Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Ensaio sobre poluição na China ganha prêmio no World Press Photo

    Postado por Luciano Dantas - 12 - fev - 2015 às 16:35

    O renomado fotógrafo chinês Lu Guang acaba de ganhar o prêmio “Projetos de Longo Prazo” com seu trabalho “Desenvolvimento e Poluição”, desenvolvido na China. A premiação faz parte do concurso de maior prestígio do mundo da fotografia, o World Press Photo (WPP). Entre as 30 fotos que compõem o ensaio, oito foram feitas a pedido do Greenpeace.

    Esta não é a primeira vez que o WPP premia um fotógrafo com trabalhos feitos para o Greenpeace. Desde 2006, esta é a sexta oportunidade em que isso acontece, sendo as anteriores para Daniel Beltra (02), Nick Cobbing (01), Paul Hilton (01) e o próprio Lu Guang, que levou o prêmio pela segunda vez.

    Confira algumas das fotos que renderam a premiação a Guang:

      Leia mais >

  • Apple na dianteira da corrida por energia renovável

    Postado por Luciano Dantas - 11 - fev - 2015 às 15:51 6 comentários

    A Apple anunciou que investirá 850 milhões de dólares na aquisição de um sistema fotovoltaico capaz de gerar 130 MW de eletricidade, o suficiente para abastecer 50 mil casas na ensolarada Califórnia, todas as lojas de varejo da marca no mesmo estado, além do centro de dados da empresa. Trata-se de um negócio verdadeiramente grandioso em termos de energia solar.

    Graças a um empurrãozinho do Greenpeace e seus parceiros, não apenas a companhia da famosa maçã está se movendo rumo a um futuro mais sustentável, mas outras empresas de tecnologia como Facebook, Google, Microsoft, Rackspace, Salesforce e mais recentemente a Amazon.com, também expandiram seus horizontes para um caminho renovável. Nos últimos três anos, mais e mais empresas têm se comprometido com formas mais limpas de energia.

    Ativistas do Greenpeace protestam em frente à loja revendedora da Apple em São Paulo. (© Greenpeace/Alexandre Cappi)

    Em 2012, a Apple se comprometeu a implantar 100% de energia renovável em suas operações, e desde então, se moveu como nenhuma outra para cumprir este compromisso, culminando no mais recente anúncio do CEO da empresa, Tim Cook, de que a Apple acaba de fechar um acordo gigantesco para geração de energia solar na Califórnia.

    Enquanto outras empresas que se comprometeram com a mesma meta também podem ser elogiadas por apontarem seus caminhos no rumo das energias renováveis, seria ótimo que todas dessem ouvidos à declaração feita por Cook: "Nós (Apple) sabemos que a realidade das mudanças climáticas é real. O tempo para conversa ficou no passado", disse ele. "A hora de agir é agora.”

    Esta é uma excelente notícia, especialmente por conta da ausência da mudança climática nas pautas governamentais. Independentemente de políticas públicas promovidas por políticos, o debate deve existir e ações devem ser tomadas.

    A Apple está ditando o ritmo da indústria para o que significa não só se comprometer com 100% de energia renovável, mas para avançar verdadeiramente até alcançar este objetivo. Leia mais >

  • Debate especial: dez anos sem Dorothy Stang

    Postado por Nathália Clark - 10 - fev - 2015 às 10:14

    Programa especial sobre o aniversário de morte da missionária debate os principais vetores que alimentam o círculo vicioso de desmatamento, violência e impunidade na Amazônia

    Acompanhe como foi o Papo Greenpeace - 10 Anos sem Dorothy:

     

    Neste 12 de fevereiro, o assassinato de Dorothy Stang completa dez anos. Os dois mandantes do crime, no entanto, continuam livres. O caso, ao invés de exceção, infelizmente é a regra e retrato fiel da violência e impunidade que assolam comunidades rurais de todo o Brasil e especialmente da Amazônia. 

    Não bastasse o horror da violência, as famílias que sobrevivem às ameaças e os parentes das vítimas assassinadas ainda têm que conviver com seus algozes à solta. Este círculo vicioso de mortes, impunidade e mais violência alimenta uma indústria que vem financiando há anos o desmatamento da Amazônia. É vida que tomba para manter a floresta em pé.

