Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Usinas do Madeira terão que refazer estudos

    Postado por Luana Lila - 13 - mar - 2014 às 16:50 1 comentário

    Usina hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira (© Greenpeace/Lunae Parracho)

     

    Uma liminar da Justiça Federal de Rondônia determinou que as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau e o Ibama refaçam os estudos sobre as barragens para verificar a influência das usinas nos impactos causados pela cheia que atinge o estado. A Justiça também determinou que os consórcios atendam as necessidades básicas das famílias atingidas, como moradia, alimentação, transporte, saúde e educação.

    Na quarta-feira, o rio Madeira atingiu 19,07 metros, 2,39 metros acima da cota de emergência. No mesmo dia, um mês depois que o rio Madeira atingiu a cota de emergência pela primeira vez, a presidente Dilma Rousseff anunciou apoio ao estado de Rondônia para prestar socorro aos atingidos.

    Mas não é só Rondônia que está sofrendo com a cheia dos rios. No total, cerca de 20 mil famílias tiveram que deixar suas casas em toda a região Norte. Na Bolívia a situação é ainda mais grave, com 60 mortes e 100 mil cabeças de gado perdidas. E o rio Xingu, onde está sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte, também tem mostrado sinais de elevação acima do esperado pelos moradores.

    “Eventos extremos como o que estão acontecendo no rio Madeira devem se tornar cada vez mais frequentes. Com as mudanças climáticas, os padrões de chuva podem ser imprevisíveis. Continuar apostando  num modelo de grandes hidrelétricas na Amazônia representa um grave risco”, disse Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

    Inviabilidade econômica de grandes  hidrelétricas

    Um artigo recente da Energy Policy, escrito por pesquisadores da Universidade de Oxford (Should we build more large dams? The actual costs of hydropower megaproject development) analisou 245 hidrelétricas construídas em 65 países entre 1934 e 2007 e afirmou que, na maioria dos casos, as grandes usinas hidrelétricas não são viáveis economicamente. Foi concluído que elas ultrapassam os orçamentos, afogam a economia dos países e não entregam os benefícios prometidos.

    O estudo apontou que as grandes hidrelétricas em geral sofreram aumento de custo de 96%, em média, e os atrasos foram 44% maiores do que o estimado. Além de fatores técnicos e econômicos, riscos relacionados à segurança das barragens, meio ambiente e sociedade afetam a viabilidade desses projetos.

    Mesmo assim, no Brasil, hidrelétricas voltaram a ser vistas como a principal alternativa para suprir a demanda energética da população. Segundo o Plano Decenal de Energia 2013-2022, a previsão é que a demanda por energia cresça 53% nos próximos dez anos no país. E o governo pretende atender metade dessa demanda com hidrelétricas.

    Mas, as usinas que estão sendo construídas por aqui são perfeitas para referendar o estudo dos pesquisadores de Oxford. Jirau é apenas um dos exemplos. Orçada em R$ 9 bilhões, seu custo total foi revisto no fim do ano passado para R$ 17, 4 bilhões, quase o dobro do previsto. Além disso, sofre com atraso de quase um ano. A hidrelétrica de Belo Monte segue o mesmo caminho: foi leiloada por R$ 19 bilhões e cerca de dois anos depois, em 2013, já ultrapassava os R$ 30 bilhões.

    As grandes hidrelétricas que saíram do papel recentemente no país, como o complexo do rio Madeira e Belo Monte, demonstraram dificuldade de diálogo do governo com as populações atingidas, diversos erros na condução dos projetos e a escalada do orçamento previsto. No rio Tapajós, no Pará, estão previstas sete grandes barragens.

    Segundo os autores do estudo, apesar de serem consideradas energias renováveis, as grandes hidrelétricas não são tão limpas quanto parecem. A enorme quantidade de concreto utilizada para a construção é responsável por uma pegada de carbono gigante. Além disso, as áreas de vegetação inundada nos reservatórios produzem gás metano, um poderoso causador do efeito estufa.

    O estudo conclui  ainda que grandes hidrelétricas consomem recursos que poderiam ser utilizados de forma mais eficiente. E sugere técnicas de gerenciamento de risco para auxiliar a seleção de alternativas energéticas. “Se tivéssemos seguido esse tipo de processo, teríamos optado por mais eólicas e usinas de biomassa ao invés de construir Belo Monte”, completou Baitelo.

