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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Ártico 3 x 0 Gazprom

    Postado por Alan Azevedo - 12 - dez - 2013 às 10:57

     

    A petroleira estatal russa Gazprom, principal patrocinadora da Liga dos Campeões, um dos campeonatos mais importantes de futebol, disputado por prestigiados clubes europeus, levou uma goleada nessa semana. Uma das empresas com maiores pretensões em perfurar o Ártico, a Gazprom teve que encarar protestos do Greenpeace durante três jogos acompanhados por milhões de fãs em todo o mundo.

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    Minutos antes do pontapé inicial do jogo de ontem entre Áustria Viena e Zenit St. Petersburgo, na capital austríaca, seis ativistas vestidas de líderes de torcida entraram em campo com um banner dizendo: “Gazprom, não suje o Ártico”.

    Momentos depois, escaladores do Greenpeace desceram do teto do estádio San Paolo, em Nápoles, no intervalo do jogo entre o time da casa e o Arsenal, equipe londrina, um banner vertical com os dizeres “Justiça para Cristian”. Enquanto isso, outra mensagem foi exibida da torre mais alta do estádio: “Gazprom, saia do Ártico”.

    De São Petersburgo, Cristian D’Alessandro, um dos 28 ativistas presos após protesto pacífico no Ártico, comentou: “Não podemos deixar essas companhias perfurarem o Ártico. É por esse motivo que estávamos a bordo do Arctic Sunrise, alertando o mundo de um desastre ambiental irreparável à humanidade e ao planeta”.

    A ação de hoje fecha uma semana de protestos do Greenpeace, que começou na segunda feira, durante coletiva de imprensa pré-jogo do Real Madrid, que enfrentaria o Copenhague pela sexta rodada da fase de grupos. Um banner de controle remoto foi exposto na sala repleta de jornalistas, sobre o quadro de patrocinadores do campeonato. No jogo entre Galatasaray e Juventus, este ontem, os torcedores da equipe de Instabul ajudaram a esticar um bandeirão com a mensagem “Chute a Gazprom para longe do Ártico”.

    “A Gazprom está usando o apelo e o glamour do futebol para tentar limpar sua imagem, enquanto por trás das cenas ameaça um dos biomas mais ricos do planeta”, comenta Ben Ayliffe, coordenador da campanha do Ártico. A série de protestos dessa semana é parte da campanha internacional do Greenpeace Salve o Ártico, apoiada por 4,5 milhões de pessoas em todo o mundo, e tem como objetivo banir a exploração de petróleo e a pesca predatória da região. Leia mais >

  • Quem pauta a grande imprensa?

    Postado por Germano Assad - 12 - dez - 2013 às 10:50

    Quando o assunto é desmatamento, o governo é quem gera notícia, na grande maioria das vezes. São os anúncios oficiais que atraem a atenção, ao passo que a iniciativa privada raramente é consultada pelos jornalistas.

    A conclusão é da Análise de Mídia “Imprensa e desmatamento na Amazônia”, realizado pela Andi Comunicação e direitos com apoio da CLUA (Climate and Land Use Alliance) e colaboração de profissionais de diversas organizações ambientais, entre elas o Greenpeace Brasil.

    Lançado nesta semana, o trabalho é fruto do monitoramento da cobertura do tema na grande mídia entre janeiro de 2007 e dezembro de 2012. Neste período, foram observados 44 jornais, dois deles de viés econômico, quatro de circulação nacional e o restante, regionais. Também foram incluídas quatro grandes revistas semanais do país.

    O resultado do estudo é um diagnóstico ‘quanti-qualitativo’ que responde à perguntas além do título deste texto, levando em conta frequência e qualidade de conteúdos publicados que tenham alguma relação com o tema. A baixa cobertura – média geral de uma matéria por semana, que sobe para três quando considerados apenas os veículos nacionais – ainda é explicada basicamente pelo desafio logístico da Amazônia e o alto investimento que um trabalho jornalístico continuado na região exige.

    Apesar de ‘honrosas exceções’ citadas pelos pesquisadores, apenas 3,5% do material jornalístico analisado foi considerado altamente contextualizado. Oito de cada dez matérias não definem desmatamento. E as que o fazem tratam o conceito como sinônimo de queimada, exploração madeireira, degradação florestal e corte raso. A mesma proporção, de oito em cada dez (cerca de 78% do total) não distingue desmatamento legal de ilegal.

