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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Redescobrindo o Brasil em tempo de retrocesso

    Postado por Nathália Clark - 22 - abr - 2014 às 19:01 1 comentário

     

    Neste 22 de abril, dia em que se comemora o Descobrimento do Brasil – e três dias depois da data que celebra o Dia do Índio – os brasileiros se perguntam: o Brasil foi de fato descoberto ou invadido? E questionam se ainda é possível a construção de um país mais justo, que honre os direitos de todos os seus habitantes, incluindo os mais antigos e tradicionais ocupantes dessa Terra Brasilis.

    Depois de séculos de opressão, na Constituinte de 1988, o Congresso Nacional brindou os povos indígenas com o reconhecimento do direito originário a seus territórios – isto é, um direito que já existia mesmo antes da adoção da lei em si. Entretanto, hoje, mais de duas décadas depois, o mesmo Congresso está analisando propostas e projetos, como a PEC-215, o PLP-227 e o PL-1610, que, se aprovados, enfraquecerão os direitos desses povos de ocuparem plenamente suas terras Brasil afora.

    Contra tamanho retrocesso e em apoio a todas as causas da Mobilização Nacional Indígena, um grupo de artistas lançou hoje a campanha Tamuaté-aki, para cobrar dos parlamentares brasileiros mais respeito aos direitos conquistados democraticamente pelos mais de 900 mil indígenas de mais de 300 povos no Brasil, além das dezenas de grupos em situação de isolamento voluntário que evitam o contato com a sociedade.

    Assista ao vídeo de divulgação da campanha:

     

    A petição pública da campanha tem a intenção, em pleno período pré-eleitoral, de pedir a todos os deputados e senadores que demonstrem seu apoio aos índios e sua oposição a qualquer proposta que vise desconstruir os direitos desses povos consagrados na Constituição Federal. Com a iniciativa individual de cada cidadão, o Parlamento brasileiro pode, mais uma vez, garantir que o Brasil seja um país mais justo, mais diverso e mais livre, para todos os povos.

    Em algumas regiões do país, quase tudo o que sobrou da cobertura vegetal nativa se encontra no interior das terras indígenas e das unidades de conservação. Em uma década – entre 1998 e 2009 –, somente na Amazônia, o desmatamento dentro de áreas protegidas foi de 1,22 milhões de hectares, segundo relatório Áreas Protegidas na Amazônia Brasileira, Avanços e Desafios, produzido pelo Imazon e ISA em 2011.

    Dentre elas, as terras indígenas apresentaram o menor percentual de perda de cobertura florestal: 1,5% do total de suas áreas foram desmatadas. E isso só pode representar uma coisa: defender Terra Indígena é defender a floresta. 

    Esse dado comprova que a diversidade sociocultural dos povos tradicionais caracteriza um patrimônio da sociedade brasileira como um todo, e por isso merece a atenção particular de cada um. A demarcação dos territórios indígenas, hoje paralisada pelo Executivo e ameaçada pelo Congresso, é condição básica de sobrevivência para essas populações e, portanto, para uma herança que é de todos.

    Minuta do atraso

    Enquanto a sociedade se mobiliza, o governo anda para trás. O Ministério da Justiça, órgão que hoje possui a atribuição de analisar os pedidos de demarcação de terras indígenas, divulgou há algumas semanas, uma Minuta de Proposta para promover alterações no procedimento demarcatório dessas áreas.

    Com o documento, o ministro José Eduardo Cardozo tenta reavivar, 50 anos depois, mecanismos da ditadura militar para a demarcação de territórios tradicionais. A proposta do Ministério contraria decisões recentes, inclusive tomadas pela Corte Suprema do país, o STF, caso do julgamento sobre a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, entre outros.

    A minuta também permite a interferência de grupos contrários à demarcação desde os primeiros momentos do procedimento de identificação e delimitação das terras indígenas, inviabilizando até mesmo o trabalho de campo dos profissionais técnicos. 

