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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Temos um ano para criar a maior área protegida da Terra

    Postado por Greenpeace - 14 - dez - 2017 às 13:15

    Em outubro, a Comissão para a Conservação da Antártida votará a proposta de estabelecer um santuário de 1,8 milhão de km2 no oceano antártico. É a chance de manter pinguins, baleias e focas longe das agressões humanas, que não pode ser perdida

    Pinguins-imperador e de Adélia no oceano antártico. © Greenpeace / Jiri Rezac

     

    Nas palavras do escritor e naturalista inglês David Attenborough, "nosso planeta é um planeta azul". Com mais de 70% do globo coberto pela água, nossos oceanos podem ser vistos de todo o sistema solar.

    Não faz muito tempo que ainda acreditávamos que os oceanos eram muito grandes para serem impactados de forma significativa ou duradoura pelas atividades humanas. Que ilusão! Estudo após estudo demonstram como os efeitos da pesca excessiva, da perfuração de petróleo, da mineração em águas profundas, da poluição e das mudanças climáticas põe os seres humanos no centro da crise por que passa os oceanos e os animais que vivem neles.

    Mas não é apenas a vida selvagem que está ameaçada, nós também estamos. A saúde de nossos mares alimenta bilhões de pessoas e sustenta o nosso planeta através da luta contra as mudanças climáticas. Nosso destino e o destino de nossos oceanos estão intimamente ligados. 

    Que tipo de ação pode ser tomada para evitar que esse dano se torne irreversível?

    A maioria dessas águas estão fora das fronteiras nacionais. São vastas áreas oceânicas que não pertencem, tecnicamente, a ninguém - o que significa que elas pertencem a todos nós. Nós somos seus guardiões compartilhados e o que acontece com elas é nossa responsabilidade coletiva.

    Iceberg no oceano da Antártida ©Daniel Beltra/Greenpeace

     A ciência é clara: precisamos criar santuários nos oceanos

    Os santuários nos oceanos são grandes áreas protegidas que estão fora do alcance das atividades humanas exploradoras. Eles fornecem um refúgio para a vida selvagem e os ecossistemas se recuperarem Os benefícios são globais. Quando as populações de peixes conseguem se recuperar nesses locais, se espalham por todo o mundo, garantindo a segurança alimentar de bilhões de pessoas. E os cientistas têm cada vez mais clareza: oceanos saudáveis ​​desempenham um papel crítico na absorção de dióxido de carbono e nos ajudam a evitar os piores efeitos das mudanças climáticas.

    A boa notícia é que a maré da história está virando, e nosso planeta azul finalmente começa a receber mais atenção pela proteção de seus oceanos. Apenas alguns meses atrás, em uma sala abafada longe do mar, governos de todo o mundo concordaram em iniciar um processo para protegê-los: um Tratado do Oceano.

    Esse grande acordo não será alcançado até 2020, mas, enquanto isso, o movimento já contribui para consolidar uma adequada proteção oceânica. No início do mês, uma enorme área de 1,5 milhão de quilômetros quadrados foi protegida no Mar de Ross, na Antártida. Em um clima político turbulento, foi uma demonstração importante de como a cooperação internacional pode agir para proteger nossa casa compartilhada.

    Sentada no fundo do mundo, a Antártica é o lar de uma grande diversidade de vida: grandes colônias de pinguins-imperador e pinguins-de-adélia; a incrível lula-colossal, com olhos do tamanho de bolas de basquete que permitem ver nas profundezas; e a baleia azul , o maior animal que já existiu em nosso planeta.

    Pinguins-de-adélia no oceano antártico: uma das espécies vulneráveis às ameaças que vêm pressionando a região © Greenpeace / Jiri Rezac

     

    Na Antártida, a crescente expansão da pesca industrial visa uma espécie que praticamente todos os animais dependem: o krill. São minúsculos crustáceos, tipo um camarão, que pinguins, baleias, focas e outros animais selvagens dependem para sobreviver. A terrível notícia de que uma colônia de quase 40.000 pinguins morreu de fome, com apenas dois filhotes sobreviventes, é uma sombria ilustração das enormes pressões que as populações da vida selvagem da Antártida já enfrentam. Uma indústria de krill em expansão é apenas mais uma notícia ruim para a saúde do Oceano Antártico. Pior ainda, a indústria do krill está bloqueando as tentativas de proteção ambiental na região.

    Neste momento, os governos responsáveis ​​pela Antártida estão reunidos para discutir o futuro do continente e de suas águas. Ao se reencontrarem em outubro, eles terão uma oportunidade histórica para estabelecer a maior área protegida da Terra: um Santuário do Oceano Antártico. Com 1,8 milhão de km2, ele abrangeria o Mar de Weddell, ao lado da Península Antártica, e seria cinco vezes o tamanho da Alemanha, o país que propõe sua criação.

    A criação da maior área protegida do mundo no Oceano Antártico mostraria que o lobby corporativo e interesses nacionais não combinam com o apelo global para proteger o que pertence a todos nós.

     

    O movimento para proteger mais da metade do nosso planeta - os oceanos - começa agora, e começa na Antártida.

    Assine a petição Leia mais >

  • Qual o futuro sustentável dos biocombustíveis?

