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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Quilombo do Grotão inova com energia solar

    Postado por Marina Yamaoka - 11 - fev - 2014 às 17:36 3 comentários

    Quilombo do Grotão tem projeto para que seja instalado sistema de energia solar (©divulgação)

     

    Localizado na Serra da Tiririca, em Niterói, o Quilombo do Grotão irá unir tradição e inovação. Desde a década de 20, esta tradicional comunidade é um símbolo de resistência cultural e ambiental e, dessa forma, foi escolhida para receber a instalação de um sistema de energia solar.

    Conciliando desenvolvimento sustentável e a preservação da cultural popular local, o projeto promove o uso de uma fonte de energia limpa e renovável e fará com que a comunidade tenha acesso à eletricidade.

    Além de trazer benefícios ambientais e econômicos, o projeto Quilombo Solar ainda trabalhará com educação. Vinte jovens residentes do Engenho do Mato receberão aulas sobre energia elétrica, energia solar e como instalar as placas solares em um das casas da comunidade. Este é um projeto que demonstra os inúmeros benefícios da energia solar como, por exemplo, o ingresso de jovens em empregos verdes.

    Para que o projeto saia do papel está sendo feito um financiamento coletivo. Acesse o site do projeto e saiba mais clicando aqui. Leia mais >

  • O diálogo como um dos caminhos para a paz

    Postado por Greenpeace Brasil - 11 - fev - 2014 às 17:32 1 comentário

    Protestos de junho de 2013: movimento contra o aumento das tarifas do transporte público ganhou força após forte repressão policial (©Greenpeace/Alexande Cappi)

     

    O Greenpeace Brasil gostaria de prestar suas condolências à família, amigos e colegas do cinegrafista da rede Bandeirantes, Santiago Andrade, por sua triste perda. Santiago foi vítima de um artefato explosivo que atingiu sua cabeça durante a cobertura dos protestos contra o aumento da passagem de ônibus no Rio de Janeiro, no dia 6 de fevereiro.

    Esta tragédia soma-se a uma espiral de violência iniciada com a dura repressão das forças policiais às manifestações de junho de 2013 e que levou outras pessoas à morte, como a gari Cleonice de Moraes, de Belém, devido aos efeitos do gás lacrimogêneo (para citar um único caso). Sem contar as graves agressões, como a do fotógrafo Sérgio Andrade Silva, que perdeu a visão devido a uma bala de borracha, ou do estudante Fabrício Proteus Nunes, baleado por policiais em São Paulo.

    Como uma organização fundada sob o princípio da não-violência, o Greenpeace reafirma seu apoio ao direito da população de expressar nas ruas seus anseios por mudanças e condena qualquer tentativa de criminalizar movimentos sociais. Tirar da cartola leis mais duras do que as que já existem, e que mais aproximariam o Brasil de países em que a população só tem o direito de concordar com o governo, não é o que vai fazer os protestos cessarem. É essencial ao Estado estar preparado para lidar com manifestantes e manifestações dentro da perspectiva da interlocução democrática e da não-violência.

    A falência dos serviços públicos, o abismo social, a Justiça que funciona mais para uns que para outros, a sensação de impotência diante de um modelo de participação política que não aprendeu a dialogar com sua população. Tudo isso vem gestando um clima de insatisfação real no país e de exaltação dos ânimos, o que requer uma tarefa de mediação política, não policial.

    Sabemos que os problemas reais que motivam os cidadãos a irem às ruas são resultado de séculos de descaso com os direitos da população, e que, portanto, precisam de atenção urgente. Mas o diálogo precisa ser estabelecido e o primeiro passo cabe, neste momento, às autoridades. Os governos federal e estaduais precisam assumir imediatamente suas responsabilidades em adotar o caminho da paz e radicalizar a participação democrática. Os métodos atuais de se fazer política já estão esgotados. Essa é a voz das ruas e parece que nossa míope classe política insiste em não querer escutar. Leia mais >

  • Empresas apoiam renovação da moratória

    Postado por Luana Lila - 8 - fev - 2014 às 11:08

    Desmatamento para plantação de soja na Amazônia (© Greenpeace/Daniel Beltrá)

     

    Após duras negociações, a moratória da soja foi renovada no dia 31 de janeiro até dezembro de 2014. Criada em 2006 como resultado de uma campanha liderada pelo Greenpeace, ela estabelece a não comercialização de soja oriunda de fazendas envolvidas em desmatamento na Amazônia após julho daquele ano, e assim ajuda a impedir a destruição da floresta.

