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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Ajoelhou, tem que rezar

    Postado por Bernardo Camara - 11 - jul - 2014 às 17:06

    Foto: Greenpeace/Otávio Almeida

     

    A desculpa é velha. E, pelo jeito, também é torta. Há alguns anos reduzindo o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para automóveis, o governo sempre usou a mesma justificativa: a medida vai gerar empregos e vai ser ótima para a economia do país. Nem tanto. Um estudo dos economistas Alexandre Porsse e Felipe Madruga, da UFPR (Universidade Federal do Paraná), mostra que, entre 2010 e 2013, os ganhos da medida para o PIB e geração de emprego foram pífios.

    A pesquisa foi divulgada nesta sexta-feira, em matéria do jornal Valor Econômico. Segundo o levantamento, a contribuição positiva da desoneração do IPI dos carros para o PIB foi de apenas 0,02% ao ano, e no emprego, de 0,04% ao ano. O retorno para a economia brasileira, portanto, é baixíssimo diante dos custos para se gerar os subsídios.

    E o pior: o ônus não vem com contrapartida dos fabricantes de veículos. Isso significa que, nos últimos anos, o governo vem passando a mão na cabeça da indústria sem que ela ofereça um retorno à sociedade. Igualzinho se faz com um filho mimado, conforme escreveu Sérgio Leitão, diretor de Políticas Públicas do Greenpeace, em artigo recente no Correio Braziliense.

    Com tantos afagos, o mínimo que se espera da indústria brasileira de automóveis é que ela ofereça carros mais limpos e eficientes ao consumidor. Ou seja, que gastem menos combustível e emitam menos gases de efeito estufa. As mesmas marcas que produzem veículos por aqui já estão fazendo isso em outros mercados, como o europeu. Já passou da hora de dar esse passo no Brasil. 

    O Greenpeace está desafiando as principais montadoras brasileiras a produzir veículos mais limpos e eficientes no país. Saiba mais aqui. Leia mais >

  • Viral do Greenpeace é tirado do YouTube

    Postado por Alan Azevedo - 11 - jul - 2014 às 10:27

     

    O vídeo do Greenpeace “LEGO: Nem Tudo é Incrível”, um viral que somava mais de três milhões de visualizações nos últimos dias, foi tirado do YouTube sob pretexto de quebra de direitos autorais da Warner Bros. Criado com o objetivo de satirizar um assunto relevante para a sociedade, o vídeo foi transferido para o Vimeo.

    Idealizado pela Don’t Panic, agência vencedora do BAFTA (Academia Britânica de Artes para Filmes e TV), o filme mostra um Ártico de LEGO sendo destruído pelo petróleo da Shell. Como trilha, uma paródia da música “Everything is Awesome” (Tudo é Incrível, em inglês), usada no filme oficial da LEGO. A ideia é destacar a conivência da LEGO na ameaça ao Ártico, promovendo a controversa marca da Shell em seus brinquedos.

    Veja o vídeo LEGO: Nem Tudo é Incrível

     

    “Vendo como agiram com o vídeo, acredito que nossa pauta chegou nas salas de reunião de algumas grandes empresas. Mas essa tentativa de nos silenciar será em vão”, explica Ian Duff, coordenador da campanha Salve o Ártico. “A LEGO diz que quer deixar um mundo melhor para as crianças, mesmo que em parceria com uma das empresas mais poluidoras do planeta, que agora avança sobre o Ártico”, completa.

    Direitos autorais

    O Greenpeace vai recorrer à acusação, o que pode levar em torno de dez dias para ser resolvido segundo as normas do YouTube. O argumento é claro: o vídeo foi usado para satirizar e parodiar, sendo usado para interesse público, o que o coloca sob o direito de liberdade de expressão. De acordo com a pesquisa do YouTube, existem outros 772 vídeos no site que usam a música “Everything is Awesome” e diversos outros personagens do longa-metragem da LEGO.

    A ONG já teve outros problemas com direitos autorais no passado: uma campanha em vídeo retratando os personagens da saga Star Wars foi tirada do ar e posteriormente liberada após o questionamento do Greenpeace. Por isso é importante ressaltar que o vídeo “LEGO: Nem Tudo é Incrível” deve ser espalhado pelas redes sociais massivamente.

    Por fim, os colaboradores do Greenpeace vão receber um e-mail reiterando o pedido de espalhar essa mensagem, seja mandando mensagens à LEGO ou compartilhando o vídeo cada vez mais.