    Um dos indicativos mais preocupantes são as pautas geradas por iniciativa da própria imprensa, que representam apenas 14% do total do material analisado, sendo que 1% deste universo pode ser considerado jornalismo investigativo. O restante são basicamente opinativos e reações a anúncios oficiais ou medidas governamentais.

    “Quando o desmatamento aumenta ou cai é um fato forte. O problema é fugir do factual. O IBGE mostra que grandes cidades amazônicas sofrem muitas e diferentes pressões, o desafio é tornar a Amazônia interessante para quem não a conhece”, sugeriu a jornalista Daniela Chiaretti, durante debate que ocorreu com o lançamento da análise.

    Clique aqui para acessar a análise na íntegra. Leia mais >

  • Muito barulho, pouca eficiência

    Postado por Germano Assad - 11 - dez - 2013 às 17:59

    Imagem geral da Terra Indígena Alto Turiaçu, no estado do Maranhão (© Greenpeace)

    50 mandatos judiciais, 21 prisões preventivas, calhamaços de documentos levados para análise, equipamentos apreendidos e madeira que não acaba mais. Os resultados da operação deflagrada pelo Ibama em parceria com a Polícia Federal na semana passada escancararam fragilidades preocupantes no sistema de controle para o setor.

    Segundo o órgão ambiental, apenas em 2013 quase 500 mil metros cúbicos de madeira nobre serrada entraram nos estados do Maranhão e Pará por meio de certidões ‘esquentadas’. Para se ter uma ideia, o volume representa cerca de 14 mil caminhões abarrotados de toras.

    Os fraudadores encontraram uma brecha no sistema do Ibama que os permitia simular compra e venda de madeira com o cadastro de empresas autorizadas para tais transações. Com a negociação fictícia, eles transferiam os créditos de licença para empresas fantasmas que, por sua vez, roubavam madeira de reservas, terras indígenas e unidades de conservação, já que tinham em mãos os documentos necessários para ‘legalizar’ a mercadoria.

    Gurupi e Alto Turiaçu

    A operação teve como foco a exploração predatória na Reserva Biológica do Gurupi e em terras indígenas situadas entre os estados do Maranhão e Pará, como Awá, Caru, Alto Turiaçu e Alto Rio Guamá. Coincidência ou não, regiões em que o Greenpeace esteve presente recentemente.

    “Visitei a Terra Indígena Alto Turiaçu e o que presenciei foi uma situação desoladora. Um deles tinha sido espancado recentemente por madeireiros invasores, e nem sequer conseguiu registrar queixa, já que as autoridades criavam dificuldades, também com temor de represálias. Ameaças são constantes, ouvi relatos até mesmo de expulsão de uma tribo inteira de sua terra natal, rica em madeira de alto valor comercial”, relata Rômulo Batista, da campanha Amazônia do Greenpeace.

    Em visita posterior à região, um repórter da revista Carta Capital detalhou em três páginas o drama dos índios na região. Agressões e ameaças por parte de madeireiros, invasões para retirada de madeira nobre, cooptação de lideranças e várias outras mazelas.

    Ações de fiscalização são de suma importância em regiões críticas como as áreas contempladas na ação batizada de “nuvem negra”. Mas devem ser regulares, continuadas e ter efeito prático a médio e longo prazo. Caso contrário, em questão de meses o ciclo da violência e ilegalidade acaba reestabelecido pelos criminosos da floresta e seus aliados, espalhados por órgãos públicos, ocupando cadeiras no senado, congresso e tantas prefeituras e postos de liderança política pelos rincões amazônicos do Brasil.

    “Precisamos de consistência nas ações de fiscalização. Afinal, apreensões e multas pontuais, além de servirem como soluções paliativas, acabam deixando os índios ainda mais vulneráveis a agressões e vingança por parte dos criminosos”, explica Batista. Leia mais >

  • No rastro das grandes obras da Amazônia

    Postado por Greenpeace - 11 - dez - 2013 às 9:03 1 comentário

    Perfuração de túnel para construção de hidrelétrica no Peru. (Divulgação/ Odebrecht)

    A agência Pública, organização sem fins lucrativos que incentiva trabalhos de jornalismo investigativo, lança neste sábado, dia 14 de dezembro, livro que reúne uma série de reportagens sobre Amazônia produzidas em 2012. O evento acontecerá na Praça Roosevelt, na região central de São Paulo, e exemplares serão distribuídos para o público presente.

