Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • 5 coisas que você provavelmente não sabia sobre a Antártida

    Postado por Samantha Wockner - 18 - jan - 2018 às 14:15

    Lançamos uma campanha para criar um Santuário do Oceano Antártico - a maior área protegida da Terra. Mas por que? Bem, além de estar no lar de animais incríveis, como pinguins, baleias e focas, a Antártida desempenha um papel importante em manter nossa Terra saudável. Mas o continente de gelo é muito mais do que isso.

     

    A Antártida é repleta de coisas estranhas e maravilhosas que nos ensinam sobre a história da Terra (e seu futuro), nossos oceanos e as mudanças do clima. Então, para ficar tão animado quanto nós sobre protegê-la, aqui estão cinco fatos dignos da "mesa de bar" que você, provavelmente, não sabia...

    1. A Antártida tem uma cachoeira vermelha

    © National Science Foundation/Peter Rejcek

     

    Apropriadamente chamada de “Cachoeira de Sangue” (Blood Falls, em inglês), esta queda d´água parece que ele diretamente de um romance de Stephen King. Desde a sua primeira descoberta em 1911, os cientistas quebraram a cabeça para explicar esse fenômeno.

    Agora, graças à pesquisa da University of Alaska Fairbanks, conhecemos a verdadeira origem da “Cachoeira de Sangue”. Essencialmente, a água vem de um lago abaixo da geleira de Taylor, um grande glacial da Antártida, que ao longo do tempo retirou ferro das rochas. Quando o ferro na água salgada entra em contato com oxigênio, ele se oxida e assume uma coloração avermelhada, dando esse efeito mortífero para a água, com sua intensa cor vermelha. Simplesmente, é praticamente o mesmo processo que dá ao ferro a cor vermelha escura quando enferruja.

    2. Neve de melancia

    © Bryant Olsen

     

    Pode parecer delicioso, mas a neve da melancia não é para comer. Em parte, porque ela é laxante mas, principalmente, não é melancia, como você pode imaginar.

    A neve de melancia aparece no Ártico, na América do Norte, na Antártida e praticamente em qualquer lugar com a neve. À medida que o sol do verão se aquece e derrete os resquícios do inverno, as algas verdes (chamadas Chlamydomonas nivalis) que vivem no gelo começam a reagir a esse “bronzeado”. A partir daí, produzem um tipo natural de protetor solar que pinta as encostas de rosa e vermelho. Ai está: neve de melancia!

    É bonito, mas os cientistas sugerem que ela poderia acelerar o derretimento do gelo. A cor torna a neve mais escura, o que significa que aquece mais rápido. É como usar uma camiseta preta em um dia ensolarado, você logo vai ficar quente e sentir mais calor. Essa alga então pode se espalhar em mais gelo, criando um ciclo contínuo de neve, algas e derretimento. Mas, até agora, esta é uma teoria e mais dados precisam ser coletados antes de termos certeza desse efeito.

    3. Há regiões sem chuva ou neve há muuuito tempo

    © Eli Duke

     

    A Antártida é um monte de coisas. É o continente mais seco, com mais ventos, mais alto e mais frio da Terra. Mas aqui está algo ainda mais impressionante: alguns lugares não viram quase nenhuma chuva ou neve por cerca de dois milhões de anos. São convenientemente chamados de Vales Secos.

    As montanhas que cercam os Vales Secos são suficientemente altas para impedir que o gelo das camadas glaciais do leste da Antártida cheguem ao Mar do Ross. Essas condições únicas são causadas, em parte, por ventos katabáticos; são ventos super poderosos que ocorrem quando o ar frio e denso é puxado para baixo pela força da gravidade. Os ventos podem atingir velocidades de 320 km/hora, se aquecendo quando são empurrados para baixo. Evaporam toda a água, gelo e neve. 

    Os cientistas dizem que os Vales Secos da Antártida parecem semelhantes ao ambiente encontrado em Marte. Alguém já imaginou isso, pinguins espaciais?!

    4. As baleias-azuis comem krill... muito krill

    ©Doc White/Seapics.com

     

    As baleias-azuis são o maior animal da Terra. Faz sentido então terem um apetite do seu tamanho. Mas sua principal fonte de alimento é o krill, um crustáceo tipo camarão, com apenas 5 centímetros de comprimento. Uma baleia pode investir sobre um grupo de krill acelerando em alta velocidade, com a boca totalmente aberta. Empurrado pelo fluxo da água, sua boca se expande e sua língua (do tamanho de um elefante) se move para criar mais espaço. A baleia absorve até 110 toneladas de água e qualquer krill dentro desse bocado é filtrado e engolido.

    Se uma grande baleia-azul abocanhar uma população particularmente grande, ela pode engolir até 500 quilos de krill. Isso significa comer 457,000 calorias em um único e monstruoso bocado. Fizemos as contas, isso equivale a cerca de 200 pizzas médias, estimada em 853 calorias... humm.

    De forma preocupante, grandes barcos de pesca estão pegando krill para serem vendidos em suplementos de saúde (são ricos em ômega-3) e como alimento para peixes cultivados. As empresas de pesca têm o objetivo de capturar cada vez mais essa minúscula criatura da qual tantos animais incríveis da Antártida dependem. Mas um santuário marinho do Oceano Antártico proibiria essa atividade, deixando uma grande área fora do alcance da pesca industrial e da exploração corporativa. Isso permitiria que animais selvagens, como baleias e pinguins, continuassem se alimentando de krill em paz, mas que as populações de peixes, já tão pressionadas, encontrassem um refúgio para se recuperar.

