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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Diário de bordo: uma rotina cheia de adrenalina

    Postado por Juliana Costta - 2 - fev - 2017 às 11:40 1 comentário

    A preparação para colocar o submarino na água começa às 6h e normalmente às 7h30 ele está no mar. A condição do tempo é determinante para lançar o veículo, mas chuva não é o problema e sim o tamanho das ondas e a velocidade do vento

    O submarino é lançado do navio Esperanza com o uso de um guindaste. Foto: Marizilda Crupe / Greenpeace

    Sempre que vamos lançar o submarino na água, colocamos um bote no mar com dois marinheiros que fazem a segurança. Eles também recolhem o mergulhador que vai para a água retirar os cabos do guindaste que prendem o submarino ao navio.

    Eu já tinha visto esta operação que vem se repetindo todos os dias, várias vezes, sob diversos pontos: na parte mais alta do navio, no mesmo nível onde ele fica “estacionado” e no deck inferior. Só faltava ver como seria a partir do bote de segurança. Lá fui eu, com a Cristine, uma marinheira alemã, e o Jonathan, um marinheiro neozelandês. Com capacete e colete salva-vidas, entrei no bote pela primeira vez, que foi levado ao mar também por um guindaste guiado pelo Eric, um querido filipino sempre bem humorado.

     

    Mergulhadores na água dão assistência para desconectar o submarino do navio. Foto: Marizilda Crupe / Greenpeace

     O navio balança sim, mas aquele bote C-H-A-C-O-A-L-H-A. O botinho inflável e motorizado, solto no meio das ondas, é jogado de um lado para o outro sem dó. Enquanto isso o cientista e o piloto que descerão no submarino se preparam para o mergulho ainda no navio.

    Nesta ocasião, os marinheiros aproveitaram o bote estava no mar para praticar a direção e treinar manobras – alguns verdadeiros cavalos de pau para escapar de ondas grandes. Se eu achava que já estava chacoalhando, RÁ!, ainda não sabia de nada. Conforme avançávamos no mar e as ondas ficavam maiores, sentia um misto de animação com “Meu Deus, que loucura!”. A cada onda que passávamos meu estômago se deslocada entre a cabeça e os meus pés, UAU...”

    Assim que ouvimos no rádio a autorização para lançar o submarino na água, nos aproximamos do navio e ficamos à espera. Quando essa cápsula vermelha toca a água, o mergulhador pula do navio e vai em direção a ela, tira os quatro cabos que o prendem, e pronto. O submarino está pronto para ser engolido pelas profundezas oceânicas. Com pés-de-pato e snorkel, nosso mergulhador nada de forma tão ágil até nosso bote que ganhou o apelido de “peixinho”.

     

    Um bote de apoio sempre acompanha toda a operação e resgata os mergulhadores da água. Foto: Marizilda Cruppe/ Greenpeace

     Todos os dias de mergulho é esta mesma “rotina”. Incrível, né? Graças a esse submarino é que temos conseguido obter as primeiras imagens dos Corais da Amazônia. Em breve, vamos contar todo o aparato tecnológico que ele carrega.

    Continue conosco nessa aventura e se ainda não assinou a petição pela defesa dos Corais da Amazônia, a hora é agora. Compartilhe e nos ajude a eliminar essa ameaça do petróleo que paira sobre eles.

    Juliana Costta é Social Media no Greenpeace Brasil e está a bordo do Esperanza Leia mais >

  • No coração dos corais da Amazônia

    Postado por Thaís Herrero - 1 - fev - 2017 às 17:00

    À medida que percorremos a região central dos recifes em nosso terceiro dia de mergulhos, eles se fazem de dificeis para serem encontrados, mas continuam nos surpreendendo a cada descida. Confira as imagens  

    Conjunto de ouriços-brancos e rodolitos. Os ouriços-brancos costumam usar fragmentos de outros organismos para se esconder e, assim, para se defender de predadores. Foto: Greenpeace

       Segunda-feira, 30 de janeiro: Poucos minutos antes de o submarino emergir, no meio do oceano Atlântico , uma chuva fina a nossa frente pegou toda a equipe do Esperanza de surpresa. Fazia calor naquele fim de tarde e a água vinda de cima literalmente caía muito bem.

    O dia terminou com três mergulhos realizados. Um sucesso, pois temíamos que as ondas fortes inviabilizassem a expedição. Em cada um deles, entre 90 e 100 metros de profundidade, as imagens nos trouxeram novidades, revelando um pouco mais da intimidade dos recifes, feitos de corais, esponjas e rodolitos ao redor. 

