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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • No balanço das marés

    Postado por rgerhard - 31 - jan - 2017 às 11:00 1 comentário

    Enquanto o Esperanza registra as primeiras imagens dos Corais da Amazônia, nossa equipe em campo percorre belezas naturais do litoral do Amapá que também podem ser impactadas pela exploração petrolífera na Bacia da Foz do Amazonas. Conheça um pouco mais sobre o Parque Nacional do Cabo Orange

     

    Vista aérea do Parque Nacional do Cabo Orange. Foto Victor Moriyama / Greenpeace

     O barco de casco vermelho, de construção em madeira, como a maioria das embarcações na Amazônia, aguardava-nos no meio do Rio Oiapoque, que divide Brasil e Guiana Francesa. Precisávamos esperar pela entrada da maré, quando a via fica navegável.

    Peixe-boi é o nome do barquinho corajoso, que possibilita que os profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizem o gigantesco trabalho de proteger os 619 mil hectares do Parque Nacional do Cabo Orange. “Ele permite que a gente acesse todas as regiões do parque e fique bastante tempo em campo, fazendo levantamentos, como contagem de pássaros, e trabalhos com as comunidades”, conta com ternura o biólogo Ivan Vasconcelos, um dos três profissionais responsáveis pelo parque.

    Cachoeiras no Rio Oiapoque: o local congrega biomas variados, como mangues e florestas tropicais Foto: Victor Moriyama / Greenpeace

     Valmir, o capitão, diz que entre os pescadores predatórios a embarcação é conhecida como “Bicho feio”. Quando Peixe-boi está na área, ou corre ou cai na rede da fiscalização. O Parque Nacional do Cabo Orange é uma reserva protegida por lei. O imenso mangue, estuários e seus igarapés são fundamentais para a reprodução de peixes marinhos. Então não se pode pescar em escala industrial na boca dos rios Oiapoque e Cassiporé.

     As quatro horas da madrugada, o mar já havia subido o rio, e partimos em uma viagem tranquila, no embalo do barulho do motor, sob a vigia de um céu cheio de estrelas, através dos caminhos abertos pela maré. Amanhecemos no meio do caminho, na ilha dos papagaios, e com o sol já forte, nos aproximamos do enorme delta.

     Nessa parte, a calmaria do rio dá lugar a inquietude do mar. As ondas cor de café com leite, temperadas com os sedimentos da Amazônia, formam ondas cada vez mais fortes. As quais o valente Peixe-boi vai vencendo, uma a uma.

     Em Oiapoque contam que, certa vez, a frente de um enorme objeto espacial apareceu boiando pelos rios do Cabo Orange. O pedaço fazia parte de um foguete disparado pela França em sua base espacial, em Kourou, na Guiana Francesa. Ejetado na atmosfera, caiu no oceano, mas foi levado pelas correntes para dentro do parque.

     “Um acidente com óleo aqui seria terrível, porque a maré sobe, traz o óleo, e quando desce o óleo fica na lama. Toda essa floresta morreria”, conta Ivan, mostrando o mangue.

    Maior área contínua de mangue do planeta no Parque Nacional do Cabo Orange. Foto: Victor Moriyama / Greenpeace

     As companhias petrolíferas dizem que, em caso de acidente, podem responder em até 15 dias, mas que o óleo se espalharia pelo Caribe – como se isso tornasse  a coisa melhor. Chacoalhando nessa maré, sinto-me mais inclinada a concordar com os locais, que dizem que o que acontece no mar, acontece no mangue, acontece rio acima.

     Essas pessoas que vivem aqui há gerações sabem de algo que não sabemos. Viveram algo que podemos apenas imaginar. Muito antes que os cientistas pudessem comprovar a existência dos Corais da Foz do Rio Amazonas, por exemplo, os mais velhos já sabiam os pontos ricos em pesca e diziam que existia algo naquele pedaço de mar que fazia os peixes aparecerem em profusão, contam por aqui.

    Pequeno caranguejo na maior área contínua de mangue do planeta no Parque Nacional do Cabo Orange. Foto: Victor Moriyama / Greenpeace

     Enquanto avançamos pelo mar que contorna o Cabo Orange, as ondas ficam cada vez maiores e começo a me preocupar, o barquinho de madeira talvez possa não aguentar. “Não se preocupe, o mar está tranquilo”, diz Valmir. Não tenho motivos para duvidar.

    Rosana Vilar é jornalista, do time de comunicação do Greenpeace, em expedição pelo Amapá Leia mais >

  • Diário de Bordo: A vida sobre as ondas

    Postado por Juliana Costta - 30 - jan - 2017 às 17:30

    Há uma semana em alto-mar para a campanha que está documentando os Corais da Amazônia, nossa analista de redes sociais conta a experiência sua bordo do navio Esperanza pela primeira vez

    Esperanza, um dos três navios do Greenpeace, na região da foz do rio Amazonas, no Amapá. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace.

