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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • ‘Tudo que não presta’ aciona Ministério Público

    Postado por Nathália Clark - 27 - fev - 2014 às 18:08

     

    Depois de serem chamados publicamente de "tudo que não presta", uma comitiva de quarenta indígenas Guarani, Guarani-Kaiowá e Terena, além de representantes quilombolas, protocolaram hoje, na sede da Procuradoria Geral da República (PGR), em Brasília, uma representação contra os deputados federais gaúchos Luiz Carlos Heinze (PP-RS) e Alceu Moreira (PMDB-RS). O documento, assinado por diversas organizações indígenas e da sociedade civil, solicita que os parlamentares sejam investigados por crimes previstos no Código Penal, como incitação pública ao crime, apologia ao crime ou criminoso, formação de quadrilha ou bando e racismo ou injúria qualificada.

    A ação foi baseada em declarações gravadas em dois vídeos, divulgados pelas redes sociais nas últimas semanas, em que os deputados proferem discursos que ferem a ética parlamentar, incitando os agricultores à violência e fazendo declarações preconceituosas.

    Segundo Lindomar Terena, liderança do Mato Grosso do Sul e coordenador nacional da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), autoridades constituídas não podem agir de modo preconceituoso contra indígenas e outras minorias do povo brasileiro.

    “No nosso entendimento, esta atitude viola nossos direitos. Ao invés de incitar a violência dos pequenos produtores contra os indígenas, estes deputados têm a obrigação de apresentar soluções para resolver os impasses. Eles devem exigir o cumprimento da lei, que determina a demarcação de todas as terras indígenas, e não tentar mudar a lei para o benefício próprio e de alguns poucos privilegiados. Isso nós não vamos permitir”, garantiu.

    Após ampla repercussão negativa de sua fala em vídeo gravado durante audiência pública com trabalhadores rurais em Vicente Dutra, o deputado Heinze afirmou que suas palavras foram “força de expressão”. Uma outra gravação, no entanto, feita durante o chamado Leilão da Resistência, realizado no dia 7 de dezembro em Campo Grande (MS), evidencia que sua fala não foi um deslize, como ele quis dar a entender, mas sim um discurso discriminatório premeditado e recorrente.

    Leia também:

    Assinam a representação as seguintes organizações indígenas: Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpinsul), Articulação dos Povos Indígenas do Pantanal (Arpipan), Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (Coiab), Conselho Aty Guassu Guarani Kaiowá e o Conselho do Povo Terena.

    Além delas, também assinam: o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), o Instituto Socioambiental (ISA), o Greenpeace e a Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas (Conaq).

    “Em um momento em que as tensões e conflitos no campo já estão exacerbados, discursos que incentivam ainda mais violência não contribuem para a solução do problema, gerando ainda mais caos e desinformação. Por trás de declarações como essas se escondem os interesses de grupos minoritários de poderosa influência política e econômica, que querem se apropriar da riqueza natural contida nas terras indígenas, que só existem porque são preservadas pelos índios. Todos que defendem a democracia e os direitos humanos fundamentais devem se posicionar a favor do direito territorial dos povos tradicionais, garantido pela Constituição Federal”, afirma Tica Minami, coordenadora da Campanha Amazônia do Greenpeace.

    Após serem recebidos na Procuradoria Geral, os indígenas se reuniram também com a coordenadora da 6a Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, Deborah Duprat, e se dirigiram à sede da Advocacia-Geral da União (AGU) para entregar um documento pedindo a revogação da Portaria 303 e realizar uma vigília em protesto contra a medida. Leia mais >

  • Responsabilidade pelo clima em debate

    Postado por Nathália Clark - 26 - fev - 2014 às 19:22

    Área alagada próxima à usina de Santo Antônio, em Rondônia. O estado sofre com a maior cheia já registrada no rio Madeira (©Greenpeace / Lunae Parracho).

     

    Nesta quarta-feira (26), a COP (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) foi tema em Brasília. Em audiência pública convocada pelo Ministério das Relações Exteriores, representantes da sociedade civil e do Itamaraty debateram os resultados da COP-19, em Varsóvia, os preparativos para a COP-20, que acontecerá em Lima este ano, e os rumos futuros do novo acordo global que deverá substituir o Protocolo de Kyoto a partir de 2020. 