    5. Um Tinder na Antártida que fará seu coração derreter

    quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

    Gentoo Penguins on South Georgia Eselspinguine © Markus Mauthe / Greenpeace

     

    Companheiros solitários em todo o mundo, esta é para você. No verão austral de 2013/2014, um cientista americano estava fazendo pesquisas na estação McMurdo, na Antártida, sozinho, sem ninguém para aquecê-lo. Decidiu se logar no Tinder "apenas por diversão". No  início, nenhum perfil apareceu. Mas quando o aplicativo expandiu seu raio de localização, ele encontrou alguém: outra pesquisadora, trabalhando em um acampamento-base nos Vales Secos – distante a 45 minutos de sobrevoo de helicóptero da estação. Ele deslizou rapidamente para a direita e, alguns minutos depois, eles deram match! <3.

    Eles se encontraram, mas infelizmente o romance antártico não floresceu. Ela iria embora no dia seguinte ao encontro e foi aí que tudo terminou. No entanto, é uma ótima história para você compartilhar na próxima vez que estiver fora... ou não perder as esperanças de encontrar uma cara-metade, ainda que seja no fim do mundo.

    Com tudo isso, é difícil não se apaixonar por esse lugar incrível. Agora, junte-se a nós nesse esforço global para criar o Santuário do Oceano Antártico. Leia mais >

    Assine a petição 

  • A marcha dos pinguins

    Postado por Akshey Kaira - 15 - jan - 2018 às 15:40

    Pessoas começaram a registrar imagens de pinguins em várias partes do mundo – o que eles querem nos dizer? 

    Dando uma geral por Barcelona e visitando a Igreja da Sagrada Família.

     

    Na manhã desta segunda-feira (15), começaram a circular fotos de pinguins vistos viajando nos trens, chegando aos aeroportos internacionais e em pontos de referência icônicos em várias cidades do mundo. De Sydney a Buenos Aires, de Londres a Joanesburgo, a pergunta que está na cabeça de todos é: por que eles estão aqui?

    Os pinguins fazem parte de uma nova campanha do Greenpeace que pede a criação da maior área protegida da Terra: um santuário marinho de 1,8 milhão de quilômetros quadrados na Antártida. Um santuário do oceano antártico seria um refúgio seguro para pinguins, baleias e focas, ao manter afastados os navios industriais que sugam o pequeno krill da qual a vida antártica depende. Um santuário que ajudaria a garantir a saúde de nossos oceanos.

    Assine a petição 

    Este refúgio só acontecerá se exigirmos que nossos líderes protejam nossos oceanos compartilhados. Este ano, temos uma oportunidade única para que isso aconteça - a Comissão pela Conservação da Antártida se reúne para discutir a proposta em outubro.

    Precisamos nos juntar aos pinguins e fazer com que os líderes mundiais nos escutem, todos nós! Junte-se ao movimento para proteger a Antártida!

    Se curtiu as fotos tanto quanto a gente, compartilhe! E convide seus amigos a assinar a petição.

    Em Sydney, um pinguim foi visto apreciando a vista da Opera House.

     

    Em Londres, um pinguim aproveitou para passar pela Tower Bridge em um dos famosos táxis pretos

     

    Pegando carona em um tour guiado pelo Portão de Brandemburgo, na Alemanha

     

    Curtindo o visual colorido do Caminito, no bairro do La Boca, em Buenos Aires

     

     

    Outro pinguim foi visto pedindo informações em Hamburgo

     

    Este pinguim viajou longe, até Seul, na Coréia do Sul, onde foi visto em frente ao Portão Gwanghwamun

     

    Este pinguim foi flagrado no metrô de Londres

     

    Passeando pelas ruas de Joanesburgo, na África do Sul

     

    Aproveitando o frio no hemisfério norte para defender o Santuário também em Estocolmo

     

     

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  • Uma nova aventura rumo à Antártida

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 5 - jan - 2018 às 14:40

    Saiba como será a expedição que faremos no Oceano Antártico, com direito a mergulhos submarinos e documentação da vida selvagem – algo só possível pelo apoio de pessoas como você

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  • Defensores dos Corais da Amazônia, obrigado por 2017

    Postado por Thaís Herrero - 20 - dez - 2017 às 15:25 1 comentário

    Pra fechar o ano de 2017 em clima de comemoração, nós do Greenpeace Brasil queremos agradecer a todos os defensores dos Corais da Amazônia.

    O ano de 2017 não seria tão incrível se não fosse por vocês. Faz menos de um ano que começamos a campanha para evitar que petrolíferas perfurem a região próxima aos corais. E ao longo desses tivemos muitos momentos marcantes ao lado dos 1,3 milhão de defensores dos Corais da Amazônia.

    Confira o vídeo que fizemos especialmente para agradecer a todos vocês! Que 2018 seja um ano de muitas vitórias e natureza protegida da ganância das petrolíferas.
     

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  • Memórias da Antártida

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 18 - dez - 2017 às 16:00

    Depois de sermos a única ong a ter um acampamento-base no continente de gelo por cinco anos, voltamos ao sul do planeta para uma nova aventura em sua defesa

    A relação do Greenpeace com a Antártida é antiga. Poucos ainda se lembrarão que chegamos a montar um acampamento-base por lá. Isso foi há 30 anos, em 1987, quando realizamos a mais ambiciosa campanha da organização para criar um “Parque Mundial Antártico” e manter o continente fora das operações militares e das atividades petrolíferas. E tivemos sucesso!

