Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Peça por Escolas Solares nas Eleições 2016!

    Postado por Heloísa Mota - 19 - ago - 2016 às 14:40

    Nestas eleições, queremos que os candidatos apoiem o projeto Escolas Solares. Mais de 50% das escolas do país são municipais. Isso significa que está na mão das Prefeituras solarizar mais da metade de todas as escolas brasileiras.

    Os benefícios vão muito além da economia de energia. Com a redução da conta de luz das escolas, é possível investir na própria instituição, melhorando a qualidade da educação, ou redirecionar a verba para outras áreas da cidade. Estas são ações perfeitamente possíveis e que podem ser implementadas no próximo ciclo de governo, por meio da adoção de um programa de solarização de escolas.

     

    Como posso cobrar meu candidato?

     

    1- Nas redes, use a nossa Lista Solar de Materiais Escolares e faça uma foto criativa usando as palavras: Escolas Solares! Publique sua foto no seu Facebook, Instagram e Twitter pedindo com a hashtag  #Eleições2016

    2- Escolha seu candidato com cuidado e atenção: entre no site de todos, leia as propostas e pesquise seu histórico. Todo candidato disponibiliza um canal de comunicação para falar com os eleitores – normalmente um email ou um telefone. Então escreva para o seu candidato, ligue e faça-o ouvir o que você, cidadão, tem a dizer. O Greenpeace também vai trabalhar para pressionar e engajar os futuros prefeitos e prefeitas em compromissos ambientalmente responsáveis.

    3- É importante que seu candidato inclua o compromisso no plano de governo, com metas e próximos passos. Portanto, continue monitorando!

     

    Juntos, podemos mudar a política. Lembre-se, a cidade também é sua!

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  • Junte-se a nós!

    Postado por Yuri Leone - 2 - ago - 2016 às 18:00

     

    terça-feira, 2 de agosto de 2016

    (©Julia Marubayashi/Greenpeace)

     
    O Coração da Amazônia pode sumir se não fizermos nada para mudar. É isso mesmo que você leu. O governo quer construir 42 usinas hidrelétricas na bacia do Rio Tapajós. Isso inundará uma área do tamanho da cidade de Belo Horizonte, fazendo com que toda a vida abundante naquela região seja destruída. Imagine quantos animais e plantas sumirão do mapa.

    Para que isso não aconteça, estamos lutando muito, mas precisamos de sua ajuda.

    terça-feira, 2 de agosto de 2016

    (©Julia Marubayashi/Greenpeace)

     

    Sabemos que pode ser difícil manter uma contribuição todo mês, mas uma única doação para esta campanha faz diferença neste esforço para proteger este santuário.

    Precisamos muito da sua participação para que o projeto das hidrelétricas na Amazônia seja cancelado!

    Ao doar 75 reais, você ganha a camiseta que representa toda esta luta para salvar o coração da Amazônia e passa a fazer parte desta campanha.

      Vista essa camisa você também
    As cores da camiseta são roxo e rosa. O rosa escolhido é vibrante, simboliza o senso de urgência e é a cor símbolo do boto que vive nas águas do Tapajós. O roxo foi escolhido por simbolizar o açaí. Esses duas cores contrastam de forma harmônica e por isso foram escolhidas para a campanha!

    O coração estampado, inspirado em uma folha da floresta e na arte do povo Munduruku, retrata a bacia do rio Tapajós, um dos mais importantes rios da região, responsável por pela abundância de vida. As linhas representam os rios, que funcionam como veias da Amazônia.

    Vista esta camisa você também! Faça parte da construção de um futuro verde e pacífico!

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  • Cardápio de ativismo - Salve o Tapajós!

    Postado por Bernardo Camara - 19 - jul - 2016 às 8:00

    Instalação de placas nos limites da Terra Indígena Sawré Muybu, Rio Tapajós, Pará, Amazônia. Foto: Anderson Barbosa/Greenpeace

     

    Você vê a Amazônia sendo destruída e fica roendo as unhas querendo fazer alguma coisa? Não faz ideia de por onde começar? Calma! Senta, que a gente tem uma lista de coisas que você pode fazer agorinha, daí mesmo da sua cadeira.