    Na época, o Greenpeace conduziu uma investigação complexa sobre a indústria da soja no Brasil e descobriu que grandes empresas internacionais estavam comprando soja ligada ao desmatamento da floresta amazônica. A partir das denúncias, formou-se uma aliança entre organizações da sociedade civil e empresas consumidoras para combater o problema. Em resposta, as maiores comercializadoras do grão anunciaram uma moratória de dois anos para não comprar soja de desmatamento a partir de 2006. Desde então, ela é renovada ano a ano.

    O desafio agora será construir um mecanismo para substituir a moratória que seja capaz de impedir o avanço do desmatamento na Amazônia. Nessa semana, as empresas consumidoras de soja soltaram uma nota apoiando a renovação da moratória e pedindo uma solução permanente. Leia abaixo:

    Resposta ao anúncio da renovação final da moratória

    3 de fevereiro de 2014

    O grupo das empresas europeias consumidoras de soja está muito satisfeito com a renovação da Moratória da Soja por um período final até dezembro de 2014.

    Até o momento, a Moratória da Soja tem sido muito eficaz em garantir que não estamos contribuindo para o desmatamento da Amazônia.

    Acreditamos que sua prorrogação vai ajudar a proteger o que foi alcançado ao longo dos últimos sete anos e permitirá que todas as partes envolvidas trabalhem ativamente em conjunto para determinar qual será o caminho a seguir e acordar um roteiro realista para uma solução permanente.

    É essencial agora que o Grupo de Trabalho da Soja (GTS) se mova rapidamente para estabelecer um diálogo para abordar os desafios de monitoramento e registro, essenciais para a implementação do novo Código Florestal brasileiro.

    Continuamos a apoiar os esforços do GTS e apoiamos a oportunidade de participar mais ativamente no processo.

    Empresas consumidoras europeias:

    McDonald´s Europa

    Ahold

    Carrefour

    Marks and Spencer

    Waitrose

    Sainsbury’s

    ASDA

    The Co-operative Food

    Nestlé

    Tesco

    MVO

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  • O povo merece desculpas

    Postado por Barbara Rubim* - 6 - fev - 2014 às 17:31 1 comentário

    Foto finalista do concurso Sardinha de Ouro, promovido pelo Greenpeace Brasil ano passado (©Greenpeace/Claudette De Vita Ferreira)

     

    Quem vive na zona leste de São Paulo e depende da linha 3-Vermelha do metrô sabe bem o drama que é ir ao trabalho ou voltar para casa em horário de pico. Qualquer mínimo escorregão é suficiente para instaurar o caos. Foi o que aconteceu na última terça, dia 4, quando uma porta quebrada gerou atrasos, trens parados, pânico e gente saindo a pé pelos túneis.

    Mas, em vez de um pedido de desculpas, dessa vez o governador Geraldo Alckmin resolveu culpar os próprios usuários, a quem chamou de vândalos por apertarem o botão de emergência.

    Será que, antes de sair culpando quem sofre com o descaso do poder público, o governador sabia que o trem que desencadeou todo o problema é um velho conhecido dos funcionários do metrô, com histórico de descarrilamento e portas abertas do lado errado?

    Em nota, o Sindicato dos Metroviários afirma que o trem K07 faz parte da frota K, composta por sete trens reformados pela empresa Alstom. Em um período de 30 dias, 696 falhas foram registradas nessa frota – mais de 300 apenas no trem K07.

    Apertar o botão de emergência não é ato de vandalismo ou sabotagem. É desespero de se encontrar trancado em um trem – muitas vezes sem ar condicionado – que chega a ter 12 pessoas por metro quadrado nos horários de pico.