     Algumas coisas no navio são bem diferentes. Uma delas é dormir. Não tem nada a ver com o quarto, ele é normal: um armário, uma escrivaninha, uma pia e um beliche, com cortinas para dar mais privacidade ao nosso sono.

    Estou dividindo o quarto com uma marinheira-paramédica italiana. O mais curioso é dormir balançando – quando não rolando – de um lado pro outro da cama. A qualidade do meu sono depende do quanto o barco balança: se o mar está calmo, o sono é tranquilo. O balançar do barco é bem gostoso, mas o bicho pega quando o mar está agitado. Você tem que se ajeitar de um jeito para não ficar literalmente rolando com o chacoalho do navio. Tem quem use o travesseiro para se prender, ou quem durma só de bruços.

    Outro ponto curioso é o jeito que andamos aqui. Nos primeiros dias, quem não era da tripulação não estava adaptado a andar em um barco, que obviamente balança. Por isso, andávamos como bêbados ou crianças aprendendo a dar os primeiros passos. Você tropeça em tudo, bate nas paredes, trança as pernas (leia-se, quase cai) e por aí vai. Agora,  já mais acostumados, temos o que os marinheiros chamam de sealeg. Em uma tradução livre, seria pernas de mar, ou pernas adaptadas para o balanço do navio.

    Mas a experiência no barco não é só mareio. Há coisas absolutamente magníficas. Para mim, as duas principais acontecem à noite: brilhos no mar e o céu estrelado. Quando o casco do barco bate na água, você vê pequenos brilhos verdes, como vagalumes nadando. É hipnotizante. A água escura faz com que fiquem mais evidentes.

    O biólogo Ronaldo Francini Filho nos explicou que esses brilhinhos verdes são um tipo de protistas chamados Noctiluca, muito comum na costa brasileira. Para mim, foi novidade: todas as noites saio da cabine para vê-los dançarem na água.

    Já o céu estrelado... (suspiro!) Que céu estrelado! Estamos no Oceano Atlântico, a mais de 100 quilômetros da costa brasileira, sem nenhuma luz ao nosso redor. Vemos o céu salpicado de pontos luminosos com direito a Via Láctea e nebulosas. Aquele céu de filme mesmo, sabe?

    Outra  curiosidade: diz-se que a pessoa mais importante do navio não é o capitão, e sim o cozinheiro. Ele cuida de toda a nossa alimentação e garante que teremos sempre comida boa e fresquinha nas refeições. Quando se tem um bom cozinheiro, a tripulação é mais feliz. Nós nos demos muito bem com o Babu, um indiano sempre sorridente, que faz uma comida deliciosa.

    A tripulação normalmente trabalha das 8h às 17h. Depois do trabalho nos reunimos em uma sala do navio para conversar sobre como foi o dia, contar histórias e jogar dardos. É nesse momento que temos a oportunidade de nos conhecermos melhor. É uma troca cultural muito rica e interessante. Ontem, o Kim, que é sul-coreano e o 3º oficial do Esperanza, nos contou que, na Coreia, sempre que alguém compra algo para comer, é divido entre amigos. Mas não como nós brasileiros, que perguntamos se pode pegar um pedaço. Eles pegam sem enrolação e comem, simples assim!

    Viver sobre as ondas é um mundo diferente. Aqui se tem a disciplina de um samurai e o bom humor de um brasileiro. O trabalho é pesado e as gargalhadas são leves. O navio balança, mas a nossa determinação em defender os Corais da Amazônia continua firme.

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    Vida a bordo: Thaís Herrero (esq), Juliana Costta e Thiago Almeida, do Greenpeace Brasil, na defesa pelos corais. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace.

     

    Juliana Costta é Social Media do Greenpeace Brasil 

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  • Corais da Amazônia: as primeiras imagens de um novo mundo

    Postado por rgerhard - 28 - jan - 2017 às 10:15 3 comentários

    O sucesso de nosso primeiro mergulho revelou que os recifes surpreendem pela exuberância de vida em uma região considerada pouco amigável a abrigá-la

     

    Primeiras imagens dos Corais da Amazônia registradas pelo submarino ©Greenpeace

     

    “Estou me sentindo como alguém que volta de outro planeta”, disse o professor Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Paraíba, logo após voltar à tona, sem esconder a emoção. Ele foi o primeiro cientista a mergulhar com o submarino para ver os recifes de corais da Amazônia. Junto dele estava o piloto John Hocevar, diretor da Campanha de Oceanos do Greenpeace USA.