     

    Recife-mancha, formado por rodolitos fusionados, com lírios-do-mar. No centro há uma esponja.Foto Greenpeace

     

    À medida que percorremos a região central, foi possivel perceber que os recifes não são uma formação uniforme e contínua, mas fragmentos espalhados entre regiões de areia. Como uma caça ao tesouro, usamos o sonar do Esperanza para vasculhar o relevo do fundo do mar em busca de pistas para a descida do submarino.

    O peixe olho-de-boi, ou olhete, nada sobre uma cama de rodolitos, com esponja amarela ao fundo. Foto Greenpeace

      Eduardo Siegle, oceanógrafo professor da Universidade de São Paulo, iniciou os mergulhos do dia. Foi considerado o de menos sorte, pois quase não avistou peixes e recifes. Havia muita areia por todos os lados. Para ele, no entanto, que estuda as correntezas oceânicas, a viagem debaixo d’agua foi perfeita. “Vimos muitos bancos de areia marcados pelas ondas. Isso nos dá indicativos do regime de correntes que passam por esta região. Elas são bem fortes”, explica.

     

    Banco de areia com marcas de ondas. Foto: Marizilda Crupe/ Greenpeace

     

    Laje de rodolitos fusionados, o que comprova a atuação das fortes correntes marinhas na dinâmica da região, indicando também a possibilidade de erosão. Foto Greenpeace

     A segunda descida foi realizada por um dos cientistas a bordo do Esperanza, o professor de Geologia Oceânica Nils Asp, da Universidade Federal do Pará. O piloto era John Hocevar, diretor da campanha de Oceanos do Greenpeace USA. Nils é conhecido por sua personalidade tranquila, de fala mansa, mas ao sair do submarino, sua excitação extravasou em belas palavras:

    “Eu me tornei oceanógrafo sonhando com um dia como este, mas não sabia se ele chegaria. Entrar nesse submarino me lembrou do porquê escolhi a profissão”, disse, encharcado pela chuva. Ele contou que, quando criança, passava muitas tardes assistindo aos programas de Jacques Cousteau, o mais famoso explorador dos oceanos do mundo. Se inspirava nele, imaginando como seria viver no fundo do mar. “Eu cresci, comecei a trabalhar na universidade e a fazer pesquisas. Passo muito tempo dentro do escritório, envolto com burocracias. Ainda bem que, hoje, pude me conectar com a minha antiga paixão”.

    No destaque, um coral-negro com uma serpente-do-mar e ao fundo alguns rodolitos. Foto Greenpeace

     O terceiro a mergulhar foi Remi Barroux, jornalista francês do Le Monde. Remi saiu do submarino com a animação de quem sai de uma montanha russa. Pelo caminho, ele se deparou com uma enorme raia-manta de aproximadamente 2,5 metros.

    Uma raia-manta cruza o caminho do nosso submarino. Foto Greenpeace

     Os recifes de corais da Amazônia continuam nos surpreendendo. A tripulação e toda a equipe envolvida nas operações do submarino trabalham quase 20 horas por dia, mas não vemos desânimo ou mal humor a bordo. Existe uma aura de amor e esperança em cada um de nós para que nosso trabalho aqui chegue em todo o continente e alcance mentes e corações.

    É com essa energia que esperamos conquistar mais e mais defensores para os corais da Amazônia, que mal conhecemos, e já nos encantam, mas precisam da nossa proteção. Entre nessa luta com a gente.

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    Thais Herrero é jornalista do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza

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  • Deputado quer liberar o assassinato de animais silvestres

    Postado por Greenpeace - 1 - fev - 2017 às 10:30

    O Deputado Federal Valdir Colatto (PMDB-SC), um dos líderes da bancada ruralista no Congresso, teve uma ideia genial em outubro do ano passado e resolveu transformá-la em lei: liberar a caça de animais silvestres.

    O projeto atende pelo número 6268/2016 e ainda está em fase inicial de tramitação. Lá em suas últimas linhas, o texto anula a Lei 5197/1967, que proíbe a caça profissional no país, além de diminuir a multa para quem incorrer nesse tipo de crime. Para finalizar, ainda autoriza a criação para caça esportiva, isto é, que pessoas matem animais para se divertir.

    Ainda segundo o texto, animais da fauna silvestre também poderiam ser abatidos “quando o animal for considerado nocivo às atividades agropecuárias e correlatas”. A matança também estaria liberada “para os espécimes provenientes de resgates em áreas de empreendimentos sujeitos a licenciamento ambiental”.