    Diante da insistência em atribuir a falha a uma possível “sabotagem”, só nos resta lamentar o profundo desconhecimento do governador acerca do colapso do sistema metroviário de São Paulo e o desrespeito enorme por todo o incômodo e sofrimento enfrentado pelos usuários que dependem dele todos os dias.

    Agora, mais do que nunca, o povo merece desculpas.

    *Barbara Rubim é da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Leia mais >

  • Quatro horas de vida numa estação

    Postado por Bárbara Rubim* - 6 - fev - 2014 às 0:27 1 comentário

     

    O relógio mostra que já é pouco mais de seis horas: chegou o momento de começar a pior e mais cansativa parte do dia, a volta para casa. O problema não é o destino, mas o trajeto. Se tem uma coisa que São Paulo me ensinou muito rápido é que, no horário de pico, deve-se evitar, ao máximo a Linha Vermelha (L3 do metrô). Infelizmente, no entanto, ela faz parte da minha rotina diária de deslocamento casa-trabalho-casa.

    Chegando na República, onde faço a baldeação, uma surpresa e um espanto: a estação estava tão lotada que não era possível sequer ter acesso à plataforma de embarque da L3, de modo que as pessoas se acumulavam ao longo das três escadas (mesmo as rolantes haviam sido desligadas). O relógio agora me mostra que são 18h40 e enquanto me dou conta disso uma voz começa a anunciar que o sistema de envio de trens vazios à estação foi suspenso, de novo. Tomada pelo desânimo, pelo cansaço e por uma sensação incômoda de deja-vu, me juntei a outros tantos usuários que se escoravam nas paredes ou sentavam no chão, já sabendo que mais uma vez não chegaria em casa a tempo de jantar com minha família.

    Passados vinte minutos, nada havia mudado. Resolvi me arriscar e tentar descer até a plataforma, na tentativa de, quem sabe, chegar em casa um pouco mais cedo do que no dia anterior. O percurso até o final da escada foi o suficiente para me fazer desistir. O calor na plataforma estava infernal e eu sabia que, se ficasse ali por muito tempo, meu destino seria o mesmo que o de algumas pessoas que já davam mostras de estar passando mal.

    Com muita raiva, decidi abrir mão do meu bilhete já pago e sair da estação para tomar ar fresco e procurar um lugar um pouco mais tranquilo para aguardar o horário de pico passar – até então, nada havia sido dito para os usuários acerca da gravidade da situação.

    Sentada num café na Avenida Ipiranga, me dei conta de que a raiva não era pelos R$3,00 perdidos, era (e ainda é) fruto de todo o inconformismo com um sistema de transporte (que, diga-se, vai muito além do metrô) ineficiente e desconectado, que empurra os cidadãos para o abismo do trânsito sem fim (se decidirem usar o carro) ou para as falhas constantes do sistema de transporte público, sejam elas relacionadas à falta de qualidade ou à sua extensão insuficiente.

    Para se ter uma ideia, de 2010 a 2012, o número de falhas e panes elétricas no metrô mais que dobrou. Pode ser que esse número tenha algo a ver com o fato de, também em 2012, o Governo de SP só ter investido 44% do previsto na expansão do sistema. Curioso é que, cruzando os dados, percebe-se que no mesmo período, cresceu também a arrecadação tributária do Estado de São Paulo, que, infelizmente, não dá mostras de ser revertida a benefício da mobilidade da população – seja pelas obras de metrô que completam aniversário de atraso, seja pela falta de manutenção no sistema já existente.

    Por volta das 19h40 decidi que já era hora de voltar à estação e, agora sim, ir para casa. Ledo engano. Antes mesmo de chegar à entrada, o acúmulo de pessoas – dessa vez do lado de fora -, me fez perceber que algo estava errado. Foi quando as palavras chegaram ao meu ouvido, primeiro soltas – linha, vermelha, interrompida, hoje -, e depois organizadas em uma frase que um senhor, ao ver meu espanto, formulou para mim: “a linha vermelha foi interrompida hoje, moça, nem adianta descer, melhor ir para casa de outro jeito, sei lá como.”

