Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Mars e P&G: uma empresa atendeu aos consumidores, já a outra...

    Postado por Areeba Hamid* - 10 - mar - 2014 às 18:47 2 comentários

    Aqui estão duas maneiras distintas de responder consumidores preocupados com a destruição das florestas:

    Uma delas é adotar um compromisso claro, com metas e prazos ambiciosos para eliminar o desmatamento da cadeia de produção; a outra é manter o status quo e continuar fazendo negócios como sempre, não enfrentando o problema de frente.

    Hoje a Mars (produtora de ração para cachorro, chocolate, alimentos e bebidas) assumiu o compromisso de eliminar completamente o desmatamento de seus produtos até o fim de 2015.

    Com esta resposta, a empresa se coloca no primeiro grupo. Mas ainda existem as que insistem em ignorar o apelo dos consumidores e manter o foco no chamado greenwash – discurso desgastado, para vender práticas questionáveis como sustentáveis.

    As pessoas não querem comprar produtos  que causem desmatamento e extinção de animais. Mas a transformação de todo um segmento ou indústria só acontece quando toda essa gente consegue demandar uma postura diferente. A Mars agora faz parte de um grupo de empresas compromissadas a limpar suas cadeias de fornecedores. Entre elas estão Nestlé, Unilever, L’Oreal, Ferrero e outras. Confira a lista completa aqui.

    Este anúncio deveria também servir como mais um alerta para a Procter & Gamble.

    Desde que revelamos como a P&G compra óleo de palma proveniente de desmatamento nas florestas da Indonésia, os executivos da empresa não ofereceram solução alguma. Pior, eles insistem que são ‘comprometidos’ com práticas sustentáveis. E a cada nova empresa que assume compromisso público com uma política de fato compatível com a realidade atual, a situação e as políticas que a P&G chama de sustentáveis ficam cada vez mais constrangedoras.

    Como nossos ativistas mostraram hoje, este é o verdadeiro significado de sustentabilidade para a P&G:

    Ativistas do Greenpeace abrem banner dentro de área de subsidiária da empresa Musim Mas, fornecedora de óleo de palma da Procter & Gamble. (© Ulet Ifansasti / Greenpeace)

     

    Hoje pela manhã, ativistas abriram um banner gigante em uma plantação da Musim Mas – empresa fornecedora da P&G e envolvida em casos de crimes ambientais. Isso passa longe de sustentabilidade – pelo menos para o meio milhão de pessoas que exigem produtos livres de desmatamento nas prateleiras dos supermercados.

    Ativista do Greenpeace segura banner dentro de uma área de concessão de subsidiária da empresa Musim Mas, fornecedora de óleo de palma da Procter & Gamble, em área no Kalimantan Central. (© Ardiles Rante / Greenpeace)

     

    O que a P&G precisa fazer?

    P&G deve seguir o mesmo caminho das empresas (Nestlé, Unilever, Ferrero, L’Oreal e agora a Mars)  que assumiram um compromisso público para implementar uma política interna que elimine o desmatamento de suas cadeias produtivas.  Essas empresas reconheceram que apenas a certificação RSPO (Roundtable on Sustainable Palm Oil) não é suficiente para barrar a entrada de óleo de palma sujo em suas cadeias produtivas, e por isso foram além.

    Está na hora da P&G dar um passo a mais e parar de fazer seus consumidores cúmplices da destruição florestal e da extinção de animais raros e ameaçados como o tigre-de-sumatra. Diga para a P&G que você quer que produtos como o Head & Shoulders sejam livres de desmatamento.

    Areeba Hamid* é da campanha de florestas do Greenpeace Internacional. Leia mais >

  • Meio ambiente no menu dos presidenciáveis

    Postado por Nathália Clark - 10 - mar - 2014 às 17:55 1 comentário

    Parque Nacional das Serras do Tumucumaque, no Amapá, é a maior unidade de conservação do Brasil e o maior parque de floresta tropical do mundo (©Greenpeace/Rogério Reis/Tyba).

     

    A cerca de seis meses das eleições para Presidente, a sociedade civil brasileira tem participado de agendas oficiais com os pré-candidatos para garantir que a pauta socioambiental seja plenamente contemplada em suas campanhas eleitorais. Em dezembro, o encontro aconteceu durante um jantar com o senador mineiro Aécio Neves, do PSDB. Nesta segunda-feira (10) foi a vez do governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência, Eduardo Campos, e de sua provável vice, a ex-senadora Marina Silva, ambos filiados ao PSB.