    O ministro Everton Lucero, membro da delegação brasileira na COP de Varsóvia, afirmou que a conferência não trouxe tantos resultados quanto o governo gostaria. “Nós esperávamos pelo menos uma sinalização favorável por parte dos países que assumiram compromissos de trazer à mesa de negociações financiamentos, meios de implementação e tecnologias. Consideramos isso essencial para a continuidade na construção de um acordo. Em 2010 foi firmado um compromisso de mobilizar U$ 100 bilhões por ano até 2020, mas não houve uma indicação clara de como se chegaria a esse montante. Consideramos que esses resultados permitem que o jogo siga”, argumentou.

    A audiência foi pautada principalmente na proposta que o Brasil levou à Conferência do Clima da ONU de que as responsabilidades históricas de cada país na elevação da temperatura do planeta sejam medidas. Na esteira desse debate, Sérgio Leitão, diretor de Políticas Públicas do Greenpeace, lembrou um discurso datado de 1993 do embaixador Paulo Nogueira, um dos responsáveis pela realização, no Brasil, da conferência Eco 92, e um dos membros do Ministério que historicamente mais trouxe a discussão sobre aquilo que agora se chama de “responsabilidades históricas”.

    “De 1993 para cá, muita coisa mudou, o Brasil é outro. O Brasil de 2014 felizmente não é o Brasil de 1993. Incorporamos mais de 40 milhões de pessoas ao consumo, triplicamos nossa produção agrícola. Mas o que me preocupa no debate das responsabilidades históricas é ele escamotear as responsabilidades que o Brasil tem em continuar fazendo seu processo de desenvolvimento sem que isso signifique a retomada do desenvolvimento de uma forma ecologicamente irresponsável, como chamava atenção o embaixador Paulo Nogueira nesse texto de 93”, afirmou.

    Sergio Leitão frisou que o Brasil já é um país capaz de dar conta de seus problemas e não pode usar a boa aceitação da proposta das responsabilidades históricas por parte dos países não desenvolvidos para se furtar daquilo que é necessário fazer nacionalmente em termos ambientais. E, seguindo com o raciocínio de Paulo Nogueira, questionou as mudanças de paradigma reais que ocorreram da época da Rio 92 até hoje.

    “O embaixador desse texto se perguntava: até que ponto, por exemplo, podemos conceber a utilização de veículos automotores como carro-chefe de nossa política industrial? Mudou isso em 2014? Não, se agravou. Até quando poderemos continuar a ter um sistema de transporte essencialmente rodoviário, fortemente individualizado e altamente consumidor de petróleo? Mudou isso de 1993 para cá? Não. Só se agravou. É o mais grave problema ambiental, climático e social, que gerou todo o conflito que se iniciou no país a partir de junho do ano passado”, ressaltou.

    Por fim, ele citou a cheia histórica no rio Madeira, em Rondônia, que atingiu 18,43 metros no último dia 24, como um dos efeitos explícitos das mudanças climáticas, e incitou o senso de urgência do governo brasileiro. “Vamos manter essa postura de sermos ricos na hora de destruir, mas pobres na hora de preservar?”, questionou.

    Os representantes do Itamaraty agradeceram as intervenções e finalizaram a audiência mirando o futuro. “Temos agora a responsabilidade de preparar a nossa participação em Lima, de modo que haja uma continuidade na construção de um acordo. Naturalmente que a negociação é sempre muito difícil – diria até emperrada – por questões de divergência de visão. Temos uma conferência que não trata só de clima, mas é uma convergência de questões que envolvem economia, emprego, desenvolvimento. Ela é transversal em matéria de impactos na sociedade, e por isso a participação civil é tão importante”, concluiu o ministro Lucero. Leia mais >

  • Tá de brinqueichon, P&G?

    Postado por Germano Assad - 26 - fev - 2014 às 16:40 3 comentários

    A Procter & Gamble se manifestou a respeito do lançamento do relatório feito hoje pelo Greenpeace internacional e que aponta relações da companhia com fornecedores de óleo de palma ligados a crimes ambientais e destruição da floresta tropical na Indonésia.

    Pelas redes sociais a P&G está tentando responder alguns consumidores que passaram a questionar as ‘relações perigosas’. O discurso já virou mantra até nas respostas (quase) automáticas: linhas muito parecidas com as obtidas pelo próprio Greenpeace em oito meses de insistentes contatos e alertas sobre as evidências de práticas criminosas por fornecedores da empresa.

