Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • As mudanças climáticas já são uma realidade

    Postado por Marina Yamaoka - 26 - nov - 2012 às 17:48

     

    Começou, hoje, a Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP-18, em Doha, no Catar, que reúne representantes de 190 países para discutir as mudanças climáticas e assuntos como a redução da emissão de gases do efeito estufa. A expectativa é de que o principal debate será a extensão do Protocolo de Kyoto que está prestes a expirar para que o segundo período de vigência comece ainda em 2013.

    As mudanças climáticas já são uma realidade e os governos precisam encarar este fato e agir urgentemente para evitar a catástrofe do aquecimento global. Só em 2012, presenciamos tempestades devastadoras, secas e enchentes que causaram a morte de pessoas no Estados Unidos, na China, na Índia, na África e na Europa. Tais eventos deveriam ser vistos como um sinal e um teste para ver como os governos protegerão suas pessoas.

    “As mudanças climáticas não fazem mais parte de um futuro distante, já está presente. Ao final de um ano que viu os impactos das mudanças climáticas e a devastação de casas e de famílias em todo o mundo, a necessidade de ação é óbvia e urgente”, disse Martin Kaiser, da Campanha de Clima do Greenpeace.

    O futuro do Protocolo de Kyoto, o único documento legal sobre as emissões de gases estufa, é o que o está em jogo em Doha. O Greenpeace pede que um segundo período de vigência seja estabelecido, uma vez que o Protocolo expira no final deste ano.

    O problema das emissões de gases estufa vem se agravando. Nos últimos cinco anos, o aumento do uso de carvão causou o crescimento em mais de 60% das emissões globais de CO2, fazendo com que a quantidade de gases estufa emitidas tenha estabelecido um novo recorde. Recentemente, o Banco Mundial, a Agência Internacional de Energia e a UNEP alertaram sobre as consequências das mudanças climáticas.

    “A economia mundial não está apenas indo na direção errada, mas acelerando na direção errada. Em Doha, os governos devem concordar sobre a continuação do Protocolo de Kyoto e devem tomar decisões ambiciosas e imediatas para reduzir as emissões”, completou Kaiser. “ Essas decisões vão enviar sinais claros para os investidores sobre o futuro da economia de energia. Os líderes mundiais devem incentivar a revolução energética e mudar sua matriz de energia suja para lima. É hora de acordar e encarar a realidade”.

    Nas discussões em Durban, em 2011, os governos concordaram em assinar um acordo global jurídico e vinculante em 2015, comprometendo-se a reduzir as emissões para o período até que entre em vigor em 2020. Em Doha, eles devem mostrar um progresso real em direção ao acordo de 2015 e uma maior ambição em suas metas para 2020.

    “Proteger o restante das florestas tropicais mundiais é uma parte fundamental da solução para enfrentar a crise climática”, disse Roman Czebiniak, Conselheiro Político Sênior do Greenpeace Internacional. “Os governos devem assegurar que um financiamento para a proteção das florestas será estabelecida no âmbito do Fundo do Clima Verde para garantir o financiamento adequado que poderá deter a destruição das florestas nos países em desenvolvimento. As florestas do mundo devem ser uma das principais soluções para as mudanças climáticas”. Leia mais >

  • Revolta de manequins na Zara

    Postado por Leonardo Maran - 26 - nov - 2012 às 15:48

    Os manequins ganharam vida neste final de semana e se revoltaram contra o uso de substâncias químicas perigosas em roupas da marca Zara. Mais de 700 ativistas do Greenpeace, divididos em 80 cidades e 19 países, participaram da ação. De Bangkok a Berlim, eles protestaram nas ruas e na entrada de lojas.

     

    “Forçados por muitos anos a usar roupas com perigosas substâncias químicas, brincamos com a ideia de que os manequins da Zara finalmente decidiram que essa era a gota-d’água e começaram a sair das lojas”, conta Martin Hojsik, coordenador da campanha de Detox do Greenpeace Internacional. “Após presenciar os colegas da H&M, C&A, Marks & Spencer, Nike, Adidas, Puma e Li-Ning se libertando de seus empregos tóxicos, os manequins da Zara resolveram se revoltar.”