    Contra mais esse retrocesso, dessa vez vindo diretamente do Executivo, organizações indígenas e indigenistas que participam da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) divulgaram um parecer, no último dia 08 de abril, em que analisam a proposta e sintetizam nove principais conclusões, sendo a última delas um recado claro para o governo federal:

    “Uma eventual publicação da Portaria em questão reforçará compreensão, por parte dos povos indígenas, organizações de apoio aos povos e da sociedade em geral de que o Governo Dilma é claramente anti-indígena, aliado de primeira hora dos ruralistas, alinhado aos interesses do poder econômico nacional e transnacional, notoriamente do agronegócio, e obstinado por um modelo de desenvolvimento neocolonizador, usurpador de territórios, etnocida e ecocida”.

    Isso talvez responda à pergunta inicial do texto. Ou não? Leia mais >

  • Dia do Índio – pra quem?

    Postado por Nathália Clark - 19 - abr - 2014 às 0:05

    Índios Guarani ocupam sede do Museu Anchieta, em São Paulo, em campanha pela demarcação de suas terras (Foto: Comissão Guarani Yvyrupa).

    Esse 19 de abril, cunhado nacionalmente como Dia do Índio, não será movimentado como o do ano passado em Brasília, já que a data coincidiu com o feriado de Páscoa e as sedes do poder federal estão desertas, como de costume. Mas isso não significa que os povos indígenas estejam calados e satisfeitos.

    “‘Dia do índio’, para nós, será o dia em que o Ministro Cardozo assinar a demarcação de nossas terras!”, disse Neike Xondaro Kuery, liderança do povo Guarani na última quarta-feira (16). Sua fala representa a insatisfação de todos os representantes das mais de 300 etnias que resistem no Brasil hoje.

    Em alguns estados, como São Paulo e Pará, as manifestações, protestos e ações que demonstram a preocupação com a garantia de seus territórios, seus direitos constitucionais e sua sobrevivência não deixaram a semana passar em branco.

    Na capital paulista, a Comissão Guarani Yvyrupa lançou, na última segunda-feira (14), uma petição para pedir que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, assine as portarias de demarcação das Terras Indígenas Tenondé Porã, no extremo sul da Grande São Paulo, e Jaraguá, ao norte da metrópole.

    No dia 16, os índios, primeiros habitantes do estado, ocuparam o Largo do Pátio do Colégio Anchieta, espaço interno do Museu Anchieta, no centro de São Paulo. Lá permaneceram até o dia 17, quando foi lançada a campanha "Resistência Guarani SP", para manter a mobilização em defesa da demarcação das duas áreas.

    A petição será encaminhada ao ministério, junto com uma caneta com trançado tradicional Guarani e outros presentes produzidos pela comunidade. Veja aqui o vídeo da campanha.

    Enquanto isso, no campo…

    Mais especificamente nas Terras Indígenas Cachoeira Seca e Menkragnoti, respectivamente dos povos Arara e Kayapó, denúncias da Funai (Fundação Nacional do Índio) e das próprias lideranças indígenas sobre a exploração ilegal de madeira levaram o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) a realizar duas operações de fiscalização recentes.

    Na TI Cachoeira Seca, a ação, que aconteceu entre os dias 5 e 10 de abril com o apoio de servidores da Funai e de agentes da Polícia Federal, resultou em multas no valor de R$ 7,5 milhões e no embargo de 700 hectares de área no interior da terra indígena. Foram apreendidos três tratores, um caminhão adaptado para carregar toras, uma serraria portátil, quatro motosserras, três espingardas e 57 metros cúbicos de madeira em tora.

    Foram destruídas ainda duas serrarias portáteis e um trator encontrados abandonados no interior da terra indígena, juntamente com madeira extraída da área. O maquinário foi destruído com o objetivo de cessar o dano ambiental que os equipamentos continuariam causando na área.

    Já na Terra Índigena Menkragnoti, de cerca de 4,9 milhões de hectares, a parceria entre o Ibama e os Kayapós resultou na detenção em flagrante de 40 pessoas, na destruição de 11 acampamentos de madeireiros e na apreensão de 26 motoserras, além de multas no valor de R$ 50 milhões. Leia mais >

  • De olho na Gazprom

    Postado por Alan Azevedo - 17 - abr - 2014 às 16:20

    Prirazlomnaya, plataforma da Gazprom responsável pelo início das perfurações no Ártico. (©Denis Sinyakov/Greenpeace)

     

    Mesmo com forte pressão internacional, a Gazprom iniciou este ano a exploração de petróleo no Ártico. Embora a petroleira russa tenha apresentado um plano de contingência contra vazamentos recheado de brechas e inconsistências, o primeiro carregamento de petróleo proveniente do Ártico está previsto para chegar à Europa já em maio.