    Em almoço na casa de Fábio Feldmann, ex-deputado federal e hoje consultor em sustentabilidade, estavam presentes Marina Silva, Eduardo Campos e cerca de 50 pessoas do movimento ambientalista e da área de sustentabilidade do setor privado. Fernando Rossetti, diretor-executivo do Greenpeace Brasil, esteve presente representando a organização.

    O objetivo dos encontros é promover o conhecimento mútuo e a aproximação dos candidatos com o setor ambientalista da sociedade civil. Em clima descontraído, os pré-candidatos apresentaram alguns dos eixos eleitorais a serem adotados na campanha, e mostraram os programas e agendas com as pautas que deverão enfrentar no embate das eleições.

    Os ambientalistas acreditam que reuniões como essa ajudam na construção de uma plataforma de diálogo de onde podem surgir propostas novas que tirem a questão ambiental da periferia das prioridades do governo.

    Desde já, o Greenpeace está trabalhando para cobrar dos candidatos uma posição eleitoral sobre temas relevantes para a sociedade, como o controle do desmatamento na Amazônia, que pode influenciar fortemente o regime de chuvas e as mudanças climáticas no país e no mundo; e mobilidade urbana, com mais transporte público acessível e de qualidade para toda a população.

    Outras questões indispensáveis, como a disputa pela demarcação de terras indígenas, a criação e implementação de unidades de conservação e o incentivo à adoção de fontes renováveis na matriz energética também farão parte das pautas de discussões.

    A presidente Dilma Rousseff até hoje não cumpriu sua promessa de campanha da última eleição de preservar as florestas do Brasil. Ela não só liberou o novo Código Florestal como queria a bancada ruralista, como também está leiloando as áreas protegidas do país. Como cidadãos civis e eleitores, todos os brasileiros devem exercer seu direito e dever de cobrar dos candidatos uma postura coerente, justa e sustentável, que respeite o meio ambiente como parte indissociável da nossa cultura e sociedade. Leia mais >

  • Cheia do Madeira: vídeo conta a história dos atingidos

    Postado por Luana Lila - 10 - mar - 2014 às 15:15 1 comentário

    Cheia na comunidade de São Carlos, distrito de Porto Velho (© Greenpeace/Lunaé Parracho)

     

    Como já foi publicado aqui no blog, no final de fevereiro, o Greenpeace esteve em Porto Velho, Rondônia, para documentar a cheia do rio Madeira, que já afetou mais de duas mil famílias na região. O nível do rio continua subindo – nesse domingo atingiu a marca histórica de 19,1 metros por volta das 8h30 da manhã.

    A equipe esteve nos bairros mais prejudicados, onde encontrou casas submersas e conversou com famílias que tentavam salvar seus pertences. Na comunidade de São Carlos, a cerca de 100 quilômetros de Porto Velho, os moradores acompanhavam com aflição o avanço da água, que subia dia após dia. Pouco depois da visita do Greenpeace, todas as 500 famílias da comunidade tiveram que deixar suas casas.

    Os moradores atingidos afirmam que as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau têm contribuído para o agravamento da cheia, causada pelas fortes chuvas nas cabeceiras dos afluentes do rio Madeira na Bolívia – onde 60 pessoas já morreram – e no Peru.

    Assista ao vídeo para conhecer a história das pessoas que estão tendo suas vidas mudadas pela cheia:

      

    Para Ministério Público, hidrelétricas agravam a cheia

    Entidades como o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Estado (MP/RO), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RO) e a Defensoria Pública da União estão processando as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau por terem ignorado o impacto das cheias.

    As instituições entraram com uma ação civil pública para que a Justiça Federal obrigue as hidrelétricas a atender imediatamente as necessidades básicas da população. A ação pede também que a Justiça condene o Ibama a suspender as licenças das usinas até que novos estudos sobre os impactos das barragens sejam feitos, além de uma compensação por dano moral coletivo estimada em R$ 100 milhões de reais.

    Antes da construção, uma consultoria contratada pelo Ministério Público de Rondônia, alertou que os impactos decorrentes das barragens poderiam ser maiores do que os que estavam sendo apontados por Furnas, que fez os estudos aceitos pelo Ibama. Mesmo assim, o processo de licenciamento prosseguiu.

