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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Uma luta sem volta – 25 anos sem Chico Mendes

    Postado por Germano Assad - 18 - dez - 2013 às 18:18 2 comentários

    25 anos do assassinato de Chico Mendes.

    A partir de hoje e até domingo (22) – dia em que se completam exatos 25 anos do assassinato de Chico Mendes – o Greenpeace vai publicar uma série de textos lembrando algumas passagens marcantes da vida de um dos maiores heróis da Amazônia.

    Francisco Alves Mendes Filho tinha todos os predicados para se tornar mais um relegado entre tantos outros habitantes da Amazônia brasileira. Esquecidos por sucessivos governos e acuados pelo regime militar, que na década de 70 só pensava em novas frentes de ‘desenvolvimento’ para a região, um grupo de cidadãos percebeu que era preciso agir contra o iminente cenário de conflitos por terra e recursos naturais que se desenhava. 

    Este grupo entendeu que era preciso uma articulação entre as milhares de comunidades da região, para que uma frente de resistência formada pelo povo da floresta tivesse alguma chance contra a verdadeira corrida colonialista instigada à época.

    E Chico, por uma série de fatores que serão lembrados aqui e ao longo da semana, virou o ícone do que se tornaria a luta mais emblemática da história pela conservação da maior floresta tropical do planeta e seus povos nativos.

    Filho de migrantes cearenses, analfabeto até os 19 anos de idade, começou a trabalhar ainda criança, acompanhando o pai pelos seringais amazônicos. A partir de 1.975, já sabendo ler, escrever e dono de uma oratória que fazia o mais desalmado dos jagunços parar e ouvir, passou a exercer posições centrais nos sindicatos locais e a articular com os diversos movimentos sociais que se estabeleciam à época, chamando a atenção das autoridades e incomodando aqueles com interesse político e econômico nas novas frentes de negócio que chegavam na região. 

    Saiba mais:

    Junto com Wilson Pinheiro e vários outros aliados, travaram inúmeros empates – como ficaram conhecidos os atos de enfrentamento dos comunitários que se embrenhavam na floresta, desmontavam acampamentos de peões e se colocavam, com suas famílias, a frente dos tratores e motosserras que tinham por objetivo abrir espaço na mata para o avanço de um modelo de desenvolvimento baseado na destruição da floresta. 

    Wilsão foi morto com um tiro pelas costas, em 1980, justamente por ter liderado diversos empates contra criminosos da floresta. E Chico foi-se em 1988, aos 44 anos, vítima de uma emboscada, depois de inúmeros pronunciamentos públicos sob sua condição de jurado de morte ignorados pela imprensa, pelo governo e autoridades competentes. 

    Quatro décadas, mesmos problemas

     “É impressionante como essa situação pouco mudou. Os saques, a ilegalidade, essas coisas continuam com uma voracidade gigantesca em cima da floresta, por isso que a gente briga muito pelas reservas extrativistas”. As palavras são de Joaquim Belo, atual presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.

    Para ele, o grande legado de Chico foi o ‘modelo de reforma diferenciada’ que possibilitou a criação das reservas. “Nossa conquista são os quase 40 milhões de hectares na forma de reservas e assentamentos extrativistas e de desenvolvimento sustentável. Esses territórios de uso coletivo são nossos lugares de moradia e produção acima de tudo, e esse legado é muito grande. Quando eu comecei a conhecer essa história e a aprender com essas pessoas, isso fez com que eu faça o que faço hoje com uma consciência aguçada do meu papel na defesa desse modo de vida, na conservação, no desenvolvimento sustentável, na manutenção do equilíbrio e da harmonia nos biomas brasileiros”. 

    Mas este legado está ameaçado - seja pela omissão do governo em promover o desenvolvimento desses territórios, seja pelo ataque orquestrado por parlamentares da bancada ruralista à legislação que rege essas áreas.

    “A única esperança que a gente tem é a criação do território e hoje a dificuldade tem sido muito grande em novas criações porque a frente do agronegócio quer impedir a criação de reservas, desses nossos territórios a qualquer custo”, lamenta Joaquim. 

