Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Desastre em Mariana: uma tragédia ainda em curso

    Postado por rgerhard - 2 - nov - 2016 às 19:30

    Entre lembranças e a indignação de quem ainda sofre os efeitos da destruição pela lama, Seminário Rio de Gente apresentou estudos que revelam a dimensão dos impactos ambientais e sociais na bacia do Rio Doce

    Painel discute impactos sociais sobre os atingidos Fotos: Julia Moraes / Greenpeace

     

    No centenário Hotel Providência, antigo seminário de freiras e internato de moças que recebeu os desabrigados pela lama da mineradora Samarco logo após o rompimento da barragem de Fundão, pesquisadores, ambientalistas, estudantes, lideranças comunitárias e alguns dos atingidos se reuniram para discutir a dimensão dos impactos causados pelo desastre, um ano atrás.

    O Seminário Rio de Gente, realizado nos dias 31/10 e 1/11, apresentou as primeiras avaliações dos estudos independentes que foram financiados com recursos de doações obtidos com shows beneficentes um mês após a tragédia. Pesquisadores de universidades e institutos brasileiros vêm analisando o tamanho dos danos ambientais e sociais nas áreas de água, flora, fauna, saúde e direitos dos atingidos a partir de expedições à região para coletar dados e amostras.   

    Os estudos vieram suprir a carência por parte das comunidades de dados oficiais que ou não existem ou não são divulgados pelo poder público. E o que se pôde constatar são implicações profundas, abrangentes e de longo prazo não só para a natureza, mas para a vida das pessoas. Não bastasse quem perdeu tudo no rompimento da barragem, a lama de rejeitos continua a fazer estragos e a impor sofrimento.

    Contaminação em expansão

    No caso da água, por exemplo, diante da inviabilidade de captá-la no rio, a tendência é que muitos procurem poços artesianos de forma desesperada, sem avaliar sua qualidade. A realidade encontrada por pesquisadores do Instituto de Biofísica da UFRJ foi a de agricultores familiares usando a água dos poços em suas plantações e para consumo humano e dos animais sem saber que estão com níveis de ferro e manganês bem acima do permitido até mesmo para a irrigação.

    Ou seja, a contaminação da lama nos rios também chegou ao subterrâneo. “É uma água de péssima qualidade, com gosto, cheiro e cor. Embora os altos níveis desses metais não ofereça risco de toxidade no consumo das plantas, eles prejudicam o seu crescimento e podem inviabilizar o cultivo. Ouvimos muitos relatos de agricultores que estão passando dificuldades, sem fonte de renda, pois muitas de suas plantações morreram após serem regadas ou não estão se desenvolvendo ou dando frutos”, conta o pesquisador André Pinheiro de Almeida. Para a saúde humana, o risco da ingestão direta da água com excesso de manganês pode causar infertilidade e sintomas próximos ao Parkinson em longo prazo.

    Segundo ele, a recuperação da contaminação por metais não será algo fácil ou rápida. “O metal não vai deixar de ser metal nem vai sair do rio sozinho. Ao contrário, espera-se que com o período de chuvas a lama acumulada nas margens volte a lançar mais poluentes para as águas”, diz Almeida.

    A lama de rejeitos continua a contaminar as águas da bacia do Rio Doce

     

    A acumulação de metais pelos animais também é foco de atenção dos pesquisadores da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana), pois, por meio da cadeia alimentar, a contaminação na água pode se espalhar pelo ambiente terrestre e afetar a biodiversidade. Os girinos, por exemplo, são larvas aquáticas de animais terrestres que podem acumular os poluentes em seus organismos e transmiti-los para os predadores. “Como é praticamente impossível impedir que os animais acessem as áreas contaminadas, o nosso trabalho é de observação de como esse processo de bioacumulação se expande. É um estudo de longo prazo”, afirma a doutora em Zoologia Flora Juncá.

    Muito além do bolso

    Do lado social, os efeitos da lama também se revelam devastadores para famílias que ainda lutam para recuperar suas vidas e fazer garantir seus direitos. Tanto pelos problemas de saúde físicos e emocionais causados pela lama quando pela quebra dos modos de vida, lazer e trabalho de quem tinha uma relação de interdependência com o rio.

    “A empresa segue a lógica econômica de reconhecer como impactos apenas os danos estruturais das casas ou de quem perdeu sua atividade de renda, mas quando você chega em campo e aprofunda  a investigação com as pessoas e entra em suas histórias, descobre que há danos intangíveis mais profundos que extrapolam a restrição da Samarco e estão sendo negligenciados”, diz Hauley Alvim, sociólogo, surfista e um dos pesquisadores do estudo sobre impactos sociais com os atingidos na foz do Rio Doce, em Regência (ES).

    Ele cita como exemplo o caso de um rapaz que é pescador, surfista, dono de pousada e pai. “Há uma sobreposição de danos que a empresa não reconhece. São histórias de quem teve rompida sua ligação com o ambiente e com a comunidade”, afirma.

    Lamaçal na justiça

    Ao avaliar o que foi feito no âmbito da justiça neste primeiro ano pós desastre, o promotor de Meio Ambiente do Ministério Público de Minas Gerais, Carlos Eduardo Ferreira Pinto, apontou como a tragédia socioambiental se tornou uma tragédia processual, a partir de disputas de competência na justiça que levam à protelação das medidas, e do “Acordão” firmado com a União e os governos de Minas e Espírito Santo que só serviu para blindar os responsáveis e terceirizar as consequências do desastre.

    “Precisamos rediscutir o acordo, que abriu caminho para a própria Samarco decidir o que fazer. Não são raros os descumprimento de obrigações, e as multas ambientais aplicadas são cosméticas, não trazem nenhum resultado para a comunidade, a empresa sempre recorre”, afirma. Apesar de o Acordo Interfederativo ter sido anulado, as empresas continuam atuando com base no que foi firmado nele.