    A hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, prevista para ser instalada no coração da Amazônia, tem o potencial de desmatar quase 2 mil km2 de floresta. E, além disso, inundar uma parte do território do povo indígena Munduruku, atropelando a cultura e o modo de vida deste povo.

    Mais de 1 milhão de pessoas no mundo todo já disseram estar contra a hidrelétrica. A Siemens, porém, uma das principais fornecedoras de equipamentos para hidrelétricas do mundo, ainda não se posicionou contra a obra. Em vários países, milhares de ativistas têm enviado mensagens à empresa pedindo que ela se comprometa publicamente a se afastar do projeto. É hora de aumentar esta pressão. 

    Abaixo, um cardápio do que você pode fazer:

    1- Mandar um papo-reto para o CEO da Siemens, neste link. 

     

    2- Encher o Facebook da empresa de mensagens
    Abaixo, algumas sugestões. Ou você pode escrever seu próprio post.

    @SIEMENS, Já somos mais de 1 milhão dizendo NÃO à construção de grandes hidrelétricas na Amazônia. Você tabém diz NÃO?

     @SIEMENS: Tecnologia verde é uma coisa, destruição da Amazônia é outra. Diga não à hidrelétrica de São Luiz do Tapajós!

     

    3- Inundar o Twitter da empresa de recados
    Aqui tem uns tweets prontinhos de sugestão, basta você clicar. Ou escrever com suas próprias palavras.

    • Ei, @Siemens_Brasil, não ajude a destruir o <3 da Amazônia! https://br.heartoftheamazon.org/target-message/ #SalveOTapajós

    http://bit.ly/29DOHH7

    • Respeite os direitos indígenas, @Siemens_Brasil! Não se envolva c/ a construção de  hidrelétricas na Amazônia! https://br.heartoftheamazon.org/target-message/ #SalveOTapajós

    http://bit.ly/29Ibtx6

    • @Siemens_Brasil não faça parte da destruição do <3 da Amazônia! #SalveOTapajós! https://br.heartoftheamazon.org/target-message/

    http://bit.ly/29WKjZ1

    • @Siemens_Brasil, faça a coisa certa: não ajude a construir hidrelétricas no Tapajós! https://br.heartoftheamazon.org/target-message #SalveOTapajós

    http://bit.ly/29Kbjsg Leia mais >

  • Mais um passo para o Acordo de Paris

    Postado por therrero - 13 - jul - 2016 às 14:46 1 comentário

    No fim de 2015, milhares de brasileiros foram às ruas exigir metas ambiciosas contra as mudanças climáticas. Foto: Zé Gabriel / Greenpeace

    Já eram mais de 22h quando uma boa notícia saiu da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (12/07): por unanimidade, os parlamentares aprovaram em plenário o projeto de decreto legislativo no qual o Brasil adere ao Acordo de Paris. Agora, faltam poucos passos para que o país ratifique o documento que regulamenta uma série de medidas de combate às mudanças climáticas. A proposição ainda precisa ser aprovada por comissões no Senado e, em seguida, receber a sanção presidencial para ser depositado formalmente na Convenção do Clima das Nações Unidas.

    Para que entre em vigor internacionalmente, o Acordo de Paris precisa ter pelo menos 55 ratificações, de países que somem 55% das emissões de gases de efeito estufa do mundo. Até agora, 19 países já o ratificaram, mas eles somam apenas 0,18% das emissões globais.

    Fruto da Conferência do Clima que aconteceu em dezembro do ano passado na França, o documento traz alguns pontos importantes para a luta contra as mudanças no clima. Ele estabelece como meta, por exemplo, não ultrapassarmos um aquecimento superior a 1,5 graus Celsius, além de propor que entre 2050 e 2100 sejam neutralizadas as emissões dos gases que provocam o efeito estufa.

    “O Acordo de Paris é um passo fundamental para superarmos o desafio das mudanças climáticas. O Brasil ainda ostenta o título de sexto maior emissor do planeta. É ótimo ver a ratificação do acordo avançando. Suas promessas precisam se tornar realidade logo, com outros passos importantes sendo a aprovação do projeto de lei pelo Desmatamento Zero e fortes incentivos à energia solar”, diz Pedro Telles, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.  Leia mais >

  • Alimentando a luta por um Tapajós Livre

    Postado por Bruno Leão* - 23 - jun - 2016 às 10:06

    Me chamo Bruno Leão, tenho 23 anos e sou voluntário do Greenpeace no grupo de Florianópolis. Nasci em Manaus, onde comecei meu voluntariado, em 2010. Mas desde 2013 vivo na capital catarinense, onde ajudei a fundar o grupo de voluntários da cidade. 