    Em auditoria recente realizada durante um ano, pelo Tribunal de Contas da União em parceria com os nove estados da Amazônia, foram revelados vários problemas de infraestrutura e gestão nas 247 unidades de conservação na região, que juntas somam 1,1 milhão de quilômetros quadrados. Mais da metade destas unidades não possui plano de manejo do território, por exemplo. E menos de dez por cento delas possui mais do que cinco funcionários, número baixíssimo se consideradas a extensão das unidades e a quantidade de gente morando e dependendo delas.

    Esta situação de abandono explica a incidência de tamanha violência gerada pelos mesmos problemas de outrora – cooptação de lideranças, ameaças, execuções, invasão e roubo de recursos em parques nacionais, reservas e até mesmo terras indígenas.

    “O mínimo que a gente pode ter é a garantia ao território. Assim temos garantia da preservação da vida. Isso porque, pela nossa história de luta, nunca ouvimos falar que mataram uma liderança dentro de uma reserva criada, geralmente matam em assentamentos, pois apesar da importância, se tornaram banais, e o respeito pelos assentamentos passou a ser mínimo. Já contra uma reserva é muito mais difícil atentar, fica um defunto mais caro pro crime. Por isso lamentamos tanto por não terem sido criadas novas reservas na Amazônia”, explica Joaquim.

    O governo Dilma, apesar de não ter criado nenhuma reserva extrativista, prometeu distribuir mais 500 funcionários concursados entre as unidades ao longo de 2014. Enquanto isso, continua atropelando premissas da Constituição como a consulta prévia aos povos afetados por mega-obras de infraestrutura na região e privilegiando os grandes consórcios e interesses privados em detrimento do cidadão comum.

    “Estamos passando por um momento crítico, que vai carecer do nosso papel como entidades mobilizadoras e de enfrentamento pra que o governo dê atenção as nossas pautas. Nós temos claro que o governo não vai frear esse modelo hegemônico que está sendo implantado, então o que nos cabe é mobilizar”, defende Joaquim Belo. Para tanto, é preciso articular – como Chico e Wilsão fizeram – entre todos os segmentos que adotaram para si a luta que eles iniciaram. Ambientalistas, ativistas, trabalhadores, índios, extrativistas, estudantes, cientistas, pesquisadores. Todos.

    “Ou nos juntamos ou vamos sucumbir. O sistema, unidades de conservação, terras indígenas, comunidades quilombolas, todos estão ameaçados. Então, não tem ninguém melhor do que ninguém neste momento e isso precisa ser compreendido por todos. Precisamos estar juntos para enfrentar esse projeto de grandes obras e investimentos na Amazônia que já plantou novos conflitos em diversas áreas e vai trazer mais e mais caos para todos nós”, conclui. Leia mais >

  • Frigoríficos unificam auditorias

    Postado por Luana Lila - 16 - dez - 2013 às 17:15

    Rebanho pastando em grande área na Amazônia. © Ricardo Funari/Lineair / Greenpeace

    A JBS, a Marfrig e a Minerva, as três maiores indústrias de processamento de carne bovina do país, se comprometeram a apresentar publicamente os esforços que estão fazendo para eliminar o desmatamento de sua cadeia de produção.

    Em outubro de 2009, esses frigoríficos assumiram o compromisso de não mais comprar carne de fazendas que desmataram a floresta amazônica a partir desta data. Também não entram na lista de fornecedores propriedades que usam mão de obra análoga à escrava ou estão localizadas em terras indígenas e unidades de conservação.

    Quatro anos depois, em nota divulgada por cada uma das empresas, elas afirmam que irão tornar público, até o final de março de 2014, os resultados sobre a auditoria que avalia, sob critérios comuns, o sistema de bloqueio de fornecedores que estão em desacordo com as exigências do compromisso. Esse sistema é fundamental, pois, ao deixar de comprar de propriedades que destroem as florestas, os frigoríficos desestimulam essa prática e contribuem para o fim do desmatamento.