    “O que está acontecendo agora em Rondônia demonstra que as usinas de Santo Antônio e Jirau foram construídas sem planejamento para lidar com eventos extremos como esse que atinge não só o Brasil, mas também a Bolívia. Para viabilizar a construção desses mega-projetos, o governo está ignorando os impactos socioambientais que podem ser causados pelas hidrelétricas na Amazônia”, disse Danicley de Aguiar, da Campanha Amazônia do Greenpeace.  Leia mais >

  • Meio milhão de motivos para a P&G proteger as florestas

    Postado por Germano Assad - 7 - mar - 2014 às 12:42 2 comentários

    Hoje é um marco na campanha pela proteção das florestas da Indonésia.

    Meio milhão de pessoas aderiram ao movimento pedindo pelo fim de desmatamento nas cadeias de abastecimento de grandes marcas globais – e este é só o começo!

    Nas duas últimas semanas, você foi parte de algo grande. Com tigres acrobatas nas alturas, petições pelas ruas e um vídeo de partir o coração, estamos desafiando a dona de Head & Shoulders, a Procter & Gamble, a excluir de suas linhas de produção o óleo de palma com origem em desmatamento e práticas predatórias na floresta.

    Ativistas do Greenpeace protestam no escritório central da P&G em Cincinnati, estado de Ohio, nos Estados Unidos. (© David Sorcher / Greenpeace)

     

    Ativista vestido de tigre explica a destruição de florestas causada pela produção predatória de óleo de palma na Indonésia aos pedestres em Estocolmo, na Suécia. (© Christian Aslund / Greenpeace)

     

    Ativista do Greenpeace protesta com imagem do shampoo Head & Shoulders, produzido pela P&G, enquanto explica a situação para funcionários da empresa na Alemanha. (©Bert Bostelmann / Greenpeace)

     

    Apesar disso tudo, a P&G está agindo como se não houvesse problema algum. Foram quase 250 mil e-mails enviados para o presidente da empresa, e fomos todos ignorados. Apesar de todas as evidências reunidas no relatório de investigação da cadeia de fornecedores (em inglês), a P&G insiste que atende requisitos de sustentabilidade ao comprar óleo de palma de produtoras controversas e reincidentes em crimes contra a floresta. 

    Algumas posições da P&G e o que pensamos sobre elas:

    P&G diz que tem um compromisso com óleo de palma sustentável. A Mesa Redonda do Óleo de Palma Sustentável (Roundtable for Sustainable Palm Oil – RSPO, em inglês), que sustenta a política da P&G, vem sendo questionada por anos pela fragilidade dos critérios adotados, que não são suficientes para garantir a exclusão do desmatamento das cadeias de fornecimento das empresas certificadas. Mais do que isso, todos os habitats naturais dos orangotangos devastados que nossa equipe de investigação encontrou tinham virado plantações administradas por membros certificados pela RSPO. Seria um sinal de que elas, assim como a P&G, são sustentáveis? Claro que não…

    P&G diz que se preocupa com a questão do desmatamento. Realmente? Quão sério você pode ser se os seus fornecedores já derrubaram milhares de hectares de floresta e você nunca se deu ao trabalho de perguntar de onde vem o óleo palma que compra? Se concorrentes como L’Oreal, Unilever e Nestlé podem ir além da RSPO e se comprometer com uma política de não-desmatamento, a P&G também pode.

    P&G diz que vai investigar os fornecedores que identificamos. Certo. Mas o que investigamos é apenas uma parte, e muito pequena, da destruição causada pelo óleo de palma. E apenas investigar estes casos específicos não vai livrar seus produtos do desmatamento. Para impedir que isso volte a acontecer, a P&G precisa de fato averiguar as denúncias e se comprometer publicamente com uma política rígida e progressista de combate ao desmatamento. 

    Nós não vamos desistir. Com a força de meio milhão de pessoas que se uniram ao movimento, estamos colocando um basta nessa situação: não nos tornem cúmplices da destruição das florestas pelos produtos que uso no meu dia a dia.

    É hora da P&G se tornar uma orgulhosa patrocinadora das florestas tropicais e se comprometer com o combate ao desmatamento. Junte-se a nós e seja parte dessa campanha.

