Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Mobilizações pela água em SP ganham força

    Postado por Fabiana Alves e Pedro Telles - 27 - fev - 2015 às 17:21

    Aula pública, seminário, visita à represa seca e protesto nas ruas mostra que população está unida e atenta para buscar soluções e seguir pressionando governantes diante do colapso hídrico.

    Aula pública no Vão do Masp com movimentos e organizações para debater com a sociedade civil a crise hídrica de São Paulo. Realizado por Aliança pela Água e Assembléia Estadual da Água. (Foto: Mídia NINJA.) Leia mais >

     

    A mobilização popular em torno da crise da água em São Paulo subiu de nível nesta semana, com diversos protestos e atividades tomando as ruas e unindo uma grande diversidade de ONGs, movimentos sociais e cidadãos. Diante da omissão do governo estadual, principal responsável pela crise, e também dos governos federal e municipal, a população segue se organizando para buscar e demandar soluções.

    Na 3ª-feira, a Aliança pela Água (da qual o Greenpeace faz parte) e a Assembleia Estadual da Água organizaram aula pública no vão do MASP para discutir a escassez hídrica em São Paulo e suas implicações. Além de atores pertencentes a essas duas redes, grupos como o Movimento Passe Livre e a Marcha Mundial das Mulheres também marcaram presença, além de pesquisadores da Universidade de São Pulo, em uma cada vez mais necessária união entre Academia e movimentos sociais.

    Na quarta e quinta-feira, a Defensoria Pública de São Paulo e os Ministérios Públicos da União e de São Paulo promoveram o seminário “Crise Hídrica: alternativas e soluções”. Não faltaram análises sobre as irregularidades de como o governo vem conduzindo a atual crise, e membros dos órgãos da Justiça que promoveram o evento já estão avaliando e levando adiante as medidas cabíveis para defender os direitos dos cidadãos.

     

    Na quinta-feira à noite, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) reuniu 15 mil pessoas em São Paulo para demandar medidas urgentes do governador Geraldo Alckmin. Marchando até o Palácio do Governo, o movimento foi recebido pelo secretário-chefe da Casa Civil, que assumiu importantes compromissos. É preciso monitorar de perto o cumprimento de tais compromissos e seguir pressionando, já que de promessas e afirmações vazias (como a de que não faltaria água no estado) o governo está cheio.

    Também na quinta-feira, um grupo de ativistas, midialivristas e artistas visitou o reservatório Atibainha, que é parte do Sistema Cantareira, para ver de perto e discutir a realidade da crise. O Greenpeace esteve presente, e pôde constatar que, além do terreno seguir seco, agora já há mato crescendo onde havia água - o que dificulta ainda mais o processo de recuperação da represa. Em breve divulgaremos mais informações sobre como foi essa visita ao Sistema Cantareira.

    Por fim, ao longo deste final de semana a Casa da Ação unirá ativistas, profissionais da comunicação e programadores em um StoryHack para produzir narrativas em diversos formatos sobre a crise da água. A meta é fazer barulho de formas criativas e ajudar a fortalecer ainda mais a mobilização.

    Esta última semana do mês de carnaval mostrou como os paulistas ocuparão as ruas pelo resto do ano - e brasileiros de outros estados devem fazer o mesmo, tendo em vista que doze estados do país já enfrentam algum nível de crise e o cenário tende a se agravar se medidas sérias não forem tomadas rapidamente. A negação da crise está sendo substituída pela revolta e descontentamento com o descaso do poder público, que não atua nem para prevenir os acontecimento e, menos ainda, para solucioná-los.

    Vamos às ruas.

  • Queda no consumo de carvão na China

    Postado por Luciano Dantas - 27 - fev - 2015 às 16:06

    O consumo de carvão da China caiu 2,9% em 2014, de acordo com dados oficiais de energia chinesa. O país vive um embate dramático para barrar o crescimento do uso do carvão nas últimas décadas e os mesmos dados indicam uma redução de 1% nas emissões de CO2 provenientes da queima de combustíveis fósseis. 

    Ainda, a diminuição do consumo de carvão ocorreu sem que houvesse interferência no crescimento econômico do país desde 2012. A fonte foi responsável por mais da metade do crescimento das emissões de CO2 global nos últimos 10 anos. 