    Depois de apenas seis dias do lançamento, mais de 280 mil pessoas já aderiram à campanha que pede à maior varejista de moda do mundo que faça uma limpeza em sua cadeia de produção. Dezenas de milhares de ciberativistas agiram e ainda estão agindo no Facebook e Twitter para levar essa demanda adiante.

    Divulgado no dia 20 de novembro pelo Greenpeace Internacional, o relatório “Os fios tóxicos – o grande remendo da indústria da moda” expõe o uso de produtos químicos perigosos em roupas das 20 marcas de moda líderes de mercado. A Zara, porém, é a única avaliada que utiliza produtos disruptores de hormônios e capazes de causar câncer nos usuários.

    O Greenpeace pede às empresas de moda que se comprometam com o fim do uso de substâncias perigosas até 2020. Marcas como a H&M e M&S já alcançaram essa meta. Também pedimos aos fornecedores que informem comunidades próximas de cursos-d’água poluídos sobre as liberações de químicos tóxicos que ocorrerem em suas instalações.

    “Como maior varejista do mundo e pioneira da “moda rápida”, a marca consegue responder rapidamente a novas tendências e a solicitações de clientes, modificando suas roupas desde o projeto até as vitrines em poucas semanas”, disse Martin. A expectativa é que a Zara também responda a mais essa demanda de seus clientes com rapidez e prontidão.

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  • Protesto na Resex Verde para Sempre

    Postado por Bernardo Camara - 23 - nov - 2012 às 19:27 1 comentário

    Comunitários conversam com representantes da empresa que iniciou as obras da rede de transmissão na Resex. Foto: Arquivo CDS

    Na Reserva Extrativista (Resex) Verde para Sempre, no Pará, não chegou energia elétrica. Tampouco chegaram velhas demandas da comunidade, como fomento às atividades produtivas, assistência técnica, acesso à tecnologia etc. Mas num piscar de olhos, o governo mandou para o local uma bateria de máquinas, caminhões e retroescavadeiras. Tudo para as obras de implantação das torres de transmissão de energia elétrica – que vão atender outras cidades do país, não a reserva.

    Às 6h da manhã da última terça-feira, lideranças de 20 comunidades da Resex protestaram e paralisaram as obras. A argumentação não poderia ser mais justa: enquanto as reinvindicações dos comunitários ficam anos paradas na gaveta do governo, as autoridades atendem de prontidão a outras demandas – que, nesse caso, passam literalmente por cima da unidade de conservação, e sem o aval dos moradores.

    “Esse tipo de operação não estava previsto no plano de operação licenciado pelos órgãos ambientais”, diz uma nota divulgada pelo Comitê de Desenvolvimento Sustentável de Porto de Moz, município onde está localizada a Resex. Segundo o comitê, a manifestação só vai terminar quando o governo atender a antigas reivindicações das comunidades, como fomento às atividades produtivas, acesso a tecnologias aplicadas à produção familiar e implantação de sistemas de energia elétrica nas comunidades.

    Em abril deste ano, quando o Greenpeace atracou na região a bordo do navio Rainbow Warrior, 31 barcos de comunitários se uniram para fazer uma “assembleia”, denunciar as ameaças que vêm sofrendo e pedir ao governo federal apoio efetivo para que a reserva seja, de fato, implementada. As reclamações sobre a morosidade e ausência do governo foram recorrentes. Prova disso foi a denúncia que fizemos há um mês, quando balsas carregadas de madeira passavam por dentro da unidade.

