Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • A descoberta de um paredão misterioso

    Postado por Thaís Herrero - 14 - fev - 2017 às 18:20

    Durante nossa Expedição para ver os corais da Amazônia, encontramos uma formação geológica inesperada que surpreendeu os cientistas e mostra o quão pouco sabemos sobre a região

    Caterina Torresani, tripulante do Esperanza, opera a câmera submarina para observar o fundo do mar. (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace)

    A expedição do Espenraza no Brasil guardou uma surpresa para o final: uma descoberta geológica que muda tudo o que sabemos sobre a região da costa norte do Brasil.

    Os mapas que mostram a geologia do fundo do mar onde estão os recifes de corais da Amazônia são superficiais e sem detalhes. Falam basicamente sobre fundos arenosos, fundos lamosos e fundos com fragmentos de corais e algas calcárias. Mas vimos aqui muitos fundos com rocha, o que não era esperado.

    Veja as primeiras imagens dos Corais da Amazônia de baixo d'água

    Em nossa expedição, a bordo do Esperanza, temos as coordenadas geográficas de onde estão os recifes de corais e é por elas que nos guiamos. E há um aparelho muito importante: um sonar, que percebe por meio de ondas a estrutura do fundo do mar. É por ele que sabemos a profundidade e se estamos em cima de áreas mais planas ou mais montanhosas.


    Esse sonar nos indicou uma estrutura totalmente inesperada: no penúltimo dia de nossa expedição, na região sul dos recifes, nos demos conta de que estávamos em cima de um grande paredão rochoso com cerca de 70 metros de altura e 10 quilômetros de comprimento. “Apelidamos o paredão de Falha do Joel, uma homenagem ao capitão. Foi ele quem mapeou o paredão em nossa viagem”, conta Nils Asp, docente da Universidade Federal do Pará.

    Vimos o paredão apenas com uma câmera submersa, mas ao que tudo indica, ele é feito de rocha ígnea e maciça, provavelmente granito. E no topo dele havia alguns corais. “Se comprovarmos que é realmente granito, vai ser algo bem importante. Não existe nenhum relato desse tipo de rocha numa área de 50 mil quilômetros quadrados aqui na plataforma em que estamos”, diz Nils.

    Equipe a bordo do Esperanza opera imagens da câmera submarina, que mostra imagens do fundo do mar em tempo real. (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace) Leia mais >

     A descoberta também se conecta à própria existência dos recifes da Amazônia. “Esses pontos rochosos podem ter colaborado para que os recifes existissem aqui”, diz Nils. 

    Segundo Nils, se temos rocha, a topografia da bacia aqui da foz do Amazonas é diferente do que se imaginava – e mais complexa. E mostra que sabemos pouco sobre a região e precisamos conhecê-la melhor. “Isso pode ter implicações grandes até mesmo para a ecologia ou para a geologia do petróleo. Dá indícios sobre como essa região se formou e pode impactar nos planos da empresas petrolíferas que querem explorar a região”, ele afirma.

    Agora sabemos que a região dos recifes da Foz do Rio Amazonas é mais complexa do que imaginávamos. E, por isso, mais do que nunca juntamos forças para nossa campanha Defenda os Corais da Amazônia crescer. E, assim, evitar que empresas explorem a região.

    Thaís Herrero é jornalista, do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza.

  • Diário de bordo: golfinhos voltam para a despedida

    Postado por Juliana Costta - 14 - fev - 2017 às 11:00

    Não temos imagens dos golfinhos que nadaram com a gente de noite, mas temos esses que nos visitaram durante o dia. (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace)

    Chegando ao fim da nossa expedição a bordo do Esperanza, nosso coração ficou bem apertado. Foram mais de 20 dias no navio, 480 horas convivendo juntos. Muitas manhãs começando entre 4h30 e 7h30 para que acompanhássemos os mergulhos de submarino, ou a câmera submersa que ia ao mar, ou para apenas conversar e conhecer mais sobre os recifes de corais com os cientistas. Com todo esse trabalho desenvolvemos amizades, criamos vínculos e vivemos situações que serão boas memórias para toda a vida. A nossa última noite foi só mais uma delas.

    Alguns momentos que sentiremos falta são simples: trabalhar no lounge (a nossa sala de estar) ouvindo as piadas dos bem humorados pilotos do submarino e cientistas. Ou andar pelo navio e encontrar o Eric sorrindo e perguntando “Como está seu dia, querida?”. Sentiremos falta de quando tentávamos nos equilibrar no balançar do navio e todo mundo se olhava com cumplicidade, no maior estilo “tá difícil aqui também”. Esses pequenos momentos fazem a gente até esquecer do cansaço e deixam o dia mais leve.

    Ondas no mar ao nosso redor, no meio do Atlântico (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace)

    E bem na nossa última noite a bordo, tivemos feliz coincidência. Depois do show dos golfinhos dos nossos primeiros dias, nossos companheiros do mar vieram dizer adeus.

    Já passava das 20h e conversávamos na parte externa do navio, aproveitando a noite iluminada pela lua. Ouvimos gritos “Golfinhos na proa! Noctilucas na proa!” e lá saímos correndo para vê-los. (Mais sobre os noctilucas nesse blog aqui)

    Era uma cena incrível. Os golfinhos muitos e eram todos pequenos. Ao redor deles, víamos brilhos verdes, como vaga-lumes. Infelizmente, nossas câmeras não conseguiram registrá-los. Ficaram apenas na memória. Atônitos, entendemos que era um presente de despedida que o mar, talvez Iemanjá, Netuno ou Poseidon nos davam por estarmos ali com a campanha Defenda os Corais da Amazônia.

