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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Mas o que o Greenpeace Índia fez de errado?

    Postado por Sondhya Gupta - 2 - jun - 2015 às 10:17

    "Repressão do governo = fechamento do Greenpeace Índia. Junte-se à resistência" diz imagem feita pelo escritório indiano. ©Greenpeace

     

    Nos últimos quinze anos, o Greenpeace Índia conquistou importantes vitórias. Trabalhamos para conseguir ar limpo, água limpa e energia limpa para o país. Fazendo isso, nós desafiamos a indústria do combustível fóssil e apontamos a culpa de diversas corporações. Às vezes, nós discordamos do governo também. E isso nos colocou como alvo do Ministério do Interior da Índia (MI).

    A maior crítica do MI em relação ao Greenpeace é que nós “impedimos o desenvolvimento” da Índia. Somos acusados de parar o crescimento econômico do país apenas porque não queremos ver as leis ambientais serem enfraquecidas às custas de um desenvolvimento que destroi as florestas, comunidades e a biodiversidade.

    Mas um futuro que depende de combustíveis fósseis não é o caminho para o desenvolvimento. Nós já mostramos que o crescimento é possível com fontes renováveis, como em Dharnai, cidade indiana. Assim como ficamos ao lado dos cidadãos da região de Mahan, que queriam proteger suas florestas milenares da mineração de carvão.

    Parece que sofremos essa represália hoje porque fizemos algumas perguntas difíceis a pessoas muito importantes. Seja contra o grupo que queria devastar as florestas de Essar ou contra a empresa que queria destruir a Grande Barreira de Coral de Adani, o Greenpeace nunca terá medo de falar mais alto. Mas falar o que quer tem seu preço, e agora lutamos pelo direito de existir.

    Há exatamente um ano...

    Tudo começou em junho de 2014, quando o Ministério do Interior da Índia apresentou inúmeras alegações e tomou uma série de medidas contra o escritório do Greenpeace no país.

    No entanto, o discurso principal do MI é que nós trabalhamos deliberadamente para ferir a economia, o que seria uma ação contra a Índia. Eles cortaram nossas doações internacionais e proibiram um de nossos coordenadores de campanha de viajar. Finalmente, em abril de 2015, as contas bancárias domésticas do Greenpeace Índia foram igualmente congeladas, tornando inviável o pagamento de funcionários e a continuação das operações.

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    Processo está na Alta Corte

    O MI tem usado um raciocínio instável para justificar suas acusações e o judiciário acaba de decidir em nosso favor. Após o bloqueio das nossas contas pelo ministério, levamos o caso à Alta Corte de Delhi. Em janeiro desse ano a corte julgou o ato do MI como “inconstitucional, ilegal e arbitrário”.

    Quando nossas contas domésticas – que compõem 70% dos fundos do Greenpeace Índia – foram bloqueadas, fomos acusados de diversas violações legais. Mas não somos culpados. Todos os erros alegados na acusação podem ser vistos aqui, com as devidas justificativas (em inglês).

    Há uma semana, a Alta Corte ordenou que tivéssemos acesso garantido a duas de nossas contas bloqueadas para que pudéssemos continuar operando até o julgamento, que acontecerá provavelmente em agosto.

    Acreditamos veementemente que não se trata de erros de contabilidade ou violações legais. Na verdade, o MI quer nos silenciar porque eles não gostam do que estamos falando. E não estaríamos surpresos com mais ataques arbitrários no futuro.

    O Greenpeace Índia não quer perder seu tempo lutando em julgamentos e processos – nós queremos fazer o que sabemos: trabalhar por um futuro sustentável. Quanto mais cedo pudermos nos encontrar com o MI para discutir como podemos fazer parte de um futuro saudável, melhor.

    Por isso ainda precisamos nos colocar a favor do direito à livre expressão em qualquer lugar do mundo, e pedir ao Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que faça o mesmo.

    Esse texto foi escrito pela indiana Sondhya Gupta, coordenadora de campanha do Greenpeace atualmente no escritório do Reino Unido.


    Assine a carta aberta para o Secretário Geral da ONU Ban Ki-moon
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  • Mudar pelo clima pode mudar a sua vida (pra melhor!)