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  • Palavras não são suficientes

    Postado por Tommy Crawford - 22 - nov - 2012 às 16:06 5 comentários

    quinta-feira, 22 de novembro de 2012

    Ativistas do Greenpeace protestando em frente a loja Zara de Hong Kong - © Clemente Tang / Greenpeace

     

    Nossa campanha pedindo para a Zara que se desintoxique começou há apenas 48 horas. Até agora, mais de 200 mil clientes preocupados, ativistas e fashionistas já assinaram, alertando a maior varejista do mundo que ela precisa criar moda sem poluir.

    Com essa enorme mobilização de pessoas pedindo à empresa que se responsabilize pela poluição causada na fabricação e lavagem de suas roupas, não é surpreendente que a Zara tenha decidido se pronunciar sobre a campanha Detox do Greenpeace.  

    A empresa respondeu alguns de seus e-mails reiterando sua “boa vontade em tomar as atitudes necessárias para alcançar, no menor tempo possível, a meta geral de parar a poluição”. Isso é encorajador. O Greenpeace já está conversando com a marca sobre como eles pretendem transformar essas palavras em atitudes, porque palavras não são suficientes.

    Neste momento, ao redor do mundo, nossa água está sendo envenenada com perigosas substâncias químicas que vêm da indústria têxtil. Quando liberadas no meio ambiente essas substâncias podem se ‘quebrar’ e formar outras ainda mais prejudiciais, algumas delas cancerígenas e ainda outras capazes de alterar a forma como os hormônios naturais agem no corpo humano.

    Muitos desses elementos foram encontrados nos produtos da Zara que testamos em um laboratório independente. Isso significa que eles foram usados no processo de produção e depois liberados em rios e cursos-d’água ao redor do mundo. 

    E quando uma marca produz colossais 850 milhões de peças de roupa por ano, como a Zara, isso tem um grande impacto tanto no meio ambiente quanto nas pessoas que utilizam essa água para consumo próprio.

    Foi por isso que escolhemos a Zara como a próxima marca para liderar a estrada em direção a um futuro livre de tóxicos. Seu tamanho e sua escala mostram que a empresa tem uma posição de liderança ideal para catalisar maiores mudanças dentro da indústria têxtil. Os fornecedores escutam marcas como a Zara porque elas oferecem muitas oportunidades de negócios. Como uma indústria líder, fica claro que outras marcas seguirão seus passos. 

    Então o que exatamente estamos pedindo para a maior marca de roupas do mundo?

    Nós acreditamos que a Zara tem responsabilidade junto ao público e ao meio ambiente de acabar definitivamente com toda a liberação de produtos químicos perigosos dos seus processos de produção, e pedir a seus fornecedores que revelem quais substâncias estão sendo jogadas em nossos preciosos cursos-d’água. As pessoas que vivem próximas a essas fábricas e compram esses produtos têm o direito de saber o que está presente em suas peças de roupa e os efeitos prejudiciais dessas substâncias quando liberadas no meio ambiente.

    Alguns dos maiores concorrentes da Zara já estão mostrando como andar pela passarela da moda livre de tóxicos. Mark e Spencer, por exemplo, se comprometeram a revelar informações sobre a produção de cinco fornecedores até fevereiro de 2013. Considerando-se que a Zara é muito maior que a M&S, é razoável esperar que a empresa deva, no mínimo, tomar uma atitude parecida. 

    Outro concorrente próximo, a H&M, deu uma data concreta para quando pretende acabar com o uso de PFCs – um dos grupos químicos mais perigosos usados pelo setor. A H&M diz que isso será possível até o dia 1º de janeiro de 2013. Então o que impede a Zara de fazer o mesmo com esse e outros produtos químicos que são usados na produção de suas roupas? 

    A empresa aparentemente consegue projetar, produzir e entregar peças de roupas e tê-las em suas lojas em apenas 15 dias. Queremos vê-los usando sua velocidade para dar resposta à questão urgente da poluição e limpar a indústria da moda de vez.

