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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Exploração petrolífera na foz do Amazonas ameaça comunidades locais

    Postado por Carolina Santos - 23 - fev - 2017 às 14:20

    Da pesca ao açaí, as pequenas comunidades na costa do Amapá que dependem diretamente dos recursos naturais da região já se organizam para defender seus direitos e produzir de forma cada vez mais sustentável

    Comércio de Açaí no Mercado da Rampa de Santa Inês (Rampa do Açaí), em Macapá (Amapá). O açaí e a pesca artesanal são as principais atividades econômicas da região do Bailique (© Rogério Reis / Greenpeace)

    Antes da expedição que fez as primeiras imagens dos Corais da Amazônia, o navio Esperanza recebeu a bordo, ainda no porto de Santana, em Macapá, cerca de 40 representantes da sociedade civil, entre comunidades, organizações socioambientais e lideranças do Amapá. Em comum, o grupo compartilha o esforço de proteger a Floresta Amazônica.

    A intenção de nosso encontro foi iniciar com eles as discussões sobre atividades que geram grandes impactos socioambientais na região, entre elas a exploração petrolífera planejada, a partir do ponto de vista de quem está na floresta e faz parte dela. Em breve, o Greenpeace realizará um seminário na região, com parceiros, para discutir temas como o uso da terra, a barragem do Rio Araguari, os impactos da mineração, além da própria exploração de petróleo.

    Em tempos de ataques aos direitos das comunidades tradicionais por parte do Governo e do Congresso Federal, as iniciativas que estimulam o empoderamento e a autogestão dessas populações se tornam cada vez mais importantes. Nesse sentido, foi  muito interessante conhecer a brilhante experiência de organização local do Bailique, por meio dos protocolos comunitários.

    Qualidade e sustentabilidade na Foz do Amazonas

    O Bailique é um arquipélago de oito ilhas a leste do estado do Amapá, onde vivem cerca de 11 mil habitantes distribuídos em 52 comunidades, e cujo acesso é exclusivamente fluvial. A principal atividade econômica é a pesca artesanal e o açaí.

    Há cerca de três anos, a rede Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), em parceria com diversos colaboradores, como a Regional GTA do Amapá; o Conselho Comunitário do Bailique (CCB); a Colônia Z-5 de Pescadores; o Instituto Estadual de Florestas (IEF) do Amapá; e o DPG / CGEN) / MMA), iniciaram um projeto para desenvolver um “Protocolo Comunitário” no Bailique, a partir da aprovação da maioria das comunidades que habitam o arquipélago.

    Segundo a Rede GTA, protocolos comunitários “são regras internas criadas pela própria comunidade que definem os procedimentos, critérios e instrumentos de gestão territorial e de manejo e uso de recursos naturais na região”. Os protocolos norteiam as atividades econômicas que serão desenvolvidas, mas o ponto mais importante é que eles devem refletir as características tradicionais, o modo como a comunidade se relaciona interna e externamente, o conhecimento local popular.

    Assim, como explica a cartilha produzida pelo GTA, a construção de protocolos comunitários visa empoderar os povos e comunidades tradicionais para dialogar com qualquer agente externo de modo igualitário, especialmente na hora de fazer negócios com terceiros, fortalecendo o entendimento da comunidade sobre seus direitos e deveres e estabelecendo a importância da conservação da biodiversidade e de seu uso sustentável. Além disso é uma importante ferramenta de gestão de territórios, assim como do controle e da forma de uso de recursos naturais.

    Depois de três anos do início desta articulação, muitas iniciativas caminham em direção à consolidação do Protocolo Comunitário, como a criação da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique (ACTB). Ela é a instância comunitária responsável pela participação social e a execução das ações estabelecidas no território.

    Uma dessas iniciativas é a capacitação técnica para o bom manejo florestal na produção do açaí. Com o apoio da Associação, do GTA, e da Oficina-Escola de Lutheria da Amazônia, 79 produtores de açaí da região receberam, em novembro do ano passado, a certificação FSC, após serem auditados pela equipe do Instituto de Manejo e Certificação Florestal (IMAFLORA). Isso atesta que o seu produto não está vinculado a degradação florestal.  

    Em janeiro deste ano, o Greenpeace foi convidado a participar do 9° Encontrão do Protocolo Comunitário. Foi um momento muito importante para os produtores, pois foi quando receberam em mãos o certificado emitido pela FSC.

    Para o presidente da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique, Geová de Oliveira Alves, isso é importante pois o processo como um todo faz com que os produtores de açaí adotem uma postura diferente na forma de tratar seus recursos, sua cultura e meios de vida. “Eles passam a valorizar mais ainda o que cada um tem de melhor nas suas terras. E tendem a se capacitar mais para manter isso. É um processo de aprendizagem contínuo e com resultados excelentes, tanto para o homem quanto para a floresta”, avalia Alves.

    Para ele, outra vantagem da certificação é que o processo produtivo como um todo ganha outro status: há maior agregação de valor. “O mundo passa a reconhecer que você tem um produto de altíssima qualidade, que respeita os valores comunitários, a natureza e os direitos de todos”.

    Neste encontro, outras questões importantes foram discutidas, como a criação de uma cooperativa para garantir a melhor inserção do produto no mercado. Com a certificação em mãos, alguns desafios ainda preocupam os produtores, como o escoamento da produção, à procura de um mercado diferenciado para a aquisição do seu açaí certificado. Leia mais >

    Benefícios para quem?

    No modelo de desenvolvimento seguido em nosso país, a comunidade do Bailique pouco conhece seus bônus. Já os ônus são diariamente vivenciados pelos habitantes. O abastecimento de energia, por exemplo, é inadequado e deficiente, apesar de a população estar ao lado da barragem do Rio Araguari. Desta grande obra para a geração hidroelétrica, construída há três anos, o efeito mais marcante sentido pelos moradores locais do Bailique é a aceleração do processo de erosão na região.

    A deficiência no abastecimento de energia, inclusive, afeta as duas principais atividades econômicas da região, a pesca e a produção de açaí, afetando a segurança alimentar dos habitantes.