    Também será divulgado um plano de trabalho com metas e prazos para o cumprimento integral do compromisso.

    “Cada vez mais as pessoas se preocupam com o que estão levando pra casa, e ninguém quer consumir desmatamento ou trabalho escravo”, afirma Adriana Charoux, da campanha Amazônia do Greenpeace. “Ao tornar públicos os dados sobre o acordo, os frigoríficos tornam suas práticas mais transparentes e permitem que os cidadãos possam acompanhar de perto o andamento do compromisso”, completa.

    “É com iniciativas como essas que o setor produtivo assume sua responsabilidade e contribui para aumentar a governança na Amazônia e combater o desmatamento”, afirma Charoux.

    Comunicados oficiais dos frigoríficos:

    JBS

    Marfrig

    Minerva Leia mais >

  • Calendário pelo Ártico

    Postado por Ana Levy - 16 - dez - 2013 às 15:35 1 comentário

    Calendário 2014 Greenpeace (©Greenpeace)

     

    Como acontece em todo o final de ano, o Greenpeace lança um calendário com fotos de nossas campanhas. E para a versão de 2014, o tema é a vida animal no Ártico, região constantemente ameaçada pela indústria do petróleo, pela pesca exploratória e pelo crescente degelo. São lindas imagens da riqueza natural da região.

    Para se ter uma ideia, a Gazprom, uma das empresas de petróleo que pretendem iniciar as perfurações já em meados de 2014, conta com o maior número de vazamentos dos últimos tempos: foram nada menos que 872 no ano passado.

    A Shell também pretende voltar ao Ártico em 2014, agora em parceria com a russa Rosneft, gigante estatal do petróleo. Na Rússia, as leis são frouxas e negligentes, permitindo as mesmas atividades que os Estados Unidos, a Noruega e o Canadá vetaram.

    Estamos trabalhando duro para impedir o avanço da indústria do petróleo no Ártico. Faça uma doação única no valor de R$ 30,00 e ganhe o nosso calendário 2014. Basta entrar neste link e pedir o seu. Aproveite também para presentear seus amigos e familiares.

    Todas as doações serão integralmente revertidas para nossas campanhas. Ou seja, além de levar um lindo calendário, você garante nossa independência de ação e ajuda a manter viva uma das últimas regiões intocadas do planeta. Leia mais >

  • Ruralistas saem pela ‘Porta dos Fundos’

    Postado por Nathália Clark - 12 - dez - 2013 às 11:05 1 comentário

    Os parlamentares da bancada ruralista sempre fazem tudo às avessas ou na calada da noite. Por esse motivo, suas artimanhas foram expostas nesta quinta-feira (12) como eles merecem: pela porta dos fundos. O Porta dos Fundos, canal alternativo que tem feito grande sucesso na internet com vídeos humorísticos, produziu uma “homenagem” à bancada ruralista. O vídeo “Xingó Kayapu”, lançado hoje, traz uma sátira às dezenas de propostas legislativas que tramitam no Congresso Nacional, incluindo a PEC 215, e à tentativa da parcela mais atrasada do agronegócio brasileiro de limar os direitos dos povos tradicionais a suas terras.

    Veja abaixo o vídeo original do Porta dos Fundos:

    No Congresso, comissão da PEC anti-indígena é instalada

    Em “comemoração” ao Dia Internacional de Direitos Humanos, 10 de dezembro, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), instalou a tão falada comissão especial para discutir a PEC 215. Num plenário lotado de representantes indígenas, os parlamentares ruralistas não se intimidaram com os gritos de “assassinos” enquanto discutiam os nomes para o grupo que debaterá a Proposta de Emenda à Constituição. O projeto visa transferir do Executivo para o Legislativo a competência pela demarcação de Terras Indígenas e áreas quilombolas.

