Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Diário de Bordo: lidando com enjôos e noctilucas

    Postado por Juliana Costta - 4 - abr - 2018 às 18:41 2 comentários

    O segundo dia de navegação rumo aos Corais da Amazônia ainda é de adaptação, mas já repleto de encantamento

    MY Esperanza na foz do rio Amazonas

     

    Estamos no segundo dia da expedição aos Corais da Amazônia. A bordo do Esperanza, cinco pessoas mareadas.Eu fui uma das que sucumbiram ao balanço do navio. Mas todas já se recuperaram, ufa!

    Escrevo enquanto navegamos no Oceano Atlântico rumo ao setor Norte dos Corais da Amazônia, pertinho da fronteira com a Guiana Francesa. Viajam conosco seis cientistas, cinco ativistas, além da tripulação do Greenpeace e várias outras pessoas que nos ajudam a fazermos essa expedição científica.

    Temos conosco um ROV (Veículo Operado Remotamente, na sigla em inglês), que fará imagens embaixo da água e coletará amostras de espécies de corais, esponjas, rodolitos e outros seres que encontrarmos pelo caminho e que os cientistas se interessem em analisar. Não vejo a hora de começarmos os mergulhos!

    Contando um pouco das bonitezas que vimos aqui: ontem à noite, não havia luar. Nem uma estrelinha sequer no céu. Mas o mar se iluminou! As noctilucas, minúsculas criaturas luminescentes, estavam por todos os lados e brilhavam ainda mais forte conforme o movimento do navio ondulava o mar. Foi um espetáculo à parte, que infelizmente nossos celulares não conseguiram captar. Seria incrível compartilhar esse momento com vocês.

    Porém, há muitas outras coisas fantásticas para mostrar! Nos próximos dias, nossas atividades a bordo estarão no Instagram e Facebook. Espero que vocês acompanhem essa aventura conosco.

    Por último, mas não menos importante, convido vocês a fazerem parte do Desafio do Nó dos Corais. Unindo nossos nós, vamos formar a maior corda do mundo para defender os Corais da Amazônia.

      Leia mais >

  • Todos amarrados pelos Corais da Amazônia

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 3 - abr - 2018 às 10:50

    Para criar uma grande corrente virtual e global de proteção em torno desse ecossistema único e frágil, lançamos o Desafio do Nó! A hora é agora! A Total pode ter a licença para extração de petróleo nas próximas semanas, e seria um desastre para toda a vida que habita lá 

    Vamos ampliar virtualmente essa grande corrente de proteção contra a ação das petrolíferas na foz do Rio Amazonas

     

    É por isso que estamos voltando aos Corais da Amazônia com o nosso navio Esperanza para uma segunda expedição, desta vez científica, para responder às perguntas que podem invalidar todo o processo executado pela Total e pela BP:

    • Os Corais da Amazônia são maior do que pensávamos?

    • Os Corais da Amazônia se estendem a outros países?

    • Podemos encontrar novas espécies lá?

    Precisamos da sua ajuda! Apoie a expedição e defenda os Corais da Amazônia juntando-se ao Desafio do Nó dos Corais da Amazônia!

    Veja este vídeo:

    O que está esperando? Junte-se ao Desafio do Nó usando a hashtag #DefendaOsCorais e marque 3 amigos para fazer o mesmo ou mais rápido que você! Os Corais da Amazônia precisam de todos nós unidos nessa corrente do bem. Leia mais >

    Vamos construir a maior corda para proteger os Corais da Amazônia!

  • Corais da Amazônia: a Total está voltando – e nós também

    Postado por Edina Ifticene - 30 - mar - 2018 às 10:30 1 comentário

    Enquanto você lê estas linhas, nosso navio Esperanza ruma de volta para o recife amazônico, na costa norte do Brasil. As primeiras imagens desse ecossistema único foram tiradas no ano passado e ainda não revelaram todos os seus segredos

    Esperanza, um dos três navios do Greenpeace, na região da foz do rio Amazonas, no Amapá

     

    Infelizmente, os Corais da Amazônia já está ameaçado por planos de perfuração de petróleo, especialmente pela empresa francesa Total. Com o seu apoio, conseguimos manter a ameaça sob controle até o momento. Mas parece que a Total ainda não se convenceu a desistir dos seus planos. Bem, adivinhe, nem nós a deixar de defender esse tesouro natural…

    Estamos prontos!

