Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Votação decide o futuro da energia solar na casa dos brasileiros

    Postado por icrepald - 22 - set - 2015 às 16:25

    terça-feira, 22 de setembro de 2015

    © Greenpeace/Rodrigo Baleia

    A energia fotovoltaica seria uma das principais soluções para a crise energética enfrentada pelo Brasil se não fosse a falta de incentivo do governo para torná-la mais acessível à população. No entanto, nesta quarta-feira (23/9), essa realidade pode começar a mudar caso a maioria dos deputados da Comissão de Minas e Energia (CME) vote a favor de um Projeto de Lei de relatoria do Deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA).

    O PL 8322/2014 estabelece uma série de incentivos à energia solar fotovoltaica. Dentre eles, destacam-se a desoneração de diversos tributos incidentes sobre o sistema solar e a possibilidade de resgate do FGTS pelo cidadão para adquirir painéis solares.

    Tais medidas seriam capazes de reduzir em até 30% o valor do investimento inicial a ser feito pelo brasileiro que deseja gerar sua própria energia e, assim, escapar dos aumentos constantes da conta de luz.

    O primeiro passo para fazer o sol brilhar mais forte - no Congresso e na casa dos brasileiros - é a aprovação do substitutivo apresentado pelo deputado Jordy na sessão de amanhã. 

    Participe dessa decisão. Acompanhe a votação aqui, assine a petição por um Brasil solarizado e compartilhe nossos tuítes, que serão dirigidos nominalmente aos deputados capazes de ajudar a promover essa revolução solar. Leia mais >

  • Pela democratização das ciclovias em SP

    Postado por icrepald - 22 - set - 2015 às 11:26

    terça-feira, 22 de setembro de 2015

    No Dia Mundial Sem Carro, ação da #CicloviaNaPeriferia pede 100 km de vias exclusivas para bicicleta nas regiões periféricas da capital (Caio Paganotti)

     As ciclovias do centro expandido de São Paulo ainda não estão efetivamente ligadas à periferia, e essa ausência de conexões coloca vidas em risco, além de gerar exclusão social e econômica – afinal, se houvesse mais vias, os moradores da periferia poderiam pedalar de graça e em segurança pela capital.

    Como falta construir cerca de 100 km de ciclovias para o cumprimento da meta do prefeito Haddad (de 400 km), a #CicloviaNaPeriferia realizou uma ação de apelo na ponte da Rua Oscar Freire (sobre a avenida Sumaré), hoje pela manhã.

    A demanda é que os quilômetros restantes para o cumprimento da meta sejam feitos nas regiões periféricas da cidade, priorizando as vias de fundo de vale e as ligações com as áreas centrais, que possuem o maior número de empregos hoje.

    Haddad,  a periferia também quer pedalar até o centro de São Paulo. Por isso, as ciclovias também devem ser NA, DA e PARA a periferia.

    Confira o vídeo da atividade

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  • Vamos desamarrar São Paulo?

    Postado por icrepaldi - 21 - set - 2015 às 12:05

    segunda-feira, 21 de setembro de 2015

     

    Cidades com trânsito que flui, opções de transporte menos poluentes e pessoasmais saudáveis e felizes. Esse é o cenário promovido pela Semana da Mobilidade e pelo Dia Mundial Sem Carro, data em que pessoas do mundo inteiro deixam seus automóveis em casa e experimentam a cidade por outros meios de transporte.

    Com o objetivo de engajar a sociedade nessa campanha e apontar rumos saudáveispara a mobilidade nas megacidades, o Greenpeace se juntou a um coletivo depessoas e organizações e preparou algumas ações que convidam a população a desamarrar o trânsito e viver uma cidade melhor e mais divertida.

    Para quem quiser divulgar o evento nas redes sociais ou pelas ruas, criamos lambe-lambes e banners, além de um aplicativo que inclui um badge na imagem de perfildo Facebook. É só escolher o seu jeito preferido de se deslocar  sem ser o carro, claro  e compartilhar com a hashtag #desamarreacidade.

    Nesta terça-feira (22/9), vamos apoiar uma ação da #CicloviaNaPeriferia, realizada na avenida Doutor Arnaldo às 8h, pedindo ao prefeito a instalação de 100 km de ciclovias em regiões periféricas que ainda não estão efetivamentes ligadas ao centro expandido de São Paulo. Essa ausência de conexões causa mortes e gera exclusão social e econômica.