    
Neste 27 de janeiro, às 13h15, retornava à superfície com as primeiras imagens que revelavam os contornos de um mundo oculto . Um capricho da natureza, que não cansa de nos surpreender ao preencher de vida uma região considerada inóspita e tão improvável de abrigá-la. Dentro de nós, que estamos à bordo do navio Esperanza, fica a certeza de que a campanha “Defenda os Corais da Amazônia” merece toda a nossa atenção.

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    Foram quase duas horas de mergulho. A 220 metros de profundidade, a mais de 100 quilômetros da costa brasileira, lá estavam eles, os recifes com esponjas, corais e rodolitos (algas calcárias), expondo para nossas lentes suas cores e formas. “Ali existe um ecossistema bem diverso. Em boa parte do recife, o chão é cheio de vida”, conta Ronaldo.

    Primeiras imagens dos Corais da Amazônia registradas pelo submarino ©Greenpeace

     

    Na expedição realizada em 2014, os pesquisadores usaram redes para coletar exemplares. Desta vez, eles realizaram a primeira observação desse novo bioma embaixo d'água. Isso faz toda a diferença, ao permitir entender mais sobre esse universo que já está ameaçado. Empresas querem explorar petróleo perto dali e um vazamento poderia colocar em risco não só os corais mas a vida marinha da região.

    Quando Ronaldo e John começaram a explicar o que viram debaixo d’água, a alegria e a satisfação estampavam seus sorrisos. Eles contaram que nos primeiros minutos o submarino passou por uma extensa área de areia, o que os deixou ansiosos por tentar ver alguma coisa. No navio, o capitão e a tripulação iam dando as coordenadas certas para que a pequena cápsula com os dois tripulantes chegasse aos recifes. Os rodolitos e as esponjas foram aparecendo aos poucos. Até que o submarino chegou a um paredão: uma grande estrutura de carbonato de cálcio. Ali estava o que realmente procuravam! O submarino precisou subir um pouco, a 180 metros de profundidade, para ver o ecossistema por cima.
 Entre os peixes avistados, estavam um cardume de atum e o cioba, uma espécie muito importante para a economia da região do Amapá, altamente dependente da pesca. O cioba está ameaçado de extinção.

     

    Ronaldo Francini Filho e John Hocevar fazem o primeiro mergulho no submarino - Foto ©Marizilda Cruppe / ©Greenpeace

     

    Esses peixes usam os recifes como locais para sua reprodução. Ali também estavam peixes herbívoros, comprovando a presença de algas mesmo onde chega pouca luz do sol. O mais supreendente para Ronaldo, no entanto, foi ver alguns peixes-borboletas. Segundo ele, podem ser de uma nova espécie. “Espécies deste peixe têm sido descobertas frequentemente em áreas de águas profundas. E é emblemático vê-los aqui também”, afirma.

    Este primeiro mergulho de submarino realizado pelo Greenpeace a bordo do Esperanza revelou esse novo universo a ser protegido. . 
"Mostramos por que não podemos deixar que empresas explorem petróleo na região da foz do Rio Amazonas. Ainda mais se pouco conhecemos esse ecossistema", disse Thiago Almeida, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

    Toda a tripulação se envolveu nessa operação. Da cabine de controle, o capitão e seus ajudantes garantiam que o navio Esperanza não se distanciasse do submarino. A cada 15 minutos, sinais de comunicação eram enviados para saber se tudo estava bem.

    A diversidade de vida nos Corais da Amazônia surpreendeu os cientistas ©Greenpeace

     

    Ao final do dia, a aventura foi celebrada em uma roda de conversa entre todos no navio. John e Ronaldo contaram em detalhes o que viram debaixo d’água e a experiência de viajar em um equipamento tão moderno. Juntos, assistimos a um vídeo sobre nossos primeiros dias reunidos nessa missão. Uma cumplicidade de equipe e um espírito de aventura expressos em olhares trocados, que certamente renovam a união e a energia para os próximos dias. Foi de arrepiar.

     Nossa missão por aqui, entretanto, está apenas começando. Teremos novas oportunidades de ver com mais detalhes o que as águas brasileiras vitaminadas pelo Rio Amazonas nos escondem. Continue conosco nesta jornada. Nos ajude a divulgar essas imagens e participe da luta para defender os Corais da Amazônia da exploração de petróleo.

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    Thais Herrero é jornalista do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza Leia mais >

  • Diário de Bordo: Uma espiada nos corais

    Postado por rgerhard - 27 - jan - 2017 às 15:00

    Chegamos ao primeiro lugar do nosso mergulho!