    O Esperanza saiu do porto de Bordeaux, na França, há duas semanas, carregado de equipamentos para uma exploração científica, até o porto de Belém. Neste vídeo que fizemos, quando o barco estava no cais, falamos sobre as preparações desta nova expedição e as razões pelas quais estamos voltando para o recife.

    Seu apoio tem mantido a Total longe dos Corais

    Em agosto de 2017, o Ibama decidiu não conceder à Total a licença necessária para perfurar próximo ao recife. Graças aos dados que coletamos durante a primeira expedição, pudemos fornecer ao Ibama um estudo científico provando que a Total havia subestimado o risco de vazamentos de óleo.

    Alguns meses depois, as autoridades brasileiras cancelaram a rodada de licitações de 2018 para os blocos de petróleo próximos ao recife de corais. Ou seja, desistiu de vende-los para as petrolíferas.

    Mais de 1,8 milhão de pessoas em todo o mundo já assinaram nossa petição para salvar os Corais da Amazônia. Sem dúvida, esse apoio desempenhou um papel fundamental nas decisões das autoridades brasileiras! Tanto, que a BHP, uma mineradora australiana que já havia pago 30 milhões para explorar a região, devolveu os blocos e desistiu dos planos em função da pressão.

    Dia Mundial dos Corais da Amazônia no Rio de Janeiro

     

    …Mas o Total está voltando!

    Mas a francesa Total ainda não pensa em desistir. Ao contrário, eles acabam de apresentar ao Ibama um novo pedido de licença ambiental, após seu pedido já ter sido recusado por três vezes.

    Nesta nova tentativa, o Ibama pode divulgar sua decisão a qualquer momento. Precisamos que você nos ajude a vencer esta corrida contra o relógio!

    Ativistas realizam protesto contra derramamento de óleo na sede da Total, em Paris, em defesa dos Corais da Amazônia

     

    É hora da Ciência, não da exploração de petróleo

    No ano passado, a tripulação do Esperanza fez as primeiras imagens dos Corais da Amazônia, mostrando a riqueza de vida que há lá embaixo. Este ecossistema é um mistério para os cientistas: onde o rio Amazonas se encontra com o Oceano Atlântico as águas estão cheias de lama e sedimentos, dificultando a chegada da luz solar às profundezas.

    Ninguém pensou que um recife de coral pudesse existir nessas águas. Mas é enorme e repleto de vida!

    Estamos voltando aos Corais da Amazônia para explorar seus segredos. Usaremos um veículo operado remotamente (ROV) para realizar as operações de mergulho e poderemos analisar as amostras coletadas em nosso laboratório a bordo.

    A descoberta de rodolitos, algas calcárias que realizam quimiossíntese em função da pouca luz que chega ao leito marinho

     

    E pode esperar mais algumas surpresas...

    Vamos mantê-lo atualizado em nossa expedição. Enquanto isso, continue apoiando nossa campanha para defender os Corais da Amazônia: se você ainda não assinou nossa petição e a compartilhou com seus amigos e familiares, faça isso agora. Leia mais >

    ASSINE A PETIÇÃO 

  • Investigue os planos da Total e defenda os Corais

    Postado por Juliana Costta - 13 - mar - 2018 às 8:00

    A pressão desse movimento global, de mais de 1,8 milhão de pessoas, é mais forte do que as empresas que querem explorar petróleo na área dos Corais. Algumas companhias já entenderam isso.

    Assine a petição

    A petrolífera Total parece que ainda não ouviu o recado dos mais de 1,8 milhão de defensores dos Corais da Amazônia. A empresa submeteu ao governo brasileiro novos documentos para conseguir a licença de exploração de petróleo na área dos Corais. O Ibama pode, em menos de um mês, dar essa licença, deixando que o petróleo ameace esse bioma único em todo o mundo. A boa notícia é que temos uma última chance de barrar a Total. 

    O documento que a empresa mandou ao Ibama tem 1.000 páginas para serem analisadas. Mesmo que trabalhássemos noite e dia, nós do Greenpeace não conseguiríamos estudá-lo antes do prazo do Ibama de dar uma resposta. Por isso precisamos da sua ajuda! É importante que o máximo de pessoas leia o documento, com olhos bem abertos para achar os riscos inaceitáveis que a exploração de petróleo vai trazer para a região. Se perdemos UM detalhe, a licença pode ser aprovada e será muito tarde para salvar os Corais da Amazônia.

