Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Névoa de poluição paira sobre a China

    Postado por Marina Yamaoka - 16 - jan - 2013 às 11:52

    Qualidade do ar em Pequim foi a "pior já registrada" no sábado e no domingo. (©Kuang Yin/Greenpeace)

     

    No último final de semana, Pequim esteve coberta por uma densa névoa seca de poluição. A qualidade do ar foi considerada a “pior já registrada” e o centro de monitoramento de poluição da cidade advertiu os moradores sobre as péssimas condições do ar – a poluição estava de 30 a 45 vezes acima dos níveis de segurança - e recomendou que a população permanecesse em casa.

    As partículas com menos de 2,5 micrômetros de diâmetro chegaram a mais de 600 microgramas por metro quadrado em algumas estações de monitoramento em Pequim, sendo 20 o nível diário recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A Organização estima que a poluição do ar é responsável por causar a morte de 1,3 milhão de pessoas no mundo todos os anos além de ser a principal causa da asma e de doenças respiratórias.

    “Essa é realmente a pior poluição já registrada, não apenas de números oficiais, mas também de números de monitoramento da embaixada norte-americana. Algumas áreas na província (vizinha) de Hebei estão ainda piores do que Pequim”, disse Zhou Rong, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Leste Asiático.

    A poluição foi identificada como um dos grandes desafios a ser solucionado na China. O presidente Hu Jintao afirmou durante seu discurso no Congresso do Partido Comunista em novembro passado que o país precisava “reverter a tendência de deterioração ecológica e construir uma bela China”.

    Quer saber mais sobre a campanha do Greenpeace sobre poluição do ar? Clique aqui. (em inglês) Leia mais >

  • Shell na mira do público

    Postado por Marina Yamaoka - 14 - jan - 2013 às 14:45 2 comentários

    A Shell está entre os sete finalistas do Public Eye Award. O prêmio escolherá a corporação com a pior atuação socioambiental de 2012. (©Elizabeth Dalziel/Greenpeace)

     

    Com a proximidade do Fórum Econômico Mundial, que acontecerá entre os dias 23 e 27 de janeiro em Davos, na Suíça, é chegada a hora de votar e escolher a corporação com a pior atuação socioambiental de 2012 no Public Eye Award. O resultado da premiação anual é tradicionalmente anunciado no Fórum e a votação é realizada por voto popular no mundo todo.  

    Entre os sete finalistas que disputam o troféu pelos casos mais graves do planeta está a Shell, empresa petrolífera que tentou explorar petróleo no Ártico durante 2012 e se deparou com uma série de contratempos e falhas técnicas em sua empreitada. A empresa teve que lidar com navios-sonda encalhados, motores que pegaram fogo e falhas de segurança em equipamentos fundamentais.

    Em julho de 2012, o Greenpeace lançou uma campanha e uma petição que pede a criação de um santuário internacional no polo norte. O Ártico é um dos mais importantes santuários do mundo e um dos ecossistemas mais frágeis, e vem sendo ameaçado pela indústria do petróleo e por empresas como a Shell.

    Se você quer saber os motivos pelos quais a Shell é uma das finalistas do prêmio, clique aqui. (site em inglês do Public Eye Award). Você também pode ver as outras empresas indicadas e votar aqui.
    Leia mais >

  • E agora, Shell?

    Postado por Leonardo Maran - 9 - jan - 2013 às 15:55

    A Kulluk, plataforma flutuante de petróleo da Shell, passa por reparos em Kiliuda Bay após ficar uma semana encalhada. (© United States Coast Guard)

    Mais problemas para a Shell. Desta vez, o Departamento do Interior dos Estados Unidos anunciou que vai conduzir uma revisão do programa de perfuração da empresa no Alasca. Recentemente, sua plataforma de petróleo Kulluk esteve encalhada por uma semana na região, devido às más condições climáticas.