    Para produzir a obra, que contou com o apoio da CLUA (Climate and Land Use Alliance), fundação internacional ligada às questões climáticas, 14 jornalistas investigaram, durante seis meses, como grandes aportes financeiros na região amazônica têm afetado a vida da população. Separados em três equipes, os profissionais viajaram por diversas áreas contempladas com grandes obras do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal.

    Além de elucidar o complicado processo de investimentos e financiamento destas obras de infraestrutura na Amazônia, as reportagens trazem informações de interesse público desconhecidas até então, obtidas via lei de acesso à informação.

    O evento terá também debate sobre “O projeto de desenvolvimento da Amazônia e seu impacto nas populações locais”, com a presença de especialistas e lideranças comunitárias, exibição de filmes e uma festa de encerramento.

    Serviço:

    Quando - 14 de dezembro, sábado.

    Local - Praça Franklin Roosevelt - área das salas de vidro (próxima à marquise) – Centro – São Paulo, SP

    Horário - das 16h30 às 22h

    (16h30 às 18h30: debate e exibição dos depoimentos)

    (18h30 às 19h: exibição dos vídeos do projeto “Amazônia Pública” e distribuição dos livros)

    (19h às 22h: sons e imagens da Amazônia com DJ Madruga e VJ Astronauta Mecânico)

    Gratuito Leia mais >

  • Cartão vermelho para a Gazprom

    Postado por Bernardo Camara - 9 - dez - 2013 às 21:05

    Surpresa: o cartaz começa a descer na frente do painel de patrocinadores. Foto: Greenpeace/Kajsa Sjölander

    "Salve o Ártico - Mostre o cartão vermelho para a Gazprom". Foto: Greenpeace/Kajsa Sjölander

     

    Na véspera do jogo entre Real Madrid e Copenhague, da Liga dos Campeões, o técnico do time espanhol, Carlo Ancelotti, e o zagueiro Pepe reuniram a imprensa para uma entrevista coletiva. Enquanto respondiam as perguntas, os fotógrafos começaram a apontar a câmera para cima deles. Olharam para trás e se depararam com um cartaz que surgiu na frente do tradicional painel de patrocinadores: “Salve o Ártico – Mostre o cartão vermelho para a Gazprom”.

    Os entrevistados acharam graça da situação, mas logo um segurança apareceu para tentar esconder a mensagem. O recado do Greenpeace para a petroleira russa Gazprom – uma das principais patrocinadoras da competição europeia – veio num momento em que 28 ativistas e dois jornalistas ainda são acusados de vandalismo por terem feito um protesto pacífico dois meses atrás contra a companhia, que pretende ser a primeira a explorar petróleo no Ártico.

    “A Gazprom deveria levar um cartão vermelho para ser banida de uma vez por todas do Ártico e dos campeonatos de futebol. A companhia está gastando bilhões de dólares para explorar economicamente o Ártico, expondo a região a enormes riscos. É uma afronta ao meio ambiente e ao esporte que ela ganhe os holofotes em um dos eventos esportivos mais importantes do mundo”, criticou o coordenador da campanha do Ártico na Dinamarca, Jon Burgwald. Leia mais >

  • Brasil mobilizado pelo Desmatamento Zero

    Postado por Alan Azevedo - 9 - dez - 2013 às 14:25 1 comentário

    Cinquenta cidades participaram do Dia de Mobilização Nacional pelo Desmatamento Zero, no último sábado. (©Greenpeace)

     

    Nada menos do que cinquenta cidades participaram do dia de Mobilização Nacional pelo Desmatamento Zero, no último sábado, dia 7 de dezembro. Cinquenta e dois grupos de colaboradores e apoiadores da causa foram às ruas de todo o Brasil para dialogar com a população e expor os impactos socioambientais causados pelo desmatamento de nossas florestas.

    Do Posto 6, no Rio de Janeiro, até a Praça da Bandeira, em Macapá, passando por Brasília, Campo Grande, Vitória, Manaus, Porto Alegre, Belém, São Luís, entre tantas outras cidades, a petição pelo Desmatamento Zero passou de mão em mão, somando assinaturas por todo o país.

    Denison Ferreira, professor pedagogo e voluntário pelo Desmatamento Zero, mobilizou um grupo de amigos e foi às ruas de São Luís do Maranhão angariar assinaturas. “Esse trabalho é importante porque as nossas florestas estão sendo fortemente agredidas. Isso precisa acabar, e só depende de nós”, explica Denison.

