Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Deputados e MPF pedem retirada de xisto

    Postado por Marina Yamaoka - 27 - nov - 2013 às 17:47

    Gasodutos na Pensilvânia, nos Estados Unidos, construídos para a exploração de gás de xisto (©Les Stone/Greenpeace)

     

    A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados aprovou hoje, por unanimidade, requerimento que pede que a ANP (Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural) exclua o gás de xisto da consulta pública que será realizada nos próximos dois dias.

    Serão leiloados 240 blocos com potencial exploratório de petróleo e gás natural. O edital da 12a Rodada de Concessão prevê o exercício das atividades de exploração convencionais que também podem evoluir para produção de recursos não convencionais, também conhecidos no Brasil como gás de xisto.

    Trata-se de um gás natural encontrado em formações de folhelho – xisto - e que para ser extraído precisa que as rochas sejam fraturadas. O processo utiliza mais de 600 produtos químicos, areia e outros elementos pouco testados – como bário e arsênio. Além de precisar de uso intensivo de água cujo destino final, após ter entrado em contato com os químicos, ainda é desconhecido.

    A Comissão pediu uma moratória de cinco anos devido aos riscos que essa técnica apresenta ao meio ambiente e para que, dessa forma, os impactos socioambientais possas ser estudados. Segundo o deputado Sarney Filho, o gás de xisto reconhecidamente produz poluição nos aquíferos e fazer um leilão sem que se tenha noção dos estudos realizados é perigoso. 

    O Ministério Público Federal também manifestou suas preocupações à ANP. Em parecer técnico afirmou que existem áreas a serem licitadas que atravessam reservas indígenas, áreas próximas à mananciais de água e reservas florestais. O MPF ressaltou a necessidade de que seja feita uma Avaliação Ambiental Estratégica para que sejam esclarecidos os riscos e impactos ambientais relacionados à exploração de gás de xisto.

    Diante de tantas dúvidas a maior e que permanece é: diante de tantos pedidos para que a exploração de gás de xisto seja, ao menos, adiada no país, o que será que a ANP fará?  Leia mais >

  • Disputa pela pior atuação socioambiental

    Postado por Marina Yamaoka - 26 - nov - 2013 às 15:53

     

    Começa hoje a votação online para a escolha da empresa com a pior atuação socioambiental de 2014. O Public Eye Award é o prêmio anual tradicionalmente anunciado no Fórum Econômico Mundial, no qual são entregues dois prêmios às corporações com os piores desempenhos: um escolhido por um júri e outro por voto popular no mundo todo.

    O prêmio que existe desde 1999 é uma chance de criticar práticas irresponsáveis como violações de direitos humanos e trabalhistas, destruição do meio ambiente ou corrupção. Trata-se de um lembrete ao mundo corporativo de que suas práticas afetam pessoas, meio ambiente e também a reputação da empresa.

    Entre os dez finalistas que disputam o troféu pelos casos mais graves do planeta está a petroleira russa Gazprom, a FIFA, HSBC, Eskom e Gap. Se você quer saber os motivos pelos quais estas empresas foram indicadas, conhecer o júri do prêmio, e votar, clique aqui. Leia mais >

  • Dia de reencontro

    Postado por Bernardo Camara - 25 - nov - 2013 às 6:51

    Ana com a sobrinha e a mãe, no aeroporto de São Petersburgo. Foto: Greenpeace/Dmitri Sharomov

     

    Foram 13 mil quilômetros percorridos e quase 24 horas dentro de um avião. Rosangela Maciel, mãe da ativista brasileira Ana Paula, deixou Porto Alegre neste sábado, rumo a São Petersburgo, na Rússia. Chegou no fim da tarde de um domingo frio e chuvoso, pra um abraço que já esperava por dois meses – o tempo que a filha ficou presa após um protesto pacífico contra a exploração de petróleo no Ártico.

    No reencontro, nada de bronca de mãe. “É a minha mesma menina de sempre: forte, guerreira e que me dá muito orgulho”, disse dona Rosangela, que foi acompanhada de Alessandra Maciel, 18 anos, sobrinha da ativista. Em seus primeiros dias longe das minúsculas celas, Ana tem aproveitado para finalmente caminhar ao ar livre. E no lugar do rosto apreensivo que se via quando ela estava trás das grades, agora ela é só sorrisos.