    Livre-se das caspas promovendo o desmatamento?

    Equipe de voluntários arma as duas entradas no escritório da agência Saatchi and Saatchi’s em Londres. Eles criaram a campanha publicitária do Head & Shoulders, shampoo da linha de produtos Procter & Gamble. (© Jiri Rezac / Greenpeace)

     

    Já era hora de fazer uma escolha. E esta hora chegou para os colaboradores da Saatchi and Saatchi’s, agência responsável pelas campanhas publicitárias do Head & Shoulders.

    Hoje um time de voluntários do Greenpeace armou uma divisória na entrada do escritório da agência, em Londres. Funcionários que chegavam para trabalhar tinham que escolher se entravam pela porta “proteger as florestas” ou pela outra, com a inscrição “destruir as florestas”. O resultado foi tabulado pelo Greenpeace como uma pesquisa para descobrir a visão da agência sobre o problema.

    Do lado de fora do prédio onde fica o escritório da agência, desde as 8 horas da manhã, ativistas informavam os profissionais que trabalharam na campanha do Head & Shoulders sobre o segredo sujo da P&G, e pediram para que eles se posicionassem sobre a questão. 

    “Saatchi and Saatchi passou anos estudando e analisando como pensa o público. Eles sabem, ou vão acabar sabendo que os consumidores querem se livrar das caspas sem exterminar os tigres. Então, quem melhor que a agência para aconselhar a P&G a romper de vez seus laços com o desmatamento?”, questiona Richard George, da campanha de florestas do Greenpeace Inglaterra

    Nas duas horas em que a instalação ficou de pé, na entrada do escritório da agência, 211 funcionários passaram por ela. 163 pela porta da proteção das florestas e apenas 48 pela porta da destruição.

    “Pelo resultado de nossa pesquisa, com 163 dos 211 funcionários passando pela porta da proteção das florestas, parece que, definitivamente, eles não simpatizam com destruição ou desmatamento. Grande parte dos consumidores da P&G também não. Esperamos que a Saatchi’s consiga passar isto aos seus clientes”, concluiu. Leia mais >

  • Orangotangos órfãos e tigres voadores na P&G

    Postado por João Talocchi* - 4 - mar - 2014 às 17:21 9 comentários

    Hoje o dia começou como outro qualquer.

    Meu filho acordou 5 horas da manhã, tomei meu café lá pelas 7 horas, caminhei até o metrô e depois de 40 minutos estava no escritório.

    Mas este não era um dia qualquer.

    Este é o dia em que a Procter & Gamble (P&G), a dona de marcas como Head & Shoulders, vai ter que parar de ignorar o pedido de mais de 185 mil pessoas pelo mundo que estão exigindo apenas óleo de palma livre de desmatamento nos produtos da empresa.

    Como revelamos na semana passada, após um ano investigando a cadeia de fornecedores da companhia, a P&G precisa parar de fazer dos seus consumidores cúmplices deste escândalo ambiental que vêm destruindo as florestas tropicais da Indonésia.

    Assim que abri meu computador comecei a perceber que a P&G estava deletando comentários aqui e ali, nas principais redes sociais, postadas por clientes e adeptos da campanhas em suas páginas. Vamos ser claros: a P&G costumava ignorar pedidos dos consumidores, mas agora tenta esconder essas demandas do mundo!

    Foto da página de produto da P&G no Facebook com comentário e depois sem. Empresa está deletando as perguntas mais difíceis.

     

    Depois desta primeira surpresa, fiquei curioso para saber o que eles fariam com o lançamento do vídeo que mostra toda a hipocrisia de uma empresa que se diz apoiadora das mães e de uma maternidade saudável enquanto faz órfãos. Órfãos orangotango. Entenda vendo este vídeo (clique no ícone captions, no canto inferior direito da tela, para legendas em português):

     

    Se não fosse constrangedor o bastante, ao não se comprometer com uma política de não desmatamento a P&G está colocando em risco o futuro das próximas gerações, já que o desmatamento vem acelerando as mudanças climáticas.

    E ainda que vídeos, blogs e outras mídias sociais sejam uma ótima maneira de comunicar nossas demandas para a empresa, precisamos garantir que elas cheguem aos grandes decisores, executivos com poder para mudar as políticas da P&G e assegurar que sua cadeia de fornecimento esteja livre de desmatamento. 

