Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Sentimos profundamente a perda de uma amiga e colega

    Postado por Greenpeace - 18 - out - 2017 às 18:34

    É com profunda tristeza que confirmamos que nossa querida amiga e colega Carolina Nyberg-Steiser, 29 anos, do Greenpeace Nórdico, faleceu em um trágico acidente na Amazônia

       

    Carolina estava viajando em um pequeno avião anfíbio, que caiu ao pousar no rio Rio Negro perto da cidade de Manaus, no Amazonas. As causas do acidente ainda não foram confirmadas. O acidente aconteceu na terça-feira, dia 17, às 10h50 de Manaus.

    Ela veio ao escritório do Greenpeace Brasil para aprender mais sobre nossa campanha de Amazônia e como trabalhamos para protegê-la. Carolina fez um sobrevoo para ver pela primeira vez a beleza da floresta.

    As outras quatro pessoas - todos brasileiros - que estavam a bordo, incluindo o piloto, sobreviveram, tiveram ferimentos leves e passam bem.

    Por respeito à família de Carolina, o Greenpeace não irá fazer novos comentários neste momento.

    Sentiremos profunda saudade de Carolina!

    Nossos sentimentos estão com a sua família.

    Patrik Eriksson, diretor de Programas do Greenpeace Nórdico

      Leia mais >

  • Bem-vindo a Bordo

    Postado por Tiago Batista - 3 - out - 2017 às 18:37

    Em 1971, um velho barco de pesca uniu 12 ativistas para impedir que os Estados Unidos realizassem testes nucleares. Essa incrível expedição não conseguiu impedir o teste no Alasca, EUA. Mas aquele navio, batizado de Green Peace, foi a semente que levou adiante o sonho de um mundo melhor.

    Esses indivíduos ousaram sonhar grandes sonhos e a ideia de que poderiam mudar o mundo e fazer a diferença por um planeta mais verde e pacífico se tornou o Greenpeace. Entre as muitas ferramentas para ações e pesquisas, hoje a organização tem três barcos percorrendo o mundo, fazendo denúncias e alertando sobre os crimes ambientais que empresas e governos permitem que aconteçam.

    E por isso convidamos você, doador, a subir a bordo dos nossos navios e acompanhar nosso Diário de Bordo, acompanhando nossas vitórias, campanhas, projetos e desafios! Embarque com a gente!

    Conheça mais sobre cada um deles:

    Arctic Sunrise História e Facebook

     

    Rainbow Warrior História e Facebook

     

    Esperanza História e Facebook 

    Leia mais >

  • Óleo na casa dos outros não é refresco

    Postado por Thais Herrero e Rodrigo Gerhardt - 28 - set - 2017 às 18:50 1 comentário

    Simulamos um derramamento na cara da Total para que ela não ignore mais o que pode acontecer com os Corais da Amazônia

     

    Os ativistas simularam um derramamento com um enorme barril inflável da Total e um banner de 24 x 14 metros em forma de mancha de óleo sobre uma passarela que cruza a Avenida do Chile, no Rio de Janeiro. Fernanda Ligabue/Greenpeace

     

    Na manhã desta quinta-feira (28), nossos ativistas surpreenderam os funcionários da Total com um “derramamento de óleo” na porta de seu escritório, e uma mensagem clara e direta: “O povo disse não, a Ciência disse não, o Ibama disse não. Fique longe dos Corais da Amazônia”. A empresa não pode mais fingir que ignora o alto risco disso acontecer nesse ecossistema único, se ela continuar com seus planos de exploração de petróleo na bacia da foz do rio Amazonas.

     

    De forma pacífica, o protesto chamou a atenção de toda a indústria do petróleo. Fábio Nascimento/Greenpeace

     

    A ação foi realizada no coração da indústria do petróleo no país, a Avenida do Chile, no Rio de Janeiro, onde estão ainda escritórios da Petrobras, Shell, Chevron, fornecedores e consultorias do setor de óleo e gás.

