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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Quatro razões para ser otimista, apesar da falta de ambição da UE

    Postado por Joris den Blanken - 4 - nov - 2014 às 15:34 6 comentários

    Na semana passada, a União Europeia divulgou as metas de cortes de emissões de carbono, economia de energia e energia limpa para 2030. O Greenpeace tem sido claro na sua avaliação: o nível de redução das emissões é inadequado, e a indústria pode acabar pegando leve na hora de fazer investimentos em energia limpa na Europa. Apesar disso, existem quatro boas razões para ser otimista sobre o que significa essa decisão para a luta global contra as alterações climáticas.

    Os governos da União Europeia têm outra chance de acertar (©Greenpeace).

     

    1. Pôr uma grande divisão entre ricos e pobres membros da UE

    Há alguns anos as negociações climáticas na Europa ficaram paralisadas devido a um impasse entre países mais ricos e outros mais pobres da União Europeia. Durante os últimos três anos, o governo polonês foi inflexível em sua oposição à maioria das medidas climáticas e energéticas propostas pela UE. Em muitas oportunidades os poloneses foram bem sucedidos em encontrar aliados na Europa Central e Oriental.

    Se os governos da Polônia (país que tem 90% da produção de energia a partir do carvão) e Bulgária (com um PIB per capita 16 vezes menor que a de Luxemburgo) podem chegar a acordo sobre objetivos climáticos e energéticos da UE, é possível ter o apoio de países como a África do Sul e o Brasil para assinar um acordo climático internacional.

    2. China e os EUA começar a enfrentar as emissões de carbono

    Os Estados Unidos e a China lutaram por regulamentos vinculativos para reduzir as emissões de carbono durante as negociações de Copenhague 2009, mas as coisas mudaram desde então. Entre os grandes emissores, a UE não está mais sozinha na criação de medidas sobre mudanças climáticas. Na verdade, os europeus terão que trabalhar mais para ficar na liderança. O consumo chinês de carvão, pela primeira vez em décadas, está diminuindo, segundo análise do Greenpeace. Onze das 34 províncias chinesas estão planejando medidas que diminuam o consumo de carvão em 2017. E, em um esforço para combater a poluição, sete províncias e cidades chinesas estabeleceram esquemas-piloto para se preparar para um mercado de carbono em todo o país a ser estabelecidas em 2016.

    Nos EUA, o consumo de carvão atingiu o pico em 2007 e caiu em um quinto até 2013. Cerca de metade das reduções americanas no uso de carvão são resultado de uma utilização mais ampla dos investimentos em eficiência energética e energias renováveis​​.

    As ações dos dois maiores emissores do mundo são significativas. China e EUA são esperados para aumentar o nível de ambição sobre mudanças climáticas nos próximos meses.

    3. Os governos da UE têm outra chance de acertar

    A linguagem do acordo União Europeia (UE) na semana passada explicitamente permite aumentar o nível de ambição da meta de emissões para 2030. O acordo da UE deve, portanto, ser visto como uma tentativa de abertura.

    Isso é uma boa notícia porque o alvo de carbono atual da UE é muito modesto.  O Professor Jim Skea, vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, concorda que o objetivo da UE de 40% de cortes de gases de efeito estufa até 2030 é muito fraco. Sua conclusão está em linha com a análise detalhada da meta da UE de 2030 pela Agência Netherlands Environmental Assessment (PBL), que vê como necessário um corte de 47%. A Ecofys mostra que é necessário reduzir as emissões para 49% para alcançar uma contribuição considerável da UE tendo em vista os cortes globais de carbono.

    E não são apenas os analistas que concordam com a ambição da meta. Os governos da Suécia e Reino Unido pretendem diminuir as emissões em 50%.

    O Greenpeace reivindica uma meta de redução de 55% de gases. A UE já apresentou um plano para aumentar o nível das metas de emissões anunciadas por todos os governos antes da cúpula do clima de Paris em 2015. 