    Precisamos de você mais do que nunca! Nos ajude ver a Análise de Risco Ambiental submetida pela Total e encontrar os problemas que a extração de petróleo traria. Riscos de vazamento, riscos de afetar os Corais, os pescadores, os peixes. Você conhece os riscos?

    Acesse aqui o formulário

     Esse é um daqueles momentos decisivos onde qualquer informação ou ação pode fazer a diferença. Se baixarmos a guarda, a Total vence. Se resistirmos, nós vencemos e defendemos os Corais da Amazônia. Defenda os Corais! Leia mais >

  • A voice for climate and for the justice that refuses to silence

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 8 - mar - 2018 às 12:32

    On this International Women's Day, draw inspiration from Claudelice, a forest protector who has risked her life in the struggle for more justice and respect for the planet

    Foto: Fábio Nascimento/Greenpeace

     

    In Brazil, whoever defends the forest puts their own life at risk. Claudelice Silva dos Santos, 36, from the state of Pará, discovered this in the worst possible way. In May 2011, her brother José Cláudio Ribeiro and his wife Maria do Espírito Santo were cowardly murdered in an ambush by gunmen. Their murder was an attempt to silence them for reporting attacks against the forest, but little did the murderers know that many other voices would echo the messages of the protectors. Claudelice is one of the people who doesn't allow silence to prevail. "Too outspoken" – as she defines herself – she has raised her voice since the tragic events, even if it means being the next victim.

    Deforestation is the leading Brazilian cause of climate change. Renowned scientists already state that the Amazon is very close to the breaking point where it will no longer be able to regenerate itself naturally. Protecting the forest means protecting us from the worst consequences of water shortages, droughts, fires, and floods.

    "As a child, I grew up in an agro-extractive settlement project called Praia Alta-Piranheira. These are the names of the two rivers that meet at the Tocantins River. It is an area of ​​22,000 hectares in Nova Ipixuna, in the southeastern region of Pará, which has always been known for its chestnut trees. They take over the landscape, forming the main blocks of vegetation. It was heaven on Earth. I studied at a school for family farming workers and, there, I learned about the importance of environmental preservation and having high regard for the resources of the standing forest. Chestnut trees are huge and have high economic value – both for their wood and the production of their fruit. But for loggers, the tree is only worth something if it is logged – and a chestnut tree makes their eyes sparkle. Since the year 2000, their presence in the region has increased greatly; we are under pressure to sell our trees, to the point where we receive threats, and they invade the area for illegal logging. We have dealt with these abuses by reporting them, but the local media and public authorities have already chosen a side and have always ignored the situation. Until, in May 2011, my brother José Claudio and my sister-in-law Maria were murdered as a way to silence us. Since then, we have struggled to keep the forest standing and the people alive."

    After the crime, the family was forced to move. Claudelice lives and studies in Marabá. She left the Environmental Engineering course to study "Land Law" – a course aimed at people from traditional communities, focusing on the defense of the environment and minorities. "As an advocate, I want to be even more useful to forest protectors by helping them to write and formalize complaints. This is an agrarian conflict struggle. We are dealing with land grabbers", she says. Her main initiative has been the yearly "pilgrimage of the martyrs of the forest" - or "march", for those who are not Catholic.

    The activists that were murdered still inspire others to defend the forest – Fábio Nascimento/Greenpeace

     

    "It started with only my family, but nowadays, we gather hundreds of people who come from far, many of them are students who get organized and travel by bus to join us here. It is an act of protest, denunciation, and critical thinking to resist this state of destruction and defend those who are also on a kill list. This awareness is increasing. They tried to criminalize our struggle, but they failed. Nevertheless, there is still a lot of impunity. Seven years have passed since the murders, and the killers are still on the loose, so people are afraid", says Claudelice.

    Despite the resistance, the extractive reserve is no longer the same. "The landscape has been completely altered, to the point that, today, the greatest economic potential in the region is no longer timber, but livestock. After the chainsaw comes the cattle", she says.