    Nesta quarta-feira (11), dia seguinte à instalação da comissão, os parlamentares se reuniram novamente para definir a mesa diretora. Foram eleitos como presidente e relator, respectivamente, os deputados Afonso Florence (PT-BA) e Osmar Serraglio (PMDB-PR). Luis Carlos Heinze (PP-RS), outro expoente da bancada ruralista, ficou como segundo vice-presidente.

    “A PEC 215, proposta pelos ruralistas, pode agravar ainda mais casos de violência contra indígenas no campo, como aconteceu recentemente no caso da TI Alto Turiaçu. A proposta enfraquece direitos conquistados pelos povos indígenas e acirra a disputa por terra. É uma triste ironia que uma decisão como essa de instalar a PEC tenha sido tomada justamente no dia em que se comemoram os direitos humanos”, afirma Romulo Batista, da Campanha Amazônia do Greenpeace.

    Mesmo depois de o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmar que a PEC é inconstitucional, o Planalto não acionou sua base parlamentar para barrar a ação do presidente da Câmara e dos ruralistas. Durante a Mobilização Nacional Indígena, que ocorreu na primeira semana de outubro, a presidenta Dilma Rousseff chegou a divulgar que orientaria sua base parlamentar a votar contra a PEC 215.

    Plenário de instalação da comissão da PEC 215 (©Luis Macedo/Agência Câmara).

     

    Protesto Munduruku

    Também no Dia Internacional dos Direitos Humanos cerca de 50 índios Munduruku ocuparam a sede da Advocacia-Geral da União (AGU) para pedir uma série de demandas como a revogação da Portaria 303, que prevê intervenções militares e empreendimentos hidrelétricos, minerais e viários em terras indígenas sem consulta prévia aos povos, a demarcação da Terra Indígena Munduruku no Médio Tapajós e que se mantenha a decisão da 1ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso, que suspendeu o leilão para a Usina Hidrelétrica de São Manoel, no Rio Teles Pires. Leia mais >

  • Ártico 3 x 0 Gazprom

    Postado por Alan Azevedo - 12 - dez - 2013 às 10:57

     

    A petroleira estatal russa Gazprom, principal patrocinadora da Liga dos Campeões, um dos campeonatos mais importantes de futebol, disputado por prestigiados clubes europeus, levou uma goleada nessa semana. Uma das empresas com maiores pretensões em perfurar o Ártico, a Gazprom teve que encarar protestos do Greenpeace durante três jogos acompanhados por milhões de fãs em todo o mundo.

    Leia mais:

    Minutos antes do pontapé inicial do jogo de ontem entre Áustria Viena e Zenit St. Petersburgo, na capital austríaca, seis ativistas vestidas de líderes de torcida entraram em campo com um banner dizendo: “Gazprom, não suje o Ártico”.

    Momentos depois, escaladores do Greenpeace desceram do teto do estádio San Paolo, em Nápoles, no intervalo do jogo entre o time da casa e o Arsenal, equipe londrina, um banner vertical com os dizeres “Justiça para Cristian”. Enquanto isso, outra mensagem foi exibida da torre mais alta do estádio: “Gazprom, saia do Ártico”.

    De São Petersburgo, Cristian D’Alessandro, um dos 28 ativistas presos após protesto pacífico no Ártico, comentou: “Não podemos deixar essas companhias perfurarem o Ártico. É por esse motivo que estávamos a bordo do Arctic Sunrise, alertando o mundo de um desastre ambiental irreparável à humanidade e ao planeta”.

    A ação de hoje fecha uma semana de protestos do Greenpeace, que começou na segunda feira, durante coletiva de imprensa pré-jogo do Real Madrid, que enfrentaria o Copenhague pela sexta rodada da fase de grupos. Um banner de controle remoto foi exposto na sala repleta de jornalistas, sobre o quadro de patrocinadores do campeonato. No jogo entre Galatasaray e Juventus, este ontem, os torcedores da equipe de Instabul ajudaram a esticar um bandeirão com a mensagem “Chute a Gazprom para longe do Ártico”.