    “Lutar contra o meio ambiente e anistiar quem comete crimes ambientais  sempre foi marca registrada do deputado e de muitos da bancada ruralista. Não contente, agora quer autorizar o assassinato de animais. É repugnante”, afirma Márcio Astrini, coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil.

    Na justificativa, o Deputado argumenta: “No ambiente rural, a proximidade com os animais silvestres e o eventual risco dessa proximidade, com acidentes e ataques desses animais, tanto aos humanos como a suas propriedades e rebanhos, faz com que a caça seja vista como uma prática regular, nestes casos sem finalidade de entretenimento e de esporte, mas como prática de relação com o ambiente, a qual, com o passar do tempo, pode se organizar como uma atividade de cunho cultural, como uma prática social e mesmo como atividade geradora de ganho social e econômica para as populações do meio rural.  

    “Não vamos poupar esforços para derrotar este projeto e impedir sua aprovação”, disse Astrini.

    Caso avance, o projeto ainda passará por ao menos três comissões da Câmara dos Deputados, antes de ir ao plenário.

    Não deixe de mandar sua opinião sobre esse projeto para o Deputado Valdir Collato por , Facebook e Twitter.

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  • No balanço das marés

    Postado por rgerhard - 31 - jan - 2017 às 12:00 1 comentário

    Enquanto o Esperanza registra as primeiras imagens dos Corais da Amazônia, nossa equipe em campo percorre belezas naturais do litoral do Amapá que também podem ser impactadas pela exploração petrolífera na Bacia da Foz do Amazonas. Conheça um pouco mais sobre o Parque Nacional do Cabo Orange

     

    Vista aérea do Parque Nacional do Cabo Orange. Foto Victor Moriyama / Greenpeace

     O barco de casco vermelho, de construção em madeira, como a maioria das embarcações na Amazônia, aguardava-nos no meio do Rio Oiapoque, que divide Brasil e Guiana Francesa. Precisávamos esperar pela entrada da maré, quando a via fica navegável.

    Peixe-boi é o nome do barquinho corajoso, que possibilita que os profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizem o gigantesco trabalho de proteger os 619 mil hectares do Parque Nacional do Cabo Orange. “Ele permite que a gente acesse todas as regiões do parque e fique bastante tempo em campo, fazendo levantamentos, como contagem de pássaros, e trabalhos com as comunidades”, conta com ternura o biólogo Ivan Vasconcelos, um dos três profissionais responsáveis pelo parque.

    Cachoeiras no Rio Oiapoque: o local congrega biomas variados, como mangues e florestas tropicais Foto: Victor Moriyama / Greenpeace

     Valmir, o capitão, diz que entre os pescadores predatórios a embarcação é conhecida como “Bicho feio”. Quando Peixe-boi está na área, ou corre ou cai na rede da fiscalização. O Parque Nacional do Cabo Orange é uma reserva protegida por lei. O imenso mangue, estuários e seus igarapés são fundamentais para a reprodução de peixes marinhos. Então não se pode pescar em escala industrial na boca dos rios Oiapoque e Cassiporé.

     As quatro horas da madrugada, o mar já havia subido o rio, e partimos em uma viagem tranquila, no embalo do barulho do motor, sob a vigia de um céu cheio de estrelas, através dos caminhos abertos pela maré. Amanhecemos no meio do caminho, na ilha dos papagaios, e com o sol já forte, nos aproximamos do enorme delta.

     Nessa parte, a calmaria do rio dá lugar a inquietude do mar. As ondas cor de café com leite, temperadas com os sedimentos da Amazônia, formam ondas cada vez mais fortes. As quais o valente Peixe-boi vai vencendo, uma a uma.

     Em Oiapoque contam que, certa vez, a frente de um enorme objeto espacial apareceu boiando pelos rios do Cabo Orange. O pedaço fazia parte de um foguete disparado pela França em sua base espacial, em Kourou, na Guiana Francesa. Ejetado na atmosfera, caiu no oceano, mas foi levado pelas correntes para dentro do parque.

     “Um acidente com óleo aqui seria terrível, porque a maré sobe, traz o óleo, e quando desce o óleo fica na lama. Toda essa floresta morreria”, conta Ivan, mostrando o mangue.