    Assine a petição da campanha para que a Lego desmonte essa parceria com a Shell. Acesse.

    LEGO, desmonte sua parceria com a Shell e pare de brincar com o Ártico. Assine: www.legodesencaixedashell.org.br Leia mais >

  • Responde direito, LEGO

    Postado por Fabiana Alves* - 10 - jul - 2014 às 18:16 1 comentário

     

    Muitos dos que enviaram seus pedidos à LEGO, pedindo que a empresa de brinquedo desmanche sua parceria com a petrolífera Shell, estão recebendo uma resposta padrão em inglês, parecida com a que nós do Greenpeace recebemos.

    A nossa resposta, que pode ser vista aqui, exalta a contradição da LEGO em acusar o Greenpeace de usá-la como uma ferramenta para atingir a Shell. É bem verdade que a própria LEGO é usada pela petrolífera como um distração para suas arriscadas operações no Ártico, que vem gerando diversas críticas de ONGs e órgãos reguladores internacionais.

    A LEGO é uma das empresas de brinquedo mais admiradas e amadas, e a Shell sabe que essa união não vai somente aumentar seus lucros, mas também alavancar a reputação da companhia, conhecida pelas atividades negligentes no Ártico. 

    Essa não é a solução que queremos da LEGO: é preciso que ela desfaça o contrato com uma das maiores petrolíferas do mundo!

    Por isso é necessário continuar trabalhando pela defesa do Ártico. Seja por e-mail, pelas redes sociais ou assinando a petição. Vamos fazer com que nossos pedidos sejam ouvidos! A LEGO não pode tirar sua responsabilidade dessa parceria.

    O que significa essa união?

    Shell e LEGO possuem uma parceria há mais de 30 anos. O último contrato firmado entre a empresa de brinquedos infantis e a Shell foi em 2011. Você deve se lembrar dessa promoção: abasteça em um posto Shell e ganhe uma miniatura Ferrari feita de LEGO.

    Essa promoção conjunta aconteceu em 33 países e rendeu $ 116 milhões em publicidade para a Shell, além da venda de 16 milhões de carrinhos de brinquedo, fazendo dessa a maior parceria promocional da LEGO. Enquanto durou a promoção, a venda de combustíveis da Shell aumentou em 7,5%. Mais informações nesse vídeo da agência de propaganda da Shell, Iris International.

    Por isso que devemos continuar nosso pedido de rompimento da união entre duas empresas tão diferentes: uma voltada para o publico infantil, e a outra para a exploração de combustíveis fósseis em áreas controversas, como o Ártico. É nossa obrigação, como sociedade civil, pedir por um futuro melhor para nossas crianças.

    * Fabiana Alves é coordenadora da campanha Salve o Ártico do Greenpeace Brasil.

    Assine a petição da campanha para que a Lego desmonte essa parceria com a Shell. Acesse.

    LEGO, desmonte sua parceria com a Shell e pare de brincar com o Ártico. Assine: www.legodesencaixedashell.org.br Leia mais >

  • Brasil na contramão

    Postado por Iran Magno - 10 - jul - 2014 às 16:58

    Foto: Greenpeace/Otávio Almeida

     

    A indústria automobilística pode amargar o fechamento de 2014 em queda. Mesmo com a renúncia fiscal de R$ 1,6 bilhões concedida com a redução de IPI, a previsão é de que o setor feche o ano sem crescimento e com uma queda estimada de 10%. A estratégia de encarar o Brasil como um mercado ilimitado começa a dar sinais de fraqueza.

    O editorial da Folha de S. Paulo de hoje aponta que enquanto países como o México se firmam como mercados exportadores de automóveis, o Brasil foca quase que exclusivamente no mercado interno. Além disso, os carros aqui produzidos não contam com tecnologia de ponta e não têm aceitação global. Um dos fatores a ser destacado é que agora que a discussão sobre carros mais eficientes tem se tornado central, com países estabelecendo metas de eficiência energética mais rigorosas, os carros brasileiros ainda encontrariam barreiras caso tivéssemos o foco em exportação.

    A rentabilidade da operação das montadoras do país, no entanto, ainda é maciça. O mesmo editorial aponta que de 2010 a maio de 2014, essas mesmas montadoras submeteram às suas sedes cerca de US$ 16 bilhões em lucros. O desafio do aquecimento global é de todos e cabe à industria investir nas melhores tecnologias onde quer que operem. Em outros mercados fora do Brasil, essas montadoras terão que obrigatoriamente produzir carros mais eficientes.