    Denúncia na ONU

    No dia 10, entidades e lideranças sociais denunciaram o governo brasileiro no Conselho de Direitos Humanos da ONU por violações de direitos indígenas durante a construção de grandes hidrelétricas na Amazônia. Segundo a denúncia, o artigo 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que prevê a consulta aos povos indígenas, não está sendo aplicado pelo Brasil e isso está pondo em risco a sobrevivência da população indígena.

    Leia mais: Leia mais >

  • Violência pauta reunião com procurador-geral

    Postado por Nathália Clark - 12 - mar - 2014 às 17:11

    Procurador-geral da República, Rodrigo Janot se reúne com lideranças e representantes da sociedade civil para debater violência contra indígenas (Fotos: Instituto Socioambiental).

     

    Representantes do movimento indígena e de organizações parceiras estiveram nesta quarta-feira (12) na sede da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, para uma audiência com o procurador-geral, Rodrigo Janot. O encontro tratou das demandas indígenas e da representação contra os deputados federais Luiz Carlos Heinze (PP-RS) e Alceu Moreira (PMDB-RS), encaminhada ao Ministério Público no fim de fevereiro.

    Lideranças de vários povos estavam presentes para contar os abusos que vêm sofrendo em seus respectivos territórios e de como posições ignorantes, preconceituosas e violentas como as defendidas e proferidas em audiência pública pelos parlamentares ruralistas têm acarretado sérias consequências para a ponta mais fraca da cadeia, os índios.

    Astério Porto Ferreira, liderança Tupinambá do sul da Bahia, trouxe na pele o testemunho da barbárie que seu povo tem enfrentado dentro de sua própria terra. “Sofremos ameaça dos fazendeiros há muito tempo. Meu tio, meu avô e vários outros parentes foram mortos por pistolagem, em tentativas de tomarem nossas terras. Os deputados dizem publicamente que se a justiça não resolve o problema, que os fazendeiros devem resolver por conta própria, então eles se sentem no direito de nos matar”, afirmou.

    Aflito, ele contou ainda que, na última sexta-feira, 07 de março, pela manhã, um grupo de jagunços fortemente armados – dentre eles dois ex-policiais contratados para segurança privada de fazendeiros da região – invadiram a aldeia Encanto da Patioba, no município de Itapebi, e espalharam o terror e o medo pela comunidade. “Eram cerca de 18 homens, portando armas que eu nunca tinha visto. Nos atacaram, algemaram e espancaram”, disse Astério, mostrando as marcas de facadas e hematomas pelo corpo.

    Segundo o relato, três homens, duas mulheres e duas crianças foram rendidas, dois idosos e um casal foram espancados, animais domésticos e de criação foram mortos, pertences foram roubados e uma das mulheres foi ameaçada de estupro. Antes de irem embora, os pistoleiros ainda incendiaram as 28 casas de 48 famílias da aldeia. “Pedimos roupa emprestada dos outros para vir pra cá, doutor. E o que nós queremos é apenas que demarquem nossas terras. Sem isso, estamos à mercê das armas desses homens para sobreviver”, completou.

    Leia também:

    Também foi demandado ao procurador-geral da República posições sobre a PEC-215 e o PLP-227, além da Portaria 303 da AGU, que ferem direitos constitucionais dos povos tradicionais. Quanto a isso, Janot afirmou que esteve reunido recentemente com alguns deputados da bancada ruralista no Congresso e que lhe foi pedido um parecer sobre as duas primeiras propostas.

    “Num juízo prévio, pois ainda não analizamos a fundo, nós previmos uma série de inconstitucionalidades nos dois projetos. Encaminhamos isso a eles, que estão avaliando por lá. Portanto já existem duas notas técnicas nossas atestando inconstitucionalidades”, garantiu. Uma das notas citadas pelo procurador foi anexada ao mandado de segurança apresentado pela Frente Parlamentar de Defesa dos Direitos Indígenas contra a tramitação da PEC, no ano passado.

    Rosanne Kaingang, coordenadora da ARPINSUL (Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul), frisou que é necessário e urgente um posicionamento e uma atitude por parte do governo federal quanto aos atos de violência contínua e cerrada. “Cada novo ato administrativo que atenta contra os direitos indígenas, seja no Legislativo ou no Executivo, é mais uma arma que os ruralistas usam contra nós, e enquanto isso não vemos nenhuma punição. Passou da hora de começar a punir. Senão, só vai morrer índio”, defendeu.

    A representação, assinada por diversas organizações indígenas e da sociedade civil e protocolada na PGR, solicita que os deputados Luís Carlos Heinze e Alceu Moreira sejam investigados por crimes previstos no Código Penal, como incitação pública ao crime, apologia ao crime ou criminoso, formação de quadrilha ou bando e racismo ou injúria qualificada. Leia mais >

  • Mars e P&G: uma empresa atendeu aos consumidores, já a outra...

