que você enxerga como características da juventude brasileira?

    KR: É uma juventude cheia de energia que pode combinar ações práticas com aspectos culturais únicos do Brasil, como o samba e o futebol.* É muito importante para nós que tenhamos jovens alegres que trabalham com um objetivo tão importante quanto este.

    * Kuno refere-se à instalação de painéis solares em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, durante a Copa das Confederações

    GP: Você acha que os resultados da campanha podem mudar de acordo com as diferenças culturais dos jovens de cada país?

    KR: No momento em que se está elaborando um projeto e pensando em seus objetivos, é fundamental considerar as diferenças culturais. Cada país, cidade ou região tem seus valores e uma forma de agir, então, é muito importante que isso seja considerado.

    GP: Algumas pessoas dizem que a juventude não tem voz e que os políticos não a escuta. O que você acha disso? Como os jovens podem solucionar essa questão?

    KR: Esse é um problema global. Mas com o apoio do Greenpeace esses jovens poderão dar voz à suas demandas e serão escutados. Este é um dos objetivos do nosso trabalho com a juventude: não se trata apenas do que o Greenpeace está pedindo e quer atingir, mas que isso venha e parta dos jovens, que eles peçam uma nova e mais limpa matriz energética. Outro ponto importante é o aspecto emocional envolvido no trabalho com os jovens. Os políticos trabalham com tantas informações e dados que esquecem do lado emocional dos problemas e lembrá-los desse “detalhe” importante é algo que cabe aos jovens.

    GP: Quais são suas expectativas com o projeto no Brasil?

    KR: A solução perfeita seria conseguirmos chamar a atenção do governo para o nosso projeto para que, em 2014, eles queiram empregar parte dos lucros da Copa do Mundo na proteção da Amazônia e em energia limpa.  Leia mais >

  • Ambientalismo e diversão no Ibirapuera

    Postado por Brunno Marchetti - 23 - mai - 2013 às 15:51

    Entre a programação, o evento contará com um passeio ciclístico promovido pela Escola Bike Anjo (EBA) (©SOS Mata Atlântica)

     

    Neste final de semana, que tal passear pelo parque e aproveitar para fazer algo pelo meio ambiente? Isso é o que nona edição do “Viva a Mata – Encontro Nacional pela Mata Atlântica” promete para quem visitar a marquise do parque do Ibirapuera, em São Paulo, de hoje a domingo.

    Este ano, o tema “Direitos e Deveres Ambientais” vai ser discutido em debates, palestras, apresentações e outras atividades para adultos e crianças de todas as idades. O evento também marcará o lançamento do grupo de trabalho que terá como objetivo de acompanhar a implementação do Código Florestal, realizado pela Frente Parlamentar Ambientalista de São Paulo.

    O Greenpeace Brasil apresentará o projeto da lei de iniciativa popular do Desmatamento Zero, além de promover uma oficina de pintura de camisetas (não se esqueça de levar a sua) e um espaço de artes para as crianças. Estaremos presente durante os três dias no Pavilhão de Mudanças Climáticas, um dos seis pavilhões temáticos montados para a visitação.

    Este ano, o “Viva a Mata” acontece às vésperas do Dia Nacional da Mata Atlântica, 27 de maio. A programação completa está disponível no site da organizadora do evento, a Fundação SOS Mata Atlântica. Leia mais >

  • Novas aves colorem ainda mais a Amazônia

    Postado por Nathália Clark - 22 - mai - 2013 às 9:32

    O Brasil possui a maior biodiversidade do mundo e também o segundo maior número de espécies conhecidas de aves, só perdendo para a Colômbia (©Greenpeace/Rogério Reis/Tyba).

     

    Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Biodiversidade – mais especificamente nesta quarta-feira, dia 22 –, um grupo de pesquisadores anunciou a descoberta de 15 novas espécies de aves na Amazônia brasileira. Em termos estatísticos, as novas espécies representam um acréscimo de quase 1% na biodiversidade nacional de aves. Por esse motivo, a novidade está sendo considerada o maior feito da ornitologia brasileira em 140 anos, trazendo uma grande contribuição para aumentar o conhecimento sobre a maior e mais biodiversa floresta tropical do mundo. 