    Postado por Davi Martins - 4 - dez - 2017 às 11:31

    Não é possível estabelecer um marco legal para o setor sem considerar a transição para o fim dos combustíveis fósseis

     

    Plantação de soja no cerrado, em Mato Grosso: como garantir que a maior demanda por biocombustíveis não pressione ainda mais a vegetação nativa? Foto: Bruno Kelly/Greenpeace

     A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que cria a Política Nacional de Biocombustíveis, chamada de RenovaBio. A iniciativa, lançada em 2016, propõe um marco legal para expandir a produção e o uso de biocombustíveis no Brasil, “de forma sustentável e compatível com o crescimento do mercado”. É ai que estão as dúvidas.

    Na teoria, o uso dos biocombustíveis é positivo como transição para uma matriz energética mais limpa– eles são renováveis e emitem menos poluentes que os combustíveis fósseis, como o diesel e a gasolina. Porém, o projeto de autoria do deputado Evandro Gussi (PV-SP), pouco discutido com a sociedade, tem falhas ao não tratar devidamente pontos cruciais para a adequada regulamentação do setor: 

    • Não impede que a vegetação nativa seja ocupada para a produção de biocombustível, como já acontece no Cerrado brasileiro com a soja. O aumento na demanda por biocombustíveis pode ser uma pressão maior no desmatamento. O novo Código Florestal, que deveria responder a isso, está sob ameaça de sofrer novas alterações para se adequar às exigências do agronegócio. 
    • Não traz metas de redução de emissão de gases de efeito estufa (GEE) e de poluentes locais (material particulado MP10 e MP2,5) adequadas com as metas do Acordo de Paris. Embora os biocombustíveis poluam menos, a solução é paliativa ao não zerar as emissões, algo que será fundamental a partir de 2050, se quisermos limitar o aquecimento global a 1.5º C. 
    • Não estabelece um cronograma que garante a descontinuidade de combustíveis fósseis na geração de energia e no transporte. O mundo desenvolvido já planeja o fim do motor à combustão para antes de 2050. Como ficará o mercado internacional para biocombustíveis em um mundo predominantemente elétrico?

     A devida regulamentação do setor de biocombustíveis deve acontecer atendendo, portanto, aos critérios estabelecidos pelo Brasil no Acordo de Paris. Sendo assim, é imprescindível que este projeto de lei estabeleça metas claras rumo à emissão zero dos setores de energia e transportes para garantir o limite mínimo de aquecimento. Esta é a melhor oportunidade de regulamentar o setor fundamental para a transição que deve, primeiramente eliminar os combustíveis fósseis, para então, eliminar por completo todas as emissões de poluentes.

    Davi Martins é engenheiro e especialista em Mobilidade Urbana do Greenpeace  Leia mais >

  • Feliz Dia Mundial da Antártida!

    Postado por Greenpeace - 1 - dez - 2017 às 13:05

    Hoje é dia de celebrar um novo passo pela sua proteção e de se preparar para uma nova aventura com a gente; muito em breve, poderemos fazer ainda mais pelo continente de gelo, tão ameaçado

    A Antártida está tão longe da maioria de nós, que muitas vezes cai fora da borda dos mapas do mundo, como uma conclusão final inacabada. A massa terrestre da Antártida detém 90% da água doce no planeta, é o maior deserto do mundo e o único continente sem população humana nativa.

     Hoje, 1 de dezembro, é o Dia Mundial da Antártida - um dia para celebrar o continente que pertence a todos nós e nenhum de nós. O Dia Mundial da Antártida reconhece o “Tratado Antártico”, que reuniu governos globais interessados ​​no continente gelado. O tratado abrange todas as terras e lençóis de gelo ao sul de 60° S de latitude, e foi acordado há exatos 58 anos para colocar a Antártida fora dos limites da atividade militar, destinando-a a ser um lugar exclusivo para a paz e a exploração científica.

    O Oceano Antártico circundante não só proporciona vida e abrigo para animais incríveis, únicos e icônicos se desenvolverem, mas também influencia outros oceanos e toda uma vida selvagem que vive a milhares de quilômetros de distância dali.

     No entanto, esse Tratado não foi longe e forte o suficiente para proteger o continente da perfuração de petróleo e gás ou de outras explorações minerais – é ai que o Greenpeace entra. Em 1985, após vários anos de planejamento, iniciamos uma campanha maciça para criar um “Parque Mundial Antártico”. Usando uma combinação de ações diretas, ciência sólida e pressão política, estabelecemos até nossa própria base científica na Antártida, em 1987. Muitos anos depois, é hora de voltar a navegar nesses mares em uma nova expedição dedicada a aumentar a proteção dessas águas. Para saber mais sobre essa aventura, cadastre-se no formulário abaixo.

       

    O sucesso chegou em 1991, quando as nações concordaram com um protocolo ambiental de proteção à Antártida. Nossa base no continente foi fechada e removida no mesmo ano, sem deixar rastros. Desde então, o continente de gelo foi protegido contra a exploração. Mas, infelizmente, não se pode dizer o mesmo do oceano que o circunda.

     Tudo na Antártida depende diretamente do oceano. Ele fornece comida, abrigo e a própria vida, mas as criaturas que vivem lá enfrentam uma avalanche de ameaças humanas ao longo dos séculos. A massiva caça à baleia em escala industrial foi, naturalmente, um dos capítulos mais sombrios, até à sua proibição global ser alcançada em 1982 – uma conquista no qual o papel do Greenpeace foi essencial. A defesa das baleias continua agora através da luta contra as mudanças climáticas, da poluição dos plásticos e dos ruídos nos mares, da chamada "caça científica", e agora, da pesca do krill antártico, um pequeno crustáceo que é a base de toda a cadeia alimentar da região. Além disso, o Oceano Antártico está na vanguarda dos primeiros e piores impactos das mudanças climáticas. 