    O desenvolvimento a todo custo que é perseguido pelo país, traz agora uma nova ameaça socioambiental para a região: a possibilidade da exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas. No caso de um acidente com vazamento, ele poderia ter graves consequências para o Bailique, que depende totalmente dos recursos naturais.

    Porém, apesar dos desafios e da deficiência do Estado em garantir os direitos fundamentais dessa população, a comunidade do Bailique é um excelente exemplo de como uma população tradicional pode usar ferramentas e mecanismos para fazer a gestão de seu território. Ao mesmo tempo em que assegura a reprodução física e cultural do seu  modo de vida e transmite seus saberes tradicionais, também conserva o seu meio, que é a Floresta Amazônica. São comunidades que estão buscando uma inserção diferenciada no mercado, mostrando que é possível, sim, produzir e se desenvolver economicamente em sintonia com o meio ambiente.  Um sopro de esperança em tempos tão difíceis.

    Carolina Santos faz parte da campanha de Florestas do Greenpeace Brasil

  • Nota de Repúdio à proposta de redução de UCs no Amazonas

    Postado por Felipe Souza - 22 - fev - 2017 às 15:32 1 comentário

    Em carta aberta, ONGs pedem que o Governo não leve adiante a proposta de redução das Unidades de Conservação do sul do Amazonas.

    Um grupo de Organizações da Sociedade Civil lançou uma nota de repúdio direcionada  a Michel Temer e outros representantes do governo, pedindo que não levem adiante a proposta de alteração para Áreas de Conservação feita por parlamentares do Amazonas. A Medida Provisória ou Projeto de Lei colocará em risco a Reserva Biológica do Manicoré, do Parque Nacional do Acari, das Florestas Nacionais do Aripuanã e de Urupadi, e a extinção da Área de Proteção Ambiental dos Campos de Manicoré.

    Veja o documento na íntegra:

    "Manaus, 20 de fevereiro de 2017.

    Exmo. Sr. Michel Temer – Presidente da República

    Exmo. Sr. Eliseu Padilha – Ministro Chefe da Casa Civil

    Exmo Sr. Eunício Oliveira – Presidente do Senado Federal

    Exmo Sr. Rodrigo Maia – Presidente da Câmara dos Deputados

    Exmo Sr. José Sarney Filho – Ministro do Meio Ambiente

    Exmo Sr. Ricardo Soavinski – Presidente do ICMBIO

    Vimos por meio desta manifestar nosso repúdio à proposta de se constituir um instrumento legal (Projeto de Lei ou Medida Provisória) que promova as alterações nos limites da Reserva Biológica do Manicoré, do Parque Nacional do Acari, das Florestas Nacionais do Aripuanã e de Urupadi, e sobre a extinção da Área de Proteção Ambiental dos Campos de Manicoré.

    A criação destas Unidades de Conservação - UCs foi parte de uma série de ações desenvolvidas pelo Governo Brasileiro com apoio da Sociedade Civil com a finalidade de reduzir os fortes impactos socioambientais observados no sul do estado do Amazonas, decorrente do processo de ocupação irregular que resultou no aumento expressivo da taxa de desmatamento na região. Entendemos que a manutenção destas áreas protegidas como foram originalmente estabelecidas, obedecendo a critérios técnicos, é crucial para a conservação da biodiversidade regional e para o desenvolvimento de políticas diferenciadas para os municípios da região, gerando importantes subsídios para o desenvolvimento regional sustentável e contendo a expansão das atividades predatórias e ilegais em curso. Além disso, contribui efetivamente com as metas e compromissos estabelecidos pelo Governo Brasileiro tanto em suas políticas públicas internas, estruturadas através do Programa Áreas Protegidas da Amazônia  ARPA e do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia - PPCDAM, assim como nos Acordos Internacionais, destacando-se a Convenção da Diversidade Biológica e a Convenção do Clima.

    Remover esta proteção de 1 milhão de hectares contribuirá para o - já notável - aumento do desmatamento na Amazônia , comprometendo também a credibilidade do Brasil diante da comunidade  internacional, influenciando negativamente a imagem conquistada após esforços bem sucedidos no combate ao desmatamento e às mudanças climáticas. Tal decisão colocaria em risco não só a biodiversidade, as metas e compromissos assumidos, mas também o futuro hídrico e econômico do país, já que a Amazônia fornece água suficiente para abastecer grande parte da população brasileira e ainda ao agronegócio do país.

    Sendo assim, Exmos. Srs., reivindicamos que indefiram qualquer proposta de instrumento legal (Projeto de Lei ou Medida Provisória) que proponha estas reduções e nos colocamos à disposição para apoiar a efetiva implementação destas importantes Unidades de Conservação."

    Assinam:

    Associação de RPPNs e Reservas Privadas de Minas Gerais – ARPEMG
    Associação Conservação da Vida Silvestre – WCS Brasil
    Confederação Nacional de RPPN – CNRPPN
    Conselho Nacional das Populações Extrativistas - CNS
    Conservação Internacional Brasil – CI-Brasil
    Fundação Vitória Amazônica - FVA
    Greenpeace Brasil
    Grupo de Trabalho Amazônico - GTA
    Instituto Centro de Vida – ICV
    Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola - IMAFLORA
    Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM
    Instituto de Pesquisas Ecológicas – IPE
    Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – IMAZON
    Instituto Internacional de Educação do Brasil - IEB
    Instituto Socioambiental - ISA
    Oficina Escola de Lutheria da Amazônia – OELA
    Rede Acreana de Mulheres e Homens - RAMH
    Rede Nacional Pró Unidades de Conservação
    Serviço e Cooperação com o Povo Yanomami - SECOYA
    TNC Brasil
    WWF Brasil

    Leia mais >
  • Um recife vitaminado pela floresta

    Postado por Thaís Herrero - 22 - fev - 2017 às 14:00

    Entenda porque chamamos de Corais da Amazônia os recifes localizados no Oceano Atlântico

    Árvores em áreas alagadas na foz do Rio Amazonas, no Amapá. (© Daniel Beltrá / Greenpeace)

    Desde que o navio Esperanza passou pelo Brasil, para lançarmos a campanha Defenda os Corais da Amazônia, muita gente nos pergunta porque chamamos esse sistema de corais assim. Falamos que eles são da Amazônia, mas não nos rios da floresta. Os recifes estão onde o Oceano Atlântico. É a região onde o mar encontra o rio Amazonas e, por isso, são fortemente influenciados pelas águas turvas do rio. Esse é que chamamos de "fator Amazonas"

    Para entender o que isso significa, o rio, cuja vazão é a maior do mundo, joga 300 mil metros cúbicos (ou 300 milhões de litros) de água doce no mar, por segundo. Junto dessa água vêm muitos sedimentos, como terra, restos da vegetação e de animais carregados ao longo do leito do rio. Se a Floresta Amazônica é chamada de pulmão do mundo, o Rio Amazonas seria a maior veia do planeta.