    Pôr do sol com chuva na região dos corais da Amazônia (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace)

    Afinal, aquele mar por onde tanto navegamos tem mais do que golfinhos saltitantes. Ali há muita beleza e mistérios, vidas marinhas preciosas que ainda não conhecemos tão bem. São corais, esponjas, rodolitos, arraias, peixes, caranguejos entre tantos e tantos outros seres que vimos e registramos. E tudo ali merece nossa atenção e nossa defesa.

    Se demorarmos muito para agir, empresas petrolíferas começarão a explorar a região em busca de petróleo. Um derramamento ali poderia ser desastroso e ameaçaria todas essas belezas que vimos a bordo do Esperanza. E é por isso que daqui do navio estamos mostrando ao mundo o que vemos. Esperamos que, mesmo quem não esteve com a gente, tenha se emocionado e embarcado nessa aventura. 

    Daqui a pouco o navio Esperanza deixa o Brasil, e nós continuamos em busca de mais defensores dos corais da Amazônia por todo o mundo.

    ASSINE A PETIÇÃO

    Juliana Costta é Social Media do Greenpeace e está a bordo do Esperanza, pelo menos por enquanto. Leia mais >

  • Histórias de vida que movem os navios do Greenpeace

    Postado por rgerhard - 10 - fev - 2017 às 16:05

    Conheça e se inspire em alguns dos personagens que alimentam suas vidas de propósito ao navegar pelo mundo em prol das mais diferentes causas pelo planeta, como a defesa dos Corais da Amazônia

    Passar 24 horas por dia durante semanas em um navio com várias pessoas significa que você realmente conhece um ao outro. Além dos cientistas visitantes e da equipe de campanha do Greenpeace que estão a bordo pela expedição em busca dos Corais da Amazônia, a tripulação do navio é composta por 19 pessoas. É um pessoal abnegado, que passa três meses navegando, e 3 meses em terra, alternando seus trabalhos entre os três navios do Greenpeace. E eles são de todos os cantos do mundo, e com diferentes realidades de vida. Conheça algumas das suas incríveis histórias:

    O marinheiro Bala, das Ilhas Salomão.

     Bala, marinheiro, das Ilhas Salomão

    Bala começou a trabalhar como voluntário do Greenpeace nas Ilhas Salomão em 2007, lutando contra projetos ilegais de exploração madeireira por lá. Um dia, o Esperanza veio a sua cidade e a única coisa que sabia era que tinha que se envolver com o trabalho no navio de alguma forma.

    Se ofereceu para trabalhar a bordo e as 3 semanas se transformaram em 3 meses. O resto é história. Agora ele é um marinheiro experiente, tendo trabalhado como contramestre em algumas expedições. O contramestre é o encarregado de gerenciar todos os marinheiros no convés e manter as coisas em ordem.

    Bala adora estar no navio, que chama de casa. Seus colegas de tripulação são a sua família. Quando não está em alguma tarefa, ele pode ser encontrado facilmente na sala-de-estar, seja jogando dardos ou conversando com um dos membros da equipe de campanha em um canto. Ele adora ouvir as histórias das pessoas. E também é um apaixonado pelo trabalho que Greenpeace e seus navios podem fazer. Tendo crescido perto da floresta, e sendo esta expedição atual na Amazônia, ele sente uma conexão real e o desejo de proteger esta área.

    Infelizmente, em seu lar nas Ilhas Salomão, sua comunidade já está sentindo os efeitos da mudança climática e do aumento do nível do mar. Quando ele vai para casa, gosta de compartilhar o que aprendeu em suas viagens com as campanhas do Greenpeace para mostrar que há pessoas trabalhando para proteger o meio ambiente.

    Uma das atribuições da oficial Kei Jie é auxiliar na rota do navio

     Kai Jie, de Taiwan, terceiro-oficial

    Kai Jie sempre teve uma paixão pelos oceanos. Estudou Biologia Marinha na universidade, onde tomou consciência do Greenpeace. Mas mesmo como cientista marinha, você não passa muito tempo no mar.  Muito trabalho é feito em laboratórios. Então, quando em 2012 ela teve a oportunidade de estar a bordo do Esperanza como assistente de cozinha por duas semanas, percebeu que estar no mar era o que realmente queria fazer da sua vida.

    Depois de se formar, Kai Jie se matriculou na Escola Naval para se capacitar como oficial. Ela ganhou alguma experiência no mar em dois anos atuando em navios comerciais antes de finalmente retornar ao Greenpeace. Ela diz que não é muito boa em engajar as pessoas cara a cara, então, trabalhar nos navios é uma maneira de fazer sua contribuição para proteger os oceanos.

    Esta viagem é realmente seu primeiro contrato como 3o oficial. E que viagem de estreia! Como uma ex-cientista marinha, estar em uma expedição explorando um recife de coral nunca documentado antes é algo verdadeiramente especial. "Todos os meus amigos da universidade estão realmente com ciúmes por eu ver este lugar único em primeira mão", diz ela, com orgulho.

    Kim Yeonsik é o segundo-oficial no Esperanza

     Kim Yeonsik, da Coreia do Sul, segundo-oficial

    Kim está em uma busca de encontrar a verdadeira felicidade. Tendo passado a sua jovem vida sonhando em se tornar um jornalista, ele o fez realidade apenas para descobrir que gostava mais da ideia de ser jornalista do que realmente ser um. Interrompeu o trabalho de jornalista após três anos e começou sua busca por um outro propósito novamente.

