Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Montanha russa do desmatamento

    Postado por Nathália Clark - 6 - mai - 2013 às 17:16 1 comentário

    Nos meses de março e abril de 2013, Mato Grosso liderou a lista do desmatamento na Amazônia, enquanto o Pará estava coberto por nuvens (© Karla Gachet / Panos / Greenpeace).

     

    Na coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira para apresentar os dados do desmatamento na Amazônia para março e abril, o diretor de proteção ambiental do Ibama, Luciano Evaristo, voltou a se dizer confiante de que o Brasil vai zerar a tendência de aumento da destruição florestal até julho deste ano. No entanto, no acumulado de agosto de 2012 a abril de 2013, o que vemos é um aumento de 15% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

    Os índices do DETER, o sistema de detecção que indica a tendência do desmatamento no país, mostraram que as áreas de alerta de desmatamento e degradação somaram mais 175 quilômetros quadrados – área equivalente a 25 mil campos de futebol de floresta – somente nos últimos dois meses.

    Da área total apresentada para os últimos dois meses, 147,07 quilômetros quadrados foram detectados apenas no mês de abril, sendo a sua maioria (62,53 quilômetros quadrados) no Mato Grosso, Estado que lidera a lista dos maiores desmatadores. Logo atrás vem Rondônia, com 48,41 quilômetros quadrados.

    Entre novembro e abril, época de chuvas na Amazônia, a observação por satélites se torna mais difícil devido à intensidade de nuvens. Por isso, os alertas podem ficar menos visíveis. O Pará foi um exemplo disso. Considerado um dos que mais desmatam, o Estado não pôde ser analisado, pois apresentou 88% de cobertura de nuvens.

    De fato, esse número já foi mais expressivo em períodos anteriores, mesmo assim, continua demonstrando uma tendência de aumento. A pergunta é: por que será que voltou a crescer, depois da medição do menor índice histórico, no último mês de dezembro? A resposta está aparente aos olhos de quem quiser ver: o conjunto de ações que o governo federal tem bancado mostra de forma clara o modelo de desenvolvimento escolhido para o país, que ainda aceita o desmatamento.

    “O governo tem colecionado uma série de atitudes que passam o recado, para quem desmata a floresta, de que essa é uma prática aceitável”, afirmou Kenzo Jucá, da Campanha Amazônia do Greenpeace. Para ele, a posição que o governo federal tem tomado quanto à maior riqueza do país não deve ser aceita pela sociedade brasileira, verdadeira herdeira desse patrimônio florestal.

    “Temos um pacote contra as florestas que pode nos fazer perder a guerra contra o desmatamento: a aprovação do novo Código Florestal deixou de punir os criminosos ambientais, os poderes do Ibama foram enfraquecidos (por meio da Lei Complementar 140), Unidades de Conservação tiveram seus limites reduzidos e, não bastasse tudo isso, as Terras Indígenas estão sob forte ameaça da bancada ruralista no Congresso. E o governo assiste a isso tudo sem se pronunciar, sem frear todos esses retrocessos. Não podemos compactuar com isso.”

    De acordo com o Ibama, foram embargados 213 mil hectares de áreas desmatadas ilegalmente e arrecadados R$ 1,6 bilhão em multas de agosto de 2012 a abril de 2013. “Com esse valor, o governo já poderia ter investido em tecnologia para otimizar a produção em áreas já abertas. Não precisamos mais desmatar para produzir alimento. Se o governo não faz o que esperamos dele, então a sociedade precisa agir. A hora de zerar o desmatamento é agora”, frisou Kenzo Jucá.

    Assine a petição.
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  • Como mandam os bons costumes

    Postado por Nathália Clark - 6 - mai - 2013 às 10:55

    Cacique-geral do povo Munduruku, Arnaldo Kaba - ou Kabaremuybu, na língua Munduruku - fala em nome de todas as lideranças: "nós queremos o Tapajós limpo" (©Greenpeace/Eliza Capai).