    Quando chega ao oceano, a água doce não se mistura igualmente. Fica mais na superfície porque é mais leve que a salgada. Essa camada superior é o que os especialistas chamam “pluma” do rio.

    A pluma é riquíssima em matéria orgânica e mineral, micróbios e organismos que fazem parte do sistema do oceano.  O efeito que ela causa no mar é o “Fator Amazonas”. Devido ao grande volume e força do rio, a pluma pode alcançar até a África, em algumas épocas do ano.

    Mas qual a relação da pluma com os recifes de corais da Amazônia? Tudo. Primeiro, vale lembrar que os recifes estão na foz do rio, ou seja, a área de maior concentração de pluma. Este fator era a condição apontada justamente para a improbabilidade de ocorrência de recifes na região.

    O cientista Nils Asp Neto explica que os recifes marinhos têm dois fatores limitantes para sua existência: um é a luz que penetra até o fundo do mar; o outro é a quantidade de nutrientes. Regiões marinhas que não sofrem interferência de rios têm poucos nutrientes, mas muita luz chegando até o fundo. Os organismos fotossintetizantes se beneficiam dessa luminosidade, mesmo tendo pouco nutriente ao seu redor. É o caso de algumas regiões costeiras brasileiras, como o Rio Grande do Norte e Pernambuco.

    Árvores caídas pelos bancos do Rio Amazonas, a aproximadamente 1,7 km da cidade de Macapá, no Amapá. (Foto: © Daniel Beltrá / Greenpeace)

    Pelo que os cientistas já puderam estudar, na foz do rio Amazonas acontece o contrário: há muito nutriente, mas pouca luz. Os sedimentos em suspensão na pluma funcionam como uma barreira opaca. “O que temos visto aqui na foz do Amazonas é que existe uma área de transição onde os nutrientes do Rio Amazonas chegam, mas não há tanta turbidez. É uma faixa em uma situação ideal. Os recifes da Amazônia devem estar tirando muita vantagem disso”, diz Nils.

    A pluma que eventualmente reduz a luz na água ao mesmo tempo funciona como um “suplemento vitamínico” para que os organismos vivam com condições boas de energia. Quando a pluma se desloca pelas correntes marinhas e uma maior transparência permite que a luz chegue ao fundo, os organismos fotossintetizantes se revigoram.

    >> Confira algumas das primeiras imagens dos recifes de corais da Amazônia   

    Nos recifes da Amazônia, principalmente na porção norte, onde a concentração da pluma é maior, há muitas esponjas. Elas são filtradoras e se alimentam da chamada “neve marinha”. Os nutrientes da pluma são usados pelo fitoplâncton como alimento; o fitoplancton é comido pelo zooplancton; e quando o zooplâncton morre, se decompõem, virando a neve marinha. E as esponjas se alimentam disso.

    Portanto, a pluma tem grande participação na existência dos recifes de corais da foz do Amazonas. É uma das razões deles serem tão especial. Esse bioma único no mundo ainda é pouco conhecido por nós e pelos cientistas que estudam o tema. Apenas há alguns dias fizemos as primeiras imagens deles debaixo d’água. E esse tesouro recém-revelado já está em perigo: duas empresas petrolíferas pretendem perfurar a região em breve, em busca de petróleo.

    É por isso que o Greenpeace está unindo defensores dos Corais da Amazônia por todo o mundo. Precisamos proteger esse capricho da natureza, tão raro, e por isso tão especial.

    Imagem na região dos corais da Amazônia. Esponja amarela em fundo e rodolito. O peixe é um olho-de-boi, ou olhete. (Foto ©Greenpeace) Leia mais >

     
  • Paulistanos querem ônibus não poluentes em São Paulo

    Postado por rgerhard - 21 - fev - 2017 às 19:30

    Em atividade realizada em frente à Prefeitura, uma ampla maioria (97%) manifestou seu apoio. Agora, a Prefeitura precisa responder se exigirá os combustíveis renováveis na licitação de ônibus

     

    Nesta terça-feira (21), fomos para a frente da Prefeitura de São Paulo realizar uma atividade com a população. A pergunta foi simples e pode parecer óbvia: você quer ônibus que não poluem em São Paulo? Por meio da passagem por um portal, as pessoas poderiam se manifestar pelo SIM ou pelo NÃO e maioria, claro, 3484 contra 119, declarou seu apoio aos ônibus não poluentes. Afinal, quem gosta de viver em meio à fumaça? Agora reflita: se esta é uma questão tão evidente, por que o poder público ainda não tomou providências quanto a isso?

    A pergunta parece óbvia, mas nossos políticos e gestores públicos continuam ignorando a vontade popular

     

    Em breve, São Paulo terá uma grande oportunidade de colocar isso em prática. “A licitação que vai contratar as novas empresas de ônibus será lançada nos próximos meses, por isso o momento de pressionar o prefeito João Doria é agora. Ele pode exigir que, assim como o ar-condicionado, os combustíveis renováveis, que são mais limpos, sejam obrigatórios na nova frota”, afirma Davi Martins, da campanha de Mobilidade do Greenpeace.

    Se isso for ignorado, corremos o risco de ter mais 20 anos de ônibus a diesel poluindo o ar da nossa cidade e afetando a saúde de todos, não importa a idade. “Sofro de asma e bronquite, sinto o ar fedido e abafado”, diz a operadora de telemarketing Taiane Reis Santos, de 19 anos. Tenho netos que sofrem de alergia e preciso limpar a casa todos os dias”, conta a dona de casa Margarida Helena da Silva, de 53 anos.