    Maior área contínua de mangue do planeta no Parque Nacional do Cabo Orange. Foto: Victor Moriyama / Greenpeace

     As companhias petrolíferas dizem que, em caso de acidente, podem responder em até 15 dias, mas que o óleo se espalharia pelo Caribe – como se isso tornasse  a coisa melhor. Chacoalhando nessa maré, sinto-me mais inclinada a concordar com os locais, que dizem que o que acontece no mar, acontece no mangue, acontece rio acima.

     Essas pessoas que vivem aqui há gerações sabem de algo que não sabemos. Viveram algo que podemos apenas imaginar. Muito antes que os cientistas pudessem comprovar a existência dos Corais da Foz do Rio Amazonas, por exemplo, os mais velhos já sabiam os pontos ricos em pesca e diziam que existia algo naquele pedaço de mar que fazia os peixes aparecerem em profusão, contam por aqui.

    Pequeno caranguejo na maior área contínua de mangue do planeta no Parque Nacional do Cabo Orange. Foto: Victor Moriyama / Greenpeace

     Enquanto avançamos pelo mar que contorna o Cabo Orange, as ondas ficam cada vez maiores e começo a me preocupar, o barquinho de madeira talvez possa não aguentar. “Não se preocupe, o mar está tranquilo”, diz Valmir. Não tenho motivos para duvidar.

    Rosana Vilar é jornalista, do time de comunicação do Greenpeace, em expedição pelo Amapá Leia mais >

  • Diário de Bordo: A vida sobre as ondas

    Postado por Juliana Costta - 30 - jan - 2017 às 18:30

    Há uma semana em alto-mar para a campanha que está documentando os Corais da Amazônia, nossa analista de redes sociais conta a experiência sua bordo do navio Esperanza pela primeira vez

    Esperanza, um dos três navios do Greenpeace, na região da foz do rio Amazonas, no Amapá. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace.

     Algumas coisas no navio são bem diferentes. Uma delas é dormir. Não tem nada a ver com o quarto, ele é normal: um armário, uma escrivaninha, uma pia e um beliche, com cortinas para dar mais privacidade ao nosso sono.

    Estou dividindo o quarto com uma marinheira-paramédica italiana. O mais curioso é dormir balançando – quando não rolando – de um lado pro outro da cama. A qualidade do meu sono depende do quanto o barco balança: se o mar está calmo, o sono é tranquilo. O balançar do barco é bem gostoso, mas o bicho pega quando o mar está agitado. Você tem que se ajeitar de um jeito para não ficar literalmente rolando com o chacoalho do navio. Tem quem use o travesseiro para se prender, ou quem durma só de bruços.

    Outro ponto curioso é o jeito que andamos aqui. Nos primeiros dias, quem não era da tripulação não estava adaptado a andar em um barco, que obviamente balança. Por isso, andávamos como bêbados ou crianças aprendendo a dar os primeiros passos. Você tropeça em tudo, bate nas paredes, trança as pernas (leia-se, quase cai) e por aí vai. Agora,  já mais acostumados, temos o que os marinheiros chamam de sealeg. Em uma tradução livre, seria pernas de mar, ou pernas adaptadas para o balanço do navio.

    Mas a experiência no barco não é só mareio. Há coisas absolutamente magníficas. Para mim, as duas principais acontecem à noite: brilhos no mar e o céu estrelado. Quando o casco do barco bate na água, você vê pequenos brilhos verdes, como vagalumes nadando. É hipnotizante. A água escura faz com que fiquem mais evidentes.

    O biólogo Ronaldo Francini Filho nos explicou que esses brilhinhos verdes são um tipo de protistas chamados Noctiluca, muito comum na costa brasileira. Para mim, foi novidade: todas as noites saio da cabine para vê-los dançarem na água.

    Já o céu estrelado... (suspiro!) Que céu estrelado! Estamos no Oceano Atlântico, a mais de 100 quilômetros da costa brasileira, sem nenhuma luz ao nosso redor. Vemos o céu salpicado de pontos luminosos com direito a Via Láctea e nebulosas. Aquele céu de filme mesmo, sabe?

    Outra  curiosidade: diz-se que a pessoa mais importante do navio não é o capitão, e sim o cozinheiro. Ele cuida de toda a nossa alimentação e garante que teremos sempre comida boa e fresquinha nas refeições. Quando se tem um bom cozinheiro, a tripulação é mais feliz. Nós nos demos muito bem com o Babu, um indiano sempre sorridente, que faz uma comida deliciosa.