    Ainda meio incrédula, desci até a estação para me deparar com o inacreditável: o anúncio de que a linha havia parado e a recomendação de que os que fossem para o Brás utilizassem o trem; uma fila enorme de pessoas que pareciam se recusar a acreditar no que o auto falante anunciava e continuavam tentando passar as catracas; e tantas outras pessoas que, sem saber o que fazer, sentavam no chão.

    O que antes era raiva se tornou tristeza e a tristeza se refletiu em uma vontade enorme de chorar ao imaginar e ver a desolação de todas aquelas pessoas que, como eu, também pareciam se perguntar “até quando?”. Até quando essa rotina de deslocamento que nos cansa mais que o trabalho? Até quando não estar em casa para jantar com a família ou fazer o dever de casa com os filhos? Até quando?

    Saí da estação com todas essas indagações e inconformidades em cima de mim. Com algumas perguntas descobri que minha melhor alternativa era andar até a Praça da Sé e pegar um ônibus que iria para o Carrão. Não sabia o sentido certo para a Praça da Sé e também não precisei perguntar, as várias pessoas se deslocando no mesmo sentido me fizeram aferir a direção.

    Cheguei em casa às 22h13 da noite, extremamente cansada, mas com a certeza de que, mais do que nunca, a luta por uma mobilidade que seja mais inclusiva, socialmente justa e sustentável se faz necessária e urgente.

    Fui dormir com o conforto dessa certeza e, ao acordar hoje e ler todas as declarações dadas sobre o ocorrido, passei o dia me perguntando até quando uma falha de tais proporções ocorreria e ninguém do Governo se dignaria a sequer emitir uma simples declaração pedindo desculpas a todas as pessoas que, como eu, deixaram quatro horas de suas vidas no piso de uma estação.

    *Bárbara Rubim é coordenadora da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Leia mais >

  • Renováveis contra apagão

    Postado por Ricardo Baitelo* - 5 - fev - 2014 às 18:20 2 comentários

    © Greenpeace / Rodrigo Baleia

     

    A falha que ocasionou a interrupção do fornecimento de energia em diferentes pontos do país, afetando mais de 1 milhão de pessoas, evidencia novamente as restrições de um modelo centralizado de suprimento de eletricidade.

    O Sudeste depende de grandes linhas de transmissão para receber energia de Itaipu que viaja longas distâncias até atingir as casas e edifícios consumidores. E este processo deve continuar com as próximas usinas hidrelétricas na Amazônia, ainda mais distantes dos principais centros consumidores.

    A vulnerabilidade desse sistema não transparece apenas em eventos como o ocorrido ontem. A falta de chuvas também coloca em xeque a insistência em investirmos tanto em hidrelétricas, justamente as usinas mais suscetíveis às alterações climáticas que vivemos neste verão e em ocasiões passadas.

    Temos em outras renováveis opções confiáveis e já economicamente viáveis. Um exemplo disso foram os leilões de 2013, que contrataram quase 6 mil MW em usinas de energia eólica, biomassa e solar, que devem ser construídas nos próximos 4 anos.

    Desta forma, é possível atender ao crescimento energético do país com fontes renováveis sustentáveis em um horizonte de tempo até mais rápido do que o necessário para construir mais hidrelétricas como Belo Monte ou o complexo de Tapajós.

    E curiosamente, é durante os períodos de falta de chuva que a fonte solar mais brilha, registrando índices de irradiação superiores aos convencionais no interior de São Paulo, Minas e Bahia. Diversificar e descentralizar a geração e transmissão de energia é a forma mais segura para evitarmos o desabestecimento no país.

    *Ricardo Baitelo é coordenador da campanha de Energia do Greenpeace Leia mais >

  • Verde no Morro

    Postado por Vânia Stolze - 3 - fev - 2014 às 18:04 1 comentário

    Debaixo de um sol de 40 graus, o time que participou do replantio no morro.

     

    No último sábado, o grupo de voluntários do Greenpeace no Rio de Janeiro voltou a subir o Morro dos Macacos no bairro de Vila Isabel. Já se sentiam em casa. Afinal, no último ano foram vários finais de semana por ali, colocando de pé o projeto Juventude Solar. Após vários encontros com a comunidade, o Centro Comunitário Lídia dos Santos (Ceaca) passou a ter placas solares para que o local passasse a gerar sua própria energia. Dessa vez, os voluntários voltaram com plantas na mão. Quem conta a experiência é Vânia Stolze, antiga voluntária do Greenpeace.