    Em São Paulo, o Greenpeace esteve no Parque do Ibirapuera e promoveu atividades aos participantes para intregrá-los melhor à questão. “Engajar a população é um passo importante para alcançarmos o Desmatamento Zero”, explica Cristiane Mazzetti, coordenadora de Mobilização do Greenpeace. “As verdadeiras mudanças só são possíveis quando a sociedade civil age de maneira integrada, como aconteceu no sábado”, completa.

    Já são milhares de assinaturas para o projeto de lei popular pelo Desmatamento Zero. Entretanto, precisamos do apoio de milhões de brasileiros como você. E assim encaminhar o projeto de lei popular ao Congresso Nacional.

     

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  • Mobilização Nacional pelo Desmatamento Zero

    Postado por Cristiane Mazzetti - 6 - dez - 2013 às 15:00 9 comentários

    Em novembro, o governo anunciou o aumento de 28% do desmatamento. Não podemos ficar de braços cruzados enquanto vemos nossas florestas sendo destruídas, ano após ano. Já passou da hora de nos mobilizarmos para exigir o fim do desmatamento e seus impactos socioambientais.

    O Movimento Nacional pelo Desmatamento Zero vai às ruas no sábado, dia 7 de dezembro, informar os brasileiros sobre essa realidade e coletar assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular pelo Desmatamento Zero, que será submetido ao Congresso Nacional.

    Você também pode fazer parte dessa história organizando uma atividade para o dia de mobilização pelo Desmatamento Zero. Imagine quantas pessoas poderá alertar e quantas assinaturas poderá conseguir. Se você tem vontade de lutar por um mundo melhor, junte-se a nós e contribua para despertar milhares de brasileiros.

    Ajude a construir essa história. Saiba como se mobilizar:

    • Confira o evento do Facebook, veja quais cidades estão programando atividades e participe!

    Materiais de mobilização:

    • Dia de Mobilização Nacional pelo Desmatamento Zero. Veja o mapa para saber os locais que já têm atividades cadastradas:

    Dúvidas? Entre em contato pelo e-mail: Leia mais >

  • Papo Greenpeace sobre a Mobilização Nacional pelo Desmatamento Zero

    Postado por Juliana Costa - 5 - dez - 2013 às 16:18 4 comentários

    Veja como foi a transmissão:

     

    Quinta-feira, dia 05 às 20h, Cristiane Mazzetti, Carolina Marçal e Paula Collet, coordenadoras de mobilização do Greenpeace, participarão do #PapoGreenpeace sobre a Mobilização Nacional pelo Desmatamento Zero. O intuito da mobilização é conscientizar e coletar assinaturas para o projeto de lei pelo Desmatamento Zero. Elas responderão às dúvidas dos internautas relativas a mobilização e ao projeto de lei que pretende acabar com a destruição de nossas florestas. Esta é uma resposta da sociedade civil que não está de acordo com os rumos que vêm sendo adotados e as decisões que vêm sendo tomadas em relação a natureza e ao meio ambiente no Brasil.

    Até o momento já foram coletadas mais de 938 mil assinaturas online e mais de 155 mil no papel mas, para que o projeto de lei possa ser submetido no Congresso Nacional, é preciso alcançar o máximo possível de assinaturas. Sua participação é muito importante. Envie sua pergunta pelo Twitter com a hashtag #PapoGreenpeace ou deixe um comentário com a sua pergunta no evento do Facebook.

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    Já é hora de o Brasil aprovar uma lei que proteja suas florestas. Assine pelo Desmatamento Zero. Clique aqui. Leia mais >

  • Voluntário, hoje é seu dia!

    Postado por Danielle Bambace - 5 - dez - 2013 às 14:17

    Hoje é Dia Internacional do Voluntário. O Greenpeace Brasil oferece o seu mais profundo agradecimento à quem torna nossas atividades possíveis e mais: colabora, por meio do seu trabalho, com a mudança positiva no mundo.