    Esperanza chega ao primeiro local de observação dos Corais da Amazônia. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace

     

    Quando o sol nasceu nesta quinta-feira (26), estávamos exatamente onde o GPS apontava ser a região dos recifes de corais da Amazônia. Foram 270 milhas navegadas, mas valeu a pena cada um dos incontáveis balanços sobre as ondas do Atlântico. O entusiasmo pela proximidade desse bioma ainda pouco conhecido contagiava um a um. 

    O mar estava calmo e muito claro. Eram as condições ideais para colocar o submarino debaixo d’água. Foi bem aqui onde os cientistas, em 2014, coletaram os primeiros exemplares desse ecossistema. Ou seja, estamos a 60 metros acima dos corais.

    Mas antes de colocar o submarino na água, decidimos usar uma câmera submarina para confirmar o que estava realmente abaixo de nós. Assim, marcaríamos os pontos ideais para o submarino. Foi um momento e tanto! Com uma câmera subaquática, sem uma resolução tão alta, pudemos ver em tempo real, por um monitor, as formações recifais a 50 metros de profundidade! Eles estavam ali!

    Marinheiro do Greenpeace recolhe uma câmera submarina. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace

     

    Em uma rápida visualização, os cientistas confirmaram a presença de muitas esponjas e rodolitos (algas calcárias), além de pelo menos sete espécies de peixes que os especialistas não sabiam que viviam ali. Entre eles, alguns peixes herbívoros. “Isso indica que ali existem algas, ou seja, a luz do sol consegue penetrar apesar da influência da água doce do Rio Amazonas. Essas algas são bem similares à flora de recifes rasos”, nos contou Ronaldo Francini Filho, biólogo da Universidade Federal da Paraíba.

    Cientistas observam imagens de uma câmera submarina em tempo real. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace

     

    Por uma segunda vez, descemos a camera, desta vez à noite, e um pouco mais fundo, a 80 metros. Novamente, muitas esponjas e rodolitos foram avistados, mas havia também alguns corais negros, uma espécie em forma de filamentos, de áreas de pouca luz, em regiões com mais de 40 metros de profundidade.

    O dia acabou tarde, mas a expectativa com o dia seguinte, nosso momento tão esperado, superou qualquer cansaço. Finalmente mergulharemos com o submarino para ver de pertinho e registrar imagens melhores desse tesouro natural.

    No entanto, esses pequenos vislumbres do dia bastaram para reforçar no time do Greenpeace a certeza da nossa luta, o porquê de estarmos aqui: defender um novo bioma que já está ameaçado. Não podemos permitir que nenhuma empresa inicie a exploração de petróleo nessa região e ponha todo esse capricho da natureza em risco por causa de um vazamento de óleo.

    Continue conosco nessa aventura e assine a petição para pressionar a Total e BP a desistir dos seus planos de buscar petróleo na região. 

    ASSINE A PETIÇÃO  

    Fim de um belo e produtivo dia em meio ao Atlântico. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace.

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    Thais Herrero é jornalista do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza

  • Diário de Bordo: o show dos golfinhos

    Postado por rgerhard - 26 - jan - 2017 às 13:45 1 comentário

    Apesar do tempo fechado e um dia repleto de reuniões, fomos premiados com uma companhia especial no fim da tarde

      

    Após um dia de navegação, deixamos a água mais barrenta para atingir o oceano azul, ainda que sob influência do Rio Amazonas. Com isso, passamos a enfrentar ondas mais fortes que acordaram muitos de nós antes das 6h da manhã. Muita chuva no lado de fora das escotilhas e um balanço no navio que fez todos tomarem remédio para enjoo.

    Como teríamos o dia todo de navegação pela frente, aproveitamos para fazer reuniões de alinhamento dos próximos passos. Alguns dos cientistas fizeram o treinamento para usar o submarino. Nele cabem apenas duas pessoas, o piloto e o passageiro, que atua como co-piloto, daí as muitas responsabilidades no mergulho.

    Um dos pilotos presentes é John Hocevar, diretor da campanha de Oceanos do Greenpeace Estados Unidos. Ele já pilotou submarinos outras vezes. A primeira foi no Barrien Sea, perto do Alasca, e a segunda no Golfo do México, após o desastre da BP com a plataforma Deep Horizon, em 2011, que derramou petróleo por uma extensão enorme. Naquela ocasião, o submarino foi usado para avaliar o estrago causado pelo óleo em recifes de corais profundos.

    A viagem aos Corais da Amazônia é uma jornada bem diferente para ele. “Não sabemos bem como são os organismos ali. É muito animador isso, Tenho a expectativa de que encontremos espécies únicas aqui. E mostrar isso ao Brasil vai ser muito importante”, afirma.

    Ele aponta para o fato de sabermos mais sobre a superfície da Lua do que sobre as profundezas do nosso oceano. “Quando falamos de oceanos, as pessoas pensam nas praias ou na superfície do mar. Mas podemos mudar o nosso modo de pensar. Ao ver os Corais da Amazônia, acho que muitas pessoas se questionarão se essa região deve ser perfurada ou não para a retirada do petróleo”, afirma.