    Um novo santuário para a Antártida

    Só faz sentido que este oceano, que abriga populações globais de animais icônicos, também seja protegido como o continente já é. A Antártica não é nada sem o oceano. É por isso que, neste ano, o Dia Mundial da Antártica é uma ótima oportunidade de celebrar e de fazer muito mais.

    Mar de Weddell, na Antártida: nosso novo desafio será fazer com que os governos criem a maior área protegida do mundo na região.

     Neste dia 1 de dezembro de 2017, a Área Marinha Protegida do Mar de Ross entra em vigor. Este santuário, que abrange 1,5 milhão de quilômetros quadrados, foi finalmente acordado no ano passado pela Comissão do Oceano Antártico. É uma notícia fantástica para pinguins, baleias, focas e todos nós, mas também é uma lembrança de que precisamos nos mover muito mais rápido para proteger essas preciosas criaturas e seus lares. Precisamos urgentemente proteger mais nossos oceanos, e nem sequer é um trocadilho divertido dizer que o progresso até agora foi glacialmente lento.

    Em 2018, o Greenpeace retornará à Antártida, mais de 25 anos depois de desarmarmos nossa base no continente. Estamos enviando nosso navio Arctic Sunrise ao sul, em uma viagem de expedição ao fim da Terra (ou seria seu início?). Nossa missão é nos juntar a um movimento global pela criação do maior santuário oceânico do mundo para proteger a fauna frágil e surpreendente no Mar de Weddell, como os pinguins, baleias e focas. Leia mais >

     Mas simplesmente não podemos fazê-lo sem sua ajuda. Queremos que você se prepare para embarcar nesta nova viagem conosco! Cadastre-se abaixo para receber mais informações, fotos e vídeos incríveis dessa expedição.

       

  • Um trilhão de reais para poluir

    Postado por Márcio Astrini* - 27 - nov - 2017 às 12:00

    Para favorecer empresas do petróleo, inclusive estrangeiras, nosso governo quer usar o dinheiro do bolso do contribuinte para destruir o clima.

    Arte de rua pede "ar limpo já" enquanto o governo brasileiro está prestes a favorecer a indústria do petróleo e abrir R$ 1 trilhão nos cofres públicos. (Foto: ©Lorenzo Moscia/Greenpeace)

    Em março deste ano, o ministro do comércio do Reino Unido, Greg Hands, estava no Brasil e se encontrou com nosso secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa. Na pauta, os interesses de empresas petrolíferas britânicas – em especial a BP, a Shell e a Premier Oil, que estariam preocupadas com taxações e licenciamento ambiental por aqui. Pedrosa disse que estava pressionando seus pares no governo brasileiro para que os interesses das petrolíferas britânicas fossem atendidos. Parece que os esforços de Pedrosa deram certo. E como.

    Em meados de agosto, o Governo enviou ao Congresso a Medida Provisória 795/2017, que reduz os tributos que petrolíferas pagarão ao cofres públicos. A garfada no bolso dos brasileiros poderá chegar ao valor de 1 trilhão de reais em isenções fiscais nos próximos 25 anos – recheando assim os bolsos das empresas petrolíferas internacionais. O texto está prestes a ser votado na Câmara dos Deputados. O governo brasileiro também renovou o Repetro, um regime de isenções fiscais para importação de equipamentos da indústria petrolífera. Em outubro, a Shell disputou seis áreas para explorar petróleo no pré-sal. Ganhou três.

    Já a BP, que levou dois blocos no último leilão de pré-sal, está atualmente tentando obter o licenciamento ambiental para buscar petróleo na foz do rio Amazonas a partir de 2018. O Ibama alega que o estudo de impacto ambiental da empresa tem falhas e faltam dados mais completos. E pediu revisões.

    Mas a MP 795 não foi feita apenas para esvaziar o bolso do contribuinte. Ela também é uma tragédia ambiental de proporções globais. Ao ofertar incentivos trilhardários à indústria do petróleo, o país corre para ficar na contramão de todos os esforços de combate às mudanças climáticas. E ignora que as mudanças climáticas já fazem muitas vítimas. Afinal, a queima de combustíveis fósseis como o petróleo é um dos principais responsáveis pela poluição do planeta.

    O real propósito do governo fica claro em um texto postado nas redes sociais pelo diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Décio Oddone. Ele afirmou: “Estamos em transição para uma economia de baixo carbono. Vai sobrar petróleo embaixo da terra. Espero que não seja o nosso”.

    Lobby escancarado
    A denúncia de lobby entre governo britânico junto ao brasileiro para favorecer empresas petrolíferas foi divulgada pelo jornal britânico The Guardian. A informação veio de um documento obtido pelo Unearthed, braço de investigação do Greenpeace do Reino Unido. E já desencadeou em um pedido de investigação à Procuradoria Geral da República e reverberou no parlamento inglês.

    É inegável que o encontro teve efeito em decisões do governo. A Shell é a maior petroleira privada em operação no Brasil, e a BP também tem uma atividade relevante para as cifras da economia nacional.

    O que vemos com essa série de desdobramentos é mais uma vez o governo atendendo, sem nenhum pudor, aos interesses internacionais – e privados – em detrimento dos interesses do Brasil, dos brasileiros e do meio ambiente.