    Acampamento-base no inverno © Markus Riederer / Greenpeace

     

    Quando o Tratado da Antártida foi assinado, em 1959, teve como objetivo garantir apenas atividades pacíficas no continente e suspender reivindicações territoriais até 1991. Depois, o acordo foi renovado por mais 50 anos, ou seja, até 2041 ninguém pode se apropriar da Antártida. O Tratado abrange todas as terras e lençóis de gelo ao sul de 60° S de latitude.

    No entanto, o Tratado não foi forte o suficiente para manter a região protegida das perfurações de petróleo e gás e outras explorações minerais. É aí que o Greenpeace entra na história. Em 1985, lançamos uma ampla campanha global para transformar o continente em um grande parque natural mundial, o World Park Antártida, e ser regido sob regras parecidas com as adotadas em parques nacionais.

    Usando uma combinação de ações diretas, pesquisas científicas sólidas e pressão política, estabelecemos nossa própria base científica na Antártida em 1987.

    Operação de reabastecimento do acampamento base. © Greenpeace / Steve Morgan

     Base do Parque Mundial

    A tarefa era assustadora. Nenhuma outra ong estabeleceu uma base na Antártida e havia muitos obstáculos tanto práticos como políticos a serem superados. Na época, todos os países que já tinham bases na região eram unânimes na hostilidade em ter o Greenpeace como vizinho.

    Após meses de preparação, as piores condições meteorológicas em 30 anos impediram que nosso navio de abastecimento chegasse ao continente. Esta é uma região que pode apresentar ventos de 450 km/h e temperaturas de 50 graus negativos. O fracasso provocou um intenso debate interno sobre continuar a campanha ou não. Mas em 1986 outra tentativa foi montada.

    O navio quebra-gelo Gondwana foi o responsável pelo reabastecimento da base. © Greenpeace / Steve Morgan

     

    Mais uma vez, o navio partiu da Nova Zelândia levando uma base pré-fabricada e suprimentos. Desta vez, ele foi capaz de atracar apenas 200 metros da costa da Ilha de Ross, o local escolhido para a base permanente da organização no gelo. A construção começou no verão de janeiro de 1987 e o "World Park Base" começou a operar apenas três semanas depois.

    A base tinha quartos de dormir individuais, uma sala de estar comum, banheiro com chuveiro, um laboratório, equipamentos de comunicação e uma estufa hidropônica para cultivar vegetais. Um dos objetivos da campanha era fazer do "World Park Base" um modelo de boas práticas ecológicas na região, então todos os esforços foram feitos para garantir que ele atingisse os altos padrões necessários para diminuir o impacto dos seres humanos nesse ecossistema delicado. Ao longo dos anos, sua estrutura foi aperfeiçoada, passando a contar com geração de energia eólica, um melhor sistema de comunicação por satélite e um antigo navio quebra-gelo foi comprado, o “Gondwana”, usado para reabastecer suprimentos.

    A base era ocupada permanentemente por quatro voluntários: um mecânico, um operador de rádio, um cientista e um médico © Mike Midgley / Greenpeace

     

    O Greenpeace manteve sua base permanente na Antártida por cinco anos - de 1987 a 1991. Neste período, visitamos bases na região para monitorar se o impacto ambiental das instalações seguiam os regulamentos do Tratado Antártico. Muitos escândalos vieram à luz, forçando os países a se adequarem.

     

    Análise de esgoto: as tarefas dos voluntários incluíam a monitoração da poluição das bases vizinhas, como a italiana Terra Nova. © Greenpeace / James Perez

     

    Na temporada 1987/88, o Greenpeace fez manchetes ao redor do mundo quando 15 ativistas bloquearam o local de construção de uma pista de pouso francesa em Dumont D'Urville. O trabalho de construção foi controverso porque envolveu dinamitar uma área de ninhos dos pinguins. No dia do protesto, os trabalhadores da construção francesa reagiram com raiva a uma manifestação do Greenpeace e expulsaram os ativistas que, sem se intimidar, voltaram a ocupar a pista por um segundo dia. O governo francês abandonou os planos de construir a pista de pouso.

     

    Bloqueio dos ativistas contra a construção de pista de pouso na base francesa Dumont D'Urville - Foto: Steve Morgan / Greenpeace

     

    Nos sete anos da campanha, o Greenpeace passou de um estranho desprezado para um jogador respeitado nas negociações para o futuro do continente.

    Gradualmente, mais e mais dos signatários do Tratado foram persuadidos dos méritos de fazer da Antártica um Parque Mundial. Em 4 de outubro de 1991, os membros do Tratado Antártico concordaram em adotar um novo Protocolo Ambiental, incluindo uma proibição mínima de 50 anos sobre toda exploração mineral. O continente antártico havia sido salvo de uma ameaça mortífera na Antártida.

     

    Com o sucesso da campanha, a base do Greenpeace foi fechada e removida sem deixar rastros. © Greenpeace / Timothy A. Baker

     De volta à Antártida

    Agora, após várias visitas na região para confrontar navios baleeiros, retornamos aos mares gelados do sul do planeta em uma nova expedição para documentar as ameaças porque passa a região. Embora o continente esteja relativamente protegido, o mesmo não acontece com o oceano ao seu redor. Além do aquecimento global, a expansão da pesca industrial exerce uma forte pressão na região, colocando em risco espécies como pinguins, baleias e focas que precisam competir com os barcos por alimento.