    Afinal, a Zara sabe deste problema há muito tempo. Nosso primeiro relatório apontando a poluição de tóxicos causada pela produção têxtil foi publicado há quase 18 meses. Desde então a empresa fez muito pouco. Mas graças ao apoio, persistência e criatividade de pessoas como você nestes últimos dois dias, a Zara finalmente parece ter entendido a gravidade do problema. 

    Continue compartilhando a campanha com seus amigos. Quanto mais pessoas participarem, mais os líderes dentro da empresa vão perceber que precisam tomar atitudes ambiciosas e imediatas para se desintoxicar. Sinta-se à vontade para ir ao mural da Zara no Facebook ou mandar uma mensagem via Twitter pedindo à marca que mostre a liderança e responsabilidade condizentes com a varejista número 1 do mundo.

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  • Recorde nas emissões de gases estufa

    Postado por Marina Yamaoka - 21 - nov - 2012 às 12:07

    Em Nova Iorque, a mensagem "O aquecimento global está aqui" foi escrita em uma área devastada após a passagem do furacão Sandy pela cidade. (©Greenpeace)

    Nos dias que antecedem a COP18, a Conferência do Clima das Nações Unidas, a notícia do Banco Mundial de que o planeta pode ficar até 4°C mais quente até o final do século veio como um sério alerta de que atitudes precisam ser tomadas urgentemente durante as reuniões dos líderes mundiais se o objetivo é impedir uma série de consequências catastróficas derivadas do aumento da temperatura global.

    Outra novidade alarmante foi o novo recorde de emissões de gases estufa divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). Em 2011, a liberação de CO2 atingiu 391 partes por milhão (ppm) quando o ideal deveria ser de 350 ppm para que o aumento de temperatura fosse no máximo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais.

    Ondas de calor extremo, diminuição dos estoques mundiais de alimentos, a elevação do nível do mar e o comprometimento de 90% dos recifes de corais são algumas das alterações globais decorrentes do aumento da temperatura do planeta. E a situação ainda pode piorar. Segundo o Banco Mundial mantida a inércia atual seria alcançado o nível de 800 ppm de CO2 até a metade do século.

    Parte da solução para este problema seria uma mudança no setor energético. A substituição das termelétricas abastecidas por carvão por energias mais limpas e renováveis, como a eólica e a solar, poderia ajudar a diminuir as emissões de gases estufa além de trazer outros benefícios como a geração de novos empregos verdes. Leia mais >

  • O conto tóxico por trás de sua roupa

    Postado por *Yifang Li - 20 - nov - 2012 às 9:23 2 comentários

    Campanha Detox 2012 Vitrínis © Emma Stoner / Greenpeace

     

    O que você está vestindo hoje? Pare por alguns segundos e sinta o tecido. Você está tocando uma escolha de moda. Na verdade, é muito mais do que isso, você está tocando uma história. Cada peça de roupa - no seu guarda-roupa, no meu guarda-roupa, no guarda-roupa de todos - tem uma história.

    Neste exato momento, as marcas de moda estão escrevendo esta história para nós. Ela possui cursos-d’água públicos que estão sendo tratados como se fossem esgotos particulares. Também tem rios envenenados, produtos químicos perigosos que permanecem no ambiente e que alteram a forma como os hormônios naturais atuam no corpo humano e que podem causar sérios danos aos ecossistemas.

    Eu não sei se essa história agradou a alguém, mas nós do Greenpeace não gostamos dela. Nós amamos nossas roupas, elas são um meio que temos de nos expressar e de nos apresentarmos ao mundo. Mas nós estamos unidos por acreditar que a moda não deve custar literalmente o preço do planeta.

    Não, nossas roupas não tem que ser misturadas com produtos químicos tóxicos. Não têm de ser fabricadas sem transparência e causar a poluição tóxica da água. Elas não têm de ser feitas para se desgastarem mais rápido do que podemos comprar outras novas.

    Há uma outra maneira de tudo isso ser feito e são pessoas como você que vão realizá-la, afinal, as marcas que nos vestem vão nos ouvir. E você sabe porquê? Porque sem nós, elas não são nada. Isso mesmo: nada. E elas sabem disso.