    Durante a atividade, nossos ativistas conversaram com a população e explicaram a importância da licitação como o momento de exigir ônibus não poluentes

     

    A lei, no entanto, está do nosso lado para ser cobrada. A Política Municipal de Mudanças Climáticas determina que, a partir de 2018, todos os ônibus sejam abastecidos com combustíveis renováveis, como biodiesel, que é de base vegetal, os elétricos ou os híbridos, que são uma mistura dos dois. Basta que o prefeito se comprometa a exigir isso das empresas na licitação. A desculpa do custo maior não é válida. Produzimos um relatório mostrando que há várias condições e fatores que fazem com que essa transição não pese no bolso do usuário, por meio de aumento da tarifa - veja aqui como.

    “Foi uma pena que a Ecofrota e os trólebus foram reduzidos. A poluição é visível, sentida no nosso nariz, na nossa garganta. Temos que exigir mudanças e o meio para isso é fazer pressão”, diz o administrador Miguel Francisco Jaime, 52, um dos que atravessou a porta do SIM para os ônibus mais limpos.

    Pessoas de todas as idades são afetadas pela poluição, por isso, chega de fumaça!

     

    Desde a gestão Haddad, o Greenpeace tem cobrado o poder municipal a levar a questão da poluição a sério. Como a licitação foi empurrada para a nova gestão, temos conversado com as equipes da Secretaria de Mobilidade e Transportes e da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, mas até o momento não há uma posição clara sobre o assunto. Também enviamos, há algumas semanas, uma carta solicitando reunião com o prefeito João Doria, mas não houve resposta, e por isso chegou o momento de cobrar essa posição, antes que seja tarde.

    Até que isso seja comunicado pela Prefeitura, continuaremos com a nossa atividade de consulta à população na internet. Acesse aqui o nosso portal virtual e responda essa mesma pergunta que fizemos nas ruas. Na sequência, você poderá enviar uma mensagem diretamente para a Prefeitura e os secretários responsáveis, manifestando sua posição.

    Vamos juntos garantir um ar mais puro, começando por São Paulo!

    Mandamos a mensagem para o prefeito e agora aguardamos a reposta. Respirar um ar limpo é direito de todos! Leia mais >

     
  • Fotografia a serviço do meio ambiente

    Postado por Rosana Villar - 20 - fev - 2017 às 16:00

    O  premiado fotógrafo Daniel Beltrá veio ao Brasil para retratar a Costa do Amapá, em defesa dos Corais da Amazônia. Aproveitamos para bater um papo sobre ativismo, conservação ambiental e, claro, fotografia.

    O Parque Nacional do Cabo Orange é um dos mais importantes locais para aves, como flamingos e guarás (foto), e mais de 400 espécies avistadas em áreas alagadas, mangues e áreas costeiras. (Foto: © Daniel Beltrá /Greenpeace)

    Dono de uma coleção considerável de prêmios, Daniel Beltrá especializou-se em retratar as belezas e mazelas ambientais ao redor do mundo e considera-se antes de tudo um ambientalista, que encontrou na fotografia uma forma de expressar sua paixão e luta pelo meio ambiente.

    O fotógrafo, que tem longa parceria com o Greenpeace – já se vão 25 anos de história – esteve no Brasil à convite da campanha Defenda os Corais da Amazônia, para registrar a natureza exuberante do estado do Amapá, que tem sua preservação comprometida pela iminência do petróleo em sua costa.   

    A exploração de petróleo no Amapá oferece riscos não apenas aos recifes de corais na região da foz do Rio Amazonas, mas também às populações tradicionais de cidades litorâneas e de ecossistemas sensíveis, como os mangues, que dependem do mar e das marés para existir.

    >> Confira as primeiras imagens dos Corais da Amazônia vistos debaixo d'água

    Uma grande barragem foi construída no Amapá, destruindo centenas de quilômetros quadrados de floresta. Muitas pequenas e médias barragens ainda estão planejadas. A energia gerada por elas vai para as grandes cidades. A população local tem pouco acesso a eletricidade. (Foto: © Daniel Beltrá /Greenpeace)

    Nascido em Madri, na Espanha, e radicado em Seattle, nos Estados Unidos, Daniel tem quase sempre como modelo sua grande musa inspiradora, a Natureza. Uma paixão antiga, dos tempos em que estudava biologia, antes de tornar-se fotógrafo profissional quase que por acidente.

    Através de suas lentes já passaram as curvas gélidas do Ártico à Antártida, rios e florestas amazônicas e tragédias inesquecíveis, como o desastre do Golfo do México. Trabalhos reconhecidos por dois Word Press Photos, dois prêmios do Museu de História Natural de Londres, um BBVA Foundation award, entre dezenas de outros, por sua importância na luta pela proteção do meio ambiente.

    Em sua passagem pelo Brasil batemos um papo com Daniel sobre ativismo, conservação ambiental no mundo de hoje e, claro, fotografia. Confira.

    Há quanto tempo você colabora com Greenpeace?
    A primeira vez que estive com o Greenpeace foi em 1990. Tinha ido como convidado, estava pela Agência Espanhola de Notícias (EFE) no navio Sirius, no Mediterrâneo. Fomos fazer um monitoramento de mamíferos marinhos. Mas o primeiro trabalho que fiz como contratado pelo Greenpeace foi em novembro de 1992. Um barco quebrou na costa da Galícia, na Espanha, e houve um grande derramamento de óleo. Foi curioso, porque quando eles me ligaram para saber se eu queria ir, eu já estava no aeroporto indo. Iria de qualquer jeito.