    E é exatamente isto o que um grupo de ativistas está fazendo.

    Enquanto escrevo, ativistas escaladores estendem dois banners com mensagens pelas florestas no escritório central da P&G em Cincinnati, nos Estados Unidos. Um deles vai além, e vestido de tigre-de-sumatra, voa numa tirolesa que liga as duas torres do edifício.

    Agora vamos ver se eles conseguem apagar essas mensagens.

    Escalador vestido de tigre estende banner de tiroleza que liga duas torres do edifício sede da P&G em Cincinnati. (© Greenpeace / Tim Aubry)

    O resultado final disso tudo é simples. Ao invés de ignorar a demanda de milhares de pessoas e tentar esconder a situação, a P&G precisa enfrentar o problema de frente. E só vai fazer isso quando adotar e implementar uma política de combate ao desmatamento que vá além da certificação da Mesa Redonda pelo Óleo de Palma Sustentável (RSPO, na sigla em inglês), insuficiente para garantir o óleo livre de desmatamento.

    Se outras empresas como a Nestlé, Unilever, L’Oréal e Ferrero podem ir além da RSPO e se comprometer publicamente com políticas de não desmatamento, a P&G também pode.

    Venha você também fazer parte deste movimento que já reuniu milhares de colaboradores pelo mundo. Envie sua mensagem e diga para a P&G que não aceita produtos que promovam destruição de floresta.

    Assine a petição

    * João Talocchi é da campanha de florestas do Greenpeace EUA. Leia mais >

  • Usinas trocam acusações sobre cheia no Madeira

    Postado por Luana Lila - 28 - fev - 2014 às 16:40

    Moradores afetados pela cheia no bairro Triângulo, em Porto Velho (© Greenpeace/Lunaé Parracho)

    Enquanto o nível do rio Madeira não para de subir em Rondônia - na tarde dessa sexta-feira atingiu 18,6 metros - e milhares de famílias estão desabrigadas, representantes das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio estão trocando acusações a respeito das consequências da cheia histórica que atinge a região, cada uma culpando a outra por parte dos estragos provocados.

    Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a concessionária de Jirau, Energia Sustentável do Brasil (ESBR), atribuiu parte dos estragos na região à operação da Santo Antônio Energia (SAE), devido a elevação da cota do reservatório de Santo Antônio. Já a usina de Santo Antônio declarou que algumas estruturas provisórias de Jirau, como as ensecadeiras, não foram dimensionadas para uma cheia como a atual.

    As declarações dos representantes das usinas demonstram que elas foram construídas sem pensar  como enfrentar os eventos extremos e evidenciam a influência da construção das usinas no agravamento da cheia do rio Madeira. Como já vêm afirmando os moradores atingidos, a troca de acusações indicam que as usinas têm potencializado os danos da enchente provocada pelas chuvas nas cabeceiras dos rios que formam o Madeira.

    “As empresas e o governo brasileiro devem agir imediatamente para salvaguardar a população local que, historicamente, é a única que paga pelas decisões de Brasília. Estamos perseguindo um modelo energético que insiste em construir hidrelétricas na Amazônia, ignorando as fragilidades da região e os direitos das pessoas. Há opções sustentáveis e de implantação mais rápida como eólicas e parques solares”, disse Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

    Segundo a reportagem do Estadão, o diretor-presidente da concessionária de Jirau disse também que  o aumento da cota do reservatório de Santo Antônio representa aumento na área inundada. Na prática, isso mostra a fragilidade do processo de licenciamento das usinas, cujo projeto original foi alterado no meio do percurso. Além disso, tais projetos jamais poderiam ser aprovados sem pensar em  planos de contingência e mitigação  que considerem eventos extremos como as cheias que acontecem agora.

    “O rio está revoltado e as consequências nós estamos sentindo agora. E o pior é que ainda há uma insanidade de projetos como esse sendo defendidos por políticos. A gente vê Belo Monte, Tapajós, Teles Pires e tantas outras sendo pensadas como se a vida da população da Amazônia não valesse nada”, disse Iremar Antonio Ferreira, coordenador do Instituto Madeira Vivo.