    Mas temos uma grande oportunidade de criar a maior área protegida da Terra: um santuário no oceano antártico com 1,8 milhão de km2. A votação da proposta acontecerá em outubro, e por isso temos menos de um ano para exercer pressão e sermos ouvidos pelos membros da Comissão da Conservação da Antártida.

    Assim como no passado, em que gente do mundo todo apoiou essa grande aventura de estabelecer um acampamento no fim do mundo, precisamos novamente de pessoas como você nesta nova expedição.

    Assine e compartilhe a petição pela criação do santuário e se torne um doador do Greenpeace, fazendo parte deste grande time em prol da Antártida. Leia mais >

  • #Retrospectiva 2017: Campanha de Agricultura e Alimentação

    Postado por Marina Lacôrte - 15 - dez - 2017 às 11:12

    Foi bonito, foi intenso... e está só começando. Relembre um ano de luta do Greenpeace por alimentos mais saudáveis para as pessoas e para o meio ambiente

    O ano de 2017 foi marcado pelo lançamento coletivo da plataforma #ChegadeAgrotóxicos. O objetivo da ferramenta: ajudar a mobilizar a população a apoiar a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos, a PNARA – uma iniciativa da sociedade civil que virou Projeto de Lei em fevereiro desse ano. No entanto, como não podia deixar de ser, o governo a mercê dos ruralistas, que vem trabalhando arduamente pelo retrocesso e é faminto por veneno, até agora não permitiu que a PNARA sequer começasse a tramitar.

    Mesmo com inúmeros obstáculos impostos por governo e bancada ruralista para rumar para uma produção mais saudável, igualitária, justa e digna, a sociedade está mostrando muito mais preocupação sobre agricultura e alimentação, principalmente com a questão dos agrotóxicos, e isso é um passo muito importante. As pessoas estão defendendo cada vez mais o direito a uma alimentação saudável e ao meio ambiente equilibrado. A plataforma #ChegadeAgrotóxicos já atingiu mais de 77 mil assinaturas. É um estádio lotado gritando em coro: “não podemos mais engolir tanto veneno”. Não podemos e não precisamos!

    Este número precisa continuar crescendo. Para cobrar ainda mais o poder público e engajar a sociedade, também neste ano, realizamos testes de agrotóxicos em 100 kg de alimentos. Comida que eu e você comemos, que seus filhos comem em casa e na escola, que sua família divide na ceia de natal. Os resultados são preocupantes!

    Reveja nossos relatórios e testes de alimentos, relembre os eventos que fizemos e participamos, revisite nossas matérias e reportagens e não se esqueça de continuar compartilhando a plataforma #ChegaDeAgrotóxicos com quem ainda não assinou a petição.

    Confira a #Retrospectiva da Campanha de Agricultura e Alimentação:

    1. Agrotóxicos x Abelhas

    Em 2016 algumas espécies de abelhas foram classificadas como espécie ameaçada de extinção, e muito tem se falado do declínio destes animais e os impactos disso na produção de alimentos no mundo. Em janeiro de 2017 o Greenpeace também lançou um relatório explicando como a população de polinizadores está ameaçada pelo uso de agrotóxicos, colocando em risco nossa própria capacidade de produzir alimento

    2. Não quer instalar a Comissão, mas só come orgânico

    (Reprodução / Folha de S.Paulo)

    Fonte da Charge

    Apesar de ter assinado em fevereiro a criação de uma Comissão Especial para analisar a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos, o atual Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, até hoje não cumpriu com a promessa de instalação da Comissão. A PNARA ainda aguarda para começar a tramitar. O engraçado é que ao assumir o compromisso, o parlamentar admitiu consumir somente orgânicos em sua casa… e a sociedade comendo veneno. Pode isso, Arnaldo?

    3. Mobilizando a sociedade

    Após a PNARA ter se tornado um projeto de Lei, Greenpeace e parceiros criaram em março a petição “Chega de Agrotóxicos” para ajudar a mobilizar mais pessoas pelo apoio a tramitação da Política, e fazer resistência contra o catastrófico “Pacote do Veneno” – uma série de medidas que vão ampliar ainda mais o uso de agrotóxicos no país.

    4. Festa dos orgânicos

    A Plataforma #ChegaDeAgrotóxicos fez sucesso na Feira Nacional da Reforma Agrária, onde foi realizado um evento de lançamento da ferramenta. A feira recebeu a presença da Chef Bela Gil, que falou muito bem sobre a importância da transição agroecológica, e de outros artistas e especialistas para apoiar a produção livre de agrotóxicos. Além disto, contou com mais de 280 toneladas de alimentos, sendo a maior parte produtos agroecológicos e orgânicos, provando que com apoio e estímulos, sim, a agricultura familiar pode dar conta do recado!

    5. Cinco pra mim, um pra você

    Em julho, com o lançamento do plano Safra, o Greenpeace volta a criticar essa política do governo que insiste no erro ao continuar melhorando o financiamento e linhas de crédito para o modelo convencional e para os grandes produtores, enquanto que os subsídios para a agricultura familiar ficam estagnados.

    6. Se não vai de um jeito, vai de outro

    Com a popularidade lá embaixo e altamente dependente do apoio de ruralistas para se manter no poder, o Governo anunciou em agosto uma Medida Provisória dos Agrotóxicos, com o objetivo de transvestir em forma de medida provisória o “Pacote do Veneno”, que encontra resistência para seguir tramitando na Câmara. A iniciativa tem o intuito de acelerar a aprovação dessas leis, uma vez que um Projeto de Lei demora muita mais tempo para ser aprovado do que uma Medida Provisória. O Greenpeace fez barulho e colocou o dedo na ferida: o governo não pode continuar trocando votos e apoio no Congresso Nacional pela saúde da população e pela preservação do meio ambiente!

