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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • O que o Greenpeace acha sobre comer carne?

    Postado por Greenpeace Brasil - 14 - fev - 2014 às 19:32 26 comentários

    Área de floresta desmatada para pasto em Santarém (PA), nas proximidades da BR163 (©Daniel Beltra/ Greenpeace)

     

    Após três meses presa na Rússia por conta de um protesto pacífico, a ativista Ana Paula Maciel foi recebida por sua família, em dezembro, com um churrasco. Essa notícia resultou em críticas ao Greenpeace, expondo uma suposta contradição entre comer carne e, ao mesmo tempo, defender o desmatamento zero.

    O Greenpeace defende uma redução drástica do consumo de proteína animal, não apenas para poupar a floresta e reduzir as emissões, mas também para a saúde humana. Por outro lado, para cumprir nossa missão de promover padrões de produção e consumo sustentáveis, não podemos desconsiderar o impacto que a produção atual de carne representa para o meio ambiente.

    Desde 2009, temos uma frente de campanha voltada à pecuária. Buscamos mostrar diversas vezes como o avanço da produção de carne resultou em invasão de terras indígenas, destruição de áreas de floresta preservadas ou mesmo violência no campo. Como resultado, os três maiores frigoríficos do país assumiram o compromisso de só comprar carne de fazendas que comprovadamente adotam o desmatamento zero como prática, além de rejeitar trabalho escravo e ameaça às terras indígenas.

    Esse é um passo importante, mas sabemos que não é o suficiente. Atualmente, a média de consumo diário de carne no mundo é de cem gramas por pessoa e a tendência é que esse consumo aumente vertiginosamente nos próximos 40 anos. É por isso que aplaudimos iniciativas como a “Segunda sem Carne” ao promover a redução do consumo e uma dieta mais balanceada.

    Acreditamos que a decisão de se tornar vegetariano contribui para reduzir a pressão sobre a floresta e o clima. Mas achamos também que essa escolha é de âmbito pessoal. Muitos de nós, do Greenpeace, realmente somos vegetarianos ou veganos. Outros comemos carne. Não estabelecemos julgamento moral sobre indivíduos em particular.

    Não enxergamos contradição entre esse posicionamento e nossa defesa pela Amazônia. Nossas lutas têm frentes distintas a das entidades que defendem o vegetarianismo, mas são convergentes. Leia mais >

  • Papo Greenpeace sobre energias renováveis

    Postado por Juliana Costa - 13 - fev - 2014 às 20:16 4 comentários

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    Watch live streaming video from greenpeacebr at livestream.com

    Quinta-feira, dia 13 às 20h, Ricardo Baitelo coordenador da campanha de Clima & Energia, participarão do #PapoGreenpeace. O Brasil, enquanto economia em desenvolvimento, precisa atender ao crescimento da demanda de energia. Nosso potencial de energias renováveis é gigantesco, mas temos feito opções equivocadas por hidrelétricas na Amazônia, usinas nucleares e térmicas a carvão. Venha bater um papo conosco sobre isso.

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    Sua participação é muito importante. Envie sua pergunta pelo Twitter com a hashtag #PapoGreenpeace ou deixe um comentário com a sua pergunta no evento do Facebook.

    Já é hora de o Brasil ter uma [R]evolução Energética

  • Próxima estação...

    Postado por Bernardo Camara - 12 - fev - 2014 às 15:00

    Estação foi inaugurada com mais de mil dias de atraso. Foto: ©Greenpeace

     

    Com mais de mil dias de atraso e milhões de viagens que deixaram de ser realizadas pela população neste período, a estação de metrô Adolfo Pinheiro, em São Paulo, foi, enfim, inaugurada - incompleta, diga-se - nesta quarta-feira. Já fazia 11 anos que a Linha Lilás do metrô não recebia uma nova estação. No dia 19 de setembro, durante a Semana da Mobilidade, o Greenpeace instalou um ‘relógio do atraso’ em frente ao canteiro de obras da Adolfo Pinheiros, denunciando o descaso do poder público com a população.

    “A inauguração da Adolfo Pinheiro é uma ótima notícia, pois a previsão é que cerca de 14 mil pessoas vão circular pela estação. Quando toda a linha estiver concluída, serão 45 mil pessoas todos os dias”, observa Barbara Rubim, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace. “Mas estamos longe do ideal. O cronograma de obras do Metrô de São Paulo continua atrasadíssimo, e isso tem um impacto direto e concreto na mobilidade da cidade: milhões de pessoas estão deixando de circular de transporte coletivo onde já deveriam poder fazer essa opção. Enquanto isso, os engarrafamentos, a poluição, as emissões e o estresse só crescem sobre o asfalto”.