    O fim do dia nos trouxe um presente: as belas imagens acima proporcionadas por um grupo de golfinhos que nadou por muito tempo ao lado do navio. Segundo um dos cientistas, eles são atraídos pelas ondas que o navio faz, e ficam por perto para brincar entre eles com as marolas.

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    Thais Herrero é jornalista do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza Leia mais >

  • Diário de bordo: Partimos!

    Postado por rgerhard - 25 - jan - 2017 às 14:34

    Estamos há 24 horas navegando e já em mar aberto, que se encontra bem agitado enquanto escrevo este texto. Alcançamos até 9,5 nós de velocidade, algo em torno de 18 km/h. É o suficiente para deixar tudo balançando à nossa frente

      

    A tripulação trabalhou desde a manhã de segunda-feira, 23 de janeiro, para deixar tudo pronto para o grande momento da partida. Máquinas ajustadas, paredes recém-pintadas, painéis elétricos checados e a cozinha abastecida. O Esperanza estava pronto na manhã de terça-feira, 24. Às 10h45, os motores foram ligados e zarpamos do porto de Santana, no Amapá.

    A bordo do Esperanza navegam 20 tripulantes e outras 19 pessoas, entre a equipe do Greenpeace, jornalistas e cientistas. Nosso objetivo é claro: chegar até a região onde estão os recifes de corais da Amazônia, cerca de 110 km da costa. Ali, vamos tentar fazer as primeiras imagens dos recifes debaixo d’água e tentar observar como vivem seres praticamente desconhecidos.

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    O dia estava chuvoso, como é típico da temporada úmida na Amazônia. Mas tão logo o navio se distanciou do porto, a chuva foi diminuindo e um sol tímido iluminou nosso caminho sobre as águas do Rio Amazonas. Um sinal de boa vontade para a nossa aventura, que está apenas começando. 

    “Estou muito feliz de estar no Brasil, e ajudando essa campanha com o Esperanza”, comenta o nosso experiente capitão Joel Stewart, há 28 anos conosco no Greenpeace. Ele é acompanhado no mesmo entusiasmo pelos cientistas, que também não escondem a ansiedade.

    “Sair com o navio hoje foi inspirador, diria até rejuvenecedor”, afirma o professor do Laboratorio de Microbiologia da UFRJ, Fabiano Thompson. Para Ronaldo Francini Filho, biólogo da Universidade Federal da Paraíba, “é como um sonho se tornando realidade”. Afinal, todo mundo que trabalha com os oceanos um dia já sonhou em mergulhar em um submarino.

    E isso está prestes a acontecer, com uma dose extra de emoção e encantamento: ver pela primeira vez os corais recém-descobertos. Continue conosco. Em breve, contaremos mais sobre essa jornada e quem faz parte dela.

    Equipe do Greenpeace a bordo do Esperanza Foto: Marizilda Cruppe / Greenpeace

     

    Thais Herrero é jornalista, do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza Leia mais >

  • Brasileiros querem gerar a própria energia

    Postado por rgerhard - 4 - jan - 2017 às 14:30 2 comentários

    Pesquisa Datafolha mostra que, a despeito da resistência das distribuidoras elétricas, estamos mais conscientes dos benefícios da autogeração de energia; próximo passo é facilitar o acesso

     

    Instalação de placas solares em escola de Uberlândia Foto: Otávio Almeida/Greenpeace

     

    Num país que fechou o segundo ano em recessão e iniciou 2017 com 12 milhões de desempregados, todo mundo quer e precisa economizar. Pode ser no supermercado, no transporte e, porque não, na conta de luz.

    A energia elétrica teve papel protagonista em várias manchetes em 2015: praticamente todo mês um aumento novo era anunciado, totalizando mais de 50% na média nacional e 80% em algumas regiões. Ela perdeu um pouco o brilho em 2016, e parece cedo para dizer o que será deste ano, apesar de já estarmos em janeiro.

    É por isso que, quando recebemos o resultado da pesquisa sobre micro e minigeração de energia encomendada ao Datafolha, não nos surpreendeu o dado de que para 48% da população economizar na conta de luz é a principal motivação para gerar sua própria energia, por meio de placas solares, por exemplo.

    O segundo lugar, no entanto, foi sim surpreendente: 17% das pessoas se veem mais motivadas pela possibilidade de se tornarem independentes das distribuidoras de energia. No resultado regional, esse número sobe para 25% no Norte e Centro-Oeste.