    Com a ajuda da mobilização de pessoas e Chefs conhecidos, a Medida, apesar de anunciada, não foi aprovada! Mas precisamos seguir pressionando para evitarmos surpresas desagradáveis de Natal e Ano novo!

    7. Filmaço

    (Reprodução)

    Alimentação e cinema: em agosto Greenpeace e parceiros organizaram uma sessão de cine-debate na Cine Sala São Paulo, em São Paulo, com o filme “Fonte da Juventude”. O diretor, especialistas e um representante do Greenpeace participaram do debate após a exibição. O filme pode ser acessado neste link, mediante a organização de uma exibição pública – uma ótima forma de trazer ainda mais pessoas para essa luta!

    8. De olho no T

    No final de agosto, o governo anunciou um decreto que acabaria com a rotulagem de produtos alimentícios transgênicos – aquele “T” preto e amarelo, sabe? O Greenpeace e diversas outras organizações promoveram um Twitaço contra a iniciativa, afinal a sociedade tem o direito de saber o que come! O decreto não saiu, mas um Projeto de Lei de mesmo teor continua tramitando na casa. Continuemos então #DeOlhoNoT!

    9. Hermanos do norte marcam golaço

    Em apoio à campanha do Greenpeace México, escritório brasileiro celebra vitória: Bimbo se comprometeu com uma agricultura sem agrotóxicos. É um fato histórico que a maior panificadora do mundo tenha se comprometido com o fim dos agrotóxicos, uma vitória e tanto, embora ainda haja muita luta pela frente!

    10. Americana me representa

    Dando um exemplo para as grandes cidades do país, Americana, município do interior paulista cercado de intensa atividade agrícola convencional, colocou em votação projeto de lei para banir a pulverização aérea de agrotóxicos na região. O Greenpeace e parceiros deram apoio a causa, provocando outras cidades a aderirem ao movimento. Infelizmente o projeto não foi aprovado e a população de Americana continua a encarar as consequências desta prática. De um jeito ou de outro, nós continuamos lutando por iniciativas como estas.

    11. Dia de resistência

    No Dia Mundial da Alimentação, Greenpeace não teve o que comemorar por conta dos ataques dos ruralistas e do governo pela liberação de ainda mais agrotóxicos. Diversas organizações, em resistência, se mobilizaram para fazer um apelo sobre a importância do tema e da data e realizaram inclusive um Tuitaço para mobilizar ainda mais pessoas.

    12. Agora que veio, vai ouvir...

    Marina Lacôrte discursa em plenária (© Alan Azevedo / Greenpeace)

    Greenpeace participa de audiência pública na Câmara dos Deputados sobre redução de agrotóxicos para mostrar, onde quer que seja, nossa posição e argumentos por uma agricultura mais sustentável e saudável. Mas claro, nosso discurso não agradou a todos e ruralistas que compareceram se incomodaram. 

    13. Tem veneno sim: Greenpeace mostra mais uma vez nossa dieta rica em agrotóxicos

    Um dos grandes momentos da Campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace Brasil em 2017 aconteceu no final de outubro com o lançamento do relatório “Agricultura tóxica: um olhar sobre o modelo agrícola brasileiro” e dos testes toxicológicos que resultaram na publicação “Segura este abacaxi: os agrotóxicos que vão parar na sua mesa”.Acesse para conferir os resultados completos.

    Mostramos mais uma vez que não se trata de uma questão pontual: estamos comendo veneno todos os dias. Ao menos 60% das amostras de alimentos básicos da nossa dieta apresentaram algum tipo de resíduo. Trazemos em nosso relatório uma série de artigos de especialistas renomados de diferentes áreas, que falam dos inúmeros impactos do modelo agrícola brasileiro e da necessidade de uma transição agroecológica que, sim, é possível!

    Mais um ano se encerra… mas a luta continua

    O ano de 2017 foi um ano de construção. Preparamos o terreno, porque muita coisa está vindo por aí. Escancaramos o problema e explicamos nossa visão, desconstruimos com argumentos sólidos essa agricultura tóxica, que não é a única forma de produzir e que não alimenta o mundo, apenas o bolso de poucos. E apesar de estarmos em um momento difícil, rodeados de retrocessos, o Greenpeace não vai parar de trabalhar por uma agricultura que respeite a vida.

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    E o que é mais gratificante para nós é ver cada vez mais pessoas se informando a respeito de sua alimentação, se mobilizando pelos seus direitos, tomando posições e embarcando em nossas lutas. Que venha 2018! 

    Marina Lacôrte é especialista da campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace Brasil

  • Temos um ano para criar a maior área protegida da Terra

    Postado por Greenpeace - 14 - dez - 2017 às 13:15

    Em outubro de 2018, a Comissão para a Conservação da Antártida votará a proposta de estabelecer um santuário de 1,8 milhão de km2 no oceano antártico. Desde já, é a chance de criar um movimento para manter pinguins, baleias e focas longe das agressões humanas, e que não pode ser perdida

    Pinguins-imperador e de Adélia no oceano antártico. © Greenpeace / Jiri Rezac

     

    Nas palavras do escritor e naturalista inglês David Attenborough, "nosso planeta é um planeta azul". Com mais de 70% do globo coberto pela água, nossos oceanos podem ser vistos de todo o sistema solar.