     

    Promotor de Meio Ambiente do MP-MG fala ao público porque o desastre da Samarco não foi acidente

     

    A Fundação Renova, criada pela Samarco, Vale e BHP por meio do “Acordão” para ser a gestora de todas as ações de compensação e reparação, tem em seu conselho deliberativo apenas membros indicados pelas empresas. Na prática, é a Samarco decidindo o que é mais importante reparar e onde, quanto e quando aplicar os recursos, e não as comunidades estabelecendo suas prioridades. “Até o momento, o que está em andamento é a construção do dique de contenção na região de Bento Rodrigues. O argumento é de segurança, mas o que vemos são fortes indícios de uma grande estrutura de barragens que contemple um sistema maior de rejeitos, como já estava nos planos de expansão da empresa antes do desastre. O MP é totalmente contrário a isso”, denuncia o procurador.

    Cenas vivas de um rio morto

    No segundo dia do Seminário, os participantes se dividiram na parte da manhã em duas visitas de campo a locais onde as pesquisas de flora e saúde foram desenvolvidas. No caminho, foi possível ver como o desastre ainda se faz presente no "encontro das águas", do Ribeirão do Carmo com o rio Gualaxo, na lama que se acumula em suas margens e eliminou a mata ciliar, nas casas destruídas ou soterradas, nas marcas do barro nas árvores revelando o nível da onda marrom que as atingiu.

    "Encontro das águas": a lama do Ribeirão do Carmo continua chegando ao rio Gualaxo um ano após o rompimento da barragem de Fundão

     

    “O que mais me chocou nesse caminho foi ver o gado deitado sobre a lama ao lado do rio, bebendo aquela água suja, comendo o capim plantado pela Samarco para disfarçar o problema. Como o gado, vivem as pessoas, também de forma disfarçada. Para mim falta dignidade, e isso é o mínimo que qualquer um tem na vida”, disse a médica e presidente do Instituto Saúde e Sustentabilidade, Evangelina  Vormittag.

    “Eu não tinha me aproximado tão perto da água suja desde o desastre. Hoje foi um dos dias mais tristes da minha vida. Mas esse sentimento tem de ser exposto na medida em que estimula o trabalho. Temos que aproveitar as oportunidades como a deste encontro para estabelecer as ações futuras”, defendeu Shirley Krenak, uma das lideranças da comunidade indígena Krenak.

    Casa tomada pela lama no distrito de Gesteira

     

    Uma luta apenas começando

    No final do encontro, uma roda de discussão trouxe muitos momentos de lembranças doloridas, sentimentos sufocados e pedidos indignados de justiça, mas também ideias e propostas sobre como dar encaminhamento aos estudos e potencializar a força coletiva da comunidade em ações diretas. Entre as iniciativas, a de se criar núcleos catalizadores nos locais atingidos, criando uma rede de colaboradores do Rio Doce.

    “O desastre é tão grande que quando olhamos as consequências para todos a impressão é de ser impossível recuperar isso. Mas isso acredito que, com a mobilização de todos, de cada um, podemos fazer com que esse mal seja compensado mais rápido, e impedir que outras tragédias como essa aconteçam. Esperamos que esses estudos possam contribuir nessa direção”, diz Fabiana Alves, da campanha de Água do Greenpeace.

     

    Público debate como catalisar ações para promover a recuperação do Rio Doce

     

      Leia mais >

  • Diagnóstico do desastre

    Postado por rgerhard - 27 - out - 2016 às 17:15 2 comentários

    Conheça os estudos independentes do seminário Rio de Gente que vão nortear os debates sobre os impactos sociais e ambientais da lama no Rio Doce

    Bento Rodrigues engolida pela lama Foto: Victor Moriyama/Greenpeace

     

    Pouco mais de um mês após 40 bilhões de litros de lama da Samarco causar um rastro de 650 km de destruição, a mobilização de organizações e artistas que gerou o projeto Rio de Gente conseguiu arrecadas cerca de R$ 450 mil reais em dois shows beneficentes. O acordo foi que esses recursos seriam investidos em estudos e monitoramento independentes para avaliar os reais impactos em toda a extensão do Rio Doce. Agora, um ano depois do desastre, chegou a hora da primeira “prestação de contas”.

    Os seis estudos selecionados nas áreas de água, fauna, flora, saúde, impacto sociais e direitos humanos, realizados por pesquisadores de diversas universidades brasileiras, ainda não estão prontos – a previsão é que as conclusões saiam em janeiro – mas os resultados parciais serão compartilhados durante o “Seminário Rio de Gente: os desafios da recuperação do Rio Doce”, que realizaremos nos dias 31/10 e 1/11, no campus da UFOP, em Mariana (MG).

    A intenção é que os novos dados ajudem a alimentar o debate com especialistas e a comunidade sobre como impulsionar a recuperação do Rio Doce. “Queremos ter uma discussão com a sociedade para que ela se aproprie desses estudos e os use em suas reivindicações, tendo mais embasamento para as medidas de reparação”, diz Fabiana Alves, da Campanha de Água do Greenpeace.

    Em todas as expedições, entrevistas e rodas de conversa realizadas, as equipes relataram que foram muito bem recebidas, seja pelos agricultores como os moradores das cidades visitadas. “Isso deixa claro a carência de apoio e o anseio de respostas por parte da população”, afirma Fabiana.

    Conheça a seguir os objetivos de cada pesquisa e o que elas pretendem responder.

    Que água é essa?