     

    Não se entra na casa dos outros sem pedir licença. Pelo menos é assim que manda a educação e os bons costumes. Quanto a isso, o Estado brasileiro, supostamente o responsável por educar a sua população, tem dado um péssimo exemplo. Além de deixar que sejam desrespeitados direitos constitucionalmente adquiridos pelos povos indígenas – cidadãos brasileiros como eu e você –, o governo federal ainda tem empenhado uma “forcinha” a mais para conseguir passar, a qualquer custo, seu projeto megalômano para uma Amazônia já naturalmente grandiosa.

    Tradicionalmente habitando as margens do rio Tapajós, o povo Munduruku foi a cobaia do governo para sua mais nova empreitada. Para realizar os estudos de impacto ambiental da Hidrelétrica São Luís do Tapajós e outras dentro de territórios indígenas e sem qualquer consulta prévia às comunidades afetadas, a presidente Dilma Rousseff aprovou o decreto 7.957, que autoriza a Força Nacional de Segurança a atuar em caráter “preventino ou repressivo”, para garantir “a lei e a ordem em operações de proteção ambiental”.

    E foi assim que, no dia 25 de março, sem qualquer aviso ou pedido, cerca de 250 homens da tropa de choque nacional adentraram o território Munduruku, deflagrando a chamada Operação Tapajós e assustando os indígenas e suas famílias. Um mês depois, no dia 25 de abril, foi realizada uma reunião na aldeia Sai Cinza, com a presença de todas as lideranças, que aguardavam para receber o governo e, pela primeira vez, serem ouvidos. Mas isso não aconteceu. O governo falhou novamente e faltou ao encontro, mesmo estando a apenas 12km de distância, na cidade de Jacareacanga (PA).

    Veja aqui o vídeo gravado durante os dias de reunião na aldeia Sai Cinza.

    O povo Munduruku é contra a construção da Hidrelétrica São Luís do Tapajós e todo o Complexo Hidrelétrico planejado para a região. Mas é a favor do diálogo. Desde que seu território foi invadido, eles aguardam uma conversa franca com o governo. Enquanto isso não acontece, o batalhão da Força Nacional se mantém na região e os planos de instalação do empreendimento seguem a todo vapor. Ignorandos e desrespeitados, os 13 mil indígenas do povo Munduruku não fogem à luta. Se o governo não quer falar com eles, eles fazem barulho para que o Brasil os ouça.

    Neste momento, eles ocupam, junto com cerca de 150 representantes de outros sete povos indígenas, o principal canteiro de obras da usina de Belo Monte, no município de Vitória do Xingu (PA). Eles reivindicam a regulamentação da consulta prévia e a suspensão imediata de todas as obras e estudos relacionados às barragens nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires. A repressão tem sido forte. Jornalistas já foram expulsos do local e proibidos de documentar a ocupação. Mas os indígenas resistem.

    Em uníssono, eles saúdam uns aos outros, e nós repetimos:

    “Saweh”! (saudação em apoio ao povo Munduruku). Leia mais >

  • O inimigo mora ao lado...

    Postado por Germano Assad - 3 - mai - 2013 às 17:15 2 comentários

    Em extensa matéria publicada nessa sexta-feira dia 03, o jornal Valor Econômico explica ao público como a exigência da União Europeia por documentos que comprovem a origem e legalidade na cadeia de produção de exportadoras de madeira e seus derivados pode abrir novas perspectivas para uma regulamentação mais severa e eficiente no setor.

    Apesar de grande exportador em números absolutos, 70% da produção nacional de madeira certificada já tem como destino certo o exterior. E desse total de produção legalizada no país, apenas 4 % é proveniente da Amazônia brasileira.

    Realidade oposta da madeira explorada ilegalmente na região, que abastece majoritariamente o mercado interno, e escancara os velhos e conhecidos problemas de fiscalização ineficiente, falta de dados confiáveis para elaboração de estudos e relatórios precisos e corrupção endêmica em todos os níveis da cadeia produtiva no setor público e privado.