    "Businesses and "entrepreneurs" get rich from these interventions, but the local community is the one who pays the most for them, suffering from the impoverishment of the region and high levels of violence and crime. However, they affect a lot more lives; they kill people who are far away because the impacts are not only local, and the climate is proof of it. The change in the rainfall regime is already visible to us – the forest people. Here, in the Amazon, we live on peaks – either extreme and long droughts, which have already caused the soil to crack just like in the Northeast in Brazil, or torrential rains that flood everything."

    The agro-extractive settlement Praia Alta-Piranheira – Fabio Nascimento/Greenpeace

     

    Because of all these impacts, people are being forced to change their lifestyles, and in that sense, women are a lot more affected by it. "All that the people who live here want is to live well with what the forest provides them, and women have a more sensitive and intimate relationship with the forest than men. While men, due to the burden of sustaining the family, look to the immediate economic potential of the sale of timber, for women, the forest provides medicines, food, cosmetics, and fibers for their crafts. Whoever knocks down the tree only wins once. However, those who sell a liter of andiroba oil or chestnuts will always sell and, therefore, establish another kind of relationship with the environment. I believe that the little we still have of the forest in our reserve is thanks to the defense carried out by women. I saw this in practice with the group of women extractivists we formed in 2006. They produce oils, creams, teas, herbs, art crafts, all with only what the forest provides them on a regular basis. Some confronted their partners so as not to fall into the conversation of the loggers."

    In this struggle, when she thinks of the speed of things, Claudelice still feels a deep sadness and unease about the future of the forest, her daughters, and the local communities.

    "If the forest ceases to exist, we will disappear as well, but slowly and painfully. When people realize that they are dying because they have destroyed the forest, it may be too late. It is sad that, after so many who have fallen, we have not yet managed to sensitize people to get out of their state of conformity and demand action from the state. Today, those who are in charge are the companies that rub on our faces the concessions given by the government, accusing us of trying to stall progress. Our cries for 'save the planet' and 'save the forest' are not being heard. But even being on the weak side, we still have a lot of strength to keep shouting, fighting, and protecting the forest and people." Leia mais >

  • Uma voz pelo clima e por justiça que se recusa a calar

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 7 - mar - 2018 às 18:45

    Neste Dia Internacional da Mulher, inspire-se em Claudelice, uma defensora da floresta que tem arriscado sua vida na luta por mais justiça e respeito ao planeta

    Claudelice Silva dos Santos é uma das várias mulheres de bravura que têm usado sua força e sua foz para defender a floresta para todos nós Foto: Fábio Nascimento/Greenpeace

     

    Read in English

    No Brasil quem defende a floresta põe em risco a própria vida. A paraense Claudelice Silva dos Santos, 36 anos, descobriu isso da pior maneira. Em maio de 2011, ela teve o irmão José Cláudio Ribeiro e sua cunhada Maria do Espírito Santo assassinados covardemente em uma emboscada de pistoleiros. Eles denunciavam os atentados praticados contra a floresta na tentativa de calá-los, mas não contavam que muitas outras vozes iriam ressoar as mensagens dos protetores. Claudelice é uma das que não permite que o silêncio prevaleça. “Bocuda demais”, como ela mesmo se define, tem elevado sua voz desde então, ainda que isso signifique ser a próxima vítima.

    O desmatamento é a principal causa brasileira da mudança do clima. E cientistas renomados já apontam que a Amazônia está muito próxima do ponto de ruptura em que não conseguirá mais se regenerar naturalmente. Assim, defender a floresta é nos proteger das piores consequências da falta d`água, da seca, dos incêndios e inundações.

    “Desde menina, cresci em um projeto de assentamento agroextrativista (PAE) chamado Praia Alta-Piranheira. São os nomes dos dois rios que deságuam num maior, o rio Tocantins. É uma área de 22 mil hectares em Nova Ipixuna, na região sudeste do Pará, que sempre foi conhecida por seus castanhais. Eles predominavam na paisagem, formando os principais blocos de vegetação. Era um paraíso. Estudei em uma escola para trabalhadores da agricultura familiar e lá aprendi diversas ações sobre a importância da preservação ambiental e de valorizar os recursos da floresta em pé. Uma castanheira é uma árvore imensa, de alto valor econômico tanto por sua madeira quanto pela produção de seu fruto. Mas para o madeireiro só vale a árvore derrubada. E uma castanheira faz o olho dele brilhar. A partir do ano 2000, a presença deles na região aumentou muito e passamos a sofrer pressões para vendermos nossas árvores até culminar em ameaças e invasões para roubo da madeira. Enfrentamos esses abusos com denúncias, mas a mídia local e o poder público já tinham lado e sempre fizeram vista grossa. Até que em maio de 2011, meu irmão José Claudio e minha cunhada Maria foram assassinados como forma de nos calar. Desde então, nossa luta é para manter a floresta em pé e as pessoas vivas.”