    É inaceitável que essas adaptações não sejam trazidas para o Brasil - atualmente quarto mercado consumidor do mundo. Carros que consomem menos combustível podem ser benéficos não só aos consumidores e ao meio ambiente - mas também às contas do país. O Brasil não é um pátio sem fim para escoamento de carros com tecnologia defasada.

    Para saber mais sobre a campanha do Greenpeace por carros mais eficientes e limpos, clique aqui. Leia mais >

  • Nem tudo é incrível, LEGO

    Postado por Alan Azevedo - 8 - jul - 2014 às 9:45

     

    O Greenpeace lança hoje um vídeo para mostrar à LEGO quão perigosa é sua brincadeira com a Shell. “Queremos expor como a LEGO está colaborando para a destruição do Ártico promovendo a controversa marca da Shell em seus brinquedos”, diz Mel Evans, da campanha Salve o Ártico. A petrolífera, com seu plano de exploração na região, está sob pressão de órgãos reguladores internacionais e ONGs.

    Leia mais:

    O vídeo, criado pela Don’t Panic, agência ganhadora do prêmio BAFTA (Academia Britânica de Artes para Filmes e TV), mostra um lindo Ártico feito de LEGO, com toda sua riqueza. Mas logo se percebe as consequências da exploração da Shell no local. Como trilha sonora, uma versão um pouco diferente de “Everything is Awesome”, tema principal de LEGO - O Filme.

    Assista ao vídeo:

     

    “À toda empresa cabe a responsabilidade de escolher seus parceiros de maneira ética. A LEGO diz que pretende deixar um mundo melhor para as crianças. No entanto, sua ligação com a Shell, um dos maiores poluidores e agressores do equilíbrio climático no mundo, mostra o contrário”, expõe Evans.

    A campanha, lançada dia 1º de julho, já conta com mais de 150 mil assinaturas pedindo que LEGO desmonte essa perigosa parceria. Milhares de fãs no mundo inteiro inundaram as páginas do Facebook e do Twitter da empresa de brinquedo com esse mesmo pedido.

    O Presidente e CEO da LEGO, Jørgen Vig Knudstorp, respondeu ao Greenpeace. Veja sua resposta aqui: LEGO fala, mas não explica.

    Assine a petição da campanha para que a Lego desmonte essa parceria com a Shell. Acesse.

    LEGO, desmonte sua parceria com a Shell e pare de brincar com o Ártico. Assine: www.legodesencaixedashell.org.br Leia mais >

  • Lego fala, mas não explica

    Postado por Ian Duff - 3 - jul - 2014 às 17:38 3 comentários

    Twitter da Shell, após início da campanha do Greenpeace: "Somos determinados em gerar impactos positivos na sociedade e nas crianças. Ficamos tristes quando nossa marca é usada em qualquer disputa".

     

    Nós estamos tristes de ver um brinquedo popular como o Lego sendo usado pela Shell, uma das empresas mais irresponsáveis do mundo. Contamos com ajuda dos chefes da Lego para limparmos essa imagem.

    O Greenpeace gosta da Lego: seus brinquedos proporcionam inspiração e educação, além de horas de diversão para milhões de crianças e até mesmo alguns adultos ao redor do globo. É umas das empresas mais avançadas com as quais já trabalhamos, com ótimas estratégias para amenizar os impactos ecológicos e tornar o mundo mais limpo e verde. É por isso que a parceria da Lego com a Shell é uma notícia ruim.

    Ao apoiar uma gigante exploradora de petróleo no Ártico como a Shell, a Lego perdeu sua moral. A petroleira vai totalmente contra os princípios ecológicos seguidos pela companhia.

    A Lego quer barrar as mudanças climáticas. A Shell quer manter nossa dependência de combustíveis fósseis poluentes, como o petróleo. Especialistas estimam que tal exploração faça com que a temperatura média do planeta suba cerca de 4 graus, resultando em seca e fome para milhões de pessoas, além de comprometer biomas importantes, como a floresta amazônica e o Ártico.

    A Lego é a favor das energias renováveis. A Shell vendeu a maior parte de seus negócios renováveis e continua sendo uma influência negativa na luta contra o catastrófico aquecimento global, apoiando os céticos do clima e ignorando projetos que visam a energia limpa.

    A Lego é aficionada por biomas únicos como o Ártico. A Shell vê o Ártico como uma oportunidade para expandir seus negócios. Através do derretimento das calotas polares, quer explorar petróleo na região e acabar de vez com esse ambiente maravilhoso.