    Para Dan Howells, representante de campanhas do Greenpeace, “essa revisão já está bastante atrasada, e certamente vai revelar que a perfuração do Ártico está muito além das habilidades da Shell ou de qualquer outra empresa petrolífera. As pessoas afirmam com frequência que a Shell é a melhor do ramo, então só podemos concluir após esta série de contratempos que a empresa líder não é boa o suficiente para o Ártico”.

    Impedir as perfurações na região é a decisão mais acertada e deve ser a única conclusão possível para que o Departamento do Interior consiga garantir a segurança da área costeira norte-americana. Embora aparentemente não tenha havido vazamentos na plataforma, a Shell agora está preparando veículos submarinos para avaliar os estragos causados durante o período em que ela esteve encalhada.

    Desde que iniciou sua busca por petróleo no Alasca, a empresa tem sido responsável por diversos problemas envolvendo navios encalhados no gelo e falhas de segurança em equipamentos. “Esperamos que 60 dias sejam tempo suficiente para examinar de forma apropriada o número extraordinário de incidentes perigosos causados pelo programa de perfuração da Shell, que colocam em risco o meio ambiente do Alasca”, afirma Howells.

    Mais de 100.000 pessoas do mundo todo já participaram da petição do Greenpeace e enviaram um apelo ao presidente Barack Obama, pedindo o fim da busca por petróleo no Ártico.

    Para ajudar na proteção desse ecossistema, lançamos em 2012 a campanha Salve o Ártico, que propõe a criação de um santuário internacional no polo norte.

    Assine e divulgue você também em www.salveoartico.org.br

    Assine a petição Leia mais >

  • Uniqlo desfila em passarela sem tóxicos

    Postado por Leonardo Maran - 8 - jan - 2013 às 16:30 1 comentário

    Ativistas do Greenpeace se vestem de manequins para protestar contra o uso de substâncias químicas tóxicas pela indústria da moda. (© Caner Ozkan / Greenpeace) Leia mais >

    O ano de 2013 está começando bem. Mais uma marca de moda internacional acaba de aderir ao Detox. Desta vez foi a Uniqlo, empresa líder no Japão em moda casual, que concordou em eliminar todas as substâncias tóxicas de sua cadeia de fornecedores e de produtos até 2020.

    O Fast Retailing Group, empresa que administra a Uniqlo e a maior relacionada à moda em toda a Ásia, ainda foi além e pretende tornar públicos dados sobre o descarte de pelo menos 80% de seus fornecedores globais no ano de 2013. A iniciativa pode acelerar a corrida pela transparência no setor.

    A Uniqlo agora se une a um time de 12 marcas que já inclui a Zara, a Mango, a Esprit e a Levi’s. Essas empresas responderam aos apelos de consumidores e ativistas do mundo todo, que pediam que elas desintoxicassem a sua cadeia de produção de roupas.

    Marcas como GAP, Calvin Klein e G-Star Raw estão se sentindo cada vez mais fora de moda enquanto observam 12 de suas maiores concorrentes no mercado global aderindo à iniciativa. A Uniqlo hoje enviou mais um importante sinal para todas elas de que substâncias tóxicas já são obsoletas.

    Você também pode ajudar o Greenpeace divulgando o Detox em suas redes sociais e pedindo às grandes empresas de moda que também façam parte dessa iniciativa.

    Participe desta e de outras campanhas do Greenpeace. Junte-se a nós.

  • Shell desencalha, mas afunda sua imagem

    Postado por Marina Yamaoka - 7 - jan - 2013 às 15:14

    Após uma semana encalhada, a plataforma Kulluk conseguiu ser reconectada ao rebocador da Shell (©The United States Coast Guard)

    Após ter ficado uma semana encalhada na costa do Alasca, finalmente, a plataforma de petróleo da Shell, a Kulluk, conseguiu se conectar ao rebocador Aiviq. A plataforma estava sendo rebocada ao porto de Seattle quando foi atingida por más condições climáticas que quebraram a linha de reboque e fizeram com que a plataforma ficasse à deriva e atingisse a costa.