    Após esse crime, a família se viu obrigada a se mudar. Claudelice mora e estuda em Marabá. Trocou o curso de Engenharia Ambiental por “Direito da Terra”, voltado para pessoas de comunidades tradicionais, e com foco na defesa do meio ambiente e das minorias.  “Como advogada, quero ser ainda mais útil para os defensores da floresta, ajudando-os a elaborar e formalizar denúncias. Esta é uma luta de conflito agrário. Estamos lidando com grileiros de terra”, conta. Sua principal iniciativa tem sido a realização, todos os anos, da “romaria dos mártires da floresta” ou “marcha”, para quem não é católico.

    Apesar de assassinados, o casal Zé Claudio e Maria continua a inspirar outros defensores da floresta - Foto: Fábio Nascimento/ Greenpeace

     

    “Começou só com a família, mas hoje reunimos centenas de pessoas que vêm de longe, muitos deles estudantes que se organizam em ônibus. É um ato de protesto, de denúncia, de reflexão para fazer resistência a essa situação de destruição e também para defender aqueles que também estão na lista para morrer. Esta consciência está aumentando. Tentaram criminalizar a nossa luta, mas não conseguiram. Mas ainda há muita impunidade. Após sete anos do crime, os assassinos ainda estão soltos, por isso as pessoas têm medo”, diz Claudelice.

    Apesar da resistência, a reserva extrativista já não é a mesma. “A paisagem foi totalmente alterada, a ponto de hoje o maior potencial econômico na região não ser mais o madeireiro, e sim, a pecuária. Depois da motosserra, vem a pata do gado”, conta.

    “Nessas intervenções , as empresas e os ‘empreendedores’ enriquecem, mas quem paga a maior conta disso tudo são as comunidades locais, que sofrem com o empobrecimento da região e os altos níveis de violência e criminalidade. Mas eles afetam muito mais vidas, matam pessoas que estão bem distantes, pois os impactos não são só locais, o clima é a prova. A mudança no regime de chuvas já é visível para nós, os povos da floresta. Aqui, na Amazônia, passamos a viver de picos – ou secas extremas e longas, que já fizeram o solo rachar como no Nordeste, ou chuvas torrenciais que inundam tudo.”

    Após a chegada das madeireiras, o assentamento extrativista de Nova Ipixuna mudou sua paisagem, antes dominada pelos blocos de castanhais - Foto: Fábio Nascimento/ Greenpeace

     

    Em função de todos esses impactos, as pessoas estão sendo obrigadas a mudar seus estilos de vida e, nesse sentido, as mulheres são as mais afetadas. “Tudo o que as pessoas daqui querem é viver bem do que conseguem da floresta. E as mulheres têm uma relação mais sensível e íntima com a mata que os homens. Enquanto eles, pela carga de sustentar a família, olham para o potencial econômico mais imediato da venda da madeira, para elas a floresta é a provedora de remédios, comida, cosméticos, de fibras para o seu artesanato. Quem derruba a árvore, só ganha uma vez. Mas quem vende um litro de óleo de andiroba ou castanha, vende sempre e estabelece outra relação com seu ambiente. Acredito que o pouco que temos ainda de floresta em nossa reserva é graças à defesa das mulheres. Pude ver isso na prática com o grupo de mulheres extrativistas que formamos em 2006. Elas produzem produtos como óleos, cremes, chás, ervas, artesanatos, tudo apenas com o que a floresta provê regularmente. Algumas enfrentaram seus companheiros para não cair na conversa das madeireiras.”

    Nesta luta, quando pensa no ritmo como as coisas vão, Claudelice ainda sente uma profunda tristeza e inquietude quanto ao futuro da floresta, de suas filhas, das próprias comunidades.