    “A Gazprom está usando o apelo e o glamour do futebol para tentar limpar sua imagem, enquanto por trás das cenas ameaça um dos biomas mais ricos do planeta”, comenta Ben Ayliffe, coordenador da campanha do Ártico. A série de protestos dessa semana é parte da campanha internacional do Greenpeace Salve o Ártico, apoiada por 4,5 milhões de pessoas em todo o mundo, e tem como objetivo banir a exploração de petróleo e a pesca predatória da região. Leia mais >

  • Quem pauta a grande imprensa?

    Postado por Germano Assad - 12 - dez - 2013 às 10:50

    Quando o assunto é desmatamento, o governo é quem gera notícia, na grande maioria das vezes. São os anúncios oficiais que atraem a atenção, ao passo que a iniciativa privada raramente é consultada pelos jornalistas.

    A conclusão é da Análise de Mídia “Imprensa e desmatamento na Amazônia”, realizado pela Andi Comunicação e direitos com apoio da CLUA (Climate and Land Use Alliance) e colaboração de profissionais de diversas organizações ambientais, entre elas o Greenpeace Brasil.

    Lançado nesta semana, o trabalho é fruto do monitoramento da cobertura do tema na grande mídia entre janeiro de 2007 e dezembro de 2012. Neste período, foram observados 44 jornais, dois deles de viés econômico, quatro de circulação nacional e o restante, regionais. Também foram incluídas quatro grandes revistas semanais do país.

    O resultado do estudo é um diagnóstico ‘quanti-qualitativo’ que responde à perguntas além do título deste texto, levando em conta frequência e qualidade de conteúdos publicados que tenham alguma relação com o tema. A baixa cobertura – média geral de uma matéria por semana, que sobe para três quando considerados apenas os veículos nacionais – ainda é explicada basicamente pelo desafio logístico da Amazônia e o alto investimento que um trabalho jornalístico continuado na região exige.

    Apesar de ‘honrosas exceções’ citadas pelos pesquisadores, apenas 3,5% do material jornalístico analisado foi considerado altamente contextualizado. Oito de cada dez matérias não definem desmatamento. E as que o fazem tratam o conceito como sinônimo de queimada, exploração madeireira, degradação florestal e corte raso. A mesma proporção, de oito em cada dez (cerca de 78% do total) não distingue desmatamento legal de ilegal.

    Um dos indicativos mais preocupantes são as pautas geradas por iniciativa da própria imprensa, que representam apenas 14% do total do material analisado, sendo que 1% deste universo pode ser considerado jornalismo investigativo. O restante são basicamente opinativos e reações a anúncios oficiais ou medidas governamentais.

    “Quando o desmatamento aumenta ou cai é um fato forte. O problema é fugir do factual. O IBGE mostra que grandes cidades amazônicas sofrem muitas e diferentes pressões, o desafio é tornar a Amazônia interessante para quem não a conhece”, sugeriu a jornalista Daniela Chiaretti, durante debate que ocorreu com o lançamento da análise.

    Clique aqui para acessar a análise na íntegra. Leia mais >

  • Muito barulho, pouca eficiência

    Postado por Germano Assad - 11 - dez - 2013 às 17:59

    Imagem geral da Terra Indígena Alto Turiaçu, no estado do Maranhão (© Greenpeace)

    50 mandatos judiciais, 21 prisões preventivas, calhamaços de documentos levados para análise, equipamentos apreendidos e madeira que não acaba mais. Os resultados da operação deflagrada pelo Ibama em parceria com a Polícia Federal na semana passada escancararam fragilidades preocupantes no sistema de controle para o setor.

    Segundo o órgão ambiental, apenas em 2013 quase 500 mil metros cúbicos de madeira nobre serrada entraram nos estados do Maranhão e Pará por meio de certidões ‘esquentadas’. Para se ter uma ideia, o volume representa cerca de 14 mil caminhões abarrotados de toras.