    Estou na aldeia Sawré Muybu para ajudar o time da cozinha durante as atividades realizadas pelos Munduruku e ativistas pela proteção do coração da Amazônia. Para nós, o dia começa bem cedo (por volta das 5h). Somos os primeiros a levantar e geralmente os últimos a ir dormir, pois nosso papel é garantir que todos os ativistas e Munduruku estejam bem alimentados, já que o trabalho é sempre muito pesado para todos. 

    Cozinha instalada na aldeia Sawré Muybu, do povo Munduruku, para dar apoio a ativistas e indígenas durante atividades de proteção ao território e contra as hidrelétricas (©Greenpeace)

     

    Na cozinha não paramos nem um segundo, há sempre panelas para lavar, verduras para picar, pois a comida é feita em grandes quantidades. Somos responsáveis pela alimentação de mais de 50 pessoas! Mesmo assim, é muito legal ver o time da cozinha trabalhando unido, sempre muito animado, fazendo piada desde que acorda até a hora do jantar.

    É também na cozinha que temos contato com todos que estão aqui. Logística, jornalistas, caciques…todos passam por lá e temos a chance de conhecer, conversar, e ver a especificidades do trabalho de cada um, os seus costumes e culturas diferentes.

    Aqui na comunidade existem muitas crianças. Muitas mesmo! E elas estão sempre circulando em volta da cozinha, brincando, conversando e pedindo coisas. Nós as ensinamos a lavar os próprios pratos e tem sido muito engraçado. Até as que não alcançam a altura da pia se organizam para lavar seus pratos, mesmo que para isso alguém tenha que carregá-las.

    Conhecer voluntários de outros países também é algo muito legal.  Ver que mesmo estando em países muito distantes, com culturas muito diferentes umas das outras, somos muito parecidos. Que a paixão que nos move é a mesma: lutar por um mundo melhor para todos. 

    Foi pensando nisso que, junto com a campaigner de Floresta da Itália, a Martina, tivemos a ideia de reunir todos os voluntários para compartilhar nossas experiências, contar um pouco sobre nossos grupos e as ações que realizamos em nossas cidades e enviar uma mensagem para os voluntários que não puderam estar aqui para inspirá-los. Acredito que isso será incrível para os voluntários e estou muito orgulhoso de fazer parte disso.

    No fim, vir para o Tapajós está sendo uma escola.  Nem tudo é fácil, claro. Mas saber o porquê de estarmos aqui e ver que estamos todos lutando por um mesmo objetivo, faz qualquer dificuldade parecer pequena demais e qualquer esforço válido. Tudo o que posso hoje é me sentir agradecido, pois faço parte de uma luta legítima. É pelo futuro de todos que estamos aqui e todo o esforço faz diferença. 

    Junte-se a nós e assine a petiçãohttp://br.heartofamazon.org 

    *Bruno Leão é voluntário do Greenpeace Leia mais >

  • De volta à tragédia

    Postado por Fabiana Alves* - 23 - jun - 2016 às 9:25

    O Rio Doce continua com a tonalidade marrom causada pela lama (© Fabiana Alves / Greenpace)

    Nesse mês de junho, retornamos às margens do Rio Doce para verificar a situação da região e apresentar à sociedade estudos que serão desenvolvidos nos próximos seis meses sobre a fauna, flora e água locais, além dos direitos dos impactados.

    Aterrissamos em Belo Horizonte (MG) e logo seguimos para Mariana de carro para começar os encontros e reuniões com os atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, pertencente à Samarco, formada pela brasileira Vale e a anglo-australiana BHP Billiton.

    A cidade continua bonita e acolhedora, mas ao conversar com as pessoas, fica evidente o impacto que a destruição do subdistrito de Bento Rodrigues teve em Mariana. Dependente da produção mineral para seu sustento, a cidade está sendo afetada economicamente e o desespero por uma solução rápida começa a fervilhar.