    Em julho deste ano, uma equipe de sete pesquisadores da UFRJ, sob a coordenação do doutor em Biofísica Ambiental João Paulo Machado Torres, realizou sua primeira expedição para detectar possíveis contaminações na água usada para irrigação e consumo animal nas propriedades de agricultores familiares da bacia do Rio Doce. Foram coletadas amostras em 48 pontos diferentes ao longo de 300 km da região para determinar a presença de metais pesados como chumbo, arsênio, mercúrio, manganês e cádmio.

    Ter dados confiáveis é o primeiro passo para avaliar os impactos reais na vida das pessoas e na natureza Foto: Todd Southgate / Greenpeace

    O que os animais revelam?

    Alguns bichos, por serem tão sensíveis ao lugar que vivem, funcionam como bioindicadores, ou seja, conseguem transmitir as condições ou alterações do ambiente natural. É por isso que pesquisadores da UFBA e da UEFS, liderados pela doutora em Zoologia Flora Juncá, se voltaram com tanta atenção para girinos, peixes, crustáceos e bivalves (animais que possuem duas conchas) expostos às áreas de rejeitos em 15 pontos da bacia do Rio Doce. Após coletar esse animais, eles analisam se esses animais estão acumulando metais em seus organismos.

    Como ter a floresta de volta?

    Quando a barragem se rompeu, a onda de lama varreu e soterrou o que estava pela frente, incluindo a vegetação e áreas agrícolas, criando uma grossa camada de barro e rejeito de mineração de ferro sobre o solo original. Qual a forma mais efetiva de recuperar as florestas nessas condições é o que a pesquisa conduzida pelo doutor em Biologia Vegetal e professor da Esalq/USP Ricardo Rodrigues e sua equipe pretende avaliar.

    Para isso, propriedades rurais da região servirão de experimento para testar diferentes metodologias de restauração. Elas serão comparadas, levando em conta os custos de implantação e manutenção e sua eficiência nas condições ambientais ali existentes. Para isso, integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) se propuseram a conseguir a mão-de-obra dentro do próprio movimento e as espécies da Mata Atlântica serão fornecidas por uma empresa de Governador Valadares, cujo viveiro pode produzir até um milhão de mudas por ano.

    Como fazer a floresta rebrotar da lama é um dos objetivos da pesquisa Foto: Victor Moriyama / Greenpeace

     

    O quanto a vida mudou?

    Nem só o ambiente foi alterado. O impacto da lama, além de causar 20 mortes, incluindo um aborto, alterou profundamente a vida das pessoas, mas quanto? Por meio de questionários e entrevistas, rodas de conversa e observações em espaços de interação, a investigação desenvolvida pela cientista social Flávia Amboss Merçon Leonardo, pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Populações Pesqueiras e Desenvolvimento no Espírito Santo (GEPPEDES), busca traçar a dimensão social do desastre, mensurando o impacto no cotidiano, nos modos de trabalho e no lazer dos atingidos que vivem na região da foz do Rio Doce, no litoral do Espírito Santo.

    A lama também atingiu histórias de vidas que lutam para não desaparecer Foto: Todd Southgate / Greenpeace

    Quais os riscos para a saúde?

    Mesmo após a tragédia, a lama continua afetando os moradores, que sofrem com doenças de pele e problemas respiratórios, sem que a Samarco e os órgão oficiais divulguem dados confiáveis sobre os efeitos para a saúde. E é justamente isso que a avaliação conduzida pela doutora em Patologia e diretora do Instituto Saúde e Sustentabilidade, Evangelina Vormittag, pretende identificar. A intenção é que, com dados claros sobre os impactos na saúde física e mental, o estudo a partir de três mil habitantes de Bento Rodrigues e Barra Longa possa orientar as ações e auxiliar os governantes em suas escolhas sobre políticas e programas prioritários para reduzir os danos em saúde e a gravidade das repercussões futuras.

    Como amparar os mais fracos?

    Entre tantos afetados, o povo Krenak está entre os mais vulneráveis. Para avaliar os danos aos direitos humanos da comunidade indígena, a pesquisadora Leticia Soares Peixoto Aleixo, da UFMG, tem visitado as aldeias para estudar como a lama impactou a vida dos índios, identificar as consequências jurídicas e as medidas judiciais e extrajudiciais capazes de reparação a esse povo que vive às margens do Rio Doce e já foi tão castigado no convívio com a sociedade. Leia mais >

    O povo Krenak, às margens do Rio Doce, é uma das vítimas mais frágeis da tragédia Foto: Nicoló Lanfranchi / Greenpeace

     
  •  

    Baleias e os Voluntários do Greenpeace: Uma velha história de amor e mobilização!
     

    Quando eu decidi fazer engenharia ambiental, lembro bem de um amigo me perguntando “ então quer dizer que você vai salvar as baleias?”. Trabalhar com meio ambiente vai muito além de salvar as baleias, aprendi isso nos 05 anos de universidade e nos 10 anos de experiência na área, mas não dá pra negar a forte conexão do tema com as antigas  imagens de ativistas em alto mar, em navios, lutando contra a caça de baleias. As baleias tornaram-se um ícone para o movimento ambientalista, e os voluntários e ativistas do Greenpeace fizeram parte disso desde a década de 70.

    Talvez por isso, há pouco mais de um mês, quando recebemos a notícia de que iríamos lançar uma mobilização para a criação do Santuário das Baleias, soubemos que poderíamos contar com toda a ajuda de nossos voluntários e ativistas para defender essa causa, mesmo  sabendo que a mobilização tinha data marcada para acabar. E estávamos muito certos.

     Quando mal esperávamos, nossos voluntários já organizavam palestras, mobilizações online, pontos verdes  e até seus próprios materiais de comunicação estilizados para falar sobre o assunto, e sempre que havia uma brecha, levavam os temas para praias e atividades com outras organizações.