    A tripulação normalmente trabalha das 8h às 17h. Depois do trabalho nos reunimos em uma sala do navio para conversar sobre como foi o dia, contar histórias e jogar dardos. É nesse momento que temos a oportunidade de nos conhecermos melhor. É uma troca cultural muito rica e interessante. Ontem, o Kim, que é sul-coreano e o 3º oficial do Esperanza, nos contou que, na Coreia, sempre que alguém compra algo para comer, é divido entre amigos. Mas não como nós brasileiros, que perguntamos se pode pegar um pedaço. Eles pegam sem enrolação e comem, simples assim!

    Viver sobre as ondas é um mundo diferente. Aqui se tem a disciplina de um samurai e o bom humor de um brasileiro. O trabalho é pesado e as gargalhadas são leves. O navio balança, mas a nossa determinação em defender os Corais da Amazônia continua firme.

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    Vida a bordo: Thaís Herrero (esq), Juliana Costta e Thiago Almeida, do Greenpeace Brasil, na defesa pelos corais. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace.

     

    Juliana Costta é Social Media do Greenpeace Brasil 

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  • Corais da Amazônia: as primeiras imagens de um novo mundo

    Postado por Thaís Herrero - 28 - jan - 2017 às 11:15 3 comentários

    O sucesso de nosso primeiro mergulho revelou que os recifes surpreendem pela exuberância de vida em uma região considerada pouco amigável a abrigá-la

     

    Primeiras imagens dos Corais da Amazônia registradas pelo submarino ©Greenpeace

     

    “Estou me sentindo como alguém que volta de outro planeta”, disse o professor Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Paraíba, logo após voltar à tona, sem esconder a emoção. Ele foi o primeiro cientista a mergulhar com o submarino para ver os recifes de corais da Amazônia. Junto dele estava o piloto John Hocevar, diretor da Campanha de Oceanos do Greenpeace USA.

    
Neste 27 de janeiro, às 13h15, retornava à superfície com as primeiras imagens que revelavam os contornos de um mundo oculto . Um capricho da natureza, que não cansa de nos surpreender ao preencher de vida uma região considerada inóspita e tão improvável de abrigá-la. Dentro de nós, que estamos à bordo do navio Esperanza, fica a certeza de que a campanha “Defenda os Corais da Amazônia” merece toda a nossa atenção.

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    Foram quase duas horas de mergulho. A 220 metros de profundidade, a mais de 100 quilômetros da costa brasileira, lá estavam eles, os recifes com esponjas, corais e rodolitos (algas calcárias), expondo para nossas lentes suas cores e formas. “Ali existe um ecossistema bem diverso. Em boa parte do recife, o chão é cheio de vida”, conta Ronaldo.

    Primeiras imagens dos Corais da Amazônia registradas pelo submarino ©Greenpeace

     

    Na expedição realizada em 2014, os pesquisadores usaram redes para coletar exemplares. Desta vez, eles realizaram a primeira observação desse novo bioma embaixo d'água. Isso faz toda a diferença, ao permitir entender mais sobre esse universo que já está ameaçado. Empresas querem explorar petróleo perto dali e um vazamento poderia colocar em risco não só os corais mas a vida marinha da região.

    Quando Ronaldo e John começaram a explicar o que viram debaixo d’água, a alegria e a satisfação estampavam seus sorrisos. Eles contaram que nos primeiros minutos o submarino passou por uma extensa área de areia, o que os deixou ansiosos por tentar ver alguma coisa. No navio, o capitão e a tripulação iam dando as coordenadas certas para que a pequena cápsula com os dois tripulantes chegasse aos recifes. Os rodolitos e as esponjas foram aparecendo aos poucos. Até que o submarino chegou a um paredão: uma grande estrutura de carbonato de cálcio. Ali estava o que realmente procuravam! O submarino precisou subir um pouco, a 180 metros de profundidade, para ver o ecossistema por cima.
 Entre os peixes avistados, estavam um cardume de atum e o cioba, uma espécie muito importante para a economia da região do Amapá, altamente dependente da pesca. O cioba está ameaçado de extinção.

     

    Ronaldo Francini Filho e John Hocevar fazem o primeiro mergulho no submarino - Foto ©Marizilda Cruppe / ©Greenpeace

     

    Esses peixes usam os recifes como locais para sua reprodução. Ali também estavam peixes herbívoros, comprovando a presença de algas mesmo onde chega pouca luz do sol. O mais supreendente para Ronaldo, no entanto, foi ver alguns peixes-borboletas. Segundo ele, podem ser de uma nova espécie. “Espécies deste peixe têm sido descobertas frequentemente em áreas de águas profundas. E é emblemático vê-los aqui também”, afirma.