    Verdade seja dita, a independência da distribuidora de energia é, na maioria das vezes, simbólica, mas ainda assim poderosa. O consumidor pode escolher acoplar baterias ao seu sistema - que podem, de forma prática, torná-lo completamente independente da distribuidora de energia -, ou não, caso em que precisará utilizar a própria rede elétrica como bateria, consumindo dela à noite, por exemplo.

    A curiosidade fica em saber se há um efeito de ação-reação nessa resposta ou não. Será que esses 17% sabem que algumas dessas distribuidoras estão, hoje, entre as mais resistentes à autogeração de energia? Essa oposição vem das mais diversas formas: ao querer impor aos clientes uma nova forma de tarifa pela qual é cobrado, separadamente, tanto a eletricidade consumida como a utilização da rede de distribuição; no recorrente descumprimento dos prazos e na exigência muitas vezes abusiva de documentações para que haja a conexão das placas solares ou das torres eólicas à rede elétrica.

    Se a oposição é forte, maior é o potencial de crescimento da micro e minigeração. Hoje são mais de 6.000 sistemas conectados à rede elétrica, um crescimento de mais de 300% se comparado ao mesmo período do ano passado. E a Agência Nacional de Energia Elétrica já deu a letra: até 2024 o Brasil pode ter mais de 1,2 milhão de sistemas. Com 80% da população já sabendo da possibilidade de gerar sua própria energia, só falta mesmo facilitar seu acesso, afinal 72% disseram que fariam a aquisição do sistema de autogeração se houvessem linhas de crédito com juros baixos e 50% estaria disposta a usar seu FGTS.

    Em qualquer das hipóteses, contudo, gerar sua própria energia é um ato de independência e empoderamento. Representa fortalecer os pequenos e médios negócios e devolver ao cidadão o poder de escolher de onde ele quer que sua eletricidade venha, deixando claro que não é de grandes empreendimentos que muitas vezes ferem direitos humanos e princípios éticos que tanto precisamos ver fortalecidos. Leia mais >

    Voluntários do Greenpeace Brasil promovem a energia solar em São Paulo Foto: Marina Yamaoka/Greenpeace

     
  • Conheça nossas vitórias em 2016

    Postado por fesouza - 21 - dez - 2016 às 16:20

     Em 2016 o Greenpeace lutou por diversas causas. Nossas conquistas só são possíveis graças a milhões de pessoas, como você, que fazem a diferença para mudarmos o nosso mundo para melhor.Conheça algumas das nossas vitórias abaixo.

    Começamos o ano com sucesso na campanha Carne ao Molho Madeira, em que três grandes redes de supermercado do Brasil se comprometeram a não comprar carne contaminada com o desmatamento da Amazônia.

    Conseguimos cancelar o projeto da hidrelétrica de São Luiz de Tapajós, no coração da Amazônia, que ameaça a biodiversidade e o modo de vida dos povos tradicionais que vivem na região. Lançamos ainda o relatório [Revolução Energética], que mostra que é possível o Brasil ter 100% de energia renovável até 2050, aproveitando o sol e o vento na geração de energia limpa. Por isso, continuamos incentivando a adoção de energia fotovoltaica por todo o País.

    Outro sucesso deste ano foi a criação da campanha de Agricultura e Alimentação, para questionar o modelo agrícola praticado no Brasil: as sementes transgênicas, os agrotóxicos, a expansão da agropecuária sobre a Amazônia e os impactos climáticos da nossa produção. Com isso, alcançamos a aprovação da Lei 6670/2016, que visa diminuir a quantidade de agrotóxicos nos nossos alimentos.

    Foi em 2016 também que dissemos NÃO ao uso do carvão e conseguimos o veto ao artigo 20 da Medida Provisória 735, que ofereceria US$5 bilhões em novos subsídios à geração de energia com carvão mineral.

    Para relembrar um ano do maior desastre ambiental do país, em que muito pouco foi feito para reparar os danos da lama de rejeitos da Samarco em toda a bacia do Rio Doce, escrevemos "Justiça" em letras de oito metros de altura nos destroços do povoado de Bento Rodrigues. Também buscamos proteger 51 espécies de baleias e golfinhos da caça comercial, ao defender a criação de Santuário das Baleias do Atlântico Sul, que contou com uma petição de quase um milhão de assinaturas de vários países. A iniciativa não foi aceita, mas continuaremos insistindo.

    Alcançamos mais de 5 milhões de pessoas em nossas redes sociais, e conseguimos formar mais dois grupos de voluntários, um no Maranhão e outro no Rio Grande do Sul.