    Além disso, na quarta-feira (23/9), vamos participar de um bate-papo online promovido pelo Idec, às 17h, com o tema “Mobilidade & Megacidades: conflitos, disputas de espaço e direitos dos cidadãos”. Vem conversar com a gente!  

    Ah, e não esqueça: neste Dia Mundial Sem Carro, deixe o seu em casa. Redescubra e desamarre a sua cidade.  Leia mais >

  • Césio 137: uma lição para nunca esquecer

    Postado por Thiago Almeida* - 16 - set - 2015 às 10:34

    Ato promovido pelo Greenpeace em memória das vítimas do acidente radioativo com o césio-137 (© Lunaé Parracho / Greenpeace)

    Há 28 anos, o Brasil sofria o maior acidente radiológico da história. No dia 13 de setembro de 1987, catadores de ferro-velho da cidade de Goiânia, capital de Goiás, trabalhavam em um prédio desativado de uma clínica de radiologia quando acharam um objeto diferente, que causava curiosidade. Então os trabalhadores do local começaram a desmanchar o que seria um aparelho de radioterapia.

    A data é lembrada como o dia em que se perfurou a cápsula interna do aparelho, que continha césio-137, substância altamente radioativa.

    Vendida para um ferro-velho e desmontada a marretadas, a cápsula liberou e fragmentou o elemento no ambiente. O proprietário do ferro-velho, encantado com o brilho azulado emitido pelo césio-137, levou o material para casa, distribuindo-o entre familiares e amigos.

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    A partir desse dia, a substância foi se espalhando. Em seu caminho, o césio contaminou milhares de pessoas, inclusive as que trabalharam na descontaminação, além do ar e do solo da região. Hoje, quase três décadas após o acidente, as vítimas ainda sofrem com os efeitos da contaminação. Muitas precisam tomar medicamentos e fazer um acompanhamento constante de sua situação de saúde.

    O caso lançou um alerta no Brasil e no mundo sobre os impactos da liberação de materiais radioativos e, consequentemente, sobre os perigos da utilização de fontes de energia nuclear. Os problemas causados por uma pequena quantidade de substância com radioatividade expõem os riscos oferecidos pelos dejetos produzidos em grandes usinas.

    Ao invés de seguir com a construção da terceira usina nuclear brasileira, Angra 3, com valor estimado em 15 bilhões de reais, o Greenpeace defende direcionar esses recursos para as fontes de energia renovável, como solar e eólica. As graves consequências do contato de material radioativo com seres humanos são claras e inquestionáveis: Chernobyl, Fukushima e Goiânia sabem disso.

    * Thiago Almeida é da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Leia mais >

  • Prefeitura incentiva o carro elétrico – mas cadê os ônibus não poluentes?

    Postado por Vitor Leal Pinheiro - 14 - set - 2015 às 19:00

    segunda-feira, 14 de setembro de 2015

    Hoje o prefeito Fernando Haddad assinou um decreto liberando veículos híbridos e elétricos do rodízio, complementando uma política da prefeitura que também inclui a isenção de 50% no IPVA para esses veículos. Se por um lado essa atitude pode estimular a adoção de tecnologias menos poluentes, por outro, não ajuda a resolver o desafio da mobilidade na maior cidade do Brasil. Garantir uma mobilidade justa e sustentável significa priorizar o transporte público acessível, de qualidade, e combustíveis limpos, bem como formas de deslocamentos não motorizadas, como bicicleta e caminhada. Do contrário, o que teremos serão enormes congestionamentos verdes.

    Segundo o prefeito, a ideia é estimular a produção do carro elétrico com essa política, incentivando a compra de veículos menos poluentes. Se a ideia é reduzir emissões e a poluição da cidade, esse é um passo na direção certa. No entanto, a cidade possui uma Lei Municipal de Mudanças Climáticas (14.933/09) que obriga a adoção de combustíveis renováveis em 100% da frota de ônibus até 2018, e a prefeitura já admitiu que a meta não será cumprida. Pior: o edital de licitação de ônibus da capital, que vai definir como será o transporte coletivo da cidade pelos próximos 20 anos, não garante mudanças efetivas nas duas décadas de vigência da concessão.