    Ativistas do Greenpeace usam óleo para representar as comunidades do Amapá possivelmente impactadas por um vazamento de petróleo. Foto: João Laet/ Greenpeace

     

    Na cara da Total

    Usamos também um grande drone para levar a mensagem ao 19º andar do prédio, onde está o escritório da empresa. O objetivo era conscientizar os funcionários da opinião pública contra a perfuração de petróleo perto desse ecossistema. “Os funcionários de Total devem estar cientes da verdade: risco de um derramamento é alto e a empresa não está preparada para isso”, afirma Thiago Almeida, especialista em energia do Greenpeace Brasil.   

    Nossa mensagem foi do chão até a janela da Total, no 19 andar. Foto: Fábio Nascimento/Greenpeace

     

    Mais de um milhão de pessoas assinaram a petição, dezenas de cientistas assinaram uma Carta Aberta, e a equipe técnica do governo rejeitou o Estudo de Impacto Ambiental da empresa, no entanto, a Total insiste em tentar explorar petróleo perto dos Corais da Amazônia. “Isso é inaceitável sob qualquer perspectiva, e é hora dela desistir de seus planos. Não podemos permitir que o lucro venha antes da proteção de um ecossistema único e das pessoas que seriam afetadas por um potencial derramamento”, completa Thiago.

    O drone levou a mensagem aos funcionários para que tenham a real ciência de que sua empresa não está preparada para lidar com os altos riscos de uma exploração petrolífera na foz do rio Amazonas. Foto: João Laet / Greenpeace

     

    Em agosto o Ibama rejeitou pela terceira vez o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da empresa, necessário para a obtenção da licença que autoriza a perfuração na bacia da foz do rio Amazonas. Segundo a presidente do Ibama, a Total não forneceu, de novo, informações adequadas sobre o impacto ambiental do projeto, como apontamos no relatório Amazônia em Águas Profundas.

    A Total admite, no seu próprio EIA, a probabilidade de até 30% de o petróleo atingir o recife em caso de derramamento. No entanto, a petrolífera continua pressionando o governo para obter a licença.

    Ao longo de toda a mobilização, o público interagiu com os ativistas e manifestou apoio à defesa dos corais. Foto: João Laet/Greenpeace

     

    Se você ainda não assinou a petição pela Defesa dos Corais da Amazônia, junte-se a nós nesse movimento global. Leia mais >

    ASSINE A PETIÇÃO

  • 7 motivos para investir já nos ônibus elétricos

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 26 - set - 2017 às 17:00

    Veja porque mesmo mais caros eles já valem a pena

    Único veículo 100% elétrico, da BYD, atualmente em teste nas ruas de São Paulo. A frota paulistana tem quase 15 mil ônibus e a licitação que contratará as novas empresas do transporte público é a oportunidade de incentivar a sua adoção. Foto: Heloísa Ballarini/Secom

     

    Eles não emitem poluentes no ar e são muito mais silenciosos, o que beneficia a saúde, o ambiente e o clima. Mas a adoção desta nova tecnologia tem sido evitada sob a desculpa de que é muito cara. Apesar de um ônibus elétrico custar o dobro de um similar a diesel, investir neles já vale a pena, financeiramente, a despeito de qualquer vantagem para os seus pulmões e coração. Veja porquê: 

    1. Financiamento para compra

    O investimento para a compra dos veículos pode ser facilitado por vários fundos específicos voltados a financiar infraestrutura e tecnologias que ajudem a combater o aquecimento global. E isso inclui os ônibus elétricos. Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e BNDES, que estão entre os principais financiadores de políticas de mobilidade urbana no mundo, já anunciaram planos de reduzir drasticamente os recursos disponíveis para projetos que envolvam combustíveis fósseis, como o diesel.

    2. Bateria por leasing

    As baterias duram em média cinco anos e são o item que mais pesa no preço de um ônibus elétrico. Mas em vez de comprá-las, a alternativa seria alugá-las, por meio de contratos de leasing com os próprios fabricantes. Isso reduziria o custo inicial em 60%, tornando o preço próximo aos convencionais a diesel. Detalhe: ao final da vida útil, as baterias são devolvidas para serem recicladas.

    3. Economia no abastecimento

    A eletricidade é mais barata que o diesel. O custo médio para abastecer as baterias pode ser 64% menor do que um tanque beberrão de óleo, segundo testes operacionais*. Essa economia seria ainda maior se considerarmos que a energia consumida pode vir do sol, por meio da instalação de painéis fotovoltaicos em garagens e terminais de ônibus da cidade. Motores elétricos têm eficiência de 90% contra cerca de 30% dos motores a combustão, o que significa também um rendimento maior.