    Hoje, a plataforma foi reconectada ao rebocador, conseguiu sair da costa e agora está flutuando no mar. Três rebocadores adicionais e duas embarcações de resposta em caso de vazamento, além da Guarda Costeira dos EUA, estão de prontidão no local, mas avaliam as condições climáticas para saber como e quando agir. 

    Ben Ayliffe, da campanha do Ártico do Greenpeace, afirmou que “a plataforma pode ter desencalhado, mas depois desse incidente a reputação da Shell foi muito danificada. Chegou o momento do governo dos EUA agir e pedir que a Shell pare de explorar petróleo no polo norte, está claro que a prospecção de óleo no Ártico não pode ser realizada de uma forma segura.”

    Este não é o primeiro contratempo com o qual a Shell se depara. Suas tentativas de prospecção de petróleo nos mares congelados de Chukchi e de Beaufort têm sido constantemente atingidas por acidentes. A empresa teve que lidar com navios-sonda encalhados, motores que pegaram fogo e falhas de segurança em equipamentos fundamentais.

    “O incidente com a Kulluk tem levantado muitas dúvidas sobre o plano de segurança da Shell. Os investidores assistiram ao acidente e se perguntam por quanto tempo a empresa conseguirá manter um programa milionário de petróleo no Ártico que foi caracterizado por erros operacionais gigantescos”, disse Ayliffe.

    Um dos mais importantes santuários do mundo, o Ártico está ameaçado pela indústria do petróleo. Para protegê-lo, o Greenpeace criou uma petição que pede a criação de um santuário internacional no polo norte.

    Assine e divulgue você também em www.salveoartico.org.br

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  • Da lama ao caos

    Postado por Ximena Leiva - 4 - jan - 2013 às 12:55 3 comentários

    Chuvas torrencias afetaram na madrugada de ontem o distrito de Xerém, no município de Duque de Caxias, e deixaram seu rastro de caos e destruição (Agência Brasil - Vladimir Platonov)

     

    Após dois anos da maior catástrofe natural registrada no Brasil, a qual atingiu a Região Serrana do Rio de Janeiro, resultando na morte de nada menos do que 900 pessoas, os fluminenses voltaram a sentir os efeitos das chuvas torrenciais no madrugada de ontem (3).

    Foram afetadas Petrópolis e Teresópolis, na serra; e Paraty, Angra dos Reis e Mangaratiba, no litoral sul. A Baixada Fluminense também sofreu: o município mais afetado foi Duque de Caxias, especificamente o distrito de Xerém, além de Belford Roxo e Nova Iguaçu, que sofreram com as inundações. Mais de 4.800 pessoas foram atingidas em todo o Estado segundo a Defesa Civil.

    Um conjunto de fatores contribuem para que o esta época do ano castigue com intensidade o Rio de Janeiro. "Antes de mais nada, encostas que outrora estavam protegidas pela Mata Atlântica -  severamente desmatada durante séculos - , agora dão lugar a casas, desestabilizando a fina camada de terra que as cobre. A proteção da mata ciliar dos rios, prevista no Código Florestal, não é levada a sério e isso facilita as inundações. E devido aos efeitos das  mudanças climáticas, as chuvas têm se tornado mais intensas. Somente em Xerém, a precipitação foi de 220 milímetros”, observa Sergio Leitão, diretor de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil.

    Importante destacar também que o governo federal aplicou apenas 32,2% dos recursos previstos para a prevenção e resposta a desastres em 2012. Ao todo, R$ 5,7 bilhões estavam autorizados no orçamento do ano passado, contudo, apenas R$ 3,7 bilhões foram empenhados e R$ 1,8 bilhão pagos.