    4. Um novo presidente da Comissão: Jean-Claude Juncker

    No próximo ano, a nova Comissão Europeia, liderada pelo presidente Juncker, irá traduzir as novas metas climáticas e energéticas da UE em propostas legislativas através das energias renováveis, eficiência energética e comércio de emissões.

    Com os custos de tecnologias de energia limpa em queda, as negociações internacionais sobre o clima e economia de energia estão no topo de sua agenda.

    Juncker prometeu fazer da Europa a número um mundial no uso de energias  renováveis. Ele comprometeu-se a encaminhar e pensar nas políticas de mudanças climáticas, e afirmou que a Europa precisa de pelo menos 30 por cento de economia de energia. Leia mais >

  • Carro mais barato que o busão

    Postado por Barbara Rubim - 3 - nov - 2014 às 17:03 5 comentários

    Manifestações, Copa do Mundo e eleições. Em todos esses eventos, o Governo Federal encheu a boca para falar da necessidade de se investir em mobilidade urbana para melhorar a qualidade de vida da população. No entanto, na hora de dar a canetada e construir políticas públicas que reflitam tudo isso, essa convicção toda vai para o fundo do poço e acabamos tendo mais do mesmo: incentivos para o uso do automóvel e transporte coletivo de baixa qualidade, com preço elevado.

    É isso que comprova pesquisa do IPEA: nos últimos 20 anos a tarifa do transporte coletivo subiu 685%, já o preço dos carros subiu só 158,36% - menos da metade da inflação acumulada no período (365,58%). E o aumento nas despesas penaliza mais os mais pobres: os 10% mais pobres da população comprometem 21,83% da renda com transporte, enquanto os 10% mais ricos comprometem 13,83%, revela o mesmo estudo.

    Infográfico mostra evolução das tarifas do transporte público em comparação com o aumento dos preços dos carros. (Ilustração: Guilherme Munhoz) Leia mais >

     

    Por outro lado, os carros obtêm outra grande vantagem na disputa de preferência com o transporte público: a desoneração da gasolina. Para segurar a inflação, o governo federal desonera a CIDE-Combustíveis, que inclusive torna seu preço mais competitivo em relação ao etanol, combustível menos poluente.

    Além do mais, a CIDE era a única fonte permanente de financiamento de transporte público coletivo. Com a sua desoneração, aumenta o gasto das prefeituras com o financiamento dos sistemas de ônibus.

    Já que o ônibus está ficando mais caro, o carro tem virado a opção preferencial de muita gente. O resultado dessa equação a gente já conhece: transporte público cada vez mais lotado e cidades paradas. É, minha gente, como já cantava Kátia, não está sendo fácil!
  • Montadoras, parem de nos enrolar!

    Postado por Carolina Nunes - 31 - out - 2014 às 15:54 3 comentários

    Greenpeace protesta no Salão do Automóvel para exigir que Fiat, Chevrolet e Volkswagen se comprometam com a produção de carros mais eficientes

    Ontem o Greenpeace foi ao Pavilhão de Exposições do Anhembi preparado para dar o seu recado. E conseguiu. O Salão do Automóvel foi palco de dois protestos pedindo às três maiores montadoras do Brasil que produzam carros mais eficientes.

    O primeiro aconteceu logo na cerimônia oficial de abertura, que estava cheia de autoridades políticas e altos executivos da indústria automobilística. No palco, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad, o ministro das Cidades Gilberto Occhi e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Mário Borges, responsável pelo programa Inovar-auto, que fomenta o desenvolvimento tecnológico da indústria automobilística.

     

    Um ativista subiu no palco e exibiu uma faixa com a mensagem “Chega de enrolação. Carros eficientes já!”, com o símbolo das 3 maiores montadoras do Brasil, Fiat, Chevrolet e Volkswagen. Durante 3 minutos, ele conseguiu mostrar nossa exigência para a indústria e para todos os jornalistas presentes, que espalharam as fotos do protesto pela internet (veja aqui vídeo divulgado no portal Terra). O prefeito Fernando Haddad chegou a comentar com jornalistas que considerava a demanda “absolutamente justificada”. Os dois ativistas que participaram do protesto foram levados à Polícia Civil e liberados em seguida.