    Postado por Areeba Hamid* - 10 - mar - 2014 às 18:47 2 comentários

    Aqui estão duas maneiras distintas de responder consumidores preocupados com a destruição das florestas:

    Uma delas é adotar um compromisso claro, com metas e prazos ambiciosos para eliminar o desmatamento da cadeia de produção; a outra é manter o status quo e continuar fazendo negócios como sempre, não enfrentando o problema de frente.

    Hoje a Mars (produtora de ração para cachorro, chocolate, alimentos e bebidas) assumiu o compromisso de eliminar completamente o desmatamento de seus produtos até o fim de 2015.

    Com esta resposta, a empresa se coloca no primeiro grupo. Mas ainda existem as que insistem em ignorar o apelo dos consumidores e manter o foco no chamado greenwash – discurso desgastado, para vender práticas questionáveis como sustentáveis.

    As pessoas não querem comprar produtos  que causem desmatamento e extinção de animais. Mas a transformação de todo um segmento ou indústria só acontece quando toda essa gente consegue demandar uma postura diferente. A Mars agora faz parte de um grupo de empresas compromissadas a limpar suas cadeias de fornecedores. Entre elas estão Nestlé, Unilever, L’Oreal, Ferrero e outras. Confira a lista completa aqui.

    Este anúncio deveria também servir como mais um alerta para a Procter & Gamble.

    Desde que revelamos como a P&G compra óleo de palma proveniente de desmatamento nas florestas da Indonésia, os executivos da empresa não ofereceram solução alguma. Pior, eles insistem que são ‘comprometidos’ com práticas sustentáveis. E a cada nova empresa que assume compromisso público com uma política de fato compatível com a realidade atual, a situação e as políticas que a P&G chama de sustentáveis ficam cada vez mais constrangedoras.

    Como nossos ativistas mostraram hoje, este é o verdadeiro significado de sustentabilidade para a P&G:

    Ativistas do Greenpeace abrem banner dentro de área de subsidiária da empresa Musim Mas, fornecedora de óleo de palma da Procter & Gamble. (© Ulet Ifansasti / Greenpeace)

     

    Hoje pela manhã, ativistas abriram um banner gigante em uma plantação da Musim Mas – empresa fornecedora da P&G e envolvida em casos de crimes ambientais. Isso passa longe de sustentabilidade – pelo menos para o meio milhão de pessoas que exigem produtos livres de desmatamento nas prateleiras dos supermercados.

    Ativista do Greenpeace segura banner dentro de uma área de concessão de subsidiária da empresa Musim Mas, fornecedora de óleo de palma da Procter & Gamble, em área no Kalimantan Central. (© Ardiles Rante / Greenpeace)

     

    O que a P&G precisa fazer?

    P&G deve seguir o mesmo caminho das empresas (Nestlé, Unilever, Ferrero, L’Oreal e agora a Mars)  que assumiram um compromisso público para implementar uma política interna que elimine o desmatamento de suas cadeias produtivas.  Essas empresas reconheceram que apenas a certificação RSPO (Roundtable on Sustainable Palm Oil) não é suficiente para barrar a entrada de óleo de palma sujo em suas cadeias produtivas, e por isso foram além.

    Está na hora da P&G dar um passo a mais e parar de fazer seus consumidores cúmplices da destruição florestal e da extinção de animais raros e ameaçados como o tigre-de-sumatra. Diga para a P&G que você quer que produtos como o Head & Shoulders sejam livres de desmatamento.

    Areeba Hamid* é da campanha de florestas do Greenpeace Internacional. Leia mais >

  • Meio ambiente no menu dos presidenciáveis

    Postado por Nathália Clark - 10 - mar - 2014 às 17:55 1 comentário

    Parque Nacional das Serras do Tumucumaque, no Amapá, é a maior unidade de conservação do Brasil e o maior parque de floresta tropical do mundo (©Greenpeace/Rogério Reis/Tyba).

     

    A cerca de seis meses das eleições para Presidente, a sociedade civil brasileira tem participado de agendas oficiais com os pré-candidatos para garantir que a pauta socioambiental seja plenamente contemplada em suas campanhas eleitorais. Em dezembro, o encontro aconteceu durante um jantar com o senador mineiro Aécio Neves, do PSDB. Nesta segunda-feira (10) foi a vez do governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência, Eduardo Campos, e de sua provável vice, a ex-senadora Marina Silva, ambos filiados ao PSB.

