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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Quem são os cientistas a bordo do Esperanza para ver os corais da Amazônia

    Postado por Thaís Herrero - 9 - fev - 2017 às 12:00

    Seis cientistas embarcaram com o Greenpeace para nos orientar nesta expedição e ver conosco as primeiras imagens dos recifes de corais na região da foz do rio Amazonas. Conheça um pouco cada um deles

     

    Fabiano Thompson (esq), da UFRJ, se prepara para descer com o piloto Kenneth Jozeph Lowick ©Marizilda Cruppe /Greenpeace

     

    Fabiano Thompson – oceanógrafo, doutor em Bioquímica pela Universidade de Ghent, na Bélgica, e professor do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

    Quando Fabiano Thompson era adolescente, seu pai queria que ele se tornasse um profissional liberal. Talvez advogado. Mas assim que soube que existia um curso de oceanologia em uma universidade, Fabiano descobriu que era isso que queria para ele, já que sempre se interessou pelo mar e seus mistérios. Foi a escolha certa. Tanto que ele é um dos principais responsáveis pelos estudos e expedições que desvendaram finalmente os recifes de corais da Amazônia, entre 2011 e 2016.

    Fabiano é o elo entre os cientistas que estão na expedição do Greenpeace. Quando estudava na universidade, conheceu Nils Asp e Eduardo Siegle. Anos depois, conheceu Ronaldo Francini e foi orientador de Juline Walter e Ana Carolina Soares.

    Eduardo Siegle – oceanógrafo, doutor em Ciência Marinha pela Universidade de Plymouth, no Reino Unido, e professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo.

    Desde criança, por frequentar praias, o mar atraía Eduardo, que queria saber mais sobre aquela imensidão azul. “Na adolescência, comecei a ler sobre oceanos e essa curiosidade foi ficando mais aguçada, até descobrir que havia faculdades de oceanografia”, conta. Hoje, sua especialidade são as correntes marinhas. Por isso, quando ele fez o mergulho de submarino, viu muitos bancos de areia no fundo do mar e achou aquilo ótimo. “A forma como a areia se dispõem mostra como as correntes se dão. É super importante para minha linha de estudo”.

    Estar na expedição do Greenpeace, para ele, é uma experiência única. “Mostrar os recifes de corais da Amazônia para o mundo é importante para que eles recebam a importância que merecem”, afirma.

    Ronaldo Francini Filho, biólogo, doutor em Ciências Biológicas pela USP e professor da Universidade Federal da Paraíba.

    O interesse pela Biologia está no sangue da família Francini. O pai de Ronaldo estuda borboletas e formigas. Sua mãe, a genética de abelhas, e o irmão mais velho é biólogo e fotógrafo de natureza. Não demorou muito para que Ronaldo fizesse sua primeira expedição científica: aos 4 anos de idade, junto ao pai, pela Mata Atlântica e pela Amazônia.

    Aos 20 anos, quando já estudava Biologia, acompanhou o pai em mais uma viagem, na qual ele coletaria formigas urtigas. “Aquela foi a primeira vez que vi uma equipe trabalhando com mergulho autônomo no mar, fazendo pesquisa marinha. Me senti extremamente atraído por aquilo e, desde então, não parei mais de estudar os oceanos”, conta. “Minha primeira motivação para fazer parte da expedição do Greenpeace foi a aventura e o espírito de explorador. Acho que grande parte da tripulação do Esperanza deve ter esse sentimento”.

    Nils Asp, oceanógrafo, doutor em Geologia Costeira pela Universidade de Kiel, na Alemanha, e professor da Universidade Federal do Pará

    Durante sua infância, Nils Asp gostava de voltar da escola e assistir aos programas de Jacques Costeau. O famoso explorador dos oceanos aguçou seu interesse pelos mistérios do oceano. Hoje, ele dá aulas e estuda Geologia Marinha e está na expedição do Greenpeace ajudando, principalmente, a mapear os recifes e onde estão os melhores pontos para mergulharmos. Nils tem passado muitas horas olhando mapas e usando o GPS para que nossa viagem com o Esperanza seja a mais produtiva possível. A partir dessa observação, ele avalia a topografia e as características dos recifes.

    Juline Walter, bióloga e pós-doutoranda da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    Juline Walter estuda partes invisíveis dos recifes de corais da Amazônia. Ela é especialista em comunidades microbianas, analisando que tipo de microrganismo vive nas esponjas recém-descobertas na região da foz do Rio Amazonas. “Os microrganismos são um importante indicativo sobre a saúde dos recifes. Há muitos deles no mundo em risco por conta das mudanças climáticas, em função da acidificação dos oceanos. Comunidades microbianas são uma peça chave para entender como as mudanças estão afetando essas estruturas”, explica.

    Sobre a experiência da expedição, ela se diz “extasiada”. “O que estamos fazendo aqui é expandir os horizontes do conhecimento e quebrar os paradigmas do que a gente sabia até pouco tempo atrás”.

    Ana Carolina Soares, bióloga e mestre em Genética pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    Ana Carolina é de Bento Ribeiro (RJ) e está prestes a se mudar para São Paulo para começar seu doutorado. Seus objetos de estudo também são microscópicos, porém fundamental para o ecossistema marinho. Ela estuda a diversidade de comunidades microbianas associadas a sistemas recifais. Ou seja: bactérias, vírus e fungos que vivem associados a esponjas, corais, rodolitos e até peixes.