    “Realizamos ontem uma atividade para plantio de mudas no alto do morro, e foi um sucesso! Éramos dezesseis pessoas, entre voluntários, jovens do Juventude Solar e funcionários do Ceaca.

    Após alguns meses desde o final do projeto, reunimos novamente neste sábado, dia 01, os Jovens do Juventude Solar. A atividade proposta desta vez foi começar o replantio de espécies nativas da Mata Atlântica no alto do Morro dos Macacos, local que durante anos foi palco para extermínio pelo tráfico de drogas. Após a pacificação da comunidade em 2010 pela UPP, moradores podem transitar com liberdade por suas vielas até o cruzeiro que fica bem no topo.

    Mas, a área precisa ganhar nova identidade para que se apaguem dor e medo da memória dos mais velhos, e que se crie consciência de preservação ambiental nos mais jovens.

    Após visitar mais uma vez as placas solares instaladas no Ceaca, pegamos nossas mudas de árvores e subimos o morro num clima de alegria e companheirismo. Já no alto, avistamos a cidade e a comunidade com suas milhares de casinhas. Entre elas, as placas solares do Ceaca brilhando ao Sol, como se uma luz nova estivesse acesa, acenando que um futuro com energias renováveis é possível!

    Juventude Solar de volta ao Morro dos Macacos, com a mesma disposição e alegria.

     

    Após o plantio de trinta mudas, descemos as escadarias e ladeiras com o coração cheio de alegria pelo dever cumprido, por termos dado nossa contribuição para ajudar a mitigar os efeitos do aquecimento global.

    Agora, cada um dos jovens da comunidade e voluntários do Grupo do Rio poderão dizer que já plantaram uma árvore e que tomarão gosto por essa prática!” Leia mais >

  • Justiça ordena volta da polícia a Marãiwatsédé

    Postado por Nathália Clark - 28 - jan - 2014 às 15:52

     

    Equipes das polícias Federal e Rodoviária Federal retornaram nesta terça-feira (28) à Terra Indígena (TI) Marãiwatsédé, no nordeste do Mato Grosso, para impedir uma nova invasão de não índios. Ainda não há informação sobre o efetivo deslocado à região.

    A ação atende decisão da Justiça Federal em Cuiabá, por sua vez obtida por um pedido do Ministério Público Federal (veja decisão). A área voltou a ser invadida no último fim de semana de forma organizada, depois que homens da Força Nacional de Segurança (FNS) deixaram-na, na semana passada. 

    Há exatamente um ano terminava a operação de desintrusão de Marãiwatsédé, decorrente de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a retirada de todos os não índios. Não é possível reverter a determinação do STF, tendo em vista que o caso transitou em julgado, ou seja, não cabe mais nenhum recurso judicial. Muito menos há hoje alguma decisão da Justiça que pretenda contrariar tal determinação.

    De acordo com os Xavante, um grupo de pelo menos 50 pessoas invadiu a localidade conhecida como Posto da Mata, no interior da TI, expulsando servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai). Na manhã de domingo (26/1), o cacique Damião Paridzané foi perseguido quando tentava se aproximar.

    “Eu fui cedo para Mo onipá [como os indígenas chamam o Posto da Mata]. Havia quatro funcionários da Funai. Não consegui chegar lá porque os posseiros fecharam a estrada. Todo o mundo correu atrás da gente”, relata Paridzané. “É preciso agir logo. Não podemos circular pelo nosso território com os invasores aí. O que nos falta agora é segurança. O carro da saúde não pode sair. Estamos preocupados.”

    Apesar da presença da FNS ao longo de 2013, diversos grupos foram flagrados pelos policiais e pelos Xavante durante o ano em rondas pela TI, fragilizada mesmo após a desintrusão pela existência de estradas que cortam a área e facilitam invasões. A tentativa de reinvasão constitui crime e um atentado contra a decisão da última instância do Poder Judiciário brasileiro.