    Postado por Heloísa Mota - 1 - jun - 2015 às 14:55

     

    Neste sábado, 30 de Maio, foi o Dia de Ação Global pelo Clima e voluntários de 08 capitais brasileiras, Brasília, Recife, Manaus, Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre uniram suas vozes com pessoas de aproximadamente 30 países pedindo por mais investimento em energia renovável e pelo fim do desmatamento de florestas tropicais. Com materiais lúdicos como stencils e jogos de tabuleiro, eles engajaram pessoas nas cinco regiões brasileiras aumentando sua consciência sobre o impacto da crise climática em nossas vidas e a importância de demandar decissões melhores de líderes políticos e empresariais*. As atividades também tiveram a intenção de provocar uma reflexão individual sobre como a rotina das pessoas está relacionada com o contexto do clima, e como elas podem fortalecer o movimento climático em todo o mundo.

    2015 é considerado um dos anos mais importantes para as negociações climáticas e mobilização de pessoas ao redor do mundo. Para o Brasil, as mudanças climáticas são um desafio real: crise energética e a iminência de apagões, falta de água, inundações na Amazônia e outros desastres naturais são indicadores de que precisamos de mudanças concretas para evitar cenários ainda piores para a economia do país e para o bem estar da população. Ainda assim, o que vemos é uma falta de interesse de líderes políticos em aprimorar as medidas para evitar o desmatamento ao mesmo tempo que o setor elétrico depende mais e mais de combustíveis fósseis já que a crise climática afeta a produção da eletricidade em todo o país. Unindo esforços com outras organizações, o Greenpeace pede ao governo para melhorar os investimentos  em energias renováveis, especialmente energia solar, e pela Lei do Desmatamento Zero- condições cruciais para reduzirmos as emissões de gases de efeito estufa do país.

    “O Dia de Ação conecta pessoas ao redor do mundo com um único propósito: pedir e promover a mudança por meio de ações” destaca Alan Santos, voluntário da cidade de Porto Alegre. O Greenpeace Brasil também acredita que as vozes e atitudes das pessoas são essenciais para combater  as mudanças climáticas e pressionar líderes para mudar, por isso as convidamos para unirem-se a nós neste Dia Global de Ação espalhando mensagens positivas e propositivas  sobre como mudar pelo clima pode mudar nossas vidas - para melhor.

    Neste fim de semana, mais de 830 brasileiros juntaram-se ao nosso movimento nas ruas e nas redes. Nós ouvimos suas histórias sobre como eles mudaram pelo clima e isso nos faz acreditar que há diversas e amplas maneiras de enfrentar as mudanças climáticas, as pessoas já estão fazendo isso acontecer: trocando o carro pela bicicleta, assinando pelo Desmatamento Zero, participando de movimentos organizados pelo clima, desenvolvendo projetos de sustentabilidade com comunidades de baixa renda, multiplicando o poder da energia solar, graduando-se para atuar em empregos verdes e muito mais. Indepenodente dos resultados das negociações, as pessoas e os movimentos mostraram que já são parte da solução. Essa deveria ser uma mensagem clara para os líderes de todo o mundo.

    Mais do que demandar uma posição melhor dos líderes globais, para Rafaela Araújo, voluntária de Belo Horizonte, a data é importante para aumentar a consciência das pessoas e seu poder de ação. “Quando alguém participa de um mobilização global como essa, mesmo que pela primeira vez, aprendendo que a sua atitude e respeito pelo meio ambiente pode fazer a diferença, essa pessoa pode dizer #eumudei, e isso vai além do Dia de Ação Global, dura por toda sua vida.”

    *O Dia de Ação Global precedeu o encontro dos maiores países industriais do mundo, o G7, que estão reunidos esta semana na Alemanha. Atualmente eles são responsáveis por 60% da produção de energia nuclear e 30% da produção de energia por carvão em todo o mundo. A chancellor alemã Angela Merkel, atual presidente do G7, declarou que mudanças climáticas serão um assunto chave para o encontro. Esse é um passo importante em direção ao acordo climático que será realizado na COP 21 em Paris, França, no fim de 2015.

    Venha somar forças conosco no Dia de Ação Global Pelo Clima, #eumudei Mude pelo clima!