    Em almoço na casa de Fábio Feldmann, ex-deputado federal e hoje consultor em sustentabilidade, estavam presentes Marina Silva, Eduardo Campos e cerca de 50 pessoas do movimento ambientalista e da área de sustentabilidade do setor privado. Fernando Rossetti, diretor-executivo do Greenpeace Brasil, esteve presente representando a organização.

    O objetivo dos encontros é promover o conhecimento mútuo e a aproximação dos candidatos com o setor ambientalista da sociedade civil. Em clima descontraído, os pré-candidatos apresentaram alguns dos eixos eleitorais a serem adotados na campanha, e mostraram os programas e agendas com as pautas que deverão enfrentar no embate das eleições.

    Os ambientalistas acreditam que reuniões como essa ajudam na construção de uma plataforma de diálogo de onde podem surgir propostas novas que tirem a questão ambiental da periferia das prioridades do governo.

    Desde já, o Greenpeace está trabalhando para cobrar dos candidatos uma posição eleitoral sobre temas relevantes para a sociedade, como o controle do desmatamento na Amazônia, que pode influenciar fortemente o regime de chuvas e as mudanças climáticas no país e no mundo; e mobilidade urbana, com mais transporte público acessível e de qualidade para toda a população.

    Outras questões indispensáveis, como a disputa pela demarcação de terras indígenas, a criação e implementação de unidades de conservação e o incentivo à adoção de fontes renováveis na matriz energética também farão parte das pautas de discussões.

    A presidente Dilma Rousseff até hoje não cumpriu sua promessa de campanha da última eleição de preservar as florestas do Brasil. Ela não só liberou o novo Código Florestal como queria a bancada ruralista, como também está leiloando as áreas protegidas do país. Como cidadãos civis e eleitores, todos os brasileiros devem exercer seu direito e dever de cobrar dos candidatos uma postura coerente, justa e sustentável, que respeite o meio ambiente como parte indissociável da nossa cultura e sociedade. Leia mais >

  • Cheia do Madeira: vídeo conta a história dos atingidos

    Postado por Luana Lila - 10 - mar - 2014 às 15:15 1 comentário

    Cheia na comunidade de São Carlos, distrito de Porto Velho (© Greenpeace/Lunaé Parracho)

     

    Como já foi publicado aqui no blog, no final de fevereiro, o Greenpeace esteve em Porto Velho, Rondônia, para documentar a cheia do rio Madeira, que já afetou mais de duas mil famílias na região. O nível do rio continua subindo – nesse domingo atingiu a marca histórica de 19,1 metros por volta das 8h30 da manhã.

    A equipe esteve nos bairros mais prejudicados, onde encontrou casas submersas e conversou com famílias que tentavam salvar seus pertences. Na comunidade de São Carlos, a cerca de 100 quilômetros de Porto Velho, os moradores acompanhavam com aflição o avanço da água, que subia dia após dia. Pouco depois da visita do Greenpeace, todas as 500 famílias da comunidade tiveram que deixar suas casas.

    Os moradores atingidos afirmam que as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau têm contribuído para o agravamento da cheia, causada pelas fortes chuvas nas cabeceiras dos afluentes do rio Madeira na Bolívia – onde 60 pessoas já morreram – e no Peru.

    Assista ao vídeo para conhecer a história das pessoas que estão tendo suas vidas mudadas pela cheia:

      

    Para Ministério Público, hidrelétricas agravam a cheia

    Entidades como o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Estado (MP/RO), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RO) e a Defensoria Pública da União estão processando as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau por terem ignorado o impacto das cheias.

    As instituições entraram com uma ação civil pública para que a Justiça Federal obrigue as hidrelétricas a atender imediatamente as necessidades básicas da população. A ação pede também que a Justiça condene o Ibama a suspender as licenças das usinas até que novos estudos sobre os impactos das barragens sejam feitos, além de uma compensação por dano moral coletivo estimada em R$ 100 milhões de reais.

    Antes da construção, uma consultoria contratada pelo Ministério Público de Rondônia, alertou que os impactos decorrentes das barragens poderiam ser maiores do que os que estavam sendo apontados por Furnas, que fez os estudos aceitos pelo Ibama. Mesmo assim, o processo de licenciamento prosseguiu.