    Durante o período de consulta pública, encerrado no dia 31 de agosto, diversas organizações, entre elas o Greenpeace, manifestaram sua preocupação com o fato de o texto do edital não possuir mecanismos para o cumprimento da Lei de Mudanças Climáticas, dada a ausência de remuneração para combustíveis não-fósseis e também a falta de um cronograma de implantação de novas tecnologias menos poluentes.

    Já que existe interesse e vontade política do poder público em beneficiar essas tecnologias, esperamos que a prefeitura ouça a vontade da sociedade e inclua, no texto final do edital de licitação, o fomento à adoção desses combustíveis na frota de ônibus, para chegarmos a 2018 como pede a Lei 14.933/09: com energia 100% renovável. Afinal, apesar de a prefeitura ter pouca influência sobre os carros comprados pela população, ela pode definir como serão os cerca de 14 mil ônibus da capital pelas próximas décadas.

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  • “Eles ganham com a morte do nosso povo”

    Postado por Alan Azevedo - 14 - set - 2015 às 14:25 1 comentário

    Lindomar Terena, de 40 anos, é uma das lideranças indígenas mais respeitadas do Brasil (© Fábio Nascimento / MNI)

    Mais um índio jaz no chão. Simião Vilhalva Guarani, liderança indígena do povo Guarani Kaiowá, foi brutalmente assassinado com um tiro no rosto dia 27 de agosto, enquanto procurava por seu filho num córrego da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, no município de Antônio João, Mato Grosso do Sul.

    “A situação é praticamente de guerra”, explica Lindomar Terena, que está na linha de frente dos conflitos entre índios e fazendeiros no Mato Grosso do Sul, estado onde foram assassinados 41 indígenas só no ano passado – o que representa 30% do total de ocorrências no Brasil. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), de 2003 a 2010, o total de índios assassinados na região foi de 250 frente a 202 casos no resto do Brasil.

    Um dos principais líderes do povo Terena e representante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Lindomar foi incluído no Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos após receber várias ameaças de pistoleiros. Ele destaca a judicialização de conflitos como um dos principais fatores que “eternizam” a questão. Lindomar também aponta que o atendimento por parte do Estado aos indígenas não existe. “Quanto mais os fazendeiros matam lideranças indígenas, mais bilhões de reais são destinados ao seu Plano Safra”.

    Leia a seguir a entrevista com Lindomar Terena, que fala sobre os conflitos no Mato Grosso do Sul e como sua judicialização eterniza os processos de demarcação de terras, além de comentar sobre a aprovação da PEC 71 pelo Senado e da participação de parlamentares no ataque aos Guarani Kaiowá.

    Greenpeace - O estado do Mato Grosso do Sul tem um longo histórico de conflito com os povos indígenas: são mais de 40 anos marcados pela violência. Você pode contar um pouco, a partir da sua experiência, como se construiu essa relação entre os fazendeiros e indígenas a ponto de chegar na situação que presenciamos hoje?

    Lindomar Terena - Primeiro que o conflito que vemos no Mato Grosso do Sul hoje é um caso emblemático, que desafia os governantes a apontar soluções para resolver a questão. É o estado campeão de violência contra os povos indígenas, que mais assassina nossas lideranças – só no ano passado foram 41 ocorrências. E a cada ano esse número tem crescido. Isso tudo fruto de uma falta de vontade política do estado brasileiro em sanar essa grande dívida que o País tem com os povos indígenas do Brasil e especificamente do Mato Grosso do Sul.

    No Mato Grosso do Sul é uma situação praticamente de guerra. Só não digo que é guerra mesmo porque um dos lados, a comunidade indígena, não está armada. Mas essa relação mudou muito com o tempo. Há 10, 15, 20 anos atrás nós tínhamos um espaço. Os povos indígenas do Mato Grosso do Sul vivem em pequenos espaços reservados pela antiga SPI (Secretária de Proteção ao Índio). São glebas de 2 até 3 mil hectares. Para você ter uma ideia, em 1910, a terra onde eu moro, a TI Cachoeirinha, era uma área reservada de 2,6 mil hectares para uma população de 200 indígenas. O problema é que hoje a área continua a mesma mas a população é de 7 mil. O mesmo acontece com os Guarani Kaiowá, o que faz com que esse povo vá em busca de seus direitos conquistados na Constituição, porque não existe outra alternativa para eles.