    Percebeu que realmente queria era era viajar pelo mundo – então, entrou para a Escola Naval e se tornou um marinheiro. Logo, conseguiu um emprego em um navio de carga. Em pouco mais de 5 anos, Kim visitou 36 países e mais de 48 portos. Suas viagens o inspiraram a escrever um livro sobre as experiências que vivenciou. Após publicá-lo, ele se tornou uma celebridade na Coréia do Sul, sendo convidado para programas de TV para falar sobre as histórias do livro. Ele chegou a pensar que isso era o que sempre quis. Mas Kim ainda não estava satisfeito. "Isso foi apenas felicidade a curto prazo, eu precisava de algo mais sustentável."

    Foi assim que ele encontrou o Greenpeace: em um trabalho para atuar em navios para uma organização cuja causa ele realmente acreditava e ainda viajaria pelo mundo. No ano passado, Kim rumou para o Ártico a bordo de outro navio da organização, o Ártico Sunrise. Ele conta que, ironicamente, aprendeu a navegar por grandes icebergs, mas não viu um único sequer quando estava lá.  Constatou, pessoalmente, que eles estão desaparecendo devido às mudanças climáticas.

    Entre várias atribuições, Chirs também pilota os botes do Esperanza.

     Christine, marinheira de convés, da Alemanha

    Christine pode sempre ser encontrada com um sorriso enorme no rosto. Seu riso contagiante levanta o espírito mais mareado dos passageiros.

    Ela trabalha com o Greenpeace desde 2003, inicialmente fazendo a logística de operações do Greenpeace Alemanha. Era seu sonho de ter uma chance de trabalhar em um dos navios, embora tenha se aplicado para isso várias vezes, sem sucesso.

    Nunca ocasião, quando cobria a posição de uma pessoa fazendo logística para o Greenpeace em San Francisco, nos EUA, o Rainbow Warrior, outro navio da organização, veio para a cidade. Durante a sua estadia, Christine conheceu o capitão, que a convidou para se juntar à tripulação durante o deslocamento para San Diego, por 2 semanas.

    Seu trabalho lá não era dos mais glamorosos: limpar o freezer de estocagem de lixo. Em certo momento, esfregando um canto da leixeira enquanto ondas fortes atingiam o casco do navio, ela se pegou rindo da situação. “Pensei comigo mesma que se podia me divertir mesmo estando até os cotovelos na sujeira, então era porque este era o modo de vida a qual eu estava destinada a ter”, conta.

    Depois de alguns trabalhos mais estranhos em outros navios, ela novamente se candidatou e conseguiu finalmente um contrato de 3 meses navegando com o Greenpeace. Primeiro para a África Ocidental e depois para o Ártico. Ela se sente feliz por fazer parte dessas incríveis viagens. "Eu não gostaria de estar em outro lugar," diz, sempre sorrindo. Leia mais >

  • Colocando mais gasolina na motosserra

    Postado por Marcio Astrini - 10 - fev - 2017 às 14:58

    Desmatamento no Pará (© Daniel Beltrá / Greenpeace) Leia mais >

    No final do ano passado, a Amazônia estampou os jornais do país e do mundo com uma infeliz manchete: desmatamento aumenta 29%.  Pior, essa triste notícia não vinha sozinha. Nos últimos quatro anos, é a terceira vez que o desmatamento aumenta na região. A pergunta que fica é “o que fazer, então?”.

    A resposta parece óbvia: aumentar a fiscalização e a proteção nas florestas. Mas parece que não é bem assim que pensam alguns dos ministros do governo Temer. Nesta semana, trancado em uma sala refrigerada em Brasília, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB/RS), tramava junto aos ruralistas do estado do Amazonas uma maneira de diminuir Áreas Protegidas recentemente demarcadas, fazendo assim a alegria dos grileiros de terras da região, e ligando o modo “dane-se” para a floresta. Detalhe, a negociata toda se dava sem nem mesmo um aviso ao Ministério do Meio Ambiente.

    Como se não bastasse, há alguns dias o Conselho de Defesa Nacional pediu a retirada de um processo que havia sido enviado à ONU para reconhecer o Parque Nacional da Serra do Divisor, na fronteira do Acre com o Peru, como patrimônio natural da humanidade junto à Unesco. A vantagem desse tipo de reconhecimento é o aumento na proteção do parque e a possibilidade de atrair investimentos em turismo sustentável, por exemplo.

    Leia mais em matéria do jornal “O Estado de São Paulo”

    Assim, o governo vai, motivado por interesses, colocando gasolina nas motosserras que destroem a floresta, causando um prejuízo imenso aos brasileiros e ao mundo, em detrimento do lucro condenável de poucos.

    Mande um recado ao presidente Temer e ao ministro Eliseu Padilha. Diga a eles que a Amazônia precisa de proteção, e não de mais desmatamento. Você pode copiar a mensagem abaixo ou criar a sua própria.

    Ao Excelentíssimo Presidente da República Michel Temer /  Ao Excelentíssimo Ministro da Casa Civil Eliseu Padilha

    O desmatamento da Amazônia vem crescendo ano após ano. No entanto, o governo não está tomando nenhuma atitude para controlar essas taxas de destruição florestal. Muito pelo contrário, recentes iniciativas como a tentativa de reduzir áreas de Unidades de Conservação mostram aparente desinteresse do governo em resolver a questão do desmatamento.