    4. Menor custo de manutenção

    Com baterias arrendadas por leasing, o custo de manutenção é 25% a 50% menor, segundo testes operacionais*. Em comparação ao motor à combustão, os elétricos são compostos de menos peças que exigem revisão constantes.

    5. Duram 50% mais

    Enquanto a vida útil dos ônibus a diesel é de 10 anos, os elétricos são autorizados a rodar por 15 anos – um mecanismo adotado na licitação justamente para que o custo de novas tecnologias seja amortizado. Ao final deste período, os ônibus elétricos revelam que o investimento compensa: o custo operacional de mantê-los rodando é 15% menor do que os fumacentos a diesel

    6. Estímulo à produção nacional

    Atualmente há três fabricantes de ônibus elétricos e híbridos no país: a brasileira Eletra, a chinesa BYD, e a alemã Volvo. Todas afirmam que poderiam ampliar sua produção – e assim gerar mais empregos e capacitação técnica –, se a demanda por pedidos aumentar. Isso incentivaria uma nova cadeia produtiva mais moderna e alinhada ao enorme potencial de geração de energia limpa do Brasil, por meio de solar, eólica e biomassa, que podem complementar os 65% da geração hidrelétrica já existente.

    7. Menos pressão na Saúde

    Se toda a frota dos ônibus de São Paulo fosse elétrica a partir de 2020, seriam evitadas 13 mil mortes precoces até 2050. Isso representa, por baixo, R$ 45 milhões de economia apenas com internações públicas e privadas, como estimou um estudo produzido pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade. Uma gestão eficiente precisa ser integrada. Atualmente, a área da Saúde, já sobrecarregada, é quem paga a conta pelas más escolhas da área de Transporte, como o uso do diesel.

      

    *Fonte: Dossiê Ônibus Limpo – Benefícios de uma transição para combustíveis renováveis na frota de São Paulo. Leia mais >

  • Saem os carros, entram as pessoas

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 22 - set - 2017 às 19:00

    No Dia Mundial Sem Carro, ocupamos as vagas de estacionamento para mostrar como este espaço público pode ser melhor aproveitado para convivência entre as pessoas

    Carros deram lugar às pessoas: espaço de convívio e lazer. Foto: Bárbara Veiga/Greenpeace

     

    Cada vaga de estacionamento na rua ocupa, em média, 30m2. Agora multiplique esta área por milhares por toda a cidade. Haja espaço público destinado aos carros em comparação ao que é voltado à convivência das pessoas. Por isso, neste Dia Mundial Sem Carro nossos voluntários fizeram diversas Vagas Vivas pelo país. Confira as imagens do que rolou.

    Público faz "Saudação ao Sol", em aula de ioga, como aquecimento. Foto: Greenpeace

     

    As Vagas Vivas são a ocupação temporária dos espaços públicos destinados aos carros, transformado-os em áreas de convivência, lazer e trabalho. O objetivo é refletir sobre como todo esse espaços destinado aos carros poderia ser melhor aproveitado pelas pessoas.

    No espaço foram colocadas placas com dados sobre a predominância do automóvel no espaço público Foto: Bárbara Veiga/Greenpeace

     

    Videos e documentários foram exibidos em um mini cinema em plena rua. Foto: Bárbara Veiga/Greenpeace

     

    Ao longo do dia, entre as tarefas de quem usou a Vaga Viva para trabalhar, foram promovidas atividades artísticas e sociais, como a pintura ao vivo (live painting) do muralista Guilherme Kramer; a apresentação do músico João Sobral; e a reforma de carroças pelo Pimp My Carroça. “O espaço viário é visto apenas como passagem para o transporte de cargas e pessoas. Trouxemos artistas e atores sociais que atuam nas ruas para mostrar como esse espaço público tão importante, e tão grande, que é privatizado pelos donos de carros, pode ser valorizado quando utilizado pelas pessoas para a convivência social”, diz o especialista em Mobilidade Urbana do Greenpeace, Davi Martins.