    O Greepeace analisou o plano de contingência (Oil Spill Response Plan, ou ORSP em inglês) publicado no site da própria Gazprom, e inúmeras falhas foram encontradas, o que coloca em xeque sua efetividade.

    Entre as brechas do texto, algumas podem ser consideradas graves. Falta definir a operação de contingência em caso de vazamento de 1,5 a 5 toneladas de óleo (previsto em constituição), sendo que a Gazprom não leva em consideração as condições extremas da região. Além disso, o OSRP dá preferência à limpeza mecânica, comprovadamente ineficaz em alto-mar e inútil em caso de água encoberta por camada de gelo.

    Foram quase vinte anos para que a Gazprom finalmente conseguisse extrair petróleo do Ártico. Pergunta: como, portanto, um documento incompleto de contingência pode ser considerado satisfatório? É essa questão que o Greenpeace vai fazer ao Procurador Geral da Rússia até a chegada do carregamento na Europa.

    A irresponsabilidade da Gazprom pode custar muito caro ao planeta inteiro. Nós vamos continuar de olho, pressionando pela preservação do Ártico. Leia mais >

  • Fraude no sistema: o conto da madeira legal

    Postado por Luana Lila - 15 - abr - 2014 às 23:42

    Balsa carregada com madeira no Pará, em 2012 (© Rodrigo Baleia/Greenpeace)

     

    Duas recentes ações do Ministério Público Federal para tentar barrar esquemas de fraudes no comércio de madeira no Pará exemplificam o descontrole que impera sobre a atividade madeireira na Amazônia.

    Segundo uma das ações, uma falha “aberrante” na comunicação entre os sistemas utilizados pelos estados para controlar o comércio de produtos florestais permitiu a produção irregular de um total de 26,8 mil metros cúbicos de carvão vegetal e madeira serrada. Em outra, a falha permitiu que fosse irregularmente autorizada a comercialização de 1,9 milhão de metros cúbicos de produtos florestais no estado entre 2007 e 2012. Esse volume equivale a uma área de 64 mil hectares de floresta explorada de forma ilegal, pouco mais do que a área urbana do Rio de Janeiro.

    “As denúncias feitas pelo MPF revelam um esquema criminoso que se alimenta da madeira produzida de forma ilegal e totalmente predatória, cujo resultado é a destruição da floresta”, disse Marcio Astrini, da Campanha Amazônia do Greenpeace. “E o pior de tudo é que essas fraudes servem para esquentar madeira irregular, que é vendida ao consumidor como se tivesse sido produzida de forma responsável”, completou.

    Quando mal feita, a extração madeireira é o primeiro passo para a destruição total da floresta. A degradação causada por ela é uma ameaça silenciosa, difícil de ser detectada pelos satélites e que abre espaço para a ocorrência de incêndios ou para o desmatamento total da área, além do incalculável prejuízo à biodiversidade local.

    Ambas as ações do procurador da República Bruno Valente foram propostas contra o estado do Pará e contra a empresa Tecnomapas, que desenvolveu o sistema de comercialização utilizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente. A ação que apontou a falha de comunicação entre os sistemas foi proposta também contra o Ibama e contra nove madeireiras envolvidas no esquema. Nos dois casos, o MPF pede à Justiça que os envolvidos sejam obrigados a corrigir, dentro de dez dias, as falhas que possibilitam as fraudes e que o dano ambiental seja reparado.

    Entenda as fraudes

    A partir da aprovação de um plano de manejo são gerados créditos florestais, que têm o papel de controlar a produção do setor. As falhas apontadas pelo Ministério Público permitiram a inflação desses créditos no sistema, cujos excedentes foram então utilizados para “esquentar” a madeira ilegal.

  • A Era das Renováveis

    Postado por Daniel Mittler e Kaisa Kosonen* - 14 - abr - 2014 às 16:56

    Ativistas pedem mais energias renováveis e o fim da energia suja, em Berlim, durante lançamento de relatório de mudanças climáticas (©Gordon Welters/Greenpeace)

    A semana foi longa em Berlim. Especialistas do mundo inteiro estiveram reunidos para discutir e finalizar as tão aguardadas conclusões da terceira parte do relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). E a mensagem é clara: agir para impedir as mudanças climáticas é uma oportunidade, não um fardo.