    De acordo com o projeto original, a Linha Lilás terá 17 estações distribuídas em 19,8km, ligando o Capão Redondo à Chácara Klabin. O desenho traçado também prevê integração com as Linhas 2 (Verde) e 1 (Azul). Quando completa, a média de passageiros estimada por dia deve pular de 205 mil para 640 mil. Mas ano a ano, religiosamente, o governo anuncia novos atrasos no calendário. Com uma previsão inicial de estar funcionando 100% em 2012, agora o prazo já foi para 2016.

    A Linha 4 (Amarela) também caminha a passos lentos. Prevista inicialmente para ser entregue em 2003, ela continua com inúmeras estações no papel, sendo uma das mais demoradas da expansão do Metrô de São Paulo. Por essas e outras, o sistema paulistano já ganhou o título de mais superlotado do mundo, segundo a Comunidade de Metrôs (CoMet), que compara sistemas ferroviários pelo mundo. Por aqui, são mais de 11,5 milhões de passageiros por quilômetro de linha. O ideal, diz a CoMet, é dez quilômetros de linha para cada 2 milhões de usuários.

    Veja o vídeo da inauguração do Relógio do Atraso, que o Greenpeace instalou em 2013 em frente ao canteiro de obras da estação Adolfo Pinheiro:


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  • Ruralistas atacam direitos humanos

    Postado por Nathália Clark - 12 - fev - 2014 às 11:57 9 comentários

    Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Luís Carlos Heinze, sugere a ação armada dos agricultores contra índios e ofende minorias (Foto: Agência Câmara).

     

    No dia em que se completa nove anos da morte da irmã Dorothy Stang, um dos símbolos de defesa da floresta e de seus habitantes, a Mobilização Nacional Indígena divulgou imagens que mostram representantes da bancada ruralista protagonizando mais uma cena de afronta pública aos direitos de índios e outras minorias. 

    Em vídeo gravado durante uma audiência em Vicente Dutra (RS), parlamentares como os deputados Luís Carlos Heinze (PP-RS) e Alceu Moreira (PMDB-RS) não só incitam a violência contra lideranças indígenas que tentam retomar suas terras invadidas por fazendeiros, grileiros e madeireiros, como também insultam gays e lésbicas, e refoçam o discurso inverossímil acerca da demarcação de terras indígenas para o público de produtores rurais.

    Nas imagens, os parlamentares se referem a índios, quilombolas e homossexuais como “tudo o que não presta”, e estimulam agricultores a usarem de segurança armada para expulsar indígenas do que consideram serem suas terras. 

    “Nós, os parlamentares, não vamos incitar a guerra, mas lhes digo: se fartem de guerreiros e não deixem um vigarista  desses dar um passo na sua propriedade. Nenhum! Nenhum! Usem todo o tipo de rede. Todo mundo tem telefone. Liguem um para o outro imediatamente. Reúnam verdadeiras multidões e expulsem do jeito que for necessário”, disse o deputado Alceu Moreira. “A própria baderna, a desordem, a guerra é melhor do que a injustiça”, defendeu.

    Na tentativa de colocar o público contra o próprio governo, de cuja base eleitoral o seu partido (PMDB) faz parte, ele afirma que o “movimento pela demarcação de terras indígenas” seria uma “vigarice orquestrada” pelo ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Moreira diz também que tal movimento seria patrocinado pelo Ministério Público Federal, o qual, segundo ele, defenderia a “injustiça”. Ao contrário do que sugere, porém, a demarcação de terras indígenas é direito previsto na Constituição Federal, e o governo Dilma é notadamente o que menos demarcou terras desde a Ditadura Militar.

    Veja aqui os principais trechos da audiência.

    No vídeo, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Luís Carlos Heinze, sugere a ação armada dos agricultores. “O que estão fazendo os produtores do Pará? No Pará, eles contrataram segurança privada. Ninguém invade no Pará, porque a brigada militar não lhes dá guarida lá e eles têm de fazer a defesa das suas propriedades”, afirmou. “Por isso, pessoal, só tem um jeito: se defendam. Façam a defesa como o Pará está fazendo. Façam a defesa como o Mato Grosso do Sul está fazendo. Os índios invadiram uma propriedade. Foram corridos da propriedade. Isso aconteceu lá.”