     “ Engajamento? Sim, foi à definição encontrada para as atividades desenvolvidas pelo Grupo de Voluntários de São Luís. Houve reuniões, estratégias, chuva de ideias, flash mob social, vídeo e gifs super animados, confecção de camisas, plaquinhas e origamis de papel reciclado, tudo isso para expandir o número de pessoas conhecedoras da causa.”  O depoimento de Cynthia Carvalho, voluntária de São Luís do Maranhão, é uma representação clara de todo o envolvimento necessário para que uma atividade de mobilização aconteça da melhor forma, e o quanto exige comprometimento e planejamento dos nossos voluntários. “Como parte integrante desse grupo, friso que a ação, ou melhor, as ações voltadas para criação do Santuário das Baleias fortificaram a ideia de que pequenas atitudes em conjunto são capazes de alavancar não somente o grupo idealizador de cada atividade, mas uma cidade  que a partir do momento que toma conhecimento, questiona e se permite aprender sobre o Santuários das Baleias, bem como sobre o Greenpeace, a prova foram as metas alcançadas em assinaturas.”  Completa a jovem maranhense.

    Nas duas últimas semanas prévias à data em que a Comissão Internacional da Baleia votará a criação do Santuário entre 20 e 28 de outubro, na Eslovênia, nossos voluntários  de Salvador, São Luís do Maranhão, São Paulo, Florianópolis, Brasília e Manaus intensificaram as atividades nas ruas e os resultados vocês podem ver nesse álbum de fotos, com várias intervenções criativas que trouxeram o tema para mais perto dos brasileiros.

    Além dos voluntários, as pessoas que participaram das atividades também mostraram carinho à causa.“ Praticamente 100% das pessoas que abordamos toparam assinar a petição e tiveram reações ótimas. Ouvimos muitos “vocês estão de parabéns” e “que bom que existem pessoas fazendo esse trabalho de conscientização”, reações de admiração que dão um gás pra continuar. Também foi muito gratificante poder levar uma informação tão importante e que dificilmente chega para a maior parte da população. Esse trabalho de formiguinha e o contato com as pessoas é essencial, uma ONG não existe sem pessoas e sem elas a mudança não acontece.” garantiu Clara, voluntária de Florianópolis que realizou uma atividade com seu Grupo, no último sábado, na famosa Lagoa Conceição.

    Mas com tanta atividade assim, não pensem que a animação desses voluntários acabou não. No fim de semana em que a votação ocorria, os voluntários de Porto Alegre e São Paulo continuaram a mobilização para alertar a importância do momento para os brasileiros, e aproveitaram o tema para conectar diversas causas ambientais. No Rio de Janeiro, Júlia Rosa, voluntária que está organizando junto com a UNIRIO uma limpeza da Praia Vermelha para o próximo sábado, nos fez um convite difícil de negar “precisamos de voluntários com vontade de proteger a biodiversidade do mundo e nosso meio ambiente! Juntos podemos fazer  a diferença e mostrando às pessoas a importância da proteção dos Oceanos, seja com o descarte correto do lixo, seja apoiando a causa das baleias.Já fomos às ruas pressionar e pedir pela criação do Santuário a Comissão Internacional de Baleias. Neste próximo sábado vamos continuar falando desse assunto, e esperamos realizar essa atividade como uma comemoração da nossa vitória”.

    Mais uma vez, nossos voluntários mostram maturidade e autonomia liderando atividades criativas e cheias de energia, compreendendo cada dia mais que nossas causas estão todas conectadas. E nada como uma velha e antiga paixão, como a das Baleias, para despertar esse ativismo com tudo! Obrigada por se unir a nós seja assinando a petição, seja doando seu dinheiro, seja doando seu tempo para ouvir um voluntário e assinar a petição nas ruas e sendo um voluntário! Estamos todos juntos e engajados nessa causa.

      Leia mais >

  • Cá entre nós - Entrevista com Doador

    Postado por tbatista - 17 - out - 2016 às 11:03

    Há quase 2 anos, Naone Garcia é doador do Greenpeace. Capixaba de coração, a paixão pelo meio ambiente surgiu por influência de sua família que sempre o educou cultivando o respeito pela natureza e os animais.

    Formado em economia, sabe que a origem do progresso do país veio do extrativismo, mas decidiu partir para outro caminho e por um longo período utilizou seus conhecimentos para trabalhar no relacionamento com comunidades e dentro do possível amenizar os problemas das pessoas.

     

    Naone foi vegetariano (hoje come menos carne) e isso fez seu relacionamento com o meio ambiente aumentar e também o motivou a estudar mais sobre os problemas sistemáticos que a pecuária gera para a natureza.

     “Gostei muito da campanha ‘Carne ao molho madeira’, o ideal seria que todos fossem vegetarianos, como não é possível e eu mesmo não consegui, pelo menos a agropecuária realizada de forma consciente já é um avanço.”

     Em seu tempo livre, Naone  nada no mar, fazendo travessias de até 2 quilômetros. Durante seus percursos ele encontra peixes e tartarugas e este é o momento de maior conexão com a natureza. Ele e o grupo que realiza esse percurso são conectados e brigam pelo mar e sua preservação.

     

    “Vitória é pequena, tem um saneamento bom, porém sofre com o impacto regional e também por ser perto do Porto de Tubarão, paga pelo preço de um passado onde não existiu a preocupação com o derramamento de minério na praia.”

     Decidiu ser doador depois de acompanhar o trabalho do Greenpeace por e-mails e na sequência bater um papo com nossa equipe nas ruas.