    Para prevenir uma catástrofe climática precisamos mudar urgentemente o modo como geramos energia. E o caminho para que isso seja feito é conhecido: nós precisamos e podemos parar de queimar carvão, óleo e gás.

    Chegou a vez da ‘Era das Renováveis’. 

    Energia limpa não é cara, mas o preço que teremos que pagar por não agir será elevado caso governos e empresas continuem agindo da mesma forma: vidas, sustento de famílias e economias.

    As fontes renováveis estão crescendo, evoluindo, são cada vez mais acessíveis e podem ser a solução que tanto precisamos. Elas são a melhor alternativa econômica para suprir o aumento da demanda energética.

    O problema agora é como lidar com o atual sistema de energia sujo e ultrapassado. Quando falamos com pessoas que trabalham nas maiores empresas de energia, elas admitem privadamente que precisam mudar para as energias limpas. No entanto, o investimento feito por companhias como a Vattenfall ou a E.On, empresas sueca e alemã que geram e distribuem energia na Europa, faz com que o prejuízo fosse muito grande se de fato essa mudança acontecesse.

    Agora é o momento de mostrar para as indústrias de combustíveis fosseis que é preciso mudar e que a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis deve começar imediatamente.

    Sabemos que as energias renováveis resultarão em melhor eficiência energética que, por sua vez, acarretará em maior número de oportunidades de emprego. Ao investir em energias renováveis até 3,2 milhões de oportunidades de trabalho podem ser criadas no setor a partir de 2030. Na África do Sul, por exemplo, 149 mil empregos poderiam ser oferecidas à população, 38 mil vagas a mais do que no modelo atual.

    Não temos tempo a perder. A emissão de gases do efeito estufa aumentou drasticamente entre 2000 e 2010 comparado às décadas anteriores. Mais da metade do aumento da emissão de carbono é causado pela China, que recentemente adotou medidas para melhorar a qualidade do ar, podendo deixar o ar mais limpo e os cidadãos chineses com fôlego novamente. A meta é melhorar o quadro atual até 2020.

    Caso o projeto se concretize, a China poderia mudar o rumo do debate global sobre o clima. O governo chinês poderia acabar com a atual mentalidade "você primeiro" que envenenou o progresso nas negociações climáticas da ONU. Em vez de lutar para ver quem é o maior poluidor, os governos têm que encarar a realidade e aceitar que os dias dos combustíveis fósseis estão contados.

    É verdade que os países possuem capacidades diferentes para investir em um futuro sem emissões de gases poluentes. Países que, no passado, emitiram pouco devem ser apoiados pelos países ricos para eliminar sua matriz energética suja e antiga. E o mais importante é que as ações para mitigar as mudanças do clima não devem mais ser vistas como algo doloroso.

    Não seria maravilhoso se a China liderasse uma nova e ambiciosa meta de redução de emissões de gases poluentes? Imagine o quão embaraçoso seria para os Estados Unidas e para União Europeia lidar com essa novidade. Será que a UE sustentaria sua proposta “ambiciosa” de corte de 40% nas emissões até 2030? Ou será que se sentiriam pressionados a fazer uma oferta mais justa, como a redução das emissões em pelo menos 55%?

    Um novo tratado climático deve ser adotado em Paris no ano que vem quando governos se reunirão em Conferência das Nações Unidas. É necessário que a meta do uso de 100% de energias renováveis, eliminando gradualmente os combustíveis fósseis, esteja incluída. Apenas assim os governos entenderão as verdadeiras implicações das conclusões do relatório do IPCC.

    *Daniel Mittler é diretor de políticas do Greenpeace Internacional e Kaisa Kosonen é consultora de políticas do Greenpeace Internacional Leia mais >

  • Um dia para fugir do trânsito e do aperto

    Postado por Heloísa Mota* - 14 - abr - 2014 às 16:51

    Ciclistas trocam carro por bicicleta (©Steve Morgan/Greenpeace)

     

    Com o intuito de incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte nas cidades, e desmistificar as principais preocupações da população acerca do tema, o Bike Anjo, em parceria com outras organizações promove, pelo segundo ano consecutivo, o Dia de Bike ao Trabalho. Anote na agenda: dia 09 de Maio de 2014.