    Integrante do PP, partido que está pleiteando a comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Heinze, não satisfeito, insulta também outras minorias. “Quando o governo diz: ‘nós queremos crescimento, desenvolvimento. Tem de ter fumo, tem de ter soja, tem de ter boi, tem de ter leite, tem de ter tudo, produção’. Ok! Financiamento. Estão cumprimentando os produtores: R$ 150 bilhões de financiamento. Agora eu quero dizer para vocês: o mesmo governo, seu Gilberto Carvalho, também é ministro da presidente Dilma. É ali que estão aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas. Tudo o que não presta ali está aninhado”, discursou.

    Promovida pelo também deputado ruralista Vilson Covatti (PP-RS), que pertence à Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, a audiência pública aconteceu em novembro de 2013, e seu tema foi o conflito dos produtores rurais com os indígenas do povo Kaingang, que vivem na Terra Indígena Rio dos Fundos, de 715 hectares.

    Em dezembro do ano passado, produtores rurais do Mato Grosso do Sul organizaram um leilão para arrecadar recursos para a contratação de seguranças privados para impedir a ocupação de comunidades indígenas. O evento recolheu mais de R$ 640 mil e foi apoiado pela bancada ruralista. Parlamentares como a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), estiveram presentes e defenderam a iniciativa.

    Impunidade na esteira do retrocesso

    No dia 12 de fevereiro de 2005, a missionária Dorothy Stang, que trabalhava com pequenos agricultores na região de Anapu (PA), foi assassinada por se posicionar a favor da vida da floresta e de seus defensores. Até hoje, nenhum dos acusados de serem mandantes do crime foi punido. O seu assassinato representa só mais um capítulo de atentados contra índios, quilombolas e outras minorias.

    Os que ainda resistem lutam para que as histórias da irmã Dorothy e de outros sejam mais do que meras estatísticas de violência no campo. Eles esperam justiça e governança na Amazônia, para que atitudes como as propostas acima pelos deputados não se tornem a maneira corrente de cessar conflitos fundiários. Leia mais >

  • Quilombo do Grotão inova com energia solar

    Postado por Marina Yamaoka - 11 - fev - 2014 às 17:36 3 comentários

    Quilombo do Grotão tem projeto para que seja instalado sistema de energia solar (©divulgação)

     

    Localizado na Serra da Tiririca, em Niterói, o Quilombo do Grotão irá unir tradição e inovação. Desde a década de 20, esta tradicional comunidade é um símbolo de resistência cultural e ambiental e, dessa forma, foi escolhida para receber a instalação de um sistema de energia solar.

    Conciliando desenvolvimento sustentável e a preservação da cultural popular local, o projeto promove o uso de uma fonte de energia limpa e renovável e fará com que a comunidade tenha acesso à eletricidade.

    Além de trazer benefícios ambientais e econômicos, o projeto Quilombo Solar ainda trabalhará com educação. Vinte jovens residentes do Engenho do Mato receberão aulas sobre energia elétrica, energia solar e como instalar as placas solares em um das casas da comunidade. Este é um projeto que demonstra os inúmeros benefícios da energia solar como, por exemplo, o ingresso de jovens em empregos verdes.

    Para que o projeto saia do papel está sendo feito um financiamento coletivo. Acesse o site do projeto e saiba mais clicando aqui. Leia mais >

  • O diálogo como um dos caminhos para a paz

    Postado por Greenpeace Brasil - 11 - fev - 2014 às 17:32 1 comentário

    Protestos de junho de 2013: movimento contra o aumento das tarifas do transporte público ganhou força após forte repressão policial (©Greenpeace/Alexande Cappi)

     

    O Greenpeace Brasil gostaria de prestar suas condolências à família, amigos e colegas do cinegrafista da rede Bandeirantes, Santiago Andrade, por sua triste perda. Santiago foi vítima de um artefato explosivo que atingiu sua cabeça durante a cobertura dos protestos contra o aumento da passagem de ônibus no Rio de Janeiro, no dia 6 de fevereiro.

    Esta tragédia soma-se a uma espiral de violência iniciada com a dura repressão das forças policiais às manifestações de junho de 2013 e que levou outras pessoas à morte, como a gari Cleonice de Moraes, de Belém, devido aos efeitos do gás lacrimogêneo (para citar um único caso). Sem contar as graves agressões, como a do fotógrafo Sérgio Andrade Silva, que perdeu a visão devido a uma bala de borracha, ou do estudante Fabrício Proteus Nunes, baleado por policiais em São Paulo.