    Qual foi a atividade com o Greenpeace que mais te marcou até hoje?
    A ida à Mururoa, uma ilha na Polinésia Francesa, onde a França fazia testes nucleares. Lá havia uma base militar francesa. Fomos até o local para fazer os registros em dois navios, o Vega e o Rainbow Warrior II, saímos do Panamá. Quando estávamos realizando a ação, a marinha francesa chegou e tivemos que nos apressar, mas consegui esconder os filmes das máquinas antes de nos prenderem. Três dias depois fomos soltos pela polícia e um amigo que trabalhava na Reuters me ajudou a transmitir umas cinco fotos – que acabaram nas capas de todos os jornais no dia seguinte. No final, queriam me expulsar da Polinésia, mas consegui sair antes. Houve uma revolta nacional, as pessoas fizeram manifestações no aeroporto, queimaram edifícios, a população local se revoltou totalmente contra os franceses que estavam fazendo os testes nucleares e um ano depois a França decidiu não fazer testes lá nunca mais. Gosto de pensar que o que fizemos foi importante nesse sentido, que há uma transcendência. E também gosto de lembrar da ação e da aventura, pois foi uma aventura incrível.

    Água poluída de uma mina. Isso é agora um problema crônico na região, com altos e perigosos níveis de mercúrio encontrados a milhares de milhas das minas, afetando inclusive os peixes. (Foto: © Daniel Beltrá /Greenpeace)

    Qual o objetivo desta sua viagem ao Brasil?
    Vim pela campanha Defenda os Corais da Amazônia, mas não para fotografar os corais diretamente. Tenho bastante experiência na Amazônia. Estou registrando a região que poderia ser impactada em caso de um vazamento de petróleo e sei bem o que pode acontecer [Beltrá ganhou o Veolia Environnement Wildlife Photographer of the Year em 2011 com uma foto de pelicanos cobertos de óleo após o desastre na plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, em 2010, operada pela BP, a mesma empresa que planeja explorar petróleo próximo aos corais da Amazônia].

    Qual atividade mais te marcou aqui no Brasil?
    Não posso falar de uma particular. Mas, em geral, a destruição da floresta é algo que me marca muito. Lembro das primeiras vezes sobrevoei a Amazônia, de ver as queimadas, as vezes milhares de focos em um dia. Uma vez, voando de Manaus para Brasília a noite, contei mais de cem focos. É muito impressionante, o tamanho da destruição. Mas, por outro lado, no norte da fronteira você vê aquela floresta densa, muito rica e protegida.

    Você se especializou no registro fotográfico de natureza e questões ambientais, por que?
    Desde muito pequeno sempre fui um apaixonado pela natureza, saía muito para o campo, pegava todos os bichos que encontrava em minha casa, guardava sementes. Na época da universidade, comecei a estudar engenharia florestal e depois passei em Biologia, mas o que eu gostava de verdade era defender a natureza, porque quando você gosta muito de uma coisa você quer lutar para preservá-la.  Na fotografia encontrei uma ferramenta muito boa para isso.

    Como?
    Primeiro, porque com a fotografia você converte as pessoas em testemunhas de coisas que são muito difíceis de se imaginar. Se você fala de desmatamento da Amazônia algumas pessoas terão dificuldade de compreender o tamanho do problema, mas se você vê as fotos aéreas, é muito impressionante. Não tem como ficar insensível a isso. Segundo porque com a fotografia consigo ajudar a traduzir um pouco da ciência para o grande público. Quando você fala de aquecimento global, há coisas que são difíceis de entender, mas através da fotografia podemos contar essa história.

    Áreas inundadas próximas à foz do Rio Amazonas e do Rio Araguari. A campanha Defenda os Corais da Amazônia quer evitar que empresas explorem petróleo em uma região oceânica na foz do Rio Amazonas. (Foto: © Daniel Beltrá /Greenpeace)

    Você se considera um ativista ambiental?
    Sim. Gosto muito da fotografia, mas costumo dizer que sou apenas um ativista com uma câmera. A câmera é o meio que utilizo, mas acho que mostrar o está acontecendo atualmente com o mundo é mais importante que a própria fotografia.

    Você tem acompanhado as questões ambientais há quase 30 anos e pôde testemunhar diversos erros e acertos da humanidade neste sentido. A partir dessa sua vivência, que caminho você acha que o mundo está seguindo?
    Acho que o mundo está indo por um caminho muito ruim. Sou otimista por natureza, há muitas pessoas fazendo trabalhos bons pela preservação ambiental. Mas não sei o que pode acontecer. Busco acreditar que temos o poder de alcançar o que quisermos e que, se decidirmos mudar as coisas, podemos mudá-las de verdade. É como se você estivesse num barquinho sem remos no meio do mar, com uma praia bem distante. Você vai ficar lá esperando ou vai nadar o máximo que puder para chegar até a praia? Se o mundo anda mal, se está tudo ruim, você vai ficar apenas esperando sem fazer nada? Mudar o jogo é algo que depende de nós.

    Como foi seu começo na fotografia?
    Eu fazia algumas fotos porque gostava, mas nunca tinha trabalhado com foto. Um dia, estava na minha casa, e o ETA, um grupo terrorista da Espanha, explodiu uma bomba na embaixada norte americana em Madri. Estava tomando banho em casa quando ouvi no rádio, o locutor disse "explodiram uma bomba, temos poucas informações, se você sabe o que está havendo, ligue para a agente", e eu resolvi pegar minha câmera e ir lá dar uma olhada. Peguei meu carro, cheguei rápido, a rua ainda não estava fechada, então tirei várias fotos e pronto. Daí fui para a EFE, a agência de notícias espanhola, e alguém da equipe de fotografia que estava de plantão naquela noite disse que não tinha interesse porque já havia mandado uma equipe para o local. Eu já estava saindo pelo corredor, triste, quando um cara me chamou e disse "hey, garoto, o que você disse que tem aí?" Falei que eram as fotos da bomba, então o cara, que era o técnico do laboratório, pegou o filme para revelar. Assim que ele viu o material ligou para o editor e disse "chega amanhã mais cedo, quero que você conheça alguém". Assim consegui meu primeiro emprego como fotógrafo.