    A iniciativa procura mostrar, na prática, todos os benefícios que o uso da bicicleta pode trazer em termos de qualidade de vida, meio ambiente e até para a produtividade profissional. Afinal, pedalar até o trabalho é saudável, evita congestionamento e não emite nenhum gás de efeito estufa.

    Para os interessados, o site do Dia De Bike ao Trabalho (http://debikeaotrabalho.org/) possui dicas preciosas: como preparar a bicicleta, a melhor rota a ser feita, as roupas mais confortáveis, o que fazer nos dias de chuva, como se comunicar no trânsito e onde encontrar ciclistas experientes que podem te dar uma mãozinha neste e em outros dias de pedaladas. É fácil, simples e não custa nada.   Leia mais >

    O Greenpeace apoia a iniciativa e para mostrar que é possível, separamos o depoimento de três colegas que aceitaram o desafio e garantem que a escolha traz ótimos resultados.  

    Quebrando os tabus sobre mulheres de bicicletas, Gabriela Vuolo trocou o carro pela magrela há cerca de um ano, quando percebeu que levava muito tempo para percorrer pequenas distâncias. Segundo a campaigner do Greenpeace Brasil, a bicicleta também fez bem para o seu humor e para o bolso. “Percebi que eu não gostava da transformação que acontecia comigo quando eu pegava o carro (link com o vídeo https://www.youtube.com/watch?v=RMZ3bsrtJZ0)– eu reclamava das pessoas que buzinavam, falavam mal, entravam em guerra com os outros carros; mas no instante em que meu carro parava no congestionamento, eu me via fazendo essas mesmas coisas. E pra completar, resolvi colocar tudo na ponta do lápis. A quantidade de dinheiro gasto pra manter um carro em São Paulo, especialmente se você só percorre distâncias curtas, é absurda e não compensa.”

    Hoje, ela usa a bicicleta para o trabalho, e para outros lugares também, quase todos os dias, e se diverte muito mais do que antes. “Passei a perceber a cidade e as distâncias de outro jeito e interagir mais com as pessoas pelo caminho – eu sorrio pra elas, elas sorriem de volta. Também é verdade que tem dias que dá uma preguiça de manhã. E tudo bem – a bicicleta não precisa ser uma escravidão, há outros meios de transporte possíveis. Mas o fato é que com o passar do tempo, eu notei que sinto falta quando fico muitos dias longe da bike, por tudo de bom que ela me traz”.

    O mesmo aconteceu com Matheus Dutra, de Porto Alegre, Analista de Sistemas e Arquiteto de Software e voluntário do Greenpeace Brasil. O gaúcho de 30 anos usa a bicicleta como meio de transporte há anos e recomenda: “optei pela bicicleta como meio de transporte em função da praticidade, velocidade e agilidade de locomoção que ela oferece, além da enorme economia financeira. Isso sem contar o condicionamento físico que ganhei dados os 24 quilômetros que percorro só no trajeto casa-trabalho. Com a bicicleta, tenho mais vitalidade para enfrentar o dia-a-dia”.

    Apesar de confessar as dificuldades enfrentadas para conquistar seu espaço no trajeto de dez quilômetros por grandes avenidas de Osasco até São Paulo, Thiago Rocha, 22 anos e analista de Marketing do Greenpeace Brasil, não troca a bicicleta pelo transporte público ou pelo veículo individual, e dá dicas para quem está começando: “Para quem está iniciando, recomendo fazer um reconhecimento pelo trajeto antes de iniciar a pedalada, a fim de traçar o melhor percurso com menos riscos”.

    O resultado de todos esses cuidados é inspirador: “O prazer de pedalar, poder observar a cidade de outra perspectiva e praticar um esporte, e tudo isso apenas no caminho do trabalho ou voltando pra casa é realmente incrível. Cada vez mais vejo novos ciclistas no trajeto que faço diariamente e isso mostra que as pessoas estão mudando e se conscientizando, a rua é um espaço de todos e se aprendermos a dividir esse espaço, veremos mais bicicletas nas ruas, menos carros e consequentemente um transito mais agradável”, completa Thiago.