    Bento Rodrigues não pode ser acessado sem a defesa civil de Mariana, que alerta para o risco do colapso da barragem de Germano – mostrando que pouco foi concretamente resolvido no local em termos de segurança. Um segundo colapso afetaria ainda mais um rio já tomado pelos rejeitos de mineração.

    Mais de 260 famílias continuam sem local certo para a reconstrução de suas casa. Essas pessoas recebem um salário mínimo e uma cesta básica da Samarco, que prossegue com a estratégia assistencialista, fácil e barata para resolver a situação, já que pagar o mínimo é mais fácil que criar uma estrutura que dê condições para o trabalhador retornar seus sustento original e recuperar perdas físicas. Alguns moradores de Mariana culpam os atingidos pela situação econômica, que degringolou com o congelamento das atividades da Samarco, em uma clara inversão da ótica entre culpados e atingidos.

    Nos outros municípios ao longo do Rio Doce impera o medo de uma possível contaminação da água. Em Governador Valadares (MG), onde não há outra fonte de captação de água que não seja o Doce, quem tem recursos compra água mineral, e ninguém mais consome peixe. O mesmo se repete em outras cidades, que também temem a contaminação dos alimentos irrigados com a água do rio. Linhares, no Espírito Santo, que sofre com a seca, além de não poder inaugurar o novo sistema de captação de água do Rio Doce, está exaurindo a água de suas famosas lagoas – agora barradas para não sofrerem contaminação.

    Os Krenak conhecem há muito a maneira de negociar da Vale, já que a empresa possui uma linha férrea que passa no meio de sua Terra Indígena demarcada. A aldeia recebe água potável da Vale, pois se recusa a utilizar a água do Doce. A única alternativa de captação de água existente é o rio Eme, que está seco devido à estiagem e ao desmatamento. A seca piora a situação dos Krenak, dos pequenos agricultores e pecuaristas que dependem da irrigação para o cultivo. A dimensão do estrago causado por Samarco, Vale e BHP são ainda imensuráveis.

    Quanto aos governos, a única política conjunta existente é o acordo interfederativo entre governo estadual, federal e Samarco, assinado em 2 de março, que não ouviu os atingidos e prefeituras afetadas pelo derramamento da lama, e deixou toda a solução nas mãos da empresa. O “Acordão”, como é chamado, está sendo questionado pelo Ministério Público Federal e diversas instituições, inclusive o Greenpeace, divulgaram uma carta de repúdio ao acerto.

    Acabamos em Vitória, Espírito Santo, onde a pesca na foz do rio está proibida desde fevereiro em resposta à recomendação do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio). Enquanto não se comprova o grau de contaminação da água, não há pesca. E mesmo que houvesse, como afirmam os pescadores, a população não consumiria.

    Enquanto isso, discussões como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 65 são levantadas no Congresso com o objetivo de enfraquecer o Licenciamento Ambiental para grandes obras com impactos ambientais e sociais. Vale lembrar também do novo Código de Mineração, que busca desburocratizar o processo, passando por cima de Unidades de Conservação, Terras Indígenas e Quilombolas. Tudo em nome do progresso e desenvolvimento.

    Os estudos selecionados pelo edital público do Rio de Gente em parceria com o Greenpeace foram bem recebidos por todos na região e chegam em um bom momento, uma vez que cada pesquisa pode ser uma chance de resposta para as questões do moradores e atingidos. O rompimento da barragem da Samarco já é um dos maiores desastres do século, e deve servir para que dirigentes percebam que o impacto ambiental sempre será um impacto social e econômico.

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    *Fabiana Alves é da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil

  • O canto dos guerreiros

    Postado por Vânia Alves* - 22 - jun - 2016 às 18:13

     

    Eram cinco e meia da manhã na aldeia Sawré Muybu. A lua cheia e as poucas estrelas que teimavam em se demorar no céu iluminavam o local quando começamos a ouvir um canto suave de vozes masculinas vindo do barracão onde funciona a escola da aldeia.

    As vozes foram aumentando de intensidade e se transformando num canto vigoroso, acompanhado de pisadas fortes que ajudavam a marcar o ritmo. Eram os jovens guerreiros Munduruku que comemoravam a instalação de 10 placas que sinalizam os limites de seu território. O trabalho está sendo feito com a ajuda de voluntários do Greenpeace.

