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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Herdeiro do legado, multiplicador da causa

    Postado por Germano Assad - 21 - dez - 2013 às 23:48 1 comentário

    Joaquim Belo, presidente do CNS (Reprodução / Acervo Pessoal Joaquim Belo)

    Três décadas após a criação do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS) por Chico Mendes e vários de seus companheiros, a entidade, hoje chamada Conselho Nacional das Populações Extrativistas é gerida por um filho legítimo da maior conquista de Chico: o conceito das reservas, de desenvolvimento sustentável e extrativistas.

    Morador do projeto de assentamento Foz do Rio Madeirão Velho, no Amapá,  Joaquim Belo só conheceu Chico Mendes com a repercussão de seu assassinato.

    “Fui conhecer a figura brilhante do Chico na morte dele, enquanto eu me envolvia mais e mais  com o trabalho na reserva de Cajari”, conta. Mas logo percebeu que a luta iniciada por Chico, Wilson Pinheiro e tantos outros era a luta que ele mesmo sempre travara. “Percebi que o meu modo de vida se enquadrava justamente no modelo que eles defenderam na primeiras quatro reservas criadas”.

    E a partir daí, se envolveu mais e mais no sindicalismo e nos movimentos locais em favor dos trabalhadores e comunidades amazônica. Ele resume a própria história como “a de um cidadão que mora na floresta, que tem uma relação e um modo de vida extremamente afetuoso com a floresta, e que trabalha com a floresta em pé”. Confira alguns trechos da entrevista:

    Pode contar um pouco de sua trajetória até o CNS?

    Cheguei no CNS na verdade através de um amigo chamado Pedro Ramos, que vem do início junto com Chico Mendes e viveu essa historia bonita de luta pela defesa dos extrativistas naquele momento. Eu sou técnico em agropecuária formado pelo instituto da família no Espirito Santo, que era apoiada pelo sindicato que o Pedro Ramos era presidente, e quando cheguei em 92 formado no ensino médio, e trabalhando voluntariamente no sindicato rural, no ano seguinte ele me convidou pra ajuda-lo no CNS, que estava iniciando o trabalho que ia fazer o cadastramento na reserva Cajari naquele momento, e eu fui convidado a ir pra lá.

    Fiquei uns dois anos trabalhando com ele nessa pauta do cadastramento da reserva de Cajari. Em 98, eu fui convidado pra fazer parte da organização, do encontro estadual, e acabei indo. Na volta, fui eleito coordenador regional do estado do Amapá e fui me envolvendo mais e mais no trabalho. No levantamento da reserva, o que ela representava enquanto espaço territorial naquele momento, já que Cajari estava entre as quatro primeiras reservas extrativistas criadas, ainda no final do governo Sarney, junto com a Chico Mendes, Ouro Preto e Juruá.

    Então eu fui estudando, começando a entender os documentos, os processos. Eu não fiz parte do início do processo, mas fui compreendendo que o que eu fazia no meu dia a dia, no meu modo de vida foi aquilo que o Chico, junto com outros grupos que começam com Wilson Pinheiro e tantos outros, que trabalharam muito pra que esse modelo fosse criado juridicamente, quer dizer, eu percebi que o meu modo de vida se enquadrava justamente no modelo que eles defenderam na primeiras quatro reservas criadas.

    E meu envolvimento aí só aumenta. Fui coordenador regional no Amapá, no ano seguinte fui eleito para o conselho deliberativo nacional e fui galgando até a presidência. A minha história de vida é a de um cidadão que mora na floresta, que tem uma relação e um modo de vida extremamente afetuoso com a floresta, que trabalha com a floresta em pé. Eu fui entendendo que dentro dos diversos ecossistemas cada sistema desses tem um tipo de produção que atende muito bem o público que está lá, que é a castanha, o açaí, a borracha, o babaçu, enfim, é um conjunto de produtos que tem na natureza e que se relaciona com o povo de acordo com o ambiente que ele está habitando.

    Como foi seu primeiro contato com Chico Mendes, em que momento da sua vida esse contato aconteceu?

    Na verdade eu ouvi falar do Chico na morte dele. Meu pai era sindicalista, conviveu com ele. Pedro Ramos também conviveu com ele, mas eu só fui ouvir falar do Chico por ocasião da morte dele, que foi aquela comoção. No interior a gente não tinha televisão mas tinha rádio.  E a gente ouvia falar da morte do ambientalista Chico Mendes, aquela questão toda que ficou na mídia por tanto tempo. Era radinho de pilha né, a gente escutava muito a voz do Brasil, tinha a rádio nacional de Brasília, então eu ouvi muito, fui conhecer a figura brilhante do Chico na morte dele, enquanto eu me envolvia mais e mais  com o trabalho na reserva.

    Ouvia muito sobre os companheiros de Chico, também? Você se inspirou muito nessas pessoas?

    Os primeiros, que começaram mesmo junto com ele foram o Julio Barbosa, Maria Alegretti, Atanagildo Matos, seu Raimundão lá do Acre, pessoas que foram grandes inspiradores, ficaram com esse legado do Chico e passando para outras gerações assim como eu e que me serviu muito, foi de uma riqueza fantástica para que eu pudesse ter a consciência e pudesse ter o papel que tenho hoje, de representar essa instituição e estar multiplicando esse ideal do Chico que não é uma causa, é a vida das pessoas, é a vida do nosso povo da Amazônia que teve seu modo de vida desenhado pela convivência de milhares de anos com a floresta, e esse público é um público muito grande hoje na Amazônia, é um público gigantesco.