    A sociedade pede que o governo abandone seus planos de enfraquecer a proteção de nossas florestas. A Amazônia precisa de preservação e não de mais destruição.

    Para enviar ao presidente Temer, acesse aqui.

    Para escrever ao ministro Padilha, utilize o endereço .

    *Marcio Astrini é coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil

  • Muitas línguas e um só propósito: a defesa dos Corais da Amazônia

    Postado por rgerhard - 10 - fev - 2017 às 10:20

    Desde o início da expedição, 48 pessoas de 20 diferentes nacionalidades passaram pelo navio Esperanza, do Greenpeace, para ajudar a mostrar ao mundo este novo bioma já ameaçado pelo petróleo

    Tripulação multicultural do Esperanza na Amazônia ©Marizilda Cruppe/ Greenpeace

     Joel, o capitão do navio Esperanza, é norte-americano; o primeiro-comandante, Martti, é finlandês; o segundo-comandante é o sul-coreano Kim; e a terceira-comandante é Kai-Jie, de Taiwan.

    Nossa comida é feita na cozinha de Babu, um indiano que gosta de nos observar saborear seus pratos cheios de temperos. A paramédica Caterina vem da Itália. No grupo de engenheiros há dois búlgaros. Entre os marinheiros do convés, chamados “deckhands”, as nacionalidades não se repetem: estão representados Alemanha, Filipinas, Ilhas Salomão, África do Sul e Argentina.

    Esses são apenas alguns membros da tripulação, que revelam a grande diversidade de nossa expedição. Durante os 20 dias de viagem pela região onde estão os recifes da Amazônia, 48 pessoas passaram pelo Esperanza, num total de 20 nacionalidades diferentes.

    Além da tripulação, fazem parte desta expedição cientistas brasileiros e jornalistas da França, Estados Unidos e Brasil. A equipe da campanha Defenda os Corais da Amazônia é composta por ativistas de diferentes escritórios do Greenpeace pelo mundo, como Reino Unido, França e Alemanha.

    Estar neste navio é, portanto, experimentar um encontro de culturas, sotaques, hábitos e histórias de vidas. Cada pessoa aqui tem a sua particularidade. E o respeito por tudo isso é o que faz do navio Esperanza o local que passamos a chamar de casa.

    É incrível como a harmonia flui entre todos, pois não há barreiras. Estamos trabalhando pelo mesmo propósito e não há diferenças nas línguas faladas que impeçam que as descobertas sobre os recifes sejam compartilhadas e que amizades sejam feitas.

    Segundo o marinheiro Bala, que vem das Ilhas Salomão, ele se sente feliz a cada novo grupo de pessoas que chega no navio. “Estar aqui e conviver com tantas pessoas de diferentes lugares e culturas abre a cabeça de todos nós. É uma honra para mim que vim de uma vila muito pequena”, conta.

    Estamos mais do que trabalhando pela defesa dos Corais da Amazônia, estamos provando como uma união entre povos é possível e enriquecedora.

    Cada uma dessas 48 pessoas, do seu jeito, com sua habilidade ou função, ajudou a revelar ao mundo as primeiras imagens dos recifes de corais da Amazônia e fazê-los famosos. E um dos resultados deste esforço é que esta diversidade a bordo se refletiu e multiplicou no espaço digital. Em 18 dias já reunimos mais de 440 mil assinaturas globalmente por meio de petições lançadas no Brasil, Argentina, Holanda, França, Espanha, Reino Unido, Bélgica e Luxemburgo. Quando atingimos as 200 mil assinaturas, portanto, nada mais natural agradecer por meio desta diversidade. Veja o video abaixo:

     

    Esse engajamento global é muito significativo porque é juntos que conquistaremos a força suficiente para mostrar às empresas de petróleo que não aceitamos que elas ponham em risco este bioma ainda pouco conhecido em função da exploração da região.

    Os corais da Amazônia são um tesouro que pertence aos brasileiros, mas também são um patrimônio do planeta. Precisamos defendê-lo, não só a bordo do Esperanza, mas em todos os cantos do mundo.

    Faça parte dessa missão. Assine a petição e compartilhe!

    Thais Herrero é jornalista do time de comunicação do Greenpeace a bordo do Esperanza Leia mais >

  • Diário de bordo: Aniversariante no comando

    Postado por Juliana Costta - 9 - fev - 2017 às 18:50

    Ao completar meus 25 anos em alto-mar, ganhei um navio de presente

    O Esperanza é o maior navio do Greenpeace © Will Rose/ Greenpeace

     Todo dia 7 de fevereiro, desde 1992, é um dia de celebração para mim. Afinal, foi quando a minha querida e falecida mãe (de quem sinto muita falta) me deu à luz. A celebração destes meus 25 anos, no entanto, foi muito diferente de qualquer outra comemoração anterior: desta vez, eu estava a bordo do Esperanza, o maior navio do Greenpeace.

    Meu dia começou às 5h30 da manhã. Logo me deparei com uma querida mensagem de “happy birthday” no quadro branco que fica no mess room (o refeitório). É nesse quadro que usamos para passar importantes comunicados a todas e todos no navio.

    O segundo presente foi o desenho que um dos pilotos do submarino fez de mim. Fiquei super emocionada. Ninguém nunca havia feito antes um desenho meu. Ele ainda adicionou um traço de pintura do povo Munduruku, que eu tanto admiro. Não vejo a hora de eles terem suas terras demarcadas.

    Do capitão às marinheiras, recebi abraços e felicitações. O contramestre Eric e a marinheira Christine mencionaram que eles tinham uma surpresa para depois. Obviamente fiquei curiosa, mas eles mantiveram o mistério por horas.