    “O que está acontecendo agora em Rondônia demonstra que as usinas de Santo Antônio e Jirau foram construídas sem planejamento para lidar com eventos extremos como esse que atinge não só o Brasil, mas também a Bolívia. Para viabilizar a construção desses mega-projetos, o governo está ignorando os impactos socioambientais que podem ser causados pelas hidrelétricas na Amazônia”, disse Danicley de Aguiar, da Campanha Amazônia do Greenpeace.  Leia mais >

  • Meio milhão de motivos para a P&G proteger as florestas

    Postado por Germano Assad - 7 - mar - 2014 às 12:42 2 comentários

    Hoje é um marco na campanha pela proteção das florestas da Indonésia.

    Meio milhão de pessoas aderiram ao movimento pedindo pelo fim de desmatamento nas cadeias de abastecimento de grandes marcas globais – e este é só o começo!

    Nas duas últimas semanas, você foi parte de algo grande. Com tigres acrobatas nas alturas, petições pelas ruas e um vídeo de partir o coração, estamos desafiando a dona de Head & Shoulders, a Procter & Gamble, a excluir de suas linhas de produção o óleo de palma com origem em desmatamento e práticas predatórias na floresta.

    Ativistas do Greenpeace protestam no escritório central da P&G em Cincinnati, estado de Ohio, nos Estados Unidos. (© David Sorcher / Greenpeace)

     

    Ativista vestido de tigre explica a destruição de florestas causada pela produção predatória de óleo de palma na Indonésia aos pedestres em Estocolmo, na Suécia. (© Christian Aslund / Greenpeace)

     

    Ativista do Greenpeace protesta com imagem do shampoo Head & Shoulders, produzido pela P&G, enquanto explica a situação para funcionários da empresa na Alemanha. (©Bert Bostelmann / Greenpeace)

     

    Apesar disso tudo, a P&G está agindo como se não houvesse problema algum. Foram quase 250 mil e-mails enviados para o presidente da empresa, e fomos todos ignorados. Apesar de todas as evidências reunidas no relatório de investigação da cadeia de fornecedores (em inglês), a P&G insiste que atende requisitos de sustentabilidade ao comprar óleo de palma de produtoras controversas e reincidentes em crimes contra a floresta. 

    Algumas posições da P&G e o que pensamos sobre elas:

    P&G diz que tem um compromisso com óleo de palma sustentável. A Mesa Redonda do Óleo de Palma Sustentável (Roundtable for Sustainable Palm Oil – RSPO, em inglês), que sustenta a política da P&G, vem sendo questionada por anos pela fragilidade dos critérios adotados, que não são suficientes para garantir a exclusão do desmatamento das cadeias de fornecimento das empresas certificadas. Mais do que isso, todos os habitats naturais dos orangotangos devastados que nossa equipe de investigação encontrou tinham virado plantações administradas por membros certificados pela RSPO. Seria um sinal de que elas, assim como a P&G, são sustentáveis? Claro que não…

    P&G diz que se preocupa com a questão do desmatamento. Realmente? Quão sério você pode ser se os seus fornecedores já derrubaram milhares de hectares de floresta e você nunca se deu ao trabalho de perguntar de onde vem o óleo palma que compra? Se concorrentes como L’Oreal, Unilever e Nestlé podem ir além da RSPO e se comprometer com uma política de não-desmatamento, a P&G também pode.

    P&G diz que vai investigar os fornecedores que identificamos. Certo. Mas o que investigamos é apenas uma parte, e muito pequena, da destruição causada pelo óleo de palma. E apenas investigar estes casos específicos não vai livrar seus produtos do desmatamento. Para impedir que isso volte a acontecer, a P&G precisa de fato averiguar as denúncias e se comprometer publicamente com uma política rígida e progressista de combate ao desmatamento. 

    Nós não vamos desistir. Com a força de meio milhão de pessoas que se uniram ao movimento, estamos colocando um basta nessa situação: não nos tornem cúmplices da destruição das florestas pelos produtos que uso no meu dia a dia.

    É hora da P&G se tornar uma orgulhosa patrocinadora das florestas tropicais e se comprometer com o combate ao desmatamento. Junte-se a nós e seja parte dessa campanha.

    Livre-se das caspas promovendo o desmatamento?

    Equipe de voluntários arma as duas entradas no escritório da agência Saatchi and Saatchi’s em Londres. Eles criaram a campanha publicitária do Head & Shoulders, shampoo da linha de produtos Procter & Gamble. (© Jiri Rezac / Greenpeace)

     

    Já era hora de fazer uma escolha. E esta hora chegou para os colaboradores da Saatchi and Saatchi’s, agência responsável pelas campanhas publicitárias do Head & Shoulders.