    Neste ano bastante intenso, jamais esqueceremos do quão importante foi a sua ajuda para nós. Por isso queremos agradecer a todos que estiveram ao nosso lado fazendo tudo isso acontecer. Seja um doador do Greenpeace e colabore para um 2017 cheio de novas conquistas! Leia mais >

    Junte-se a nós

  • Economia que faz o bem

    Postado por rgerhard - 14 - dez - 2016 às 16:20

    Duas entidades beneficentes receberam placas solares e, com o dinheiro economizado na conta de luz, poderão ajudar mais quem precisa de cuidados

    Foto: Daniel Kfouri/Greenpeace

     

    Na mão marcada pelo tempo de uma vida, passado, presente e futuro se encontram. Na foto acima, um dos velhinhos da Casa Santa Gemma, que abriga moradores de rua em Uberlândia (MG), segura pela primeira vez uma célula fotovoltaica. A instituição foi uma das que recebeu sete placas solares com o apoio do Greenpeace Brasil. A outra foi o Abrigo Paulo de Tarso, em Nazaré, no interior da Bahia, onde foram instaladas mais 20 placas.

    Este é o resultado inicial da campanha de financiamento coletivo que lançamos em março, “Traga o Sol a quem precisa”, para que as duas sedes de acolhimento pudessem se beneficiar da energia elétrica solar. “Com a participação de 608 pessoas, foi possível arrecadar cerca de R$ 40 mil, que ajudaram o projeto a se tornar realidade”, pontua Bárbara Rubim, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

    A instalação das placas foi feita no final de outubro, na Casa Santa Gemma e, em meados de novembro, no Abrigo Paulo de Tarso, por uma empresa especializada contratada pelo Greenpeace.

    A projeção é de que a redução no consumo de energia elétrica da concessionária local seja de 70% para a casa de atendimento aos moradores de rua mineira enquanto o abrigo para idosos baiano deverá cortar pela metade a sua conta de luz, graças às placas solares.

    “Com a economia obtida na conta de luz, as duas entidades poderão tanto cobrir parte de suas despesas fixas, como medicamentos, como investir na ampliação dos seus sistemas fotovoltaicos no futuro, alcançando, assim, autonomia total na geração de energia elétrica. Nosso objetivo é continuar dando-lhes apoio neste processo até a sua conclusão”, conta Bárbara.

    Menos risco no futuro

    Mais que economizar recursos, ao instalar as placas solares as entidades beneficentes dão sua contribuição para amenizar os problemas socioambientais que poderão vir com o aquecimento global e suas consequências, como mostramos nesse estudo. Aliás, os mais vulneráveis também são os mais afetados.

    Como a mudança do clima tem afetado bastante o regime de chuvas, o Brasil deve se preocupar seriamente em diversificar suas fontes de geração de energia elétrica para não ficar dependente apenas da água, pois os reservatórios têm registrados níveis baixos. E conforme as hidrelétricas reduzem sua produção por falta d’água, o Sistema Nacional Integrado (SNI) aciona as termelétricas movidas a gás natural ou óleo diesel, que emitem mais dióxido de carbono, agravando ainda mais o problema do clima.

    Nesse contexto, o terceiro setor e a sociedade civil devem fazer a energia solar chegar de vez em todos os locais: nas casas das pessoas, nas escolas, nos prédios públicos, nas empresas, e não só por meio do financiamento coletivo. “É um trabalho importante a ser feito por todos: precisamos que o governo federal crie incentivos para se investir mais e mais em energias renováveis e limpas e termos um mercado que caminhe com suas próprias pernas”, diz Bárbara. Os velhinhos, e todos nós, apoiamos e agradecemos.

    Greenpeace instala placas fotovoltaicas na entidade beneficente Casa Santa Gemma, em Uberlândia (MG). O sistema de placas contribuirá para a economia na conta de energia elétrica, possibilitando que os voluntários da entidade revertam mais verba para assistência dos moradores. Foto: Daniel Kfouri/Greenpeace Leia mais >

     

  • Mais de 20% de todos os agrotóxicos usados no Brasil são ilegais

    Postado por Alan Azevedo - 25 - nov - 2016 às 13:43

    É isso mesmo. O dado alarmante foi revelado por Fernando Figueiredo, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) e convidado a compor a mesa de debate de audiência pública da Comissão de Reforma Agrária do Senado desta quinta-feira (24).

    O tema da audiência era contrabando e falsificação de agrotóxicos e seus impactos na economia. Possíveis embargos internacionais às exportações brasileiras e perdas de arrecadação tributárias avaliadas em um milhão de dólares no último ano preocupam. Mas nada se compara ao risco que a sociedade corre ao estar sujeita a esses agrotóxicos ilegais.

    Questionada se existe uma análise capaz de dizer os riscos à saúde causados por essas substâncias piratas, Sílvia Fagnani, diretora-executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (SINDIVEG), respondeu: “Não é possível afirmar os riscos ou o que tem dentro desses produtos contrabandeados”. E afirmou que se fossem feitos por uma empresa, ela seria a terceira ou quarta maior do mercado nacional.