    Nos próximos dias, a ativista vai aproveitar o tempo ao lado da família. Apesar de já estar com o passaporte em mãos, ela ainda não tem autorização para deixar o país.  Mesmo com os contratempos, Ana faz questão de ressaltar que não tem nada do que se arrepender. Pelo contrário. “Me sinto honrada de ter feito parte de tudo isso. Embora tenham sido os dois meses mais difíceis da minha vida, eu sei que não foram em vão”. Leia mais >

  • Clube do Carbono

    Postado por Marina Yamaoka - 22 - nov - 2013 às 11:53 1 comentário

    As dez maiores empresas responsáveis pelas mudanças climáticas e o quanto emitiram desde 1964.

     

    Enquanto a COP-19 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) chega ao fim em Varsóvia e não se vê compromisso por parte dos países para que se definam metas ambiciosas que possam mitigar as mudanças climáticas, o jornal Climatic Change publicou a pesquisa “Rastreando as emissões de CO2 e de metano dos produtores de cimento e dos combustíveis fósseis (1854-2010)”. (clique aqui para ler em inglês)

    O cientista Richard Heede pesquisou a acumulação histórica das emissões de carbono dos 90 maiores emissores, entre eles empresas multinacionais e estatais de petróleo, carvão, gás natural e cimento. Ele descobriu que o principal responsável pelas mudanças climáticas não são as atuais emissões, mas o que foi acumulado desde a Revolução Industrial. 

    Desde 1864, as 90 empresas emitiram 914 bilhões de toneladas de CO2 e de metano, o equivalente a 63% das emissões industriais em todo o mundo. Apesar de ter se industrializado muito mais recentemente que os países europeus, o Brasil figura na lista. A estatal Petrobras aparece entre os 30 maiores vilões do clima sendo responsável por 6 Gton (gigatoneladas) de emissões.

    As empresas de óleo e gás são o grupo que mais emitiram sendo responsáveis por nada menos que 77,5% de todas as emissões acumuladas e formam um verdadeiro “Clube do Carbono”. Além dessa notícia ruim, há uma ainda pior: como se não bastassem todas as emissões acumuladas historicamente, as grandes petrolíferas são ambiciosas e pretendem perfurar em fronteiras inóspitas.

    É o caso da anglo-holandesa Shell e da russa Gazprom que juntas já emitiram 4% do total global. Ambas pretendem explorar petróleo no frágil ecossistema Ártico mesmo que não possuam tecnologia para isso e sabendo que se houver um acidente na região, as consequências podem ser irreversíveis. Foi para proteger o Ártico que 28 ativistas e 2 jornalistas foram presos na Rússia após protesto pacífico em plataforma da Gazprom.

    Desde de 18 de setembro, eles foram detidos pela guarda costeira russa e estão sendo acusados de pirataria e de vandalismo. Esta semana Colin Russell teve sua prisão estendida por mais três meses e 29 foram liberados após pagamento de fiança. “Eles aguardam os julgamentos em liberdade, mas ainda precisamos que as acusações sejam retiradas”, afirmou Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace Internacional.

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  • 1 milhão de likes, 1 milhão de histórias

    Postado por Juliana Costa - 21 - nov - 2013 às 7:45 1 comentário

    Muito obrigado! Hoje, completamos 1 milhão de likes em nossa página do Facebook e cada um deles fez e faz parte da história do Greenpeace Brasil.

     

    Você assistiu alguns dos momentos marcantes de nossa história. O protesto pacífico realizado no Cristo Redentor, em 2006, foi feito para chamar a atenção dos governos para a alarmante perda de biodiversidade do planeta e os riscos para a segurança ambiental representada pelos transgênicos.

    A vinda do navio Rainbow Warrior ao Brasil foi um marco importante, pois foi em 2012 que lançamos a campanha pelo Desmatamento Zero, uma campanha de grande importância para a preservação das florestas brasileiras. O navio percorreu de Norte a Sudeste do Brasil, participou da Conferência em Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, a Rio+20, divulgando nossas campanhas e expondo crimes ambientais.

    Mais recentemente tivemos um projeto chamado Juventude Solar, no Rio de Janeiro, que trouxe energia solar ao Centro Comunitário Lídia dos Santos. Jovens foram treinados para instalar os painéis solares e aprenderam sobre energias renováveis e eficiência energética.

    Ainda em 2013, começamos a trabalhar com o tema da mobilidade urbana. Em abril, lançamos o #Cadê?, campanha que visa auxiliar no planejamento da mobilidade urbana das cidades brasileiras e que acompanha a elaboração do Plano de Mobilidade Urbana das capitais.