    Individualmente, nós temos um poder incrível sobre as marcas, mas que é ainda maior quando estamos juntos. ´E o que nós chamamos de poder da sociedade civil.

    Detox Studio Shoot © Lance Lee / Greenpeace Leia mais >

     

    Este ano, a Campanha Detox do Greenpeace se aprofundou na lista de produtos químicos perigosos utilizados na produção da moda. Estamos expondo as relações entre instalações fabris têxteis que utilizam produtos químicos tóxicos e a poluição da água. Nossa investigação inclui 20 marcas de moda mundiais e testes em 141 produtos vendidos por marcas de moda de renome, como a Zara, Metersbonwe - marca chinesa de moda - Calvin Klein, Levi, Mango, Tommy Hilfiger e Vero Moda.

    Exigimos que essas marcas parem de poluir o ambiente com produtos químicos perigosos e a melhor maneira de fazer isso é substituí-los por alternativas mais seguras. E para mostrar que elas realmente querem se comprometer com esta causa, devem ser transparentes e divulgar o que cada um de seus fornecedores estão liberando no ambiente.

    Se as marcas que têm o poder de influenciar seus fornecedores a adotar alternativas seguras e que não poluem o ambiente optarem por acabar com a poluição, outras as seguirão. Se a sociedade civil continuar pressionando a indústria da moda, podemos alcançar mudanças globais e permanentes. Basta olhar para o que já conseguimos: sete grandes marcas internacionais (Puma, Nike, Adidas, H&M, M&S, C&A e Li-Ning) se comprometeram a mudar porque você as pressionou.

    Mas até agora marcas como a Zara permanecem em silêncio. Se você compartilha da nossa visão para o futuro, junte-se a nós e peça para a Zara se desintoxicar. Diga que não queremos substâncias químicas perigosas em nossas roupas e em nossos rios. Juntos, podemos controlar a história que as nossas roupas contam e torná-la melhor para todos nós.

    *Yifang Li é da Campanha de Detox do Greenpeace Sudeste Asiático

  • Bons ventos para o futuro

    Postado por Marina Yamaoka - 14 - nov - 2012 às 16:47

    Aerogeradores do Parque Eólico de Taíba em São Gonçalo do Amarante (CE). (©Greenpeace/Rogério Reis/Tyba)

    O Greenpeace Internacional e o Conselho Global de Energia Eólica lançam, hoje, o relatório bienal sobre o futuro da indústria eólica no mundo. A quarta edição do Cenário Mundial de Energia Eólica mostra que a energia eólica poderia fornecer até 12% de toda a eletricidade global até 2020, criando 1,4 milhão de novos trabalhos e reduzindo as emissões de CO2 em até 1,5 bilhão de toneladas por ano. Para 2030, o cenário é ainda mais positivo, 20% da demanda mundial de energia poderia ser atendida pelos ventos.

    • Clique aqui e leia o relatório na íntegra (em inglês)

    O relatório traz um retrato com três futuros diferentes para a indústria de energia eólica para os anos de 2020, 2030 e para além de 2050 e compara esses cenários com duas diferentes projeções para o desenvolvimento da demanda de eletricidade: a primeira baseada no Cenário Mundial de Energia da Agência Internacional de Energia (IEA na sigla em inglês) e o segundo, em um modelo de futuro mais eficiente de energia desenvolvido pela consultoria ECOFYS e pesquisadores da Universidade de Utrecht.

    "Está claro que a energia eólica desempenhará um papel fundamental no futuro energético”, disse Steve Sawyer, Secretário Geral do Conselho Global de Energia Eólica. “Mas para que todo o potencial da energia eólica seja completamente aproveitado, os governos precisam agir rapidamente para solucionar a crise do clima, enquanto ainda há tempo.”