    Clique aqui para ler na íntegra uma das cartas enviadas, inclusive para a sede do Brasil.

    Citaram que foram estabelecidas metas para comprar apenas de fontes seguras até 2015, tendo como principal meio a sua participação na Mesa Redonda do óleo de palma sustentável  (Roundtable for sustainable Palm Oil – RSPO, em inglês), apoiando e confiando nos critérios estabelecidos por essa certificação.

    Acontece que o RSPO, associação certificadora formada por 40% dos produtores de óleo de palma do mundo além de traders, indústrias, entidades ambientais e demais interessados tem falhas graves, que estão aparecendo especialmente nos anos recentes.

    “Apenas 10 % do óleo de palma que a P&G compra é certificado pela RSPO, e mesmo que eles consigam aumentar para 100% no ano que vem, não seria o suficiente para garantir que o desmatamento não faça parte da sua cadeia produtiva”, lembra Areeba Hamid, da campanha de florestas do Greenpeace Internacional.

    Clique aqui para ler o relatório completo da investigação sobre a cadeia de abastecimento e fornecedores da P&G.

    “A P&G precisa parar de usar o certificado como se fosse uma garantia eterna de sustentabilidade”, alerta.

    Floresta de trufeiras derrubada para início de processo de drenagem e cultivo do óleo de palma na Indonésia. (© Ulet Ifansasti / Greenpeace)

     

    Relatório do Greenpeace datado de setembro do ano passado e chamado de ‘Certificando a destruição’ mostra a fragilidade dos critérios adotados até hoje, com mapeamento e monitoramento que registraram aumento dramático de áreas desmatadas dentro de propriedades certificadas, por exemplo.

    Clique aqui para acessar o relatório Certifying the destruction (em inglês)

    A Associação RSPO tentou rever seus princípios e critérios, mas falhou em questões cruciais de desmatamento e emissões perdendo muito da credibilidade junto aos consumidores e próprios associados. Hoje, a empresa que deseja realmente se livrar do desmatamento precisa ir além do selo.

    Portanto, é hora de mudar o discurso. De traçar metas mais ambiciosas e atender ao pedido de milhares de consumidores pelo mundo.

    Peça para a P&G eliminar de uma vez por todas o desmatamento do Head & Shoulders e de todos os outros produtos do seu dia a dia. Leia mais >

  • Preconceito, deputado? Processo nele!

    Postado por Nathália Clark - 24 - fev - 2014 às 17:38

    Deputada Erika Kokay, coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos, se pronuncia contra declarações de Luís Carlos Heinze (Foto: Gustavo Lima / Câmara dos Deputados)

     

    A divulgação do vídeo que expõe os deputados Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Alceu Moreira (PMDB-RS) incitando o confronto e insultando minorias sociais continua dando resultados concretos. Na última quarta-feira (19), a coordenação da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados aprovou a abertura de um processo especificamente contra Heinze (PP-RS) na Corregedoria da Casa, por quebra de decoro parlamentar.

    O deputado, que classificou quilombolas, índios, gays e lésbicas como “tudo que não presta”, é acusado de incitar a violência e a intolerância em suas declarações. Para a coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos, deputada Érika Kokay (PT-DF), seu discurso é uma grave violação dos direitos das minorias e contém alto grau de preconceito e ódio. 

    “Essas declarações são inadmissíveis. São expressões fascistas que afrontam a Constituição e a Democracia no Brasil. Elas representam quebra de decorro parlamentar e não podemos tratar como algo natural. É uma expressão de barbárie e não tem nada de inocente. É um discurso que afia as facas, estimulando a violência e a lógica de discriminação que o Brasil não pode mais suportar e fechar os olhos”, argumenta Kokay.

    Veja aqui o pronunciamento de Erika Kokay no Plenário da Câmara:

    Leia mais:

    Além de abertura de representação na Corregedoria da Câmara, os cerca de doze deputados que fazem parte da Frente Parlamentar vão pedir à Procuradoria Geral da República (PGR) que abra processo contra Luis Carlos Heinze por incitação ao crime e à violência. 