    E em termos de conquistas? Qual a principal na sua opinião?

    Nossa conquista hoje tá em torno de quase 40 milhões de hectares traduzidas nesse modelo de reforma diferenciada que a gente chama, que é nossas reservas extrativistas, nossos assentamentos extrativistas, reserva de desenvolvimento sustentável, então esses territórios de uso coletivo que são nossos lugares de moradia e produção acima de tudo, essa conquista é muito grande. Quando eu comecei a conhecer essa história, das quatro reservas criadas,  e a aprender com essas pessoas, isso pra mim, faz com que eu faça o que faço hoje com uma consciência aguçada do meu papel na defesa desse modo de vida, na conservação, no desenvolvimento sustentável, na manutenção do equilíbrio e da harmonia nos biomas brasileiros, e no mundo também.

    Qual a situação da sua comunidade e da reserva de Cajari hoje, vocês convivem com a violência que assola tantas outras reservas? Vocês lidam com roubo de madeira, ameaças e outros tipos de violência?

    Pois é. Primeiro, é impressionante como essa situação quase pouca coisa mudou, da violência, dos saques de recursos naturais das comunidades, ainda agora duas semanas atrás teve a maior apreensão de madeira da história, na região de Marabá. E quando você olha a região de Marabá, é uma região que tem tido o acesso muito facilitado, então dá pra gente analisar que essa questão da extração ilegal de madeira, a corrupção no setor continua muito forte, que as pessoas e esses grupos ainda se sentem muito a vontade para fazer o que fazem e há uma dificuldade muito grande do estado em dar uma resposta em cima dessa situação toda. E aí pega essa situação de Marabá , por exemplo, e imagine essas comunidades que estão mais distantes, isoladas  da presença do estado, como é o caso de Melgaço e tantas outras.

    Então isso demonstra que os saques, a ilegalidade, essas coisas continuam com uma voracidade gigantesca em cima desses territórios, por isso que a gente briga muito pelas reservas extrativistas, que no governo Dilma tivemos a infelicidade de não criar nenhuma, e a única esperança que a gente tem é a criação do território, e a hoje a dificuldade tem sido muito grande em novas criações porque a frente do agronegócio quer impedir a criação de reservas, desses nossos territórios a qualquer custo, mas é o mínimo que a gente pode ter, a garantia ao território.

    A garantia ao território traz consigo as demais?

    É o primeiro passo, com ela você tem o mínimo, que é a garantia da preservação da vida. Porque, pela nossa história de luta, nós nunca ouvimos falar que mataram uma liderança dentro de uma reserva criada, geralmente morre num assentamento extrativista, porque com todo o respeito e importância que tem os assentamentos extrativistas, uma vez que se tornou uma coisa muito banal, o respeito também passou a ser mínimo. Já contra a reserva, é muito mais difícil atentar, fica um defunto mais caro pro crime.

    Então a gente lamenta muito por não terem sido criadas novas reservas na nossa Amazônia, mas estamos firmes, fizemos um pacto para que até julho de 2014 a gente crie novas cinco reservas. No chamado das florestas fizemos esse pacto com o governo federal, com a ministra do meio ambiente e secretaria geral da presidência para a semana do meio ambiente.

    A violência continua, nas nossas terras por aqui não é diferente. Particularmente, não digo que sou ameaçado de morte porque tomo muito cuidado com isso. Até porque hoje, são poucos os lugares em que o crime organizado ainda ameaça. Eles estão atuando de uma outra forma, já estão executando ao invés de ameaçar, porque quando ameaça tem a questão da visibilidade e tal, e quando matam diretamente fica mais fácil até de se livrarem.

    Então essa questão da violência aqui no Amapá, que até viveu em harmonia nesse aspecto mas neste momento já temos conflitos gigantescos, companheiros que correm risco de morte e a gente tenta trabalhar de forma que não nos deixe tão expostos nesse aspecto e não sermos vitimados por esse segmento.

    Vocês usam ou chegaram a usar alguma técnica de enfrentamento aos moldes dos empates?

    Não, dessa forma não. Ajudei logo no início, com a Irmã Dorothy, a fechar estrada, fechar ponte, por semanas e tal, isso a gente chegou a fazer na região da Transamazônica, mas nesse nosso ambiente aqui, não. Mas no caso do Pará chegamos a fazer não embate pela floresta, mas em rodovias, em pontes, chamando a atenção justamente para a necessidade de criação de novos territórios.

    Do ponto de vista daquelas lutas maravilhosas que o Chico fez, não chegamos a realizar esse tipo de ação, de embate na floresta para impedir desmatamento, mas com certeza tiramos inspiração delas para fazer as nossas próprias ações.

    Como você enxerga o modelo de desenvolvimento para Amazônia que temos hoje? Mega obras, ameaças constantes da bancada ruralista nas esferas políticas...

    Primeiro que o modelo que está sendo implementado para Amazônia é caótico, crítico. Crítico porque é um modelo extremamente degradador, e nesse sentido o governo está refém desse processo, desse poder hegemônico que está consolidado nesse país de uma forma bem estruturada, e aí eu confesso que não vejo um caminho claro no sentido de reversão para esse processo. 