    No final da tarde, eu estava na área de convivência do navio quando a marinheira Chris me chamou. Ela pediu que a Thaís, nossa jornalista a bordo, me acompanhasse e levasse um celular. Seguimos Chris até a ponte de comando. Lá estava Martti, o 1º oficial, me aguardando. Foi então que Cristine anunciou: “Juliana, em nome de toda a tripulação, te desejamos um feliz aniversário! E como presente, nós vamos te deixar pilotar o Esperanza!” Fui tomada por uma onda de felicidade. Quando eu imaginaria pilotar um navio do Greenpeace?

    Recapitulando para que você, leitor, entenda melhor: neste ano, completo cinco anos trabalhando no Greenpeace como analista de mídias sociais. Desde que entrei, ouço falar sobre a incrível experiência de estar em um navio e como ele é parte do DNA da organização. A vontade de embarcar cresceu em mim conforme o tempo passava. No final do ano passado, recebi a informação que iria passar dez dias no Esperanza e esses dez dias viraram vinte. E aqui estou eu, no leme do navio.

     

    Juliana Costta recebe as instruções para a rota do navio.

     Voltando à ponte de comando, Martti me ensinou como pilotar o navio de acordo com os instrumentos. Avisou que eu estaria sob a supervisão dele e de Otto – uma pequena tartaruga de madeira colada nos painéis. Otto é o piloto automático.

    Martti explicou que estávamos com a correnteza nos levando para bombordo a 0,9 nós. E deu a ordem: “Mantenha o navio a 295 graus a bombordo”. Apenas respondi “ok”, e tomei uma bronca da Chris: “Você tem que repetir o que ele disse”. Então, entoei cheia de orgulho: “295 graus a bombordo”. Parece fácil, mas não é.

    Peguei o timão – esqueça o modelo clássico, aquela roda imensa que você viu nos desenhos do Popeye – ele tem o formato de um semicírculo do tamanho de uma laranja. E, assim, assumi o comando do navio. Fiz o melhor para chegar a 295 graus a bombordo. Consegui. Conforme o navio se movimentava, chegamos a 4,9 nós de velocidade. Chegar até ali é fácil, manter é que é difícil. O timão é bem sensível ao toque. Após 5 minutos olhando a bússola e compensando a corrente marinha para me manter na missão, Martti anunciou o fim da minha grande experiência. Com um sorriso de orelha a orelha e um grande abraço, agradeci  a todos: Martti, Chris, Bala e Eric. Os dois últimos se juntaram à nós na ponte no final do meu comando para ver como eu estava me saindo.

    O pequeno timão do Esperanza

     Aprendi que a responsabilidade de pilotar um navio com 40 pessoas é grande, e que demanda muita calma. Ser uma mulher jovem ali também tem um significado importante, uma vez que a ponte de comando é um lugar normalmente dominado por homens.

    Ao voltar para a área de convivência, encontrei o capitão. Ele me parabenizou por eu ter conseguido manter uma linha quase reta. As condições, ele disse, não estão fáceis. “Estou orgulhoso”, elogiou. Em tom de brincadeira, perguntei se deveria investir na carreira de capitã e recebi total apoio!

    Quando achava que o dia não poderia me surpreender mais, Kim apareceu. Ele é um sul-coreano de 28 anos, terceiro engenheiro do navio e dono de uma voz encantadora. Seu presente para mim: pegou o violão e tocou uma música coreana. Não entendi a letra, mas sua voz doce fez toda a sala se encantar.

    No final da noite, ganhei ainda um delicioso bolo de chocolate, com direito a um “parabéns para você” bilíngue e simultâneo, com todos a bordo cantando em português e outros em inglês. Meu coração de manteiga mole desmanchou e as lágrimas rolaram.

    Os melhores presentes não vêm em caixas com laços de fita. Eles vêm embalados em gestos feitos de coração quando estou rodeada de pessoas queridas.

    Em uma data tão especial quanto o próprio aniversário, poder estar em uma expedição internacional, responsável por produzir as primeiras imagens subaquáticas que a humanidade já viu de um cantinho oculto do planeta, no fundo do oceano, os Corais da Amazônia, e ainda pilotar o navio do Greenpeace em meio a tanto carinho, fez esse dia realmente inesquecível.

    Obrigada tripulação do Esperanza. Obrigada Greenpeace.

    ASSINE A PETIÇÃO

    Juliana Costta está a bordo do navio Esperanza e é social media do Greenpeace Brasil Leia mais >

  • Seis cientistas embarcaram com o Greenpeace para nos orientar nesta expedição e ver conosco as primeiras imagens dos recifes de corais na região da foz do rio Amazonas. Conheça um pouco cada um deles

     

    Fabiano Thompson (esq), da UFRJ, se prepara para descer com o piloto Kenneth Jozeph Lowick ©Marizilda Cruppe /Greenpeace

     

    Fabiano Thompson – oceanógrafo, doutor em Bioquímica pela Universidade de Ghent, na Bélgica, e professor do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

    Quando Fabiano Thompson era adolescente, seu pai queria que ele se tornasse um profissional liberal. Talvez advogado. Mas assim que soube que existia um curso de oceanologia em uma universidade, Fabiano descobriu que era isso que queria para ele, já que sempre se interessou pelo mar e seus mistérios. Foi a escolha certa. Tanto que ele é um dos principais responsáveis pelos estudos e expedições que desvendaram finalmente os recifes de corais da Amazônia, entre 2011 e 2016.