    Cerca de 1 bilhão de toneladas de lama e de sedimentos são levados dos Andes para a Amazônia a cada ano, formando ou criando planícies de inundação – ou chegando ao mar pela "pluma" do rio. (Foto: © Daniel Beltrá /Greenpeace) Leia mais >

     Você acha que fotografia é mais sorte, técnica ou talento?
    Como tudo na vida, é trabalho duro e um pouquinho de todo o resto. É bom ter técnica, mas não é o mais importante. Hoje em dia complicamos muito a fotografia. As pessoas se preocupam muito mais com todas as mil opções que as câmeras têm, enquanto deveriam estar mais concentrados no que estão olhando através do pequeno quadrado. Eu tive a sorte de começar na fotografia em outra época, as câmeras eram bem mais simples, você se preocupava com a luz, duas ou três coisas na câmera e só. Hoje algumas pessoas se preocupam tanto em regular as configurações da câmera que se esquecem da composição. Para as pessoas que estão começando, eu digo sempre que é preciso trabalho duro e insistência. Digo para buscarem temas perto de casa, para que você possa trabalhar com regularidade, e ser um editor critico consigo mesmo. Pois se você não e critico, alguém vai ser.
  • Prefeito João Doria, você vai cumprir a lei?

    Postado por rgerhard - 20 - fev - 2017 às 10:00

    Nesta segunda-feira (20/2), publicamos um anúncio no jornal Folha de S.Paulo para questionar publicamente o prefeito de São Paulo, João Doria. Queremos saber se ele exigirá ônibus abastecidos com combustíveis 100% renováveis a partir de 2018, como determina a Política Municipal de Mudança do Clima (Lei 14.933/2009)

     Nos próximos meses, a Prefeitura assinará novos contratos com as empresas responsáveis pelo sistema de ônibus coletivo de São Paulo. É a grande oportunidade de por essa medida em prática, pois os contratos duram décadas, com grande impacto para a população.

    Por reduzir ou até zerar as emissões de poluentes, os combustíveis renováveis, como energia elétrica, etanol e biodiesel (B100), salvam milhares de vidas por ano. Em São Paulo, 47% da fuligem que recobre a cidade é gerada pelos ônibus. Consequentemente, menos doenças e mortes causadas pela poluição também poupam bilhões para os cofres públicos no longo prazo, sem falar nos benefícios para o clima.

    É simples garantir que a lei seja cumprida: basta que os novos contratos definam um cronograma para a transição dos combustíveis dos ônibus, assim como já existe o que prevê a renovação da frota, mas estabelecendo multas altas ou outras sanções firmes para quem não cumprir a medida. A partir de 2018, é possível ter toda a frota limpa até 2020. E como demonstramos em nosso relatório Dossiê Ônibus Limpo, esta transição é possível sem a necessidade de aumentar a tarifa.

    Temos conversado com as equipes da Secretaria de Mobilidade e Transportes e da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, mas os secretários não apresentaram ainda uma posição definitiva da Prefeitura sobre o assunto. Também enviamos há algumas semanas uma carta solicitando reunião com o prefeito João Doria, mas não recebemos resposta.

    Então, perguntamos publicamente: Prefeito João Doria, você vai cumprir a Lei e garantir ônibus movidos 100% a combustíveis renováveis?

     

  • Os Corais da Amazônia surpreenderam nossa expectativa e imaginação

    Postado por Thaís Herrero - 16 - fev - 2017 às 10:00 3 comentários

    O navio Esperanza cumpriu sua primeira missão e a campanha pelos corais da Amazônia continua. Saiba o que encontramos ao longo da nossa expedição.

    Depois de 20 dias de expedição pela costa norte brasileira, o Greenpeace cumpre a primeira parte da sua missão: mostramos ao mundo os recifes de Corais da Amazônia! E seguimos com nossa campanha para defender esse bioma da ameaça do petróleo.

    Saímos do Amapá e navegamos por 1.649 milhas náuticas (algo em torno de 3 mil quilômetros). Ficamos a mais ou menos 100 quilômetros da costa brasileira, indo e vindo pelas áreas dos recifes – e cruzamos a linha do Equador 4 vezes.

    Pelo Esperanza passaram 48 pessoas, entre tripulação, jornalistas, cientistas e a equipe dos escritórios do Greenpeace pelo mundo. No total, fizemos 8 mergulhos com o submarino, sendo o mais profundo a 220 metros da superfície. O que vimos superou nossas expectativas e nossa imaginação. E o que fizemos foi história.

    A seguir, um resumo do que encontramos. Tudo isso só mostra o quanto a região dos recifes de corais da Amazônia é incrível e guarda segredos que ainda precisamos conhecer – e respeitar. 

    Mosaico de biodiversidade

    Esponjas amarelas, entre outras espécies, se misturam a algas e rodolitos (Foto: ©Greenpeace)

    A cada mergulho que fizemos, registramos um número maior de espécies. Encontramos arraias, caranguejo-aranhas, piraúnas, chernes, lagostas, peixes-mariquitas, entre tantos outros. Algumas delas, nem imaginávamos poder ver ali.

    Também encontramos diferentes habitats. Nesta região está uma estrutura recifal enorme, com uma heterogeneidade de paisagens muito maior do que os cientistas previam. Vimos ali bancos de esponjas, bancos de rodolitos, jardins de esponjas e jardins de corais negros.

    Por ser uma área de transição entre a fauna do Brasil e do Caribe, essa variedade foi uma surpresa boa e mostra a complexidade da vida marinha ali. 

    Peixes ameaçados

    Ao lado da anêmona, um peixe cherne, uma espécie ameaçada de extinção. (Foto ©Greenpeace)

    Entre os tantos peixes que vimos passar por perto de nosso submarino e nossa câmera, estavam espécies que estão ameaçadas de extinção, como o cherne e cioba. Isso só prova o quanto os recifes de corais da Amazônia precisam ser defendidos .

    Possíveis novas espécies

    Um peixe-borboleta. Nossa expedição encontrou possíveis novas espécies desse tipo de peixe. (Foto: ©Greenpeace)

    Os cientistas da expedição comemoram a documentação de três possíveis novas espécies de peixes: dois de peixe-borboleta e um de budião-sabão. Segundo Ronaldo Francini Filho, docente da Universidade Federal da Paraíba, essas são espécies bem diferentes no Atlântico. “O próximo passo é continuar o estudo, tentar encontrar esses peixes e estudá-los de acordo com o seu DNA. Só assim teremos certeza de que são uma espécie até então não catalogada pela ciência”. 