    Uma série de fatores contribuiu para a redução no ano passado: rápido aumento da capacidade de geração de energia renovável, mudança do crescimento econômico da indústria pesada para novos setores da economia, e melhoria da eficiência energética na geração de energia e na indústria. Vale destacar que a China tem atingido números significativos relacionados à capacidade de energia eólica conectada à rede e de energia solar.

    As emissões chinesas de petróleo, gás e queima de carvão não caiam desde a crise econômica, há mais de 15 anos. (© Lu Guang/Greenpeace) Leia mais >

     A crise de poluição no ar no país impulsionou a criação de políticas ambiciosas para controlar o uso do carvão, com políticas que restringem o acesso de grandes empresas da indústria à matriz poluente. O último prego restante para fechar o caixão do crescimento desenfreado do consumo de carvão da China veio no final de 2014, quando  o país reduziu radicalmente o interesse e o uso do carvão, devido a preocupações sobre os impactos na água e viabilidade econômica.

     “A redução de consumo do carvão e o fato de que a economia segue em constante crescimento mostra como é possível nos desvencilharmos do carvão e como estamos bem encaminhados em relação a isso”, disse Fang Yuan, porta-voz do Greenpeace do Leste Asiático. “A partir de agora, em vez de nos perguntarmos se é possível zerar o consumo de carvão até 2020, a pergunta feita será em quanto tempo poderemos enxergar novamente paisagens que foram tomadas pela poluição originada pelo carvão. Esta é uma chamada para os principais emissores do mundo.”

    A implementação das metas de energia existentes na China, incluindo fontes renováveis e o controle do consumo total de energia, pode fazer com que o país zere o consumo do carvão bem depois de 2020. O Greenpeace está pedindo para que esta seja uma meta oficial para o plano quinquenal da China entre 2016 e 2020.

    Outra decisão importante foi o recente pedido que a China fez a quatro províncias localizadas em regiões econômicas-chave, para que estas definam metas absolutas de redução de consumo de carvão. Essas regiões consomem mais de 600 milhões de toneladas por ano, quase a mesma quantidade de todo o país.

    “A queda do consumo de carvão da China é a melhor notícia possível para os cidadãos chineses, que sofrem os impactos da poluição atmosférica. Esta é uma oportunidade histórica para que autoridades estabeleçam metas que reduzam à zero o consumo de carvão no próximo plano quinquenal”, concluiu Fang Yuan.

  • Ensaio sobre poluição na China ganha prêmio no World Press Photo

    Postado por Luciano Dantas - 12 - fev - 2015 às 16:35

    O renomado fotógrafo chinês Lu Guang acaba de ganhar o prêmio “Projetos de Longo Prazo” com seu trabalho “Desenvolvimento e Poluição”, desenvolvido na China. A premiação faz parte do concurso de maior prestígio do mundo da fotografia, o World Press Photo (WPP). Entre as 30 fotos que compõem o ensaio, oito foram feitas a pedido do Greenpeace.

    Esta não é a primeira vez que o WPP premia um fotógrafo com trabalhos feitos para o Greenpeace. Desde 2006, esta é a sexta oportunidade em que isso acontece, sendo as anteriores para Daniel Beltra (02), Nick Cobbing (01), Paul Hilton (01) e o próprio Lu Guang, que levou o prêmio pela segunda vez.

    Confira algumas das fotos que renderam a premiação a Guang:

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  • Apple na dianteira da corrida por energia renovável

    Postado por Luciano Dantas - 11 - fev - 2015 às 15:51 6 comentários

    A Apple anunciou que investirá 850 milhões de dólares na aquisição de um sistema fotovoltaico capaz de gerar 130 MW de eletricidade, o suficiente para abastecer 50 mil casas na ensolarada Califórnia, todas as lojas de varejo da marca no mesmo estado, além do centro de dados da empresa. Trata-se de um negócio verdadeiramente grandioso em termos de energia solar.

    Graças a um empurrãozinho do Greenpeace e seus parceiros, não apenas a companhia da famosa maçã está se movendo rumo a um futuro mais sustentável, mas outras empresas de tecnologia como Facebook, Google, Microsoft, Rackspace, Salesforce e mais recentemente a Amazon.com, também expandiram seus horizontes para um caminho renovável. Nos últimos três anos, mais e mais empresas têm se comprometido com formas mais limpas de energia.