    O muralista e grafiteiro Guilherme Kramer em ação. Foto: Bárbara Veiga/Greenpeace

     

    Obra quase concluída: as ruas como inspiração para a arte. Foto: Bárbara Veiga/Greenpeace

     

    A dominação dos carros
    Entre 1970 e meados da década de 2000, o número de veículos variou 400%. No mesmo período, a infraestrutura viária (ruas, avenidas, viadutos etc) aumentou 21%.  Já entre 2000 e 2015, com o incentivo dado pelo governo às montadoras, quantidade de carros aumentou 145%. 

    Quem passou pelo local registrou o que viu. Foto: Bárbara Veiga/Greenpeace

     

    Em São Paulo, os carros correspondem a 70% da frota de 8,3 milhões de veículos motorizados. A frota de carros paulistana tem crescido, ano a ano, numa proporção duas vezes maior do que a de novos habitantes. Não à toa, o tempo médio de deslocamentos diários no trânsito é de 3 horas e 8 em cada 10 pessoas deixariam de usar o carro se houvesse uma boa alternativa de transporte público, segundo recente pesquisa da Rede Nossa São Paulo.

    O artista Mundano, criador do movimento Pimp my Carroça, dá uma nova cara para a carroça do catador Duacir Silva. Foto: Bárbara Veiga/Greenpeace

     

    Ao mesmo tempo, praças, alamedas, parques e rios foram sendo apertados para acomodar tantos carros, em detrimento do convívio público entre as pessoas. Por isso, reduzir espaços para os carros torna a cidade melhor para se viver. É o que muitas cidades pelo mundo tem feito, ao abrir suas ruas e avenidas para as pessoas.

    Davi Martins, do Greenpeace, e o catador Duacir Silva dão a mensagem: "o carro é seu, a rua é de todos". Foto: Bárbara Veiga

     

    Cidades caminháveis e pedaláveis estimulam o encontro entre as pessoas, e dessas interações surgem várias oportunidades comerciais, sociais e culturais, aceitação das diferenças, sem falar nos benefícios que a atividade física proporciona.

      Leia mais >

  • A morte não pede carona, anda de ônibus

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 18 - set - 2017 às 15:10

    Abrimos a Semana de Mobilidade com um “enterro” das 11 vítimas diárias dos  coletivos a diesel da maior metrópole do país

    Um "cemitério" foi montado na Câmara dos Vereadores de São Paulo © Barbara Veiga / Greenpeace

     

    Na manhã desta segunda-feira (18/9), a morte passou pela Câmera Municipal de São Paulo. Trazia com ela as 11 vítimas dos ônibus a diesel. O ato, bastante simbólico, foi um protesto de nossos ativistas para marcar a média diária de pessoas que morrem precocemente por doenças geradas ou agravadas pela poluição do ar resultante da queima desse combustível – 2.871 pessoas no acumulado deste ano.

    Para lembrar a importância disso, colocamos uma lápide em frente ao portão central. Ela simboliza a própria morte da cidade de São Paulo, que perde conhecimento, experiências e afetos junto com essas vidas.

    A morte de pessoas também representa a morte da cidade © Barbara Veiga / Greenpeace

     

    Com banners, nossos ativistas enviaram uma mensagem forte diretamente a quem cabe enfrentar o problema: “Milton Leite e Dória, essa conta é de vocês”. O presidente da Câmara tenta aprovar um projeto de lei que prorroga os ônibus a diesel na cidade sem um plano claro para zerar as emissões no futuro; e o prefeito da cidade, João Doria, pode exigir que as empresas adotem veículos menos poluentes na próxima licitação do transporte público.

     

    Cobrança a quem cabe solucionar o problema © Barbara Veiga / Greenpeace

     

    “Nesta Semana da Mobilidade, muito se defende o transporte público de qualidade como opção ao carro particular, mas essa qualidade passa por garantir que ele seja saudável para as pessoas e para o ambiente, por meio de combustíveis renováveis e não poluentes. É possível e necessário zerar as emissões dos ônibus em menos de uma década, mas vereadores e a Prefeitura ainda se recusam a definir um prazo para isso, prolongando as mortes por poluição”, afirma Davi Martins, especialista de mobilidade urbana do Greenpeace.