    Este primeiro mergulho de submarino realizado pelo Greenpeace a bordo do Esperanza revelou esse novo universo a ser protegido. . 
"Mostramos por que não podemos deixar que empresas explorem petróleo na região da foz do Rio Amazonas. Ainda mais se pouco conhecemos esse ecossistema", disse Thiago Almeida, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

    Toda a tripulação se envolveu nessa operação. Da cabine de controle, o capitão e seus ajudantes garantiam que o navio Esperanza não se distanciasse do submarino. A cada 15 minutos, sinais de comunicação eram enviados para saber se tudo estava bem.

    A diversidade de vida nos Corais da Amazônia surpreendeu os cientistas ©Greenpeace

     

    Ao final do dia, a aventura foi celebrada em uma roda de conversa entre todos no navio. John e Ronaldo contaram em detalhes o que viram debaixo d’água e a experiência de viajar em um equipamento tão moderno. Juntos, assistimos a um vídeo sobre nossos primeiros dias reunidos nessa missão. Uma cumplicidade de equipe e um espírito de aventura expressos em olhares trocados, que certamente renovam a união e a energia para os próximos dias. Foi de arrepiar.

     Nossa missão por aqui, entretanto, está apenas começando. Teremos novas oportunidades de ver com mais detalhes o que as águas brasileiras vitaminadas pelo Rio Amazonas nos escondem. Continue conosco nesta jornada. Nos ajude a divulgar essas imagens e participe da luta para defender os Corais da Amazônia da exploração de petróleo.

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    Thais Herrero é jornalista do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza Leia mais >

  • Diário de Bordo: Uma espiada nos corais

    Postado por rgerhard - 27 - jan - 2017 às 16:00

    Chegamos ao primeiro lugar do nosso mergulho!

    Esperanza chega ao primeiro local de observação dos Corais da Amazônia. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace

     

    Quando o sol nasceu nesta quinta-feira (26), estávamos exatamente onde o GPS apontava ser a região dos recifes de corais da Amazônia. Foram 270 milhas navegadas, mas valeu a pena cada um dos incontáveis balanços sobre as ondas do Atlântico. O entusiasmo pela proximidade desse bioma ainda pouco conhecido contagiava um a um. 

    O mar estava calmo e muito claro. Eram as condições ideais para colocar o submarino debaixo d’água. Foi bem aqui onde os cientistas, em 2014, coletaram os primeiros exemplares desse ecossistema. Ou seja, estamos a 60 metros acima dos corais.

    Mas antes de colocar o submarino na água, decidimos usar uma câmera submarina para confirmar o que estava realmente abaixo de nós. Assim, marcaríamos os pontos ideais para o submarino. Foi um momento e tanto! Com uma câmera subaquática, sem uma resolução tão alta, pudemos ver em tempo real, por um monitor, as formações recifais a 50 metros de profundidade! Eles estavam ali!

    Marinheiro do Greenpeace recolhe uma câmera submarina. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace

     

    Em uma rápida visualização, os cientistas confirmaram a presença de muitas esponjas e rodolitos (algas calcárias), além de pelo menos sete espécies de peixes que os especialistas não sabiam que viviam ali. Entre eles, alguns peixes herbívoros. “Isso indica que ali existem algas, ou seja, a luz do sol consegue penetrar apesar da influência da água doce do Rio Amazonas. Essas algas são bem similares à flora de recifes rasos”, nos contou Ronaldo Francini Filho, biólogo da Universidade Federal da Paraíba.

    Cientistas observam imagens de uma câmera submarina em tempo real. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace

     

    Por uma segunda vez, descemos a camera, desta vez à noite, e um pouco mais fundo, a 80 metros. Novamente, muitas esponjas e rodolitos foram avistados, mas havia também alguns corais negros, uma espécie em forma de filamentos, de áreas de pouca luz, em regiões com mais de 40 metros de profundidade.

    O dia acabou tarde, mas a expectativa com o dia seguinte, nosso momento tão esperado, superou qualquer cansaço. Finalmente mergulharemos com o submarino para ver de pertinho e registrar imagens melhores desse tesouro natural.

    No entanto, esses pequenos vislumbres do dia bastaram para reforçar no time do Greenpeace a certeza da nossa luta, o porquê de estarmos aqui: defender um novo bioma que já está ameaçado. Não podemos permitir que nenhuma empresa inicie a exploração de petróleo nessa região e ponha todo esse capricho da natureza em risco por causa de um vazamento de óleo.