    Muito maior

    Conjunto de ouriços-do-mar (Foto: ©Greenpeace)

    A estimativa inicial era de que a região dos recifes de corais da Amazônia tivesse 9,5 mil quilômetros quadrados. Nessa expedição, que nem chegou a percorrer todo o território conhecido, pudemos ver que isso é pouco. “Há indícios para que a área seja duas ou três vezes maior que isso”, disse Ronaldo Francini Filho.

    Paredão de rocha
    Os mapas que mostram a geologia do fundo do mar onde estão os recifes de corais da Amazônia são superficiais e sem detalhes. Mas nossa expedição encontrou um paredão, apelidado de Falha do Joel, de cerca de 70 metros de altura e 10 quilômetros de comprimento. É uma estrutura completamente inesperada e mostra que sabemos pouco sobre a geologia da região onde empresas de petróleo já querem explorar.

    A defesa continua

    Tripulação abre mensagem no Esperanza, em defesa dos Corais (Foto: ©Marizilda Cruppe /Greenpeace)

    As imagens que vimos aqui, segundo Thiago Almeida, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, deixam claro o quanto único é esse bioma. “Essa expedição mostrou o quão pouco sabemos sobre nossos oceanos e o quão importante é protege-los. Nós temos que evitar que a exploração de petróleo ameace esse único, novo e intocado bioma”, disse. 

    A expedição acabou por enquanto, mas a campanha precisa de mais e mais pessoas ao redor do mundo defendendo os Corais da Amazônia. Vamos juntos pressionar as empresas Total e BP para que elas cancelem seus planos de explorar petróleo na foz do Rio Amazonas. Faça sua parte, assine e compartilhe a petição.

    ASSINE A PETIÇÃO

     
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  • Só amor: os defensores dos Corais da Amazônia entram em ação

    Postado por rgerhard - 15 - fev - 2017 às 18:20 3 comentários

    Com muita diversão e encantamento, os voluntários do Greenpeace se juntaram ao público de várias capitais do país para pedir a proteção desse tesouro natural.  E as ações continuam nos próximos fins de semana. Confira:

     

    A foto com os corais foi uma das ações realizadas em várias cidades, como Belo Horizonte.

     As primeiras imagens dos Corais da Amazônia embaixo d´água foram reveladas ao mundo pela expedição do navio Esperanza no Brasil, numa viagem emocionante, entre 23 de Janeiro a 10 de Fevereiro. As imagens surpreenderam toda a tripulação, além das milhares de pessoas em todo o mundo (já são mais de  500 mil assinaturas em nossa petição).

    Quem passa pelo nosso ponto verde pode personalizar a própria camiseta com os Corais da Amazônia

    Para garantir que o Brasil todo tivesse a oportunidade de admirar esses corais tão especiais na foz do Rio Amazonas, nossos voluntários foram para as ruas no último fim de semana (11 e 12/2), contar para a todos os brasileiros o quão importante (e divertido!) é tornar-se um Defensor dos Corais da Amazônia!

    Os voluntários de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Belo Horizonte e Brasília usaram atividades lúdicas para mostrar às pessoas as primeiras imagens dos Corais da Amazônia e toda a biodiversidade da região, como as baleias, tartarugas, peixe-boi, lontras e peixinhos fofos,  emocionaram a população local. “Todos os grupos estão de parabéns, as atividades foram lindas. A recepção do público em Belo Horizonte  foi demais. Ver, não só os adultos, mas as crianças se interessando pelos corais e toda a biodiversidade da foz do Amazonas foi massa demais. Até me emocionei”, disse Alison Vidon, 29 anos, voluntário de Belo Horizonte, e um dos Escudeiro dos Corais da Amazônia.

    Os Escudeiros dos Corais são voluntários experientes que estão organizando e coordenando atividades dos Defensores dos Corais da Amazônia junto aos Grupos Locais de Voluntários.

    Turma de voluntários nas ruas de Manaus.

     

    Atividade em Belo Horizonte, acima. E Grupo de Voluntários de Salvador, abaixo.

     

     

    Nem o sol de rachar que brilhou no fim de semana em São Paulo desanimou a turma que levou a Campanha para as ruas. Teve voluntária  que ganhou até uma “tatuagem” solar, brincando de pintura com as crianças em plena Praça da República, no centro histórico de São Paulo.

    Grupo de voluntários de Brasília.

     

    Grupo de voluntários do Rio de Janeiro.

     

    Mas ainda não acabou a diversão! Nos próximos fins de semana, mais atividades vão acontecer em São Luis do Maranhão, Porto Alegre, Florianópolis, Imbé e Recife e já no clima de Carnaval, cheio de energia e muito amor para defender esses corais. Fantasias de carnaval, camisetas e muitas atividades estão sendo preparadas com carinho. Preparem-se!

    Valeu Escudeiros e Defensores dos Corais!  Vocês são uma inspiração para toda a equipe do Greenpeace Brasil!

     

    Diversão e aprendizado com a criançada em Belo Horizonte

     

    Próximas atividades agendadas:

    Dia 18/2

    Porto Alegre (RS)

    Onde: Cidade Baixa Rua João Alfredo 235

    Quando: 18h

    Dia 19/2

    Recife (PE)

    Onde: Orla de Boa Viagem

    Quando: 9h30

    Porto Alegre (RS)

    Onde: Praia de Ipanema

    Quando: 16h

    Dia 25/2

    São Luis (MA)

    Onde:  Contação de histórias para crianças no Shopping São Luís

    Quando: 16 horas

    Imbé (RS)

    Onde: Tenda do SESC - próximo a avenida Santa Rosa

    Quando: 9h Leia mais >

  • A descoberta de um paredão misterioso

    Postado por Thaís Herrero - 14 - fev - 2017 às 18:20

    Durante nossa Expedição para ver os corais da Amazônia, encontramos uma formação geológica inesperada que surpreendeu os cientistas e mostra o quão pouco sabemos sobre a região

    Caterina Torresani, tripulante do Esperanza, opera a câmera submarina para observar o fundo do mar. (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace)

    A expedição do Espenraza no Brasil guardou uma surpresa para o final: uma descoberta geológica que muda tudo o que sabemos sobre a região da costa norte do Brasil.