    No Brasil, o setor eólico vem crescendo consideravelmente e deve superar os 8 GW até 2016. Só no ano passado, foram adicionados 582 MW à matriz brasileira, capaz de atender uma cidade de aproximadamente 2 milhões de habitantes.

    “Apesar do Brasil ser um dos mercados mais promissores para energia eólica nos próximos cinco anos, este bom momento depende da manutenção de condições de competitividade e desenvolvimento da fonte que deem segurança aos investidores e à própria indústria de que a energia eólica continuará a crescer no país”, afirmou Ricardo Baitelo, coordenadora da campanha Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

    A possibilidade da descontinuação de isenções fiscais para equipamentos aliada ao câmbio desfavorável para sua importação preocupam a indústria da energia eólica. Também, o atraso da conexão dos parques construídos às linhas de transmissão e a ausência de um leilão para a fonte em 2012 são questões que interferem na continuidade do setor.

    Hoje, a energia eólica é cada vez mais competitiva em diferentes mercados, mesmo quando compete com fontes de energia convencionais altamente subsidiadas. No Brasil, a fonte já vem mostrando competitividade mesmo em relação a térmicas, que costumavam dominar leilões de energia.

    “O ingrediente mais importante para o sucesso de longo prazo da indústria de energia eólica é a estabilidade, uma política de longo prazo, enviando um sinal claro aos investidores sobre a visão do governo para o alcance e potencial desta tecnologia”, disse Sven Teske, especialista sênior de energia do Greenpeace. “O Cenário Global de Energia Eólica mostra que a indústria eólica poderia empregar 2,1 milhão de pessoas até 2030, três vezes mais do que hoje, com uma política adequada de apoio a esta fonte.” Leia mais >

  • Os desafios do setor elétrico brasileiro

    Postado por Marina Yamaoka - 12 - nov - 2012 às 9:38

    Laboratório de Células Solares do Núcleo Tecnológico de Energia Solar da PUC-RS, em Porto Alegre (RS). (©Greenpeace/Rogério Reis)

    Foi lançado hoje o relatório “O Setor Elétrico Brasileiro e a Sustentabilidade no Século 21 – Oportunidades e Desafios” que traz artigos de um grupo de pesquisadores e especialistas do setor elétrico brasileiro, entre eles, Ricardo Baitelo, coordenador da campanha Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

    Eficiência energética, perdas no sistema de transmissão, as premissas adotadas pelo governo ao definir cenários futuros de demanda energética, a construção de grandes hidrelétricas na Amazônia Legal e seus impactos socioambientais são alguns dos temas discutidos nos artigos presentes no relatório.

    Segundo Ricardo, “o que ainda falta para que a energia eólica e a solar ampliem a participação na matriz energética do país são politica e planejamento contínuos que permitam que essas fontes cresçam no médio e longo prazo.”

    “Energias renováveis: eólica e solar”, escrito por Ricardo, analisa o estado atual dessas duas fontes de energia na matriz energética brasileira, aponta os benefícios, oportunidades e os fatores que limitam o crescimento das indústrias eólica e solar no Brasil.

    Com uma orientação política clara e consciente, o Brasil tem todas as condições para se tornar a primeira grande potência energética de matriz quase 100% limpa. Estima-se que a energia solar sozinha seria capaz de atender cerca de dez vezes toda a demanda energética do país e a eólica poderia atender o triplo da atual demanda de eletricidade.

    O argumento de que essas fontes não são economicamente competitivas no mercado quando comparadas a outras já não é mais real. Cada vez mais estas tecnologias têm se tornado viáveis, mesmo quando comparadas com fontes de energia convencionais que recebem subsídios. Além disso, possuem a vantagem de terem baixas emissões de gases estufa e de criar empregos verdes. Leia mais >

  • Longo caminho para o futuro que precisamos

    Postado por Nathália Clark - 8 - nov - 2012 às 19:08 2 comentários

    Em Brasília para a 15a Conferência Internacional Anti-corrupção, o diretor-executivo do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo, cobrou ambição e urgência do governo brasileiro (©Greenpeace).