    A Terra Indígena (TI) Ñande Ru Marangatu, dos Guarani Kaiowá, que foi atacada no sábado dia 27 de agosto resultando na morte da liderança Simião Vilhalva, está com a demarcação travada no STF desde 2005, ou seja, há dez anos. Existem outras TI na mesma situação? O que essa judicialização dos conflitos implica para os povos indígenas?

    A Terra Indígena Ñande Ru Marangatu teve sua homologação suspensa há 10 anos pelo ministro Gilmar Mendes, e esse processo paralizou, nunca foi a votação, sempre enrolando. Dos 9,5 mil hectares que era a Ñande Ru Marangatu, os Guarani Kaiowá conseguiram apenas 150 hectares. Hoje a espera passa de 10 anos, e não restou outra alternativa para eles do que entrar em suas áreas de direito, mesmo que isso acabe com morte.

    Além da Ñande Ru Marangatu, tem a TI Kadiwéu, também no Mato Grosso do Sul, a TI Porquinhos, no Maranhão, e a TI Limão Verde, que é terra Terena. Todos esses são territórios que ficaram travados e eternizados no Poder Judiciário. Vou te dar um exemplo claro: a TI Kadiwéu é uma terra homologada, mas seu processo ficou no Supremo Tribunal Federal (STF) por 30 anos. E aí o ministro do STF olha o processo e decide que o caso deve ser julgado na primeira instância, e agora está correndo na primeira instância. Veja bem, um juíz levou 30 anos para decidir em qual instância se julgaria o caso. É uma estratégia para dizer que há conflito federativo, o que envolve o estado, por isso vem parar no STF. Essa é a estratégia dos ruralistas: travar as homologações já feitas e judicializando as que estão em processo de identificação e delimitação. Hoje, se a Funai publica um Grupo de Trabalho para identificar e delimitar uma terra, imediatamente o agronegócio entra na Justiça para judicializar e paralizar o processo.

    Como você avalia a atuação do poder público hoje na região do Mato Grosso do Sul em relação aos conflitos fundiários? Existe algum tipo de proteção ou auxílio? E especificamente sobre a Fundação Nacional do Índio (Funai)?

    O atendimento por parte do Estado não existe, ele é morto. Nós temos no Mato Grosso do Sul uma Superintendência de Assuntos Indígenas do estado, mas que foi criada com o objetivo de desarticular o movimento indígena. O articulador político da Superintendência, por sinal, é ex-presidente da FAMASUL (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso).

    A Polícia do Estado não nos atende. A morte que teve no município de Antônio João, do Simião VIlhalva, a polícia estava no meio. Eu não estava lá, mas temos provas. Na nossa região, quando acontece isso a Polícia Militar está no meio, a Polícia Rodoviária Estadual também… Estamos querendo denunciar que o Exército foi para lá e montou sua base no portão do fazendeiro. Cabe uma denúncia, porque o que é que o Éxercito está fazendo lá? Eles foram para proteger os produtores rurais, e não para manter a ordem.

    Vemos também portarias e decretos dos poderes Executivo e Judiciário praticamente lavando as mãos. O Executivo fica mandando recadinho pro Judiciário, e o Judiciário fica mandando recadinho para o Executivo… ninguém assume a responsabilidade. Tem a Advocacia Geral da União (AGU), que tem o papel constitucional de fazer a defesa dos territórios da União, mas não vemos ela fazendo isso. O que vemos é a AGU prestando consultoria e assessoria para a bancada ruralista e o agronegócio de como se cria instrumentos para inviabilizar a demarcação de terras indígenas no país. Nunca se viu a AGU, mesmo durante a ditadura militar, prestando serviço ao agronegócio.

    Sobre a Funai, os funcionários que estão lá são pessoas boas, parceiros, mas é uma Funai fraca. Não há orçamento para fazer nada e acaba sendo um prédio morto lá. Ela perdeu a força que tinha no passado. Hoje a Funai não consegue exercer nenhuma autoridade, não é capaz de ser um braço do Ministério da Justiça a ponto de invadirem seu prédio e ameaçarem os funcionários.

    A exemplo dos Guarani Kaiowá, que estão sendo intimados fora de seus territórios e mau vistos na cidade, presenciamos uma situação semelhante no norte do Brasil com o povo Ka’apor. Você acredita que a disputa que presenciamos hoje no Mato Grosso do Sul é uma disputa nacional? Por que?