    Segundo o patologista e professor da Faculdade de Medicina da USP, Paulo Saldiva, a cada duas horas exposto ao trânsito de São Paulo equivale a fumar um cigarro. Se fomos capazes de combater o fumo em locais fechados, é hora de enfrentar a poluição do ar causada pelo diesel.

     

    Diversas doenças cardíacas, respiratórias, câncer, e prematuridade estão relacionadas diretamente à poluição do ar causada pelo diesel © Barbara Veiga / Greenpeace

     

    Embora crianças e idosos sejam os mais afetados, esta fuligem atinge a todos, mas quem sofre mais são aqueles que têm menos recursos para gastar com saúde e remédios. Um relatório do Instituto Saúde e Sustentabilidade (ISS), lançado em abril deste ano, calculou que, se nada for feito, 178 mil pessoas morrerão precocemente até 2050. Por outro lado, a adoção de ônibus elétricos em toda a frota a partir de 2020 poderá salvar 13 mil vidas – uma por dia, durante todo esse período.

    Conscientizar a população é uma das formas de ampliar a pressão pública por um ar mais limpo © Barbara Veiga / Greenpeace

     

    E porque começar a limpar o ar pelos ônibus? Eles representam menos de 4% da frota de veículos que rodam pela cidade, mas são responsáveis por quase metade (47%) desta fumaça preta que encobre a cidade. As tecnologias mais limpas e renováveis já estão disponíveis e mostramos em nosso Dossiê Ônibus Limpo que elas já são viáveis técnica e financeiramente. Leia mais >

  • O alto custo dos ônibus da morte

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 18 - set - 2017 às 12:11

    Estudo inédito avalia o impacto do óleo diesel no transporte público da cidade de São Paulo e mostra que adoção de combustíveis renováveis na frota de ônibus pode evitar 12,7 mil mortes e gerar uma economia de R$ 3,8 bilhões até 2050. Na prática, significa salvar uma vida por dia em todo o período  

    São Paulo possui uma frota de quase 15 mil ônibus, responsáveis por quase metade da poluição do ar na cidade - Foto: Dennis Fidalgo

     A poluição do ar na maior metrópole do país será responsável por mais de 178 mil mortes e ter um custo de quase R$ 54 bilhões nos próximos 33 anos, ou seja, até 2050, se nada for feito para diminuí-la. Um dos grandes contribuintes de toda esta poluição são os ônibus do transporte público que rodam diariamente pela cidade de São Paulo, despejando fumaça tóxica no ar.

    Embora eles representem menos de 3,6% dos veículos a diesel que circulam na região metropolitana, os ônibus são responsáveis por 35,2% do material particulado (fuligem) que é emitido por toda a frota urbana. Substituir completamente o diesel por biodiesel e eletricidade, portanto, pode salvar milhares dessas vidas e economizar bilhões de reais dos cofres públicos. É o que revela o estudo “Avaliação e Valoração dos Impactos da Poluição do Ar na Saúde da População Decorrente da Substituição da Matriz Energética do Transporte Público na Cidade de São Paulo, realizado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade (ISS) em parceria com o Greenpeace,lançado nesta quarta-feira (17).

    No estudo os pesquisadores consideraram três cenários possíveis para o período entre 2017 e 2050:

    1) A continuidade das políticas atuais para a frota, com predomínio do Diesel B7 (7% de biodiesel na composição).

    Neste cenário, contabilizam-se 178.155 mortes atribuíveis à poluição do ar devido ao material particulado inalável fino (MP2,5) e um custo estimado em cerca de R$ 54 bilhões, em valores de 2015, considerando a perda de produtividade destas mortes precoces. Também seriam contabilizadas 189.298 internações públicas e privadas com custo estimado em R$ 634,7 milhões.

    2) A adoção de 100% de combustíveis renováveis, na combinação de três tipos de fontes energéticas: biodiesel (B100), híbrida (B100 + elétrica) e elétrica, a partir de 2020.

    Estimam-se 12.191 vidas salvas (6,8% do total de mortes) até 2050, o que evitaria uma perda de produtividade estimada em R$ 3,6 bilhões, além da redução de 13.082 internações públicas e privadas.

    3) A substituição de 100% de diesel por ônibus elétrico, a partir de 2020.