    Resumindo: além de representar um grande risco econômico, trata-se de um grave problema de saúde pública. Brasileiros e brasileiras estão consumindo alimentos com substâncias químicas que nem especialistas no tema sabem o que é ou o que pode ser.

    A questão do risco alimentar vem forte dentro dessa discussão. Durante debate nesta quarta-feira (23) da Comissão Especial do Projeto de Lei 6299/2002, que visa enfraquecer a legislação de agrotóxicos com o objetivo de facilitar seu uso e liberação, Eloísa Dutra Caldas, coordenadora do Laboratório de Toxicologia da Universidade de Brasília, lembrou que o Brasil não tem um órgão público voltado à avaliação de riscos de substâncias químicas legais usadas nas lavouras. “Meu sonho é que o Brasil tenha uma agência avaliadora de riscos”, disse ela.

    Para os agrotóxicos regulamentados existe o Limite Máximo de Resíduos (LMR), que estipula por lei a quantidade permitida de resíduo de um pesticida específico no alimento. No entanto, não é um indicador de saúde, e sim puramente agronômico, não levando em conta o uso cruzado de diferentes substâncias. Por sua vez, o índice de Ingestão Diária Máxima (IDM), além de obter seus resultados por meio de testes em ratos e não em seres humanos, não considera o consumo cumulativo de pesticidas ao longo da vida de uma pessoa.

    Se o uso legal e licenciado de agrotóxicos já apresenta brechas em suas análises, imagine então produtos contrabandeados ou até falsificados, que são produzidos pelos próprios traficantes em fazendas ilegais. E pensar que estes compõem mais de 20% de todos os insumos químicos aplicados nas lavouras brasileiras é assustador.

    Segundo pesquisa IBOPE encomendada pelo Greenpeace, 81% da população brasileira considera que a quantidade de agrotóxicos aplicados nas lavouras é “alta” ou “muito alta”. As pessoas não querem mais comer comida com pesticidas – ainda mais sabendo que parte significativa deles é ilegal e sem qualquer controle. Ao invés de tentar flexibilizar, é preciso endurecer a legislação de agrotóxicos e caminhar para a redução gradual de seu uso até se ver livre da aplicação de químicos nos campos. Por isso, o Greenpeace e outras organizações da sociedade civil apresentaram no início de novembro ao Congresso o Programa Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos (PNARA) em forma de sugestão de Projeto de Lei.

    Agricultura da conciliação?

    Os últimos dias no Congresso Nacional mostram que o debate sobre o modelo de produção de alimentos do país está se tornando questão cada vez mais relevante para a sociedade civil, que quer consumir comida sem agrotóxicos. Com o espaço que sistemas alternativos de produção vêm tomando e as críticas crescentes da sociedade sobre o uso de pesticidas, o agronegócio se coloca na defensiva e passa a adotar um discurso mais brando no lugar da radicalização de costume.

    Durante audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (22), Rodrigo Justus, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em tom conciliador, sugeriu que o Fundo Amazônia, além de servir para “caçar desmatador”, também deveria investir em pesquisas de diferentes modelos de produção sem uso de agrotóxicos, como o sistema agroflorestal ou agroecológico. “Estamos abertos a novos modelos”, afirmou.

    Audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, dia 22 de novembro (© Alan Azevedo / Greenpeace)

    Fernando Rebelo, do IBAMA, defendeu que a intenção de quem incentiva a produção ecológica não é de acabar com o modelo convencional. “Não queremos quebrar o agronegócio. Se um executivo da Coca-Cola, há 30 anos, dissesse que a empresa precisaria produzir suco, ele ia ser mandado embora. Hoje, o suco e a água mineral vão salvar a Coca-Cola”.

    A analogia cai como uma luva sobre o agronegócio. Em alguns anos, quando a vontade da maioria for contra consumir produtos químicos em seus alimentos, o setor que movimenta cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) pode de fato quebrar caso não se adapte à demanda nacional e internacional. Vale lembrar que o Brasil utiliza muitos agrotóxicos proibidos na União Europeia e em diferentes países como China, Estados Unidos e Índia, o que limitará cada vez mais as exportações de grãos e também de carne, uma vez que a alimentação animal se dá por meio da soja e do milho quimicamente tratados.

    “Ver o setor do agronegócio tomando a defensiva frente a uma disputa que está perdendo é um bom sinal para nós. Se quiserem conciliar interesses por uma agricultura responsável, sustentável e que não ofereça riscos à saúde humana, muito que bem. Mas no fundo as ideias são inconciliáveis. O que queremos mesmo é o fim do uso dos agrotóxicos”, defende Rafael Cruz, da Campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace Brasil. Leia mais >

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