    Ontem, a Operação Amazônia Nativa (OPAN), o Instituto Socioambiental (ISA), o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e o Greenpeace circularam uma nota pública em que pedem e apoiam o retorno da força policial à TI Marãiwatsédé. O texto cobra a presença do Estado e tratamento digno aos pequenos posseiros que eventualmente estejam no local.

    Veja a nota

    O desejo de que os pequenos agricultores da região vivam com qualidade é também compartilhado pelos índios. Durante o processo de desintrusão, Paridzané falou diversas vezes sobre o equívoco de se polarizar o embate como sendo de brancos contra índios.

    “Os políticos não estão preocupados em melhorar a vida nem dos índios nem dos não índios. Será que o governador se preocupa com a situação do povo hoje? Em todos os municípios daqui, o povo não tem água, não tem esgoto, não tem desenvolvimento. Ele, como autoridade de Mato Grosso, tem a obrigação de atender as dificuldades do povo, mas ele não quer. Mas os políticos preferem jogar o branco contra o índio, como se isso fosse resolver alguma coisa”, disse Paridzané em dezembro de 2011.

    Entenda o caso

    Em 1992, em meio aos trabalhos de identificação, um grupo formado por políticos e fazendeiros organizou uma invasão ao território tradicional dos Xavante, iniciando uma longa batalha judicial pela desintrusão, somente finalizada ano passado com apoio policial. Homologada em 1998, a TI Marãiwatsédé tem 165 mil hectares e, por causa da ação dos invasores, tornou-se um dos territórios indígenas mais desmatados do país.

    Em outubro de 2013, o STF confirmou decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) no sentido de considerar que a posse de todos os réus sobre a área em litígio era ilícita, de má-fé, porque eles sabiam que se tratava de terra indígena quando de sua entrada.

    A tentativa de invadir novamente Marãiwatsédé ocorre em meio a uma série de ataques à legislação indigenista por meio de projetos inconstitucionais defendidos pela bancada ruralista no Congresso. Entre esses projetos, estão a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que tira do Executivo e transfere ao Congresso a prerrogativa de aprovar as demarcações de TIs e o Projeto de Lei Complementar (PLP) 227, que abre as terras indígenas à exploração econômica do agronegócio, empresas de energia e mineração. Leia mais >

  • Por menos abusos à dignidade humana

    Postado por Nathália Clark - 28 - jan - 2014 às 15:37

    Trabalhadores rurais de Açailândia, resgatados de carvoarias que destroem a floresta amazônica no Maranhão (©Greenpeace/Ismar Ingber).

    Hoje em dia, a escravidão se revela sob outras formas. Diferentes daquelas que se viam nos tempos da Lei Áurea, mas com os mesmos sinais de degradação humana com requintes de crueldade. São condições precárias de trabalho ou jornadas absurdas que vão além do suportável. Em alguns casos, a violência, as ameaças de morte e a impunidade ainda imperam.

    Hoje, dia 28 de janeiro, marca o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. A homenagem é uma forma de lembrar os auditores fiscais do trabalho Nelson José da Silva, João Batista Lage e Eratóstenes de Almeida Gonçalves, e o motorista Aílton Pereira de Oliveira, assassinados nesta mesma data em 2004, durante fiscalização na zona rural de Unaí (MG), na chamada “chacina de Unaí”.

    Segundo estimativas recentes, desde 1995, mais de 46 mil trabalhadores foram resgatados da escravidão no Brasil. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece o país como uma referência na luta contra a escravidão contemporânea.

    “Essa é uma realidade intolerável para um país que tem como principal bandeira o progresso e o desenvolvimento. Trabalho degradante é escravidão, e escravidão é crime. O ataque contra as populações menos favorecidas, como ribeirinhos, índios e trabalhadores rurais está cada vez mais acirrado (sendo eles os verdadeiros guardiões da floresta, suas riquezas e seus saberes ancestrais). O dia de hoje é simbólico porque traz à tona a luta de milhares de brasileiros. Não podemos deixar que essa situação perdure e seja esquecida pelas autoridades”, defende Danicley Aguiar, da campanha Amazônia do Greenpeace.