    Ela esteve na expedição de 2014, que confirmou a existência dos recifes de corais na foz do Rio Amazonas, quando foram coletadas amostras das espécies que vivem ali. “Estar no Esperanza e poder ver os recifes no fundo do mar é totalmente diferente. É uma oportunidade incrível para nosso estudo. Estou muito contente”.

    Juline Walter (sentada), Ana Carolina Soares (camisa listrada), e Ronaldo Francini Filho (camisa preta), observam as imagens dos recifes durante lançamento da câmera subaquática. Foto: Marizilda Cruppe

     

    Agora que você já conhece um pouco mais dos especialistas que nos acompanham e nos orientam, continue conosco nesta aventura para defender os recifes de corais da Amazônia!

    Assine a petição e compartilhe com seus amigos. Vamos fazer esse novo bioma famoso no mundo todo e evitar que empresas o destruam por querer explorar petróleo na região.

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  • Video: Mergulhe com o piloto do nosso submarino nos recifes da Amazônia

    Postado por rgerhard - 7 - fev - 2017 às 17:40

    John Hocevar, diretor da campanha de Oceanos do Greenpeace EUA, tem guiado várias descidas que estão revelando as primeiras imagens dos corais da Amazônia. Você é nosso convidado para acompanhá-lo. No video, ele descreve o que vê lá embaixo, e conta, no relato logo depois, porque precisamos defender este tesouro

      

    Saudações dos Corais da Amazônia! Estou a bordo do navio Esperanza com uma tripulação internacional de 40 pessoas e dois submarinos DeepWorker. Estamos explorando esse recife pela primeira vez com quatro dos cientistas brasileiros que anunciaram a sua descoberta no ano passado. Como pode imaginar, descobertas desta magnitude são bastante raras, razão pela qual ele foi listado como uma das principais descobertas oceanográficas da última década.

    Os submarinos de duas pessoas são pequenos e leves, capazes de levar um piloto (como eu) e um passageiro a profundidades de 600 metros. Nos últimos dias, temos mergulhado com cientistas e jornalistas observando os corais da Amazônia. O recife parece se estender por quase 1.000 quilômetros, desde a foz do Amazonas até a Guiana Francesa, principalmente em profundidades entre 50 e 120 metros. Até agora, as águas foram surpreendentemente claras, permitindo que alguns raios fracos de luz solar cheguem ao fundo do mar. Para visualizá-lo melhor, nós complementamos com luzes LED, que revelam as verdadeiras e magníficas cores do arco-íris dos habitantes do recife.

    John Hocevar, a bordo do mini submarino, tem conduzido os mergulhos pelos recifes de corais da Amazônia. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

     É incrível estar aqui. Assistimos a um golfinho saltar pelo ar ao lado do submarino, fomos seguidos por um cardume de grandes rêmoras, e até mesmo visitados por uma raia-manta. Temos percorrido paredões quase verticais cobertos com esponjas amarelas e sobre campos de corais moles que cobrem mais de 90% do fundo, intercalados com incontáveis ​​peixes juvenis. Nas áreas mais rasas que visitamos, há leitos de areia com dunas altas esculpidas por fortes correntes marinhas, e planícies de algas.

    Talvez o maior herói não reconhecido do recife da Amazônia seja o rodolito. Feito de um tipo de alga vermelha que constrói um esqueleto calcário, ele assume formas variadas, de pires a bolas de tênis, muitas vezes com poços, cavernas, sulcos, espigas, verrugas e outras estranhezas que fornecem abrigo para as pequenas criaturas se esconderem. Eventualmente, eles se fundem para formar estruturas maiores e parecem ter desempenhado um papel importante na formação do próprio recife da Amazônia.

    Defenda os corais da Amazônia

    Depois de apenas uma semana de mergulho, já está claro que o recife de corais da Amazônia é um hotspot regional da biodiversidade. O grande número de tipos de habitat completamente diferentes fornece um lar para uma variedade deslumbrante de peixes, esponjas e invertebrados, muitos dos quais são endêmicos (únicos) para o Brasil. No nosso primeiro dia, a equipe científica acredita que documentamos duas novas espécies de peixe-borboleta e, no terceiro, vimos um peixe parecido com uma garoupa que ainda não conseguimos identificar.

    Outra coisa que está clara é que o recife de corais da Amazônia não é o lugar para perfuração petrolífera. Infelizmente, antes mesmo de ter a chance de entendermos este novo bioma, ele já está ameaçado. As companhias de petróleo BP e Total planejam começar a perfurar na área já neste outono. Nossa corrida, portanto, é para documentar o recife da Amazônia antes de a operação começar, com a esperança de que o que encontramos ajude as pessoas a decidir que a área é muito valiosa para permitir isso.

    Se posicione contra a exploração de petróleo na bacia da foz do Rio Amazonas.