     

    “Estamos muito longe de alcançar o que precisamos”, sentenciou mais uma vez Kumi Naidoo. O diretor-executivo do Greenpeace Internacional esteve presente à 15a Conferência Internacional Anti-corrupção, realizada em Brasília. Em mesa que contou com a presença da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, Kumi explicou porquê considerou a Rio+20 um “fracasso épico”, ressaltando a falta de ambição do documento final produzido pelo Brasil.

    Enquanto a ministra considerava que a Rio+20 foi “um marco, a maior conferência das Nações Unidas sobre o desenvolvimento sustentável”, Kumi criticava a postura da presidente Dilma Rousseff, reforçando que a população brasileira é carente de esforços por parte do governo no que concerne às questões ambientais.

    “Antes de avaliarmos a Rio+20 devemos pensar no que realmente alcançamos desde a Eco-92. Mas veremos um nível extremamente baixo de cumprimento de metas e, na verdade, um grande retrocesso em muitos dos temas mais críticos. Queremos que haja uma sinergia entre economia, ecologia e igualdade, e que um pilar não se sobreponha ao outro. Mas quando lemos o documento da Rio+20 não vemos nenhuma especificidade, nenhuma urgência.  Não quer dizer que não houve nenhum ponto positivo, mas não foi suficiente”, disse ele.

    Em contrapartida, mas de certa forma concordando com o argumento de que foi produzido um documento fraco, Izabella Teixeira afirmou que o resultado da Rio+20 foi “de linha de base, e não de topo de cadeia”.

    Respondendo à ministra, Kumi ressaltou que, assim como no debate do Código Florestal, houve um hiato entre a posição do governo e a de seus eleitores. “Nós sabemos que a presidente Dilma tentou não deixar o Código Florestal tão ruim quanto estava, mas eu acredito que, quando o movimento da sociedade civil propõe uma lei, como a do Desmatamento Zero, que já possui mais de 600 mil assinaturas, é dever do Congresso Nacional debater e ao governo como um todo prestar mais atenção à questão.”

    Também presente na mesa, Manish Bapna, presidente da organização World Resources Institute, frisou a importância de investimentos em tecnologia. “Tecnologia é transparência. Nós que trabalhamos com meio ambiente sabemos que esse é um fator muito importante para nos aperfeiçoarmos e melhorarmos o que fizemos no passado, para lutar contra o corte de madeira ilegal, contra as invasões de áreas protegidas, etc. Além disso, governança também está na base do problema”, completou.

    Assine a petição.
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  • Transportes: falta prioridade, sobram emissões

    Postado por Nathália Clark - 7 - nov - 2012 às 17:32 2 comentários

    Projeções do governo preveem que, em 2020, os carros individuais devem totalizar 64% do transporte brasileiro. Ou seja, mais engarrafamento e mais emissões (©Karsten Smid/ Greenpeace).

     

    Cerca de quatro anos depois do estabelecimento das metas de redução das emissões de gases do efeito estufa no Brasil, a maioria dos planos setoriais previstos no Plano Nacional de Mudanças Climáticas ainda não foi elaborada, e os que já existem são pouco ambiciosos, segundo Sérgio Leitão, diretor de Políticas Públicas do Greenpeace.

    Em audiência pública no Senado, a representante do Ministério dos Transportes, Kátia Matsumoto Tancon, apresentou uma proposta para o Plano Nacional de Logísticas e Transportes. De acordo com ela, o Ministério tem investido fortemente no meio ferroviário para buscar o equilíbrio nos transportes, levando à utilização de modelos mais eficientes. Hoje, o meio fluvial (aquaviário) ocupa apenas 3% dos transportes, o ferroviario 8% e o rodoviário, o mais poluente, 89%.