    Os fraudadores encontraram uma brecha no sistema do Ibama que os permitia simular compra e venda de madeira com o cadastro de empresas autorizadas para tais transações. Com a negociação fictícia, eles transferiam os créditos de licença para empresas fantasmas que, por sua vez, roubavam madeira de reservas, terras indígenas e unidades de conservação, já que tinham em mãos os documentos necessários para ‘legalizar’ a mercadoria.

    Gurupi e Alto Turiaçu

    A operação teve como foco a exploração predatória na Reserva Biológica do Gurupi e em terras indígenas situadas entre os estados do Maranhão e Pará, como Awá, Caru, Alto Turiaçu e Alto Rio Guamá. Coincidência ou não, regiões em que o Greenpeace esteve presente recentemente.

    “Visitei a Terra Indígena Alto Turiaçu e o que presenciei foi uma situação desoladora. Um deles tinha sido espancado recentemente por madeireiros invasores, e nem sequer conseguiu registrar queixa, já que as autoridades criavam dificuldades, também com temor de represálias. Ameaças são constantes, ouvi relatos até mesmo de expulsão de uma tribo inteira de sua terra natal, rica em madeira de alto valor comercial”, relata Rômulo Batista, da campanha Amazônia do Greenpeace.

    Em visita posterior à região, um repórter da revista Carta Capital detalhou em três páginas o drama dos índios na região. Agressões e ameaças por parte de madeireiros, invasões para retirada de madeira nobre, cooptação de lideranças e várias outras mazelas.

    Ações de fiscalização são de suma importância em regiões críticas como as áreas contempladas na ação batizada de “nuvem negra”. Mas devem ser regulares, continuadas e ter efeito prático a médio e longo prazo. Caso contrário, em questão de meses o ciclo da violência e ilegalidade acaba reestabelecido pelos criminosos da floresta e seus aliados, espalhados por órgãos públicos, ocupando cadeiras no senado, congresso e tantas prefeituras e postos de liderança política pelos rincões amazônicos do Brasil.

    “Precisamos de consistência nas ações de fiscalização. Afinal, apreensões e multas pontuais, além de servirem como soluções paliativas, acabam deixando os índios ainda mais vulneráveis a agressões e vingança por parte dos criminosos”, explica Batista. Leia mais >

  • No rastro das grandes obras da Amazônia

    Postado por Greenpeace - 11 - dez - 2013 às 9:03 1 comentário

    Perfuração de túnel para construção de hidrelétrica no Peru. (Divulgação/ Odebrecht)

    A agência Pública, organização sem fins lucrativos que incentiva trabalhos de jornalismo investigativo, lança neste sábado, dia 14 de dezembro, livro que reúne uma série de reportagens sobre Amazônia produzidas em 2012. O evento acontecerá na Praça Roosevelt, na região central de São Paulo, e exemplares serão distribuídos para o público presente.

    Para produzir a obra, que contou com o apoio da CLUA (Climate and Land Use Alliance), fundação internacional ligada às questões climáticas, 14 jornalistas investigaram, durante seis meses, como grandes aportes financeiros na região amazônica têm afetado a vida da população. Separados em três equipes, os profissionais viajaram por diversas áreas contempladas com grandes obras do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal.

    Além de elucidar o complicado processo de investimentos e financiamento destas obras de infraestrutura na Amazônia, as reportagens trazem informações de interesse público desconhecidas até então, obtidas via lei de acesso à informação.

    O evento terá também debate sobre “O projeto de desenvolvimento da Amazônia e seu impacto nas populações locais”, com a presença de especialistas e lideranças comunitárias, exibição de filmes e uma festa de encerramento.

    Serviço:

    Quando - 14 de dezembro, sábado.