    Eu acho que a luta dos povos indígenas do Mato Grosso do Sul norteia a resistência em nível nacional. No nosso caso, a luta é pela vida mesmo. Então acho que essa situação dos indígenas serem intimados quando vão à cidade, isso é verdade, eu falo porque a gente vive isso. Então não é fácil. A própria imprensa da região divulga que as demarcações indígenas inviabilizarão o crescimento econômico do Estado, e a gente não pode responder porque não vão nem publicar.

    A presidente Dilma disse mês passado que a ‘pátria do agronegócio’ encontrou a ‘pátria educadora’, pois o agronegócio é o setor que, segundo ela, consegue associar a qualidade das terras do País com capacitação humana em ciência, tecnologia e inovação. Por outro lado, essa tal ‘pátria do agronegócio’ financiou a região do Mato Grosso do Sul e por consequência os conflitos…

    Acontece que eu não sei se o governo brasileiro fez uma opção ou se já era por dentro capacho do agronegócio. Não dá para nós, enquanto indígenas, aceitarmos essa fala da presidente, porque sempre esperamos outra coisa desse governo. Não só os indígenas, mas os povos humildes do Brasil esperavam que pudesse transparecer no governo Dilma o seu passado. Mas foi o contrário: é no governo Dilma que o agronegócio mais ditou regra no País, e é uma regra fadada ao fracasso porque hoje vivemos em crise e o que o governo mais fez foi emprestar bilhões de reais ao agronegócio, além de ser capaz de perdoar a dívida desses produtores.

    Queria saber se você pode contar sobre o Conselho Terena e sua função. Os integrantes do Conselho não temem virar alvo de pistoleiros?

    O Conselho Terena surgiu em 2012 exatamente da necessidade de uma organização nossa, no Mato Grosso do Sul, e da necessidade de reunir e unir o nosso povo. E tem dado certo. Já foram mais de sete assembleias, que ajudaram o nosso povo a avançar na recuperação dos nossos territórios. O Conselho Terena é uma organização que não tem coordenador geral, não tem presidente – está em processo de formação. Nós vamos em diferentes Terras Indígenas, pegamos uma representação entre os caciques dessa terra para compor o Conselho e falar em nome dele. Cada cacique traz uma pessoa de confiança, que pode dar conselhos jurídicos ou pode ser uma pessoa ligada à educação, para expandir nossa atuação.

    Temos medo de virar alvo sim, porque recentemente a própria Superintendência de Assuntos Indígenas do Mato Grosso do Sul publicou uma carta com os nossos nomes, dos que compõem o Conselho. Quer dizer, estão entregando a gente.

    Os deputados federais Luiz Henrique Mandetta (DEM/MS) e Tereza Cristina (PSB/MS), além do senador Waldemir Moka (PMDB/MS), estiveram presentes na reunião que incentivou produtores rurais a organizarem o ataque na comunidade indígena Guarani Kaiowá. Como você avalia a presença de parlamentares nesse episódio?

    Isso é péssimo, algo que não se espera. A sociedade não espera isso de um parlamentar, que foi eleito para apontar soluções e criar leis com o objetivo de resolver conflitos. Eles não foram eleitos para trabalhar no mundo da pistolagem. Sabemos que os fazendeiros só tiveram força e animação para atacar porque estavam lá deputado federal, senador… isso legitima o ataque. Eles sabiam que tinha pessoas da lei do lado deles, e que portanto os fazendeiros não seriam penalizados. Então vemos com muita tristeza, porque a partir do momento que esses parlamentares soltam notas e comentam sobre o assunto sem qualquer remorso ou dor, percebemos que eles vêem essa morte [do Simião Vilhalva] como uma morte qualquer, ou seja, se amanhã for mais um e depois de amanhã outro, tanto faz para eles. Isso para nós é perder a capacidade de se ver como ser humano. Na verdade são animais.

    A PEC 71 foi recentemente aprovada no Senado e agora vai para apreciação da Câmara. O texto prevê indenizar proprietários com terras incidentes em áreas indígenas, mas é fato que o montante para indenizar os fazendeiros que estão em TIs é enorme e dificilmente o governo conseguirá pagar em curto prazo. O que isso significa para os povos indígenas, na prática?