    Munduruku demarcam seu território com apoio dos voluntários do Greenpeace (©Anderson Barbosa/Greenpeace)

     

    Até meados de julho, outras 40 serão instaladas. A Terra Indígena Sawré Muybu ocupa uma área de aproximadamente 178 mil quilômetros quadrados no município de Itaituba, no Estado do Pará. Chegar até seus limites é um trabalho duro, que muitas vezes inclui longas caminhadas por dentro da mata, viagens de barco, subir em árvores altas, atravessar igarapés com lama até a cintura, entre outros desafios. “A gente faz essa dança e esse canto para dar disposição para o dia. O objetivo é trazer alegria”, conta Emerson Saw Munduruku, guerreiro e professor.

    Chegar aos limites do território é um trabalho duro e inclui viagens de barco e subir em árvores (©Anderson Barbosa/Greenpeace)

     

    A colocação das placas faz parte de uma série de outras atividades importantes para a luta contra a construção de hidrelétricas no Tapajós que os ativistas do Greenpeace estão desenvolvendo com os Munduruku.

    Se construída, a hidrelétrica de São Luiz do Tapajós alagará cerca de 400 quilômetros quadrados de floresta e diversos lugares importantes - como lagoas, pedrais, ilhas e corredeiras - para a sobrevivência dos Munduruku e de outras populações tradicionais que habitam o vale do rio Tapajós.

    Junte-se a essa luta e vamos juntos salvar o Rio Tapajós no <3 da Amazônia 

    *Vânia Alves é jornalista do Greenpeace Leia mais >

  • De mãe para mãe: que vida terão nossos filhos?

    Postado por Rosana Villar* - 22 - jun - 2016 às 13:22

    Crianças na aldeia Sawré Muybu, do povo Munduruku

    Me tornei mãe há quatro anos e aqui, na aldeia Sawré Muybu, tenho a oportunidade de entrar em contato com uma outra visão de maternidade, ao conviver com as mães e crianças Munduruku.

    Me encanta a organização social da comunidade, onde as crianças tem liberdade para ir, vir e brincar quando quiserem. Quem acha que isso as torna “incontroláveis” não poderia estar mais enganado. Elas se auto-organizam em uma sociedade própria, onde os maiores cuidam dos menores e todos zelam uns pelos outros. Cuidar do irmão menor não é uma obrigação, mas um prazer e é comum ver meninas de menos de dez anos carregando seus irmãos pela aldeia, brincando e nadando no igarapé. E todas ajudam nos afazeres da família.

    Crianças na aldeia Sawré Muybu, do povo Munduruku

     

    Aqui não existem brinquedos. O que não é um problema, pois o mundo é a brincadeira.  As folhas, os frutos, pedaços de pau, sementes, tudo se transforma no imaginário dos pequenos.

    Os gafanhotos tornam-se pipas, amarrados por linhas. Preso a um pedaço de corda, o velho garrafão de água, cortado ao meio, vira carro, barco, avião e os menores são puxados pelos maiores a toda velocidade. As risadas das crianças são som constante na aldeia.

    Subir na árvore, pendurar-se de cabeça para baixo, e balançar é uma das brincadeiras preferidas. As vezes a árvore parece um “pé de criança”, de tantas que se juntam nos galhos para assistir ao futebol dos adultos. A partida dos homens e a das mulheres, clássicos do fim de tarde.

    quarta-feira, 22 de junho de 2016

    © ANDERSON BARBOSA/FRACTURES COLLECTIVE

     

    Há também as travessuras, comuns às crianças de todo o mundo. Os pequenos daqui gostam de pegar os “branquelos” de surpresa, com a mão cheia de Urucum, e pintar-lhes os rostos.

    E há a liberdade.

    Elas transitam pela aldeia e são respeitadas e protegidas por todos os adultos. Penso na minha filha, que ela não pode fazer isso. Em todos os riscos que ela corre na cidade, todas as violências a que ela está exposta e este medo é compartilhado com as mães Munduruku. Para elas, lutar contra a construção da barragem de São Luiz do Tapajós não trata-se de proteger sua própria vida, mas o futuro de seus filhos. De proteger a liberdade e segurança deles, como um rio que corre livre.