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    John Hocevar é diretor da campanha de Oceanos do Greenpeace USA Leia mais >

  • Diário de bordo: mulheres na ponte de comando

    Postado por Juliana Costta - 7 - fev - 2017 às 12:46

    Ao subirmos, Christine me alertou: não acenda nenhuma luz, inclusive a do celular. E com um sorriso, emendou: “Hoje é dia das mulheres. Eu e a Kai-Jie estamos no comando do navio!"

    Kai-Jie (esq), de Taiwan, é a terceira-oficial do navio Esperanza. Christine Weiss (dir), da Alemanha, é marinheira de convés. Quando Kai-Jie está na ponte de comando do navio, Chistine é quem faz a observação das embarcações ao redor. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace

     Após partirmos do porto de Belém para a segunda etapa de nossa expedição, desta vez em direção à região norte dos corais, encontrei Christine, a marinheira alemã que pilota botes, fazendo a ronda noturna do navio. Ela me contou que também estava de plantão na ponte de comando, lugar onde se dirige o navio. Eu nunca havia estado lá à noite, então resolvi acompanhá-la no início de seu turno de quatro horas – das 20h à meia noite.

    Ao subirmos, Christine me alertou: não acenda nenhuma luz, inclusive a do celular. E com um sorriso, emendou: “Hoje é dia das mulheres. Eu e a Kai-Jie estamos no comando do navio!" Kai-Jie é a terceira-oficial do Esperanza. Uma jovem doce e pequenina taiwanesa, que pela timidez, conversa pouco e se mantém concentrada.

    O motivo de não acender nenhuma luz é porque seus olhos têm que estar atentos para perceber qualquer coisa na água, de pequenos barquinhos de pesca a icebergs (claro que na linha do Equador, onde estamos, eles não existem, mas vocês entenderam a ideia). Foi num desses momentos, sozinha na ponte de comando, que ela foi presenteada com uma das imagens mais marcantes da sua vida: duas orcas reluzentes que nadavam como um dança sincronizada em torno do barco, em meio a águas repletas de nauctiluca, um micro-organismo que faz as águas brilharem à noite pelo seu efeito fluorescente verde-azulado. Sem conseguir dormir, chocada e com lágrimas nos olhos por tamanha beleza, ela conta só conseguiu processar o que tinha visto limpando o chão do refeitório com o esfregão às 4h da manhã.

    O que mais me chama atenção em Christiane é de fato o seu olhar, profundo e atento, mesmo em uma simples conversa. Ela me contou que já passou por diversas áreas no escritório do Greenpeace na Alemanha. Quando teve a oportunidade de embarcar em um dos navios da organização pela primeira vez, em uma passagem pela Europa, decidiu ser marinheira. Tentou por muito tempo, com e-mails, telefonemas e pedidos, conquistar uma vaga a bordo, o que aconteceu três anos depois, no retorno do navio à Europa.

    Quando Christiane sorriu ao mencionar as mulheres na ponte de comando, compreendi plenamente que este é um ambiente normalmente dominado por homens, que ela tira de letra. Mas esta noite seria nossa! Juntei-me a elas e pude ver um pouco do seu trabalho. Enquanto Kai-Jie se mantinha atenta à rota do navio, ajustando-a quando necessário, Christine dava instruções a ela baseadas na posição de outros barcos avistados no horizonte, sempre usando os binóculos. Ela me explicou que todo barco tem uma luz vermelha a estibordo (o lado esquerdo da embarcação) e uma verde no bombordo (o lado direito). As luzes ajudam a identificar a direção que os barcos estão se movendo à noite. Assim você consegue entender minimamente a rota deles só de olhar pelo binóculo.

    O navio em que estamos é o mais rápido do Greenpeace, chega a 14 nós de velocidade. Nesta noite, devido a grandes ondas e fortes correntezas, não conseguíamos passar dos 6,1 nós enquanto estive na ponte. As ondas castigam o casco do navio e nos deixam mareados.  Às 22h30, com o sono e o balanço do barco se manifestando em meu corpo, decidi retornar à minha cabine. Deixei as duas no que restava de seus turnos, mas me sentindo um pouco mais orgulhosa e confiante de saber que seguiríamos firmes e fortes em nosso caminho pelo oceano para conhecer e defender os Corais da Amazônia.

    Juliana Costta é Social Media do Greenpeace e está há 11 dias embarcada no navio Esperanza

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  • Tudo o que um pássaro quer

    Postado por rgerhard - 3 - fev - 2017 às 11:30 1 comentário

    O Parque Nacional do Cabo Orange, no litoral do Amapá, é uma espécie de Disneylândia dos pássaros e, por consequência, uma festa para observadores e ornitólogos profissionais

    Guarás tingem de vermelho a paisagem do litoral do Amapá Foto: Rogério Reis/ Tyba/ Greenpeace

     A variedade de cores e cantos impressiona.  Pesquisadores já registraram a existência de 358 espécies de aves na região, mas estima-se que esse número possa ser ainda maior, já que certas áreas são difíceis de acessar.

    A lama do mangue é nutritiva para as plantas e para uma variedade de insetos e crustáceos. “Há aves que vem do Alaska e pousam na região do parque para se alimentar no período que estão ganhando energia”, conta Paulo Silvestro, analista ambiental do ICMBio, enquanto aponta para uma nuvem de minúsculos pássaros pretos e brancos coreografando sobre o ziguezague do canal, os maçaricos-rasteiros do Ártico.