    O que temos feito nesse aspecto, é fazer com que o governo também atenda nossas reinvindicações, porque o que está acontecendo na Amazônia neste momento é um sistema que está colocando um grau de perigo muito grande, porque essa infraestrutura toda que o governo está investindo para Amazônia é uma infraestrutura que está trazendo consigo a migração de diversos segmentos, inclusive segmentos endinheirados pra Amazônia, e junto com isso vem muita gente tentando arrumar trabalho, e isso vai estabelecer um conflito muito grande e que não vai demorar na região, se o governo também não atender as nossas reinvindicações.

    E aí o ataque não passou a ser contra uma classe, contra um setor, mas contra o sistema ambiental desse país. E eu fico muito triste  quando vejo alguns técnicos ligados a área da conservação que ao invés de ver o extrativista como um bom aliado acham que somente parques conservam, e nem consideram o nosso segmento como possível aliado na mesma luta.

    Mas também já existe muita gente com mentalidade diferente, que pensa na lógica do ou se junta todo mundo, ou todo mundo vai sucumbir nesse modelo que o governo federal está implantando para a Amazônia. Estamos passando por um momento crítico, e esse momento vai carecer do nosso papel como entidades mobilizadoras e de enfrentamento pra que o governo dê atenção as nossas pautas.

    Nós temos claro que  governo não vai frear nesse modelo hegemônico que está sendo implantado, então o que nos cabe é mobilizar. E aí são todos os segmentos, ambientalistas, ativistas, trabalhadores, índios, extrativistas. Ou nos juntamos ou vamos sucumbir todos.

    O sistema, unidades de conservação, terras indígenas, comunidades quilombolas, todos estão ameaçados, então não tem ninguém melhor do que ninguém neste momento, e isso precisa ser compreendido por todos os segmentos, que precisamos estar juntos para enfrentar esse projeto de grandes obras e investimentos na Amazônia que vai trazer o caos para todos nós. Leia mais >

  • Sempre Presente

    Postado por Alan Azevedo - 20 - dez - 2013 às 18:11 1 comentário

    Elas estão em todos os lugares: em locais públicos, dentro de recintos, em prédios abandonados (ou não) e até piscando do lado de fora de nossas casas. Elas são grandes, brilhantes... e feias! Estamos falando das propagandas que, muitas vezes, são também imorais.

    Mas, nem todo mundo está disposto a aceitar passivamente esse bombardeio diário de propagandas. Convidamos todos os espíritos selvagens aí fora para se juntar a nós e manter viva a memória dos verdadeiros representantes da eterna luta por um Brasil mais livre e mais justo. Para marcarmos os 25 anos do assassinato de Chico Mendes, um dos grandes defensores da nossa maior riqueza, a Amazônia, propomos uma intervenção urbana para lembrar as pessoas que Chico Mendes estará sempre presente.

    Para isso, disponibilizamos uma arte de lambe-lambe, um cartaz com conteúdo crítico a ser colado em espaços públicos. É uma forma de intervenção criativa e não-comercial na cidade, com o poder de despertar as pessoas para reflexões que em geral não estão presentes no nosso cotidiano. Vale ressaltar que lambe-lambe não é crime, mas é preciso cuidado com onde e como colar sua mensagem por aí.

    Neste link disponibilizamos um guia rápido de como preparar seu lambe-lambe. Imprima a arte “Chico Mendes Sempre Presente”, reúna seus amigos e se manifeste artisticamente. Não se esqueça de fotografar seus lambe-lambes e espalhar pelas redes sociais usando a hashtag #SemprePresente. A mudança está nas mãos da sociedade civil. Leia mais >

  • As mortes anunciadas da Amazônia

    Postado por Luana Lila - 20 - dez - 2013 às 16:53 2 comentários

    Em Xapuri, no Acre, próximo ao local onde Chico Mendes foi assassinado (Eduardo Arraes)

     

    "Não resta a menor dúvida que nessa luta a gente tá convencido de que mais hoje ou mais amanhã algum companheiro vai perder a vida, alguém vai derramar sangue, porque nós estamos lutando contra um poderio econômico, o poder do latifúndio, no país do latifúndio", afirmou Chico Mendes, no documentário Chico Mendes, Um povo da floresta, de 1989.

    Quando Chico proferiu essas palavras ele sabia que poderia estar entre as pessoas que iriam tombar na luta pela defesa da floresta e dos povos que vivem nela. Por seis vezes conseguiu escapar da morte anunciada. Inúmeras vezes ele mesmo denunciou seus algozes. Nada disso foi suficiente para impedir o seu assassinato, no dia 22 de dezembro de 1988, quando estava em casa com a família. Ao abrir a porta dos fundos, com a toalha nos ombros para ir tomar banho no chuveiro externo, Chico foi atingido por uma bala. Morreu na frente da mulher e dos filhos.

    Em 1980, antes de Chico, outra liderança do Acre foi assassinada. Wilson Pinheiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasileia foi um pioneiro na luta pelos direitos dos seringueiros e povos da floresta. Assassinado na sede do sindicato. 

    Em 2005 a missionária norte-americana Dorothy Stang foi assassinada, aos 73 anos, com seis tiros, em Anapu, sudoeste do Pará. Lutava pela implantação de um Projeto de Desenvolvimento Sustentável para aliar a agricultura familiar à preservação da floresta. Sabendo-se ameaçada, pouco antes de morrer declarou: "Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar". 