    No cenário mais otimista, seriam 12.796 vidas salvas (7,2%), perda de produtividade evitada estimada em R$ 3,8 bilhões e a redução de 13.723 internações. A substituição da matriz energética atual pelos cenários 2 e 3 representa uma economia de aproximadamente R$ 44, 5 milhões e R$ 46,5 milhões respectivamente, comparado ao B7, em relação a gastos com internações públicas e privadas.

    A poluição do ar em São Paulo poderá custar R$ 54 bilhões e 178 mil vidas até 2050 - Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

     “Cigarro sobre rodas”

    Os benefícios da eliminação do diesel no transporte público para a saúde e a economia local se devem pela redução de material particulado inalável fino (MP2,5), cujo nível considerado “aceitável” pelo município é o dobro do que recomenda a Organização Mundial de Saúde.

    Produzido principalmente a partir da queima de combustíveis fósseis, automóveis, incineradores, fogões a gás e tabaco, o MP2,5 é capaz de chegar aos pontos mais profundos do pulmão, nos alvéolos pulmonares, onde há trocas gasosas, e entrar na circulação sanguínea causando danos à saúde.

    “Os ônibus a diesel são como cigarros sobre rodas – poluem o ar tanto quanto o fumo que foi proibido em locais públicos fechados. Uma hora de exposição ao trânsito equivale a fumar um cigarro”, afirma a médica Evangelina Vormittag, diretora do Instituto Saúde e Sustentabilidade e uma das coordenadoras do estudo.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde, a poluição do ar é a principal causa de mortes por complicações cardiorrespiratórias relacionadas ao meio ambiente e a líder em riscos para a saúde, superando as mortes por malária, consumo de água insalubre e falta de saneamento básico. Além do câncer de pulmão e de bexiga, a poluição do ar se relaciona à depressão, ao maior risco de arritmias e infarto agudo do miocárdio; bronquite crônica e asma. "Ela pode reduzir a expectativa de vida em 15 anos na cidade", diz Evangelina.

     

    A fumaça emitida pelos ônibus está ligada a diversas doenças cardiorrespiratórias, câncer, depressão e problemas neurológicos. Foto: Natalie Sparaciali

     Oportunidade de mudar é agora

    A Lei Municipal do Clima (Lei n°14.933/2009) determina que a partir de 2018 toda a frota municipal seja abastecida com 100% combustíveis renováveis. O Greenpeace defende que a medida seja cumprida e já mostrou em outro relatório essa transição para os veículos elétricos é uma medida viável e está ao alcance da Prefeitura, que atualmente prepara uma nova licitação para o sistema de ônibus da cidade, ainda este ano.

    “Apesar de ser relativamente pequena diante do total de veículos na cidade, a frota de ônibus é um alvo estratégico e prioritário para intervenção em função do seu grande peso ambiental para a cidade. É possível trocar a frota gradualmente a partir da renovação dos veículos velhos que já é prevista em contrato”, afirma Davi Martins, da campanha de Mobilidade do Greenpeace.

    Para o médico patologista e diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP, Paulo Saldiva, essa dimensão, inclusive financeira, do impacto na saúde, precisa ser levada em conta na tomada de decisões. “Os gestores públicos questionam quanto custa mudar a matriz, mas quanto custa manter a atual? Continuar com o diesel é subsidiar uma política energética ultrapassada com carne humana, a custa da saúde de nossos filhos e das nossas coronárias”, afirma.

    Ativistas do Greenpeace realizam pesquisa informal com a população. Leia mais >

     
  • Ambientalistas exigem que mercado pare o desmatamento do Cerrado

    Postado por Camila Rossi - 11 - set - 2017 às 12:32

    Em manifesto, organizações alertam que empresas podem impedir a destruição de mais de 30% do bioma que abriga as nascentes de 8 das 12 regiões hidrográficas brasileiras

    Vista aérea da cidade de Balsas, Maranhão, na região do Matopiba, confluência dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O Cerrado brasileiro já perdeu em torno de 50% de sua formação original devido à expansão do agronegócio (Foto Marizilda Cruppe / Greenpeace)

      

    Entre 2013 e 2015, o Brasil destruiu 18.962 km² de Cerrado. Isso significa que a cada dois meses, neste período, perdemos no bioma o equivalente à área da cidade de São Paulo. Este ritmo de destruição o torna um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta. Por essa razão, o Greenpeace Brasil e demais organizações ambientalistas lançam hoje o manifesto: Nas mãos do mercado, o futuro do Cerrado: é preciso interromper o desmatamento.