    Ativistas do Greenpeace protestam em frente à loja revendedora da Apple em São Paulo. (© Greenpeace/Alexandre Cappi)

    Em 2012, a Apple se comprometeu a implantar 100% de energia renovável em suas operações, e desde então, se moveu como nenhuma outra para cumprir este compromisso, culminando no mais recente anúncio do CEO da empresa, Tim Cook, de que a Apple acaba de fechar um acordo gigantesco para geração de energia solar na Califórnia.

    Enquanto outras empresas que se comprometeram com a mesma meta também podem ser elogiadas por apontarem seus caminhos no rumo das energias renováveis, seria ótimo que todas dessem ouvidos à declaração feita por Cook: "Nós (Apple) sabemos que a realidade das mudanças climáticas é real. O tempo para conversa ficou no passado", disse ele. "A hora de agir é agora.”

    Esta é uma excelente notícia, especialmente por conta da ausência da mudança climática nas pautas governamentais. Independentemente de políticas públicas promovidas por políticos, o debate deve existir e ações devem ser tomadas.

    A Apple está ditando o ritmo da indústria para o que significa não só se comprometer com 100% de energia renovável, mas para avançar verdadeiramente até alcançar este objetivo. Leia mais >

  • Debate especial: dez anos sem Dorothy Stang

    Postado por Nathália Clark - 10 - fev - 2015 às 10:14 1 comentário

    Programa especial sobre o aniversário de morte da missionária debate os principais vetores que alimentam o círculo vicioso de desmatamento, violência e impunidade na Amazônia

    Assista a alguns momentos interessantes do Papo Greenpeace:

     

    Neste 12 de fevereiro, o assassinato de Dorothy Stang completa dez anos. Os dois mandantes do crime, no entanto, continuam livres. O caso, ao invés de exceção, infelizmente é a regra e retrato fiel da violência e impunidade que assolam comunidades rurais de todo o Brasil e especialmente da Amazônia. 

    Não bastasse o horror da violência, as famílias que sobrevivem às ameaças e os parentes das vítimas assassinadas ainda têm que conviver com seus algozes à solta. Este círculo vicioso de mortes, impunidade e mais violência alimenta uma indústria que vem financiando há anos o desmatamento da Amazônia. É vida que tomba para manter a floresta em pé.

    Quem financia o desmatamento? Quem paga pela exploração ilegal? O que acontece com os culpados? Quem protege aqueles que protegem a floresta? Para responder a essas e outras questões o Greenpeace promove nesta terça-feira, 10 de fevereiro, o Papo Greenpeace “Dez anos Sem Dorothy Stang”. A partir das 20h, acompanhe ao vivo a transmissão, pelo site do Greenpeace Brasil.

    Como convidados teremos Maria Darlene, representante da CPT (Comissão Pastoral da Terra) de Boca do Acre, Antonio Canuto, chefe do Centro de Documentação da CPT Nacional, e o jornalista independente Felipe Milanez, além dos representantes da Campanha da Amazônia do Greenpeace, Danicley Aguiar e Marina Lacorte.

    Veja o Papo Greenpeace integralmente:

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  • Minuto Verde: escute essa novidade!

    Postado por Nathália Clark - 9 - fev - 2015 às 16:40 1 comentário

    Greenpeace lança nova plataforma online de conteúdo em áudio. Programa de pouco mais de um minuto irá transmitir podcasts sobre os assuntos do momento

    Minuto Verde especial #10AnosSemDorothy

    Visando inovar, aumentar o alcance de suas mensagens e atingir a maior variedade de públicos possível, o Greenpeace lança hoje uma nova plataforma de conteúdo online. O programa Minuto Verde irá contar, em áudio, as histórias que já contamos em outros formatos – textos, vídeos, fotos, mapas e infográficos, por exemplo. A ideia é que a voz de um de nossos repórteres resuma, em um podcast de mais ou menos um minuto, o tema principal que estiver circulando em nossos canais.