    Os maçaricos não são os únicos a utilizar o Cabo Orange como colônia de férias.  Flamingos reúnem-se em seus estuários para se reproduzir entre novembro e janeiro. É o único lugar do Brasil onde estes animais podem ser encontrados na natureza.

    Pássaros na praia do Goiabal. A costa do estado do Amapá, está na mira da indústria petrolífera internacional. Foto: Victor Moriyama

     Garças brancas e azuis reviram a lama atrás de pequenos caranguejos, ao lado de Colhereiros. Estas aves, que possuem uma linda plumagem rosa pálido, tem bicos em forma de colher, que utilizam para revirar a lama em movimentos circulares. A cor rosada deve-se a dieta rica em carotenoides, abundante nos saborosos caranguejinhos dos quais se banqueteiam as aves aquáticas. Guarás vermelho escarlate pontilham o verde da floresta em sua revoada. Parecem enfeites em uma árvore de Natal.

    Guarás e Garças sobrevoam area de mangue no Parque Nacional do Cabo Orange. Foto: Victor Moriyama/ Greenpeace

     Mas apesar de serem as estrelas do espetáculo, as aves não são os únicos animais do Cabo Orange. Sob as florestas de Mangue Branco, com suas copas altas, vivem veados, várias espécies de macacos e até onças.

    Cuxiú-preto (Chiropotes satanas) Foto: José Caldas

     Percorrendo um canal aberto pela maré no meio da floresta, identificamos diversas pegadas de onça, bem marcadas na lama fofa do mangue. De um lado para o outro, a pintada – ou seria uma preta? – se refastelou na água. Devia estar enchendo o bucho de Tralhotos, peixinhos fascinantes, que “andam” sobre a água, e existem em abundância por esses lados.

    A vida é boa na floresta. Tem o necessário, somente o necessário. O extraordinário seria mesmo demais.

    Rosana Villar é jornalista, do time de comunicação do Greenpeace, em expedição pelo Amapá Leia mais >

  • Diário de bordo: uma rotina cheia de adrenalina

    Postado por Juliana Costta - 2 - fev - 2017 às 11:40 1 comentário

    A preparação para colocar o submarino na água começa às 6h e normalmente às 7h30 ele está no mar. A condição do tempo é determinante para lançar o veículo, mas chuva não é o problema e sim o tamanho das ondas e a velocidade do vento

    O submarino é lançado do navio Esperanza com o uso de um guindaste. Foto: Marizilda Crupe / Greenpeace

    Sempre que vamos lançar o submarino na água, colocamos um bote no mar com dois marinheiros que fazem a segurança. Eles também recolhem o mergulhador que vai para a água retirar os cabos do guindaste que prendem o submarino ao navio.

    Eu já tinha visto esta operação que vem se repetindo todos os dias, várias vezes, sob diversos pontos: na parte mais alta do navio, no mesmo nível onde ele fica “estacionado” e no deck inferior. Só faltava ver como seria a partir do bote de segurança. Lá fui eu, com a Cristine, uma marinheira alemã, e o Jonathan, um marinheiro neozelandês. Com capacete e colete salva-vidas, entrei no bote pela primeira vez, que foi levado ao mar também por um guindaste guiado pelo Eric, um querido filipino sempre bem humorado.

     

    Mergulhadores na água dão assistência para desconectar o submarino do navio. Foto: Marizilda Crupe / Greenpeace

     O navio balança sim, mas aquele bote C-H-A-C-O-A-L-H-A. O botinho inflável e motorizado, solto no meio das ondas, é jogado de um lado para o outro sem dó. Enquanto isso o cientista e o piloto que descerão no submarino se preparam para o mergulho ainda no navio.

    Nesta ocasião, os marinheiros aproveitaram o bote estava no mar para praticar a direção e treinar manobras – alguns verdadeiros cavalos de pau para escapar de ondas grandes. Se eu achava que já estava chacoalhando, RÁ!, ainda não sabia de nada. Conforme avançávamos no mar e as ondas ficavam maiores, sentia um misto de animação com “Meu Deus, que loucura!”. A cada onda que passávamos meu estômago se deslocada entre a cabeça e os meus pés, UAU...”

    Assim que ouvimos no rádio a autorização para lançar o submarino na água, nos aproximamos do navio e ficamos à espera. Quando essa cápsula vermelha toca a água, o mergulhador pula do navio e vai em direção a ela, tira os quatro cabos que o prendem, e pronto. O submarino está pronto para ser engolido pelas profundezas oceânicas. Com pés-de-pato e snorkel, nosso mergulhador nada de forma tão ágil até nosso bote que ganhou o apelido de “peixinho”.

     

    Um bote de apoio sempre acompanha toda a operação e resgata os mergulhadores da água. Foto: Marizilda Cruppe/ Greenpeace

     Todos os dias de mergulho é esta mesma “rotina”. Incrível, né? Graças a esse submarino é que temos conseguido obter as primeiras imagens dos Corais da Amazônia. Em breve, vamos contar todo o aparato tecnológico que ele carrega.

    Continue conosco nessa aventura e se ainda não assinou a petição pela defesa dos Corais da Amazônia, a hora é agora. Compartilhe e nos ajude a eliminar essa ameaça do petróleo que paira sobre eles.