     Tornar o planeta um lugar melhor e mais justo está ao alcance de todos e nada mais interessante do que fazer parte desse movimento global. Os voluntários são pessoas que se dispõe de suas habilidades para transformar e colaborar com esforços coletivos de organizações e entidades, em causas variadas. Esse trabalho usualmente respeita sempre os talentos individuais e oferece oportunidade de aprendizado em níveis técnicos e humanos também. O que muitas vezes poderia se tornar uma atividade simples no mundo do trabalho remunerado, torna-se verdadeiro e apaixonado quando é feito voluntariamente. Isso só demonstra que a mudança positiva acontece em todos os sentidos: de dentro para fora e de fora para dentro. Confira no vídeo abaixo o depoimento de dois voluntários que fazem parte do Grupo de Voluntários de São Paulo do Greenpeace:

      

    A história do Greenpeace está absolutamente conectada com o trabalho voluntário, desde a primeira atividade contra os testes nucleares em Amchitka, em 1971. Hoje rememoramos e agradecemos cada um de nossos voluntários, que são parte fundamental em tudo o que fazemos. Obrigada!  Leia mais >

  • Gás de xisto em xeque no Congresso Nacional

    Postado por Nathália Clark - 5 - dez - 2013 às 13:32

    Audiência pública na Câmara dos Deputados reúne especialistas e representantes do governo para discutir a exploração do gás de xisto (©Greenpeace).

    A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados realizou, na manhã desta quinta-feira (5), uma audiência pública para discutir os efeitos do fraturamento hidráulico para exploração do gás de xisto – atividade também conhecida como fracking – em todo o território nacional.

    “Não temos segurança tecnológica suficiente para poder liberar a exploração no país. Temos o maior estoque de energia solar do mundo. Mas por que não damos a ênfase devida a essas fontes alternativas?”, questionou o deputado Sarney Filho (PV-MA). Ele avisou que o seu partido já entrou com um Projeto de Lei pedindo uma moratória para a exploração do gás.

    Foi chamada atenção para os problemas ambientais relacionados à exploração, como os riscos de vazamentos subterrâneos, danos aos reservatórios produtores de água e aquíferos, e a possibilidade de abalos sísmicos. Marcelo Medeiros, Secretário Substituto de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (MMA) destacou que, a curto prazo, a exploração desse tipo de gás pode levar à contaminação de importantes lençóis freáticos com gás metano.

    “Reconhecemos a importância do gás de xisto na matriz energética, uma vez que ele vem como alternativa ao uso do carvão, mas temos ressalvas com relação ao processo. Questionamos a [falta de] tecnologia, o desrespeito aos direitos humanos, e pedimos mais transparência por parte da ANP. Também questionamos a contaminação das águas e dos lençóis freáticos em geral”, ressaltou Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

    Baitelo lembrou ainda que o Greenpeace tem uma atuação bastante específica na Amazônia, mas que o posicionamento se estende a todo o território nacional. “Somos contrários ao fraturamento hidráulico em todo o Brasil até que se tenham respostas a esses processos. O gás não é uma coisa imprescindível a ser utilizada nesse momento. Ainda que a demanda energética nacional aumente mais de duas vezes até 2050, temos fontes renováveis e reservas de gás convencionais suficientes para suprir a demanda dos setores industrial e elétrico.”

    A exploração do gás de xisto, agravada pela ausência de uma política de monitoramento e controle efetivo das contaminações de águas superficiais e subterrâneas, apresenta-se como um novo risco para a qualidade da água, para a biodiversidade, para a segurança alimentar e para a saúde humana. As apresentações demonstraram uma total insegurança diante dos riscos oferecidos por este tipo de tecnologia.

    “Se não tivermos conhecimento geológico suficiente das bacias a serem exploradas, a possibilidade de avançarmos na segurança fica comprometida”, frisou Fernando Roberto de Oliveira, gerente de Águas Subterrâneas da Superintendência de Implementação e Projetos da Agência Nacional de Águas (ANA).

    Luciano Silva Pinto Teixeira, da área de Segurança Operacional e Meio Ambiente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), lembrou a sensibilidade do tema e afirmou ser imprescindível aproximar a população de discussões como essa. Ele reconheceu os riscos da atividade, mas defendeu que a regulamentação deve minimizá-los.

    O professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Fernando Scheibe, fez graça ao agradecer ao papa Francisco, “que juntou-se aos anti-fracking”. Segundo ele, 40% do fluido que entra, como materiais radioativos e outros gases, como dióxido de carbono e principalmente metano, retorna ao curso d’água. “No entanto, não são só as águas que ficam comprometidas, mas toda a área onde há esse tipo de atividade”, defendeu.

    Além disso, ele lembrou também que o sistema de exploração é altamente negativo do ponto de vista ambiental e tampouco é sustentável no quesito durabilidade. “Um poço se esgota muito rapidamente. Há uma redução de rendimentos de 60 a 90% nos poços após o primeiro ano de exploração. Assim, abre-se e fecha-se poços o tempo inteiro. Mas a terra tem limites.” Leia mais >

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