    Nesta edição inaugural, falaremos sobre os dez anos de morte de Dorothy Stang. A missionária norte-americana, que trabalhou por mais de três décadas em defesa da floresta e das comunidades que dela dependem, foi assassinada no dia 12 de fevereiro de 2005, no município de Anapu, sudoeste do Pará.

    À época, ela lutava pela implantação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança. Por ser uma área de disputa entre madeireiros e fazendeiros locais, ela e outros pequenos produtores sofriam ameaças constantes. Não bastassem todas as denúncias feitas aos órgãos de governo e autoridades responsáveis, além de todos os posteriores julgamentos e decisões judiciais, os culpados, até hoje, continuam soltos. E os ocupantes da região seguem com medo.

    A morte da missionária norte-americana, ao invés de triste exceção, é o retrato fiel da violência que assola comunidades rurais de todo o Brasil, em especial da Amazônia. O círculo vicioso de violência, mortes e impunidade alimenta uma indústria que financia há anos o desmatamento da Amazônia. E mesmo depois de uma década da morte de Dorothy Stang, o sangue continua a correr na floresta.

    Quer saber mais sobre esse caso? Não perca a estreia do programa Minuto Verde.

    Escute aqui:

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    Não perca! Hoje tem debate especial: 10 anos sem Dorothy Stang. Leia mais >

  • Aliança pela Água divulga plano de emergência

    Postado por Aliança pela Água* - 9 - fev - 2015 às 10:35

    Coalizão de entidades da sociedade civil, da qual o Greenpeace faz parte, publica chamado à ação sobre a crise hídrica no Estado de São Paulo

     

    A crise hídrica e de abastecimento no Estado de São Paulo se aprofundou nos últimos dois meses. A situação é de crescente incerteza frente aos cenários climáticos - não existem dados para afirmar que o ciclo de estiagem esteja acabando; a seca pode continuar e até se intensificar ao longo deste ano.

    O esforço para enfrentar o colapso deverá ser coletivo e exigirá um longo período de sacrifício por parte da população. A partir de agora, as medidas de mitigação da crise devem ir muito além de ações das concessionárias de abastecimento; é fundamental o envolvimento de uma ampla rede de atores governamentais e não governamentais para garantir a segurança cidadã da população, incluindo o direito ao abastecimento de água para consumo, à saúde e ao emprego.

    Com o objetivo de contribuir positivamente na gestão dessa crise, a Aliança pela Água destaca ações imediatas de adaptação que podem e devem ser adotadas pelos governos em conjunto com a sociedade, com responsabilidades claramente assumidas pelos distintos órgãos públicos no informe "Chamado à Ação sobre a Crise Hídrica: Por um Plano de Emergência para o Estado de São Paulo". #AguaSP

    Clique aqui para ler o documento.

    *Texto publicado no site Aliança pela Água Leia mais >

  • Cunha nega apoio a ruralistas, mas desenterra PEC 215

    Postado por Alan Azevedo* - 6 - fev - 2015 às 13:39

    Com menos de uma semana na presidência da Câmara, deputado Eduardo Cunha diz não ter poder algum para acabar com a PEC anti-indígena

    Kayapó cobraram do presidente da Câmara arquivamento definitivo da PEC 215. © J. Batista / Agência Câmara

     

    A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215 será desarquivada, afirmou o recém eleito presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em reunião com os índios Kayapó. O projeto transfere para o Congresso Nacional a última palavra sobre a oficialização de Terras Indígenas (TIs), Unidades de Conservação e Territórios Quilombolas.

    Cunha recebeu a comitiva Kayapó no dia 4, que veio à Brasília para sepultar definitivamente a PEC 215 e avançar na demarcação de TIs. No entanto, Cunha afirmou que não poderia impedir o reinício da tramitação da proposta, arquivada no final do ano passado. Segundo ele, qualquer um dos 170 deputados que assinaram o projeto pode pedir seu desarquivamento.

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    E é isso que acontecerá: a bancada ruralista apresentou um requerimento com esse objetivo ontem e, segundo Cunha, o Regimento da Câmara obriga-o a acatá-lo automaticamente. “Não tenho poder ou competência legal para acabar com a PEC 215 ou nenhuma outra PEC. Tenho de cumprir o Regimento”, afirmou o peemedebista. Com o desarquivamento do projeto, será necessário recriar a Comissão Especial que vai analisá-lo.