    Em 2011 foi a vez do casal de extrativistas José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, assassinados em Nova Ipixuna, sudeste do Pará, por denunciarem a ação de madeireiros, carvoeiros e grileiros no Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira. Em 2010, numa palestra, Zé Claudio declarou: “A mesma coisa que fizeram no Acre com Chico Mendes querem fazer comigo. A mesma coisa que fizeram com a Irmã Dorothy querem fazer comigo. Eu estou aqui conversando com vocês e daqui a um mês vocês podem saber a notícia que eu desapareci. Me perguntam: tenho medo? Tenho, sou ser humano, mas o meu medo não me cala”.

    Histórias trágicas como essas continuam acontecendo num Brasil que se mostra orgulhoso de seu desempenho “moderno” no campo, mas nos bastidores se mantém inerte enquanto vê suas lideranças sendo assassinadas. Assim, o país vai anonimamente perdendo seus heróis, aqueles que estão na linha de frente na batalha contra o desmatamento, lutando por um interesse que é de toda a população. 

    Segundo o último caderno “Conflitos no Campo”, publicado anualmente pela CPT (Comissão Pastoral da Terra), em 2012 a Amazônia registrou 489 conflitos no campo, 21 assassinatos e 229 pessoas ameaçadas de morte. 1 em cada 5 dos assassinados no campo em 2012 já havia recebido ameaças de morte. São pessoas que buscam uma realidade mais justa e sustentável numa terra que tem a falta de governança e a impunidade como marca.

    Saiba mais:

    A luta de Chico Mendes continua necessária. No Acre, por exemplo, o avanço dos madeireiros tem gerado inúmeros conflitos com as pessoas que vivem na floresta, como explica Darlene Braga, coordenadora da CPT no estado. A sede da CPT, órgão que atua junto aos trabalhadores no campo, foi invadida três vezes somente em janeiro de 2013, por grupos que deixaram recados em tom de ameaça nas paredes. 

    “Aqui no Acre é tudo em nome de Chico Mendes. Tem rua, restaurante, tudo. Estão usando a imagem dele, mas na verdade os ideais pelos quais Chico lutava ainda estão muito distantes, infelizmente”, afirma Darlene. Leia mais >

  • Derretimento a olhos nus

    Postado por Fabiana Alves* - 19 - dez - 2013 às 18:01 1 comentário

    Paredão de gelo instalado na av. Paulista, em São Paulo, fazia referência ao derretimento do Ártico. (©Greenpeace/Otavio Almeida)

    A avenida Paulista, cartão-postal de São Paulo, costuma ficar toda enfeitada nessa época do ano. Em contraste com a alta temperatura do verão brasileiro, neve artificial, pinheiros, renas e bonecos do Papai Noel anunciam a chegada de mais um Natal.

    Foi nesse cenário que ontem o Greenpeace adicionou um item à decoração da avenida: um imenso paredão de gelo de 4x2 metros derreteu às vistas do público, mostrando que a terra do bom velhinho, o polo norte, vai desaparecer se não tomarmos uma atitude urgente.

    Leia mais:

    Nos últimos 30 anos, o gelo Ártico do verão se reduziu em três quartos. Estudiosos preveem a possibilidade de, no verão de 2020, a extensão do gelo desaparecer completamente. Mas o que pode ser um problema para o restante do mundo é visto com bons olhos por algumas empresas petrolíferas, que terão os caminhos abertos para explorar com maior facilidade os cerca de 90 bilhões de barris de petróleo comprovadamente existentes, que suprem apenas três anos do consumo mundial do combustível. Tudo isso às custas do desaparecimento de todo um ecossistema, que será varrido do planeta.

    Veja vídeo:

     

    Existem formas de se gerar energia de fontes renováveis, frear o aquecimento global e proteger o Ártico. Infelizmente, quem tenta mostrar essa segunda via ao mundo acaba sendo punido. Isso foi o que aconteceu com os 28 ativistas e dois jornalistas que foram presos na Rússia após protesto pacífico contra a exploração de petróleo na região. Foi por eles também que montamos essa instalação na avenida Paulista.

    O Ártico pode estar a milhares de quilômetros de distância. Mas o que acontece lá, pode ter impactos aqui também. Por isso, neste Natal, nosso presente é sua sensibilização. Junte-se a nós na proteção desse ecossistema único.

    *Fabiana Alves é da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Leia mais >

  • Um elo de resistência na Amazônia brasileira

    Postado por Nathália Clark - 19 - dez - 2013 às 17:49

    Dezenas de povos indígenas e tradicionais do Brasil se uniram na semana de Mobilização Nacional Indígena, realizada e Brasília no começo de outubro. É a atualização da Aliança dos Povos da Floresta, um dos legados de Chico Mendes (©Tico Fonseca/Greenpeace).

     

    Há 25 anos, o Brasil perdia um dos maiores defensores de sua diversidade social e ambiental: Francisco Alves Mendes Filho foi assassinado covardemente em sua casa em Xapuri, no Acre, em 22 de dezembro de 1988. Chico Mendes, como é comumente conhecido, deixou um legado de sabedoria e persistência na luta pela preservação da floresta, que tem sido reproduzido por gerações no movimento socioambiental. Líder seringueiro e sindical, seu nome representa até hoje a resistência das comunidades que habitam a Amazônia ao avanço dos tratores que, no início dos anos 70, sob o comando do regime militar, atropelavam a mata e o que mais houvesse ao redor para trazer o suposto progresso àqueles rincões esquecidos.