    Há pouco tempo, ocorreu um escândalo parecido envolvendo o mesmo Ministério de Minas e Energia e mineradoras. Naquela oportunidade o governo havia editado um decreto abrindo a área conhecido como RENCA, em uma região intocada da Amazônia e rica em ouro, para ser explorada a pedido de empresas canadenses.  

    No começo de novembro, os países do mundo inteiro estavam reunidos na Alemanha, conversando sobre como reduzir emissões de gases que causam o aquecimento global. E o Brasil, na contramão do que prometeu na COP23, está entregando o petróleo de seu subsolo a um custo baixíssimo em termos financeiros – e altíssimo em termos ambientais e sociais.

    A MP do Trilhão entrega o Brasil aos interesses internacionais E ainda coloca nosso país na posição de vilão do bem-estar e da segurança climática.

    *Márcio Astrini é coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil

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  • População questiona exploração de petróleo perto dos Corais da Amazônia

    Postado por Thaís Herrero - 21 - nov - 2017 às 12:00

    Durante audiências públicas da empresa BP, moradores do Pará e do Amapá se mostraram preocupados com o projeto de perfuração na Foz do Amazonas e com um possível vazamento de petróleo

    Ativistas do Greenpeace entregam banner à BP com mensagens de pessoas do mundo todo que não aceitam a exploração de petróleo perto dos Corais da Amazônia. (Foto: ©Juliana Costa/Greenpeace)

     “Na maioria dos grandes projetos que vêm para a Amazônia, são as empresas que ficam com os maiores lucros. É difícil que a população esteja satisfeita considerando que o projeto da BP visa o capital da própria empresa. E vemos que, em caso de um vazamento de petróleo, será muito difícil restaurar a vida marinha da região". Foi assim que Lucilene de Souza, da comunidade de Colares, no Pará, descreveu seu sentimento sobre o projeto da britânica BP de explorar petróleo na bacia da foz do rio Amazonas.

    Lucilene foi uma das cerca de 1.500 pessoas que participaram das audiências públicas que a BP e o Ibama realizaram entre os dias 9 e 13 de novembro em Belém, no Pará, e em Oiapoque e Macapá, no Amapá. Esses são municípios que serão impactados ou envolvidos de alguma forma pela busca ao petróleo, que a empresa planeja para 2018.

    Nós do Greenpeace estivemos nas três audiências para levar questionamentos e a mensagem daqueles que são contra o projeto mas não puderam estar presentes. O bloco que a BP quer perfurar está próximo aos Corais da Amazônia, um ecossistema único no mundo e ainda pouco conhecido pela ciência.

    O que vimos nas três cidades foi um mesmo cenário: cidadãos com muita ânsia em ser ouvidos, repletos de dúvidas sobre o que de bom a exploração de petróleo trará para eles e receios sobre o impacto de um possível de vazamento de petróleo. Mesmo as poucas pessoas que apoiavam o projeto pediam investimentos ou empregos para a região.

    Quando Gilberto Iaparrá, cacique do Conselho Indígena do Oiapoque, falou ao microfone, mostrou preocupação de que um vazamento alcance o rio Uaçá, que banha sua terra indígena. “Vocês estão vindo aqui falar sobre a exploração de petróleo no nosso mar. E eu quero saber como ficarão nossos peixes e nossos caranguejos em caso de um vazamento. A gente se preocupa com o nosso meio ambiente porque é nele que vivemos, é onde vivem nossas crianças", disse.

    A resposta evasiva que os representantes da BP deram a ele e a todos que perguntaram sobre um possível vazamento foi a mesma: "Não há risco de o óleo chegar na costa". Muitos moradores do Oiapoque, no entanto, alegam que o mar traz, sim, detritos da região onde estão os blocos. E esse conhecimento vem de gerações. Falhas no Estudo de Impacto ambiental como essa foram detalhadas em nossa publicação Amazônia em águas profundas.

    A chance de um vazamento de petróleo preocupa principalmente a grande comunidade de pescadores nos dois estados. A professora de ecologia aquática e pesca da UFPA, Voyner Ravena, levantou um ponto importante: Não se sabe hoje como são os estoques de peixes na região onde a BP quer operar. "Se acontecer um vazamento ninguém vai ter como saber como era a região antes do acidente. Não existem dados sobre os peixes que vivem aqui", disse.

    Tanto em Macapá quanto em Oiapoque houve também quem questionasse a BP por querer buscar petróleo na costa do Amapá, mas usar Belém, no Pará, como base de operações. Nenhum emprego será gerado no Amapá. E serão poucos em Belém. O argumento da BP é que para essa fase inicial, o Amapá não tem estrutura suficiente para receber a empresa. Em Oiapoque, professores da rede municipal pediram várias vezes que a empresa, se quiser atuar na região, deve investir em educação ali.

    Thiago Almeida, especialista em petróleo do Greenpeace Brasil, levantou o fato de que a BP insiste no plano de explorar petróleo na região, mesmo depois de sabermos que os blocos estão próximos aos Corais da Amazônia e em uma região onde vivem espécies de animais ameaçados de extinção e potenciais novas espécies, que ainda nem foram descobertas pela ciência. "Sabendo que a BP tem em seu currículo o pior derramamento de petróleo da história, e levando em conta o pouco conhecimento que temos sobre o bioma dos Corais da Amazônia, ainda assim a empresa acha que vale a pena seguir com esses planos? Isso sem mesmo saber o que existe lá? Se a gente não sabe o que existe lá e o tamanho da área, como podemos prever os impactos?", questionou.