    Não faz muito tempo que ainda acreditávamos que os oceanos eram muito grandes para serem impactados de forma significativa ou duradoura pelas atividades humanas. Que ilusão! Estudo após estudo demonstram como os efeitos da pesca excessiva, da perfuração de petróleo, da mineração em águas profundas, da poluição e das mudanças climáticas põe os seres humanos no centro da crise por que passa os oceanos e os animais que vivem neles.

    Mas não é apenas a vida selvagem que está ameaçada, nós também estamos. A saúde de nossos mares alimenta bilhões de pessoas e sustenta o nosso planeta através da luta contra as mudanças climáticas. Nosso destino e o destino de nossos oceanos estão intimamente ligados. 

    Que tipo de ação pode ser tomada para evitar que esse dano se torne irreversível?

    A maioria dessas águas estão fora das fronteiras nacionais. São vastas áreas oceânicas que não pertencem, tecnicamente, a ninguém - o que significa que elas pertencem a todos nós. Nós somos seus guardiões compartilhados e o que acontece com elas é nossa responsabilidade coletiva.

    Iceberg no oceano da Antártida ©Daniel Beltra/Greenpeace

     A ciência é clara: precisamos criar santuários nos oceanos

    Os santuários nos oceanos são grandes áreas protegidas que estão fora do alcance das atividades humanas exploradoras. Eles fornecem um refúgio para a vida selvagem e os ecossistemas se recuperarem Os benefícios são globais. Quando as populações de peixes conseguem se recuperar nesses locais, se espalham por todo o mundo, garantindo a segurança alimentar de bilhões de pessoas. E os cientistas têm cada vez mais clareza: oceanos saudáveis ​​desempenham um papel crítico na absorção de dióxido de carbono e nos ajudam a evitar os piores efeitos das mudanças climáticas.

    A boa notícia é que a maré da história está virando, e nosso planeta azul finalmente começa a receber mais atenção pela proteção de seus oceanos. Apenas alguns meses atrás, em uma sala abafada longe do mar, governos de todo o mundo concordaram em iniciar um processo para protegê-los: um Tratado do Oceano.

    Esse grande acordo não será alcançado até 2020, mas, enquanto isso, o movimento já contribui para consolidar uma adequada proteção oceânica. No início do mês, uma enorme área de 1,5 milhão de quilômetros quadrados foi protegida no Mar de Ross, na Antártida. Em um clima político turbulento, foi uma demonstração importante de como a cooperação internacional pode agir para proteger nossa casa compartilhada.

    Sentada no fundo do mundo, a Antártica é o lar de uma grande diversidade de vida: grandes colônias de pinguins-imperador e pinguins-de-adélia; a incrível lula-colossal, com olhos do tamanho de bolas de basquete que permitem ver nas profundezas; e a baleia azul , o maior animal que já existiu em nosso planeta.

    Pinguins-de-adélia no oceano antártico: uma das espécies vulneráveis às ameaças que vêm pressionando a região © Greenpeace / Jiri Rezac

     

    Na Antártida, a crescente expansão da pesca industrial visa uma espécie que praticamente todos os animais dependem: o krill. São minúsculos crustáceos, tipo um camarão, que pinguins, baleias, focas e outros animais selvagens dependem para sobreviver. A terrível notícia de que uma colônia de quase 40.000 pinguins morreu de fome, com apenas dois filhotes sobreviventes, é uma sombria ilustração das enormes pressões que as populações da vida selvagem da Antártida já enfrentam. Uma indústria de krill em expansão é apenas mais uma notícia ruim para a saúde do Oceano Antártico. Pior ainda, a indústria do krill está bloqueando as tentativas de proteção ambiental na região.

    Neste momento, os governos responsáveis ​​pela Antártida estão reunidos para discutir o futuro do continente e de suas águas. Ao se reencontrarem em outubro, eles terão uma oportunidade histórica para estabelecer a maior área protegida da Terra: um Santuário do Oceano Antártico. Com 1,8 milhão de km2, ele abrangeria o Mar de Weddell, ao lado da Península Antártica, e seria cinco vezes o tamanho da Alemanha, o país que propõe sua criação.

    A criação da maior área protegida do mundo no Oceano Antártico mostraria que o lobby corporativo e interesses nacionais não combinam com o apelo global para proteger o que pertence a todos nós.

     

    O movimento para proteger mais da metade do nosso planeta - os oceanos - começa agora, e começa na Antártida.

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  • Qual o futuro sustentável dos biocombustíveis?

    Postado por Davi Martins - 4 - dez - 2017 às 11:31

    Não é possível estabelecer um marco legal para o setor sem considerar a transição para o fim dos combustíveis fósseis

     

    Plantação de soja no cerrado, em Mato Grosso: como garantir que a maior demanda por biocombustíveis não pressione ainda mais a vegetação nativa? Foto: Bruno Kelly/Greenpeace

     A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que cria a Política Nacional de Biocombustíveis, chamada de RenovaBio. A iniciativa, lançada em 2016, propõe um marco legal para expandir a produção e o uso de biocombustíveis no Brasil, “de forma sustentável e compatível com o crescimento do mercado”. É ai que estão as dúvidas.