    Sua história se cruza com a de outras populações tradicionais amazônicas, como os ribeirinhos e povos indígenas, que também têm na floresta o seu sustento e fonte de sobrevivência. Com a chegada do ambicioso programa de obras e colonização do governo, estradas eram abertas no coração da floresta para dar passagem a novas frentes de “desenvolvimento” na Amazônia. Encobertos pela poeira e pelo rastro de destruição das maquinarias do Estado, as populações locais da região sentiram a necessidade urgente de unir forças para tentar salvar aquilo que lhes era mais precioso.

    “Conheci o Chico quando ele estava peregrinando pelo mundo, indo pra fóruns fora do Brasil denunciar a destruição da Amazônia, as mazelas trazidas pela BR-163, insistindo que fossem criados mecanismos de consulta às comunidades, denunciando que tinham povos ainda em estado de isolamento, que seriam violentados e dizimados. Ele insistia que os povos da floresta precisavam ser ouvidos, não sublimados. Na época, as autoridades tratavam a Amazônia como se só houvesse floresta no caminho, sem seres humanos. Chico foi um pioneiro na Amazônia, antes dele não tinha ninguém levantando a bandeira dos direitos humanos relacionada à questão ambiental de maneira tão eficaz. A temática socioambiental se iniciou aí”, conta Ailton Krenak, ambientalista, líder indígena, ex-deputado federal e hoje coordenador da Rede Povos da Foresta.

    À época, comunidades extrativistas, como os seringueiros do Acre e os castanheiros do Pará, enfrentaram inúmeros conflitos com grileiros, madeireiros e fazendeiros. Muitos perderam suas terras e pagaram com a própria vida o preço pela defesa da floresta. Foi na luta pela terra, pelos recursos naturais e seus usos diferenciados pelas comunidades tradicionais, que os povos da floresta foram se organizando e se aproximando.

    Saiba mais:

    “Ele tinha uma visão muito ampla do planeta como um todo. Ele pensava em organizar os trabalhadores e percebeu que, mais do que isso, era preciso criar relacionamentos entre diversas comunidades de forma a transcender os sindicatos e criar as redes. Muito antes disso virar moda hoje, ele já juntava índios, seringueiros, ribeirinhos, intelectuais, cientistas, pesquisadores e achava que essa gente toda tinha algo em comum. Eu tenho muita saudade do meu amigo Chico Mendes e de suas ideias geniais”, lembra Krenak, saudoso.

    Em 1980 foi fundada, por um grupo de lideranças locais indígenas, a União das Nações Indígenas. Somando a experiência de dezenas de conflitos em todo o país, a então chamada UNI se articulou com outros setores da sociedade civil para dar visibilidade às lutas locais, antes invisíveis e extremamente desiguais. Teve importante participação no avanço dos direitos indígenas conquistados na Constituição de 1988, além de ter sido precursora da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), que hoje representa 165 povos indígenas e 75 organizações regionais.

    Em outubro de 1985, os sindicatos de seringueiros do Acre convocaram o primeiro encontro nacional, em Brasília, reunindo representantes de comunidades extrativistas de cinco estados da Amazônia. Na ocasião, foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS).

    Dois anos depois, em 1987, Ailton Krenak, então coordenador da UNI, Jaime da Silva Araújo, o primeiro presidente do CNS, e Chico Mendes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, fizeram um evento público em São Paulo para discutir a proposta de criação da Aliança dos Povos da Floresta, enfocando os paralelos entre as diferentes experiências e lutas, e a importância de construir uma aliança efetiva.

    Mas foi apenas depois da morte de Chico Mendes que a Aliança foi oficialmente lançada, durante o Primeiro Encontro Nacional dos Povos da Floresta e Segundo Encontro Nacional dos Seringueiros, em fevereiro de 1989, em Rio Branco, no Acre.

    Índios e seringueiros souberam colocar seus antagonismos históricos de lado para lutar com eficiência contra as ameaças externas. Dessa forma, a Aliança ganhou força e deu respaldo a dezenas de colaborações em conflitos com grileiros e madeireiros. A partir dela foram criadas as primeiras Reservas Extrativistas, demarcadas muitas Terras Indígenas e instituído o Parque Nacional da Serra do Divisor. A Aliança também liderou a mobilização que resultou na criação do Grupo de Trabalho da Amazônia (GTA), que atualmente conta com 623 organizações. Alguns dizem que ela foi desarticulada anos depois. Há quem discorde.

    “Acho que a Aliança continua existindo até hoje. A Mobilização Nacional Indígena foi um exemplo concreto disso. Quando juntamos na mesma luta vários povos tradicionais, quilombolas, ribeirinhos; quando empatamos Belo Monte ou outros empreendimentos que assolam a vida das comunidades e a biodiversidade, isso é uma atualização constante da Aliança. As pessoas querem datar tudo, acham que a Aliança só existiu quando tínhamos escritório físico conjunto. Continuamos compartilhando agendas hoje, só que em outros campos, como nas redes sociais. Hoje as ações são feitas em territórios diferentes, novos. Enquanto houver gente reagindo à destruição da floresta, a Aliança estará viva”, conclui Krenak.

    Um quarto de século depois, os movimentos socioambientais percebem a mesma necessidade de união, dada a constante e acirrada ameaça aos direitos eterritórios indígenas e de populações tradicionais vinda da parte mais atrasada do agronegócio brasileiro, e aos consequentes conflitos, violência e morte no campo.