    A Lego afirmou que espera que a Shell aja de acordo com a legislação onde quer que estejam. Existem evidências que a Shell não é capaz de operar  de forma segura e legal. Além de ser responsável por um grave acidente envolvendo dois petroleiros, causando um grande incêndio, violou leis mais de uma vez, ao tentar explorar petróleo no Alasca.

    Seus navios petroleiros Noble Discoverer e Kulluk não cumpriram com os limites de poluição estabelecidos pelo E.U.A Clean Air Artic, que visa manter a máxima preservação de biomas importantes para o planeta. Autoridades descobriram múltiplas violações durante o tempo em que os navios atuavam nas águas geladas do Ártico, gerando uma multa de mais de um milhão de dólares.

    Tanto a Lego quanto o Greenpeace querem proporcionar um futuro melhor para as futuras gerações. Já a Shell tem um visão um tanto quanto preocupante para nossas crianças.

    A Shell se camufla atrás de empresas que têm boa reputação no mercado para continuarem trabalhando de forma ilegal. Assim, essas empresas geram milhões de elogios para as operações da Shell. Esse apoio é totalmente injustificável de acordo com os princípios ambientais adotados pela empresa.

    A única razão dessa parceria é a disseminação da marca. A indústria de brinquedos mais popular do mundo precisa deixar de lado seus princípios para aumentar sua venda?

    “Só o melhor é bom e suficiente”, afirma o presidente executivo da Lego, Jørgen Vig Knudstorp. Gostaríamos que essa afirmação fosse verdade, mas enquanto a empresa continuar com a parceria com a Shell, esse lema deve ser ignorado.

    A Lego precisa se juntar na proteção do Ártico e eliminar a Shell de seus planos, e assim proporcionar um futuro melhor para nossas crianças. Leia mais >

    LEGO, desmonte sua parceria com a Shell e pare de brincar com o Ártico. Assine: www.legodesencaixedashell.org.br

  • Grupo de Voluntários do Rio de Janeiro no projeto Quilombo Solar

    Postado por Heloísa Mota - 3 - jul - 2014 às 16:56 3 comentários

     

    Em 2013, o Greenpeace Brasil junto com seus voluntários instalou painéis solares no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, Rio de Janeiro. O projeto teve como uns de seus objetivos mostrar a viabilidade da geração de energia solar, bem como o treinamento e empoderamento dos jovens da região.

    Em 2014, o Grupo de Voluntários do Rio de Janeiro, em articulação com a ACOTEM (Associação da Comunidade Tradicional do Engenho do Mato), iniciaram o Projeto Quilombo Solar, que instalou placas solares e treinou mais de 20 jovens no Quilombo do Grotão, em Niterói. O Lançamento do Projeto aconteceu no último sábado, dia 28 de Junho.

    Lançando mão de ferramentas de mobilização como o financiamento coletivo, e estabelecendo parcerias estratégicas, o projeto foi um grande exemplo de voluntários do Greenpeace assumindo uma atitude de liderança e autonomia, demonstrando o poder dos jovens em fazer a mudança acontecer.

    Veja o emocionante relato desse processo de mobilização e construção no texto da voluntária Enilce Melo, pois ninguém melhor para contar a história, do que quem participou dela.

     “Me senti, talvez pela primeira vez, participando de algo que me parecia uma alternativa real para minimizar o impacto ambiental, de aumentar a eficiência energética do país e ao mesmo tempo de democratizar e promover a integração econômico-social”. 

    Saiba mais sobre o projeto aqui. Leia mais >

  • Plano Diretor de SP saindo do forno

    Postado por Barbara Rubim* - 1 - jul - 2014 às 18:38

    Sociedade civil em manifestação pacífica em São Paulo. Foto: Greenpeace/Alexandre Cappi

     

    São Paulo concluiu ontem um importante passo no que diz respeito ao planejamento da cidade: a aprovação de seu novo plano diretor.

    O processo de construção desse novo plano foi longo e composto por uma série de audiências públicas, seminários e oficinas temáticas, num inegável esforço de ampliar o debate às diversas esferas da sociedade.

    Divisor de opiniões, o Novo Plano Diretor tem como um de seus objetivos – nas palavras do seu relator, Nabil Bonduki – tornar a cidade mais compacta. Uma das formas de fazer isso, por exemplo, é aumentar a densidade das regiões com maior oferta de emprego ou transporte coletivo e criar zonas mistas, que possibilitem ao cidadão encontrar os serviços essenciais de que precisa no dia-a-dia sem ter que realizar longos e cansativos deslocamentos.