     “Não concordo 100% com o radicalismo do Greenpeace, mas não deixo de doar. Com tantos problemas e atenção dividida pra todo lado, talvez o caminho seja esse mesmo, só assim conseguem conquistar a atenção sobre as questões envolvendo o planeta. Outra coisa que admiro é a coragem do Greenpeace de ser independente, vejo muito valor nisso! Conseguir recursos é uma luta diária e em nome da liberdade recusar recursos é realmente admirável e fortalecedor.”

     “Mesmo com uma doação pequena, quando paro para pensar que o que eu doo somado a muitas outras pessoas fazem tudo isso acontecer, me deixa bem contente”

      Quer ser o próximo doador entrevistado, manifeste seu interesse escrevendo para nós:  

      Leia mais >

  • Habitat 3 e as cidades que queremos

    Postado por rgerhard - 13 - out - 2016 às 18:30

    Desembarcamos na grande conferência da ONU sobre desenvolvimento urbano sustentável para discutir o poder dos cidadãos no rumo das nossas metrópoles

    Compromissos para tornar as cidades melhores de se viver serão debatidos na capital equatoriana

     

    Nesta semana, de 14 a 20 de outubro, começa em Quito, no Equador, a Habitat III. Se você nunca ouviu falar sobre ela, é porque a grande conferência da ONU sobre moradia e desenvolvimento urbano só aconteceu duas vezes, em intervalos de 20 anos. A primeira em Vancouver, no Canadá, em 1976, e a segunda em Istambul, na Turquia, em 1996. Na capital equatoriana, cerca de 45 mil pessoas de todo o mundo se reunirão com a missão de estabelecer uma nova agenda urbana que torne nossas cidades melhores para se viver. Serão negociados compromissos em áreas como habitação, acessibilidade, inclusão social, saúde, meio ambiente, mobilidade, imigração, economia local, ou seja, tudo aquilo que afeta diretamente o nosso dia-a-dia, que define o modelo de cidade que queremos e que envolve atores que vão de governos a empresas, academia e os diversos segmentos da sociedade civil.

    O Greenpeace, que acredita no poder das pessoas para transformar a realidade, não poderia ficar de fora. Além de acompanhar as negociações e debater sobre as iniciativas em desenvolvimento sustentável urbano mais interessantes em prática pelo mundo, realizaremos um evento em parceria com as organizações Engajamundo e Ciudad Emergente, como parte da programação oficial dos networking events, para debater formas de ampliar a voz das pessoas nas decisões sobre o rumo das cidades.

    No dia 17, às 16h30, todos os credenciados na Habitat 3 estão convidados a participar do encontro “People power in cities: Finding ways to strengthen urban movements”, na Sala 2 da Casa de Cultura Equatoriana Benjamín Carrión para discutirmos, juntos, como empoderar cidadãos e fortalecer os movimentos urbanos para que sejam agentes de transformação. Estarão presentes representantes do Brasil, México, Alemanha e Rússia para compartilhar ideias e experiências de engajamento coletivo.

    “Enquanto a ONU se esforça para chegar, com dificuldade, a um documento final que seja significativo, muita gente já está transformando a realidade das cidades na prática por meio de organizações e movimentos urbanos. E nós estamos ao lado dessas pessoas. Vivemos um momento em que as soluções concretas têm de acontecer o mais rápido possível”, afirma Pedro Telles, do projeto Megacidades do Greenpeace Brasil. A seguir, ele avalia a expectativa de resultados para esta conferência.

    Qual a importâcia da Habitat 3?

    Estamos na terceira grande conferência da ONU  para discutir questões de habitação e de desenvolvimento urbano sustentável. Ela é importante por ser um momento em que a comunidade internacional se reúne para olhar com mais atenção o processo de desenvolvimento das cidades. A gente sabe que o crescimento rápido das cidades tem sido determinante em relação às mudanças do clima e à perda de biodiversidade. Temos que agir com firmeza para superar os desafios socioambientais que enfrentamos, e mesmo que o resultado oficial das negociações não pareça muito promissor, temos que fortalecer movimentos que trabalham pela mudança.

    Como avalia o rascunho dessa “Nova Agenda Urbana” sendo negociada na Habitat 3?

    Por mais que ela contemple princípios importantes em relação ao enfrentamento das mudanças climáticas, pobreza e desigualdade, e direitos humanos, é um documento superficial, frágil. O processo de negociação resultou em compromissos vagos, sem números ou datas, apenas intenções. E a gente sabe que quando isso acontece há poucas chances de se chegar a algo concreto. Ao mesmo tempo, a conferência cria um momento para ongs, movimentos sociais e cidadãos do mundo inteiro se encontrarem e discutirem, juntos, as mudanças que já estamos construindo. As conferências da ONU têm esse poder de unir pessoas do mundo todo em torno de uma pauta comum. Estamos indo para lá para aprender e construir com os outros. Queremos fortalecer o trabalho que está acontecendo.

    O Acordo de Paris para o clima terá implicações no rumo das cidades?

    Sim, já está influenciando os debates, está presente em grande parte das conversas. Principalmente no âmbito da ONU, ninguém ignora o Acordo de Paris. Mas apesar de sua influência, ele está pouco refletido no documento em negociação da Habitat 3. Ainda está muito superficial, não foi no nível do detalhe que poderia ter ido, que é o de mostrar concretamente como transformar o Acordo de Paris em realidade nas cidades. As cidades são as maiores emissoras de gases de efeito estufa – são o problema e também a solução.

    Por que o Greenpeace se voltou para as questões urbanas?

    As cidades estão crescendo muito rápido. Metade da população hoje é urbana e chegará a 70% na metade do século. São onde a maioria das pessoas vive e gera impactos. Em muitos casos governos locais estão avançando mais rapidamente na criação de soluções que governos nacionais ou o nível internacional. E algumas cidades concentram tanto poder econômico e político que, se você interfere nelas, induz transformações no país ou no mundo todo. São Paulo é um exemplo disso, como Berlim, Bankok, Moscou e Cidade do México, para citar algumas das cidades que o Greenpeace tem buscado atuar, por meio do projeto Megacidades.