    No manifesto, 40 organizações afirmam que a principal causa da destruição do bioma é a expansão do agronegócio sobre a vegetação nativa. Dada à grave situação do Cerrado, que supera há mais de dez anos as taxas de desmatamento da Amazônia, as entidades pedem uma medida imediata em defesa do Cerrado a ser tomada pelas empresas que compram soja e gado desse bioma, assim como os investidores que atuam nesses setores, no sentido de adotarem políticas e compromissos eficazes para eliminar o desmatamento e desvincular suas cadeias produtivas de áreas naturais recentemente convertidas em pasto ou plantações de soja.

    As organizações também cobram o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo governo no Acordo de Paris e que sejam criados instrumentos e políticas para uma produção mais responsável e unidades de conservação no Cerrado. Alertam que só cumprir a lei não é suficiente, pois ela autoriza que mais 40 milhões de hectares sejam legalmente convertidos no bioma.

    “A exemplo de compromissos assumidos por empresas na Amazônia para eliminar o desmatamento de suas cadeias, é fundamental que um passo na mesma direção seja dado para o Cerrado, onde a situação do desmatamento é muito grave”, afirma Cristiane Mazzetti, especialista em desmatamento zero do Greenpeace Brasil.

    O manifesto traz 15 argumentos que justificam seus pedidos, sendo alguns deles:

    - O Cerrado abriga as nascentes de 8 das 12 regiões hidrográficas brasileiras e responde por um terço da biodiversidade do Brasil, com 44% de endemismo de plantas, mas está ameaçado, tendo perdido cerca de 50% de sua área original;

    - Se mantido o padrão de destruição do Cerrado observado entre 2003 e 2013, até 2050 serão extintas 480 espécies de plantas e mais de 31 a 34% do Cerrado poderá ser perdido;

    - As emissões de gases de efeito estufa decorrentes desse processo impedirão o Brasil de cumprir com seus compromissos no Acordo de Paris;

    - A redução do bioma pode alterar o regime de chuvas na região, impactando a produtividade da própria atividade agropecuária;

    - O governo brasileiro se comprometeu a disponibilizar os dados oficiais do desmatamento do Cerrado anualmente. Um dos argumentos trazidos por parte do setor privado para justificar a falta de monitoramento de suas cadeias produtivas era a ausência do Prodes do Cerrado. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações já publicou os dados oficiais até 2015 e afirma que o monitoramento começará a ser realizado anualmente, como ocorre no bioma Amazônia.

    Leia aqui o manifesto na íntegra. Leia mais >

     

  • Cá entre nós - Entrevista com Doador

    Postado por tbatista - 6 - set - 2017 às 15:25

    Há quase 2 anos, Naone Garcia é doador do Greenpeace. Capixaba de coração, a paixão pelo meio ambiente surgiu por influência de sua família que sempre o educou cultivando o respeito pela natureza e os animais.

    Formado em economia, sabe que a origem do progresso do país veio do extrativismo, mas decidiu partir para outro caminho e por um longo período utilizou seus conhecimentos para trabalhar no relacionamento com comunidades e dentro do possível amenizar os problemas das pessoas.

    Naone foi vegetariano (hoje come menos carne) e isso fez seu relacionamento com o meio ambiente aumentar e também o motivou a estudar mais sobre os problemas sistemáticos que a pecuária gera para a natureza.

    “Gostei muito da campanha ‘Carne ao molho madeira’, o ideal seria que todos fossem vegetarianos, como não é possível e eu mesmo não consegui, pelo menos a agropecuária realizada de forma consciente já é um avanço.”

    Em seu tempo livre, Naone nada no mar, fazendo travessias de até 2 quilômetros. É lá onde várias vezes encontra peixes e tartarugas e vive seu momento de maior conexão com a natureza. Ele e o grupo que realiza o percurso são conectados e brigam pelo mar e sua preservação.