    Juliana Costta é Social Media no Greenpeace Brasil e está a bordo do Esperanza Leia mais >

  • No coração dos corais da Amazônia

    Postado por Thaís Herrero - 1 - fev - 2017 às 17:00

    À medida que percorremos a região central dos recifes em nosso terceiro dia de mergulhos, eles se fazem de dificeis para serem encontrados, mas continuam nos surpreendendo a cada descida. Confira as imagens  

    Conjunto de ouriços-brancos e rodolitos. Os ouriços-brancos costumam usar fragmentos de outros organismos para se esconder e, assim, para se defender de predadores. Foto: Greenpeace

       Segunda-feira, 30 de janeiro: Poucos minutos antes de o submarino emergir, no meio do oceano Atlântico , uma chuva fina a nossa frente pegou toda a equipe do Esperanza de surpresa. Fazia calor naquele fim de tarde e a água vinda de cima literalmente caía muito bem.

    O dia terminou com três mergulhos realizados. Um sucesso, pois temíamos que as ondas fortes inviabilizassem a expedição. Em cada um deles, entre 90 e 100 metros de profundidade, as imagens nos trouxeram novidades, revelando um pouco mais da intimidade dos recifes, feitos de corais, esponjas e rodolitos ao redor. 

     

    Recife-mancha, formado por rodolitos fusionados, com lírios-do-mar. No centro há uma esponja.Foto Greenpeace

     

    À medida que percorremos a região central, foi possivel perceber que os recifes não são uma formação uniforme e contínua, mas fragmentos espalhados entre regiões de areia. Como uma caça ao tesouro, usamos o sonar do Esperanza para vasculhar o relevo do fundo do mar em busca de pistas para a descida do submarino.

    O peixe olho-de-boi, ou olhete, nada sobre uma cama de rodolitos, com esponja amarela ao fundo. Foto Greenpeace

      Eduardo Siegle, oceanógrafo professor da Universidade de São Paulo, iniciou os mergulhos do dia. Foi considerado o de menos sorte, pois quase não avistou peixes e recifes. Havia muita areia por todos os lados. Para ele, no entanto, que estuda as correntezas oceânicas, a viagem debaixo d’agua foi perfeita. “Vimos muitos bancos de areia marcados pelas ondas. Isso nos dá indicativos do regime de correntes que passam por esta região. Elas são bem fortes”, explica.

     

    Banco de areia com marcas de ondas. Foto: Marizilda Crupe/ Greenpeace

     

    Laje de rodolitos fusionados, o que comprova a atuação das fortes correntes marinhas na dinâmica da região, indicando também a possibilidade de erosão. Foto Greenpeace

     A segunda descida foi realizada por um dos cientistas a bordo do Esperanza, o professor de Geologia Oceânica Nils Asp, da Universidade Federal do Pará. O piloto era John Hocevar, diretor da campanha de Oceanos do Greenpeace USA. Nils é conhecido por sua personalidade tranquila, de fala mansa, mas ao sair do submarino, sua excitação extravasou em belas palavras:

    “Eu me tornei oceanógrafo sonhando com um dia como este, mas não sabia se ele chegaria. Entrar nesse submarino me lembrou do porquê escolhi a profissão”, disse, encharcado pela chuva. Ele contou que, quando criança, passava muitas tardes assistindo aos programas de Jacques Cousteau, o mais famoso explorador dos oceanos do mundo. Se inspirava nele, imaginando como seria viver no fundo do mar. “Eu cresci, comecei a trabalhar na universidade e a fazer pesquisas. Passo muito tempo dentro do escritório, envolto com burocracias. Ainda bem que, hoje, pude me conectar com a minha antiga paixão”.

    No destaque, um coral-negro com uma serpente-do-mar e ao fundo alguns rodolitos. Foto Greenpeace

     O terceiro a mergulhar foi Remi Barroux, jornalista francês do Le Monde. Remi saiu do submarino com a animação de quem sai de uma montanha russa. Pelo caminho, ele se deparou com uma enorme raia-manta de aproximadamente 2,5 metros.

    Uma raia-manta cruza o caminho do nosso submarino. Foto Greenpeace

     Os recifes de corais da Amazônia continuam nos surpreendendo. A tripulação e toda a equipe envolvida nas operações do submarino trabalham quase 20 horas por dia, mas não vemos desânimo ou mal humor a bordo. Existe uma aura de amor e esperança em cada um de nós para que nosso trabalho aqui chegue em todo o continente e alcance mentes e corações.

    É com essa energia que esperamos conquistar mais e mais defensores para os corais da Amazônia, que mal conhecemos, e já nos encantam, mas precisam da nossa proteção. Entre nessa luta com a gente.

    ASSINE A PETIÇÃO  

    Thais Herrero é jornalista do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza

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  • Deputado quer liberar o assassinato de animais silvestres

    Postado por Greenpeace - 1 - fev - 2017 às 10:30

    O Deputado Federal Valdir Colatto (PMDB-SC), um dos líderes da bancada ruralista no Congresso, teve uma ideia genial em outubro do ano passado e resolveu transformá-la em lei: liberar a caça de animais silvestres.