    A iniciativa da União Europeia é sem dúvidas um passo importante no caminho do desmatamento zero. Mas só teremos resultados de fato expressivos quando o governo federal decidir agir no mesmo sentido, aparelhando os órgãos ambientais e incentivando soluções inovadoras – e não necessariamente caras ou com tecnologia de ponta – que combatam com eficácia toda sorte de fraudes que acabam em números e imagens tão assustadores que alimentam o nosso próprio mercado interno.

    Salve as florestas. Assine pelo Desmatamento Zero. Leia mais >

    Assine a petição.
  • Se o governo não vai até eles...

    Postado por Nathália Clark - 2 - mai - 2013 às 17:58 3 comentários

    Cerca de 200 indígenas de oito povos da Amazônia, junto com ribeirinhos e pescadores, ocuparam o canteiro de obras de Belo Monte contra hidrelétricas (©Ruy Sposati/Cimi).

     

    O plano do governo é barrar os rios amazônicos com hidrelétricas que vão afetar seus cursos e aqueles que deles sobrevivem. Mas as populações tradicionais mais impactadas por essas obras não estão deixando barato. Nesta quinta-feira, cerca de 200 indígenas ocuparam o principal canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no município de Vitória do Xingu, no Pará. Eles reivindicam a regulamentação da consulta prévia e a suspensão imediata de todas as obras e estudos relacionados às barragens nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires.

    Além de pescadores e ribeirinhos, oito povos indígenas de diferentes regiões da Amazônia estão presentes na ocupação: Munduruku, Juruna, Kayapó, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Parakanã e Arara. Segundo os indígenas, a ocupação se manterá até que o governo federal atenda às suas demandas. Como principal delas, eles querem o diálogo. Mas o governo tem se mostrado covarde e omisso. Ao invés de consultar as populações afetadas pelos empreendimentos, como manda a Constituição federal, o governo optou pelo caminho mais tortuoso.

    Através de um decreto presidencial, a Força Nacional, quando acionada, agora tem a liberdade para adentrar territórios indígenas com objetivo de “prestar auxílio à realização de levantamentos e laudos técnicos sobre impactos ambientais negativos”. Antes mesmo de ter início a Operação Tapajós, que trouxe os policiais à Terra Munduruku, um indígena já tinha sido morto em Teles Pires e outros foram feridos durante a Operação Eldorado. E foi com a mesma truculência que a tropa de choque da Polícia Militar esperava pelos indígenas em Vitória do Xingu nesta quinta-feira.

    O povo Munduruku e comunidades tradicionais do baixo, médio e alto Tapajós estão mobilizadas contra o Complexo Hidrelétrico que está planejado para o rio e envolve sete usinas hidrelétricas. Durante o mês de abril, cerca de 250 soldados da Força Nacional e da Marinha foram deslocados para os municípios onde incidem as áreas afetadas pelos empreendimentos, além do território tradicional dos Munduruku. 

    A ocupação de hoje foi uma mostra de que, se o governo não conseguiu barrar a fúria dos indígenas que lutam para defender suas terras e suas famílias, não conseguirá tão facilmente barrar os rios que os banham e alimentam.

     

    Carta da ocupação de Belo Monte

    Nós somos a gente que vive nos rios em que vocês querem construir barragens. Nós somos Munduruku, Juruna, Kayapó, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Parakanã, Arara, pescadores e ribeirinhos. Nós somos da Amazônia e queremos ela em pé. Nós somos brasileiros. O rio é nosso supermercado. Nossos antepassados são mais antigos que Jesus Cristo.

    Vocês estão apontando armas na nossa cabeça. Vocês sitiam nossos territórios com soldados e caminhões de guerra. Vocês fazem o peixe desaparecer. Vocês roubam os ossos dos antigos que estão enterrados na nossa terra.