     

    “Vitória é uma cidade pequena, tem um saneamento bom, porém sofre com o impacto regional e também por ser perto do Porto de Tubarão, paga pelo preço de um passado onde não existiu a preocupação com o derramamento de minério na praia.”

    Decidiu ser doador depois de acompanhar o trabalho do Greenpeace por e-mails e na sequência bater um papo com nossa equipe nas ruas.

    “Não concordo 100% com o radicalismo do Greenpeace, mas não deixo de doar. Com tantos problemas e atenção dividida pra todo lado, talvez o caminho seja esse mesmo, só assim conseguem conquistar a atenção sobre as questões envolvendo o planeta. Outra coisa que admiro é a coragem do Greenpeace de ser independente, vejo muito valor nisso! Conseguir recursos é uma luta diária e em nome da liberdade recusar recursos é realmente admirável e fortalecedor.”

    “Mesmo com uma doação pequena, quando paro para pensar que o que eu doo somado a muitas outras pessoas fazem tudo isso acontecer, me deixa bem contente”

     Quer ser o próximo doador entrevistado, manifeste seu interesse escrevendo para nós:  

      Leia mais >

  • Como mostramos que temos mais força que as grandes petrolíferas

    Postado por Thaís Herrero - 4 - set - 2017 às 18:20 1 comentário

    Empresas multinacionais podem até ter um enorme poder financeiro. Mas quando juntamos milhares de pessoas para defender um ecossistema único no mundo, temos mais poder e força

    Em ação na Bélgica, ativistas foram até uma refinaria da Total mostrar o ecossistema que a empresa quer pôr em risco, ao explorar petróleo no Norte do Brasil. (Foto: © Eric De Mildt/ Greenpeace)

    De longe pode até parecer uma briga entre Davis e Golias. De perto, nossa saga para barrar grandes empresas petrolíferas mostra que por sermos tantos Davis, somos muito fortes. Somos mais de 1,2 milhão de defensores e defensoras dos Corais da Amazônia ao redor do mundo. Por onde vamos, espalhamos nossa mensagem e aumentamos cada vez mais esse nosso time.

    Em março, mais de 600 jovens e crianças foram à praia da Copacabana (RJ) e formaram um banner humano gigante em defesa dos Corais da Amazônia. (©Foto: Fernanda Ligabue/Spectral Q/Greenpeace)

     Desde que começamos a campanha em janeiro, já fizemos uma obra de arte gigante com 600 crianças e adolescentes, nos sujamos com petróleo falso, fizemos piada com as petrolíferas no Dia da Mentira, levamos 450 ativistas de 6 países para as ruas, chegamos até a ser presos, entregamos uma carta assinada por cientistas renomados e levamos peixes e medusas gigantes para um protesto em Londres.  Sem medo das grandes corporações, deixamos claro que não vamos parar até que a vitória seja definitiva.

    Voluntários do Greenpeace de Florianópolis (SC) se sujaram de petróleo falso para mandar um recado para a empresa francesa que quer explorar petróleo no Norte do Brasil: "Total, fiquem longe dos Corais da Amazônia". (Foto: ©Bruno Leão/Greenpeace)

    Semana passada, o Ibama rejeitou o estudo ambiental da Total, dando uma última chance da empresa apresentar os estudos que faltam, antes que o processo seja arquivado. Isso deixa a empresa francesa um pouco mais longe de realizar o sonho sombrio de extrair petróleo perto dos Corais da Amazônia.

    Em abril, no dia da Mentira, voluntários foram às ruas para mostrar o quão absurdo é o plano de explorar petróleo perto dos Corais da Amazônia. Imagine se encontrassem petróleo no meio da Avenida Paulista e quisessem extrair, o que você acharia? (Foto: ©Greenpeace)

     
    O Greenpeace agradece a todos e todas que apoiam a campanha e defendem os Corais da Amazônia. Seguimos juntos e ainda temos muito pela frente até que consigamos proteger de uma vez por todas nosso tesouro natural. 

    Em Londres, peixes e medusas gigantes foram até a porta da BP para dizer não à exploração de petróleo perto dos Corais da Amazônia. (Foto: ©Chris J Ratcliffe)

     

      Leia mais >

1 - 10 de 3075 resultados.