    Posted by Greenpeace – Grupo de Voluntários de Porto Alegre on Saturday, May 30, 2015

    Posted by Natália Chaves on Saturday, May 30, 2015
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    Ano de Ação Global pelo Clima! Qual a sua ação? #eumudei

    Posted by Ivonildo Santos on Friday, May 29, 2015
     

  • Crise hídrica: responsabilidades e soluções

    Postado por Alan Azevedo - 31 - mai - 2015 às 14:00

     

    “A água não é mercadora, mas um bem essencial à vida”. Esse é o tom do sexto vídeo que o Greenpeace lança neste domingo sobre o seminário “ÁGUA & EDUCAÇÃO – Práticas e Reflexões", realizado em março, na cidade de São Paulo, em parceria com o Instituto 5 Elementos, Namu, Nace Pteca, OCA – Laboratório de Educação e Política Ambiental da Esalq e Sala Crisantempo.

    Marussia Whately, arquiteta e urbanista, é coordenadora da Aliança pela Água, coalizão de organizações da sociedade civil que atua pela construção de segurança hídrica do estado de São Paulo, e foi convidada para falar sobre a responsabilidade que os governos têm sobre a água, lembrando que eles estão a serviço da população.

    Marussia também coordenou o mapeamento de propostas de solução para a crise da água em São Paulo, e aponta como uma das soluções a recuperação e recomposição das fontes de água existentes.

    Assista a esse e outros vídeos do seminário “ÁGUA & EDUCAÇÃO – Práticas e Reflexões”:

    -       1º vídeo: André Biazoti discute a percepção da sociedade sobre a água

    -       2º vídeo: Adriano Sampaio estuda os rios e nascentes esquecidos

    -       3º vídeo: Arpad Spalding comenta a importância da proteção dos mananciais

    -       4º vídeo: Claudia Visoni é do movimento Cisterna Já e mostra o que cada cidadão pode fazer para garantir água

    -       5º vídeo: Luis de Campos mostra uma São Paulo pouco conhecida, repleta de rios Leia mais >

  • “Não é a água, somos nós que estamos em crise”

    Postado por Alan Azevedo - 30 - mai - 2015 às 17:00

     

    Em mais um vídeo da série de nove episódios sobre o seminário “ÁGUA & EDUCAÇÃO – Práticas e Reflexões", realizado em São Paulo pelo Greenpeace e organizações parceiras, Luiz de Campos, dos fundadores do coletivo Rios e Ruas, vai mostrar outra cidade de São Paulo, pouco conhecida.

    A capital paulista não é formada apenas de ruas e avenidas. Existe um sistema complexo de rios, que pouco se conhece – ou se finge não conhecer. A missão de Luiz e de seu coletivo é redescobrir esses locais e reconectá-los com o cidadão.

    “Dizem que a água está em crise. Não, está tudo bem com ela. O problema é nosso: quem está em crise somos nós”, brinca ele.

    Assista outros episódios:

    -       1º vídeo: André Biazoti discute a percepção da sociedade sobre a água

    -       2º vídeo: Adriano Sampaio estuda os rios e nascentes esquecidos

    -       3º vídeo: Arpad Spalding comenta a importância da proteção dos mananciais

    -       4º vídeo: Claudia Visoni é do movimento Cisterna Já e mostra o que cada cidadão pode fazer para garantir água Leia mais >

  • Água e educação: cisternas para ajudar na crise

    Postado por Alan Azevedo - 30 - mai - 2015 às 14:00

     

    O Greenpeace continua a esquentar o debate sobre água e divulga o quarto vídeo do seminário “ÁGUA & EDUCAÇÃO – Práticas e Reflexões", realizado em São Paulo em parceria com o Instituto 5 Elementos, Namu, Nace Pteca, OCA – Laboratório de Educação e Política Ambiental da Esalq e Sala Crisantempo. O evento foi divido em nove vídeos curtos, cada um referente a importantes temas que questão hídrica e a percepção da sociedade sobre o assunto.

    Dessa vez quem fala é a jornalista e ambientalista Claudia Visoni, que integra o Conselho de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Cultura de Paz da Subprefeitura de Pinheiros e participa do Movimento Cisterna Já desde sua criação.

    “O que é que um cidadão pode fazer para conseguir mais água, nesse momento complexo?”, pergunta Claudia. Ela trata acerca de cisternas, que coletam água da chuva para uso doméstico como lavar louça, o quintal e regar os jardins. “Hoje, nós vemos no Movimento Cisterna Já uma oportunidade de trabalho e renda”, pontua a jornalista.