    Onze das novas espécies são endêmicas do Brasil e quatro podem ser encontradas também no Peru e na Bolívia. A presença das aves ocorre sempre perto de rios como o Madeira, na Amazônia ocidental, e o Tapajós, no Pará, na porção oriental. Isso mostra que os numerosos cursos d’água que serpenteiam pela floresta são uma caudalosa fonte de biodiversidade não só dentro, mas também fora de suas águas.

    As descobertas foram realizadas por três instituições nacionais de pesquisa – Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZ-USP), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), de Manaus, e Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), de Belém – e pelo Museu de Ciência Natural da Universidade Estadual da Louisiania (LSUMNS), nos Estados Unidos. As novas espécies serão formalmente descritas pela primeira vez numa série de artigos científicos a serem publicados em julho num volume especial do Handbook of the birds of the world.

    Habitat em perigo, espécies em risco

    Das aves descobertas, a maior é uma espécie de gralha, com cerca de 35 centímetros de comprimento, que vive em meio à floresta existente entre os rios Madeira e Purus, no Amazonas. “Essa gralha está ameaçada de extinção”, diz Mario Cohn-Haft, curador da seção de ornitologia do Inpa. “Seu habitat está em perigo e podemos perder a espécie antes de ter tido tempo de estudá-la a fundo.” Sua principal região de ocorrência é uma área próxima à rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, e uma das principais causas do desmatamento na região.

    Nova espécie de arapaçu-de-bico-torto, descoberta na Floresta Nacional de Altamira, no Pará (Foto: divulgação).

    Na Floresta Nacional de Altamira, outra região onde uma das espécies foi localizada, os cientistas precisaram inclusive do apoio de proteção armada. Habitat do arapaçu-de-bico-torto, a Flona se localiza próxima à rodovia BR-163, no sul do Pará, região de conflitos fundiários e de intensa degradação florestal. “A tensão num lugar assim é grande. Havia um garimpo ilegal em funcionamento na unidade. Para podermos trabalhar com segurança na reserva, tivemos de ser escoltados por soldados do Exército”, conta Aleixo, da seção de ornitologia do MPEG.

    Além de abrigar a maior biodiversidade do mundo, o Brasil é o segundo país com maior número de espécies conhecidas de aves, cerca de 1.840. Segundo Luís Fábio Silveira, curador do setor de ornitologia do Museu de Zoologia da USP, apenas a Colômbia tem mais espécies, com aproximadamente 1.900.

    “Ainda falta muito para a Amazônia ser considerada suficientemente bem conhecida e, assim, permitir o planejamento e a sustentabilidade das reservas de biodiversidade já existentes e também das futuras”, afirma o ornitólogo Bret Whitney, pesquisador do Museu de Ciência Natural da Universidade Estadual da Louisiania. Mas, enquanto isso, a sociedade pode contribuir com os pesquisadores ajudando a preservar a floresta tropical mais biodiversa do planeta. Assine a petição pela lei do Desmatamento Zero. Leia mais >

  • Participe do Dia Internacional da Biodiversidade

    Postado por Juliana Costa - 21 - mai - 2013 às 14:25

    Nesta quarta-feira, dia 22 de maio, comemoramos o Dia Internacional da Biodiversidade. E convidamos você para participar junto com a gente da mobilização online que faremos amanhã. Assim, você pode contribuir com a proteção da Amazônia, floresta tropical que possui a maior diversidade de espécies do planeta.

    Quer saber como participar?

    1. Assine a petição pela lei do Desmatamento Zero: www.ligadasflorestas.org.br
    2. Compartilhe esse link no Facebook e convide seus amigos para assinarem também
    3. Mande uma mensagem no Twitter com a hashtag #DiadaBiodiversidade e o link http://bit.ly/10JMi11
    4. Imprima a petição pelo Desmatamento Zero e colete assinaturas no seu trabalho, escola, família e depois nos envie. Para baixar, acesse aqui: http://bit.ly/10MmVjt
    5. Seguindo esses 4 passos você se tornará um herói do #DiadaBiodiversidade. E veja quem tem um obrigado especial a você. 