    O que o Greenpeace entende como empoderamento dos cidadãos e como isso pode resolver os problemas das cidades?

    Existem duas esferas de empoderamento. A primeira é quando pessoas mudam seus hábitos cotidianos, transformando a forma como elas vivem para melhor. A segunda é quando elas se organizam e passam a ter capacidade, juntas, de desafiar e pressionar governos e empresas a promover mudanças em larga escala. É fundamental trabalhar as duas formas de empoderamento. Mas enquanto temos visto muito debate em relação à primeira, a adoção de hábitos mais sustentáveis pelas pessoas, sentimos que precisamos avançar mais na segunda questão, em como o cidadão e os movimentos sociais podem se juntar para aumentar sua força coletivamente, porque para o tamanho dos desafios que vivemos é preciso mudar muita coisa rápido.

    Por sua importância política e econômica, São Paulo é uma das Megacidades que podem influenciar muitas outras no país e no mundo Leia mais >

     
  • Greenpeace e Santos FC unidos pelas baleias

    Postado por rgerhard - 8 - out - 2016 às 11:34

    O time da Vila Belmiro, que tem a Baleinha e o Baleião como mascotes, também entrou na luta pela criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul

    Torcida do Santos FC estende bandeira no início do jogo no estádio da Vila Belmiro Fotos: Otávio Almeida/Greenpeace

     

    Quem imaginaria uma associação tão feliz entre futebol e baleias? Nós, do Greenpeace, recebemos com muita alegria a participação do Santos FC na ampla campanha global pela criação de um santuário em nosso oceano que poderá proteger 51 espécies de baleias e golfinhos – muitas das espécies estão ameaçadas de extinção e ainda sofrem com a caça comercial disfarçada de científica.

    Não faltou demonstração de apoio, tanto do time como de seus torcedores. Para conferir isso, fomos até o estádio na Vila Belmiro em três jogos da Copa do Brasil e do Brasileirão. Além da enorme camisa de 18 metros aberta pela torcida nas arquibancadas, os mascotes entraram em campo com o banner pedindo assinaturas para a petição que criamos em parceria com muitas outras organizações para pressionar os países-membros da Comissão Internacional da Baleia a votar SIM pelo santuário. A proposta dessa área de proteção será colocada em votação agora no final de outubro, na Eslovênia, e não podemos perder essa chance, pois ainda há países que defendem a volta da caça comercial desses animais incríveis.

     

    E como o Santos foi vitorioso em todos os jogos que comparecemos (somos pé quente!) também teremos sucesso com o santuário, mas para isso precisamos de você. Se ainda não assinou a petição, a hora é agora, clique aqui!

    Para ver alguns momentos especiais dessa união que rolou na Vila Belmiro, confira o video abaixo.

      Leia mais >

  • Como as novas gerações vão expandir a energia solar

    Postado por therrero - 7 - out - 2016 às 13:01

    Rodrigo Sauaia, presidente da Absolar, fala ao Greenpeace Brasil sobre a importância de investir e ouvir os jovens empreendedores, principalmente os interessados em energia solar.

    Rodrigo Sauaia, da Absolar, fala no Seminário Desafio Solar para Modelos de Negócios. (Foto: Julia Moraes/Greenpeace)

    O Greenpeace Brasil e a NESsT Brasil lançaram um desafio: convocar universitários de todo o país para trazerem suas ideias de como democratizar a energia solar. O concurso Desafio Solar para Negócios Sociais teve mais de 250 inscrições e mostrou que há muitos jovens com boas ideias por aí.

    Ao longo de cinco meses, grupos selecionados participaram de seminários, palestras e mentorias com profissionais do mercado. Assim, eles receberam informações valiosas para conseguir tirar suas ideias do papel.

    Segundo Rodrigo Sauaia, presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Fotovoltaica (ABSOLAR) é muito importante ouvir esses jovens e incentivá-los, ainda mais quando o interesse é por uma fonte limpa e renovável de energia.

    Sauaia conversou com a equipe do Greenpeace Brasil sobre jovens e empreendedorismo, leia abaixo.

    Greenpeace Brasil: Por que um investidor deveria apostar nos projetos de jovens como os que participaram do Desafio Solar para Negócios Sociais?

    Rodrigo Sauaia: Jovens empreendedores trazem uma perspectiva única para o mundo dos negócios, pois contam com uma série de pontos favoráveis ao desenvolvimento e crescimento de empresas de alto impacto: eles possuem disposição para enfrentar riscos e situações desconhecidas; são capazes de identificar e se adaptar com agilidade a novos ambientes, tendências e oportunidades; têm o tempo a seu favor para aprender com os erros e recomeçar sempre que necessário; estão menos presos a compromissos, responsabilidades e dogmas que limitem suas opções de decisão; e contam com altos níveis de disposição, energia e paixão para empreender com alta performance.

    Por estes e outros motivos, muitos investidores que no passado preferiam buscar por empreendedores e times experientes incorporaram em sua estratégia de atuação a seleção de jovens talentos capazes de construir as novas tendências do mercado. Não por acaso, muitos dos principais empreendedores da atualidade começaram seus negócios entre 20 e 30 anos de idade – incluindo os fundadores de algumas das maiores empresas dos dias de hoje, entre elas: Google, Apple, Microsoft, Facebook e Walmart. Ou seja, os jovens empreendedores representam um grande potencial e o mesmo se aplica no setor de energia solar fotovoltaica.

    Greenpeace Brasil: O que esses jovens representam em relação ao futuro da geração solar e dos negócios ligados a esse setor, aqui no Brasil?