    Com esse norte, o Plano pretende também auxiliar a reduzir os problemas de mobilidade da cidade, sendo também por isso que incorporou muitas diretrizes relacionadas à bicicleta em seu texto. Apesar de a forma como se dá a organização do solo urbano ser uma questão essencial à discussão da mobilidade, é importante que o furor pela aprovação na Câmara do novo Plano Diretor não nos deixe esquecer que existe outro instrumento de planejamento – também importantíssimo – que ainda está no forno: o Plano de Mobilidade Urbana de São Paulo.

    Esse plano, apelidado de PMU, busca traçar metas para a construção de uma mobilidade que seja mais inclusiva e, sobretudo, menos nociva aos cidadãos e ao meio ambiente.

    Com data final de entrega marcada para abril de 2015 (de acordo com determinação da Lei 12.587/12 – Política Nacional de Mobilidade Urbana), muito pouco tem sido discutido ampla e abertamente com a sociedade sobre qual é o modelo de mobilidade e de cidade sonhado por todos.

    Sem essa construção coletiva, qualquer plano perde a oportunidade de ser um instrumento de transformação da realidade para continuar sendo somente um pedaço de papel. Já passou da  hora de se abrir essa discussão à sociedade civil.

    *Barbara Rubim é coordenadora da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Leia mais >

  • Madeireiros ameaçam índios na Amazônia

    Postado por Luana Lila - 30 - jun - 2014 às 17:55

    Extração de madeira no Pará (© Greenpeace/Marizilda Cruppe)

     

    Os Ka’por, da Terra Indígena Alto Turiaçu, no Maranhão, denunciam a agressão e a invasão de seu território por madeireiros e alertam para um conflito iminente entre eles. A situação se agravou na semana passada, depois que um grupo de cerca de 90 indígenas realizou uma operação de monitoramento na floresta e apreendeu armas, motosserras, motocicletas, caminhões e tratores.

    Desde o ano passado, os Ka’por têm realizado de forma autônoma atividades de monitoramento territorial e ambiental de sua área. Porém, essas ações estão resultando em represálias, ameaças e perseguições por parte dos madeireiros.

    “Em função dessa mobilização do povo de garantir o mínimo de controle do seu território, tem havido um processo de retaliação por parte dos madeireiros e políticos da região que querem continuar no território”, disse Cléber Buzatto, secretário-executivo do Cimi (Conselho Indigenista Missionário).

    Cléber explica que foram feitas denúncias frequentes para que os órgãos competentes tomem iniciativas que coloquem um fim nesse problema. Porém, segundo ele, ações esporádicas e pontuais não resolvem a questão. “Os órgãos fazem a operação e vão embora. Quando eles saem, os agressores retornam com mais violência”, disse ele.

    Atualmente, os indígenas afirmam que têm controle apenas sobre 70% de seu território, enquanto os outros 30% seguem invadidos pelos madeireiros. Várias lideranças estão perseguidas e não podem sair de suas aldeias. Uma determinação judicial que vence no fim do mês afirma que a Funai deveria criar postos de fiscalização e vigilância com a anuência e participação dos indígenas, porém, nada foi feito ainda.

    Essa semana, índios Assurinis também denunciaram à Funai a extração ilegal de madeira em sua aldeia próxima a Tucuruí, no Pará. Troncos de madeira de lei abandonados na estrada foram encontrados. A representação da Funai na região protocolou a denúncia no Ministério Público Federal e aguarda um posicionamento do órgão.

    “Além da impunidade, o que alimenta invasões como essas é a certeza de que a madeira roubada pode ser lavada muito facilmente e vendida livremente no mercado. Como o Greenpeace tem denunciado, a indústria madeireira está fora de controle e papéis oficiais são utilizados para acobertar crimes como estes. Além de destruir a floresta, a extração predatória e ilegal de madeira ainda pode contribuir para graves conflitos sociais como os citados acima” disse Marina Lacôrte, da campanha da Amazônia do Greenpeace.

    Os Ka’por afirmam que a maioria das licenças ou planos de manejo concedidos aos madeireiros são falsos, já que, na região, somente as terras indígenas possuem florestas. De fato, uma das principais fraudes apontadas pelo Greenpeace é a aprovação de planos de manejo em áreas que já foram desmatadas. O objetivo é utilizar os créditos gerados para esses planos de manejo para lavar madeira retirada de áreas protegidas, como unidades de conservação e terras indígenas.