    Por mais distante que o Ártico possa parecer do Brasil, trabalhamos para evitar a exploração de petróleo neste frágil ecossistema, responsável pela regulação do clima no mundo. Foi tentando proteger o Ártico e o clima mundial que os tripulantes do navio Arctic Sunrise foram presos e injustamente acusados de pirataria e vandalismo. No momento mais de 2 milhões de pessoas já enviaram e-mails às embaixadas russa ao redor mundo pedindo a libertação deles.

    E a nossa história continua. Graças a você que nos apoiou e que continua ao nosso lado. Queremos que cada vez mais você faça parte do nosso trabalho, se você já nos apoia, torne-se um colaborador do Greenpeace. Somos uma organização independente, que não aceita dinheiro de empresas e de partidos políticos, ajude-nos a continuar nosso trabalho. Leia mais >

  • Governo exalta Código Florestal na COP-19

    Postado por Nathália Clark - 20 - nov - 2013 às 14:25

    Em evento paralelo realizado durante a COP-19, em Varsóvia, Ministério do Meio Ambiente anuncia nova plataforma de monitoramento de emissões de gases-estufa.

    A segunda semana das negociações climáticas inicia em falta. Falta de esperança, falta de ambição, falta de dinheiro e de autoridades – em todos os sentidos. A presença dos ministros de estado tem sido parca. A ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, chegou na noite de ontem e já vai embora nesta quarta-feira (20). Mas sua presença não passou em branco. Em evento paralelo à COP-19, ela exaltou o novo Código Florestal brasileiro, que trouxe instrumentos de controle como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), mas que nem sequer saiu do papel.

    “É impossível negar que o Brasil tem uma postura estratégica no cenário geopolítico internacional, que une produção e proteção florestal. Queremos proteger, mas precisamos entender quais as demandas sociais e econômicas da nossa sociedade, que se encontra em pleno crescimento. É importante ter os números, os diferentes panoramas e ter os diferentes atores mobilizados.”

    Ignorando o motivo que a fez voltar mais cedo para casa – o aumento de quase 30% nos dados recentes de desmatamento na Amazônia Legal, apresentados na última semana –, a ministra disse ainda que o novo Código “está agora sendo plenamente adotado por produtores em todo o Brasil”. “É preciso ter licença para desmatar e os projetos precisam estar de acordo com a legislação.”

    “A ‘licença para desmatar’ foi dada quando o novo Código foi aprovado. Vemos aqui o governo promover um mundo de fantasia, que não coincide com a realidade. Eles elogiam uma legislação que anistiou desmatadores e abriu precedentes para mais desmatamento, que ainda é uma das principais causa de emissões de gases-estufa em todo o mundo. Além disso, eles mencionam o CAR, que deveria mostrar quem está desmatando e onde, mas até agora não foi implementado, portanto não funciona na prática”, frisou Renata Camargo, coordenadora de Políticas Públicas do Greenpeace.

    Deliberadamente optando por um modelo de desenvolvimento que quer o crescimento econômico a todo custo, baseado na expansão da fronteira agrícola, em grandes projetos de infraestrutura na Amazônia, que passam por cima da floresta e de suas comunidades tradicionais, o Brasil não segue o papel de líder ambiental que se espera de um país com sua magnitude e relevância internacional.

    “Para aparecer bem internacionalmente, o governo finge ignorar as mais de 400 propostas de lei que tentam retirar ainda mais a proteção florestal de áreas protegidas, como Terras Indígenas e Unidades de Conservação. Seguindo a aprovação do novo Código, a bancada ruralista ganhou força e vem tentando moldar a legislação brasileira segundo seus próprios interesses econômicos. Nesse contexto, o desmatamento está longe de ser o único problema. Agregado a ele vêm os conflitos fundiários, a violência no campo e o trabalho escravo”, lembrou Renata Camargo.

    A conversão de áreas para agropecuária, que tem se mostrado o setor que mais tem emitido gases-estufa no Brasil, tampouco são feitas apropriadamente. Áreas abertas para pasto não são recuperadas, mas apenas abandonadas. Estudos científicos já mostraram que, com a quantidade de áreas abertas que temos na Amazônia, podemos dobrar nossa produção sem derrubar mais um hectare de floresta.

    Monitorando as emissões nacionais

    No evento, o governo também apresentou um novo sistema de monitoramento de emissões que deve abarcar todos os setores da economia. Carlos Klink, secretário de mudanças climáticas do MMA, presente na mesa, ressantou que o novo Código abarca todas as mais de 5 milhões de propriedades rurais no país, e que esse novo sistema deveria fazer o mesmo.