    Crianças na aldeia Sawré Muybu, do povo Munduruku

     

    Outro dia conversava com Aldira Akai Munduruku, professora de língua materna da comunidade. Ela me disse que nasceu na aldeia, mas passou boa parte da infância em uma cidade próxima chamada Jacareacanga, onde a vida era muito difícil. Seus filhos nasceram em Sawré Muybu. Mas caso a barragem seja construída, eles terão que se mudar e sua aflição ao falar sobre o assunto era quase tangível, de tão instalada.

    “As vezes lá as coisas faltavam. Aqui, a terra dá tudo e dinheiro não é um problema”. Na aldeia, os índios trabalham a terra, pescam, caçam, coletam frutos e ervas. O dinheiro que corre, é pouco. Mas o resultado de tanto serviço prestado salta aos olhos: uma imensidão verde sem fim, é floresta que não se acaba mais.

    Crianças na aldeia Sawré Muybu, do povo Munduruku

     

    Me desconcentrei por alguns segundos e lembrei de uma foto que ví uma vez, de um grupo de mulheres indígenas sentadas numa calçada de concreto e barro de Altamira, com suas crianças no colo. Algumas das milhares de vítimas dos deslocamentos e inundações provocados por Belo Monte.  Quantas vezes teremos que ver estas mesmas cenas? Quantas crianças ainda vão deixar de viver livres? Quantos rios?

    Sinto o medo de Aldira, de Margarete e de outras mães Mundurukus. Mas também sinto meu próprio medo, e o de Marias, Graças e Camilas e tantas mães, sobre o futuro de seus filhos. Que mundo vamos deixar para eles?

    Junte-se a essa luta e vamos juntos salvar o Rio Tapajós no <3 da Amazônia 

    *Rosana Villar é jornalista do Greenpeace Leia mais >

  • Estamos todos conectados

    Postado por Oliver Salge* - 22 - jun - 2016 às 9:16

     

    Munduruku realizam a sinalização de seu território (©Anderson Barbosa/Greenpeace)

    Na última segunda-feira cheguei a aldeia Sawré Muybu para me unir aos outros ativistas do Greenpeace na campanha para salvar o coração da Amazônia. É minha segunda vez aqui, mas agora há um sentimento diferente no ar, uma euforia que vem junto com a esperança de que o trabalho que estamos fazendo sirva para ampliar a voz dos Munduruku em sua luta contra a construção de uma grande hidrelétrica em seu Rio da Vida.

    Foram quase três anos de trabalho e alguns meses de preparação para chegarmos até aqui e agora, finalmente, podemos ver as coisas acontecerem. 

    Na manhã do meu segundo dia acompanhamos os Munduruku em uma atividade na mata. Eles estão instalando placas para sinalizar seu território, que eles mesmo demarcaram, cansados de esperar uma ação do governo. Cinco barcos repletos de guerreiros e famílias Munduruku seguiram até o local, por um imponente Rio Tapajós de águas esverdeadas.

    Para alguns pode ser só uma placa, mas para o povo Munduruku é muito mais que isso. Simboliza o início de uma nova fase de sua longa luta, mas em um nível totalmente diferente. 

    Ontem trabalhava sozinho tarde da noite, no escritório de palha construído para receber ativistas e jornalistas na aldeia,  quando três adolescentes Munduruku chegaram ao barracão e começaram a olhar curiosos um quadro, onde colamos as imagens das ações que realizamos na Alemanha e na Holanda, em que utilizamos um banner que eles pintaram com suas mãos há mais ou menos oito semanas (e que está agora com a Siemens, em Munique). Expliquei para elas o que havia acontecido, que a Sandra, uma campaigner do Greenpeace Alemanha, falou com o chefe do Siemens sobre Tapajós e sobre a luta deles contra a usina e pediu para a empresa não se envolver no projeto. 

    Munduruku preparam faixa para protesto contra hidrelétricas (© Rogério Assis/Greenpeace)

    Os três adolescentes estavam felizes. Talvez começando a compreender que todo o trabalho é conectado e que muitas pessoas do Greenpeace pelo mundo estão trabalhando para ‎apoia-los e para proteger a Amazônia

    Parece que a ficha caiu, vi um sorriso nas rostos deles, e sinto fluir nas minhas veias a energia para continuar nosso trabalho aqui, juntos.