    Como uma organização fundada sob o princípio da não-violência, o Greenpeace reafirma seu apoio ao direito da população de expressar nas ruas seus anseios por mudanças e condena qualquer tentativa de criminalizar movimentos sociais. Tirar da cartola leis mais duras do que as que já existem, e que mais aproximariam o Brasil de países em que a população só tem o direito de concordar com o governo, não é o que vai fazer os protestos cessarem. É essencial ao Estado estar preparado para lidar com manifestantes e manifestações dentro da perspectiva da interlocução democrática e da não-violência.

    A falência dos serviços públicos, o abismo social, a Justiça que funciona mais para uns que para outros, a sensação de impotência diante de um modelo de participação política que não aprendeu a dialogar com sua população. Tudo isso vem gestando um clima de insatisfação real no país e de exaltação dos ânimos, o que requer uma tarefa de mediação política, não policial.

    Sabemos que os problemas reais que motivam os cidadãos a irem às ruas são resultado de séculos de descaso com os direitos da população, e que, portanto, precisam de atenção urgente. Mas o diálogo precisa ser estabelecido e o primeiro passo cabe, neste momento, às autoridades. Os governos federal e estaduais precisam assumir imediatamente suas responsabilidades em adotar o caminho da paz e radicalizar a participação democrática. Os métodos atuais de se fazer política já estão esgotados. Essa é a voz das ruas e parece que nossa míope classe política insiste em não querer escutar. Leia mais >

  • Empresas apoiam renovação da moratória

    Postado por Luana Lila - 8 - fev - 2014 às 11:08

    Desmatamento para plantação de soja na Amazônia (© Greenpeace/Daniel Beltrá)

     

    Após duras negociações, a moratória da soja foi renovada no dia 31 de janeiro até dezembro de 2014. Criada em 2006 como resultado de uma campanha liderada pelo Greenpeace, ela estabelece a não comercialização de soja oriunda de fazendas envolvidas em desmatamento na Amazônia após julho daquele ano, e assim ajuda a impedir a destruição da floresta.

    Na época, o Greenpeace conduziu uma investigação complexa sobre a indústria da soja no Brasil e descobriu que grandes empresas internacionais estavam comprando soja ligada ao desmatamento da floresta amazônica. A partir das denúncias, formou-se uma aliança entre organizações da sociedade civil e empresas consumidoras para combater o problema. Em resposta, as maiores comercializadoras do grão anunciaram uma moratória de dois anos para não comprar soja de desmatamento a partir de 2006. Desde então, ela é renovada ano a ano.

    O desafio agora será construir um mecanismo para substituir a moratória que seja capaz de impedir o avanço do desmatamento na Amazônia. Nessa semana, as empresas consumidoras de soja soltaram uma nota apoiando a renovação da moratória e pedindo uma solução permanente. Leia abaixo:

    Resposta ao anúncio da renovação final da moratória

    3 de fevereiro de 2014

    O grupo das empresas europeias consumidoras de soja está muito satisfeito com a renovação da Moratória da Soja por um período final até dezembro de 2014.

    Até o momento, a Moratória da Soja tem sido muito eficaz em garantir que não estamos contribuindo para o desmatamento da Amazônia.

    Acreditamos que sua prorrogação vai ajudar a proteger o que foi alcançado ao longo dos últimos sete anos e permitirá que todas as partes envolvidas trabalhem ativamente em conjunto para determinar qual será o caminho a seguir e acordar um roteiro realista para uma solução permanente.

    É essencial agora que o Grupo de Trabalho da Soja (GTS) se mova rapidamente para estabelecer um diálogo para abordar os desafios de monitoramento e registro, essenciais para a implementação do novo Código Florestal brasileiro.

    Continuamos a apoiar os esforços do GTS e apoiamos a oportunidade de participar mais ativamente no processo.

    Empresas consumidoras europeias:

    McDonald´s Europa

    Ahold

    Carrefour

    Marks and Spencer

    Waitrose

    Sainsbury’s

    ASDA

    The Co-operative Food

    Nestlé

    Tesco

    MVO

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  • O povo merece desculpas

    Postado por Barbara Rubim* - 6 - fev - 2014 às 17:31 1 comentário

    Foto finalista do concurso Sardinha de Ouro, promovido pelo Greenpeace Brasil ano passado (©Greenpeace/Claudette De Vita Ferreira)

     

    Quem vive na zona leste de São Paulo e depende da linha 3-Vermelha do metrô sabe bem o drama que é ir ao trabalho ou voltar para casa em horário de pico. Qualquer mínimo escorregão é suficiente para instaurar o caos. Foi o que aconteceu na última terça, dia 4, quando uma porta quebrada gerou atrasos, trens parados, pânico e gente saindo a pé pelos túneis.