    Continue conosco nessa aventura e assine a petição para pressionar a Total e BP a desistir dos seus planos de buscar petróleo na região. 

    ASSINE A PETIÇÃO  

    Fim de um belo e produtivo dia em meio ao Atlântico. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace.

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    Thais Herrero é jornalista do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza

  • Diário de Bordo: o show dos golfinhos

    Postado por rgerhard - 26 - jan - 2017 às 14:45 1 comentário

    Apesar do tempo fechado e um dia repleto de reuniões, fomos premiados com uma companhia especial no fim da tarde

      

    Após um dia de navegação, deixamos a água mais barrenta para atingir o oceano azul, ainda que sob influência do Rio Amazonas. Com isso, passamos a enfrentar ondas mais fortes que acordaram muitos de nós antes das 6h da manhã. Muita chuva no lado de fora das escotilhas e um balanço no navio que fez todos tomarem remédio para enjoo.

    Como teríamos o dia todo de navegação pela frente, aproveitamos para fazer reuniões de alinhamento dos próximos passos. Alguns dos cientistas fizeram o treinamento para usar o submarino. Nele cabem apenas duas pessoas, o piloto e o passageiro, que atua como co-piloto, daí as muitas responsabilidades no mergulho.

    Um dos pilotos presentes é John Hocevar, diretor da campanha de Oceanos do Greenpeace Estados Unidos. Ele já pilotou submarinos outras vezes. A primeira foi no Barrien Sea, perto do Alasca, e a segunda no Golfo do México, após o desastre da BP com a plataforma Deep Horizon, em 2011, que derramou petróleo por uma extensão enorme. Naquela ocasião, o submarino foi usado para avaliar o estrago causado pelo óleo em recifes de corais profundos.

    A viagem aos Corais da Amazônia é uma jornada bem diferente para ele. “Não sabemos bem como são os organismos ali. É muito animador isso, Tenho a expectativa de que encontremos espécies únicas aqui. E mostrar isso ao Brasil vai ser muito importante”, afirma.

    Ele aponta para o fato de sabermos mais sobre a superfície da Lua do que sobre as profundezas do nosso oceano. “Quando falamos de oceanos, as pessoas pensam nas praias ou na superfície do mar. Mas podemos mudar o nosso modo de pensar. Ao ver os Corais da Amazônia, acho que muitas pessoas se questionarão se essa região deve ser perfurada ou não para a retirada do petróleo”, afirma.

    O fim do dia nos trouxe um presente: as belas imagens acima proporcionadas por um grupo de golfinhos que nadou por muito tempo ao lado do navio. Segundo um dos cientistas, eles são atraídos pelas ondas que o navio faz, e ficam por perto para brincar entre eles com as marolas.

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    Thais Herrero é jornalista do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza Leia mais >

  • Diário de bordo: Partimos!

    Postado por rgerhard - 25 - jan - 2017 às 15:34

    Estamos há 24 horas navegando e já em mar aberto, que se encontra bem agitado enquanto escrevo este texto. Alcançamos até 9,5 nós de velocidade, algo em torno de 18 km/h. É o suficiente para deixar tudo balançando à nossa frente

      

    A tripulação trabalhou desde a manhã de segunda-feira, 23 de janeiro, para deixar tudo pronto para o grande momento da partida. Máquinas ajustadas, paredes recém-pintadas, painéis elétricos checados e a cozinha abastecida. O Esperanza estava pronto na manhã de terça-feira, 24. Às 10h45, os motores foram ligados e zarpamos do porto de Santana, no Amapá.

    A bordo do Esperanza navegam 20 tripulantes e outras 19 pessoas, entre a equipe do Greenpeace, jornalistas e cientistas. Nosso objetivo é claro: chegar até a região onde estão os recifes de corais da Amazônia, cerca de 110 km da costa. Ali, vamos tentar fazer as primeiras imagens dos recifes debaixo d’água e tentar observar como vivem seres praticamente desconhecidos.

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    O dia estava chuvoso, como é típico da temporada úmida na Amazônia. Mas tão logo o navio se distanciou do porto, a chuva foi diminuindo e um sol tímido iluminou nosso caminho sobre as águas do Rio Amazonas. Um sinal de boa vontade para a nossa aventura, que está apenas começando. 

    “Estou muito feliz de estar no Brasil, e ajudando essa campanha com o Esperanza”, comenta o nosso experiente capitão Joel Stewart, há 28 anos conosco no Greenpeace. Ele é acompanhado no mesmo entusiasmo pelos cientistas, que também não escondem a ansiedade.