    Algumas horas mais tarde, foi o momento de alertar os visitantes do Salão do Automóvel de que eles são iludidos pelas grandes montadoras. Quatro ativistas do Greenpeace escalaram o teto do Pavilhão e chegaram próximos aos estandes da Fiat, Volkswagen e General Motors – as três maiores montadoras do país, responsáveis por 60% dos carros vendidos aqui.

    A primeira dupla de escaladores estava prestes a pendurar um banner gigante, quando os seguranças do evento, enfurecidos, subiram e os impediram de completar a ação. No entanto o destino estava ao lado dos Greens ontem: enquanto os seguranças tentavam evitar a ação, um dos ativistas conseguiu estender o banner, permitindo ao público ler rapidamente a mensagem “Elas estão te enganando. Exija carros eficientes!”, junto com os logotipos das três montadoras.

    Irritados por perceberem que o Greenpeace mobilizou a atenção dos visitantes do evento, os seguranças fizeram de tudo para tirar os escaladores o mais rápido possível do Anhembi. A Polícia Civil foi acionada e os organizadores exigiram que os ativistas fossem levados à Delegacia Especializada de Atendimento ao Turismo do Anhembi. Após algumas horas prestando esclarecimentos, os ativistas foram liberados.

    As montadoras se esforçaram para nos calar durante o protesto, mas é impossível esconder os fatos: os carros vendidos aqui são bem menos eficientes e emitem mais gases de efeito estufa que os carros que eles vendem na Europa. Durante toda a campanha, pedimos para a Fiat, a Volkswagen e a General Motors se comprometerem com a meta europeia de eficiência. As empresas mostraram pouca disposição ao diálogo e pouco respeito aos consumidores brasileiros. 

    As  empresas precisam se comprometer com o clima e com as consequências de seus atos falhos. Essa é a melhor forma de respeitas a todos. "Tentaram impedir nossos escaladores de exporem a verdade, mas não conseguiram. Volkswagen, Fiat e Chevrolet estão vendendo aqui carros que emitem mais do que na Europa. Isso não pode acontecer, é o clima quem pede por socorro e nós que sofremos as consequências."  , esclarece Fabiana Alves, coordenadora da Campanha de Transporte do Greenpeace Brasil.

    Vamos continuar pressionando! Exija que a Fiat, a Volkswagen e a Chevrolet produzam carros mais eficientes e desenvolvam tecnologia para veículos elétricos.

    Assista ao vídeo da ação:

      Leia mais >

  • Protesto no Salão do Automóvel

    Postado por Guilherme Munhoz - 30 - out - 2014 às 17:50 7 comentários

    Assista como foi o protesto: ativistas do Greenpeace Brasil protestando no Salão do Automóvel 2014, em São Paulo. Os ativistas exigem carros mais eficientes da Fiat, Volkswagen e Chevrolet.

     

     

    A Chevrolet, Fiat e Volkswagen aproveitam o Salão do Automóvel para mostrar seus lançamentos mas escondem dos consumidores que os carros modernos e eficientes ficam na Europa. Por isso, exigimos que as empresas comprometam-se a produzir carros mais eficientes. A tecnologia já existe, só falta trazer para cá.

    Cobre você também das montadoras carros que emitem menos gases de efeito estufa. Assine a petição Leia mais >

  • MMA tem cadeiras titulares vazias desde 2013

    Postado por Alan Azevedo - 29 - out - 2014 às 19:06 1 comentário

    Organizações e pesquisadores enviam carta à ministra do meio ambiente Izabella Teixeira; são quatro assentos titulares e de suplente vazios

    Protocolada na segunda feira, dia 27, a carta enviado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) cobra a ministra Izabella Teixeira sobre a ausência de representantes titulares e suplentes, sendo duas na Coordenação-Geral da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e outras duas na comissão de movimentos sociais. 