    O histórico da Aliança dos Povos da Floresta serve para mostrar que, quando o objetivo é comum, as desavenças se dissipam. Vivo fosse, Chico Mendes certamente não abandonaria seus companheiros de luta contra a afronta daqueles que dominam os latifúndios – muitas vezes improdutivos – no país e priorizam o lucro pessoal em detrimento ao bem maior da nação. Que os 25 anos sem Chico não nos deixem esquecer sua vida e seu legado, revigorem nossos ânimos e aumentem a força da nossa resistência. Leia mais >

  • CNPE? O quê?

    Postado por Marina Yamaoka - 19 - dez - 2013 às 15:33

    Nota endereçada ao ministro Edson Lobão, do Ministério de Minas e Energia, pedindo que as duas vagas destinadas à sociedade civil no Conselho fossem preenchidas.

     

    CNPE, Conselho Nacional de Política Energética. Poucos brasileiros já ouviram falar dessa sigla e ainda menos sabem o que ela significa. Mas não saber o que essa parte importante do Ministério de Minas e Energia faz não é a pior notícia. O que é realmente ruim é que há vagas previstas para um membro da sociedade civil e uma outra para um representante de universidade brasileira, e que no entanto, continuam vagas há anos.

    Nesta terça-feira, 17 de dezembro, o CNPE se reuniu. E para mostrar o descontentamento com a falta de transparência neste órgão, 41 organizações, entre elas o Greenpeace, assinaram uma nota endereçada ao ministro Edson Lobão, do Ministério de Minas e Energia, pedindo que as duas vagas destinadas à sociedade civil fossem preenchidas.

    Além disso, a nota questionou a forma como o Conselho orienta sua atuação. As diretrizes previstas na legislação brasileira mencionam a proteção ao meio ambiente, a identificação das soluções mais adequadas para o suprimento de energia elétrica e o estabelecimento de programas específicos como para os biocombustíveis, a energia solar, a energia eólica e de outras fontes alternativas. 

    No entanto, o que se enxerga na atual política energética brasileira, estabelecida e operacionalizada pelo CNPE, é que este não considera as consequências sociais e ambientais dos projetos, conflitando com as próprias diretrizes estabelecidas na legislação. 

    “Queremos deixar claro que não é legítimo, nem lícito o que está acontecendo. O CNPE é uma instituição importante que toma decisões estratégicas sobre a política energética e, portanto, deve estar aberta ao diálogo”, afirmou Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. Leia mais >

  • Uma luta sem volta – 25 anos sem Chico Mendes

    Postado por Germano Assad - 18 - dez - 2013 às 18:18 2 comentários

    25 anos do assassinato de Chico Mendes.

    A partir de hoje e até domingo (22) – dia em que se completam exatos 25 anos do assassinato de Chico Mendes – o Greenpeace vai publicar uma série de textos lembrando algumas passagens marcantes da vida de um dos maiores heróis da Amazônia.

    Francisco Alves Mendes Filho tinha todos os predicados para se tornar mais um relegado entre tantos outros habitantes da Amazônia brasileira. Esquecidos por sucessivos governos e acuados pelo regime militar, que na década de 70 só pensava em novas frentes de ‘desenvolvimento’ para a região, um grupo de cidadãos percebeu que era preciso agir contra o iminente cenário de conflitos por terra e recursos naturais que se desenhava. 

    Este grupo entendeu que era preciso uma articulação entre as milhares de comunidades da região, para que uma frente de resistência formada pelo povo da floresta tivesse alguma chance contra a verdadeira corrida colonialista instigada à época.

    E Chico, por uma série de fatores que serão lembrados aqui e ao longo da semana, virou o ícone do que se tornaria a luta mais emblemática da história pela conservação da maior floresta tropical do planeta e seus povos nativos.

    Filho de migrantes cearenses, analfabeto até os 19 anos de idade, começou a trabalhar ainda criança, acompanhando o pai pelos seringais amazônicos. A partir de 1.975, já sabendo ler, escrever e dono de uma oratória que fazia o mais desalmado dos jagunços parar e ouvir, passou a exercer posições centrais nos sindicatos locais e a articular com os diversos movimentos sociais que se estabeleciam à época, chamando a atenção das autoridades e incomodando aqueles com interesse político e econômico nas novas frentes de negócio que chegavam na região. 

    Saiba mais:

    Junto com Wilson Pinheiro e vários outros aliados, travaram inúmeros empates – como ficaram conhecidos os atos de enfrentamento dos comunitários que se embrenhavam na floresta, desmontavam acampamentos de peões e se colocavam, com suas famílias, a frente dos tratores e motosserras que tinham por objetivo abrir espaço na mata para o avanço de um modelo de desenvolvimento baseado na destruição da floresta. 

    Wilsão foi morto com um tiro pelas costas, em 1980, justamente por ter liderado diversos empates contra criminosos da floresta. E Chico foi-se em 1988, aos 44 anos, vítima de uma emboscada, depois de inúmeros pronunciamentos públicos sob sua condição de jurado de morte ignorados pela imprensa, pelo governo e autoridades competentes. 

    Quatro décadas, mesmos problemas

     “É impressionante como essa situação pouco mudou. Os saques, a ilegalidade, essas coisas continuam com uma voracidade gigantesca em cima da floresta, por isso que a gente briga muito pelas reservas extrativistas”. As palavras são de Joaquim Belo, atual presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.