    O projeto atende pelo número 6268/2016 e ainda está em fase inicial de tramitação. Lá em suas últimas linhas, o texto anula a Lei 5197/1967, que proíbe a caça profissional no país, além de diminuir a multa para quem incorrer nesse tipo de crime. Para finalizar, ainda autoriza a criação para caça esportiva, isto é, que pessoas matem animais para se divertir.

    Ainda segundo o texto, animais da fauna silvestre também poderiam ser abatidos “quando o animal for considerado nocivo às atividades agropecuárias e correlatas”. A matança também estaria liberada “para os espécimes provenientes de resgates em áreas de empreendimentos sujeitos a licenciamento ambiental”.

    “Lutar contra o meio ambiente e anistiar quem comete crimes ambientais  sempre foi marca registrada do deputado e de muitos da bancada ruralista. Não contente, agora quer autorizar o assassinato de animais. É repugnante”, afirma Márcio Astrini, coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil.

    Na justificativa, o Deputado argumenta: “No ambiente rural, a proximidade com os animais silvestres e o eventual risco dessa proximidade, com acidentes e ataques desses animais, tanto aos humanos como a suas propriedades e rebanhos, faz com que a caça seja vista como uma prática regular, nestes casos sem finalidade de entretenimento e de esporte, mas como prática de relação com o ambiente, a qual, com o passar do tempo, pode se organizar como uma atividade de cunho cultural, como uma prática social e mesmo como atividade geradora de ganho social e econômica para as populações do meio rural.  

    “Não vamos poupar esforços para derrotar este projeto e impedir sua aprovação”, disse Astrini.

    Caso avance, o projeto ainda passará por ao menos três comissões da Câmara dos Deputados, antes de ir ao plenário.

    Não deixe de mandar sua opinião sobre esse projeto para o Deputado Valdir Collato por , Facebook e Twitter.

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  • No balanço das marés

    Postado por rgerhard - 31 - jan - 2017 às 12:00 1 comentário

    Enquanto o Esperanza registra as primeiras imagens dos Corais da Amazônia, nossa equipe em campo percorre belezas naturais do litoral do Amapá que também podem ser impactadas pela exploração petrolífera na Bacia da Foz do Amazonas. Conheça um pouco mais sobre o Parque Nacional do Cabo Orange

     

    Vista aérea do Parque Nacional do Cabo Orange. Foto Victor Moriyama / Greenpeace

     O barco de casco vermelho, de construção em madeira, como a maioria das embarcações na Amazônia, aguardava-nos no meio do Rio Oiapoque, que divide Brasil e Guiana Francesa. Precisávamos esperar pela entrada da maré, quando a via fica navegável.

    Peixe-boi é o nome do barquinho corajoso, que possibilita que os profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizem o gigantesco trabalho de proteger os 619 mil hectares do Parque Nacional do Cabo Orange. “Ele permite que a gente acesse todas as regiões do parque e fique bastante tempo em campo, fazendo levantamentos, como contagem de pássaros, e trabalhos com as comunidades”, conta com ternura o biólogo Ivan Vasconcelos, um dos três profissionais responsáveis pelo parque.

    Cachoeiras no Rio Oiapoque: o local congrega biomas variados, como mangues e florestas tropicais Foto: Victor Moriyama / Greenpeace

     Valmir, o capitão, diz que entre os pescadores predatórios a embarcação é conhecida como “Bicho feio”. Quando Peixe-boi está na área, ou corre ou cai na rede da fiscalização. O Parque Nacional do Cabo Orange é uma reserva protegida por lei. O imenso mangue, estuários e seus igarapés são fundamentais para a reprodução de peixes marinhos. Então não se pode pescar em escala industrial na boca dos rios Oiapoque e Cassiporé.

     As quatro horas da madrugada, o mar já havia subido o rio, e partimos em uma viagem tranquila, no embalo do barulho do motor, sob a vigia de um céu cheio de estrelas, através dos caminhos abertos pela maré. Amanhecemos no meio do caminho, na ilha dos papagaios, e com o sol já forte, nos aproximamos do enorme delta.

     Nessa parte, a calmaria do rio dá lugar a inquietude do mar. As ondas cor de café com leite, temperadas com os sedimentos da Amazônia, formam ondas cada vez mais fortes. As quais o valente Peixe-boi vai vencendo, uma a uma.

     Em Oiapoque contam que, certa vez, a frente de um enorme objeto espacial apareceu boiando pelos rios do Cabo Orange. O pedaço fazia parte de um foguete disparado pela França em sua base espacial, em Kourou, na Guiana Francesa. Ejetado na atmosfera, caiu no oceano, mas foi levado pelas correntes para dentro do parque.

     “Um acidente com óleo aqui seria terrível, porque a maré sobe, traz o óleo, e quando desce o óleo fica na lama. Toda essa floresta morreria”, conta Ivan, mostrando o mangue.

    Maior área contínua de mangue do planeta no Parque Nacional do Cabo Orange. Foto: Victor Moriyama / Greenpeace

     As companhias petrolíferas dizem que, em caso de acidente, podem responder em até 15 dias, mas que o óleo se espalharia pelo Caribe – como se isso tornasse  a coisa melhor. Chacoalhando nessa maré, sinto-me mais inclinada a concordar com os locais, que dizem que o que acontece no mar, acontece no mangue, acontece rio acima.