    Quem financia o desmatamento? Quem paga pela exploração ilegal? O que acontece com os culpados? Quem protege aqueles que protegem a floresta? Para responder a essas e outras questões o Greenpeace promove nesta terça-feira, 10 de fevereiro, o Papo Greenpeace “Dez anos Sem Dorothy Stang”. A partir das 20h, acompanhe ao vivo a transmissão, pelo site do Greenpeace Brasil.

    Como convidados teremos Maria Darlene, representante da CPT (Comissão Pastoral da Terra) de Boca do Acre, Antonio Canuto, chefe do Centro de Documentação da CPT Nacional, e o jornalista independente Felipe Milanez, além dos representantes da Campanha da Amazônia do Greenpeace, Danicley Aguiar e Marina Lacorte. Leia mais >

  • Minuto Verde: escute essa novidade!

    Postado por Nathália Clark - 9 - fev - 2015 às 16:40 1 comentário

    Greenpeace lança nova plataforma online de conteúdo em áudio. Programa de pouco mais de um minuto irá transmitir podcasts sobre os assuntos do momento

    Minuto Verde especial #10AnosSemDorothy

    Visando inovar, aumentar o alcance de suas mensagens e atingir a maior variedade de públicos possível, o Greenpeace lança hoje uma nova plataforma de conteúdo online. O programa Minuto Verde irá contar, em áudio, as histórias que já contamos em outros formatos – textos, vídeos, fotos, mapas e infográficos, por exemplo. A ideia é que a voz de um de nossos repórteres resuma, em um podcast de mais ou menos um minuto, o tema principal que estiver circulando em nossos canais.

    Nesta edição inaugural, falaremos sobre os dez anos de morte de Dorothy Stang. A missionária norte-americana, que trabalhou por mais de três décadas em defesa da floresta e das comunidades que dela dependem, foi assassinada no dia 12 de fevereiro de 2005, no município de Anapu, sudoeste do Pará.

    À época, ela lutava pela implantação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança. Por ser uma área de disputa entre madeireiros e fazendeiros locais, ela e outros pequenos produtores sofriam ameaças constantes. Não bastassem todas as denúncias feitas aos órgãos de governo e autoridades responsáveis, além de todos os posteriores julgamentos e decisões judiciais, os culpados, até hoje, continuam soltos. E os ocupantes da região seguem com medo.

    A morte da missionária norte-americana, ao invés de triste exceção, é o retrato fiel da violência que assola comunidades rurais de todo o Brasil, em especial da Amazônia. O círculo vicioso de violência, mortes e impunidade alimenta uma indústria que financia há anos o desmatamento da Amazônia. E mesmo depois de uma década da morte de Dorothy Stang, o sangue continua a correr na floresta.

    Quer saber mais sobre esse caso? Não perca a estreia do programa Minuto Verde.

    Escute aqui:

    Se gostou, compartilhe em suas redes!

    Não perca! Hoje tem debate especial: 10 anos sem Dorothy Stang. Leia mais >

  • Aliança pela Água divulga plano de emergência

    Postado por Aliança pela Água* - 9 - fev - 2015 às 10:35

    Coalizão de entidades da sociedade civil, da qual o Greenpeace faz parte, publica chamado à ação sobre a crise hídrica no Estado de São Paulo

     

    A crise hídrica e de abastecimento no Estado de São Paulo se aprofundou nos últimos dois meses. A situação é de crescente incerteza frente aos cenários climáticos - não existem dados para afirmar que o ciclo de estiagem esteja acabando; a seca pode continuar e até se intensificar ao longo deste ano.

    O esforço para enfrentar o colapso deverá ser coletivo e exigirá um longo período de sacrifício por parte da população. A partir de agora, as medidas de mitigação da crise devem ir muito além de ações das concessionárias de abastecimento; é fundamental o envolvimento de uma ampla rede de atores governamentais e não governamentais para garantir a segurança cidadã da população, incluindo o direito ao abastecimento de água para consumo, à saúde e ao emprego.