    Vocês fazem isso porque tem medo de nos ouvir. De ouvir que não queremos barragem. De entender porque não queremos barragem.

    Vocês inventam que nós somos violentos e que nós queremos guerra. Quem mata nossos parentes? Quantos brancos morreram e quantos indígenas morreram? Quem nos mata são vocês, rápido ou aos poucos. Nós estamos morrendo e cada barragem mata mais. E quando tentamos falar vocês trazem tanques, helicópteros, soldados, metralhadoras e armas de choque.

    O que nós queremos é simples: vocês precisam regulamentar a lei que regula a consulta prévia aos povos indígenas. Enquanto isso vocês precisam parar todas as obras e estudos e as operações policiais nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires. E então vocês precisam nos consultar.

    Nós queremos dialogar, mas vocês não estão deixando a gente falar. Por isso nós ocupamos o seu canteiro de obras. Vocês precisam parar tudo e simplesmente nos ouvir. Leia mais >

  • Um encontro iluminado

    Postado por Amanda Estefan* - 30 - abr - 2013 às 17:43 3 comentários

     

    Chegamos à comunidade do Morro dos Macacos na manhã do sábado e lá estavam os jovens nos esperando ansiosamente. Para descontrair, começamos o dia com uma dinâmica bem divertida pra motivar a garotada e deixá-los bem à vontade.

    Leia mais:

    Este foi o primeiro dia de capacitação. Apresentamos a história do Greenpeace e falamos mais sobre a energia no Brasil e os benefícios que a energia solar pode proporcionar em nossas vidas, gerando um grande interesse e curiosidade em nosso jovem público. 

    É encantador como o viés social impulsiona a luta e fortalece o discurso ambiental que tanto defendemos. Quando se trabalha diretamente com crianças de comunidades menos favorecidas, é nítida a carência de informação e a vontade que esses jovens têm de aprender e colaborar com o futuro do planeta.

    Durante o sábado, os jovens ficaram mais à vontade e foram se entrosando. Tivemos até direito a rimas e rap "ambientais" criados pelos próprios jovens durante o intervalo para o lanche. O resultado positivo que a energia solar pode vir a trazer para nossa realidade realmente emociona e inspira. Aguardem mais novidades sobre a juventude solar.

    * Amanda Estefan é voluntária do grupo do Rio de Janeiro do Greenpeace e faz parte do projeto Juventude Solar Leia mais >

  • A triste história de Annya (e de muitos outros)

    Postado por Marina Yamaoka - 27 - abr - 2013 às 8:00

    Desde 1986, o dia 26 de abril não passa em branco graças ao desastre nuclear em Chernobyl, na Ucrânia. Há 27 anos, os operadores da usina nuclear realizaram um experimento mal sucedido, acarretando no superaquecimento e na explosão de um dos reatores. Este que foi um dos piores desastres nucleares já presenciados pela humanidade atingiu a Ucrânia, a Bielorrússia, a Rússia e outros locais na Europa, matando e contaminando milhares de pessoas.

    Hoje, quase três décadas depois, muitos ainda sofrem com as consequências do acidente nuclear. É o caso de Annya, cujos pais moravam numa cidade próxima à Chernobyl. Aos quatro anos, ela foi diagnosticada com câncer de cérebro e luta até hoje para tentar levar uma vida normal.

    Assista a história de Annya:

     

    Chernobyl deveria ter sido o último acidente nuclear no mundo. Muitos já afirmaram que não querem presenciar mais desastres, mas aqueles que tem dinheiro e poder para decidir proteger as pessoas continuam preferindo pensar nos lucros.

    “E como se o que aconteceu na Ucrânia não fosse argumento suficiente para que o mundo abandonasse a energia nuclear, ainda tivemos o desastre de Fukushima, em março de 2011”, afirma Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Clima e Energia do Greenpeace. Ele ainda conclui que “dessa forma, fica claro que os avisos que temos dado não têm sido escutados e que quem paga os prejuízos são as pessoas, não as indústrias.” 