    A resposta de Luís Pimenta, coordenador de respostas e emergência da BP, foi que a empresa aprendeu muito com o desastre no Golfo do México. Mas, para o Greenpeace, esse é o tipo de aprendizado que preferimos não arriscar a ter. "Em função do pouquíssimo conhecimento que se tem sobre o bioma e a região, quero pedir que seja adotado o princípio da precaução e que a BP fique longe da região e abandone seus planos", disse Thiago.

    Audiências públicas são bons termômetros para entendermos como a população está recebendo um projeto. E, de acordo com o que vimos em Belém, Oiapoque e Macapá, o povo não está convencido de que o petróleo na foz do Amazonas é um bom ou seguro negócio. Depois do povo dizer não, a Ciência dizer não, e mais de 1,3 milhão de pessoas dizerem não ao petróleo perto dos Corais da Amazônia, o que a BP está esperando para desistir de vez desses planos irresponsáveis?

    Se você concorda, assine e compartilhe nossa petição. E vamos pressionar as petrolíferas a ficarem longe dos Corais da Amazônia.

     

    Em Macapá, durante a audiência pública, voluntários do Greenpeace fizeram primeira atividade na cidade, contando para a população sobre a importância de defender os Corais da Amazônia da ameaça do petróleo (Foto: ©Eliana Gonçalves/Greenpeace)

     

     

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  • COP23 chega ao fim com vácuo de liderança entre os países

    Postado por Fabiana Alves - 17 - nov - 2017 às 18:31

    Com alguns avanços nas regras que colocarão em prática o Acordo de Paris, falta ainda a ambição necessária para lidar com a emergência da crise climática que já está impactando os mais vulneráveis

    Manifestantes pedem ação imediata na Marcha do Clima, durante a COP23

     

    Após duas semanas de trabalho intenso na 23a Conferências das Partes da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP23), que reúne delegações de quase todos os países do mundo, avanços nas negociações para a implementação do Acordo de Paris em 2018 começam a adquirir forma, mas sem a ambição desejada e necessária diante da emergência climática. Alguns pontos importantes ainda estão em aberto, como o financiamento de ações em países em desenvolvimento por parte dos países desenvolvidos. De qualquer maneira, o que importa não é a linguagem rebuscada usada pelos diplomatas nas imensas salas de reuniões, mas se, em casa, os países irão colocar as negociações em prática por meio de políticas sustentáveis que conectem suas economias com o meio ambiente e com o compromisso de reduzir suas emissões de carbono. Isso se torna ainda mais importante para o Brasil, que se colocou como anfitrião para COP25, em 2019, mas promove atualmente uma agenda de retrocessos ambientais.

    As consequências de uma aumento de temperatura global acima de 1.5o C até 2100 podem ser ainda mais devastadoras do que já acontece no mundo. Ilhas como Fiji, que este ano presidiu a COP23, podem desaparecer. A presidência de Fiji trouxe o Talanoa Dialogue, diálogo facilitativo ligado a objetivos de longo prazo e para informar a preparação de contribuições nacionais (NDCs), ou seja, elevar as metas de redução de emissões estabelecidas por cada país. Espera que o espírito de Fji, uma ilha no Pacífico bastante impactada pelas mudanças climáticas, possa prevalecer e que os países consigam ser mais ambiciosos no ano que vem.

    Secas, furacões, ciclones e inundações estão cada vez mais comuns. Todas essas mudanças no clima já impactam os mais pobres e vulneráveis e criam uma nova espécie de injustiça social. Normas internacionais para evitar que isso aconteça estão sendo criadas e apoiadas, mas os impactados pelo aumento da temperatura global não podem esperar.

    Este ano o governo Trump oficializou a saída do Acordo, porém grande parte da delegação americana, composta por governadores e prefeitos, reafirmou o compromisso de, em seus mandatos, tomar atitudes em prol do meio ambiente e de uma economia sustentável. Trump se isola internacionalmente. Enquanto o presidente americano ruma sozinho de volta ao passado, vários países e estados anunciam que fecharão a indústria de carvão para geração de energia - uma aliança criada nesta COP, chamada “Powering Past Coal Alliance”, formada por Inglaterra, Canadá, México, França, Finlândia, Nova Zelândia, Itália, Dinamarca, El Salvador, os estados americanos de Washington, Óregon, e as províncias canadenses de Quebec, British Columbia e Ontário.

    O governo brasileiro foi campeão, não apenas do “Fóssil do Dia”, mas também da contradição entre o que é dito e negociado internacionalmente e o que é feito dentro do país. No meio da COP23, enquanto a diplomacia brasileira propunha alternativas em busca de consenso entre os países, e até se colocou como o anfitrião para a COP25, em 2019, o governo Temer propunha a “MP do Trilhão”, medida provisória que pode dar, se aprovada pela Câmara, R$ 1 trilhão em subsídios para a indústria do petróleo. Em vez de anunciar pacotes de incentivo às energias renováveis e defender o Desmatamento Zero para conter as emissões de gases de efeito estufa no Brasil, o país toma esta atitude esquizofrênica que pode aniquilar a meta de 1,5 grau.