    Com o objetivo de contribuir positivamente na gestão dessa crise, a Aliança pela Água destaca ações imediatas de adaptação que podem e devem ser adotadas pelos governos em conjunto com a sociedade, com responsabilidades claramente assumidas pelos distintos órgãos públicos no informe "Chamado à Ação sobre a Crise Hídrica: Por um Plano de Emergência para o Estado de São Paulo". #AguaSP

    Clique aqui para ler o documento.

    *Texto publicado no site Aliança pela Água Leia mais >

  • Cunha nega apoio a ruralistas, mas desenterra PEC 215

    Postado por Alan Azevedo* - 6 - fev - 2015 às 13:39

    Com menos de uma semana na presidência da Câmara, deputado Eduardo Cunha diz não ter poder algum para acabar com a PEC anti-indígena

    Kayapó cobraram do presidente da Câmara arquivamento definitivo da PEC 215. © J. Batista / Agência Câmara

     

    A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215 será desarquivada, afirmou o recém eleito presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em reunião com os índios Kayapó. O projeto transfere para o Congresso Nacional a última palavra sobre a oficialização de Terras Indígenas (TIs), Unidades de Conservação e Territórios Quilombolas.

    Cunha recebeu a comitiva Kayapó no dia 4, que veio à Brasília para sepultar definitivamente a PEC 215 e avançar na demarcação de TIs. No entanto, Cunha afirmou que não poderia impedir o reinício da tramitação da proposta, arquivada no final do ano passado. Segundo ele, qualquer um dos 170 deputados que assinaram o projeto pode pedir seu desarquivamento.

    Leia mais:

    E é isso que acontecerá: a bancada ruralista apresentou um requerimento com esse objetivo ontem e, segundo Cunha, o Regimento da Câmara obriga-o a acatá-lo automaticamente. “Não tenho poder ou competência legal para acabar com a PEC 215 ou nenhuma outra PEC. Tenho de cumprir o Regimento”, afirmou o peemedebista. Com o desarquivamento do projeto, será necessário recriar a Comissão Especial que vai analisá-lo.

    Sarney Filho (PV-MA) e Nilto Tatto (PT-SP), que participaram da conversa, são a favor de uma reunião entre deputados ruralistas e socioambientalistas nas próximas semanas para discutir uma alternativa à PEC.

    “Os povos indígenas estão entendendo a PEC 215 como uma quebra do contrato estabelecido com eles para garantir seus direitos na Constituição de 1988. Se a PEC seguir tramitando, teremos toda a semana uma manifestação aqui na Câmara contra o projeto”, advertiu Tatto. O petista acredita que a análise e aprovação do projeto vão acirrar os conflitos entre povos indígenas e produtores rurais. “Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que a Comissão Especial não seja aberta e não funcione”, disse Sarney Filho.

    Com a eleição de 2014, foi eleito o Congresso mais conservador desde os tempos do regime militar. A bancada ruralista é o bloco de maior expressão na Casa, e tem enorme influência nas decisões do plenário. Cunha negou que tenha feito um acordo com os ruralistas para fazer avançar a tramitação do projeto em troca de apoio à sua eleição para a Presidência da Câmara, ocorrida no fim de semana.

    *Essa matéria foi escrita pelo Comitê de Comunicação da Mobilização Nacional Indígena e publicada inicialmente no site do Instituto Socioambiental (ISA). Leia mais >

  • Kayapó serão recebidos por Eduardo Cunha

    Postado por Alan Azevedo* - 4 - fev - 2015 às 10:03 1 comentário

    Após visita dos Munduruku à Brasília, índios Kayapós chegam à capital federal com demandas similares: frear a PEC215 e avançar na demarcação de Terras Indígenas

    Índios Kayapós chegam à Brasília para cobrar por direitos. © Instituto Kabu

    Cerca de 50 lideranças Kayapó, das Terras Indígenas Baú e Mekragnotire, chegaram a Brasília na última segunda-feira, dia 2, com o objetivo de reunirem-se com a presidente Dilma Roussef e o recém eleito presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

    Os Kayapó foram recebidos nesta terça-feira (3) pelo secretário de Articulação Social da Presidência da República, Paulo Maldos, que auferiu os documentos trazidos pelos indígenas sobre a execução do Plano Básico Ambiental (PBA) da BR-163 e a Proposta de Emenda Constitucional PEC215.