    Não vamos esquecer daqueles que ainda sofrem com as consequências dos acidentes nucleares. É por isso que o Greenpeace pede que os governos revejam a legislação sobre responsabilidade nuclear para que as operadoras e empresas sejam totalmente responsáveis pelos acidentes e não mais a população.

    Veja galeria de fotos sobre Chernobyl:

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  • Juntos pelo Tapajós livre

    Postado por Nathália Clark - 26 - abr - 2013 às 16:14

    Mundurukus fizeram passeata hoje em Jacareacanga (PA) contra planos de instalação de sete megahidrelétricas na bacia do Tapajós. Governo faltou a reunião agendada para escutar opinião dos índios, mas mantém a Força Nacional na região para garantir a realizacão dos estudos para os projetos. (©Greenpeace/Eliza Capai)

    “Wuygeycug” é a palavra que define o sentimento do povo Munduruku nesse momento. O significado dela não é guerra nem confronto, mas tristeza. Reunidos durante três dias na aldeia Sai Cinza, lideranças do baixo, médio e alto Tapajós juntaram suas vozes para que sua mensagem seja ouvida: “Nós não queremos barragem”. Guerreiros por natureza, os Munduruku não se resignam ao silêncio do governo. Sem diálogo ou consulta prévia por parte das autoridades, os indígenas saíram às ruas para reivindicar o seu direito à terra e ao rio que os alimenta. Eles não pedem muito. Apenas que o curso da vida possa continuar correndo livre.

    Leia mais:

    “Queremos o Tapajós limpo. Queremos os peixes vivos. Queremos a terra sempre boa para que nossos filhos vivam bem. Não permitimos degredar ou sujar o nosso rio. Estamos mostrando nossa recusa diante do governo. Não queremos perder nada da floresta. Se ela acabar, o que vamos comer? Só o gado sobrevive de capim. Estamos juntos para mostrar nossa força até o final. Não queremos as obras do governo. Nossa riqueza é de todos os brasileiros, inclusive os não-índios”, defendeu o cacique-geral do povo Munduruku, Arnaldo Kaba.

    A passeata aconteceu nesta manhã no município de Jacareacanga (PA), que fica a exatos 12 quilômetros – ou 45 minutos de voadeira – da aldeia Sai Cinza. O grupo de cerca de 150 pessoas partiu da sede da Associação Pusuru, organização que representa todos os 13 mil indígenas do povo Munduruku distribuídos por 118 aldeias ao longo do rio Tapajós. A intenção era chamar a atenção dos representantes do governo e da Força Nacional, que voltaram a ocupar a cidade desde o dia 24 para a Operação Tapajós, mas não se apresentaram para a reunião com as lideranças.

    Unidos na diferença

    Tradicionalmente os Munduruku são divididos em dois clãs, o vermelho e o branco. Eles contam que o primeiro tem uma relação direta com o fogo e representa a força e o fervor de luta do povo. Já o branco significa transparência e tenacidade. A junção dos dois é o que traz o equilíbrio às comunidades. Simbolicamente separados no plano mítico, no mundo terreno eles vivem segundo o lema da associação Pusuru: “Soat Pugtagma”, ou “caminhando juntos”.

    “Se aceitarmos o dinheiro que o governo quer oferecer como compensação à barragem, não teremos mais vida. Não queremos o dinheiro. O dinheiro um dia acaba, mas não podemos deixar que acabe a nossa água. Se isso acontecer, não teremos mais peixe, a floresta vai acabar. Não somos acostumados a comprar peixe, a natureza nos dá de graça. Como os primeiros habitantes do Brasil, o governo deveria cuidar de nós, nos ajudar, mas agora ele quer tomar nossas terras.  Os nossos antepassados estão no rio. E é aqui que nós queremos ficar”, disse Cândido Waro, presidente da Pusuru.