    “Se a floresta deixar de existir, nós vamos desaparecer também. Mas de forma lenta e dolorosa. Quando as pessoas perceberem que estão morrendo porque destruíram a floresta, pode ser tarde demais. É triste que depois de tantos que tombaram, não tenhamos conseguido sensibilizar as pessoas a sair do conformismo e cobrar providências do Estado. Hoje, quem ainda manda são as empresas que esfregam na nossa cara as concessões dadas pelo governo, nos acusando de impedir o progresso. Nossos gritos de ‘salve o planeta’ e ‘salve a floresta’ não estão sendo ouvidos. Mas mesmo estando no lado mais fraco, ainda temos muita força para continuar gritando, lutando e protegendo a floresta e as pessoas.”

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  • Você sabia que as mulheres são as mais impactadas pela mudança do clima?

    Postado por Juliana Costta - 6 - mar - 2018 às 14:34

    Nós, mulheres, corremos o risco de termos nossos direitos e corpos violados todos os dias. A mudança do clima só agrava esse cenário. A data do dia 8 de março é mais um dia de luta. Luta pelos nossos direitos. Pela nossa vida.

    Produtora de alimentos agroecológicos no Brasil

    Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, no Brasil, uma mulher é violentada a cada 11 minutos e, em 2016, a cada hora 503 mulheres sofreram agressão física. Uma grave violação dos nossos direitos. Dos direitos humanos fundamentais. A mudança do clima só piora esse cenário. Ela é responsável por diversos desastres, como inundações, secas, furacões devastadores e outros eventos climáticos extremos. Eventos que fazem famílias inteiras se deslocarem ou terem suas terras e casas arrasadas. O empobrecimento causado por esses desastres só aumenta os riscos de violência contra as mulheres.

    Retrato da produtora agroecológica Maria das Graças de Souza Batisti

    Na América Latina, por exemplo, 45% das mulheres são responsáveis pela produção alimentar doméstica. As mudanças climáticas obrigam essas mulheres a andar dezenas de quilômetros todos os dias para garantirem água, lenha e comida para as suas famílias. Ao andar essas longas distâncias para encontrar esses itens, elas tornam-se vulneráveis à violência.

    Banner colocado pelas ativistas do Greenpeace Brasil no escritório de São Paulo

    A emissão de gases de efeito estufa afeta o planeta. Afeta a vida das mulheres. A nossa vida. Por isso, neste dia 8 de março, nós mulheres do Greenpeace estaremos nas ruas lutando pelas nossas vidas e de todas as milhares de mulheres que sofrem com a violência, com o desrespeito e com as mudanças climáticas. Queremos um mundo justo e sustentável.

    Obs.: Se você também vive em São Paulo, junte-se a nós no protesto do dia 8 de março. Saiba mais no evento Leia mais >

  • Teresa, uma menina de 70 anos, doadora desde 1994.

    Postado por Tiago Batista - 20 - fev - 2018 às 13:46

    Como dizem, sou uma menina de 70 anos, perdi meus pais cedo, me separei e criei minha filha trabalhando muito. Tive e tenho aquela rotina agitada de mulher que precisa se virar para fazer tudo: sou dona de casa, doutora em matemática, mãe, avó e cidadã!

    Profissionalmente atuei como analista de sistemas e professora tanto do ensino médio como da graduação. Sou do tempo que computador era chamado de cérebro eletrônico.

    Quando pequena minha avó me motivava a cuidar das flores, ela tinha avencas e muitas outras. Deixei isso de lado durante um bom tempo, por morar em apartamento, mas assim que me mudei para uma casa resgatei o cultivo. Comecei com as plantas como samambaias, me interessei também por passarinhos (livres), preparei a torre de minhoca e surgiu aquele gosto pelo mato.

    Uma coisa leva a outra, e nessa onda verde surgiram os grupos de caminhada, as trilhas por lugares incríveis e com companhias esclarecidas. Foram essas companhias que ampliaram meu interesse pela natureza e me deram uma luzinha para conhecer o Greenpeace.

    Nos anos 90, tive a oportunidade de visitar o navio do Greenpeace no Rio, desde então, sempre acompanho as informações sobre o trabalho dos ativistas. E o trabalho que eles fazem, não é qualquer um que pode fazer. Ver a moça presa na Rússia, o luta pra defender as baleias no Japão, tudo o que fazem para proteger a Amazônia e saber que eu faço parte de tudo isso é emocionante.

    Busco separar o lixo e incentivar as pessoas a fazerem igual. Quando mandava e-mail para meus alunos sempre deixava uma frase, como: “Peixe também morre afogado, não jogue lixo no mar”.