    O avanço no combate às mudanças climáticas deve acontecer com a melhoria da vida de cada pessoa, na busca de um Brasil e um mundo mais justo. O Greenpeace sai da COP23 para a vida real apoiando uma agricultura sustentável e sem agrotóxicos, o desmatamento zero, o uso e implementação de transporte coletivo limpo e o investimento na energia solar. O que se espera dos governantes que estiveram nos corredores gelados de Bonn é que retornem para casa e arregacem as mangas a caminho de um futuro mais justo para todos.   Leia mais >

  • Recifes da foz do rio Amazonas.Crédito obrigatório: Divulgação/Greenpeace

    Os Corais da Amazônia estão protegidos por mais um período de novas petrolíferas com interesses na região ©Greenpeace

     

     

    Decisão foi em razão da demora no processo de licenciamento ambiental para blocos no mesmo local por empresas do setor.

     

    O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) retirou blocos de exploração na bacia da foz do Amazonas da 15ª Rodada de Licitação de Petróleo e Gás, que acontece em 2018. A oferta de blocos foi postergada para 2019.

     

    Ao longo deste ano, o Greenpeace expôs os riscos associados a projetos de petróleo na região, juntamente com a comunidade científica, comunidades locais e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). A decisão é uma grande notícia para os Corais da Amazônia e impede, pelo menos por mais um ano, que novas empresas tentem explorar petróleo na região.

     

    Em 29 de agosto deste ano, o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da francesa Total foi rejeitado pelo Ibama devido a preocupações relacionadas aos riscos e possíveis impactos de um derramamento de óleo nos corais, em espécies ameaçadas de extinção ou ainda nem descobertas que lá habitam, em países próximos, e em comunidades que dependem da saúde do oceano para viver. A Total e a britânica BP admitiram em seus estudos que há até 30% de chances de que o petróleo atinja o recife de corais em caso de derramamento de óleo. A Total ainda tem uma última chance para obter a licença com a apresentação de um novo estudo de impacto.

     

    As Rodadas de Licitações são leilões por meio dos quais o governo concede o direito de explorar e produzir petróleo e gás natural no Brasil. Foi na 11ª rodada, em 2013, que a Total e a BP obtiveram seus blocos para perfurar petróleo perto dos Corais da Amazônia. Depois disso, iniciou-se o processo de licenciamento ambiental, que inclui o EIA  e audiências públicas com as comunidades locais - as audiências públicas da BP estão sendo realizadas neste mês, nos dias 9, 11 e 13, em Belém, Macapá e no Oiapoque.

     

    A retirada da oferta de novos blocos na bacia da foz do Amazonas foi devido à demora no processo de licenciamento ambiental pelas empresas do setor. “Até agora a Total e a BP não foram capazes de apresentar estudos de impacto ambiental adequados para justificar a viabilidade de seus projetos, justamente porque não é possível. As petrolíferas não conseguiram provar que a perfuração perto dos corais não representará um grande risco para este bioma incrível e inexplorado, e nenhuma outra empresa conseguirá. Qualquer petrolífera que tentar perfurar a região enfrentará os mesmos problemas, e precisamos continuar trabalhando para impedir que a indústria do petróleo atue na região”, afirma Thiago Almeida, especialista em energia do Greenpeace Brasil.

     

    O ano está quase no fim e temos muito a celebrar! Mais de 1,3 milhão de pessoas, a comunidade científica, o Ibama e as comunidades locais já disseram não aos planos da Total e da BP, e agora o CNPE retirou todos os blocos na região da 15ª rodada de licitação. Esta é mais uma mensagem clara para as empresas, que devem desistir imediatamente dos seus planos.

    Juntos, impedimos novas ameaças, e seguiremos trabalhando ainda com mais força para chegar a uma vitória definitiva, garantindo que a Total, BP e todas as outras empresas de petróleo fiquem longe dos Corais da Amazônia.

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  • Os Corais da Amazônia estão protegidos por mais um período dos interesses comerciais de novas petrolíferas ©Greenpeace

     

    Decisão foi em razão da demora no processo de licenciamento ambiental para blocos no mesmo local por empresas do setor.

    O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) retirou blocos de exploração na bacia da foz do Amazonas da 15ª Rodada de Licitação de Petróleo e Gás, que acontece em 2018. A oferta de blocos foi postergada para 2019.

    Ao longo deste ano, o Greenpeace expôs os riscos associados a projetos de petróleo na região, juntamente com a comunidade científica, comunidades locais e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). A decisão é uma grande notícia para os Corais da Amazônia e impede, pelo menos por mais um ano, que novas empresas tentem explorar petróleo na região.

    Em 29 de agosto deste ano, o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da francesa Total foi rejeitado pelo Ibama devido a preocupações relacionadas aos riscos e possíveis impactos de um derramamento de óleo nos corais, em espécies ameaçadas de extinção ou ainda nem descobertas que lá habitam, em países próximos, e em comunidades que dependem da saúde do oceano para viver. A Total e a britânica BP admitiram em seus estudos que há até 30% de chances de que o petróleo atinja o recife de corais em caso de derramamento de óleo. A Total ainda tem uma última chance para obter a licença com a apresentação de um novo estudo de impacto.

    As Rodadas de Licitações são leilões por meio dos quais o governo concede o direito de explorar e produzir petróleo e gás natural no Brasil. Foi na 11ª rodada, em 2013, que a Total e a BP obtiveram seus blocos para perfurar petróleo perto dos Corais da Amazônia. Depois disso, iniciou-se o processo de licenciamento ambiental, que inclui o EIA  e audiências públicas com as comunidades locais - as audiências públicas da BP estão sendo realizadas neste mês, nos dias 9, 11 e 13, em Belém, Macapá e no Oiapoque.