     Essas pessoas que vivem aqui há gerações sabem de algo que não sabemos. Viveram algo que podemos apenas imaginar. Muito antes que os cientistas pudessem comprovar a existência dos Corais da Foz do Rio Amazonas, por exemplo, os mais velhos já sabiam os pontos ricos em pesca e diziam que existia algo naquele pedaço de mar que fazia os peixes aparecerem em profusão, contam por aqui.

    Pequeno caranguejo na maior área contínua de mangue do planeta no Parque Nacional do Cabo Orange. Foto: Victor Moriyama / Greenpeace

     Enquanto avançamos pelo mar que contorna o Cabo Orange, as ondas ficam cada vez maiores e começo a me preocupar, o barquinho de madeira talvez possa não aguentar. “Não se preocupe, o mar está tranquilo”, diz Valmir. Não tenho motivos para duvidar.

    Rosana Vilar é jornalista, do time de comunicação do Greenpeace, em expedição pelo Amapá Leia mais >

  • Diário de Bordo: A vida sobre as ondas

    Postado por Juliana Costta - 30 - jan - 2017 às 18:30

    Há uma semana em alto-mar para a campanha que está documentando os Corais da Amazônia, nossa analista de redes sociais conta a experiência sua bordo do navio Esperanza pela primeira vez

    Esperanza, um dos três navios do Greenpeace, na região da foz do rio Amazonas, no Amapá. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace.

     Algumas coisas no navio são bem diferentes. Uma delas é dormir. Não tem nada a ver com o quarto, ele é normal: um armário, uma escrivaninha, uma pia e um beliche, com cortinas para dar mais privacidade ao nosso sono.

    Estou dividindo o quarto com uma marinheira-paramédica italiana. O mais curioso é dormir balançando – quando não rolando – de um lado pro outro da cama. A qualidade do meu sono depende do quanto o barco balança: se o mar está calmo, o sono é tranquilo. O balançar do barco é bem gostoso, mas o bicho pega quando o mar está agitado. Você tem que se ajeitar de um jeito para não ficar literalmente rolando com o chacoalho do navio. Tem quem use o travesseiro para se prender, ou quem durma só de bruços.

    Outro ponto curioso é o jeito que andamos aqui. Nos primeiros dias, quem não era da tripulação não estava adaptado a andar em um barco, que obviamente balança. Por isso, andávamos como bêbados ou crianças aprendendo a dar os primeiros passos. Você tropeça em tudo, bate nas paredes, trança as pernas (leia-se, quase cai) e por aí vai. Agora,  já mais acostumados, temos o que os marinheiros chamam de sealeg. Em uma tradução livre, seria pernas de mar, ou pernas adaptadas para o balanço do navio.

    Mas a experiência no barco não é só mareio. Há coisas absolutamente magníficas. Para mim, as duas principais acontecem à noite: brilhos no mar e o céu estrelado. Quando o casco do barco bate na água, você vê pequenos brilhos verdes, como vagalumes nadando. É hipnotizante. A água escura faz com que fiquem mais evidentes.

    O biólogo Ronaldo Francini Filho nos explicou que esses brilhinhos verdes são um tipo de protistas chamados Noctiluca, muito comum na costa brasileira. Para mim, foi novidade: todas as noites saio da cabine para vê-los dançarem na água.

    Já o céu estrelado... (suspiro!) Que céu estrelado! Estamos no Oceano Atlântico, a mais de 100 quilômetros da costa brasileira, sem nenhuma luz ao nosso redor. Vemos o céu salpicado de pontos luminosos com direito a Via Láctea e nebulosas. Aquele céu de filme mesmo, sabe?

    Outra  curiosidade: diz-se que a pessoa mais importante do navio não é o capitão, e sim o cozinheiro. Ele cuida de toda a nossa alimentação e garante que teremos sempre comida boa e fresquinha nas refeições. Quando se tem um bom cozinheiro, a tripulação é mais feliz. Nós nos demos muito bem com o Babu, um indiano sempre sorridente, que faz uma comida deliciosa.

    A tripulação normalmente trabalha das 8h às 17h. Depois do trabalho nos reunimos em uma sala do navio para conversar sobre como foi o dia, contar histórias e jogar dardos. É nesse momento que temos a oportunidade de nos conhecermos melhor. É uma troca cultural muito rica e interessante. Ontem, o Kim, que é sul-coreano e o 3º oficial do Esperanza, nos contou que, na Coreia, sempre que alguém compra algo para comer, é divido entre amigos. Mas não como nós brasileiros, que perguntamos se pode pegar um pedaço. Eles pegam sem enrolação e comem, simples assim!

    Viver sobre as ondas é um mundo diferente. Aqui se tem a disciplina de um samurai e o bom humor de um brasileiro. O trabalho é pesado e as gargalhadas são leves. O navio balança, mas a nossa determinação em defender os Corais da Amazônia continua firme.

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    Vida a bordo: Thaís Herrero (esq), Juliana Costta e Thiago Almeida, do Greenpeace Brasil, na defesa pelos corais. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace.