    Nos últimos três vídeos publicados aqui no site, os participantes André Biazoti, Adriano Sampaio e Arpad Spalding analisaram os paradigmas atuais que redefinem o conceito de água, a importância da proteção dos mananciais e as vias fluviais esquecidas de São Paulo. Leia mais >

  • Dia de Ação Global pelo Clima: mobilize-se!

    Postado por Marina Yamaoka - 29 - mai - 2015 às 10:35 1 comentário

    30 de maio é o 150o dia do ano. Também é o Dia das Bandeiras. Mas o que torna este 30 de maio especial não é nenhum destes fatos e, sim, a possibilidade de se mobilizar pela proteção do clima. O Greenpeace – e organizações como a Avaaz, 350.org, Friends of the Earth, a Climate Action Network – convidam para o Dia de Ação Global pelo Clima.

     

    Você terá a oportunidade de aprender sobre mudanças climáticas e possíveis soluções para combatê-las, além de poder compartilhar o que você já faz no dia a dia pelo clima! 

     

    Neste 30 de maio, diferentes atividades acontecerão ao redor do mundo para espalhar a mensagem de que enquanto os políticos discutem a portas fechadas, as pessoas nas ruas já estão agindo e construindo o mundo que querem. Para se mobilizar e engrossar o caldo, vale tudo: performance, encenação, palestra, flash mob e o que mais a criatividade permitir.

    No Brasil, pedimos que as pessoas contem o que já estão fazendo e compartilhem suas histórias para inspirar muitos mais a agir. Não se esqueça de usar a #eumudei e mobilize-se pelo clima!

     

    Contamos com a sua participação e divulgação! Baixe aqui os materiais do Dia de Ação Global.

     

    Veja o que está sendo publicado nas redes sociais neste Sábado:

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  • “A PEC 215 é uma sandice política”

    Postado por Alan Azevedo - 28 - mai - 2015 às 9:44

    Senador Capiberibe: "a PEC vem criando uma instabilidade, uma ansiedade, uma angústia entre os povos indígenas e quilombolas de todo o País" (© Alan Azevedo / Greenpeace)

     

    Em seu segundo mandato como senador pelo Amapá, João Capiberibe (PSB), 68 anos, está esbanjando energia. Nas últimas semanas, assumiu o papel de pivô na articulação de um manifesto, lançado nesta terça-feira (27/05), que produziu um fato político de primeira grandeza: o documento expôs que a maioria do Senado Federal é contra a famigerada PEC 215, Proposta de Emenda Constitucional que, entre outros pontos polêmicos, transfere para o Congresso atribuições de oficializar Terras Indígenas, Unidades de Conservação e Territórios Quilombolas.

    Entrevistado pela reportagem do Greenpeace na própria terça 27, Capiberibe se mostrou favorável à causa dos povos tradicionais e reconheceu a importância dos território indígenas como mantenedores da floresta e, consequentemente, do equilíbrio climático global. O senador ainda cita a aprovação do novo Marco Legal da Lei de Acesso à Biodiversidade, que foi condicionante para o posicionamento do Senado contra a PEC 215, e os impactos socioambientais das hidrelétricas. “O fato de não reconhecerem os direitos dos povos indígenas e quilombolas significa não reconhecê-los como gente, como pessoas”, disse ele.

    Leia a seguir os melhores momentos da entrevista:

    Greenpeace - Na prática, a rejeição prévia do Senado enterra a PEC 215. Mas e a Comissão Especial da Câmara que analisa o texto, conhecendo o significado desse ato, continuará a trabalhar  e prosseguirá com a votação?

    João Capiberibe - Quando 42 senadores [hoje são 48] assinam um manifesto em apoio à sociedade civil contra a PEC 215, isso significa uma maioria absoluta que vai resistir caso a Câmara insista com essa invenção inconstitucional,  que do ponto de vista político parece uma sandice política. Eu tenho a impressão que ele [o manifesto] vai esmorecer muito os defensores dessa iniciativa lá na Câmara. Eu espero que sirva para isso, até para devolver a tranquilidade à Casa, já que a PEC vem criando uma instabilidade, uma ansiedade, uma angústia entre os povos indígenas e quilombolas de todo o País. Porque além dela ameaçar direitos, na prática ela tem um efeito perverso de paralisar os processos de demarcação e homologação de terras [indígenas] que já estão homologadas. Esse Manifesto é um marco histórico em relação à luta dos povos indígenas, é uma clara demonstração de que o Senado está absolutamente preocupado e antenado com a luta desses povos para garantir seus direitos constitucionais.