    Sarney Filho (PV-MA) e Nilto Tatto (PT-SP), que participaram da conversa, são a favor de uma reunião entre deputados ruralistas e socioambientalistas nas próximas semanas para discutir uma alternativa à PEC.

    “Os povos indígenas estão entendendo a PEC 215 como uma quebra do contrato estabelecido com eles para garantir seus direitos na Constituição de 1988. Se a PEC seguir tramitando, teremos toda a semana uma manifestação aqui na Câmara contra o projeto”, advertiu Tatto. O petista acredita que a análise e aprovação do projeto vão acirrar os conflitos entre povos indígenas e produtores rurais. “Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que a Comissão Especial não seja aberta e não funcione”, disse Sarney Filho.

    Com a eleição de 2014, foi eleito o Congresso mais conservador desde os tempos do regime militar. A bancada ruralista é o bloco de maior expressão na Casa, e tem enorme influência nas decisões do plenário. Cunha negou que tenha feito um acordo com os ruralistas para fazer avançar a tramitação do projeto em troca de apoio à sua eleição para a Presidência da Câmara, ocorrida no fim de semana.

    *Essa matéria foi escrita pelo Comitê de Comunicação da Mobilização Nacional Indígena e publicada inicialmente no site do Instituto Socioambiental (ISA). Leia mais >

  • Kayapó serão recebidos por Eduardo Cunha

    Postado por Alan Azevedo* - 4 - fev - 2015 às 10:03 1 comentário

    Após visita dos Munduruku à Brasília, índios Kayapós chegam à capital federal com demandas similares: frear a PEC215 e avançar na demarcação de Terras Indígenas

    Índios Kayapós chegam à Brasília para cobrar por direitos. © Instituto Kabu

    Cerca de 50 lideranças Kayapó, das Terras Indígenas Baú e Mekragnotire, chegaram a Brasília na última segunda-feira, dia 2, com o objetivo de reunirem-se com a presidente Dilma Roussef e o recém eleito presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

    Os Kayapó foram recebidos nesta terça-feira (3) pelo secretário de Articulação Social da Presidência da República, Paulo Maldos, que auferiu os documentos trazidos pelos indígenas sobre a execução do Plano Básico Ambiental (PBA) da BR-163 e a Proposta de Emenda Constitucional PEC215.

    Após uma articulação das entidades em defesa dos direitos indígenas e dos deputados federais Nilton Tatto (PT-SP), Chico Alencar (PSOL-SP) e Sarney Filho (PV-MA), o novo presidente da Câmara agendou uma reunião com as lideranças Kayapó para esta quarta-feira, dia 4, às 15 horas.

    Leia mais:

    Na pauta, a entrega de uma carta produzida pelos Kayapó sobre como os deputados irão tratar os temas indígenas e sobre os compromissos assumidos com ruralistas, que querem aprovar a PEC215, emenda que transfere do governo federal para o legislativo a responsabilidade pela demarcação de Terras Indígenas.

    Leia a carta aqui.

    Na última quinta-feira, dia 30, representantes do povo indígena Munduruku também estiveram em Brasília e foram recebidos pelo ministro da Secretaria-geral da Presidência, Miguel Rossetto. Na reunião, entregaram em mãos sua proposta de consulta baseada na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

    *Essa matéria é do Comitê de Comunicação da Mobilização Nacional Indígena Leia mais >

  • Saga Munduruku pelo direito à vida

    Postado por Nathália Clark - 30 - jan - 2015 às 19:36 1 comentário

    Lideranças vão a Brasília cobrar das autoridades respostas sobre a demarcação de suas terras e a garantia de seus direitos

    Indígenas Munduruku em audiência com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República (©Greenpeace/Wenderson Araújo).

     

    O ano de luta já começou para os 13 mil indígenas do povo Munduruku. Enfrentando uma viagem de quatro dias de ônibus, uma comitiva de 30 lideranças chegou a Brasília nesta semana para uma agenda de reuniões com o governo a fim de pressionar pela garantia de seus direitos.