    Me lembro de uma situação, quando minha neta tinha 7 anos, e fui com ela pra Friburgo procurar o Véu da Noiva, uma cachoeira que tínhamos ouvido falar que era linda e dava pra ver da estrada. Quando descobrimos que não existia mais ela começou a chorar muito. Contribuir com o trabalho do Greenpeace é uma forma de ajudar a construir um legado para minha filha, meus netos, para todo mundo.

    Sem água não temos essas belezas naturais, não vivemos. É necessário respeitar as águas, os animais, as árvores, a vida!

    Teresa Baldas, carioca, 69 anos, apaixonada pela natureza e doadora do Greenpeace desde 1994.

    Conte sua relação com o meio ambiente para a gente! Escreva para 

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  • Teresa, uma menina de 70 anos, doadora desde 1994.

    Postado por Tiago Batista - 20 - fev - 2018 às 13:19

    Como dizem, sou uma menina de 70 anos, perdi meus pais cedo, me separei e criei minha filha trabalhando muito. Tive e tenho aquela rotina agitada de mulher que precisa se virar para fazer tudo: sou dona de casa, doutora em matemática, mãe, avó e cidadã!

    Profissionalmente atuei como analista de sistemas e professora tanto do ensino médio como da graduação. Sou do tempo que computador era chamado de cérebro eletrônico.

    Quando pequena minha avó me motivava a cuidar das flores, ela tinha avencas e muitas outras. Deixei isso de lado durante um bom tempo, por morar em apartamento, mas assim que me mudei para uma casa resgatei o cultivo. Comecei com as plantas como samambaias, me interessei também por passarinhos (livres), preparei a torre de minhoca e surgiu aquele gosto pelo mato.

    Uma coisa leva a outra, e nessa onda verde surgiram os grupos de caminhada, as trilhas por lugares incríveis e com companhias esclarecidas. Foram essas companhias que ampliaram meu interesse pela natureza e me deram uma luzinha para conhecer o Greenpeace.

    Nos anos 90, tive a oportunidade de visitar o navio do Greenpeace no Rio, desde então, sempre acompanho as informações sobre o trabalho dos ativistas. E o trabalho que eles fazem, não é qualquer um que pode fazer. Ver a moça presa na Rússia, o luta pra defender as baleias no Japão, tudo o que fazem para proteger a Amazônia e saber que eu faço parte de tudo isso é emocionante.

    Busco separar o lixo e incentivar as pessoas a fazerem igual. Quando mandava e-mail para meus alunos sempre deixava uma frase, como: “Peixe também morre afogado, não jogue lixo no mar”.

    Me lembro de uma situação, quando minha neta tinha 7 anos, e fui com ela pra Friburgo procurar o Véu da Noiva, uma cachoeira que tínhamos ouvido falar que era linda e dava pra ver da estrada. Quando descobrimos que não existia mais ela começou a chorar muito. Contribuir com o trabalho do Greenpeace é uma forma de ajudar a construir um legado para minha filha, meus netos, para todo mundo.

    Sem água não temos essas belezas naturais, não vivemos. É necessário respeitar as águas, os animais, as árvores, a vida!

    Teresa Baldas, carioca, 69 anos, apaixonada pela natureza e doadora do Greenpeace desde 1994.

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  • Qual o pinguim mais irresistível da Antártida?

    Postado por Willie Mackenzie - 31 - jan - 2018 às 19:55 2 comentários

    Pinguins são adoráveis, mas há vários deles. Você consegue reconhecer a diferença entre cada um? Nós fizemos a nossa lista

    Nem todos enfrentam o desafio de viver na Antártida. Mas aqueles que habitam o continente de gelo são realmente especiais. É bom lembrar, diferentemente das aves migratórias, os pinguins não têm o luxo de poder voar para longe quando o tempo fica ruim.

    Enquanto seguimos com nossa campanha para proteger seu lar, por meio da criação de um santuário marinho no Oceano Antártico, elegemos os cinco tipos de pinguins mais fantásticos da Antártida. Conheça essas incríveis fofuras abaixo, mas antes, que tal assinar nossa petição pela Santuário que pode proteger essas espécies?