    Ainda segundo o Ministério, a projeção de emissões para 2020, de acordo com a proposta do Plano, é de 101 megatoneladas de CO2. O número parece baixo, mas não se engane. Essa conta não considera as chamadas cargas cativas, que correspondem a combustíveis como o gás, o petróleo e o minério de ferro, os maiores emissores da cadeia.

    Veja abaixo a opinião de Sérgio Leitão sobre o assunto:

    Qual é a postura que o governo deveria ter diante do tema da eficiência energética em transportes, e qual é a que ele assume na realidade?

    Sérgio Leitão – A grande preocupação do Greenpeace é que o Brasil está perdendo o senso de urgência das questões climáticas. Nosso governo não está mais conseguindo dar a mesma atenção e priorização que deu em 2009, quando assumimos nossas metas de redução das emissões. Em tempos de furacões Sandy, de secas no Nordeste e enchentes no Norte e Sudeste, temos que estar atentos ao que já está batendo à nossa porta.

    O Brasil vai investir no plano decenal R$ 749 bilhões em exploração de petróleo, um combustível fóssil, que emite CO2, para viabilizar a exploração do pré-sal. Isso significa um aumento de R$ 63 milhões relativo ao Plano Decenal anterior. O Ministério dos transportes se diz preocupado com biocombustível, mas reduz de R$ 97 para R$ 67 bilhões os investimentos nesse recurso.

    O setor de transportes hoje em dia já é a segunda maior fonte de emissões no Brasil. E só cresce. O governo, enquanto isso, não exije padrões de eficiência das montadoras ou monitoramento da poluição nas cidades.

    Uma pesquisa realizada em São Paulo indica que 77% dos casos de internações nos hospitais da cidade se devem à poluição. Não temos hoje regras obrigatórias, nem planos setoriais. O Ministério dos Transportes não fez, o da Saúde tampouco, e o de Minas e Enegia fez um Plano pobre em ambição. E onde ele se mostra ambicioso é também destrutivo, pois se abraça ao passado, que é a energia hidrelétrica.

    O que é mais urgente para o cumprimento das metas de redução de emissões no setor de transportes?

    SL – Uma política de padrões obrigatórios de eficiência energética dos motores nos carros de passeio, e o forte incentivo ao uso de transporte público que utilize combustíveis renováveis. As projeções do governo são de que, em 2020, o transporte individual ocupe 64% do transporte brasileiro. Ou seja, a tendência é que se configure um cenário de calamidade total, seja do ponto de vista do engarrafamento, seja por conta das emissões de gases estufa.

    Quais questões principais você gostaria de ver contempladas no plano setorial de transportes?

    SL – Em primeiro lugar, o estabelecimento de metas ambientais para redução do consumo de energia; redução das emissão dos poluentes locais, questão mais diretamente vinculada com a melhoria da qualidade do ar; e a redução dos gases de efeito estufa.

    2- Estabelecimento das metas de participação do transporte público e não motorizado na matriz de deslocamentos (mais investimento em metrôs, veículos leves sobre trilhos, etc).

    3- Promoção da articulação das fontes de financiamento de infraestrutura e veículos de transporte coletivo.

    4- Integração entre o plano de transportes com a Política Nacional de Mobilidade Urbana e o Plano Brasil Maior, que trata da política industrial.

    5- Atualização dos padrões de qualidade do ar adotados pelo Brasil, que datam de 1990.

    6- Implantar um sistema nacional de monitoramento da qualidade do ar, pois a maioria das cidades não possui.

    7- Elaboração e divulgação anual de relatórios nacionais de qualidade do ar.

    8- Abertura de inquérito epidemiológico para investigar os custos no sistema público de saúde gerados pela poluição do ar, produzida por veículos nas grandes cidades brasileiras.

    9- Exigência de padrões obrigatórios de eficiência energética de motores nos carros de passeio no Brasil.

    10- Etiquetagem obrigatória da eficiência energética de motores nos carros de passeio para orientar o consumidor na hora da compra (similar ao selo da linha branca de eletrodomésticos). Leia mais >

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