    Após uma articulação das entidades em defesa dos direitos indígenas e dos deputados federais Nilton Tatto (PT-SP), Chico Alencar (PSOL-SP) e Sarney Filho (PV-MA), o novo presidente da Câmara agendou uma reunião com as lideranças Kayapó para esta quarta-feira, dia 4, às 15 horas.

    Leia mais:

    Na pauta, a entrega de uma carta produzida pelos Kayapó sobre como os deputados irão tratar os temas indígenas e sobre os compromissos assumidos com ruralistas, que querem aprovar a PEC215, emenda que transfere do governo federal para o legislativo a responsabilidade pela demarcação de Terras Indígenas.

    Leia a carta aqui.

    Na última quinta-feira, dia 30, representantes do povo indígena Munduruku também estiveram em Brasília e foram recebidos pelo ministro da Secretaria-geral da Presidência, Miguel Rossetto. Na reunião, entregaram em mãos sua proposta de consulta baseada na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

    *Essa matéria é do Comitê de Comunicação da Mobilização Nacional Indígena Leia mais >

  • Saga Munduruku pelo direito à vida

    Postado por Nathália Clark - 30 - jan - 2015 às 19:36 1 comentário

    Lideranças vão a Brasília cobrar das autoridades respostas sobre a demarcação de suas terras e a garantia de seus direitos

    Indígenas Munduruku em audiência com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República (©Greenpeace/Wenderson Araújo).

     

    O ano de luta já começou para os 13 mil indígenas do povo Munduruku. Enfrentando uma viagem de quatro dias de ônibus, uma comitiva de 30 lideranças chegou a Brasília nesta semana para uma agenda de reuniões com o governo a fim de pressionar pela garantia de seus direitos.

    As pautas continuam as de sempre: a cobrança pela demarcação oficial de seu território, mais especificamente a Terra Indígena Sawré Muybu, na região do Médio Tapajós e que abrange os municípios de Itaituba e Trairão (PA); e a entrega do documento que especifica o modo como eles desejam ser consultados pelo governo no que tange à construção do Complexo Hidrelétrico do Tapajós, que atropela e literalmente afoga por inteiro aldeias, roças, cemitérios e áreas de caça de sua população.

    Leia mais:

    Nesta sexta-feira (30) pela manhã, eles se reuniram com o presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Flávio Chiarelli, para cobrar a apreciação e publicação do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação da Terra Indígena Sawré Muybu, que atesta a existência daquela área e sua tradicional ocupação pelo povo Munduruku.

    O processo de formalização do território como terra indígena já se arrasta por cerca de uma década, chegando ao ponto de os indígenas terem iniciado a autodemarcação independente. Na reunião, eles ressaltaram a importância da demarcação formal para proteção de sua população e dos recursos naturais do território. Eles mostraram, inclusive, fotos tiradas durante a autodemarcação onde foram identificados focos de extração ilegal de madeira e garimpo.

    Ao cobrar uma posição, o cacique de Sawré Muybu, Juarez Munduruku, chegou a falar em coragem. “Queremos saber se agora temos um presidente corajoso o suficiente para assinar o relatório. Quero levar essa resposta pro meu povo agora, pois quem está correndo risco de vida somos nós”, afirmou.

    Ademir Kabá, outra liderança, lembrou que o estado brasileiro só vem aumentando ao longo dos anos sua dívida com os povos indígenas. “A nossa vinda aqui é constrangedora, porque estamos reivindicando o reconhecimento das terras dos nossos ancestrais, lugar em que vivemos desde que nascemos, e o estado continua nos negando isso.”

    ‘Jogo de empurra’

    Em recente entrevista à Agência Pública, a ex-presidente da Funai, Maria Augusta Assirati, afirmou que o relatório, pronto e aprovado desde 2013, não foi publicado por conta dos interesses governamentais para a construção de empreendimentos hidrelétricos na região, especialmente a usina São Luiz do Tapajós. “Nós, como Funai, havíamos assumido um compromisso com os Munduruku no sentido da publicação do relatório, e tivemos que descumprir esse compromisso em razão da prioridade que o governo deu ao empreendimento. Isso é grave”, diz Assirati.