    “Sair com o navio hoje foi inspirador, diria até rejuvenecedor”, afirma o professor do Laboratorio de Microbiologia da UFRJ, Fabiano Thompson. Para Ronaldo Francini Filho, biólogo da Universidade Federal da Paraíba, “é como um sonho se tornando realidade”. Afinal, todo mundo que trabalha com os oceanos um dia já sonhou em mergulhar em um submarino.

    E isso está prestes a acontecer, com uma dose extra de emoção e encantamento: ver pela primeira vez os corais recém-descobertos. Continue conosco. Em breve, contaremos mais sobre essa jornada e quem faz parte dela.

    Equipe do Greenpeace a bordo do Esperanza Foto: Marizilda Cruppe / Greenpeace

     

    Thais Herrero é jornalista, do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza Leia mais >

  • Brasileiros querem gerar a própria energia

    Postado por rgerhard - 4 - jan - 2017 às 15:30 3 comentários

    Pesquisa Datafolha mostra que, a despeito da resistência das distribuidoras elétricas, estamos mais conscientes dos benefícios da autogeração de energia; próximo passo é facilitar o acesso

     

    Instalação de placas solares em escola de Uberlândia Foto: Otávio Almeida/Greenpeace

     

    Num país que fechou o segundo ano em recessão e iniciou 2017 com 12 milhões de desempregados, todo mundo quer e precisa economizar. Pode ser no supermercado, no transporte e, porque não, na conta de luz.

    A energia elétrica teve papel protagonista em várias manchetes em 2015: praticamente todo mês um aumento novo era anunciado, totalizando mais de 50% na média nacional e 80% em algumas regiões. Ela perdeu um pouco o brilho em 2016, e parece cedo para dizer o que será deste ano, apesar de já estarmos em janeiro.

    É por isso que, quando recebemos o resultado da pesquisa sobre micro e minigeração de energia encomendada ao Datafolha, não nos surpreendeu o dado de que para 48% da população economizar na conta de luz é a principal motivação para gerar sua própria energia, por meio de placas solares, por exemplo.

    O segundo lugar, no entanto, foi sim surpreendente: 17% das pessoas se veem mais motivadas pela possibilidade de se tornarem independentes das distribuidoras de energia. No resultado regional, esse número sobe para 25% no Norte e Centro-Oeste.

    Verdade seja dita, a independência da distribuidora de energia é, na maioria das vezes, simbólica, mas ainda assim poderosa. O consumidor pode escolher acoplar baterias ao seu sistema - que podem, de forma prática, torná-lo completamente independente da distribuidora de energia -, ou não, caso em que precisará utilizar a própria rede elétrica como bateria, consumindo dela à noite, por exemplo.

    A curiosidade fica em saber se há um efeito de ação-reação nessa resposta ou não. Será que esses 17% sabem que algumas dessas distribuidoras estão, hoje, entre as mais resistentes à autogeração de energia? Essa oposição vem das mais diversas formas: ao querer impor aos clientes uma nova forma de tarifa pela qual é cobrado, separadamente, tanto a eletricidade consumida como a utilização da rede de distribuição; no recorrente descumprimento dos prazos e na exigência muitas vezes abusiva de documentações para que haja a conexão das placas solares ou das torres eólicas à rede elétrica.

    Se a oposição é forte, maior é o potencial de crescimento da micro e minigeração. Hoje são mais de 6.000 sistemas conectados à rede elétrica, um crescimento de mais de 300% se comparado ao mesmo período do ano passado. E a Agência Nacional de Energia Elétrica já deu a letra: até 2024 o Brasil pode ter mais de 1,2 milhão de sistemas. Com 80% da população já sabendo da possibilidade de gerar sua própria energia, só falta mesmo facilitar seu acesso, afinal 72% disseram que fariam a aquisição do sistema de autogeração se houvessem linhas de crédito com juros baixos e 50% estaria disposta a usar seu FGTS.

    Em qualquer das hipóteses, contudo, gerar sua própria energia é um ato de independência e empoderamento. Representa fortalecer os pequenos e médios negócios e devolver ao cidadão o poder de escolher de onde ele quer que sua eletricidade venha, deixando claro que não é de grandes empreendimentos que muitas vezes ferem direitos humanos e princípios éticos que tanto precisamos ver fortalecidos. Leia mais >

    Voluntários do Greenpeace Brasil promovem a energia solar em São Paulo Foto: Marina Yamaoka/Greenpeace

     

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