    A retirada da oferta de novos blocos na bacia da foz do Amazonas foi devido à demora no processo de licenciamento ambiental pelas empresas do setor. “Até agora a Total e a BP não foram capazes de apresentar estudos de impacto ambiental adequados para justificar a viabilidade de seus projetos, justamente porque não é possível. As petrolíferas não conseguiram provar que a perfuração perto dos corais não representará um grande risco para este bioma incrível e inexplorado, e nenhuma outra empresa conseguirá. Qualquer petrolífera que tentar perfurar a região enfrentará os mesmos problemas, e precisamos continuar trabalhando para impedir que a indústria do petróleo atue na região”, afirma Thiago Almeida, especialista em energia do Greenpeace Brasil.

    O ano está quase no fim e temos muito a celebrar! Mais de 1,3 milhão de pessoas, a comunidade científica, o Ibama e as comunidades locais já disseram não aos planos da Total e da BP, e agora o CNPE retirou todos os blocos na região da 15ª rodada de licitação. Esta é mais uma mensagem clara para as empresas, que devem desistir imediatamente dos seus planos.

    Juntos, impedimos novas ameaças, e seguiremos trabalhando ainda com mais força para chegar a uma vitória definitiva, garantindo que a Total, BP e todas as outras empresas de petróleo fiquem longe dos Corais da Amazônia.

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  • Vereador Milton Leite promete zerar emissões de ônibus de São Paulo em vinte anos

    Postado por Greenpeace e parceiros* - 8 - nov - 2017 às 16:15

    Presidente da Câmara promete atender parcialmente à demanda de organizações sobre fim de poluentes, mas o texto que vai a votação ainda pode melhorar

    O presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo, Milton Leite (DEM), afirmou que o conteúdo do Projeto de Lei (PL) de sua autoria sobre os combustíveis da frota de ônibus vai contemplar a demanda das organizações de zerar as emissões de poluentes pelos ônibus, mas só daqui a 20 anos. O vereador fez essa declaração em reunião realizada hoje (8/11), na câmara, com representantes do projeto Cidade dos Sonhos, Greenpeace, Idec, Minha Sampa e Rede Nossa São Paulo. O PL deverá ser colocado para primeira votação amanhã.

    O projeto de lei, que vai substituir a legislação em vigor de zerar os poluentes dos ônibus até 2018, completamente ignorada pela prefeitura e pelas empresas, escalona a transição do diesel para combustíveis limpos ao longo dos anos. A meta para os próximos dez anos, segundo Leite, é reduzir as emissões a 50% de Gás Carbônico (CO2), 80% de Óxido de Nitrogênio (NOx) e 90% de Materiais Particulados (MP). Em 20 anos, essas porcentagens deverão ser de 100% de CO2,  95% de NOx e 95% de MP.  Haverá sanções de até  R$ 3.500,00 por mês para cada ônibus que não cumprir a lei. A transição dos combustíveis será monitorada por um comitê que contará com a participação de membros da sociedade civil.

    “Do nosso ponto de vista, o ideal é que a transição fosse realizada em no máximo dez anos e apresentamos estudos técnicos que mostram que essa é seria uma meta possível, economicamente viável e benéfica para a cidade. Entretanto, depois de cinco meses de discussões, esse é o texto possível para o presidente da casa”, diz Flavio Siqueira, representante do projeto Cidades dos Sonhos.

    O vereador acredita que a segunda votação seja marcada para dentro de duas semanas. “Não vamos aceitar nada abaixo disso, e ainda há bastante espaço para subir a ambição. Vinte anos para zerar as emissões dos ônibus é muito tempo. Agora vamos dialogar com todos os vereadores para não permitir retrocessos”, afirma Davi Martins, do Greenpeace.

    De acordo com estudo do Instituto Saúde e Sustentabilidade, mais de 4 mil mortes por ano em São Paulo são causadas pela poluição dos ônibus. A pesquisa revela ainda que eliminação dos poluente poderia evitar um impacto bilionário na economia relacionado a problemas de saúde.

    Entenda o caso:

    2009 -  Promulgada lei n. 14.933/09 de Política Municipal de Mudança do Clima, segundo a qual a cidade deveria ter 100% de sua frota de transporte público municipal movida a combustíveis limpos até 2018.

    2017 – A legislação foi sumariamente ignorada pelas empresas e pela prefeitura.

    Menos de 2% dos pouco mais de 14 mil ônibus que rodam na cidade são abastecidos com combustíveis não poluentes - três ônibus elétricos, 200 trólebus e 10 ônibus movidos a álcool.  

    Maio de 2017 – O vereador Milton Leite (DEM) apresenta Projeto de Lei (PL 300) para substituir os combustíveis da frota de diesel especificamente por biodiesel até 2037, sem deixar margem para utilização de outras tecnologias de combustíveis limpos.

    Maio de 2017 – Instituto Saúde e Sustentabilidade divulga estudo que mostra que 4.700 pessoas morrem, todo ano, em São Paulo em decorrência da inalação de material particulado vindo dos ônibus municipais e gera custos de R$ 54 bilhões com saúde da população.

    Agosto de 2017 – Cidade dos Sonhos, Greenpeace, Idec, Minha Sampa e Rede Nossa São Paulo iniciam campanha para uma transição completa dos atuais ônibus a diesel para combustíveis 100% limpos em menos de 10 anos com sanções para as empresas que descumprirem as metas. Com economia de 28% para os cofres públicos.