    Impressiona também o fato de o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) ter sido criado justamente pelo governo Dilma após a tragédia na Região Serrana e ele não atuar na Baixada Fluminense. Outra questão preocupante é que, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), somente 6% dos municípios contam com planos para prevenir desastres.

    “Em decorrência das mudanças climáticas, estamos condenados a conviver com eventos extremos cada vez mais intensos e se os governos não fazem a sua parte não adianta se lamentar depois, pois a chuva virá sempre como desculpa fácil para sua inação. Resta esperar que Brasília e Sérgio Cabral digam ao país o que será feito para evitar novas mortes já que o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) indica: vai chover muito neste verão”, finaliza Leitão. Leia mais >

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  • Indícios de desmatamento à vista

    Postado por Ximena Leiva - 3 - jan - 2013 às 16:01 1 comentário

    Dados do Imazon apontam que houve desmatamento da Amazônia entre agosto e novembro de 2012 apesar de governo ter divulgado sua redução entre agosto de 2011 e julho de 2012 (© Greenpeace/Rodrigo Baleia)

     

    No fim do 2012, a organização não governamental Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) divulgou que o desmatamento da maior floresta tropical do mundo continua a fazer seus estragos, apesar de dados do Prodes apontarem recuo entre agosto de 2011 e julho de 2012, época em que foram derrubados 4.600 quilômetros quadrados, a menor taxa registrada desde o início das medições, em 1988.

    Entretanto, os satélites usados pelo Imazon detectaram que entre agosto e novembro de 2012 foram desmatados 1.206 quilômetros quadrados, um aumento de 129% em relação ao mesmo período do ano anterior (agosto de 2011 e novembro de 2011), quando foram desmatados 527 quilômetros quadrados. Pará lidera o ranking (51%), seguido por Mato Grosso (21%), Rondônia (13%) e Amazonas (12%). Esses quatro estados concentram 97% da destruição da Amazônia Legal no período monitorado.

    Somente em novembro de 2012 foram derrubados 55 quilômetros quadrados da Amazônia Legal, o que equivale a um incremento de 258% se comparado com o mesmo mês de 2011. O Estado mais afetado em novembro do ano passado foi o Pará, contribuindo com 42% do total registrado, seguido por Rondônia (25%) e Amazonas (24%). Também foram identificados desmatamentos em Roraima (4%) e Tocantins (1%).

    Outro dado importante se refere à degradação florestal, que entre agosto e novembro de 2012 afetou 711 quilômetros quadrados. Mas ela diminuiu 45% se comparada ao mesmo período do ano anterior, quando foram computados 1.285 quilômetros quadrados degradados.

    Para frear a destruição desta riqueza incalculável, o Greenpeace e demais organizações e movimentos sociais propõem a Lei do Desmatamento Zero. Participe você também, assine e compartilhe a petição e faça coro por um Brasil com florestas. Leia mais >

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  • Shell encalha no Alasca

    Postado por Marina Yamaoka - 3 - jan - 2013 às 15:19 1 comentário

    Perto de Kodiak, no Alasca, a plataforma Kulluk da Shell estava sendo rebocada, mas encalhou na costa. (©US Coast Guard/Greenpeace)

     

    O ano mal começou e já tivemos mais um exemplo de que a ideia de explorar petróleo no Ártico é desastrosa. A plataforma de perfuração da Shell, a Kulluk, encalhou perto da ilha de Sitkalidak, próximo à Kodiak, no Alasca.

    Na última quinta-feira, a Kulluk estava sendo rebocada do Ártico pelo novo rebocador da Shell, o Aiviq, quando foi atingida por más condições climáticas que quebraram a linha de reboque e fizeram com que a plataforma ficasse à deriva e atingisse a costa. O rebocador conseguiu se reconectar à Kulluk no dia seguinte, mas teve uma série de falhas motores a 50 quilômetros ao sul de Kodiak, fazendo com que a plataforma ficasse novamente à deriva.