    Quer saber porque é importante sua participação?

    Em nenhum outro lugar do globo existem mais espécies de animais e plantas do que na floresta amazônica, que tem 60% do seu total localizado dentro do território nacional. Mas nós, brasileiros, só temos uma pequena ideia dessa exuberância viva – apenas 10% de todas as formas de vida que a Amazônia abriga já foram estudadas e catalogadas.

    No Brasil, já perdemos 18% de toda essa biodiversidade. Temos hoje 627 espécies animais ameaçadas de extinção, como o Mico-leão-de-cara-preta, o Peixe-boi-da-Amazônia e a Arara-azul-de-lear. Não podemos deixar que a floresta morra. É nosso dever, como cidadãos e herdeiros dessa riqueza, cuidar dela com carinho e respeito.

    Junte-se a nós e colabore para continuarmos com a campanha pelo Desmatamento Zero.

    Entre para a Liga das Florestas

    Nós também preparamos um material para você nos ajudar a divulgar a mobilização nas redes:

    Formato: Quadrado Pequeno (200 x 200)


     

     
    Formato: Quadrado (250 x 250)


     


    Formato: Arranha-céu (120 x 600) 


     


    Formato: Arranha-céu (160 x 600) 


     


    Formato: Banner (468 x 58) 


     


    Formato: Cabeçalho (728 x 90)


      Leia mais >

  • Tendência de desmatamento cresce, diz Imazon

    Postado por Nathália Clark - 21 - mai - 2013 às 12:35

    Desmatamento para plantio de soja ao longo da rodovia BR-163, no Pará, um dos estados que mais degradam a floresta (© Daniel Beltrá / Greenpeace).

     

    É sabido que a presença de nuvens compromete a detecção do desmatamento e da degradação florestal pelos satélites de monitoramento, tanto do governo quanto não governamentais. Mas neste último mês de abril, mesmo com metade (55%) da área da Amazônia Legal cobert por nuvensa, o SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento), do Imazon, detectou tendência de aumento do desmatamento de 84% em relação a abril de 2012, e um aumento de 88% no acumulado entre agosto de 2012 e abril de 2013 com relação ao mesmo período do ano anterior.

    Os Estados que mais tiveram cobertura de nuvem em abril foram Roraima (90%), Amapá (77%) e Pará (75%), sendo este último um dos mais desmatadores. Mesmo assim, o SAD conseguiu detectar 140 quilômetros quadrados de desmatamento na região da Amazônia Legal, contra 76 quilômetros quadrados detectados no mês de abril do ano passado.

    Já a degradação florestal acumulada entre agosto de 2012 e abril de 2013 totalizou 1.570 quilômetros quadrados, contra os 836 quilômetros quadrados do período anterior (agosto de 2011 a abril de 2012). Em abril de 2013, a maioria (73%) do desmatamento ocorreu no Mato Grosso, seguido por Rondônia (19%), Amazonas (6%), Pará (1%) e Roraima (1%).

    Em termos de emissões de gases do efeito estufa, os números de abril de 2013 significam um total de 2,5 milhões de toneladas de CO² equivalente lançadas na atmosfera. No acumulado do período, as emissões comprometidas com o desmatamento chegam a 88 milhões de toneladas de CO², o que representa um aumento de 55% em relação ao período anterior.

    Entre para a Liga das Florestas Leia mais >

  • "Los cocineros" solares

    Postado por Gabriele Fernandes da Costa* - 20 - mai - 2013 às 18:40

    Durante quinto encontro neste sábado, dia 18, o Juventude Solar teve workshop de fogões solares (©Mariana Stolze/Greenpeace)

     

    Neste sábado, tivemos o quinto encontro do Juventude Solar no Centro Comunitário Lídia dos Santos, no Morro dos Macacos. Foi um dia muito divertido e de muito aprendizado. Depois de termos construído lanternas solares, estávamos ansiosos para saber qual seria o conteúdo deste encontro. O que mais poderíamos construir para aproveitar a energia do sol? Logo descobrimos que seriam fogões solares.