    “Temos o desafio de trazer essa nova ferramenta como algo que capte toda essa dimensão rural do Brasil, e ela deverá estar ligada ao CAR. Estamos investindo um grande montante de dinheiro em sistemas de monitoramento para todo o país, em conformidade com o Código Florestal, a fim de combinar produção e proteção floestal”, defendeu. Leia mais >

  • Marcha pelo clima toma as ruas de Varsóvia

    Postado por Nathália Clark - 16 - nov - 2013 às 17:53

    Marcha do Clima em Varsóvia, Polônia, traz imagens dos ativistas presos na Rússia (©Greenpeace/Bogusz Bilewski).

     

    Cerca de 3 mil pessoas se reuniram neste sábado em Varsóvia para a Marcha pela Justiça Climática. Poloneses e estrangeiros que estão na cidade para acompanhar as negociações da 19a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-19) enfrentaram o frio de menos de 5 graus Celsius e percorreram cerca de 4km nas ruas da capital pedindo ações mais urgentes e efetivas para evitar os efeitos das mudanças climáticas.

    Erguendo cartazes com frases como “Sua decisão, nosso futuro” e “O tempo acabou”, a manifestação teve início a partir do Palácio da Cultura e da Ciência e seguiu até o Estádio Nacional, onde ocorre a conferência.

    Ativistas do Greenpeace também se juntaram à passeata, como parte do dia de ação global pela libertação dos 28 ativistas e dois jornalistas presos há quase dois meses na Rússia. Eles enfrentam acusações graves de vandalismo e pirataria, após protestarem pacificamente contra a exploração de petróleo no Ártico.

    O ato em solidariedade aos ativistas tomou as ruas de 265 cidades de 45 países do mundo neste sábado. No Brasil, a atividade aconteceu em Porto Alegre, cidade natal da ativista brasileira Ana Paula Maciel, também detida.

     

     

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  • ‘Desmatamento não afetará negociações'

    Postado por Nathália Clark - 15 - nov - 2013 às 15:04 3 comentários

     

    Na primeira coletiva de imprensa em Varsóvia (Polônia) após o anúncio do novo aumento no desmatamento da Amazônia, o embaixador José Antônio Marcondes de Carvalho, chefe da delegação do Brasil na COP-19, reforçou a mensagem passada ontem pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Segundo ele, os dados são de fato alarmantes, mas não afetarão as negociações climáticas, já que foi um compromisso assumido voluntariamente pelo governo brasileiro.

    “É inegavel que [o desmatamento] é um assunto preocupante, mas ainda é o segundo menor índice histórico registrado, desde que as medições tiveram início, em 1988. O país tem feito qualquer ação possível para reverter o desmatamento na Amazônia. E esse é não apenas o segndo menor número, mas ainda é também 78% abaixo da meta que nos comprometemos a alcançar”, afirmou.

    Nesta semana, a revista Science divulgou um estudo que mostra que, em 12 anos, o planeta perdeu 2,3 milhões de quilômetros quadrados de floresta. Em termos comparativos, isso representa uma perda florestal de uma área do tamanho da Argentina. 

    A análise também mostra que o Brasil mostrou o maior declínio no período. Por outro lado, a Indonésia foi o país que mais derrubou floresta, dobrando o desmatamento, que passou de 10 mil para 20 mil quilômetros quadrados em uma década.

    Entretanto, o Brasil já tem começado a ver esse bom resultado ser revertido. “Com o novo Código Florestal, não se sabe se essa tendência se manterá”, disse Peter Potapov, professor associado da Universidade de Maryland e um dos autores do estudo. “Mudanças no marco legal poderão reverter os mais de 10 anos de resultados positivos”, alertou. O aumento de quase 30% em apenas um ano é outro sinal claro dado pela nova legislação.  Leia mais >

  • Cegueira, fome e privação na COP-19

    Postado por Nathália Clark - 14 - nov - 2013 às 12:26

    Delegação jovem em manifestação durante a COP-19, em Varsóvia (Foto: Push Europe).

     

    Apesar de ter coisas muita mais importantes para se ocupar, como trazer decisões definitivas para conter as mudanças climáticas e seus impactos devastadores, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) parece estar mais preocupada em preservar a sua própria reputação. Acontece que se os países membros continuarem cegos à necessidade urgente de tomar ações concretas para frear o aquecimento global, a convenção não vai conseguir salvar a sua imagem.

    As palavras de Yeb Saño, negociador-chefe das Filipinas, na plenária de abertura da COP-19, tocaram o coração de muitas pessoas no centro de conferência em Varsóvia (Polônia). Ele reavivou a lembrança de que as cerca de 10 mil mortes causadas pelo tufão Haiyan, que devastou seu país nos últimos dias, foram resultado de 20 anos de inação dos homens e mulheres ali presentes.