    Com isso, as vozes contra transgênicos vêm perdendo cada vez mais força. Nos últimos anos, vários organismos transgênicos foram aprovados pelo MME, mesmo com as ausências constatadas – essas essenciais para que o processo de avaliação dos transgênicos fosse bem desenvolvido.

    Leia a carta na íntegra:

    Brasília, 24 de outubro de 2014

    À Exma. Sra. Izabella Teixeira

    Ministra do Meio Ambiente

    Sra. Ministra,

    Desde o final de 2013, o MMA está sem representante titular e, desde 2011, sem suplente na CTNBio, importante comissão que decide sobre a liberação no meio ambiente de transgênicos em nosso país. Soma-se a isso a vacância de outros dois assentos, de titular e suplente, que deveriam representar os movimentos sociais ambientalistas, também a ser indicados por intermédio do Ministério que a Senhora dirige. Assim, são quatro assentos vagos responsáveis pela área ambiental em uma comissão que tem ao todo 54 membros, considerando titulares e suplentes.

    Nesses últimos anos, vários organismos transgênicos foram liberados para plantio ou uso comercial, em culturas como soja, milho e algodão, além de vacinas e um mosquito Aedes aegipty,também geneticamente modificado, sem que o MMA tenha participado das análises de risco e se manifestado sobre seus impactos ambientais. De igual maneira, o Ministério e os representantes da sociedade civil especialistas em meio ambiente têm estado ausentes dos debates e decisões acerca das árvores geneticamente modificadas. Nesse meio tempo, plantas espontâneas e insetos desenvolveram resistências aos agrotóxicos e inseticidas associados às variedades modificadas, levando a um aumento expressivo do uso de agrotóxicos e contribuindo para que o Brasil continue a ser o campeão mundial no seu uso. Também devido ao desenvolvimento de resistência, há agora o perigo muito concreto de que a CTNBio aprove uma nova geração de variedades de soja e milho transgênicos que  recorrerá a um agrotóxico muito mais perigoso, o  2,4-D, cuja liberação no meio ambiente pode dar origem a dioxinas. Outras consequências ambientais nefastas da liberação de transgênicos no meio ambiente não estão sendo adequadamente investigadas dado o viés francamente favorável a essa tecnologia por parte dos biotecnólogos que constituem a maioria dos membros da CTNBio.

    Muito preocupante foi a forma como a CTNBio aprovou recentemente a tecnologia altamente duvidosa de introduzir mosquitos transgênicos com o objetivo de combater a dengue no país, sem que fossem discutidos aspectos ambientais sobre os quais o MMA teria muito a dizer, como a questão do saneamento ambiental e do controle biológico de pragas. Também nos preocupa imensamente a possibilidade de que o Brasil seja o primeiro país do mundo a liberar comercialmente eucaliptos transgênicos com todos os impactos incomensuráveis e irreversíveis sobre as abelhas e o mel e própolis por elas produzidos. A Audiência Pública organizada pela CTNBio a pedido da empresa Futuragene&Susano sobre o eucalipto transgênico H421, no dia 4 de setembro de 2014, evidenciou o poderoso lobby da empresa e a franca disposição da maioria dos membros da CTNBio em aprová-lo. 

    Nesse contexto, a duradoura ausência do MMA e dos especialistas em meio ambiente na CTNBio é mais do que uma simples omissão. Como disse Hannah Arendt, em outras circunstâncias, “a omissão em política é cumplicidade”. Por isso, as entidades e ambientalistas abaixo assinados pedem que a Senhora nomeie o mais rápido possível os representantes do MMA para a CTNBio, bem como publique Edital solicitando a indicação de nomes para representar os movimentos sociais na comissão, na categoria de “especialistas em meio ambiente”.