    Leia mais: Leia mais >

  • Mais eólica e mais solar sem medo

    Postado por Marina Yamaoka - 28 - fev - 2014 às 16:35 1 comentário

    Parque eólico de Osório, Rio Grande do Sul (©Rogério Reis/Tyba/Greenpeace)

     

    Novo relatório da IEA (Agência Internacional de Energia) mostra que já é possível ter elevadas porcentagens de energia eólica e solar – contribuindo com até mais de 30% da produção de eletricidade de um país – sem problemas de segurança energética e sem custos elevados. Hoje, a participação destas fontes na matriz brasileira não chega a 1%,  no entanto, o cenário [R]evolução Energética prevê 40% para 2050.

    A energia eólica e a solar fotovoltaica são cruciais para atender as futuras demandas de energia sem ter que usar fontes sujas e poluentes como combustíveis fósseis. O uso dessas duas fontes renováveis cresceu amplamente nos últimos anos e a expectativa é a de que essa tendência continue por décadas.

    A novidade do estudo é que este desmistifica o medo em relação às elevadas participações de energias renováveis intermitentes, assim chamadas porque não geram energia o tempo todo uma vez que dependem de fatores como o sol e o vento.

    O relatório mostra que integrar os primeiros 5% a 10% de geração intermitente não coloca desafios técnicos e econômicos desde que existam três condições: não estarem geograficamente concentradas, possuir boa previsibilidade do funcionamento das fontes e estabilização do grid. Já para ir além de 30% de participação, é necessário alterar o sistema elétrico e quanto mais estável este é menos alterações serão necessárias.

    Em países como Brasil, Índia e China , a energia eólica e a solar podem ser soluções economicamente viáveis para incrementar o aumento de demanda por energia. A integração da atual rede de eletricidade com essas fontes intermitentes pode, e deve, ser uma prioridade. “As economias emergentes têm uma oportunidade diante delas. Elas podem dar um salto no século XXI e serem beneficiadas”, afirmou Maria van der Hoeven, diretora executiva da IEA. Leia mais >

  • ‘Tudo que não presta’ aciona Ministério Público

    Postado por Nathália Clark - 27 - fev - 2014 às 18:08

     

    Depois de serem chamados publicamente de "tudo que não presta", uma comitiva de quarenta indígenas Guarani, Guarani-Kaiowá e Terena, além de representantes quilombolas, protocolaram hoje, na sede da Procuradoria Geral da República (PGR), em Brasília, uma representação contra os deputados federais gaúchos Luiz Carlos Heinze (PP-RS) e Alceu Moreira (PMDB-RS). O documento, assinado por diversas organizações indígenas e da sociedade civil, solicita que os parlamentares sejam investigados por crimes previstos no Código Penal, como incitação pública ao crime, apologia ao crime ou criminoso, formação de quadrilha ou bando e racismo ou injúria qualificada.

    A ação foi baseada em declarações gravadas em dois vídeos, divulgados pelas redes sociais nas últimas semanas, em que os deputados proferem discursos que ferem a ética parlamentar, incitando os agricultores à violência e fazendo declarações preconceituosas.

    Segundo Lindomar Terena, liderança do Mato Grosso do Sul e coordenador nacional da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), autoridades constituídas não podem agir de modo preconceituoso contra indígenas e outras minorias do povo brasileiro.

    “No nosso entendimento, esta atitude viola nossos direitos. Ao invés de incitar a violência dos pequenos produtores contra os indígenas, estes deputados têm a obrigação de apresentar soluções para resolver os impasses. Eles devem exigir o cumprimento da lei, que determina a demarcação de todas as terras indígenas, e não tentar mudar a lei para o benefício próprio e de alguns poucos privilegiados. Isso nós não vamos permitir”, garantiu.

    Após ampla repercussão negativa de sua fala em vídeo gravado durante audiência pública com trabalhadores rurais em Vicente Dutra, o deputado Heinze afirmou que suas palavras foram “força de expressão”. Uma outra gravação, no entanto, feita durante o chamado Leilão da Resistência, realizado no dia 7 de dezembro em Campo Grande (MS), evidencia que sua fala não foi um deslize, como ele quis dar a entender, mas sim um discurso discriminatório premeditado e recorrente.

    Leia também:

    Assinam a representação as seguintes organizações indígenas: Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpinsul), Articulação dos Povos Indígenas do Pantanal (Arpipan), Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (Coiab), Conselho Aty Guassu Guarani Kaiowá e o Conselho do Povo Terena.