    Iniciamos a manhã com uma dinâmica muito interativa. A ideia era nos aquecermos para começarmos empolgados a confecção dos fogões. Fomos divididos em três grupos, cortamos, colamos, tiramos medidas, tudo isso sem deixar de brincar. O espírito competitivo aflorou e inventamos nomes e músicas para os nossos times, um deles se chamava “Los cocineros”.

    A única timidez que se fez presente no sábado foi do astro-rei maior. Pois é, o único que não quis aparecer foi o sol e não conseguimos testar os fogões solares na prática. Mas o encontro não terminou desanimado, a satisfação de participar do Juventude Solar e de ver o resultado de um processo é enorme e basta para que a gente saia contente do Centro Comunitário. Com certeza, foi mais um dia de enorme aprendizado.

    Esse foi mais um encontro no qual conseguimos colocar a mão na massa e ver os benefícios da energia solar na prática. Agora é esperar o próximo final de semana com ansiedade para aprender ainda mais sobre energia solar. Espero que vocês também estejam ansiosos!

    *Gabriele Fernandes da Costa é uma das jovens que participa do Juventude Solar Leia mais >

  • Nossos jovens, nosso futuro

    Postado por Alan Azevedo - 20 - mai - 2013 às 15:47 1 comentário

    Anna Marcondes Faria, presidente do Centro Comunitário Lídia dos Santos, em Vila Isabel, no Rio de Janeiro (©Otávio Almeida/Greenpeace)

     

    Tem quem acredite no trabalho de formiga, que de pouco em pouco consegue grandes transformações. Seguindo esta filosofia, Anna Marcondes Faria, de 76 anos, desenvolveu projetos sociais ao longo de anos para melhorar a qualidade de vida dos moradores da comunidade de Vila Isabel, no Morro dos Macacos, Rio de Janeiro.

    A história de Anna com a comunidade começou em 1958, ano em que se instalou em Vila Isabel com sua família. Ao perceber a situação precária do local, como a falta de luz e água, básicos para a vida, Anna se mobilizou integralmente em prol da comunidade e, a partir de um trabalho da Assossiação de Moradores do bairro, ela planejou e instalou o Centro Comunitário Lídia dos Santos

    Com o propósito de dar apoio à deficiência educacional aos jovens da comunidade, o Centro Comunitário começou acolhendo as crianças que saíam das creches. Posteriormente, outros jovens e adolescentes se integraram às atividades do local.

    Diversos projetos são responsáveis pela popularização do Centro Comunitário, como um programa que oferece às crianças de 4 a 10 anos educação, música, biblioteca, brinquedoteca e oficinas de arte. São 200 crianças em dois turnos. Outro sucesso foi o projeto de apoio a usuários de droga, que conseguiu recuperar muitos jovens dependentes. Segundo Anna, alguns já estão na faculdade ou até formados.

    Os jovens da comunidade tanto se interessam pelos projetos sociais promovidos pela organização que estima-se que pelo menos 16 mil jovens já passaram pelo Centro Comunitário. “O Centro se mantém, primeiro, com um grande esforço da diretoria, que tenta captar recursos de instituições que apoiem nossos projetos. Temos também nossas ações em parceria com a prefeitura, montamos bazar, comitês e eventos que ajudem a manter o nosso centro vivo”. O que Anna vende no bazar, realizado por ela todos os sábados, vai diretamente ao caixa do Centro Comunitário.

    As excursões também atraem os jovens e ajudam em sua formação: Anna organiza visitas à um sítio de Petrópolis de um colaborador, onde as crianças fazem atividades, se alimentam e dormem. “Lá é um sítio muito bonito. Tem café da manhã, tem as xícaras, eles ficam encantados de tomar café nas xícaras e almoçar na mesa, porque às vezes as casas são pequenas, não tem mesa pra fazer as refeições”. Segundo ela, eles investem muito em passeios para que as crianças saiam da comunidade e conheçam novos lugares, que talvez inspirem mudanças em suas vidas. Anna completa: “acredito que eles devem ter acesso ao lazer como todas as outras pessoas”.