    Para ele, o grande legado de Chico foi o ‘modelo de reforma diferenciada’ que possibilitou a criação das reservas. “Nossa conquista são os quase 40 milhões de hectares na forma de reservas e assentamentos extrativistas e de desenvolvimento sustentável. Esses territórios de uso coletivo são nossos lugares de moradia e produção acima de tudo, e esse legado é muito grande. Quando eu comecei a conhecer essa história e a aprender com essas pessoas, isso fez com que eu faça o que faço hoje com uma consciência aguçada do meu papel na defesa desse modo de vida, na conservação, no desenvolvimento sustentável, na manutenção do equilíbrio e da harmonia nos biomas brasileiros”. 

    Mas este legado está ameaçado - seja pela omissão do governo em promover o desenvolvimento desses territórios, seja pelo ataque orquestrado por parlamentares da bancada ruralista à legislação que rege essas áreas.

    “A única esperança que a gente tem é a criação do território e hoje a dificuldade tem sido muito grande em novas criações porque a frente do agronegócio quer impedir a criação de reservas, desses nossos territórios a qualquer custo”, lamenta Joaquim. 

    Em auditoria recente realizada durante um ano, pelo Tribunal de Contas da União em parceria com os nove estados da Amazônia, foram revelados vários problemas de infraestrutura e gestão nas 247 unidades de conservação na região, que juntas somam 1,1 milhão de quilômetros quadrados. Mais da metade destas unidades não possui plano de manejo do território, por exemplo. E menos de dez por cento delas possui mais do que cinco funcionários, número baixíssimo se consideradas a extensão das unidades e a quantidade de gente morando e dependendo delas.

    Esta situação de abandono explica a incidência de tamanha violência gerada pelos mesmos problemas de outrora – cooptação de lideranças, ameaças, execuções, invasão e roubo de recursos em parques nacionais, reservas e até mesmo terras indígenas.

    “O mínimo que a gente pode ter é a garantia ao território. Assim temos garantia da preservação da vida. Isso porque, pela nossa história de luta, nunca ouvimos falar que mataram uma liderança dentro de uma reserva criada, geralmente matam em assentamentos, pois apesar da importância, se tornaram banais, e o respeito pelos assentamentos passou a ser mínimo. Já contra uma reserva é muito mais difícil atentar, fica um defunto mais caro pro crime. Por isso lamentamos tanto por não terem sido criadas novas reservas na Amazônia”, explica Joaquim.

    O governo Dilma, apesar de não ter criado nenhuma reserva extrativista, prometeu distribuir mais 500 funcionários concursados entre as unidades ao longo de 2014. Enquanto isso, continua atropelando premissas da Constituição como a consulta prévia aos povos afetados por mega-obras de infraestrutura na região e privilegiando os grandes consórcios e interesses privados em detrimento do cidadão comum.

    “Estamos passando por um momento crítico, que vai carecer do nosso papel como entidades mobilizadoras e de enfrentamento pra que o governo dê atenção as nossas pautas. Nós temos claro que o governo não vai frear esse modelo hegemônico que está sendo implantado, então o que nos cabe é mobilizar”, defende Joaquim Belo. Para tanto, é preciso articular – como Chico e Wilsão fizeram – entre todos os segmentos que adotaram para si a luta que eles iniciaram. Ambientalistas, ativistas, trabalhadores, índios, extrativistas, estudantes, cientistas, pesquisadores. Todos.

    “Ou nos juntamos ou vamos sucumbir. O sistema, unidades de conservação, terras indígenas, comunidades quilombolas, todos estão ameaçados. Então, não tem ninguém melhor do que ninguém neste momento e isso precisa ser compreendido por todos. Precisamos estar juntos para enfrentar esse projeto de grandes obras e investimentos na Amazônia que já plantou novos conflitos em diversas áreas e vai trazer mais e mais caos para todos nós”, conclui. Leia mais >

  • Frigoríficos unificam auditorias

    Postado por Luana Lila - 16 - dez - 2013 às 17:15

    Rebanho pastando em grande área na Amazônia. © Ricardo Funari/Lineair / Greenpeace

    A JBS, a Marfrig e a Minerva, as três maiores indústrias de processamento de carne bovina do país, se comprometeram a apresentar publicamente os esforços que estão fazendo para eliminar o desmatamento de sua cadeia de produção.

    Em outubro de 2009, esses frigoríficos assumiram o compromisso de não mais comprar carne de fazendas que desmataram a floresta amazônica a partir desta data. Também não entram na lista de fornecedores propriedades que usam mão de obra análoga à escrava ou estão localizadas em terras indígenas e unidades de conservação.

    Quatro anos depois, em nota divulgada por cada uma das empresas, elas afirmam que irão tornar público, até o final de março de 2014, os resultados sobre a auditoria que avalia, sob critérios comuns, o sistema de bloqueio de fornecedores que estão em desacordo com as exigências do compromisso. Esse sistema é fundamental, pois, ao deixar de comprar de propriedades que destroem as florestas, os frigoríficos desestimulam essa prática e contribuem para o fim do desmatamento.

    Também será divulgado um plano de trabalho com metas e prazos para o cumprimento integral do compromisso.

    “Cada vez mais as pessoas se preocupam com o que estão levando pra casa, e ninguém quer consumir desmatamento ou trabalho escravo”, afirma Adriana Charoux, da campanha Amazônia do Greenpeace. “Ao tornar públicos os dados sobre o acordo, os frigoríficos tornam suas práticas mais transparentes e permitem que os cidadãos possam acompanhar de perto o andamento do compromisso”, completa.