    Hoje um time de voluntários do Greenpeace armou uma divisória na entrada do escritório da agência, em Londres. Funcionários que chegavam para trabalhar tinham que escolher se entravam pela porta “proteger as florestas” ou pela outra, com a inscrição “destruir as florestas”. O resultado foi tabulado pelo Greenpeace como uma pesquisa para descobrir a visão da agência sobre o problema.

    Do lado de fora do prédio onde fica o escritório da agência, desde as 8 horas da manhã, ativistas informavam os profissionais que trabalharam na campanha do Head & Shoulders sobre o segredo sujo da P&G, e pediram para que eles se posicionassem sobre a questão. 

    “Saatchi and Saatchi passou anos estudando e analisando como pensa o público. Eles sabem, ou vão acabar sabendo que os consumidores querem se livrar das caspas sem exterminar os tigres. Então, quem melhor que a agência para aconselhar a P&G a romper de vez seus laços com o desmatamento?”, questiona Richard George, da campanha de florestas do Greenpeace Inglaterra

    Nas duas horas em que a instalação ficou de pé, na entrada do escritório da agência, 211 funcionários passaram por ela. 163 pela porta da proteção das florestas e apenas 48 pela porta da destruição.

    “Pelo resultado de nossa pesquisa, com 163 dos 211 funcionários passando pela porta da proteção das florestas, parece que, definitivamente, eles não simpatizam com destruição ou desmatamento. Grande parte dos consumidores da P&G também não. Esperamos que a Saatchi’s consiga passar isto aos seus clientes”, concluiu. Leia mais >

  • Orangotangos órfãos e tigres voadores na P&G

    Postado por João Talocchi* - 4 - mar - 2014 às 17:21 9 comentários

    Hoje o dia começou como outro qualquer.

    Meu filho acordou 5 horas da manhã, tomei meu café lá pelas 7 horas, caminhei até o metrô e depois de 40 minutos estava no escritório.

    Mas este não era um dia qualquer.

    Este é o dia em que a Procter & Gamble (P&G), a dona de marcas como Head & Shoulders, vai ter que parar de ignorar o pedido de mais de 185 mil pessoas pelo mundo que estão exigindo apenas óleo de palma livre de desmatamento nos produtos da empresa.

    Como revelamos na semana passada, após um ano investigando a cadeia de fornecedores da companhia, a P&G precisa parar de fazer dos seus consumidores cúmplices deste escândalo ambiental que vêm destruindo as florestas tropicais da Indonésia.

    Assim que abri meu computador comecei a perceber que a P&G estava deletando comentários aqui e ali, nas principais redes sociais, postadas por clientes e adeptos da campanhas em suas páginas. Vamos ser claros: a P&G costumava ignorar pedidos dos consumidores, mas agora tenta esconder essas demandas do mundo!

    Foto da página de produto da P&G no Facebook com comentário e depois sem. Empresa está deletando as perguntas mais difíceis.

     

    Depois desta primeira surpresa, fiquei curioso para saber o que eles fariam com o lançamento do vídeo que mostra toda a hipocrisia de uma empresa que se diz apoiadora das mães e de uma maternidade saudável enquanto faz órfãos. Órfãos orangotango. Entenda vendo este vídeo (clique no ícone captions, no canto inferior direito da tela, para legendas em português):

     

    Se não fosse constrangedor o bastante, ao não se comprometer com uma política de não desmatamento a P&G está colocando em risco o futuro das próximas gerações, já que o desmatamento vem acelerando as mudanças climáticas.

    E ainda que vídeos, blogs e outras mídias sociais sejam uma ótima maneira de comunicar nossas demandas para a empresa, precisamos garantir que elas cheguem aos grandes decisores, executivos com poder para mudar as políticas da P&G e assegurar que sua cadeia de fornecimento esteja livre de desmatamento. 

    E é exatamente isto o que um grupo de ativistas está fazendo.

    Enquanto escrevo, ativistas escaladores estendem dois banners com mensagens pelas florestas no escritório central da P&G em Cincinnati, nos Estados Unidos. Um deles vai além, e vestido de tigre-de-sumatra, voa numa tirolesa que liga as duas torres do edifício.

    Agora vamos ver se eles conseguem apagar essas mensagens.