    Com a pacificação, a comunidade está vivendo uma nova experiência em relação à luz, que passará a ser cobrada pela prefeitura. Como a maior parte da fiação funciona de maneira ilegal, os famosos “gatos”, muitos dos moradores não têm gastos com luz, o que permite o uso desenfreado de energia. “Quando não se paga, gasta a vontade. […] Este é um momento para as pessoas terem atenção no gasto excessivo e seu impacto no meio ambiente”, defende Anna. Com essa nova proposta da prefeitura, que tem como objetivo instalar medidores individuais em Vila Isabel para gerar contas de luz, o Centro Comunitário investe na conscientização do uso da energia elétrica.

    Portanto, para Anna, o projeto Juventude Solar chegou na hora certa, justamente no momento no qual é necessário economizar energia. Formar esses jovens, que por sua vez passarão conhecimento aos seus amigos e familiares, é uma maneira eficiente de conscientizar a comunidade dessas mudanças referentes ao uso de energia. “Apareceu esse projeto do Greenpeace que traz educação, que é o que mais a gente precisa aqui: educação. E o projeto mostra que na prática também podemos ser responsáveis com nosso planeta”.

    O Centro comemora trinta anos de trabalho e assistencialismo. Como diz Anna, “nem tudo são flores”, mas é inegável o sucesso alcançado pelo Centro Comunitário, que deixa como exemplo à todos os grandes resultados que um trabalho de formiga pode trazer. “Ontem foi a lanterninha, hoje a chaleira e a panela. Isso numa comunidade onde muitos cozinham à lenha por não terem um fogão ou dinheiro para o gás. Além da conscientização para o uso correto da energia. E isso, eu acho que vai ser uma revolução aqui na comunidade”.  Leia mais >

  • Gás de xisto, um tema controverso

    Postado por Ricardo Baitelo* - 20 - mai - 2013 às 14:25 1 comentário

    Gases que são liberados durante a exploração de gás de xisto prejudicam a respiração e podem contaminar seres humanos. (© Les Stone/Greenpeace)

     

    De umas semanas para cá, o assunto gás de xisto tem estado cada vez mais presente no noticiário. A nova “menina dos olhos” em termos energéticos no mundo, principalmente, nos Estados Unidos, país que desponta como um dos maiores exploradores e com um dos preços mais competitivos suscita debates e opiniões controversas.

    A possibilidade técnica de se usar o gás de xisto já é conhecida há muito tempo, mas o custo de exploração só a tornou viável nos últimos anos. Com novas descobertas e melhorias tecnológicas, o gás de xisto ganhou espaço nas matrizes energéticas nos últimos cinco anos e já vem substituindo derivados do petróleo tanto na indústria quanto no transporte. Seu preço cada vez mais competitivo é a razão para que este assunto e as consequências da exploração do gás estejam na pauta do dia.

    Um dos possíveis impactos econômicos é que com mais petróleo disponível, e com a queda do preço deste, projetos para a produção de petróleo que são muito caros se tornariam inviáveis. Até a exploração do pré-sal no Brasil poderia ser afetada por essa que de preços, segundo José Goldemberg, professor emérito da Universidade de São Paulo, em editorial no jornal O Estado de S. Paulo.

    Mas a questão aqui não é apenas econômica, não basta somente discutir como a exploração de gás afeta mercados e indústrias brasileiras e no mundo. Há um sério e grave problema ambiental envolvendo a exploração do gás de xisto: para fraturar as bacias sedimentares e extrair o gás, grandes quantidades de água tem de ser usada, misturada com areia e substâncias químicas que podem poluir lençóis freáticos. Além disso, o gás liberado não é metano puro, vem acompanhado de nitrogênio e de várias impurezas e outros componentes tóxicos.