    No sábado, a tripulação da Kulluk foi retirada de helicóptero pela Guarda Costeira dos EUA e a plataforma usou suas linhas de ancoragem para tentar amenizar seu movimento em direção à costa. Já no domingo, as linhas de reboque foram reconectadas, mas quebraram novamente.

    Finalmente, na segunda-feira, o Aiviq reestabeleceu conexão com a Kulluk e começou a rebocá-lo para o Porto Hobron, no Alasca. No entanto, mais tarde, ainda no mesmo dia, as linhas de reboque se romperam novamente a apenas 4 milhas da costa e após isso, encalhou.

    A plataforma Kulluk tem 139 mil litros de diesel e 12 mil litros de óleo hidráulico a bordo, mas vazamentos ainda não foram observados. Mesmo assim, um oficial envolvido na operação advertiu que ainda “não é possível saber quais são os danos. O clima está terrível.”

    A Shell e a Guarda Costeira dos Estados Unidos estão trabalhando nos próximos passos da operação, mas estão sendo severamente prejudicados por condições metereológicas extremas e em alto mar. 

    O terrível impacto que um vazamento pode ter no Alasca já é conhecido. Em 1989, o petroleiro Exxon-Valdez colidiu com o Recife de Bligh e derramou centenas de milhares de barris de petróleo em Prince William Sound, cobrindo grandes áreas do mar e do litoral com um espesso revestimento de petróleo bruto e matando milhares de aves, lontras marinhas, focas e orcas. Ainda hoje, a região sofre com os efeitos posteriores ao acidente.

    Infelizmente, este tipo de incidente, desta vez com a plataforma Kulluk, não é novo para a Shell. Suas tentativas de prospecção de petróleo nos mares congelados de Chukchi e de Beaufort têm sido atingidas por acidentes e contratempos constantemente. De navios-sonda encalhados a motores que pegam fogo e falhas de segurança em equipamentos fundamentais que são facilmente danificados. As tentativas da Shell para encontrar petróleo no Ártico foram fracassos repetidos, imprudentes e caros.

    A Shell alega ter um excelente programa para lidar com acidentes no Ártico, mas o encalhe da Kulluk revela novamente como a empresa é absolutamente incapaz de operar com segurança em um dos ambientes mais delicados e com condições climáticas adversas como o Ártico.

    Um dos mais importantes santuários do mundo, o Ártico está ameaçado pela indústria do petróleo. Um vazamento de óleo nesta região teria efeitos devastadores para o sensível ecossistema da região, que já sofre com os efeitos do aquecimento global e redução das calotas polares.

    Em junho de 2012, o Greenpeace lançou uma campanha pela proteção deste frágil ecossistema e uma petição que pede a criação de um santuário internacional no polo norte.

    Assine e divulgue você também em www.salveoartico.org.br

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  • Mais um bispo na mira dos pistoleiros

    Postado por Ximena Leiva - 21 - dez - 2012 às 15:02 1 comentário

    Dom Pedro Casaldáliga teve de se retirar de sua casa em São Félix do Araguaia por causa das ameaças de morte que tem recebido por defender a desintrusão da terra dos Xavante (Divulgação - Ana Helena Tavares)

     

    Dom Erwin Kräutler, bispo prelado de São Félix do Xingu, vive sob escolta policial devido às ameaças que recebe há seis anos. O motivo? Ele incomoda poderosos por ter optado defender os mais desvalidos, principalmente os povos indígenas e os ribeirinhos afetados pela construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Supreendentemente, mais um bispo entrou na lista dos ameaçados: há duas semanas o Brasil teve conhecimento que Dom Pedro Casaldáliga, da Prelazia de São Félix do Araguaia, também está na mira de pistoleiros.