    Na teoria, o uso dos biocombustíveis é positivo como transição para uma matriz energética mais limpa– eles são renováveis e emitem menos poluentes que os combustíveis fósseis, como o diesel e a gasolina. Porém, o projeto de autoria do deputado Evandro Gussi (PV-SP), pouco discutido com a sociedade, tem falhas ao não tratar devidamente pontos cruciais para a adequada regulamentação do setor: 

    • Não impede que a vegetação nativa seja ocupada para a produção de biocombustível, como já acontece no Cerrado brasileiro com a soja. O aumento na demanda por biocombustíveis pode ser uma pressão maior no desmatamento. O novo Código Florestal, que deveria responder a isso, está sob ameaça de sofrer novas alterações para se adequar às exigências do agronegócio. 
    • Não traz metas de redução de emissão de gases de efeito estufa (GEE) e de poluentes locais (material particulado MP10 e MP2,5) adequadas com as metas do Acordo de Paris. Embora os biocombustíveis poluam menos, a solução é paliativa ao não zerar as emissões, algo que será fundamental a partir de 2050, se quisermos limitar o aquecimento global a 1.5º C. 
    • Não estabelece um cronograma que garante a descontinuidade de combustíveis fósseis na geração de energia e no transporte. O mundo desenvolvido já planeja o fim do motor à combustão para antes de 2050. Como ficará o mercado internacional para biocombustíveis em um mundo predominantemente elétrico?

     A devida regulamentação do setor de biocombustíveis deve acontecer atendendo, portanto, aos critérios estabelecidos pelo Brasil no Acordo de Paris. Sendo assim, é imprescindível que este projeto de lei estabeleça metas claras rumo à emissão zero dos setores de energia e transportes para garantir o limite mínimo de aquecimento. Esta é a melhor oportunidade de regulamentar o setor fundamental para a transição que deve, primeiramente eliminar os combustíveis fósseis, para então, eliminar por completo todas as emissões de poluentes.

    Davi Martins é engenheiro e especialista em Mobilidade Urbana do Greenpeace  Leia mais >

  • Feliz Dia Mundial da Antártida!

    Postado por Greenpeace - 1 - dez - 2017 às 13:05

    Hoje é dia de celebrar um novo passo pela sua proteção e de se preparar para uma nova aventura com a gente; muito em breve, poderemos fazer ainda mais pelo continente de gelo, tão ameaçado

    A Antártida está tão longe da maioria de nós, que muitas vezes cai fora da borda dos mapas do mundo, como uma conclusão final inacabada. A massa terrestre da Antártida detém 90% da água doce no planeta, é o maior deserto do mundo e o único continente sem população humana nativa.

     Hoje, 1 de dezembro, é o Dia Mundial da Antártida - um dia para celebrar o continente que pertence a todos nós e nenhum de nós. O Dia Mundial da Antártida reconhece o “Tratado Antártico”, que reuniu governos globais interessados ​​no continente gelado. O tratado abrange todas as terras e lençóis de gelo ao sul de 60° S de latitude, e foi acordado há exatos 58 anos para colocar a Antártida fora dos limites da atividade militar, destinando-a a ser um lugar exclusivo para a paz e a exploração científica.

    O Oceano Antártico circundante não só proporciona vida e abrigo para animais incríveis, únicos e icônicos se desenvolverem, mas também influencia outros oceanos e toda uma vida selvagem que vive a milhares de quilômetros de distância dali.

     No entanto, esse Tratado não foi longe e forte o suficiente para proteger o continente da perfuração de petróleo e gás ou de outras explorações minerais – é ai que o Greenpeace entra. Em 1985, após vários anos de planejamento, iniciamos uma campanha maciça para criar um “Parque Mundial Antártico”. Usando uma combinação de ações diretas, ciência sólida e pressão política, estabelecemos até nossa própria base científica na Antártida, em 1987. Muitos anos depois, é hora de voltar a navegar nesses mares em uma nova expedição dedicada a aumentar a proteção dessas águas. Para saber mais sobre essa aventura, cadastre-se no formulário abaixo.

       

    O sucesso chegou em 1991, quando as nações concordaram com um protocolo ambiental de proteção à Antártida. Nossa base no continente foi fechada e removida no mesmo ano, sem deixar rastros. Desde então, o continente de gelo foi protegido contra a exploração. Mas, infelizmente, não se pode dizer o mesmo do oceano que o circunda.

     Tudo na Antártida depende diretamente do oceano. Ele fornece comida, abrigo e a própria vida, mas as criaturas que vivem lá enfrentam uma avalanche de ameaças humanas ao longo dos séculos. A massiva caça à baleia em escala industrial foi, naturalmente, um dos capítulos mais sombrios, até à sua proibição global ser alcançada em 1982 – uma conquista no qual o papel do Greenpeace foi essencial. A defesa das baleias continua agora através da luta contra as mudanças climáticas, da poluição dos plásticos e dos ruídos nos mares, da chamada "caça científica", e agora, da pesca do krill antártico, um pequeno crustáceo que é a base de toda a cadeia alimentar da região. Além disso, o Oceano Antártico está na vanguarda dos primeiros e piores impactos das mudanças climáticas. 

    Um novo santuário para a Antártida

    Só faz sentido que este oceano, que abriga populações globais de animais icônicos, também seja protegido como o continente já é. A Antártica não é nada sem o oceano. É por isso que, neste ano, o Dia Mundial da Antártica é uma ótima oportunidade de celebrar e de fazer muito mais.

    Mar de Weddell, na Antártida: nosso novo desafio será fazer com que os governos criem a maior área protegida do mundo na região.