    GP - O senhor esteve no Acampamento Terra Livre durante a Semana de Mobilização Indígena (de 13 a 16 de abril), discursou a favor da causa e ajudou na articulação de um ato solene no Senado. Qual foi sua avaliação política sobre o evento?

    JC - Eu acho que a presença das lideranças indígenas aqui no Abril Indígena foi muito importante para sensibilizar os parlamentares, principalmente no Senado. Conseguimos uma solenidade no plenário do Senado em homenagem à luta dos povos indígenas com a participação de vários senadores. Houve não só uma maior sensibilidade, mas uma compreensão da luta desses povos, o que permitiu chegar a esse número expressivo de signatários se posicionando contrariamente à PEC 215.

    O senador compareceu ao Acampamento Terra Livre, realizado por mais de 1,5 mil indígenas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. 15 de abril de 2015 (© Alan Azevedo / Greenpeace)

     

    GP - Na semana passada, em audiência pública na Câmara dos Deputados que debatia os direitos indígenas e a PEC 215, a vice-procuradora geral da República Deborah Duprat acusou o Congresso de ser hostil com os índios e de nunca promover efetiva consulta e participação aos povos tradicionais no desenvolvimento de políticas públicas indígenas...

    JC - A gente sempre tem uma esperança de que os deputados possam modificar as condições de recebê-los [os índios e quilombolas]. O problema é principalmente esse desconhecimento e não reconhecimento do outro, que termina prevalecendo em alguns parlamentares. O fato de não reconhecerem os direitos dos povos indígenas e quilombolas significa não reconhecê-los como gente, como pessoas.

    GP - E esse não reconhecimento está muito claro nos processos políticos já que a convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) estabelece que os povos tradicionais devem ser consultados em processos que afetem seus direitos. Mas desde a criação da PEC 215 acontece justamente o contrário.

    JC - Exatamente. E não são apenas essa iniciativas na Câmara que acabam confrontando as decisões da OIT, mas também o próprio poder executivo, quando decide construir uma hidrelétrica que atinge e impacta de forma muito negativa as comunidades indígenas. E o faz sem consultá-las. Isso contraria totalmente as decisões da Organização Internacional do Trabalho, da qual o Brasil é signatário. Então nós temos obrigação de respeitar. Ainda mais se assinamos, temos de honrar essa assinatura.

    GP - O senhor citou hidrelétricas. O processo de licenciamento da Usina de Tapajós, por exemplo, não contemplou em nenhum momento o povo indígena Munduruku, que habita a região há gerações.

    JC - E como se o impacto socioambiental não fosse suficiente, algumas hidrelétricas hoje, como a de Três Marias em Minas Gerais, das suas seis turbinas apenas uma funciona. Ou seja, não tem água, e essa hidrelétrica de Três Marias foi inaugurada em 1962. Naquele momento não passou na cabeça dos que tomaram a decisão de construí-la de que um dia faltaria água. Do mesmo jeito vai ficar a hidrelétrica do Alto Xingu, a [Usina de] Belo Monte – ou mesmo a do rio Tapajós. Hoje dificilmente alguém poderia afirmar que o rio Xingu vai secar. Mas com o avanço do desmatamento é seguro que vai acontecer em Belo Monte o que aconteceu com a Três Marias.

    GP - Para fechar: o senhor participou da COP19, em Varsóvia, e tem familiaridade com o tema mudanças climáticas. Estudos demonstram que as TIs são as Áreas de Proteção de maior eficiência contra o desmatamento, este um grande responsável pelas emissões de gás de efeito estufa. O senhor acha que esse pode ser um argumento pelos direitos indígenas?