    Como novo presidente, Chiarelli respondeu que não se trata de uma questão de coragem, e reconheceu o entrave junto a outros setores do governo. “Quando surgiu essa proposta de delimitação, os outros órgãos que também têm interesse naquela área, principalmente com relação à hidrelétrica de São Luís do Tapajós e à Flona de Itaituba, pediram pra se manifestar. Há um questionamento sobre a ocupação tradicional e o que eu pedi foi que eles apresentassem relatórios técnicos que provem isso. A Funai fez o seu papel e apresentou o seu relatório atestando que ali é uma terra indígena. O que não dá é pra ficar nessa indefinição, esse jogo de empurra”.

    Quanto aos focos de exploração ilegal, ele se comprometeu a tentar articular uma operação conjunta com órgãos ambientais, seja em âmbito estadual ou federal, para tentar frear essas atividades. “Enquanto a terra indígena ainda não estiver regularizada, infelizmente a Funai sozinha não consegue fazer nada. Nossa situação e os instrumentos legais de que dispomos também são frágeis.”

    Protocolo de Consulta

    Na parte da tarde, as lideranças tiveram uma audiência pública com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, a quem entregaram o Protocolo de Consulta do povo Munduruku a propósito da construção de empreendimentos de infraestrutura em seus territórios.

    O documento, elaborado pelo povo no fim do ano passado, sistematiza a maneira com que eles desejam ser consultados pelo governo, uma exigência e um direito previstos tanto na Constituição quanto na Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

    Ademir Kabá frisou que a entrega do protocolo, entretanto, não é o fim das discussões, mas uma demonstração clara de que os Munduruku querem o diálogo. “Queremos abrir mais espaços de conversa com o governo. A gente luta por terra, não por riqueza. Para nós, nossa terra é a nossa vida, nossa história. Em hipótese alguma queremos a usina São Luiz do Tapajós. A construção desse empreendimento pra nós significa a morte”, afirmou. O ministro se limitou a ouvir e se comprometeu a ler e analisar o documento. Leia mais >

  • Por uma Câmara dos Deputados mais justa

    Postado por Alan Azevedo - 30 - jan - 2015 às 15:03 1 comentário

    Em vias de eleição no Congresso, organizações da sociedade civil e do movimento social entregam carta à Presidência da Câmara dos Deputados pedindo respeito aos direitos indígenas

    Uma das imagens que ilustrou o twitaço #DireitosIndigenas realizado hoje, que apoiava e divulgava a entrega da carta à Presidendência da Câmara dos Deputados

     

    Está para ser eleito o novo presidente da Câmara dos Deputados. O pleito, formado por quatro candidatos, ocorrerá no domingo, dia primeiro de fevereiro. Na disputa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), Chico Alencar (PSOL-RJ), Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Júlio Delgado (PSB-MG) correm contra o tempo para fechar as últimas articulações políticas antes da votação.

    Nessa busca por apoio, os candidatos acabam barganhando interesses políticos que afetam direitos fundamentais dos povos tradicionais. Tais acordos são costurados, por exemplo, para retomar a votação da PEC 215, que visa transferir a competência sobre a criação de Terras Indígenas (TIs) do Executivo para o Legislativo.

    Na tentativa de frear mais um ataque aos direitos indígenas – estes previstos na Constituição Federal –, diversas organizações, instituições e coletivos entregaram uma carta endereçada aos candidatos à presidência da Câmara dos Deputados. O documento cobra o compromisso da Casa com os direitos indígenas, para a construção de um país socialmente justo, “que respeite a diversidade do próprio povo brasileiro”.

    Leia a carta na íntegra:

    Carta Pública aos Candidatos à Presidência da Câmara dos Deputados.

    Brasília, 30 de janeiro de 2015.

    Prezados Senhores Deputados,

    Arlindo Chinaglia (PT-SP), Chico Alencar (PSOL-RJ), Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Júlio Delgado (PSB-MG).

    As organizações abaixo-assinadas, em apoio aos povos indígenas do Brasil, protagonistas nos últimos anos da Mobilização Nacional Indígena, consideram inaceitável o espírito pouco - ou nada - republicano que vem pautando articulações em torno de algumas candidaturas à Presidência da Câmara dos Deputados e da eleição da sua mesa diretora. Notícias veiculadas pela imprensa informam que grupos representativos de interesses privados vêm barganhando com alguns candidatos à presidência o endosso à tramitação de propostas que afetam direitos fundamentais da população brasileira.