    O Greenpeace trabalha pelo desenvolvimento da mobilidade urbana nas cidades brasileiras. Não só carro na rua, mas transporte público barato e de qualidade e respeito com os transportes alternativos é uma de nossas principais metas.

    E você, está esperando o que para começar a pedalar no Dia de Bike ao Trabalho!? Inscreva-se já (http://debikeaotrabalho.org/comoaderir/)!

    *Heloísa Mota faz parte da equipe de mobilização do Greenpeace Brasil

  • Oi, prazer! Vamos pintar uma ciclovia juntos?

    Postado por Heloisa Mota* - 9 - abr - 2014 às 16:22

    Tinta, spray e boa vontade: cicloativistas mudando a cidade.

     

    Os ciclistas e pedestres que utilizam diariamente o canteiro entre as vias da Av. Pedroso de Morais, na zona Oeste de São Paulo, têm que ter paciência e aprender a fazer malabarismos. As curvas fechadas em S, a falta de iluminação, a ausência de sinalização, especialmente nos cruzamentos, colocam em risco a integridade de todos que transitam na região.

    Inconformados com o fato de sua rota para o trabalho parecer mais uma tentativa de esporte radical, um grupo de amigos que utiliza a ciclovia diariamente resolveu, na mesa do almoço, que a solução era muito simples: “Vamos, nós, cidadãos, pintar e sinalizar a ciclovia”. Foi assim que eles se articularam com amigos e conheceram outros cicloativistas, que compartilhavam exatamente da mesma ideia, para mostrar ao poder público que fazer a coisa certa não é difícil e não é cara, só o que basta é compromisso e força de vontade. 

    Assim, nesta terça feira, cerca de quinze ativistas se reuniram para desenhar estêncis, preparar a tinta e organizar materiais de segurança que possibilitassem uma intervenção urbana divertida e segura. Afinal, garantir a segurança das pessoas era o objetivo principal da atividade.

    Nem todos se conheciam, alguns de nome, outros apenas pelas mensagens trocadas em redes sociais, mas eles estavam pintando todos juntos, a partir das 22h da noite de 08 de Abril de 2014. Os recém-conhecidos pintaram e decoraram a esquina da Mario Guastini e da Praça Ernâni Braga com bicicletas e assinaram juntos: “Feito pelo Povo”. Lá ficaram por duas horas, alertando aos motoristas, ciclistas, motociclistas, pedestres e cachorros com seus donos, que elogiavam a idéia, para tomar cuidado com a tinta fresca. Pouco antes da meia noite, os ativistas saíram juntos, alguns pedalando e outros caminhando, orgulhosos do resultado, refletindo e sonhando sobre como poderiam ainda mudar muitas coisas juntos na cidade.

    Nesta quarta-feira, a trajetória de todo dia dos usuários deste canteiro central foi mais alegre, e não teve quem não sentisse uma ponta de emoção ao ver os carros parando na faixa pintada pelo povo, pintada pelas pessoas que têm coragem de fazer mais, de compartilhar suas ideias e unir forças para ver uma cidade diferente acontecer. Parabéns a todos os envolvidos, nós todos compartilhamos juntos os resultados dessa inusitada e bela mobilização. 

    Vejam o registro no vídeo gravado pela jornalista e cicloativista Renata Falzoni.

    *Heloisa Mota é do time de mobilização do Greenpeace. Leia mais >

  • É o fim do desmateichon?

    Postado por Alan Azevedo - 9 - abr - 2014 às 12:40

    Plantação de óleo de palma na Indonésia. (©Ulet Ifansasti/Greenpeace)

     

    Os números resumem bem o tamanho do esforço de milhares de pessoas ao redor do mundo para pedir a Procter & Gamble (P&G) o fim do rastro de destruição deixado pelos seus produtos nas florestas tropicais da Indonésia.

    Foram quase 400 mil pessoas ligando e enviando suas mensagens diretamente à empresa nessas últimas semanas, além de um protesto pacífico na sede da P&G em Cincinnati, Ohio.

    “Somente do Brasil, aproximadamente 50 mil emails foram enviados diretamente ao presidente da P&G. Realizamos um vídeo paródia de um comercial da empresa que foi amplamente divulgado nas redes sociais, além de protestos em supermercados de oito capitais, expondo aos consumidores a relação do shampoo Head&Shoulders com o desmatamento”, explica Cristiane Mazzetti, da campanha de florestas do Brasil. 