    JC - Eu acho que no Senado nós já tivemos uma prévia na hora que votamos o Marco Legal da Lei de Acesso à Biodiversidade e Conhecimento Genético Associado. Naquele momento, nós repusemos vários direitos que haviam sido retirados pela Câmara das comunidades tradicionais. E nós já tivemos uma posição muito importante e avançada no Senado. Eu acho que a partir dali, do debate que foi feito e da decisão tomada em relação ao Marco Legal, terminou por fazer avançar essa posição pelos direitos indígenas no Senado. Eu acho que o Senado, essa legislatura, tem compromisso com o meio ambiente e reconhece o papel dos povos indígenas e das comunidades tradicionais na preservação da biodiversidade e mais do que isso, na preservação do clima do Planeta.  Leia mais >

  • Óleo, gelo e fogo

    Postado por Thiago Almeida - 27 - mai - 2015 às 9:58

    Imagem do filme "Uma canção de Óleo, Gelo e Fogo" © Greenpeace/KennardPhillips

     

    A destruição do Ártico está mais perto do que se imagina. A região pode ser ameaçada por uma plataforma de petróleo da Shell em menos de 5 semanas. E quando a exploração começar, existe 75% de chance de um ou mais vazamentos de larga escala acontecerem, de acordo com análise do governo dos Estados Unidos – o mesmo que dias atrás permitiu o acesso da Shell ao Ártico.

    Com o apoio dos artistas do grupo KennardPhillips, que denunciou a invasão americana no Iraque em 2002, o Greenpeace produziu o vídeo "Uma Canção de Óleo, Gelo e Fogo" para mostrar qual o objetivo da Shell no Ártico. Os artistas juntaram arte e gelo com fogo e óleo nesse vídeo incrível:

     

    A reputação dessa gigante do petróleo é um de seus maiores bens. E a Shell precisa desesperadamente do apoio do público, de políticos e investidores enquanto sua plataforma de exploração se aproxima do Ártico. Por isso que a empresa gasta milhões e milhões em propaganda massiva, promovendo a marca como responsável e ética.

    Mas o Greenpeace sabe que a Shell está longe disso. Nosso trabalho é expor ao mundo os planos dessa empresa irresponsável com a vida no planeta. E com a participação da sociedade civil, é possível impedir a destruição do Ártico.

    Entre no site, compartilhe o vídeo nas redes sociais, mostre para seus amigos e familiares. Espalhe essa mensagem. Salve o Ártico!

    *Thiago Almeida é da campanha Salve o Ártico do Greenpeace Brasil Leia mais >

  • A importância dos mananciais

    Postado por Alan Azevedo - 24 - mai - 2015 às 16:25

     

    Mais um dos nove episódios sobre o seminário “ÁGUA & EDUCAÇÃO – Práticas e Reflexões" está no ar. Dessa vez o geógrafo Arpad Spalding, coordenador de projetos do Instituto Kairós e atuante no grupo Boraplantar, um mutirão de plantio para recuperação das matas ciliares às margens de rios e nascentes do estado de São Paulo, explica o papel fundamental dos mananciais na crise hídrica.

    “Sem os mananciais, o reservatório do Cantareira nada faria além de armazenar água da chuva, como uma grande cisterna. Mas graças a essas áreas, o Cantareira é capaz de produzir água”, elucida Spalding, e denuncia: “a Sabesp não tem feito as ações necessárias para que os mananciais da região produzam água”.

    Assista ao terceiro vídeo da série; são apenas 4 minutos para entender mais sobre a crise da água e como ser um cidadão mais consciente de seu papel na comunidade.

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  • Rios e nascentes esquecidos

    Postado por Alan Azevedo - 23 - mai - 2015 às 17:00

     

    O segundo vídeo da série de nove do seminário “ÁGUA & EDUCAÇÃO – Práticas e Reflexões", realizado em São Paulo pelo Greenpeace e organizações parceiras, vai debater o processo de empoderamento do cidadão em relação às questões públicas da cidade.  

    Quem fala é Adriano Sampaio, ativista ambiental que estuda as nascentes e rios de São Paulo através da sobreposição de mapas antigos dos percursos originais dos rios com o mapa da cidade hoje.

    Ele explora diariamente a cidade para (re)descobrir esses caminhos fluviais e registra o trabalho por meio de curtas e fotos publicados na página Existe água em SP.

    “A gente não tem que esperar o poder público. Todo dia que eu saio para ver os rios, eu vejo os canos contaminando as águas. Se eles quisessem parar, já teriam feito”, afirma Sampaio.

    São só três minutos. Assista, eduque-se em relação à água e mude a realidade de sua cidade.

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