    Escalador vestido de tigre estende banner de tiroleza que liga duas torres do edifício sede da P&G em Cincinnati. (© Greenpeace / Tim Aubry)

    O resultado final disso tudo é simples. Ao invés de ignorar a demanda de milhares de pessoas e tentar esconder a situação, a P&G precisa enfrentar o problema de frente. E só vai fazer isso quando adotar e implementar uma política de combate ao desmatamento que vá além da certificação da Mesa Redonda pelo Óleo de Palma Sustentável (RSPO, na sigla em inglês), insuficiente para garantir o óleo livre de desmatamento.

    Se outras empresas como a Nestlé, Unilever, L’Oréal e Ferrero podem ir além da RSPO e se comprometer publicamente com políticas de não desmatamento, a P&G também pode.

    Venha você também fazer parte deste movimento que já reuniu milhares de colaboradores pelo mundo. Envie sua mensagem e diga para a P&G que não aceita produtos que promovam destruição de floresta.

    Assine a petição

    * João Talocchi é da campanha de florestas do Greenpeace EUA. Leia mais >

  • Usinas trocam acusações sobre cheia no Madeira

    Postado por Luana Lila - 28 - fev - 2014 às 16:40

    Moradores afetados pela cheia no bairro Triângulo, em Porto Velho (© Greenpeace/Lunaé Parracho)

    Enquanto o nível do rio Madeira não para de subir em Rondônia - na tarde dessa sexta-feira atingiu 18,6 metros - e milhares de famílias estão desabrigadas, representantes das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio estão trocando acusações a respeito das consequências da cheia histórica que atinge a região, cada uma culpando a outra por parte dos estragos provocados.

    Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a concessionária de Jirau, Energia Sustentável do Brasil (ESBR), atribuiu parte dos estragos na região à operação da Santo Antônio Energia (SAE), devido a elevação da cota do reservatório de Santo Antônio. Já a usina de Santo Antônio declarou que algumas estruturas provisórias de Jirau, como as ensecadeiras, não foram dimensionadas para uma cheia como a atual.

    As declarações dos representantes das usinas demonstram que elas foram construídas sem pensar  como enfrentar os eventos extremos e evidenciam a influência da construção das usinas no agravamento da cheia do rio Madeira. Como já vêm afirmando os moradores atingidos, a troca de acusações indicam que as usinas têm potencializado os danos da enchente provocada pelas chuvas nas cabeceiras dos rios que formam o Madeira.

    “As empresas e o governo brasileiro devem agir imediatamente para salvaguardar a população local que, historicamente, é a única que paga pelas decisões de Brasília. Estamos perseguindo um modelo energético que insiste em construir hidrelétricas na Amazônia, ignorando as fragilidades da região e os direitos das pessoas. Há opções sustentáveis e de implantação mais rápida como eólicas e parques solares”, disse Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

    Segundo a reportagem do Estadão, o diretor-presidente da concessionária de Jirau disse também que  o aumento da cota do reservatório de Santo Antônio representa aumento na área inundada. Na prática, isso mostra a fragilidade do processo de licenciamento das usinas, cujo projeto original foi alterado no meio do percurso. Além disso, tais projetos jamais poderiam ser aprovados sem pensar em  planos de contingência e mitigação  que considerem eventos extremos como as cheias que acontecem agora.

    “O rio está revoltado e as consequências nós estamos sentindo agora. E o pior é que ainda há uma insanidade de projetos como esse sendo defendidos por políticos. A gente vê Belo Monte, Tapajós, Teles Pires e tantas outras sendo pensadas como se a vida da população da Amazônia não valesse nada”, disse Iremar Antonio Ferreira, coordenador do Instituto Madeira Vivo.

    Leia mais: Leia mais >

  • Mais eólica e mais solar sem medo

    Postado por Marina Yamaoka - 28 - fev - 2014 às 16:35 1 comentário

    Parque eólico de Osório, Rio Grande do Sul (©Rogério Reis/Tyba/Greenpeace)

     

    Novo relatório da IEA (Agência Internacional de Energia) mostra que já é possível ter elevadas porcentagens de energia eólica e solar – contribuindo com até mais de 30% da produção de eletricidade de um país – sem problemas de segurança energética e sem custos elevados. Hoje, a participação destas fontes na matriz brasileira não chega a 1%,  no entanto, o cenário [R]evolução Energética prevê 40% para 2050.

    A energia eólica e a solar fotovoltaica são cruciais para atender as futuras demandas de energia sem ter que usar fontes sujas e poluentes como combustíveis fósseis. O uso dessas duas fontes renováveis cresceu amplamente nos últimos anos e a expectativa é a de que essa tendência continue por décadas.