    Rodrigo Sauaia: Jovens empreendedores trazem novas ideias e propostas de modelos de negócios inovadoras e audaciosas, capazes de gerar transformações positivas para seus clientes, parceiros e fornecedores. Além disso, a população jovem representa um dos principais potenciais de mercado para a energia solar fotovoltaica.

    Pesquisas recentes, desenvolvidas por uma das principais consultorias internacionais e com a participação de mais de 10 mil entrevistados de 17 países diferentes, indicam uma grande disposição dos jovens adultos (entre 18 e 34 anos) em adotar novas tecnologias. Em especial, mais de 55% deles pretende instalar energia solar fotovoltaica em suas residências nos próximos cinco anos. Ou seja, as novas gerações já incorporam a energia solar fotovoltaica como um interesse pessoal e uma evolução natural da geração de eletricidade. Isso se refletirá diretamente nos negócios do setor elétrico.

    Greenpeace Brasil: O que um concurso como o Desafio Solar agrega ao setor de energia?

    Rodrigo Sauaia: Além de fomentar o desenvolvimento e a maturação de novas ideias e propostas de negócio em energia solar fotovoltaica, o grande diferencial do Desafio Solar é justamente o seu foco em modelos de negócios sociais. Esse tipo de negócio tem um potencial único de gerar não apenas valor econômico, mas principalmente transformação de vidas e comunidades, através da aplicação da energia solar fotovoltaica para solucionar problemas rotineiros e trazer mais qualidade de vida à população.

    A sinergia entre a energia solar fotovoltaica e a transformação de vidas é muito grande. A tecnologia traz dentre seus principais benefícios a geração de novas oportunidades de emprego, o alívio econômico pela redução de custos à população e às empresas, a redução de emissões de gases de efeito estufa, o aumento da diversidade energética renovável e da segurança energética do país, entre outros.

      

     

      Leia mais >

  • Filme mostra os impactos das hidrelétricas na Amazônia

    Postado por llila - 5 - out - 2016 às 14:40

    As hidrelétricas construídas na Amazônia causam grandes impactos negativos para as comunidades e para a biodiversidade da floresta. O documentário “Belo Monte – Depois da inundação”, de Todd Southgate, percorre a cidade de Altamira e o rio Xingu para registrar o que está acontecendo na vida das pessoas depois do enchimento do reservatório da barragem de Belo Monte, no início de 2016.

    O filme mostra a promessa de um desenvolvimento que nunca chegou à região e que, pelo contrário, trouxe problemas como a falta de peixe, a mudança do comportamento do rio, remoções forçadas e caos urbano. Apesar de tudo isso, o governo tem planos de continuar construindo hidrelétricas na Amazônia e o próximo alvo é o rio Tapajós, onde o diretor também esteve para retratar a luta do povo Munduruku contra as barragens.

    No dia 8 de outubro, a partir das 17h, ocorre a pré-estreia do filme, narrado pelo ator Marcos Palmeira, com a presença do diretor e duas lideranças indígenas: Edovaldo Datie Munduruku, do rio Tapajós e Jailson Juruna, do rio Xingu.

    Setembro Verde - Matilha Cultural

    O evento é parte do encerramento do Setembro Verde, um projeto multimídia colaborativo com foco em temas políticos e socioambientais que ocorre anualmente na Matilha Cultural (Rua Rêgo Freitas, 542, centro de São Paulo). A edição deste ano, realizada em parceria com o Greenpeace, traz a Amazônia para o centro do debate, com foco no rio Tapajós e os impactos nocivos da construção de hidrelétricas na região.

    Participe! Inscrições neste link.

    Evento no Facebook

     

  • Caça científica de baleias é balela

    Postado por rgerhard - 5 - out - 2016 às 11:07

    Nenhum estudo justifica a morte desses animais. Conheça algumas das pesquisas não-letais feitas com baleias em nossa costa

    Uma jubarte com seu filhote © Ralf Kiefner / Greenpeace

     

    Apesar de a caça comercial das baleias ser proibida desde 1986, alguns países que ainda são flagrados capturando esses animais justificam se tratar de “caça científica”, ou seja, para fins de pesquisa. Mas, afinal, nos dias de hoje, ainda há algum tipo de estudo que exija sua captura e morte? Pesquisadores que se dedicam a conhecer seriamente as baleias afirmam, categoricamente, que NÃO.

    Há anos, diversas universidades e institutos brasileiros vêm desenvolvendo pesquisas não-letais (que não levam os animais à morte) com as diferentes espécies que frequentam a nossa costa, como a jubarte, a franca, a de bryde, a azul, entre outras. Com o uso da tecnologia, os pesquisadores conseguem coletar amostras e registrar dados dessas gigantes marinhas em seu ambiente natural sem agredi-las. Conheça algumas dessas técnicas e seus objetivos.

    Censo aéreo

    Monitorar a espécie para determinar quantas são e onde elas estão é um dos primeiros passos para se conhecer as baleias. Isso costuma ser feito, periodicamente, por censo aéreo, ou seja, sobrevoando vastas regiões da costa e, lá de cima, contar os animais que são avistados. Para áreas menores, mais localizadas, o uso de drones passou a ser usado também.

    A partir do censo, foi possível constatar que a população das jubartes, uma das nossas visitantes mais frequentes, está aos poucos se recuperando. Ela migra das regiões polares para as águas quentinhas da Bahia quando é hora de namorar e se distribui pela plataforma continental em uma faixa de mais de 100 km da costa e até 500 metros de profundidade. “Em 2015, foram registrados 17 mil animais na costa brasileira – quase 90% estão no banco de Abrolhos, no sul da Bahia, local de reprodução e alimentação”, conta a coordenadora nacional do Projeto Baleia Jubarte, Márcia Engel.