    Assinam o pedido de processo os seguintes deputados: Erika Kokay (PT-DF), Renato Simões (PT-SP), Janete Pietá (PT-SP), Jean Wyllys (PSOL-RJ), Janete Capiberibe (PSB-AP), Padre Ton (PT), Luiza Erundina (PSB-SP), Paulão (PT-AL), Chico Alencar (PSOL-RJ), Luiz Alberto (PT-BA), Luiz Couto (PT-PB), Nilmário Miranda (PT-MG) e Domingos Dutra (SDD-MA). Leia mais >

  • Verdade tóxica: cortesia da D&G

    Postado por Marina Yamaoka - 24 - fev - 2014 às 12:38

    Ativistas do Greenpeace penduram banner em Milão pedindo que a Dolce&Gabbana limpe sua cadeia de produção de substâncias tóxicas (©Lorenzo Moscia/Greenpeace)

     

    A abertura da Semana de Moda de Milão, na semana passada, foi um evento especial. Enquanto as grandes marcas fashion se preparavam para mostrar ao mundo suas novas coleções, o Greenpeace expos a verdade tóxica que se esconde atrás de todo o luxo: roupas que são produzidas com substâncias perigosas. Depois de constranger a Versace, foi a vez da italiana Dolce&Gabbana ser colocada na berlinda.

    Ponto alto da agenda fashion, a Semana de Moda foi o momento escolhido para revelar uma verdade desagradável. Enquanto modelos e designers estavam preocupados com os desfiles, voluntários do Greenpeace penduraram um banner com os dizeres “Verdades tóxicas, uma cortesia da Dolce&Gabbana”.

    O Greenpeace tem questionado a D&G sobre sua cadeia de fornecimento e sobre os químicos perigosos que são usados em suas roupas desde 2012, quando a marca foi convidada a participar do ‘Duelo da Moda’. Desde então, nenhuma resposta. Já passou da hora para que outras marcas que lançam tendências, como Versace e Louis Vuitton, tomem a mesma atitude que a Burberry e a Valentino que já se comprometeram em se desintoxicar.

    Os protestos não aconteceram apenas em Milão. Ativistas em Hong Kong, Berlim e Munique se juntaram para garantir que a mensagem à D&G fosse alta e clara: o planeta não precisa pagar o preço pela moda bonita e ninguém precisa aturar a poluição tóxica que essas marcas estão provocando. Chegou o momento da D&G seguir os passos de outras grandes marcas e fazer moda da qual realmente possa se orgulhar. Leia mais >

  • O óleo de palma no seu dia a dia

    Postado por Cristiane Mazzetti* - 19 - fev - 2014 às 15:51


    Imagem da animação sobre óleo de palma produzida pelo Greenpeace.

    Você pode até não escutar o barulho das motosserras enquanto toma seu banho ou escova os dentes, mas pode ter certeza: as chances de ter algo diretamente ligado à destruição das florestas na Indonésia em seu banheiro são enormes.

    Quer saber como?

    Então assista o vídeo abaixo, que explica como o desmatamento chega na sua casa por meio dos produtos que utiliza no seu dia a dia.

     

    Com uma semana do lançamento do manifesto pelas florestas da Indonésia, já somamos mais de 120 mil vozes fazendo o mesmo pedido: não queremos desmatamento nos produtos que compramos e consumimos diariamente.

    As marcas que usamos PRECISAM levar em consideração o impacto que causam no planeta e nas pessoas. Animais raros e comunidades que vivem diretamente da floresta estão sofrendo com o avanço desenfreado do óleo de palma sobre áreas ainda conservadas. Você pode fazer a diferença.

    Clique aqui para assinar o manifesto.

    Tivemos grandes conquistas até agora devido à pressão popular. A maior comercializadora de óleo de palma do mundo, a Wilmar, e marcas como L’Oreal, Unilever, Ferrero e Nestlé já se comprometeram publicamente a eliminar o desmatamento de suas cadeias de produção usando apenas óleo de palma com procedência garantida.

    Temos ainda um longo caminho pela frente e precisamos de toda a ajuda possível para acabar com a destruição das florestas da Indonésia. Se você já aderiu e fez a sua parte, compartilhe o vídeo e o manifesto com seus amigos e familiares, pedindo para que também sejam parte da campanha.

    Conheça também a campanha de florestas no Brasil e a atuação do Greenpeace na Amazônia.