    Outro agravante é o desconhecimento brasileiro sobre suas próprias bacias. A estimativa de reservas recuperáveis foi elaborada pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos e pela Agência Internacional de Energia e coloca o Brasil entre os dez maiores possíveis produtores. Entre dúvidas sobre tecnologia a ser aplicada, a infraestrutura necessária, os impactos ambientais e tantos outros pontos de interrogação remanescentes, a única certeza que fica é a de que o Brasil deve ir com calma, não achando que o sucesso norte-americano será facilmente replicável.

    Leia mais aqui. (editorial de José Goldemberg)

    *Ricardo Baitelo é da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. Leia mais >

  • Ação ilegal e abuso de poder no MS

    Postado por Nathália Clark - 20 - mai - 2013 às 11:52

    Mais uma ação equivocada da Polícia Federal envolvendo indígenas, organizações que os defendem ou simples comunicadores no exercício legal de sua profissão ocorreu na tarde do último sábado (18), no município de Sidrolândia, Estado do Mato Grosso do Sul. A investida dessa vez teve como protagonista o jornalista do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), Ruy Sposati, durante a desocupação de uma fazenda por indígenas do povo Terena. Assim como outros profissionais, ele cobria a ação no local, mas teve seus equipamentos de trabalho apreendidos.

    Sem uma razão explícita, alegando apenas “não conhecer o Cimi”, o delegado da PF, Alcídio de Souza Araújo, confiscou um computador e um gravador de audio. De acordo com Ruy, o delegado se negou a protocolar a apreensão ou a dar qualquer justificativa legal do ato e, em nenhum momento, apresentou qualquer ordem da Justiça ou de órgão competente para busca e apreensão de equipamentos, que seguiriam em posse da PF.

    Veja o vídeo da apreensão:

    Segundo o jornalista, ele chegou à ocupação por volta das 13h acompanhando uma comitiva de observadores externos composta por Cimi, Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da Ordem dos Advogados do Brasil, Comissão Pastoral da Terra, Centro de Defesa dos Direitos Humanos do Mato Grosso do Sul e outras instituições, que foram ao local para verificar possíveis violações de direitos humanos.

    Ainda segundo Ruy, por volta das 16h30, a Policia Federal chegou para ajudar a negociar a saída dos indígenas da fazenda, que teria conseguido uma liminar de reintegração de posse concedida pela Justiça. Os profissionais da imprensa presentes se aproximaram para acompanhar a conversa, permanecendo a uma certa distância para fotografar o local.

    Foi quando Ruy foi chamado pelo delegado Araújo. “Ele pediu minha identificação e iniciou a revista da minha mochila. Sem justificativa, tomou meu computador e gravador. Ele só dizia que atuava no estado há vários anos e nunca tinha ouvido falar do Cimi, como se isso fosse alguma justificativa para pegar minhas coisas”, afirmou. O jornalista se identificou como membro da imprensa e protestou contra a apreensão, mas nada adiantou.

    Advogados consultados pelo Blog do Sakamoto, um dos primeiros a noticiar o caso, afirmam que a ação de Araújo foi ilegal, pois não havia ordem judicial de busca e apreensão, o jornalista não cometeu nenhum ato que justificasse interrogatório e não há nada no Código de Processo Penal que embase seu comportamento.Ao contrário, o artigo 3º, item J, da lei 4.898 (Direito de Representação e o processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal), afirma que constitui abuso de autoridade “qualquer atentado aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional”.

    Ações como essa têm sido corriqueiras nos últimos dias, desde que os direitos indígenas têm sido atacados de forma constante na capital, pelo Congresso Nacional, e no campo. Práticas ilegais e irresponsáveis são reflexo da opção por um modelo de desenvolvimento ultrapassado e excludente, que visa o lucro a curto prazo de uma pequena parcela da população, em detrimento de direitos constitucionais de cidadãos brasileiros como os povos indígenas e quem os defende. Leia mais >

1 - 10 de 2326 resultados.