    O Tapajós é hoje uma das últimas grandes frentes de expansão – e também de resistência – do projeto energético planejado para a Amazônia, e que prevê a construção de pelo menos sete mega hidrelétricas na região. Enquanto o governo o vê apenas como uma via de execução para seus empreendimentos, povos tradicionais como os Munduruku têm nele a sua fonte de subsistência e parte indissociável da sua cultura.

    “O governo quer impor seu projeto mesmo sem nos consultar. Deixamos nossos parentes doentes em outras aldeias para ouvir o que as autoridades têm a nos dizer. Mas eles não vieram. Estamos nos sentindo humilhados, mas ainda estamos esperando. O rio Tapajós guarda coisas sagradas para nós. Se a barragem chegar, acaba a nossa história. Não queremos ameaça nem confronto, queremos que eles venham falar conosco e nos ouvir. O rio é nossa vida, e nossa vida não tem preço. O governo não pode nos comprar. Deixem nosso rio em paz, é isso que pedimos”, frisou o cacique Juarez Saw.

    Como resultado dos três dias de reunião, os Munduruku prepararam três cartas, a serem entregues ao governo federal, demonstrando sua indignação pelo não comparecimento das autoridades à aldeia Sai Cinza para a plenária que os aguardava, demonstrando sua recusa em aceitar a barragem do Tapajós, e levando um pedido para verificação de sítios arqueológicos pertencentes aos seus antepassados na cachoeira das Sete Quedas, no rio Teles Pires.

    Este último foi palco, em novembro, do assassinato de um indígena, durante operação da Força Nacional. A mesma força bruta volta agora a invadir o território Munduruku para fazer passar, a qualquer custo, os estudos de impacto ambiental da hidrelétrica São Luís do Tapajós.

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  • No nosso aniversário, o presente é de todos

    Postado por Leonardo Medeiros - 26 - abr - 2013 às 9:35 1 comentário

    O Rainbow Warrior, navio símbolo do Greenpeace, chega ao Rio de Janeiro para a Eco-92 (©Greenpeace/Morgan)

     

    Hoje, dia 26 de abril, o Greenpeace completa 21 anos de presença no Brasil. E na hora de assoprar as velinhas, nosso pedido não é nenhum segredo: queremos um Brasil com floresta em pé.

    Você pode ajudar a tornar realidade esse pedido: assine a petição do Desmatamento Zero e ajude-nos a levar esse projeto de lei de iniciativa popular ao Congresso Nacional. Se você já assinou, compartilhe nas redes sociais, faça o download da petição e leve ao seu condomínio, escola e trabalho.

    Esse é o maior presente que você pode oferecer ao Greenpeace em mais esse ano de vida. Aliás, um presente que não é para o Greenpeace, mas para todos nós. Assine a petição.

    Conheça nossa história

    Há exatos 21 anos, a tripulação do segundo Rainbow Warrior, navio símbolo do Greenpeace, desembarcou em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Com o protesto para rememorar o trágico acidente de Chernobyl, no qual 800 cruzes foram afixadas no pátio da usina nuclear, o Greenpeace Brasil era oficialmente fundado.

    Em mais de duas décadas de história, o Greenpeace trabalhou pela proteção das florestas e da Amazônia, combateu os gases estufa e as mudanças climáticas, propôs um cenário energético mais limpo pedindo mais investimentos em energias renováveis.

    Tivemos avanços e vitórias, mas os desafios ainda existem. Apesar dos níveis de desmatamento terem diminuído, as taxas ainda são alarmantes. É por isso que a organização defende o Desmatamento Zero, lei de iniciativa popular que visa a zerar o desmatamento das florestas brasileiras e preservar uma das maiores riquezas do país.