    Os mapas que mostram a geologia do fundo do mar onde estão os recifes de corais da Amazônia são superficiais e sem detalhes. Falam basicamente sobre fundos arenosos, fundos lamosos e fundos com fragmentos de corais e algas calcárias. Mas vimos aqui muitos fundos com rocha, o que não era esperado.

    Veja as primeiras imagens dos Corais da Amazônia de baixo d'água

    Em nossa expedição, a bordo do Esperanza, temos as coordenadas geográficas de onde estão os recifes de corais e é por elas que nos guiamos. E há um aparelho muito importante: um sonar, que percebe por meio de ondas a estrutura do fundo do mar. É por ele que sabemos a profundidade e se estamos em cima de áreas mais planas ou mais montanhosas.


    Esse sonar nos indicou uma estrutura totalmente inesperada: no penúltimo dia de nossa expedição, na região sul dos recifes, nos demos conta de que estávamos em cima de um grande paredão rochoso com cerca de 70 metros de altura e 10 quilômetros de comprimento. “Apelidamos o paredão de Falha do Joel, uma homenagem ao capitão. Foi ele quem mapeou o paredão em nossa viagem”, conta Nils Asp, docente da Universidade Federal do Pará.

    Vimos o paredão apenas com uma câmera submersa, mas ao que tudo indica, ele é feito de rocha ígnea e maciça, provavelmente granito. E no topo dele havia alguns corais. “Se comprovarmos que é realmente granito, vai ser algo bem importante. Não existe nenhum relato desse tipo de rocha numa área de 50 mil quilômetros quadrados aqui na plataforma em que estamos”, diz Nils.

    Equipe a bordo do Esperanza opera imagens da câmera submarina, que mostra imagens do fundo do mar em tempo real. (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace) Leia mais >

     A descoberta também se conecta à própria existência dos recifes da Amazônia. “Esses pontos rochosos podem ter colaborado para que os recifes existissem aqui”, diz Nils. 

    Segundo Nils, se temos rocha, a topografia da bacia aqui da foz do Amazonas é diferente do que se imaginava – e mais complexa. E mostra que sabemos pouco sobre a região e precisamos conhecê-la melhor. “Isso pode ter implicações grandes até mesmo para a ecologia ou para a geologia do petróleo. Dá indícios sobre como essa região se formou e pode impactar nos planos da empresas petrolíferas que querem explorar a região”, ele afirma.

    Agora sabemos que a região dos recifes da Foz do Rio Amazonas é mais complexa do que imaginávamos. E, por isso, mais do que nunca juntamos forças para nossa campanha Defenda os Corais da Amazônia crescer. E, assim, evitar que empresas explorem a região.

    Thaís Herrero é jornalista, do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza.

  • Diário de bordo: golfinhos voltam para a despedida

    Postado por Juliana Costta - 14 - fev - 2017 às 11:00

    Não temos imagens dos golfinhos que nadaram com a gente de noite, mas temos esses que nos visitaram durante o dia. (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace)

    Chegando ao fim da nossa expedição a bordo do Esperanza, nosso coração ficou bem apertado. Foram mais de 20 dias no navio, 480 horas convivendo juntos. Muitas manhãs começando entre 4h30 e 7h30 para que acompanhássemos os mergulhos de submarino, ou a câmera submersa que ia ao mar, ou para apenas conversar e conhecer mais sobre os recifes de corais com os cientistas. Com todo esse trabalho desenvolvemos amizades, criamos vínculos e vivemos situações que serão boas memórias para toda a vida. A nossa última noite foi só mais uma delas.

    Alguns momentos que sentiremos falta são simples: trabalhar no lounge (a nossa sala de estar) ouvindo as piadas dos bem humorados pilotos do submarino e cientistas. Ou andar pelo navio e encontrar o Eric sorrindo e perguntando “Como está seu dia, querida?”. Sentiremos falta de quando tentávamos nos equilibrar no balançar do navio e todo mundo se olhava com cumplicidade, no maior estilo “tá difícil aqui também”. Esses pequenos momentos fazem a gente até esquecer do cansaço e deixam o dia mais leve.

    Ondas no mar ao nosso redor, no meio do Atlântico (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace)

    E bem na nossa última noite a bordo, tivemos feliz coincidência. Depois do show dos golfinhos dos nossos primeiros dias, nossos companheiros do mar vieram dizer adeus.

    Já passava das 20h e conversávamos na parte externa do navio, aproveitando a noite iluminada pela lua. Ouvimos gritos “Golfinhos na proa! Noctilucas na proa!” e lá saímos correndo para vê-los. (Mais sobre os noctilucas nesse blog aqui)

    Era uma cena incrível. Os golfinhos muitos e eram todos pequenos. Ao redor deles, víamos brilhos verdes, como vaga-lumes. Infelizmente, nossas câmeras não conseguiram registrá-los. Ficaram apenas na memória. Atônitos, entendemos que era um presente de despedida que o mar, talvez Iemanjá, Netuno ou Poseidon nos davam por estarmos ali com a campanha Defenda os Corais da Amazônia.

    Pôr do sol com chuva na região dos corais da Amazônia (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace)

    Afinal, aquele mar por onde tanto navegamos tem mais do que golfinhos saltitantes. Ali há muita beleza e mistérios, vidas marinhas preciosas que ainda não conhecemos tão bem. São corais, esponjas, rodolitos, arraias, peixes, caranguejos entre tantos e tantos outros seres que vimos e registramos. E tudo ali merece nossa atenção e nossa defesa.

    Se demorarmos muito para agir, empresas petrolíferas começarão a explorar a região em busca de petróleo. Um derramamento ali poderia ser desastroso e ameaçaria todas essas belezas que vimos a bordo do Esperanza. E é por isso que daqui do navio estamos mostrando ao mundo o que vemos. Esperamos que, mesmo quem não esteve com a gente, tenha se emocionado e embarcado nessa aventura. 

    Daqui a pouco o navio Esperanza deixa o Brasil, e nós continuamos em busca de mais defensores dos corais da Amazônia por todo o mundo.

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    Juliana Costta é Social Media do Greenpeace e está a bordo do Esperanza, pelo menos por enquanto. Leia mais >

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