    A novidade do estudo é que este desmistifica o medo em relação às elevadas participações de energias renováveis intermitentes, assim chamadas porque não geram energia o tempo todo uma vez que dependem de fatores como o sol e o vento.

    O relatório mostra que integrar os primeiros 5% a 10% de geração intermitente não coloca desafios técnicos e econômicos desde que existam três condições: não estarem geograficamente concentradas, possuir boa previsibilidade do funcionamento das fontes e estabilização do grid. Já para ir além de 30% de participação, é necessário alterar o sistema elétrico e quanto mais estável este é menos alterações serão necessárias.

    Em países como Brasil, Índia e China , a energia eólica e a solar podem ser soluções economicamente viáveis para incrementar o aumento de demanda por energia. A integração da atual rede de eletricidade com essas fontes intermitentes pode, e deve, ser uma prioridade. “As economias emergentes têm uma oportunidade diante delas. Elas podem dar um salto no século XXI e serem beneficiadas”, afirmou Maria van der Hoeven, diretora executiva da IEA. Leia mais >

  • ‘Tudo que não presta’ aciona Ministério Público

    Postado por Nathália Clark - 27 - fev - 2014 às 18:08

     

    Depois de serem chamados publicamente de "tudo que não presta", uma comitiva de quarenta indígenas Guarani, Guarani-Kaiowá e Terena, além de representantes quilombolas, protocolaram hoje, na sede da Procuradoria Geral da República (PGR), em Brasília, uma representação contra os deputados federais gaúchos Luiz Carlos Heinze (PP-RS) e Alceu Moreira (PMDB-RS). O documento, assinado por diversas organizações indígenas e da sociedade civil, solicita que os parlamentares sejam investigados por crimes previstos no Código Penal, como incitação pública ao crime, apologia ao crime ou criminoso, formação de quadrilha ou bando e racismo ou injúria qualificada.

    A ação foi baseada em declarações gravadas em dois vídeos, divulgados pelas redes sociais nas últimas semanas, em que os deputados proferem discursos que ferem a ética parlamentar, incitando os agricultores à violência e fazendo declarações preconceituosas.

    Segundo Lindomar Terena, liderança do Mato Grosso do Sul e coordenador nacional da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), autoridades constituídas não podem agir de modo preconceituoso contra indígenas e outras minorias do povo brasileiro.

    “No nosso entendimento, esta atitude viola nossos direitos. Ao invés de incitar a violência dos pequenos produtores contra os indígenas, estes deputados têm a obrigação de apresentar soluções para resolver os impasses. Eles devem exigir o cumprimento da lei, que determina a demarcação de todas as terras indígenas, e não tentar mudar a lei para o benefício próprio e de alguns poucos privilegiados. Isso nós não vamos permitir”, garantiu.

    Após ampla repercussão negativa de sua fala em vídeo gravado durante audiência pública com trabalhadores rurais em Vicente Dutra, o deputado Heinze afirmou que suas palavras foram “força de expressão”. Uma outra gravação, no entanto, feita durante o chamado Leilão da Resistência, realizado no dia 7 de dezembro em Campo Grande (MS), evidencia que sua fala não foi um deslize, como ele quis dar a entender, mas sim um discurso discriminatório premeditado e recorrente.

    Leia também:

    Assinam a representação as seguintes organizações indígenas: Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpinsul), Articulação dos Povos Indígenas do Pantanal (Arpipan), Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (Coiab), Conselho Aty Guassu Guarani Kaiowá e o Conselho do Povo Terena.

    Além delas, também assinam: o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), o Instituto Socioambiental (ISA), o Greenpeace e a Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas (Conaq).

    “Em um momento em que as tensões e conflitos no campo já estão exacerbados, discursos que incentivam ainda mais violência não contribuem para a solução do problema, gerando ainda mais caos e desinformação. Por trás de declarações como essas se escondem os interesses de grupos minoritários de poderosa influência política e econômica, que querem se apropriar da riqueza natural contida nas terras indígenas, que só existem porque são preservadas pelos índios. Todos que defendem a democracia e os direitos humanos fundamentais devem se posicionar a favor do direito territorial dos povos tradicionais, garantido pela Constituição Federal”, afirma Tica Minami, coordenadora da Campanha Amazônia do Greenpeace.

    Após serem recebidos na Procuradoria Geral, os indígenas se reuniram também com a coordenadora da 6a Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, Deborah Duprat, e se dirigiram à sede da Advocacia-Geral da União (AGU) para entregar um documento pedindo a revogação da Portaria 303 e realizar uma vigília em protesto contra a medida. Leia mais >

101 - 110 de 2692 resultados.