    Diante disso, condenamos o modo como os direitos – sobretudo os territoriais - dos povos indígenas, comunidades tradicionais e outras populações do campo, além dos direitos ambientais e das gerações futuras, vêm sendo tratados como moeda de troca entre bancadas e grupos de interesses privados representados no Parlamento.

    Consideramos especialmente graves as informações de que apoios para certas candidaturas têm sido costurados com a promessa de ressurreição de proposições legislativas destinadas a limitar, reduzir e/ou extinguir direitos – tal como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 215-A/2000, arquivada ao final da legislatura passada, e outras medidas similares.

    Converter direitos constitucionais, historicamente conquistados pelo povo brasileiro, em objeto de barganha política é inadmissível por afrontar o Estado Democrático de Direito, rebaixando a relevante função de representação parlamentar e beneficiando interesses particulares em detrimento de direitos de grupos vulneráveis e do interesse público, com graves impactos a toda a sociedade brasileira.

    A eleição para a Presidência da Câmara deve pautar-se pela discussão de temas de interesse público substantivo, voltados a um projeto de país socialmente justo, que respeite a diversidade própria do povo brasileiro, e ao aprofundamento da democracia, da participação popular e da efetivação dos direitos fundamentais previstos na Carta Magna de 1988.

    Assim sendo, cobramos o compromisso dos candidatos à Presidência da Câmara dos Deputados com a manutenção dos direitos fundamentais previstos nos Artigos 5º, 225, 231, 232 e ADCT 68, todos integralmente protegidos a título de cláusulas pétreas conforme dispõe o Artigo 60, §4º, IV, e com o Direito Internacional dos Direitos Humanos, o que inclui a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

    Sendo o que tínhamos a manifestar, ficamos no aguardo de seu posicionamento.

    Atenciosamente.

    Assinam:

    Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo - APOINME

    Articulação dos Povos Indígenas da Região Sudeste -ARPIN-Sudeste

    Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul - ARPIN-Sul

    Articulação dos Povos Indígenas do Brasil - APIB

    Associação Brasileira de Antropologia - ABA

    Associação Floresta Protegida - AFP

    Associação Profissional de Antropologia - Aproa

    Aty Guasu

    Centro de Trabalho Indigenista - CTI

    Campanha #ÍndioéNós

    Coletivo A Causa

    Comissão Guarani Yvyrupa

    Comissão Pró-Índio de São Paulo – CPI-SP

    Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração

    Conselho do Povo Terena

    Conselho dos Povos Indígenas de Mato Grosso do Sul

    Conselho Indigenista Missionário - CIMI

    Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB

    Escola de Ativismo

    Greenpeace Brasil

    Iepé – Instituto de Pesquisa e Formação Indígena

    Instituto de Estudos Socioeconômicos –INESC

    Instituto Internacional de Educação do Brasil - IEB

    Instituto Sociedade, População e Natureza - ISPN

    Instituto Socioambiental - ISA

    Movimento de Apoio aos Povos Indígenas - MAPI

    Uma Gota No Oceano

    WWF- Brasil

      Leia mais >

  • Agroecologia, a bola da vez

    Postado por Alan Azevedo - 23 - jan - 2015 às 12:32

    Produtor agroecológico trabalhando em sua produção de arroz orgânico no Rio Grande do Sul. © Rodrigo Baleia / Greenpeace

     

    2014 foi um bom ano para a agricultura ecológica. Também conhecida como agroecologia, esse tipo de produção, que protege e promove a biodiversidade na terra, está ganhando reconhecimento ao passo que produtores se esforçam para se adaptarem às mudanças climáticas e o ultrapassado modelo baseado em agrotóxicos e transgênicos é cada vez mais questionado.

    Um importante reconhecimento veio do Relatório Especial das Nações Unidas sobre o Direito à Comida, realizado pelo pesquisador Olivier De Schutter. Em seu relatório final, pediu pela democracia na comida e pela agroecologia: “Não se pode continuar nesse impasse de uma produção alimentar dependente de óleo. […] Agroecologia é senso comum. Significa entender como a natureza funciona, para replicar seu trabalho em fazendas com o objetivo de reduzir a dependência de agentes externos.”