    Esperando que nossa carta receba a atenção que ela merece,

    Entidades

    Agricultura Familiar e Agroecologia - AS-PTA

    Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária - AMAR

    Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida - Apremavi

    Associação de Proteção ao Meio Ambiente de Cianorte - APROMAC

    Associação de Saúde Ambiental - TOXISPHERA

    Associação Mineira de Defesa do Ambiente – Amda

    Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida

    Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul-CEPEDES

    Conselho de Assentamentos Sustentáveis das Américas - CASA

    Conservation Strategy Fund - CSF

    Cooperativa de Produtores Orgânicos do Paraná - COOPERORGÂNICOS

    Federação Paranaense de Entidades Ambientalistas - FEPAM

    Fórum Ambientalista

    Fórum do Movimento Ambientalista de Minas Gerais

    Fórum do Movimento Ambientalista de Santa Catarina

    Fórum do Movimento Ambientalista do Mato Grosso do Sul

    Fórum do Movimento Ambientalista do Paraná

    Fórum do Movimento Ambientalista do Rio de Janeiro

    Fórum do Movimento Ambientalista do Rio Grande do Sul

    Fundação Aninpa Brasil

    Greenpeace

    Grupo Ambientalista da Bahia – Gambá

    Instituto Biorregional do Cerrado – IBC

    Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - Idec

    Instituto Centro de Vida – ICV

    Instituto Palmares

    Instituto Sociedade, População e Natureza - ISPN

    Instituto Socioambiental - ISA

    Intersindical BA

    Rede de OnGs da Mata Atlântica

    Rede Global de Ecovilas – GEN

    Rede Sul Brasileira de Produção Agrícola Familiar

     

    Pesquisadores

    Paulo Kageyama

    Cristina Mendes Curto

    Débora Fernandes Calheiros

    José Maria Guzman Ferraz

    Leonardo Melgarejo

    Liszt Vieira 

    Marijane Vieira Lisboa

    Norma Valencio

     

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  • A caminho de Paris

    Postado por Luciano Dantas - 29 - out - 2014 às 17:23

    A Conferência do Clima das Nações Unidas que acontecerá em Paris (COP-21), em 2015, pode ser um marco, mas não podemos marcar bobeira. O acordo a ser assinado em dezembro de 2015 substituirá o Protocolo de Kyoto, e é visto por muitos como o grande passo para uma transformação climática no mundo todo. Entretanto, é importante entender que o caminho para chegar ao novo acordo é de extrema importância. Não basta chegar a uma conclusão, o modo como ela será elaborada é o que realmente importa.

    A disposição dos governos para participar de uma forma séria e significativa é crucial. Para incentivar a participação, os negociadores optaram por uma abordagem mais livre, em que os governos passaram a formular as suas próprias metas, apresentando-as como promessa. Em um cenário ideal, a soma das metas dos países será justa e suficiente para manter o aumento da temperatura global abaixo de 2°C, limite máximo para evitar maiores catástrofes climáticas.

    Diante dos atuais posicionamentos dos países, é temível que os líderes políticos não cheguem a um acordo de real eficiência. (© Jeremie Souteyrat/Greenpeace)

     

    “A verdade é que os governos ainda não se esforçaram o suficiente ou sequer tentaram se organizar e refletir para encontrar o melhor caminho para alcançar a meta global de manter o aquecimento abaixo do limite de 2°C", afirma Jeffrey Sachs, diretor do Instituto Terra (Earth Institute, em inglês) da Universidade de Columbia, e da Rede de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

    Diante dos atuais posicionamentos dos países, é temível que os líderes políticos não cheguem a um acordo de real eficiência. Isso faria com que toda a expectativa em cima da COP-21 caísse por terra e deixasse um gosto de decepção em todos. O acordo entrará em vigor em 2020 e representa uma oportunidade muito importante para que os governos de todo o mundo trabalhem juntos e passem a agir para combater o aquecimento global.

    Se os governos nacionais não conseguirem intensificar seu engajamento e aumentar suas ambições até Paris, o mundo pode estar caminhando para um aumento de temperatura superior a 4°C até 2100, levando o planeta para um quadro perigoso e irreversível. Por isso, é fundamental que os líderes reconheçam a importância de criar políticas públicas nacionais antes da COP-21.