    Olha, os fazendeiros sempre alegam que se pagar pelas terras eles saem. E a gente sabe que não é isso, que não é assim. No Mato Grosso do Sul tem um exemplo disso, que é a TI Buriti. O governo acertou tudo para pagar e na hora os produtores recuaram, ou seja, o agronegócio não quer receber. Eles ganham com a morte do nosso povo. Infelizmente parece que no Mato Grosso do Sul, quanto mais eles matam liderança indígena, mais bilhões de reais são destinados aos seus Planos Safras. Essa PEC 71 é um instrumento para reafirmar essa fala deles, mas sabemos que o que os ruralistas querem é protelar, protelar e protelar.

    Você veio a Brasília para uma reunião sobre mudanças climáticas. Hoje diversos estudos comprovam a eficácia das terras indígenas no combate ao desmatamento, resultando em menos emissões de gases de efeito estufa. Você acha que esse argumento pode ser usado para avançar no processo de demarcação de terras?

    Acho que essa discussão sobre mudanças climáticas não está no centro do poder brasileiro. Não sei até que ponto favorece porque o próprio governo brasileiro não tem apresentado o que os povos indígenas e outras organizações vem discutindo sobre mudanças climáticas. O Brasil acaba seguindo um pouco a linha do mundo afora e deixa de discutir de fato o País. Nos encaminhamos agora para a COP 21 e o governo brasileiro sequer trouxe para debate o que vai ser apresentado. É algo que está sendo feito em gabinete, sem participação do público. Então acho que para os povos indígenas é importante a discussão, mas não sei até que ponto contribuiria para a efetivação das demarcações das terras indígenas, porque não é a linguagem que o governo está falando. Pelo contrário, ele está falando em como mercantilizar as terras tradicionais, que é a Agenda Brasil.

    Como você, representante dos povos indígenas, recebeu a notícia sobre a Agenda Brasil?

    Eu te disse que o agronegócio tem comandado o Brasil, e uma prova disso foi essa agenda. Para sair da crise, causada por eles, teria que mercantilizar as terras indígenas no Brasil.

    Sobre as retomadas, você acredita que elas são um último recurso depois de tanta espera por ações do poder público?

    As retomadas são um recurso legítimo. Todas as terras indígenas que temos no País hoje jamais teriam sido demarcadas sem que houvessem retomadas. A retomada é o último instrumento nosso, em que a gente pode de fato ver a recuperação do território. Nós, do Mato Grosso do Sul, estamos decididos que não voltamos atrás, mesmo que para isso tenhamos que passar por alguma situação. Nós vamos dar sequência as nossas ações de retomada. Leia mais >

  • Quer gerar a sua própria energia solar?

    Postado por joliveir - 11 - set - 2015 às 18:05 2 comentários

    Greenpeace abre edital para instalar painéis fotovoltaicos no telhado de uma instituição beneficente no Brasil

    Painéis fotovoltaicos no condomínio Minha Casa Minha Vida, em Juazeiro/BA. (©Carol Quintanilha / Greenpeace)

     

    Se dependesse dos jogadores Solariza, os telhados brasileiros já produziriam energia suficiente para substituir a produção de duas usinas termelétricas e uma nuclear no Brasil. Em menos de 15 dias de jogo, os usuários já solarizaram o equivalente a mais de meio milhão de casas e prédios. Para comemorar o alcance desta meta e estimular as pessoas a seguir solarizando o País, o  Greenpeace irá presentear uma instituição beneficente com a instalação de um sistema fotovoltaico de aproximadamente 2kWp.

    As organizações interessadas em gerar sua própria energia, limpa e barata, podem se inscrever até o dia 31 de outubro de 2015, de acordo com as orientações do edital.

    Cinco dessas entidades serão selecionadas por uma equipe técnica, levando em conta critérios divulgados no mesmo documento. E três delas serão escolhidas e apresentadas no site e nas redes sociais do Greenpeace até o dia 20 de novembro de 2015, para votação popular on-line. A organização que tiver mais votos até o dia 7 de dezembro de 2015 será anunciada dois dias depois como ganhadora.

    O Solariza também vai presentear o melhor jogador com um sistema fotovoltaico em sua própria casa, como forma de reconhecimento por ter colaborado para mapear o potencial solar do Brasil.

    Talvez, dessa forma, o governo federal e os parlamentares percebam que a revolução energética pode se tornar realidade – só precisa ser apoiada por eles. Leia mais >

  • quinta-feira, 27 de agosto de 2015

    Ontem, em parceria com Ape, Cidadeapé, Rede Nossa Sao Paulo, Idec, Rede Butantã e Ciclocidade, realizamos uma ação para conversar com a população de São Paulo sobre a licitação do sistema de ônibus da cidade. 