    As marcas na cauda de uma jubarte são únicas em cada indivíduo Foto: Bemfica Expedições

    Fotoidentificação

    As marcas nas nadadeiras das baleias de bride e as calosidades na pele das baleias franca são características únicas, como nossas impressões digitais. Assim, os pesquisadores possuem álbuns de fotos que funcionam como um banco de RGs para as espécies. As baleias já “fichadas” podem ser facilmente identificadas, o que é útil para determinar suas rotas de navegação e migração. No caso das jubartes, que estão presentes em todos os oceanos, foi possível reconhecer um indivíduo em Madagascar que já havia passado pela costa da Bahia – isso que é gostar de viajar.

    Coleta de material para biópsia em uma baleia-de-bryde Foto: MAQUA-UERJ

    Um “beliscão”

    Mesmo a biopsia, a técnica mais invasiva, pode ser feita de forma remota. Bem diferente de um arpão, é usado apenas uma flecha, com um flutuador e um coletor de 2 cm na ponta. “Ao ser disparada, ela dá um beliscão na baleia, coletando um pedacinho da pele e da gordura, que são usadas para análises genéticas, hormonais e toxicológicas, sem precisar capturá-la”, conta José Lailson, um dos coordenadores do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (MAQUA), do Departamento de Oceanografia da UERJ. Segundo ele, a análise da carcaça dos animais pode revelar muitas informações, mas isso é feito apenas com os animais que encalham ou chegam mortos à costa, sem a necessidade de caçá-los.

    Como as baleias se alimentam em áreas muito baixas, quase polares, elas funcionam como bioindicadores da qualidade ambiental daquela região. Ou seja, dá para saber qual o nível de poluentes que estão alcançando os locais mais remotos sem ter ido para lá, apenas medindo a concentração de contaminantes no tecido da baleia.

    Entendendo o baleiês

    Pesquisadores instalam gravadores aquáticos na Ilha de Trindade Foto: MAQUA-UERJ

    As baleias emitem sons de baixa frequência que percorrem centenas de quilômetros no oceano para localizar grupos ou encontrar a parceira ideal. Mas apesar dessa amplitude, ninguém nunca ficou surdo ao mergulhar perto de uma baleia. “Pelo registro acústico conseguimos descobrir quais espécies estão presentes em uma região, pois cada uma tem o seu som específico”, diz o pesquisador Alexandre de Freitas Azevedo, do Maqua. Em parceria com o EcoMega/FURG e apoio da Marinha do Brasil e do CNPq, os pesquisadores instalaram gravadores aquáticos autônomos para registrar os sons das baleias na Ilha de Trindade.

    Cruzeiros de pesquisa

    Quando é preciso observar comportamentos e fazer estudos mais aprofundados sobre a saúde das baleias, os pesquisadores embarcam em expedições científicas para acompanhá-las de pertinho. Em setembro, um grupo de pesquisadores realizou a I Expedição Científica Bioacústica à Vela, ao navegar 750 milhas náuticas em um veleiro de 30 pés para realizar o mapeamento acústico de 23 grupos de baleias jubarte no Parque Marinho de Abrolhos. Foram registrados o canto dos machos em 43 pontos de gravação.

    Pesquisadores no veleiro Lucky Lady observam as jubartes no Parque Nacional de Abrolhos Foto: Bemfica Expedições

     

    Um refúgio marinho

    Para garantir que apenas a pesquisa não-letal continue sendo feita em nosso oceano, os pesquisadores, como diplomatas, ambientalistas e governos, estão pressionando os países-membros da Comissão Internacional da Baleia a votar pela criação de um santuário no Atlântico Sul, neste final de outubro, que poderá proteger 51 espécies de baleias e golfinhos que habitam essas águas.

    “O santuário será uma oportunidade de cooperação entre os países para uma série de pesquisas, assim como o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis, como o turismo de observação de baleias, que pode ser uma importante fonte de renda para comunidades em desenvolvimento”, avalia a Márcia Engel, do Projeto Baleia Jubarte. 

    Você também pode participar deste movimento. 

      Assine a petição  

      Leia mais >

  • Seminário abordará como levar a energia solar para todo o Brasil

    Postado por therrero - 30 - ago - 2016 às 15:26

    Em São Paulo, evento do Greenpeace e da NESsT Brasil reune empresários, especialistas e estudantes interessados em democratizar a energia solar

    Foto: Otávio Almeida/Greenpeace Leia mais >

    Se você acredita que todos os brasileiros poderiam ter garantia de energia elétrica em suas casas, se você acha que pagamos caro demais em nossas contas de luz e se você pensa que deveríamos aproveitar mais o sol enquanto fonte de energia... então você defende a democratização da energia solar no Brasil!

    Aproveite para participar do Seminário Modelos de Negócios Para a Energia Solar no Brasil, dia 5 de setembro, em São Paulo (SP). O evento reunirá empresários, investidores e especialistas do setor de energia e de negócios que são exemplos inspiradores para mostrar possíveis caminhos na área.

    Também estarão presentes os participantes finalistas do Desafio Solar. Eles estão desenvolvendo modelos de negócios para aumentar a inserção da energia solar fotovoltaica no país.

    Nesta etapa do Desafio Solar, abrimos as portas para que os estudantes, especialistas e interessados da sociedade em geral se encontrem para um momento de rica troca de experiências, ideias e iniciativas. Não fique fora dessa oportunidade! Faça sua inscrição no site.

    O Desafio Solar é um concurso organizado pelo Greenpeace Brasil e pela NESsT Brasil, uma incubadora de negócios sociais. Estamos em busca das melhores ideias para levar a energia solar a muito e muitos brasileiros. Para mais informações, leia abaixo.

111 - 120 de 3074 resultados.