    Compromissos nacionais à parte, a estrutura do acordo a ser assinado na Conferência será muito importante, e uma forma de fortalecer o objetivo é criação de prêmios e de benefícios especiais aos "principais atores".  Ou seja, a criação de metas ambiciosas, além de trazer os benefícios óbvios da redução do aquecimento global, também poderia ser revertida em vantagens para outras ações.

    “Entre os países do G-20, o Brasil é o que possui mais riquezas naturais. Isso mostra como podemos e devemos assumir um papel de protagonismo na elaboração do próximo acordo pelo clima”, afirma Barbara Rubim, campaigner de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. Leia mais >

    Não devemos esperar Paris para resolver este problema; temos de elevar o envolvimento coletivo e bradar nossas vozes para exigir medidas decisivas bem antes da COP-21 - e além – porque independente do que ocorrer em Paris, o planeta grita por transformação climática e energética.

  • Carros velhos com novos benefícios

    Postado por Fabiana Alves - 29 - out - 2014 às 15:09 1 comentário

    quarta-feira, 29 de outubro de 2014

    Ativistas do Greenpeace protestam na portaria da Volkswagen

    Foi com essa frase que a jornalista especializada em economia Miriam Leitão definiu, na manhã de hoje na rádio CBN (clique abaixo para ouvir), os benefícios que o governo concede a montadoras sem qualquer contrapartida da indústria. Miriam afirmou o mesmo que o Greenpeace tem mostrado desde o começo da campanha por eficiência dos carros: a indústria precisa se modernizar e produzir automóveis que consumam menos energia e emitam menos gases de efeito estufa. 

     

    O governo brasileiro, por meio do programa Inovar-Auto, deu continuidade à redução do imposto sobre produtos industrializados à indústria automobilística, sob a condição de que as beneficiárias aumentassem a eficiência energética da frota veicular e tivessem porcentagem mínima de produtos nacionais na fabricação de veículos. Apesar de ter forte adesão das empresas, o programa não é obrigatório e chegará ao fim em 2017.

    Com a reeleição de Dilma Rousseff, o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos), Luiz Moan, já correu ao Planalto para pedir ajuda ao governo federal. Contudo não haverá desenvolvimento industrial se o governo continuar tratando o setor como a um filho que não saiu de casa, concedendo benefícios intermináveis mas sem exigir melhor tecnologia – e consequentemente, menores emissões para o clima.

    A frota veicular brasileira ainda está dois anos atrasada em relação à europeia, como comprova o estudo desenvolvido pela COPPE/UFRJ em parceria com o Greenpeace, mesmo com a adesão ao Inovar-Auto. É uma constatação grave, se levarmos em conta que as mesmas montadoras que atuam no Brasil também estão na Europa. A conclusão é simples e pode ser resumida nas mesmas palavras de Miriam Leitão: temos carros velhos com novos benefícios.

    Por isso pedimos para as três maiores montadoras do Brasil, Fiat, Chevrolet e Volkswagen se comprometerem com níveis mais ambiciosos de eficiência energética no país. Elas falam em carros modernos nas publicidades, mas a realidade é que o que temos no Brasil são carros velhos e de menor qualidade, por vontade das empresas, porque a tecnologia já existe lá fora.

    As montadoras vivem a chorar para que o governo as ajude, mas não se interessam em dar ao consumidor o que prometem em seus comerciais. E nesse caso não é apenas o consumidor que paga o pato, mas o planeta e toda a população, que sofrerão as consequências do agravamento das mudanças climáticas, causado pelo aumento crescente das emissões de gases de efeito estufa. E em tempos de falta de água na terra da garoa, não tem como dizer que elas não existem. Leia mais >

  • As sete usinas mais bonitas

    Postado por André Sampaio - 29 - out - 2014 às 9:58

    As energias renováveis são a melhor alternativa para substituir os combustíveis fósseis. Limpas, seguras e eficientes, ainda podem ser interessantíssimas e bonitas. Com o aumento da emissão de gases poluentes, as energias renováveis se tornam uma solução para construirmos um mundo mais limpo e verde, utilizando recursos que estão presentes no nosso dia-dia, como o sol e o vento.