    A chave para acabar com a fome global não é produzir comida para pessoas famintas (que não têm ao menos dinheiro para pagar pelo alimento), mas permitir que essas pessoas plantem seus próprios alimentos.

    Em seu primeiro discurso público como sucessora de Schutter, a pesquisadora e professora Hilal Elver continuou na mesma linha, defendendo que a crise global de comida de 2009 assinalou a necessidade de mudança no modelo de produção de alimento. Segundo ela, “novas pesquisas em agroecologia nos permite explorar com mais eficiência como usamos o conhecimento tradicional para proteger pessoas e seu meio ambiente ao mesmo tempo.”

    Outro importante incentivo pela agricultura ecológica veio da FAO, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, mais exatamente da boca de um brasileiro. O diretor-geral José Graziano da Silva, falando à alta cúpula no Simpósio Internacional de Agroecologia para Segurança Alimentar e Nutricional em Roma, defendeu que a agroecologia continua a crescer, tanto na ciência como na política: “É uma abordagem que ajuda a endereçar o desafio de acabar com a fome e a desnutrição em todas as suas formas, num contexto de necessária adaptação às mudança climática”.

    E enquanto outras vozes se somam pedindo pela promoção da agroecologia, visto o cenário de desequilíbrio da temperatura global e escassez de água, evidências mais robustas pipocam de cientistas dedicados a estudar esse modelo de produção.

    Um novo estudo da Universidade de Berkeley, California, mostra que a produção agroecológica - baseada na biodiversidade (rotação, policultura, etc.) - é uma maneira efetiva de aumentar a produção e reduzir as entressafras.

    Produtor mostra sementes de arroz orgânico. © Rodrigo Baleia / Greenpeace

     

    A primeira importante descoberta é que a diferença entre a produção orgânica e a convencional é menor do que anteriormente estimado: 19% abaixo para o cultivo orgânico. Ainda mais importante, quando atividades baseadas na biodiversidade são aplicadas da melhor forma, a produção orgânica se aproxima muito da convencional, e, em alguns casos, alcança uma diferença mínima.

    Esses resultados provam quão perto a agricultura sustentável está de prover alta produção de alimento e alto grau de auxílio para a preservação do planeta. Algo que as culturas químicas jamais serão capazes de fornecer.

    Se a agroecologia recebesse o mesmo nível de investimento que a agricultura convencional, em termos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), prática e extensão, a produção orgânica poderia de fato chegar ao nível da convencional.

    As evidências positivas sobre como a agricultura ecológica pode ajudar a alimentar o mundo fez com que a União dos Cientistas Engajados, baseada nos Estados Unidos, iniciassem uma petição pedindo pelo aumento do investimento público em pesquisas agroecológicas no EUA, onde mais de 300 cientistas já assinaram pela causa.

    Alimentar o mundo é uma preocupação óbvia, mas tudo que se sabe é que simplesmente aumentar a produção não vai acabar com a fome. Num planeta que já produz uma vez e meia a mais de alimentos necessários para alimentar a população, mas que desperdiça um terço disso tudo, a agroecologia é essencial.

    Em sua propriedade agroecológica no Rio Grande do Sul, Dona Rose produz diversos tipos de hortaliças. © Rodrigo Baleia / Greenpeace

     

    A cadeia alimentar atual está quebrada, não funciona. É a maneira como a comida é produzida que faz a diferença. Globalmente, a agricultura familiar produz 70% da comida do mundo em 25% das terras cultiváveis. No entanto, essas pessoas são justamente as mais pobres. A chave para acabar com a fome global não é produzir comida para pessoas famintas (que não têm ao menos dinheiro para pagar pelo alimento), mas permitir que essas pessoas plantem seus próprios alimentos.

    Pequenos agricultores precisam de terras maiores, mais acesso ao conhecimento, água, infraestrutura básica, sistema educacional e de saúde - não agrotóxicos ou transgênicos, dispostos pelo mercado global. E a agroecologia vai mantê-los trabalhando na terra pois ela promove a biodiversidade e enriquece os recursos locais.

    Que os investimentos mudem de direção e a agroecologia seja o novo pivô do combate a fome mundial em 2015. Leia mais >

1 - 10 de 2785 resultados.