    As pautas continuam as de sempre: a cobrança pela demarcação oficial de seu território, mais especificamente a Terra Indígena Sawré Muybu, na região do Médio Tapajós e que abrange os municípios de Itaituba e Trairão (PA); e a entrega do documento que especifica o modo como eles desejam ser consultados pelo governo no que tange à construção do Complexo Hidrelétrico do Tapajós, que atropela e literalmente afoga por inteiro aldeias, roças, cemitérios e áreas de caça de sua população.

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    Nesta sexta-feira (30) pela manhã, eles se reuniram com o presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Flávio Chiarelli, para cobrar a apreciação e publicação do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação da Terra Indígena Sawré Muybu, que atesta a existência daquela área e sua tradicional ocupação pelo povo Munduruku.

    O processo de formalização do território como terra indígena já se arrasta por cerca de uma década, chegando ao ponto de os indígenas terem iniciado a autodemarcação independente. Na reunião, eles ressaltaram a importância da demarcação formal para proteção de sua população e dos recursos naturais do território. Eles mostraram, inclusive, fotos tiradas durante a autodemarcação onde foram identificados focos de extração ilegal de madeira e garimpo.

    Ao cobrar uma posição, o cacique de Sawré Muybu, Juarez Munduruku, chegou a falar em coragem. “Queremos saber se agora temos um presidente corajoso o suficiente para assinar o relatório. Quero levar essa resposta pro meu povo agora, pois quem está correndo risco de vida somos nós”, afirmou.

    Ademir Kabá, outra liderança, lembrou que o estado brasileiro só vem aumentando ao longo dos anos sua dívida com os povos indígenas. “A nossa vinda aqui é constrangedora, porque estamos reivindicando o reconhecimento das terras dos nossos ancestrais, lugar em que vivemos desde que nascemos, e o estado continua nos negando isso.”

    ‘Jogo de empurra’

    Em recente entrevista à Agência Pública, a ex-presidente da Funai, Maria Augusta Assirati, afirmou que o relatório, pronto e aprovado desde 2013, não foi publicado por conta dos interesses governamentais para a construção de empreendimentos hidrelétricos na região, especialmente a usina São Luiz do Tapajós. “Nós, como Funai, havíamos assumido um compromisso com os Munduruku no sentido da publicação do relatório, e tivemos que descumprir esse compromisso em razão da prioridade que o governo deu ao empreendimento. Isso é grave”, diz Assirati.

    Como novo presidente, Chiarelli respondeu que não se trata de uma questão de coragem, e reconheceu o entrave junto a outros setores do governo. “Quando surgiu essa proposta de delimitação, os outros órgãos que também têm interesse naquela área, principalmente com relação à hidrelétrica de São Luís do Tapajós e à Flona de Itaituba, pediram pra se manifestar. Há um questionamento sobre a ocupação tradicional e o que eu pedi foi que eles apresentassem relatórios técnicos que provem isso. A Funai fez o seu papel e apresentou o seu relatório atestando que ali é uma terra indígena. O que não dá é pra ficar nessa indefinição, esse jogo de empurra”.

    Quanto aos focos de exploração ilegal, ele se comprometeu a tentar articular uma operação conjunta com órgãos ambientais, seja em âmbito estadual ou federal, para tentar frear essas atividades. “Enquanto a terra indígena ainda não estiver regularizada, infelizmente a Funai sozinha não consegue fazer nada. Nossa situação e os instrumentos legais de que dispomos também são frágeis.”

    Protocolo de Consulta

    Na parte da tarde, as lideranças tiveram uma audiência pública com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, a quem entregaram o Protocolo de Consulta do povo Munduruku a propósito da construção de empreendimentos de infraestrutura em seus territórios.

    O documento, elaborado pelo povo no fim do ano passado, sistematiza a maneira com que eles desejam ser consultados pelo governo, uma exigência e um direito previstos tanto na Constituição quanto na Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

    Ademir Kabá frisou que a entrega do protocolo, entretanto, não é o fim das discussões, mas uma demonstração clara de que os Munduruku querem o diálogo. “Queremos abrir mais espaços de conversa com o governo. A gente luta por terra, não por riqueza. Para nós, nossa terra é a nossa vida, nossa história. Em hipótese alguma queremos a usina São Luiz do Tapajós. A construção desse empreendimento pra nós significa a morte”, afirmou. O ministro se limitou a ouvir e se comprometeu a ler e analisar o documento. Leia mais >

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