     

    Juliana Costta é Social Media do Greenpeace Brasil 

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  • Corais da Amazônia: as primeiras imagens de um novo mundo

    Postado por Thaís Herrero - 28 - jan - 2017 às 11:15 3 comentários

    O sucesso de nosso primeiro mergulho revelou que os recifes surpreendem pela exuberância de vida em uma região considerada pouco amigável a abrigá-la

     

    Primeiras imagens dos Corais da Amazônia registradas pelo submarino ©Greenpeace

     

    “Estou me sentindo como alguém que volta de outro planeta”, disse o professor Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Paraíba, logo após voltar à tona, sem esconder a emoção. Ele foi o primeiro cientista a mergulhar com o submarino para ver os recifes de corais da Amazônia. Junto dele estava o piloto John Hocevar, diretor da Campanha de Oceanos do Greenpeace USA.

    
Neste 27 de janeiro, às 13h15, retornava à superfície com as primeiras imagens que revelavam os contornos de um mundo oculto . Um capricho da natureza, que não cansa de nos surpreender ao preencher de vida uma região considerada inóspita e tão improvável de abrigá-la. Dentro de nós, que estamos à bordo do navio Esperanza, fica a certeza de que a campanha “Defenda os Corais da Amazônia” merece toda a nossa atenção.

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    Foram quase duas horas de mergulho. A 220 metros de profundidade, a mais de 100 quilômetros da costa brasileira, lá estavam eles, os recifes com esponjas, corais e rodolitos (algas calcárias), expondo para nossas lentes suas cores e formas. “Ali existe um ecossistema bem diverso. Em boa parte do recife, o chão é cheio de vida”, conta Ronaldo.

    Primeiras imagens dos Corais da Amazônia registradas pelo submarino ©Greenpeace

     

    Na expedição realizada em 2014, os pesquisadores usaram redes para coletar exemplares. Desta vez, eles realizaram a primeira observação desse novo bioma embaixo d'água. Isso faz toda a diferença, ao permitir entender mais sobre esse universo que já está ameaçado. Empresas querem explorar petróleo perto dali e um vazamento poderia colocar em risco não só os corais mas a vida marinha da região.

    Quando Ronaldo e John começaram a explicar o que viram debaixo d’água, a alegria e a satisfação estampavam seus sorrisos. Eles contaram que nos primeiros minutos o submarino passou por uma extensa área de areia, o que os deixou ansiosos por tentar ver alguma coisa. No navio, o capitão e a tripulação iam dando as coordenadas certas para que a pequena cápsula com os dois tripulantes chegasse aos recifes. Os rodolitos e as esponjas foram aparecendo aos poucos. Até que o submarino chegou a um paredão: uma grande estrutura de carbonato de cálcio. Ali estava o que realmente procuravam! O submarino precisou subir um pouco, a 180 metros de profundidade, para ver o ecossistema por cima.
 Entre os peixes avistados, estavam um cardume de atum e o cioba, uma espécie muito importante para a economia da região do Amapá, altamente dependente da pesca. O cioba está ameaçado de extinção.

     

    Ronaldo Francini Filho e John Hocevar fazem o primeiro mergulho no submarino - Foto ©Marizilda Cruppe / ©Greenpeace

     

    Esses peixes usam os recifes como locais para sua reprodução. Ali também estavam peixes herbívoros, comprovando a presença de algas mesmo onde chega pouca luz do sol. O mais supreendente para Ronaldo, no entanto, foi ver alguns peixes-borboletas. Segundo ele, podem ser de uma nova espécie. “Espécies deste peixe têm sido descobertas frequentemente em áreas de águas profundas. E é emblemático vê-los aqui também”, afirma.

    Este primeiro mergulho de submarino realizado pelo Greenpeace a bordo do Esperanza revelou esse novo universo a ser protegido. . 
"Mostramos por que não podemos deixar que empresas explorem petróleo na região da foz do Rio Amazonas. Ainda mais se pouco conhecemos esse ecossistema", disse Thiago Almeida, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

    Toda a tripulação se envolveu nessa operação. Da cabine de controle, o capitão e seus ajudantes garantiam que o navio Esperanza não se distanciasse do submarino. A cada 15 minutos, sinais de comunicação eram enviados para saber se tudo estava bem.

    A diversidade de vida nos Corais da Amazônia surpreendeu os cientistas ©Greenpeace

     

    Ao final do dia, a aventura foi celebrada em uma roda de conversa entre todos no navio. John e Ronaldo contaram em detalhes o que viram debaixo d’água e a experiência de viajar em um equipamento tão moderno. Juntos, assistimos a um vídeo sobre nossos primeiros dias reunidos nessa missão. Uma cumplicidade de equipe e um espírito de aventura expressos em olhares trocados, que certamente renovam a união e a energia para os próximos dias. Foi de arrepiar.

     Nossa missão por aqui, entretanto, está apenas começando. Teremos novas oportunidades de ver com mais detalhes o que as águas brasileiras vitaminadas pelo Rio Amazonas nos escondem. Continue conosco nesta jornada. Nos ajude a divulgar essas imagens e participe da luta para defender os Corais da Amazônia da exploração de petróleo.

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    Thais Herrero é jornalista do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza Leia mais >

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