    Fabiano é o elo entre os cientistas que estão na expedição do Greenpeace. Quando estudava na universidade, conheceu Nils Asp e Eduardo Siegle. Anos depois, conheceu Ronaldo Francini e foi orientador de Juline Walter e Ana Carolina Soares.

    Eduardo Siegle – oceanógrafo, doutor em Ciência Marinha pela Universidade de Plymouth, no Reino Unido, e professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo.

    Desde criança, por frequentar praias, o mar atraía Eduardo, que queria saber mais sobre aquela imensidão azul. “Na adolescência, comecei a ler sobre oceanos e essa curiosidade foi ficando mais aguçada, até descobrir que havia faculdades de oceanografia”, conta. Hoje, sua especialidade são as correntes marinhas. Por isso, quando ele fez o mergulho de submarino, viu muitos bancos de areia no fundo do mar e achou aquilo ótimo. “A forma como a areia se dispõem mostra como as correntes se dão. É super importante para minha linha de estudo”.

    Estar na expedição do Greenpeace, para ele, é uma experiência única. “Mostrar os recifes de corais da Amazônia para o mundo é importante para que eles recebam a importância que merecem”, afirma.

    Ronaldo Francini Filho, biólogo, doutor em Ciências Biológicas pela USP e professor da Universidade Federal da Paraíba.

    O interesse pela Biologia está no sangue da família Francini. O pai de Ronaldo estuda borboletas e formigas. Sua mãe, a genética de abelhas, e o irmão mais velho é biólogo e fotógrafo de natureza. Não demorou muito para que Ronaldo fizesse sua primeira expedição científica: aos 4 anos de idade, junto ao pai, pela Mata Atlântica e pela Amazônia.

    Aos 20 anos, quando já estudava Biologia, acompanhou o pai em mais uma viagem, na qual ele coletaria formigas urtigas. “Aquela foi a primeira vez que vi uma equipe trabalhando com mergulho autônomo no mar, fazendo pesquisa marinha. Me senti extremamente atraído por aquilo e, desde então, não parei mais de estudar os oceanos”, conta. “Minha primeira motivação para fazer parte da expedição do Greenpeace foi a aventura e o espírito de explorador. Acho que grande parte da tripulação do Esperanza deve ter esse sentimento”.

    Nils Asp, oceanógrafo, doutor em Geologia Costeira pela Universidade de Kiel, na Alemanha, e professor da Universidade Federal do Pará

    Durante sua infância, Nils Asp gostava de voltar da escola e assistir aos programas de Jacques Costeau. O famoso explorador dos oceanos aguçou seu interesse pelos mistérios do oceano. Hoje, ele dá aulas e estuda Geologia Marinha e está na expedição do Greenpeace ajudando, principalmente, a mapear os recifes e onde estão os melhores pontos para mergulharmos. Nils tem passado muitas horas olhando mapas e usando o GPS para que nossa viagem com o Esperanza seja a mais produtiva possível. A partir dessa observação, ele avalia a topografia e as características dos recifes.

    Juline Walter, bióloga e pós-doutoranda da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    Juline Walter estuda partes invisíveis dos recifes de corais da Amazônia. Ela é especialista em comunidades microbianas, analisando que tipo de microrganismo vive nas esponjas recém-descobertas na região da foz do Rio Amazonas. “Os microrganismos são um importante indicativo sobre a saúde dos recifes. Há muitos deles no mundo em risco por conta das mudanças climáticas, em função da acidificação dos oceanos. Comunidades microbianas são uma peça chave para entender como as mudanças estão afetando essas estruturas”, explica.

    Sobre a experiência da expedição, ela se diz “extasiada”. “O que estamos fazendo aqui é expandir os horizontes do conhecimento e quebrar os paradigmas do que a gente sabia até pouco tempo atrás”.

    Ana Carolina Soares, bióloga e mestre em Genética pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    Ana Carolina é de Bento Ribeiro (RJ) e está prestes a se mudar para São Paulo para começar seu doutorado. Seus objetos de estudo também são microscópicos, porém fundamental para o ecossistema marinho. Ela estuda a diversidade de comunidades microbianas associadas a sistemas recifais. Ou seja: bactérias, vírus e fungos que vivem associados a esponjas, corais, rodolitos e até peixes.

    Ela esteve na expedição de 2014, que confirmou a existência dos recifes de corais na foz do Rio Amazonas, quando foram coletadas amostras das espécies que vivem ali. “Estar no Esperanza e poder ver os recifes no fundo do mar é totalmente diferente. É uma oportunidade incrível para nosso estudo. Estou muito contente”.

    Juline Walter (sentada), Ana Carolina Soares (camisa listrada), e Ronaldo Francini Filho (camisa preta), observam as imagens dos recifes durante lançamento da câmera subaquática. Foto: Marizilda Cruppe

     

    Agora que você já conhece um pouco mais dos especialistas que nos acompanham e nos orientam, continue conosco nesta aventura para defender os recifes de corais da Amazônia!

    Assine a petição e compartilhe com seus amigos. Vamos fazer esse novo bioma famoso no mundo todo e evitar que empresas o destruam por querer explorar petróleo na região.