    Mas, em vez de um pedido de desculpas, dessa vez o governador Geraldo Alckmin resolveu culpar os próprios usuários, a quem chamou de vândalos por apertarem o botão de emergência.

    Será que, antes de sair culpando quem sofre com o descaso do poder público, o governador sabia que o trem que desencadeou todo o problema é um velho conhecido dos funcionários do metrô, com histórico de descarrilamento e portas abertas do lado errado?

    Em nota, o Sindicato dos Metroviários afirma que o trem K07 faz parte da frota K, composta por sete trens reformados pela empresa Alstom. Em um período de 30 dias, 696 falhas foram registradas nessa frota – mais de 300 apenas no trem K07.

    Apertar o botão de emergência não é ato de vandalismo ou sabotagem. É desespero de se encontrar trancado em um trem – muitas vezes sem ar condicionado – que chega a ter 12 pessoas por metro quadrado nos horários de pico.

    Diante da insistência em atribuir a falha a uma possível “sabotagem”, só nos resta lamentar o profundo desconhecimento do governador acerca do colapso do sistema metroviário de São Paulo e o desrespeito enorme por todo o incômodo e sofrimento enfrentado pelos usuários que dependem dele todos os dias.

    Agora, mais do que nunca, o povo merece desculpas.

    *Barbara Rubim é da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Leia mais >

  • Quatro horas de vida numa estação

    Postado por Bárbara Rubim* - 6 - fev - 2014 às 0:27 1 comentário

     

    O relógio mostra que já é pouco mais de seis horas: chegou o momento de começar a pior e mais cansativa parte do dia, a volta para casa. O problema não é o destino, mas o trajeto. Se tem uma coisa que São Paulo me ensinou muito rápido é que, no horário de pico, deve-se evitar, ao máximo a Linha Vermelha (L3 do metrô). Infelizmente, no entanto, ela faz parte da minha rotina diária de deslocamento casa-trabalho-casa.

    Chegando na República, onde faço a baldeação, uma surpresa e um espanto: a estação estava tão lotada que não era possível sequer ter acesso à plataforma de embarque da L3, de modo que as pessoas se acumulavam ao longo das três escadas (mesmo as rolantes haviam sido desligadas). O relógio agora me mostra que são 18h40 e enquanto me dou conta disso uma voz começa a anunciar que o sistema de envio de trens vazios à estação foi suspenso, de novo. Tomada pelo desânimo, pelo cansaço e por uma sensação incômoda de deja-vu, me juntei a outros tantos usuários que se escoravam nas paredes ou sentavam no chão, já sabendo que mais uma vez não chegaria em casa a tempo de jantar com minha família.

    Passados vinte minutos, nada havia mudado. Resolvi me arriscar e tentar descer até a plataforma, na tentativa de, quem sabe, chegar em casa um pouco mais cedo do que no dia anterior. O percurso até o final da escada foi o suficiente para me fazer desistir. O calor na plataforma estava infernal e eu sabia que, se ficasse ali por muito tempo, meu destino seria o mesmo que o de algumas pessoas que já davam mostras de estar passando mal.

    Com muita raiva, decidi abrir mão do meu bilhete já pago e sair da estação para tomar ar fresco e procurar um lugar um pouco mais tranquilo para aguardar o horário de pico passar – até então, nada havia sido dito para os usuários acerca da gravidade da situação.

    Sentada num café na Avenida Ipiranga, me dei conta de que a raiva não era pelos R$3,00 perdidos, era (e ainda é) fruto de todo o inconformismo com um sistema de transporte (que, diga-se, vai muito além do metrô) ineficiente e desconectado, que empurra os cidadãos para o abismo do trânsito sem fim (se decidirem usar o carro) ou para as falhas constantes do sistema de transporte público, sejam elas relacionadas à falta de qualidade ou à sua extensão insuficiente.

    Para se ter uma ideia, de 2010 a 2012, o número de falhas e panes elétricas no metrô mais que dobrou. Pode ser que esse número tenha algo a ver com o fato de, também em 2012, o Governo de SP só ter investido 44% do previsto na expansão do sistema. Curioso é que, cruzando os dados, percebe-se que no mesmo período, cresceu também a arrecadação tributária do Estado de São Paulo, que, infelizmente, não dá mostras de ser revertida a benefício da mobilidade da população – seja pelas obras de metrô que completam aniversário de atraso, seja pela falta de manutenção no sistema já existente.