    *Cristiane Mazzetti é da campanha de florestas do Greenpeace Brasil Leia mais >

  • De onde vem a violência no Brasil

    Postado por Nathália Clark - 19 - fev - 2014 às 15:02 3 comentários

    Na última semana, foi divulgado pela Mobilização Nacional Indígena um vídeo que mostra dois deputados da bancada ruralista discursando para um público de produtores rurais em Vicente Dutra (RS). Nas imagens, eles incitam a violência contra indígenas que tentam retomar suas terras de direito e propagam a discriminação e a intolerância contra outras parcelas minoritárias da sociedade, como quilombolas, gays e lésbicas.

    Apesar das tentativas de difamação por parte dos parlamentares, que alegaram terem tido suas falas manipuladas e tiradas de contexto, a íntegra da filmagem da audiência também ficou disponível, em seis partes, no mesmo canal do Youtube. Hoje, um novo corte do vídeo (publicado acima) foi editado, destacando a convocação à guerra pelo deputado Alceu Moreira (PMDB-RS).

    Ao estimular o uso de segurança armada e sugerir que se “fardarem de guerreiros” para expulsar índios “do jeito que for necessário”, Moreira coloca o público de produtores rurais contra os povos indígenas e explicitamente promove o confronto direto como forma de cessar os conflitos fundiários.

    Ao longo dos anos, as estatísticas de violência no campo só vêm aumentando. Segundo um relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), divulgado em junho de 2013, a maioria das formas de violência cometidas contra povos indígenas no Brasil aumentou em 2012. Só na categoria "violência contra a pessoa", que engloba ameaças de morte, homicídios, tentativas de assassinato, racismo, lesões corporais e violência sexual, houve um aumento de 237% se comparado com os casos registrados em 2011.

    Leia mais:

    Nos noticiários, a grande imprensa ressalta a “invasão” de fazendas por indígenas, sem mencionar que são, na maioria das vezes, atos de reocupação de territórios tradicionalmente ocupados e a eles garantidos pela Constituição Federal. Nas cidades, a violência em protestos também tem sido atribuída aos manifestantes populares, sendo as forças policiais do Estado poupadas das críticas mais duras.

    Vendo imagens como as do vídeo acima, nós nos perguntamos: de que lado, afinal, vem a violência no Brasil? Será que é mesmo por parte das populações tradicionais e dos movimentos sociais? Atitudes como as propostas pelos deputados, eleitos pelo povo e que por eles deveriam zelar, não podem se tornar a maneira corrente de cessar os conflitos – seja no campo ou na cidade.

    Acreditamos que a sociedade deve tomar caminhos alternativios, que levem a soluções mais justas e sustentáveis. Por um mundo mais livre e igualitário, onde cada um possa ocupar dignamente o lugar ao sol que lhe cabe por direito.  Leia mais >

  • O que o Greenpeace acha sobre comer carne?

    Postado por Greenpeace Brasil - 14 - fev - 2014 às 19:32 26 comentários

    Área de floresta desmatada para pasto em Santarém (PA), nas proximidades da BR163 (©Daniel Beltra/ Greenpeace)

     

    Após três meses presa na Rússia por conta de um protesto pacífico, a ativista Ana Paula Maciel foi recebida por sua família, em dezembro, com um churrasco. Essa notícia resultou em críticas ao Greenpeace, expondo uma suposta contradição entre comer carne e, ao mesmo tempo, defender o desmatamento zero.

    O Greenpeace defende uma redução drástica do consumo de proteína animal, não apenas para poupar a floresta e reduzir as emissões, mas também para a saúde humana. Por outro lado, para cumprir nossa missão de promover padrões de produção e consumo sustentáveis, não podemos desconsiderar o impacto que a produção atual de carne representa para o meio ambiente.

    Desde 2009, temos uma frente de campanha voltada à pecuária. Buscamos mostrar diversas vezes como o avanço da produção de carne resultou em invasão de terras indígenas, destruição de áreas de floresta preservadas ou mesmo violência no campo. Como resultado, os três maiores frigoríficos do país assumiram o compromisso de só comprar carne de fazendas que comprovadamente adotam o desmatamento zero como prática, além de rejeitar trabalho escravo e ameaça às terras indígenas.

    Esse é um passo importante, mas sabemos que não é o suficiente. Atualmente, a média de consumo diário de carne no mundo é de cem gramas por pessoa e a tendência é que esse consumo aumente vertiginosamente nos próximos 40 anos. É por isso que aplaudimos iniciativas como a “Segunda sem Carne” ao promover a redução do consumo e uma dieta mais balanceada.