    Foram projetados slides nos prédios entre a avenida Paulista e rua da Consoloção, com informações sobre a importância da ação para o futuro da cidade. Além disso, especialistas em mobilidade urbana conversaram com as pessoas que paravam para assistir às projeções e responder as enquetes.

    Um dos pontos questionados no edital é que a licitação não garante o cumprimento do Plano Municipal de Mudanças Climáticas, segundo o qual, até 2018, 100% da frota de ônibus deve rodar com combustíveis renováveis ou com motor elétrico.

    Além disso, nada nos documentos leva em conta a intermodalidade por bicicleta, para que as pessoas possam levar suas bicicletas nos ônibus ou deixá-las em um bicicletário seguro nos terminais. Como o Plano de Mobilidade da cidade tem metas de crescimento do uso da bicicleta que devem chegar a 15 ou 20% dos deslocamentos em 15 anos, isso é fundamental para o bem-estar das pessoas e para o clima.

     Iremos protocolar nosso posicionamento até o dia 31 de agosto, último dia da consulta pública, e também iremos transformar todas as demandas que coletamos da população em um documento a ser entregue à Secretaria de Transportes.

     A semana está acabando e restam poucos dias a sociedade se manifestar antes que o prazo se esgote. Você está por dentro desse processo? Todas as informações estão no Facebook da coalização. Entrá lá para dar suas sugestões: http://bit.ly/busaodossonhos

      Leia mais >

  • Busão dos sonhos

    Postado por icrepald - 26 - ago - 2015 às 14:42

    quarta-feira, 26 de agosto de 2015

    Queremos que você participe da licitação que vai mudar o transporte da sua cidade nos próximos 20 anos. Por isso, estaremos na Praça do Ciclista (entre a avenida Paulista e rua da Consolação) hoje, a partir das 18h, para tirar dúvidas e dar voz ativa à população.

    Promovida em parceria com organizações como Cidadeapé, Idec, Greenpeace, Ape - estudos em mobilidade e Rede Butantã, a ação terá projeção, banner interativo com enquete e especialistas em mobilidade urbana, para falar sobre problemas e soluções para o transporte público de São Paulo

    Com valor estimado em R$ 140 bilhões, esta é a maior licitação de transportes da América Latina, e seu prazo de consulta pública termina no dia 31 de agosto. Fique por dentro dos detalhes escondidos nas 5 mil páginas de seus editais. Vem pensar na São Paulo dos seus sonhos com a gente! 

    Saiba mais sobre as mobilizações organizadas por essa coalização pelo Facebook (http://bit.ly/busaodossonhos) e opine sobre a construção da sua cidade.  Leia mais >

  • terça-feira, 25 de agosto de 2015 Participe da mobilização amanhã na avenida Paulista e nos ajude a pensar na sua #SPdosSonhos

    Diversas organizações e coletivos realizam amanhã (26/08), uma atividade com projeções na Avenida Paulista para sensibilizar a população sobre a importância da licitação de ônibus de São Paulo, que está em consulta pública até o dia 31 de agosto.

    Entre os grupos presentes, Ape - estudos em mobilidade, Cidadeapé, Idec, Greenpeace e Rede Butantã estarão disponíveis para entrevistas sobre esta que é a maior licitação de transportes da América Latina.

    Os editais de licitação foram publicados pela Prefeitura no dia 09 de julho e se referem a três grandes blocos do sistema de transporte: articulação, distribuição e estrutural. Estima-se que o conjunto de editais seja responsável pelo deslocamento de 10 milhões de passageiros por dia em quase 13 mil ônibus. A licitação, estimada em R$ 140 bilhões, estava prevista para acontecer em 2013, mas foi adiada após as manifestações de junho daquele ano, referentes justamente ao aumento das tarifas de transporte.

    O período de consulta pública se encerrava no dia 10 de agosto, mas foi estendido após pedido de diversas organizações da sociedade civil. A coalizão também iniciou uma mobilização pelo Facebook (http://bit.ly/busaodossonhos), para coletar sugestões da população sobre o sistema de ônibus da cidade.

    Junte-se a nós a partir das 17h30 na Praça do Ciclista (entre a avenida Paulista e rua da Consolação) e nos ajude a pensar em uma São Paulo feita para pessoas!  Leia mais >

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