    ASSINE A PETIÇÃO Leia mais >

  • Video: Mergulhe com o piloto do nosso submarino nos recifes da Amazônia

    Postado por rgerhard - 7 - fev - 2017 às 16:40

    John Hocevar, diretor da campanha de Oceanos do Greenpeace EUA, tem guiado várias descidas que estão revelando as primeiras imagens dos corais da Amazônia. Você é nosso convidado para acompanhá-lo. No video, ele descreve o que vê lá embaixo, e conta, no relato logo depois, porque precisamos defender este tesouro

      

    Saudações dos Corais da Amazônia! Estou a bordo do navio Esperanza com uma tripulação internacional de 40 pessoas e dois submarinos DeepWorker. Estamos explorando esse recife pela primeira vez com quatro dos cientistas brasileiros que anunciaram a sua descoberta no ano passado. Como pode imaginar, descobertas desta magnitude são bastante raras, razão pela qual ele foi listado como uma das principais descobertas oceanográficas da última década.

    Os submarinos de duas pessoas são pequenos e leves, capazes de levar um piloto (como eu) e um passageiro a profundidades de 600 metros. Nos últimos dias, temos mergulhado com cientistas e jornalistas observando os corais da Amazônia. O recife parece se estender por quase 1.000 quilômetros, desde a foz do Amazonas até a Guiana Francesa, principalmente em profundidades entre 50 e 120 metros. Até agora, as águas foram surpreendentemente claras, permitindo que alguns raios fracos de luz solar cheguem ao fundo do mar. Para visualizá-lo melhor, nós complementamos com luzes LED, que revelam as verdadeiras e magníficas cores do arco-íris dos habitantes do recife.

    John Hocevar, a bordo do mini submarino, tem conduzido os mergulhos pelos recifes de corais da Amazônia. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

     É incrível estar aqui. Assistimos a um golfinho saltar pelo ar ao lado do submarino, fomos seguidos por um cardume de grandes rêmoras, e até mesmo visitados por uma raia-manta. Temos percorrido paredões quase verticais cobertos com esponjas amarelas e sobre campos de corais moles que cobrem mais de 90% do fundo, intercalados com incontáveis ​​peixes juvenis. Nas áreas mais rasas que visitamos, há leitos de areia com dunas altas esculpidas por fortes correntes marinhas, e planícies de algas.

    Talvez o maior herói não reconhecido do recife da Amazônia seja o rodolito. Feito de um tipo de alga vermelha que constrói um esqueleto calcário, ele assume formas variadas, de pires a bolas de tênis, muitas vezes com poços, cavernas, sulcos, espigas, verrugas e outras estranhezas que fornecem abrigo para as pequenas criaturas se esconderem. Eventualmente, eles se fundem para formar estruturas maiores e parecem ter desempenhado um papel importante na formação do próprio recife da Amazônia.

    Defenda os corais da Amazônia

    Depois de apenas uma semana de mergulho, já está claro que o recife de corais da Amazônia é um hotspot regional da biodiversidade. O grande número de tipos de habitat completamente diferentes fornece um lar para uma variedade deslumbrante de peixes, esponjas e invertebrados, muitos dos quais são endêmicos (únicos) para o Brasil. No nosso primeiro dia, a equipe científica acredita que documentamos duas novas espécies de peixe-borboleta e, no terceiro, vimos um peixe parecido com uma garoupa que ainda não conseguimos identificar.

    Outra coisa que está clara é que o recife de corais da Amazônia não é o lugar para perfuração petrolífera. Infelizmente, antes mesmo de ter a chance de entendermos este novo bioma, ele já está ameaçado. As companhias de petróleo BP e Total planejam começar a perfurar na área já neste outono. Nossa corrida, portanto, é para documentar o recife da Amazônia antes de a operação começar, com a esperança de que o que encontramos ajude as pessoas a decidir que a área é muito valiosa para permitir isso.

    Se posicione contra a exploração de petróleo na bacia da foz do Rio Amazonas.

    ASSINE A PETIÇÃO

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  • Diário de bordo: mulheres na ponte de comando

    Postado por Juliana Costta - 7 - fev - 2017 às 11:46

    Ao subirmos, Christine me alertou: não acenda nenhuma luz, inclusive a do celular. E com um sorriso, emendou: “Hoje é dia das mulheres. Eu e a Kai-Jie estamos no comando do navio!"

    Kai-Jie (esq), de Taiwan, é a terceira-oficial do navio Esperanza. Christine Weiss (dir), da Alemanha, é marinheira de convés. Quando Kai-Jie está na ponte de comando do navio, Chistine é quem faz a observação das embarcações ao redor. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace

     Após partirmos do porto de Belém para a segunda etapa de nossa expedição, desta vez em direção à região norte dos corais, encontrei Christine, a marinheira alemã que pilota botes, fazendo a ronda noturna do navio. Ela me contou que também estava de plantão na ponte de comando, lugar onde se dirige o navio. Eu nunca havia estado lá à noite, então resolvi acompanhá-la no início de seu turno de quatro horas – das 20h à meia noite.

    Ao subirmos, Christine me alertou: não acenda nenhuma luz, inclusive a do celular. E com um sorriso, emendou: “Hoje é dia das mulheres. Eu e a Kai-Jie estamos no comando do navio!" Kai-Jie é a terceira-oficial do Esperanza. Uma jovem doce e pequenina taiwanesa, que pela timidez, conversa pouco e se mantém concentrada.