    Acreditamos que a decisão de se tornar vegetariano contribui para reduzir a pressão sobre a floresta e o clima. Mas achamos também que essa escolha é de âmbito pessoal. Muitos de nós, do Greenpeace, realmente somos vegetarianos ou veganos. Outros comemos carne. Não estabelecemos julgamento moral sobre indivíduos em particular.

    Não enxergamos contradição entre esse posicionamento e nossa defesa pela Amazônia. Nossas lutas têm frentes distintas a das entidades que defendem o vegetarianismo, mas são convergentes. Leia mais >

  • Papo Greenpeace sobre energias renováveis

    Postado por Juliana Costa - 13 - fev - 2014 às 20:16 4 comentários

    Leia mais >

    Watch live streaming video from greenpeacebr at livestream.com

    Quinta-feira, dia 13 às 20h, Ricardo Baitelo coordenador da campanha de Clima & Energia, participarão do #PapoGreenpeace. O Brasil, enquanto economia em desenvolvimento, precisa atender ao crescimento da demanda de energia. Nosso potencial de energias renováveis é gigantesco, mas temos feito opções equivocadas por hidrelétricas na Amazônia, usinas nucleares e térmicas a carvão. Venha bater um papo conosco sobre isso.

    Facebook Twitter

    Sua participação é muito importante. Envie sua pergunta pelo Twitter com a hashtag #PapoGreenpeace ou deixe um comentário com a sua pergunta no evento do Facebook.

    Já é hora de o Brasil ter uma [R]evolução Energética

  • Próxima estação...

    Postado por Bernardo Camara - 12 - fev - 2014 às 15:00

    Estação foi inaugurada com mais de mil dias de atraso. Foto: ©Greenpeace

     

    Com mais de mil dias de atraso e milhões de viagens que deixaram de ser realizadas pela população neste período, a estação de metrô Adolfo Pinheiro, em São Paulo, foi, enfim, inaugurada - incompleta, diga-se - nesta quarta-feira. Já fazia 11 anos que a Linha Lilás do metrô não recebia uma nova estação. No dia 19 de setembro, durante a Semana da Mobilidade, o Greenpeace instalou um ‘relógio do atraso’ em frente ao canteiro de obras da Adolfo Pinheiros, denunciando o descaso do poder público com a população.

    “A inauguração da Adolfo Pinheiro é uma ótima notícia, pois a previsão é que cerca de 14 mil pessoas vão circular pela estação. Quando toda a linha estiver concluída, serão 45 mil pessoas todos os dias”, observa Barbara Rubim, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace. “Mas estamos longe do ideal. O cronograma de obras do Metrô de São Paulo continua atrasadíssimo, e isso tem um impacto direto e concreto na mobilidade da cidade: milhões de pessoas estão deixando de circular de transporte coletivo onde já deveriam poder fazer essa opção. Enquanto isso, os engarrafamentos, a poluição, as emissões e o estresse só crescem sobre o asfalto”.

    De acordo com o projeto original, a Linha Lilás terá 17 estações distribuídas em 19,8km, ligando o Capão Redondo à Chácara Klabin. O desenho traçado também prevê integração com as Linhas 2 (Verde) e 1 (Azul). Quando completa, a média de passageiros estimada por dia deve pular de 205 mil para 640 mil. Mas ano a ano, religiosamente, o governo anuncia novos atrasos no calendário. Com uma previsão inicial de estar funcionando 100% em 2012, agora o prazo já foi para 2016.

    A Linha 4 (Amarela) também caminha a passos lentos. Prevista inicialmente para ser entregue em 2003, ela continua com inúmeras estações no papel, sendo uma das mais demoradas da expansão do Metrô de São Paulo. Por essas e outras, o sistema paulistano já ganhou o título de mais superlotado do mundo, segundo a Comunidade de Metrôs (CoMet), que compara sistemas ferroviários pelo mundo. Por aqui, são mais de 11,5 milhões de passageiros por quilômetro de linha. O ideal, diz a CoMet, é dez quilômetros de linha para cada 2 milhões de usuários.

    Veja o vídeo da inauguração do Relógio do Atraso, que o Greenpeace instalou em 2013 em frente ao canteiro de obras da estação Adolfo Pinheiro:


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