    Veja aqui o vídeo do discurso de Yeb Saño (em inglês).

    Após a fala comovente, o presidente da mesa pediu um minuto de silêncio para demonstrar luto pelos afetados na tragédia. Do fundo da sala, membros da sociedade civil gritavam “Nós estamos com você”. Na saída, um grupo de jovens levantou cartazes de apoio. Entre as mensagens, a pergunta: “Quantas vidas mais?”. A faixa, entretanto, não possuía autorização e por isso os três jovens que a seguravam foram banidos da COP.

    Saño está em greve de fome desde o primeiro dia da conferência, e deve permanecer até que alguma ação efetiva seja tomada. Cerca de cem membros da sociedade civil já se juntaram a ele no jejum, em solidariedade ao povo filipino.

    A secretaria-executiva da UNFCCC, Christiana Figueres, foi cobrada pelos demais jovens presentes sobre a expulsão dos companheiros. “Nós estamos do lado de vocês, mas vocês sabiam as regras e as quebraram por vontade própria”, disse ela. O protesto, no entanto, não foi uma ação premeditada, mas uma resposta rápida de apoio. “Durante a COP-18, em Doha, ela nos incitou a agir e não nos calar. Estamos apenas seguindo seu conselho”, afirmou um dos jovens.

    Uns são expulsos definitivamente das negociações, outros, como os 28 ativistas do Greenpeace e dois jornalistas, seguem presos há cerca de dois meses pelo mesmo motivo. Atos como esses colocam em risco conquistas preciosas das sociedades democráticas, como o direito à livre expressão, à manifestação e ao protesto pacífico.

    Enquanto ativistas são privados de demonstrar sua indignação, os governos mostram sua cegueira diante dos esforços desses cidadãos e das ameaças reais da mudança do clima, que batem à porta de todo o mundo todos os dias.

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  • "A não-violência é parte do trabalho deles”

    Postado por Alan Azevedo - 14 - nov - 2013 às 12:02 5 comentários

    Paul McCartney em show no Rio de Janeiro, durante a turnê "Up and Coming". (© MPL Communications Ltd / MJ Kim)

     

    O ex-Beatle Paul McCartney publicou hoje carta que trocou com Vladimir Putin pedindo a libertação dos vinte oito ativistas do Greenpeace e dois jornalistas freelancers presos desde 18 de setembro na Rússia após protesto pacífico contra a exploração de petróleo no Ártico.

    Em sua carta, Paul faz um apelo para que os presos possam voltar a ver suas famílias: “Há quarenta e cinco anos escrevi uma música sobre a Rússia para o Álbum Branco (‘White Album’), numa época em que os ingleses não se inclinavam tanto a elogiar seu país. Essa música tinha uma das passagens mais bonitas dos Beatles: ‘Been away so long I hardly knew the place, gee it’s good to be back home’ (ou ‘Estive longe por tanto tempo que mal reconhecia onde estava, nossa é bom estar de volta em casa’, em tradução livre). Você poderia realizar isso para os prisioneiros do Greenpeace?”.

    Essa manhã, Paul postou no Twitter: “…O Embaixador Russo gentilmente respondeu que a situação dos presos ‘não está corretamente retratada pela mídia’…”. Então Paul escreveu: “Seria ótimo se esse mal-entendido pudesse ser resolvido e os ativistas pudessem ir para casa com suas famílias para o Natal. Vivemos na Esperança, Paul McCartney”.

    O ex-Beatle é muito popular na Rússia – e com Vladimir Putin também. Em 2003 ele se apresentou para mais de 100 mil pessoas incluindo o presidente na Praça Vermelha, em Moscou. Antes do show, Paul foi levado a um tour pessoal com o presidente no Kremlin, e ouviu dele: “Você é amado aqui [na Rússia]”.

    O tratamento é dado, inclusive, pelo primeiro nome: “Vladimir, milhões de pessoas de diversos países seriam enormemente gratos se você intervisse para trazer um fim à essa questão. Eu entendo, é claro, que a Justiça russa é separada da esfera presidencial. Mesmo assim, pergunto-me se você não poderia exercer sua influência para reunir os detentos com suas famílias?”

    A carta foi escrita dia 14 de outubro, e Paul decidiu liberá-la um mês depois, alegando que escrevia para assegurar que o Greenpeace certamente não é uma organização anti-Rússia. “E, acima de tudo, eles são pacíficos. Na minha experiência, não-violência é parte essencial do trabalho deles”, afirma Paul McCartney. Leia mais >

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