    “É com iniciativas como essas que o setor produtivo assume sua responsabilidade e contribui para aumentar a governança na Amazônia e combater o desmatamento”, afirma Charoux.

    Comunicados oficiais dos frigoríficos:

    JBS

    Marfrig

    Minerva Leia mais >

  • Calendário pelo Ártico

    Postado por Ana Levy - 16 - dez - 2013 às 15:35 1 comentário

    Calendário 2014 Greenpeace (©Greenpeace)

     

    Como acontece em todo o final de ano, o Greenpeace lança um calendário com fotos de nossas campanhas. E para a versão de 2014, o tema é a vida animal no Ártico, região constantemente ameaçada pela indústria do petróleo, pela pesca exploratória e pelo crescente degelo. São lindas imagens da riqueza natural da região.

    Para se ter uma ideia, a Gazprom, uma das empresas de petróleo que pretendem iniciar as perfurações já em meados de 2014, conta com o maior número de vazamentos dos últimos tempos: foram nada menos que 872 no ano passado.

    A Shell também pretende voltar ao Ártico em 2014, agora em parceria com a russa Rosneft, gigante estatal do petróleo. Na Rússia, as leis são frouxas e negligentes, permitindo as mesmas atividades que os Estados Unidos, a Noruega e o Canadá vetaram.

    Estamos trabalhando duro para impedir o avanço da indústria do petróleo no Ártico. Faça uma doação única no valor de R$ 30,00 e ganhe o nosso calendário 2014. Basta entrar neste link e pedir o seu. Aproveite também para presentear seus amigos e familiares.

    Todas as doações serão integralmente revertidas para nossas campanhas. Ou seja, além de levar um lindo calendário, você garante nossa independência de ação e ajuda a manter viva uma das últimas regiões intocadas do planeta. Leia mais >

  • Ruralistas saem pela ‘Porta dos Fundos’

    Postado por Nathália Clark - 12 - dez - 2013 às 11:05 1 comentário

    Os parlamentares da bancada ruralista sempre fazem tudo às avessas ou na calada da noite. Por esse motivo, suas artimanhas foram expostas nesta quinta-feira (12) como eles merecem: pela porta dos fundos. O Porta dos Fundos, canal alternativo que tem feito grande sucesso na internet com vídeos humorísticos, produziu uma “homenagem” à bancada ruralista. O vídeo “Xingó Kayapu”, lançado hoje, traz uma sátira às dezenas de propostas legislativas que tramitam no Congresso Nacional, incluindo a PEC 215, e à tentativa da parcela mais atrasada do agronegócio brasileiro de limar os direitos dos povos tradicionais a suas terras.

    Veja abaixo o vídeo original do Porta dos Fundos:

    No Congresso, comissão da PEC anti-indígena é instalada

    Em “comemoração” ao Dia Internacional de Direitos Humanos, 10 de dezembro, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), instalou a tão falada comissão especial para discutir a PEC 215. Num plenário lotado de representantes indígenas, os parlamentares ruralistas não se intimidaram com os gritos de “assassinos” enquanto discutiam os nomes para o grupo que debaterá a Proposta de Emenda à Constituição. O projeto visa transferir do Executivo para o Legislativo a competência pela demarcação de Terras Indígenas e áreas quilombolas.

    Nesta quarta-feira (11), dia seguinte à instalação da comissão, os parlamentares se reuniram novamente para definir a mesa diretora. Foram eleitos como presidente e relator, respectivamente, os deputados Afonso Florence (PT-BA) e Osmar Serraglio (PMDB-PR). Luis Carlos Heinze (PP-RS), outro expoente da bancada ruralista, ficou como segundo vice-presidente.

    “A PEC 215, proposta pelos ruralistas, pode agravar ainda mais casos de violência contra indígenas no campo, como aconteceu recentemente no caso da TI Alto Turiaçu. A proposta enfraquece direitos conquistados pelos povos indígenas e acirra a disputa por terra. É uma triste ironia que uma decisão como essa de instalar a PEC tenha sido tomada justamente no dia em que se comemoram os direitos humanos”, afirma Romulo Batista, da Campanha Amazônia do Greenpeace.

    Mesmo depois de o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmar que a PEC é inconstitucional, o Planalto não acionou sua base parlamentar para barrar a ação do presidente da Câmara e dos ruralistas. Durante a Mobilização Nacional Indígena, que ocorreu na primeira semana de outubro, a presidenta Dilma Rousseff chegou a divulgar que orientaria sua base parlamentar a votar contra a PEC 215.

    Plenário de instalação da comissão da PEC 215 (©Luis Macedo/Agência Câmara).

     

    Protesto Munduruku

    Também no Dia Internacional dos Direitos Humanos cerca de 50 índios Munduruku ocuparam a sede da Advocacia-Geral da União (AGU) para pedir uma série de demandas como a revogação da Portaria 303, que prevê intervenções militares e empreendimentos hidrelétricos, minerais e viários em terras indígenas sem consulta prévia aos povos, a demarcação da Terra Indígena Munduruku no Médio Tapajós e que se mantenha a decisão da 1ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso, que suspendeu o leilão para a Usina Hidrelétrica de São Manoel, no Rio Teles Pires. Leia mais >

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