    Foi um momento importante para mim. É em horas como essas que vemos que todo o trabalho valeu a pena. Tem tanta gente que pode fazer o bem, e nós podemos usar nosso tamanho e influência para divulgar uma historia tão importante quanto esta. Pois não viemos aqui para fazer o trabalho, viemos para apoiar a luta dos Munduruku, e isso me deixa muito feliz. 

    Acho que em alguns anos vamos olhar para esse momento com um sorriso no rosto, contando muitas histórias, de quando começamos nossa jornada aqui.

    *Oliver Salge é da Campanha da Amazônia do Greenpeace Leia mais >

  • Protegendo a Amazônia: lado a lado com os Munduruku na luta por seu território

    Postado por Danicley de Aguiar* - 15 - jun - 2016 às 12:10 2 comentários


    Liderancas do povo Munduruku instalam a primeira de 50 placas nos limites da Terra Indigena Sawre Muybu, sinalizando o territorio que eles autodemarcaram. Os Munduruku pedem a demarcacao definitiva de sua terra. (©Anderson Barbosa/Greenpeace)

    Hoje foi um dia especial na aldeia Sawré Muybu. Lideranças Munduruku instalaram as primeiras placas nas fronteiras do seu território tradicional para sinalizar que ali é território do povo Munduruku. As placas são semelhantes às utilizadas pelo governo brasileiro na demarcação oficial de terras indígenas.

    A ação consolida a iniciativa de autodemarcação da Terra Indígena Sawré Muybu, localizada no município de Itaituba, no Pará, que aconteceu entre 2014 e 2015 com o apoio de diversos grupos aliados. Essa será a primeira de diversas atividades que se somarão à luta histórica desse povo na defesa de seu território e na proteção do rio Tapajos, no coração da Amazônia.

    Durante as últimas semanas, estivemos na Terra Indígena Sawré Muybu trabalhando junto com os Munduruku na preparação da aldeia para receber ativistas de diversas partes do mundo e lideranças indígenas do Tapajós. O objetivo é chamar a atenção global para os riscos que a construção de hidrelétricas no rio Tapajós oferece à floresta e seus povos.

    Estamos ao lado do povo Munduruku para impedir a construção da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós. Se realizada, a barragem poderá alagar pelo menos 400 km² de floresta e uma série de outros lugares importantes para a sobrevivência deste povo e de outras populações tradicionais que habitam o vale do rio Tapajós – como lagoas sazonais e perenes, pedrais, ilhas e corredeiras. No dia a dia com os Munduruku, é possível compreender por que eles resistem tão bravamente aos planos do governo brasileiro em barrar seu rio: ele é vital para a sua vida e sua cultura. Dele depende sua própria existência.

    • Confira a galeria de fotos da atividade:

    Demarcação de terra indígena Munduruku no coração da Amazônia 

    Por isso vamos juntos andar nos limites do território Munduruku espalhando as placas e, com elas, os sinais de que um outro caminho é possível. E, neste caminho, buscamos apoio de todos aqueles que acreditam em um mundo mais justo, no qual a Amazônia e seus povos tenham seus direitos respeitados e colocados acima de qualquer interesse. Os direitos têm de prevalecer sobre os interesses econômicos, que por tanto tempo têm marcado a política de construção de grandes hidrelétricas na Amazônia.

    Atualmente, o licenciamento da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós está suspenso pelo Ibama e o processo de demarcação da Sawré Muybu finalmente foi retomado pela Funai. Com este esforço, queremos que a terra indígena seja oficialmente reconhecida pelo governo e que a barragem seja cancelada de uma vez por todas.

    Por isso, convidamos todas as pessoas, de diferentes lugares do mundo, a se mobilizar em apoio a essa luta, pressionando o governo brasileiro e as empresas que insistem nos planos de barrar um dos últimos rios livres da Amazônia.

    Você pode se juntar aos Munduruku, a nós e a todas essas pessoas para manter o Tapajós vivo e livre e salvar o coração da Amazônia!

    Leia mais >

    *Danicley de Aguiar é ativista da Campanha Amazônia do Greenpeace

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