    A situação de Dom Pedro agravou-se recentemente quando teve início o processo de retirada dos posseiros e fazendeiros de Marãiwatsèdè, terra original pertencente ao povo Xavante, situada no nordeste do Mato Grosso. No início de dezembro, ele teve de ser escoltado pela Polícia Federal de sua casa até o aeroporto e seu paredeiro não foi revelado pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

    Entretanto, a luta deste bispo catalão de 84 anos foi reconhecida nesta segunda-feira (17) pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, que lhe outorgou o 18º Prêmio Direitos Humanos. Porém, Dom Pedro não pôde ir à solenidade no Palácio do Itamaraty, em Brasília, receber a honraria.

    Danicley de Aguiar, da Campanha da Amazônia do Greenpeace, destaca o paradoxo dos acontecimentos já que o Estado brasileiro é incapaz de investigar e prender os que estão ameaçando Dom Pedro e Dom Erwin. Mas não são somente eles que estão correndo risco de vida. O que salta aos olhos são os dados da CPT (Comissão Pastoral da Terra), os quais apontam que entre 2010 e 2011 houve um aumento de 177% no número de pessoas sob ameaça, passando de 125 para 347.

    Deve-se pontuar que essa prática de remover os ameaçados já vem sendo contestada há muito pelos movimentos sociais brasileiros, pois se prende a vítima e os bandidos ficam soltos. “Quantos inquéritos foram abertos para apurar as ameaças sofridas pelos ativistas de direitos humanos no Brasil? Quantos foram concluídos? Estas são perguntas que colocam em xeque a estratégia de intervenção do governo nesse contexto de completo desrespeito ao estado democrático de direito”, observa Aguiar.

    Em respeito à luta de Dom Pedro Casaldáliga, o Greenpeace assina a Nota de Solidariedade ao bispo proposta pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e pela CPT (Comissão Pastoral da Terra). Nela, as entidades denunciam as mazelas do processo de desintrusão da Terra Indígena Marãiwatsèdè e mostram as contradições daqueles que mentem para tentar se eximir de responsabilidade no cenário de violência que se encontram os indígenas da região. Leia mais >

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  • Desmatamento e trabalho escravo

    Postado por Bernardo Camara - 20 - dez - 2012 às 10:49 4 comentários

    Em 2012, triplicou o número de casos de trabalho escravo no desmatamento. Foto: © Greenpeace/Daniel Beltra

     

    As chagas que chegam na esteira do desmatamento continuam bem abertas. Prova disso são os dados de trabalho escravo em 2012, que a Comissão Pastoral da Terra (CPT) acaba de divulgar. Segundo o relatório, este ano triplicou o número de pessoas escravizadas no desmatamento. Foram 345 trabalhadores descobertos, contra 109 do ano anterior.

    Não por acaso, a Amazônia é a região que concentra os maiores índices, respondendo por cerca de 62% dos casos registrados. Na região, quase dois mil trabalhadores foram encontrados em condições análogas à escravidão. Longe de ser coincidência, é ali a fronteira por onde os tratores mais avançaram nas últimas décadas.

    Dentre as atividades que mais fazem uso de mão de obra escrava, despontam na lista a produção de carvão vegetal e a pecuária – dois setores que insistem em atrelar sua produção à devastação das florestas.

    Se olharmos os números que vão de 2003 a 2012, o cenário é ainda mais perturbador: foram 3476 trabalhadores em condições análogas à escravidão praticando o desmatamento nesse período. No setor da pecuária - que geralmente chega após as derrubadas - foram quase 23 mil. E os índices podem ser ainda maiores, já que nem todos os casos são descobertos e registrados.

    É para dar um ponto final a esse processo degradante que o Greenpeace se uniu a milhares de brasileiros e a movimentos sociais, indígenas e ambientais para levar ao Congresso uma lei de iniciativa popular do desmatamento zero. O fim da destruição das nossas matas é um passo fundamental para uma mudança de mentalidade nos processos produtivos brasileiros.

    Assine, compartilhe e junte-se a nós nessa caminhada por um Brasil mais verde, limpo e justo.

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