    Crimes ambientais ajudam a financiar conflitos, afirma ONU

    Um estudo da ONU divulgado na semana passada mostrou que o crime ambiental global movimenta cerca de 213 bilhões de dólares por ano e, além de ajudar a financiar conflitos armados, prejudica o crescimento econômico.

    O relatório, divulgado durante uma reunião da ONU com ministros de Meio Ambiente em Nairóbi, pediu ações mais severas para prevenir crimes e atividades ilegais de desmatamento, pesca, mineração, despejo de lixo tóxico e comércio de animais e plantas raros.

    De acordo o estudo, a retirada ilegal de madeira pode chegar a 30% do mercado global. Em alguns países, até 90% da madeira produzida tem origem suspeita. No Brasil, por exemplo, só no estado do Pará, segundo dados do Imazon, entre agosto de 2011 e julho de 2012, 78% das áreas com atividades madeireiras não tinham autorização de exploração. Leia mais >

  • Cidades melhores: quem não quer?

    Postado por Bernardo Camara - 30 - jun - 2014 às 16:15 1 comentário

    Tinha gente de bike, gente sentada no chão, uns de cabelos brancos, outros de alargador na orelha, gente de gravata e gente de bermuda. Todo mundo ali, junto, querendo uma coisa só: cidades melhores, feitas para pessoas. Para todas elas. O clima foi mais ou menos assim no seminário de mobilidade urbana promovido pelo Greenpeace na última sexta-feira, 27 de junho, em São Paulo.

    Porque é isso mesmo: melhorar a mobilidade significa melhorar diretamente a qualidade de vida das pessoas. Dar a elas o direito de acessar tudo o que as cidades têm de bom a oferecer. Significa garantir que a gente tenha escolhas democráticas e eficientes de deslocamento para o trabalho, para a faculdade, para o cinema, para onde for.

    Mas para ter esse sonho de pé, não basta só reunir gente. É preciso botar na mesa conhecimento, experiência, vivências. E teve muito disso também no seminário. Uma parte, a mais teórica, você encontra aqui neste link, com as apresentações que os especialistas convidados fizeram sobre o assunto. E abaixo, algumas impressões de quem participou do evento. Vamos em frente!

    Vivian Ragazi
    Jornalista
    Quando vi a programação do evento achei muito legal, porque trouxe especialistas bem renomados. Foi muito interessante. Trouxe muitas questões que ajudam a gente a avaliar melhor o que pode ser feito. Discussões sobre como podemos ter mais qualidade de vida, como você transforma uma cidade para pessoas, e não para carros. Pensar a partir dessa ótica é o que mais me interessa. Foi muito bom.

    Heloisa Motta
    Engenheira Ambiental
    Tem dia que eu quero me deslocar de bike, mas tem dia que eu quero pegar um ônibus e ir lendo um livro. E tem dia que eu quero ir a pé. Você tem que ter liberdade de escolhas. Quais as ferramentas políticas para realmente termos uma democracia quando falamos em mobilidade? Tudo isso aconteceu aqui hoje, foi falado, discutido. Quando você pensa em aproveitar a cidade, se deslocar de melhor maneira e se apropriar dos espaços coletivos, não é uma questão de mudar o mundo. É uma questão de melhorar totalmente sua qualidade de vida.

    Luiz Rocha
    Arquiteto e urbanista
    Mobilidade urbana é um tema que me interessa porque afeta diretamente quase 100% das pessoas. É de suma importância. Vim aqui para aprofundar, pegar dados, ter base para entender a situação e usar no meu cotidiano, na minha vida. O debate foi muito proveitoso. Os debatedores tinham boa formação, conteúdo muito aprofundado. Aprendi bastante para estar mais inteirado e, quando conversar sobre isso, ter base de dados para argumentar e defender melhorias na mobilidade. Valeu muito a pena.

    Hélio de Camargo
    Membro do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito de São Paulo
    O evento discutiu a mobilidade e mostrou a importância desse tema numa cidade principalmente como São Paulo, com todas suas dificuldades. Os convidados apresentaram não só os problemas, mas também soluções para o tema. Essas discussões são importantes para trazer qualidade de vida para as pessoas, para não perderem tanto tempo com mobilidade e para poderem usufruir da cidade. Leia mais >

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