    Por volta das 19h40 decidi que já era hora de voltar à estação e, agora sim, ir para casa. Ledo engano. Antes mesmo de chegar à entrada, o acúmulo de pessoas – dessa vez do lado de fora -, me fez perceber que algo estava errado. Foi quando as palavras chegaram ao meu ouvido, primeiro soltas – linha, vermelha, interrompida, hoje -, e depois organizadas em uma frase que um senhor, ao ver meu espanto, formulou para mim: “a linha vermelha foi interrompida hoje, moça, nem adianta descer, melhor ir para casa de outro jeito, sei lá como.”

    Ainda meio incrédula, desci até a estação para me deparar com o inacreditável: o anúncio de que a linha havia parado e a recomendação de que os que fossem para o Brás utilizassem o trem; uma fila enorme de pessoas que pareciam se recusar a acreditar no que o auto falante anunciava e continuavam tentando passar as catracas; e tantas outras pessoas que, sem saber o que fazer, sentavam no chão.

    O que antes era raiva se tornou tristeza e a tristeza se refletiu em uma vontade enorme de chorar ao imaginar e ver a desolação de todas aquelas pessoas que, como eu, também pareciam se perguntar “até quando?”. Até quando essa rotina de deslocamento que nos cansa mais que o trabalho? Até quando não estar em casa para jantar com a família ou fazer o dever de casa com os filhos? Até quando?

    Saí da estação com todas essas indagações e inconformidades em cima de mim. Com algumas perguntas descobri que minha melhor alternativa era andar até a Praça da Sé e pegar um ônibus que iria para o Carrão. Não sabia o sentido certo para a Praça da Sé e também não precisei perguntar, as várias pessoas se deslocando no mesmo sentido me fizeram aferir a direção.

    Cheguei em casa às 22h13 da noite, extremamente cansada, mas com a certeza de que, mais do que nunca, a luta por uma mobilidade que seja mais inclusiva, socialmente justa e sustentável se faz necessária e urgente.

    Fui dormir com o conforto dessa certeza e, ao acordar hoje e ler todas as declarações dadas sobre o ocorrido, passei o dia me perguntando até quando uma falha de tais proporções ocorreria e ninguém do Governo se dignaria a sequer emitir uma simples declaração pedindo desculpas a todas as pessoas que, como eu, deixaram quatro horas de suas vidas no piso de uma estação.

    *Bárbara Rubim é coordenadora da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Leia mais >

  • Renováveis contra apagão

    Postado por Ricardo Baitelo* - 5 - fev - 2014 às 18:20 2 comentários

    © Greenpeace / Rodrigo Baleia

     

    A falha que ocasionou a interrupção do fornecimento de energia em diferentes pontos do país, afetando mais de 1 milhão de pessoas, evidencia novamente as restrições de um modelo centralizado de suprimento de eletricidade.

    O Sudeste depende de grandes linhas de transmissão para receber energia de Itaipu que viaja longas distâncias até atingir as casas e edifícios consumidores. E este processo deve continuar com as próximas usinas hidrelétricas na Amazônia, ainda mais distantes dos principais centros consumidores.

    A vulnerabilidade desse sistema não transparece apenas em eventos como o ocorrido ontem. A falta de chuvas também coloca em xeque a insistência em investirmos tanto em hidrelétricas, justamente as usinas mais suscetíveis às alterações climáticas que vivemos neste verão e em ocasiões passadas.

    Temos em outras renováveis opções confiáveis e já economicamente viáveis. Um exemplo disso foram os leilões de 2013, que contrataram quase 6 mil MW em usinas de energia eólica, biomassa e solar, que devem ser construídas nos próximos 4 anos.

    Desta forma, é possível atender ao crescimento energético do país com fontes renováveis sustentáveis em um horizonte de tempo até mais rápido do que o necessário para construir mais hidrelétricas como Belo Monte ou o complexo de Tapajós.

    E curiosamente, é durante os períodos de falta de chuva que a fonte solar mais brilha, registrando índices de irradiação superiores aos convencionais no interior de São Paulo, Minas e Bahia. Diversificar e descentralizar a geração e transmissão de energia é a forma mais segura para evitarmos o desabestecimento no país.

    *Ricardo Baitelo é coordenador da campanha de Energia do Greenpeace Leia mais >

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