    O Greenpeace Brasil também continua acreditando que o Brasil pode ser uma das primeiras economias a ter uma matriz energética 100% limpa e renovável e trabalha para que isso se torne uma realidade. Junte-se a nós e faça parte desses 21 anos de história. Leia mais >

  • Juventude cheia de energia

    Postado por Rafael Gomes* - 25 - abr - 2013 às 14:00

    Durante apresentação do Projeto Juventude Solar, jovens de Vila Isabel tiveram o primeiro contato com a energia solar e puderem ver placas e lanternas solares. O grupo de voluntários do Rio de Janeiro está envolvido no projeto. (© Mariana Stolze / Greenpeace)

    Fiquei muito feliz quando notei, no primeiro encontro com os voluntários do Centro Comunitário Lídia dos Santos, no Rio de Janeiro, todos aqueles jovens entusiasmados e surpresos com a presença da nossa equipe, munida de pequenas placas solares que atraíram olhares curiosos.

    Mas não é nenhuma surpresa tamanha animação: estamos levando muitas novidades, além de informações valiosas que mostram a capacidade de energia que o Sol pode gerar e seus benefícios quando comparada com outras fontes de energia. Acredito que nem todos têm noção exata do que esta fonte pode nos oferecer e como essa energia pode passar a fazer parte do nosso dia-a-dia.

    A energia solar é uma realidade muito distante para os moradores de Vila Isabel. Apesar de estar mudando aos poucos, muitos ainda estão acostumando a usar energia através de “gatos”.

    Minha expectativa enquanto voluntário é a de contribuir com a formação desses jovens – e também aprender com eles - mostrando que eles têm um papel fundamental na sociedade e que podem pressionar o governo e instituições a adotar o uso das energias renováveis mais limpas.

    É preciso que fique claro que o Brasil tem capacidade para investir no potencial solar, cuja fonte é abundante e inesgotável, favorecendo assim a produção descentralizada da energia elétrica e investindo num futuro limpo. Isso sem falar nos empregos verdes que virão por aí e na multiplicação de conhecimentos que incentivamos!

    * Rafael Gomes é voluntário do grupo do Rio de Janeiro do Greenpeace e faz parte do projeto Juventude Solar Leia mais >

  • Ursos polares vão para cadeia em Moscou

    Postado por Alan Azevedo - 25 - abr - 2013 às 12:14

    Três ativistas do Greenpeace vestidos como ursos polares protesto do lado de fora do escritório Statoil de Moscou. (© Denis Sinyakov / Greenpeace)

     

    Três ursos polares se acorrentaram em barris de petróleo em frente ao escritório da Statoil, empresa petrolífera norueguesa, na praça Pavaletsky, na Rússia. O protesto dos ativistas do Greenpeace tem como objetivo denunciar perfurações da empresa na região do Ártico, que já teve três quartos de sua superfície derretidos, colocando em risco o ecossistema local e inferindo diretamente nas mudanças climáticas.

    Acorrentados em barris com os dizeres “O Ártico vale mais do que o petróleo” e “Somos reféns de sua ganância”, os ursos atraíram a atenção de quem passava pelo local, irritando a companhia petrolífera, que resolveu chamar a polícia. Foi necessário 1 hora para desacorrentar os ursos dos barris, que foram encaminhados ao departamento de polícia.

    Países como a Noruega não permitem a exploração de petróleo em áreas marítimas cobertas de gelo em seu país, assim como os Estados Unidos impõem diversas medidas cautelares para se explorar o mar do Alasca. Entretanto, a Statoil, se aproveitando da falta de regulamentação dos mares russos, pretende iniciar suas perfurações na região ártica, já severamente atingida pelas petroleiras que exploram a região.

    É interessante ressaltar que em parceria com a Statoil, está a líder de produção de petróleo da Rússia, a empresa Rosneft. Com 69,5% das ações pertencentes ao estado, a Rosneft está concorrendo para entrar no Guinness World Record como empresa que tem mais vazamentos de óleo – 10 mil por ano.

    O Greenpeace luta pela preservação do Ártico, a fim de torná-lo um santuário natural. Seja conciente, ajude-nos a impedir que essas grandes empresas petrolíferas destruam ainda mais o nosso planeta. Assine a nossa petição http://www.salveoartico.org.br/ .


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