    Em audiência pública, vereador Milton Leite propõe substitutivo ao texto original. Abandona a definição da tecnologia a ser utilizada (biodiesel) e propõe uma meta de redução de apenas 20% de  gás carbônico (CO2), 60% de  Óxido de Nitrogênio  (NOx) e 70% de Material Particulado (MP), em 10 anos.

    Primeira reunião das organizações com o vereador Milton Leite, que se compromete a elevar as metas de redução de emissões, a impor sanções para as empresas que descumprirem a lei, incluir a sociedade civil e auditoria independente no monitoramento das empresas.

    Setembro de 2017 – Em nova audiência pública, os vereadores Milton Leite e Gilberto Natalini, apresenta novo texto prevendo uma meta ainda tímida: 40% de CO2, 70% de NOx e 80% de MP, em 10 anos e com sanções fracas pras empresas.

    Segunda reunião das organizações com o vereador Milton Leite. Os estudos de viabilidade técnica e econômica para uma transição completa são reiterados pelas organizações. Milton Leite não reconhece a validade dos estudos apresentados.

    Comitê Municipal de Mudança do Clima emite parecer sobre a necessidade e viabilidade de zerar as emissões de CO² em até 20 anos.

    Outubro de 2017 - Terceira reunião das organizações com vereador Milton Leite, com participação do vereador Gilberto Natalini. Milton Leite continua a ignorar os estudos técnicos apresentados e não define data para o fim das emissões de poluentes pelos ônibus.

    (Texto de: Cidade dos Sonhos, Greenpeace, Idec, Minha Sampa e Rede Nossa São Paulo)  Leia mais >

  • Bula!

    Postado por Fabiana Alves* - 7 - nov - 2017 às 16:20 1 comentário

    A saudação, que para a população de Fiji significa "vida", é a palavra que precisa permear as negociações e discursos da COP23, que começou nesta semana.

    Banner pede "Justiça climática, já! Fim do carvão", na Marcha pelo Clima, em Bonn na Alemanha. Mais de 25 mil pessoas foram às ruas para apoiar o fim dos combustíveis fósseis. (Foto: ©Fabiana Alves/ Greenpeace)

    Apesar do frio que faz em Bonn, na Alemanha, são coqueiros o símbolo da 23ª Conferência do Clima da ONU (a COP23), que está acontecendo nessa cidade alemã. Os coqueiros representam Fiji, o arquipélago no Pacífico que está presidindo as negociações sobre como combater o aquecimento global e dimininuir as emissões de gases de efeito-estufa.

    Ter Fiji na presidência de uma COP na Europa tem uma simbologia importante. Representa a urgência para a implementação do Acordo de Paris com regras para que a população dessa ilha e de tantos outros países não sofram ainda mais as consequências do aquecimento global.

    Fiji está na lista de países muito vulneráveis às mudanças climáticas. Já sofre com tempestades cada vez mais comuns, e corre o risco de desaparecer do mapa devido ao aumento do nível do mar e o aquecimento das águas do Pacífico.

    As negociações deste ano se dão em um momento crucial para tentarmos evitar consequências mais trágicas, resultados das mudanças climáticas. A COP deste ano precisa alcançar um progresso real nas diretrizes de implementação do Acordo de Paris.

    A Organização Meteorológica Mundial (OMM) mostrou o tamanho do nosso desafio e a urgência em combater o aquecimento global com novo relatório. O documento afirma que houve um recorde de aumento de temperatura em 2017: A temperaturas médias do nosso planeta estão 1,1 grau Celsius mais altas do que as temperaturas que tínhamos entre 1880 a 1900, quando começamos a queimar combustíveis fósseis e a medir as temperaturas da Terra.

    O recado ficou claro para os país que assinaram e ratificaram o Acordo de Paris. Eles devem implementar medidas ambiciosas para evitar que o mundo chegue a temperaturas acima de 2 graus Celsius até o fim do século – e que, de preferência, não ultrapasse 1,5 grau Celsius. Isso está estabelecido no Acordo, mas precisa estar na prática nos planos desses governos.

    A sociedade civil está fazendo sua parte ao demonstrar preocupação com investimentos governamentais em energia fóssil. No sábado, antes mesmo da abertura da COP, aconteceu a Marcha pelo Clima em Bonn. Vinte e cinco mil pessoas fora às ruas pedindo o fim da era do carvão e dos combustíveis fósseis.

    Já no primeiro dia da COP, foram as crianças da escola Kids for Earth que marcharam rumo ao centro de conferências onde acontece a conferência. Elas pediam que os governos "salvem o planeta e não o dinheiro". Essa é a geração que está dando um passo à frente e pensando no futuro, delas e das que virão. E estão mostrando que sabem o que deve ser feito para que tenhamos um futuro seguro.

    >> Leia mais: Relatório do Greenpeace mostra como mudanças climáticas vão agravar desigualdades sociais no Brasil

    A COP23 acontecerá até o dia 17 de novembro e mostrará ao mundo se governos estão representando avanços para implementar o Acordo de Paris. De acordo com Patricia Espinoza, Secretária Executiva da UNFCCC, “não temos mais o luxo do tempo”.

    "Bula", para a população de Fiji, é uma saudação que significa “vida”. E é essa palavra que esperamos encontrar nas entrelinhas das ações e discursos dos governantes que estão na COP23. É a vida, principalmente das populações mais vulneráveis, como os moradores de Fiji que temos a obrigação de salvar. A partir de hoje, sem mais demora.

    *Fabiana Alves é especialista em Clima do Greenpeace Brasil e está em Bonn, na COP23. Leia mais >

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