    Além delas, também assinam: o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), o Instituto Socioambiental (ISA), o Greenpeace e a Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas (Conaq).

    “Em um momento em que as tensões e conflitos no campo já estão exacerbados, discursos que incentivam ainda mais violência não contribuem para a solução do problema, gerando ainda mais caos e desinformação. Por trás de declarações como essas se escondem os interesses de grupos minoritários de poderosa influência política e econômica, que querem se apropriar da riqueza natural contida nas terras indígenas, que só existem porque são preservadas pelos índios. Todos que defendem a democracia e os direitos humanos fundamentais devem se posicionar a favor do direito territorial dos povos tradicionais, garantido pela Constituição Federal”, afirma Tica Minami, coordenadora da Campanha Amazônia do Greenpeace.

    Após serem recebidos na Procuradoria Geral, os indígenas se reuniram também com a coordenadora da 6a Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, Deborah Duprat, e se dirigiram à sede da Advocacia-Geral da União (AGU) para entregar um documento pedindo a revogação da Portaria 303 e realizar uma vigília em protesto contra a medida. Leia mais >

  • Responsabilidade pelo clima em debate

    Postado por Nathália Clark - 26 - fev - 2014 às 19:22

    Área alagada próxima à usina de Santo Antônio, em Rondônia. O estado sofre com a maior cheia já registrada no rio Madeira (©Greenpeace / Lunae Parracho).

     

    Nesta quarta-feira (26), a COP (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) foi tema em Brasília. Em audiência pública convocada pelo Ministério das Relações Exteriores, representantes da sociedade civil e do Itamaraty debateram os resultados da COP-19, em Varsóvia, os preparativos para a COP-20, que acontecerá em Lima este ano, e os rumos futuros do novo acordo global que deverá substituir o Protocolo de Kyoto a partir de 2020. 

    O ministro Everton Lucero, membro da delegação brasileira na COP de Varsóvia, afirmou que a conferência não trouxe tantos resultados quanto o governo gostaria. “Nós esperávamos pelo menos uma sinalização favorável por parte dos países que assumiram compromissos de trazer à mesa de negociações financiamentos, meios de implementação e tecnologias. Consideramos isso essencial para a continuidade na construção de um acordo. Em 2010 foi firmado um compromisso de mobilizar U$ 100 bilhões por ano até 2020, mas não houve uma indicação clara de como se chegaria a esse montante. Consideramos que esses resultados permitem que o jogo siga”, argumentou.

    A audiência foi pautada principalmente na proposta que o Brasil levou à Conferência do Clima da ONU de que as responsabilidades históricas de cada país na elevação da temperatura do planeta sejam medidas. Na esteira desse debate, Sérgio Leitão, diretor de Políticas Públicas do Greenpeace, lembrou um discurso datado de 1993 do embaixador Paulo Nogueira, um dos responsáveis pela realização, no Brasil, da conferência Eco 92, e um dos membros do Ministério que historicamente mais trouxe a discussão sobre aquilo que agora se chama de “responsabilidades históricas”.

    “De 1993 para cá, muita coisa mudou, o Brasil é outro. O Brasil de 2014 felizmente não é o Brasil de 1993. Incorporamos mais de 40 milhões de pessoas ao consumo, triplicamos nossa produção agrícola. Mas o que me preocupa no debate das responsabilidades históricas é ele escamotear as responsabilidades que o Brasil tem em continuar fazendo seu processo de desenvolvimento sem que isso signifique a retomada do desenvolvimento de uma forma ecologicamente irresponsável, como chamava atenção o embaixador Paulo Nogueira nesse texto de 93”, afirmou.

    Sergio Leitão frisou que o Brasil já é um país capaz de dar conta de seus problemas e não pode usar a boa aceitação da proposta das responsabilidades históricas por parte dos países não desenvolvidos para se furtar daquilo que é necessário fazer nacionalmente em termos ambientais. E, seguindo com o raciocínio de Paulo Nogueira, questionou as mudanças de paradigma reais que ocorreram da época da Rio 92 até hoje.