    Leia mais:

    Graças a uma lei recente e mais dura contra o trabalho escravo – a PEC 57A/1999, conhecida como PEC do Trabalho Escravo –, a vida de milhares de brasileiros hoje submetidos à escravidão pode mudar de rumo. Mas a luta pela aprovação da PEC do Trabalho Escravo já dura 19 anos, e representantes da bancada ruraliusta no Congresso querem alterar o conceito legal de trabalho escravo, liberando mais atrocidades cometidas por parte da banda podre do agronegócio – sujo – brasileiro.

    Em 2004, a Confederação Nacional da Agricultura, presidida pela senadora Kátia Abreu (PSD-TO), chegou a mover uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a derrubada da lista suja do trabalho escravo, uma ação transparente do Ministério do Trabalho, que é publicada anualmente. Nela, figuram os mesmos nomes de grandes proprietários rurais envolvidos com desmatamento, invasão de áreas protegidas e produção ilegal de gado e soja. Em 2012 o ministro Ayres Britto julgou extinta a ação.

    Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a pecuária e o minério de ferro, atividades diretamente ligadas ao desmatamento na Amazônia, foram os segmentos econômicos onde mais se resgatou trabalhadores em condições análogas à escravidão no último ano. Só em 2012, a Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo  do MTE resgatou um total de 2750 trabalhadores.

    Deste total, 1250 estavam na Amazônia Legal. Só em fazendas de gado, foram 497 trabalhadores libertados. E nas carvoarias que alimentam a produção de minério de ferro, foram 452 pessoas. Em geral, os indivíduos eram encontrados trabalhando em condições degradantes. Leia mais >

  • A volta do conflito em Marãiwatsédé

    Postado por Nathália Clark - 28 - jan - 2014 às 10:11 3 comentários

    Vista aérea da Terra Indígena Marãiwatsédé, que volta a ser invadida por não-índios (© Rodrigo Baléia / Greenpeace).

     

    Concluído em janeiro de 2013, há exatamente um ano, o processo de desintrusão da Terra Indígena Marãiwatsédé, do povo Xavante, volta a criar conflito na região. Aguçados pelo desmatamento e pelas riquezas naturais da terra, madeireiros e grileiros promovem novas invasões, mostrando que a disputa por terras está longe de acabar.

    Após 20 anos de batalhas judiciais pelo direito de reocupar suas áreas tradicionais, os Xavante acabaram de sofrer nova invasão. De acordo com lideranças, um grupo de pelo menos 50 pessoas invadiu a localidade conhecida como Posto da Mata, no interior da terra indígena, expulsando servidores da Funai que ali trabalhavam. Na manhã do últmo domingo (26), o cacique Damião Paridzané foi perseguido quando tentava se aproximar do local.

    Em apoio à luta do povo Xavante, organizações da sociedade civil, entre elas o Greenpeace, divulgaram nota nesta segunda-feira pedindo o retorno das forças policiais e a presença do Estado brasileiro para retirada dos invasores e para conter a situação de tensão que ameaça os índios.

    “Alertamos sobre a gravidade deste fato e a reincidência de atos de ilegalidade praticados contra as terras indígenas, em total desrespeito aos povos e à justiça brasileira, solicitando que o Estado brasileiro tome medidas enérgicas para desestimular e punir atitudes criminosas como esta”, diz a nota.

    Veja aqui a íntegra da nota.

    As ameaças de reinvasão ainda estão latentes na região em função da existência de importantes rodovias próximas à área, como a BR-080 e a BR-158, que corta centralmente o território, permitindo que não-índios adentrem a área à revelia dos Xavante.

    “Esta nova invasão a Marãiwatsédé é mais uma afronta ao direito do usufruto exclusivo das terras indígenas, em meio a ataques à legislação indigenista expressos em projetos inconstitucionais defendidos pela bancada ruralista, como a PEC 215, que tira do Executivo e transfere ao Congresso a prerrogativa de aprovar as demarcações de terras indígenas – o que na prática significará a paralisação das mesmas –, e o PLP 227, que abre as terras indígenas à exploração econômica do agronegócio, empresas de energia e mineração.” Leia mais >

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