    Local - Praça Franklin Roosevelt - área das salas de vidro (próxima à marquise) – Centro – São Paulo, SP

    Horário - das 16h30 às 22h

    (16h30 às 18h30: debate e exibição dos depoimentos)

    (18h30 às 19h: exibição dos vídeos do projeto “Amazônia Pública” e distribuição dos livros)

    (19h às 22h: sons e imagens da Amazônia com DJ Madruga e VJ Astronauta Mecânico)

    Gratuito Leia mais >

  • Cartão vermelho para a Gazprom

    Postado por Bernardo Camara - 9 - dez - 2013 às 21:05

    Surpresa: o cartaz começa a descer na frente do painel de patrocinadores. Foto: Greenpeace/Kajsa Sjölander

    "Salve o Ártico - Mostre o cartão vermelho para a Gazprom". Foto: Greenpeace/Kajsa Sjölander

     

    Na véspera do jogo entre Real Madrid e Copenhague, da Liga dos Campeões, o técnico do time espanhol, Carlo Ancelotti, e o zagueiro Pepe reuniram a imprensa para uma entrevista coletiva. Enquanto respondiam as perguntas, os fotógrafos começaram a apontar a câmera para cima deles. Olharam para trás e se depararam com um cartaz que surgiu na frente do tradicional painel de patrocinadores: “Salve o Ártico – Mostre o cartão vermelho para a Gazprom”.

    Os entrevistados acharam graça da situação, mas logo um segurança apareceu para tentar esconder a mensagem. O recado do Greenpeace para a petroleira russa Gazprom – uma das principais patrocinadoras da competição europeia – veio num momento em que 28 ativistas e dois jornalistas ainda são acusados de vandalismo por terem feito um protesto pacífico dois meses atrás contra a companhia, que pretende ser a primeira a explorar petróleo no Ártico.

    “A Gazprom deveria levar um cartão vermelho para ser banida de uma vez por todas do Ártico e dos campeonatos de futebol. A companhia está gastando bilhões de dólares para explorar economicamente o Ártico, expondo a região a enormes riscos. É uma afronta ao meio ambiente e ao esporte que ela ganhe os holofotes em um dos eventos esportivos mais importantes do mundo”, criticou o coordenador da campanha do Ártico na Dinamarca, Jon Burgwald. Leia mais >

  • Brasil mobilizado pelo Desmatamento Zero

    Postado por Alan Azevedo - 9 - dez - 2013 às 14:25 1 comentário

    Cinquenta cidades participaram do Dia de Mobilização Nacional pelo Desmatamento Zero, no último sábado. (©Greenpeace)

     

    Nada menos do que cinquenta cidades participaram do dia de Mobilização Nacional pelo Desmatamento Zero, no último sábado, dia 7 de dezembro. Cinquenta e dois grupos de colaboradores e apoiadores da causa foram às ruas de todo o Brasil para dialogar com a população e expor os impactos socioambientais causados pelo desmatamento de nossas florestas.

    Do Posto 6, no Rio de Janeiro, até a Praça da Bandeira, em Macapá, passando por Brasília, Campo Grande, Vitória, Manaus, Porto Alegre, Belém, São Luís, entre tantas outras cidades, a petição pelo Desmatamento Zero passou de mão em mão, somando assinaturas por todo o país.

    Denison Ferreira, professor pedagogo e voluntário pelo Desmatamento Zero, mobilizou um grupo de amigos e foi às ruas de São Luís do Maranhão angariar assinaturas. “Esse trabalho é importante porque as nossas florestas estão sendo fortemente agredidas. Isso precisa acabar, e só depende de nós”, explica Denison.

    Em São Paulo, o Greenpeace esteve no Parque do Ibirapuera e promoveu atividades aos participantes para intregrá-los melhor à questão. “Engajar a população é um passo importante para alcançarmos o Desmatamento Zero”, explica Cristiane Mazzetti, coordenadora de Mobilização do Greenpeace. “As verdadeiras mudanças só são possíveis quando a sociedade civil age de maneira integrada, como aconteceu no sábado”, completa.

    Já são milhares de assinaturas para o projeto de lei popular pelo Desmatamento Zero. Entretanto, precisamos do apoio de milhões de brasileiros como você. E assim encaminhar o projeto de lei popular ao Congresso Nacional.

     

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