    Confira a galeria abaixo que apresenta as usinas solares mais legais do mundo. 

      Leia mais >

  • A questão energética no debate presidencial

    Postado por Alan Azevedo - 24 - out - 2014 às 10:07

    O Greenpeace, em parceria com o Fluxo, debate os desafios dos próximos 4 anos no setor

    No seu último episódio, o programa Sujeito Oculto: política e meio ambiente discutiu sobre a política energética brasileira, em contexto de crise pelo aumento da conta de luz e ameaças de racionamento.

    A centralização da produção de energia, as grandes obras que causam enormes impactos socioambientais, a diversificação da matriz energética e as fontes alternativas foram algumas das pautas discutidas por Célio Bermann (USP), Rodrigo Sauaia (Absolar) e Ricardo Baitelo (Greenpeace). A mediação ficou à cargo do jornalista Bruno Torturra, do Fluxo.

    A seguir, confira os melhores momentos do debate:

    Energia Fotovoltaica
     
    Análise do mercado de energia solar fotovoltaica por Rodrigo Sauaia. Veja como funciona o sistema, sua viabilidade e incentivos – ou desincentivos – para a microgeração. “O preço do painel solar já caiu 80% nos últimos 4 anos”, explica ele.

    Diversificação da matriz energética
     
    Hoje não existem leilões híbridos de energia, apenas fontes únicas. Rodrigo Sauaia lembra que é preciso pensar em modelos complementares. Célio Bermann questiona a matriz energética brasileira, que é centralizada e resulta em grandes impactos ambientais. Ricardo Baitelo chama atenção para os benefícios econômicos – emprego e geração de renda – das fontes alternativas. “É um tendencioso atrelarmos o desenvolvimento ao petróleo”, diz Baitelo.

    Assista aos vídeos e compartilhe. Vamos discutir meio ambiente e cobrar os candidatos. A hora é agora! Leia mais >

  • Vídeos discutem política ambiental

    Postado por Alan Azevedo - 22 - out - 2014 às 11:45

    Episódios de Sujeito Oculto: política e meio ambiente viram pequenas pílulas para esquentar o debate ambiental na reta final das eleições

    Em seu segundo episódio, Sujeito Oculto: política e meio ambiente deu um panorama geral sobre como o meio ambiente é um sujeito oculto no debate político. Ele conta com a participação de Ricardo Abramovay (USP), Ricardo Sennes (PUC-SP), Adriana Ramos (Instituto Socioambiental - ISA) e Sérgio Leitão (Greenpeace). A mediação foi feita pelo jornalista Bruno Torturra, do Fluxo.

    O programa foi dividido em três pequenos vídeos, que resumem bem o debate e as colocações dos convidados:

    Política e Energia
     
    Ricardo Sennes analisa o papel da política energética brasileira interna e externa, e a necessidade de se adicionar a questão ambiental nessa equação. Segundo ele, “o tema deixou de ser uma moeda de troca do Brasil com outros países e passou a ser claramente de estratégia nacional”.

    Energia na Amazônia
     
    O modelo de desenvolvimento brasileiro ameaça a Amazônia. Adriana Ramos, Sérgio Leitão e Ricarmo Abramovay comentam como a hidroeletricidade é abordada no debate eleitoral e de que maneira a política atual garante subsídios e licenciamento para as grandes obras de infraestrutura com altos impactos ambientais na floresta.

    Combustíveis do passado
     
    Ricardo Abramovay fala sobre o massivo investimento brasileiro no pré-sal e a bolha de carbono. “O Brasil optou em investir quase meio trilhão de reais num projeto chamado pré-sal. É muito difícil ver o país investindo isso em educação”.

    Assista e divulgue. O debate ambiental precisa ser levado a sério e o momento é agora. Leia mais >

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