    O motivo de não acender nenhuma luz é porque seus olhos têm que estar atentos para perceber qualquer coisa na água, de pequenos barquinhos de pesca a icebergs (claro que na linha do Equador, onde estamos, eles não existem, mas vocês entenderam a ideia). Foi num desses momentos, sozinha na ponte de comando, que ela foi presenteada com uma das imagens mais marcantes da sua vida: duas orcas reluzentes que nadavam como um dança sincronizada em torno do barco, em meio a águas repletas de nauctiluca, um micro-organismo que faz as águas brilharem à noite pelo seu efeito fluorescente verde-azulado. Sem conseguir dormir, chocada e com lágrimas nos olhos por tamanha beleza, ela conta só conseguiu processar o que tinha visto limpando o chão do refeitório com o esfregão às 4h da manhã.

    O que mais me chama atenção em Christiane é de fato o seu olhar, profundo e atento, mesmo em uma simples conversa. Ela me contou que já passou por diversas áreas no escritório do Greenpeace na Alemanha. Quando teve a oportunidade de embarcar em um dos navios da organização pela primeira vez, em uma passagem pela Europa, decidiu ser marinheira. Tentou por muito tempo, com e-mails, telefonemas e pedidos, conquistar uma vaga a bordo, o que aconteceu três anos depois, no retorno do navio à Europa.

    Quando Christiane sorriu ao mencionar as mulheres na ponte de comando, compreendi plenamente que este é um ambiente normalmente dominado por homens, que ela tira de letra. Mas esta noite seria nossa! Juntei-me a elas e pude ver um pouco do seu trabalho. Enquanto Kai-Jie se mantinha atenta à rota do navio, ajustando-a quando necessário, Christine dava instruções a ela baseadas na posição de outros barcos avistados no horizonte, sempre usando os binóculos. Ela me explicou que todo barco tem uma luz vermelha a estibordo (o lado esquerdo da embarcação) e uma verde no bombordo (o lado direito). As luzes ajudam a identificar a direção que os barcos estão se movendo à noite. Assim você consegue entender minimamente a rota deles só de olhar pelo binóculo.

    O navio em que estamos é o mais rápido do Greenpeace, chega a 14 nós de velocidade. Nesta noite, devido a grandes ondas e fortes correntezas, não conseguíamos passar dos 6,1 nós enquanto estive na ponte. As ondas castigam o casco do navio e nos deixam mareados.  Às 22h30, com o sono e o balanço do barco se manifestando em meu corpo, decidi retornar à minha cabine. Deixei as duas no que restava de seus turnos, mas me sentindo um pouco mais orgulhosa e confiante de saber que seguiríamos firmes e fortes em nosso caminho pelo oceano para conhecer e defender os Corais da Amazônia.

    Juliana Costta é Social Media do Greenpeace e está há 11 dias embarcada no navio Esperanza

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  • Tudo o que um pássaro quer

    Postado por rgerhard - 3 - fev - 2017 às 10:30 1 comentário

    O Parque Nacional do Cabo Orange, no litoral do Amapá, é uma espécie de Disneylândia dos pássaros e, por consequência, uma festa para observadores e ornitólogos profissionais

    Guarás tingem de vermelho a paisagem do litoral do Amapá Foto: Rogério Reis/ Tyba/ Greenpeace

     A variedade de cores e cantos impressiona.  Pesquisadores já registraram a existência de 358 espécies de aves na região, mas estima-se que esse número possa ser ainda maior, já que certas áreas são difíceis de acessar.

    A lama do mangue é nutritiva para as plantas e para uma variedade de insetos e crustáceos. “Há aves que vem do Alaska e pousam na região do parque para se alimentar no período que estão ganhando energia”, conta Paulo Silvestro, analista ambiental do ICMBio, enquanto aponta para uma nuvem de minúsculos pássaros pretos e brancos coreografando sobre o ziguezague do canal, os maçaricos-rasteiros do Ártico.

    Os maçaricos não são os únicos a utilizar o Cabo Orange como colônia de férias.  Flamingos reúnem-se em seus estuários para se reproduzir entre novembro e janeiro. É o único lugar do Brasil onde estes animais podem ser encontrados na natureza.

    Pássaros na praia do Goiabal. A costa do estado do Amapá, está na mira da indústria petrolífera internacional. Foto: Victor Moriyama

     Garças brancas e azuis reviram a lama atrás de pequenos caranguejos, ao lado de Colhereiros. Estas aves, que possuem uma linda plumagem rosa pálido, tem bicos em forma de colher, que utilizam para revirar a lama em movimentos circulares. A cor rosada deve-se a dieta rica em carotenoides, abundante nos saborosos caranguejinhos dos quais se banqueteiam as aves aquáticas. Guarás vermelho escarlate pontilham o verde da floresta em sua revoada. Parecem enfeites em uma árvore de Natal.

    Guarás e Garças sobrevoam area de mangue no Parque Nacional do Cabo Orange. Foto: Victor Moriyama/ Greenpeace

     Mas apesar de serem as estrelas do espetáculo, as aves não são os únicos animais do Cabo Orange. Sob as florestas de Mangue Branco, com suas copas altas, vivem veados, várias espécies de macacos e até onças.

    Cuxiú-preto (Chiropotes satanas) Foto: José Caldas

     Percorrendo um canal aberto pela maré no meio da floresta, identificamos diversas pegadas de onça, bem marcadas na lama fofa do mangue. De um lado para o outro, a pintada – ou seria uma preta? – se refastelou na água. Devia estar enchendo o bucho de Tralhotos, peixinhos fascinantes, que “andam” sobre a água, e existem em abundância por esses lados.

    A vida é boa na floresta. Tem o necessário, somente o necessário. O extraordinário seria mesmo demais.

    Rosana Villar é jornalista, do time de comunicação do Greenpeace, em expedição pelo Amapá Leia mais >

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