     Neste dia 1 de dezembro de 2017, a Área Marinha Protegida do Mar de Ross entra em vigor. Este santuário, que abrange 1,5 milhão de quilômetros quadrados, foi finalmente acordado no ano passado pela Comissão do Oceano Antártico. É uma notícia fantástica para pinguins, baleias, focas e todos nós, mas também é uma lembrança de que precisamos nos mover muito mais rápido para proteger essas preciosas criaturas e seus lares. Precisamos urgentemente proteger mais nossos oceanos, e nem sequer é um trocadilho divertido dizer que o progresso até agora foi glacialmente lento.

    Em 2018, o Greenpeace retornará à Antártida, mais de 25 anos depois de desarmarmos nossa base no continente. Estamos enviando nosso navio Arctic Sunrise ao sul, em uma viagem de expedição ao fim da Terra (ou seria seu início?). Nossa missão é nos juntar a um movimento global pela criação do maior santuário oceânico do mundo para proteger a fauna frágil e surpreendente no Mar de Weddell, como os pinguins, baleias e focas. Leia mais >

     Mas simplesmente não podemos fazê-lo sem sua ajuda. Queremos que você se prepare para embarcar nesta nova viagem conosco! Cadastre-se abaixo para receber mais informações, fotos e vídeos incríveis dessa expedição.

       

  • Um trilhão de reais para poluir

    Postado por Márcio Astrini* - 27 - nov - 2017 às 12:00

    Para favorecer empresas do petróleo, inclusive estrangeiras, nosso governo quer usar o dinheiro do bolso do contribuinte para destruir o clima.

    Arte de rua pede "ar limpo já" enquanto o governo brasileiro está prestes a favorecer a indústria do petróleo e abrir R$ 1 trilhão nos cofres públicos. (Foto: ©Lorenzo Moscia/Greenpeace)

    Em março deste ano, o ministro do comércio do Reino Unido, Greg Hands, estava no Brasil e se encontrou com nosso secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa. Na pauta, os interesses de empresas petrolíferas britânicas – em especial a BP, a Shell e a Premier Oil, que estariam preocupadas com taxações e licenciamento ambiental por aqui. Pedrosa disse que estava pressionando seus pares no governo brasileiro para que os interesses das petrolíferas britânicas fossem atendidos. Parece que os esforços de Pedrosa deram certo. E como.

    Em meados de agosto, o Governo enviou ao Congresso a Medida Provisória 795/2017, que reduz os tributos que petrolíferas pagarão ao cofres públicos. A garfada no bolso dos brasileiros poderá chegar ao valor de 1 trilhão de reais em isenções fiscais nos próximos 25 anos – recheando assim os bolsos das empresas petrolíferas internacionais. O texto está prestes a ser votado na Câmara dos Deputados. O governo brasileiro também renovou o Repetro, um regime de isenções fiscais para importação de equipamentos da indústria petrolífera. Em outubro, a Shell disputou seis áreas para explorar petróleo no pré-sal. Ganhou três.

    Já a BP, que levou dois blocos no último leilão de pré-sal, está atualmente tentando obter o licenciamento ambiental para buscar petróleo na foz do rio Amazonas a partir de 2018. O Ibama alega que o estudo de impacto ambiental da empresa tem falhas e faltam dados mais completos. E pediu revisões.

    Mas a MP 795 não foi feita apenas para esvaziar o bolso do contribuinte. Ela também é uma tragédia ambiental de proporções globais. Ao ofertar incentivos trilhardários à indústria do petróleo, o país corre para ficar na contramão de todos os esforços de combate às mudanças climáticas. E ignora que as mudanças climáticas já fazem muitas vítimas. Afinal, a queima de combustíveis fósseis como o petróleo é um dos principais responsáveis pela poluição do planeta.

    O real propósito do governo fica claro em um texto postado nas redes sociais pelo diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Décio Oddone. Ele afirmou: “Estamos em transição para uma economia de baixo carbono. Vai sobrar petróleo embaixo da terra. Espero que não seja o nosso”.

    Lobby escancarado
    A denúncia de lobby entre governo britânico junto ao brasileiro para favorecer empresas petrolíferas foi divulgada pelo jornal britânico The Guardian. A informação veio de um documento obtido pelo Unearthed, braço de investigação do Greenpeace do Reino Unido. E já desencadeou em um pedido de investigação à Procuradoria Geral da República e reverberou no parlamento inglês.

    É inegável que o encontro teve efeito em decisões do governo. A Shell é a maior petroleira privada em operação no Brasil, e a BP também tem uma atividade relevante para as cifras da economia nacional.

    O que vemos com essa série de desdobramentos é mais uma vez o governo atendendo, sem nenhum pudor, aos interesses internacionais – e privados – em detrimento dos interesses do Brasil, dos brasileiros e do meio ambiente.

    Há pouco tempo, ocorreu um escândalo parecido envolvendo o mesmo Ministério de Minas e Energia e mineradoras. Naquela oportunidade o governo havia editado um decreto abrindo a área conhecido como RENCA, em uma região intocada da Amazônia e rica em ouro, para ser explorada a pedido de empresas canadenses.  

    No começo de novembro, os países do mundo inteiro estavam reunidos na Alemanha, conversando sobre como reduzir emissões de gases que causam o aquecimento global. E o Brasil, na contramão do que prometeu na COP23, está entregando o petróleo de seu subsolo a um custo baixíssimo em termos financeiros – e altíssimo em termos ambientais e sociais.

    A MP do Trilhão entrega o Brasil aos interesses internacionais E ainda coloca nosso país na posição de vilão do bem-estar e da segurança climática.

    *Márcio Astrini é coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil

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