    Assine a petição

     5. Gentoo

     

    Eles são fáceis de identificar pela faixa branca triangular acima dos olhos, que se estende no topo de suas cabeças. Preferem as áreas livres de gelo, por isso se fixam na costa da península antártica e em suas ilhas no mar. Os Gentoos têm caudas semelhante a escovas. Eles costumam jogar suas cabeças para trás e fazer um som de trombeta muito alto – uma buzina que soa mais impressionante do que sua estatura de 75 cm pode sugerir. Gentoos felizes podem fazer centenas de mergulhos todos os dias em buscam de peixe, pequenas lulas e o krill, um pequeno crustáceo, tipo camarão, de 5 cm. Exímios nadadores, eles são considerados a ave mais rápida do planeta embaixo d’agua, atingindo velocidades de até 36 km/h.

    4. Macaroni

     

    Não, não é macarrão, é também mais uma espécie de pinguim, primo próximo do conhecido Rockhopper, também de penacho amarelo. O monogâmico pinguim-macaroni é o que vive mais ao sul entre a família dos pinguins com crista. Não gosta de se arriscar muito além das águas antárticas e fazem seus ninhos na península antártica e nas ilhas próximas. Mas será que com essa esplêndida crista amarela, essas desajeitadas bombas loiras devoradoras de krill poderiam ser mais adequadas a um cargo político? Donald Trump que o diga...

    3. De Barbicha

     

    Estes são pinguins que parecem usar um capacete. Os pinguins-de-barbicha podem parecer atarracados e sérios, e isso até faz sentido, pois sua sina não é motivo de riso. Monogâmicos, eles retornam todos os anos para o mesmo parceiro e o mesmo local de procriação, muitas vezes escolhendo ilhas rochosas difíceis de serem alcançadas para manter seus filhotes seguros. Mas essa segurança tem um custo: precisam percorrer penhascos perigosos e mares tempestuosos para poder alimentar seus companheiros e seus filhotes. No final das contas, um capacete não seria uma má ideia...

    2. Imperador

     

    Perdendo por pouco o primeiro lugar na nossa lista, está o pai de todos os pinguins: o pinguim-imperador. São a maior espécie viva de pinguins, podendo chegar a 1,3 metro de altura e pesar até 40 kg, aproximadamente o mesmo que uma criança de 12 anos. Não só eles são os maiores, mas também mergulham mais fundo, pelo menos 550 metros no gelado Oceano Antártico em busca de peixes e lulas.

    Cientistas descobriram recentemente que os pinguins-imperadores são especialmente bem adaptados à vida subaquática graças a bolhas que os tornam tão hidrodinâmicos e eficientes quanto um nadador olímpico. Os pinguins-imperadores também são casca grossa, não só sobrevivem ao duro inverno antártico, como criam e alimentam seus filhotes fofinhos no meio dele.

    Um amontoado embaralhado de pais caseiros permanecem nos ninhos para manter o calor e proteger seus ovos e filhotes recém-chocados, enquanto as fêmeas vão caçar para trazer comida. Eles são, sem dúvida, a maioria dos pinguins antárticos e, definitivamente, ganham o prêmio de "melhor pai" também.

    1. Adélia

     

    No topo da lista, o popstar da Antártida - o fofíssimo pinguim-de-adélia. Com não mais do que 70 cm de altura, esses pequenos foguetes podem parecer mal equipados quando se pavoneiam de forma desajeitada em terra, mas se transformam em torpedos quando estão na água caçando krills.

    Eles são ridiculamente adoráveis, e provavelmente o mais pinguinoso de todos os pinguins. Mas por trás de tanta fofura, está um resistente especialista em Antártida. Encontrado em toda a costa do continente, eles não se criam em nenhum outro lugar da Terra e passam os rigorosos invernos entre blocos de gelo no Oceano Antártico.

    São tão durões que eles fazem seus ninhos nas pedras! Os pedregulhos são a moeda que mantém a sociedade Adélia funcionando: são oferecidos como mimos em um galanteio e, se aceitos, usados para formar os ninhos; são roubados de vizinhos quando eles não estão olhando; e, err, trocados por alguns momentos de paixão.

    Sim, os grandes imperadores são os reis indiscutíveis do continente de gelo, mas acreditamos que a pela pura graciosidade pinguim, entretenimento e destreza em pinçar pedrinhas tornam os pequeninos Adélia o pinguim mais irresistível da Antártida.

    Willie Mackenzie é ativista de oceanos do Greenpeace no Reino Unido Leia mais >

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