    Protesto em mercados de oito capitais do Brasil contra produtos da P&G. (©Greenpeace)

     

    Resultado: o mundo virou sua atenção à P&G e à destruição causada pela indústria do óleo de palma. Como resposta, a Procter & Gamble cedeu e se juntou a um grupo de empresas já comprometidas com o fim do desmatamento, como a Nestlé, L’Oreal, Colgate-Palmolive, Unilever, entre outras. Trata-se de uma mudança real no coração da indústria do óleo de palma, promovida justamente por nós, sociedade civil.

    É claro, embora sejam notícias encorajadoras, ainda há trabalho a ser feito. O sistema proposto pela P&G de rastreamento da origem do óleo de palma tem como meta um fornecimento 100% livre de desmatamento até 2020.

    “São mais seis anos onde fornecedores podem desmatar, prejudicando ainda mais a floresta, os animais e os povos que dela dependem” explica Mazzetti. Segundo ela, o Greenpeace continuará atuando constantemente na região para acompanhar de perto a implementação dessa nova política da P&G, além de pressionar a empresa por atitudes imediatas para lidar com fornecedores irregulares. Leia mais >

  • Ronny Morris oferece single para salvar o Ártico

    Postado por Alan Azevedo - 7 - abr - 2014 às 16:08

    Um vídeo um pouco diferente é lançado hoje. O artista Ronny Morris doou seu single Built to Last (em português “Construído para Durar”) ao Greenpeace em apoio a campanha Salve o Ártico. O vídeo mostra o músico vagando pelas ruas de Los Angeles vestido de urso polar.

    Ronny Morris, criador de temas musicais para séries televisivas famosas como One Tree Hill, Brothers & Sisters e Ghost Whisperer, prepara o lançamento do seu primeiro álbum, que contém 12 músicas e é produzido com material sustentável.

    “O Ártico derrete mais rápido do que qualquer um poderia prever. Devido às mudanças climáticas a região inteira pode entrar em colapso, colocando em risco a vida de diversas espécies naturais do Ártico. Espero que esse víde o abra os olhos das pessoas em relação ao perigo que esses animais e a região inteira correm”, afirma Morris.

    A campanha Salve o Ártico já atraiu o apoio de outros importantes nomes como Paul McCartney, Richard Branson, George Clooney, Chris Martin (Coldplay) e muitos outros, sem contar o suporte de mais de cinco milhões de pessoas ao redor do mundo.

    O dinheiro das vendas do single Built to Last vai diretamente ao Greenpeace, para ajudar a financiar a campanha Salve o Ártico. “Estamos muito contentes com o apoio de Morris. A vida selvagem do Ártico está mudando rapidamente, o que não impede as petrolíferas de continuarem a extrair petróleo da região. Para elas, o derretimento das geleiras é uma oportunidade de negócio, e não um sinal de mudanças climáticas”, declara Birgitte Lesanner, chefe de comunicação do Greenpeace.

    O principail objetivo da campanha é criar um Santuário Global no Ártico, e impedir a exploração de petróleo offshore e a pesca industrial exploratória na região.

    Para assistir ao vídeo completo, clique aqui.

    Download e streaming aqui:
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  • Papo Greenpeace sobre o desmatamento na Indonésia e no Brasil

    Postado por Juliana Costa - 3 - abr - 2014 às 18:12 1 comentário

    Acompanhe ao vivo:

    Nessa quinta-feira, dia 3 às 20h, Cristiane Mazzetti coordenadora da campanha de Amazônia, participará do #PapoGreenpeace sobre o desmatamento na Indonésia e na Amazônia. A Indonésia, assim como a Amazônia, está com seu bioma ameaçado devido ao desmatamento desenfreado. Enquanto no Brasil os principais vetores de desmatamento são o gado e a soja, na Indonésia é a exploração por óleo de palma. Venha bater um papo conosco sobre isso. O Papo será transmitido ao vivo nesse blog. Fique ligado!

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    Sua participação é muito importante. Envie sua pergunta pelo Twitter com a hashtag #PapoGreenpeace ou deixe um comentário com a sua pergunta no evento do Facebook. Leia mais >

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