    “O embaixador desse texto se perguntava: até que ponto, por exemplo, podemos conceber a utilização de veículos automotores como carro-chefe de nossa política industrial? Mudou isso em 2014? Não, se agravou. Até quando poderemos continuar a ter um sistema de transporte essencialmente rodoviário, fortemente individualizado e altamente consumidor de petróleo? Mudou isso de 1993 para cá? Não. Só se agravou. É o mais grave problema ambiental, climático e social, que gerou todo o conflito que se iniciou no país a partir de junho do ano passado”, ressaltou.

    Por fim, ele citou a cheia histórica no rio Madeira, em Rondônia, que atingiu 18,43 metros no último dia 24, como um dos efeitos explícitos das mudanças climáticas, e incitou o senso de urgência do governo brasileiro. “Vamos manter essa postura de sermos ricos na hora de destruir, mas pobres na hora de preservar?”, questionou.

    Os representantes do Itamaraty agradeceram as intervenções e finalizaram a audiência mirando o futuro. “Temos agora a responsabilidade de preparar a nossa participação em Lima, de modo que haja uma continuidade na construção de um acordo. Naturalmente que a negociação é sempre muito difícil – diria até emperrada – por questões de divergência de visão. Temos uma conferência que não trata só de clima, mas é uma convergência de questões que envolvem economia, emprego, desenvolvimento. Ela é transversal em matéria de impactos na sociedade, e por isso a participação civil é tão importante”, concluiu o ministro Lucero. Leia mais >

  • Tá de brinqueichon, P&G?

    Postado por Germano Assad - 26 - fev - 2014 às 16:40 3 comentários

    A Procter & Gamble se manifestou a respeito do lançamento do relatório feito hoje pelo Greenpeace internacional e que aponta relações da companhia com fornecedores de óleo de palma ligados a crimes ambientais e destruição da floresta tropical na Indonésia.

    Pelas redes sociais a P&G está tentando responder alguns consumidores que passaram a questionar as ‘relações perigosas’. O discurso já virou mantra até nas respostas (quase) automáticas: linhas muito parecidas com as obtidas pelo próprio Greenpeace em oito meses de insistentes contatos e alertas sobre as evidências de práticas criminosas por fornecedores da empresa.

    Clique aqui para ler na íntegra uma das cartas enviadas, inclusive para a sede do Brasil.

    Citaram que foram estabelecidas metas para comprar apenas de fontes seguras até 2015, tendo como principal meio a sua participação na Mesa Redonda do óleo de palma sustentável  (Roundtable for sustainable Palm Oil – RSPO, em inglês), apoiando e confiando nos critérios estabelecidos por essa certificação.

    Acontece que o RSPO, associação certificadora formada por 40% dos produtores de óleo de palma do mundo além de traders, indústrias, entidades ambientais e demais interessados tem falhas graves, que estão aparecendo especialmente nos anos recentes.

    “Apenas 10 % do óleo de palma que a P&G compra é certificado pela RSPO, e mesmo que eles consigam aumentar para 100% no ano que vem, não seria o suficiente para garantir que o desmatamento não faça parte da sua cadeia produtiva”, lembra Areeba Hamid, da campanha de florestas do Greenpeace Internacional.

    Clique aqui para ler o relatório completo da investigação sobre a cadeia de abastecimento e fornecedores da P&G.

    “A P&G precisa parar de usar o certificado como se fosse uma garantia eterna de sustentabilidade”, alerta.

    Floresta de trufeiras derrubada para início de processo de drenagem e cultivo do óleo de palma na Indonésia. (© Ulet Ifansasti / Greenpeace)

     

    Relatório do Greenpeace datado de setembro do ano passado e chamado de ‘Certificando a destruição’ mostra a fragilidade dos critérios adotados até hoje, com mapeamento e monitoramento que registraram aumento dramático de áreas desmatadas dentro de propriedades certificadas, por exemplo.

    Clique aqui para acessar o relatório Certifying the destruction (em inglês)

    A Associação RSPO tentou rever seus princípios e critérios, mas falhou em questões cruciais de desmatamento e emissões perdendo muito da credibilidade junto aos consumidores e próprios associados. Hoje, a empresa que deseja realmente se livrar do desmatamento precisa ir além do selo.

    Portanto, é hora de mudar o discurso. De traçar metas mais ambiciosas e atender ao pedido de milhares de consumidores pelo mundo.

    Peça para a P&G eliminar de uma vez por todas o desmatamento do Head & Shoulders e de todos os outros produtos do seu dia a dia. Leia mais >

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