Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • A partidarização das ciclovias e a proteção da vida

    Postado por Vitor Leal* - 8 - mai - 2015 às 16:52 1 comentário

    Sete anos atrás, quando comecei a ir de bike ao trabalho – e também para a feira, para a balada e até para casamentos – São Paulo não tinha ciclovias. Minto! Tinham alguns quilômetros dentro de parques e alguns pontos de ônibus dentro de ciclovias. A saga começa num dia de greve no Metrô quando eu, dentro de uma van com colegas do trabalho, num trânsito impossível, olhei para os carros que me cercavam e percebi algo confirmado pelas estatísticas: em quase todos, só havia uma pessoa. Ali mesmo decidi: não seria parte do problema. Renunciei a um direito-quase-dever: o de possuir um automóvel.

    Ponto de ônibus exatamente sobre uma ciclovia. (©Rachel Schein/Vá de Bike)

    O processo de ir pra rua foi parecido com o de muitas outras pessoas que usam a bicicleta como transporte. Conversei com amigos que já pedalavam e busquei informações na Internet (este, este e este são essenciais, e sempre dá para pedir uma ajuda ao Bike Anjo). Finalmente comprei uma bicicleta, que me acompanha até hoje, e fui para a rua pela primeira vez.

    Comecei a participar da Bicicletada e aprendi muito sobre a cidade. Mudei minha perspectiva sobre o tecido urbano. Tornei-me um melhor motorista e um melhor pedestre porque passei a entender o essencial: todo mundo está indo para algum lugar, todo mundo é trânsito, todo mundo tem o mesmo direito à cidade, seja passeando, seja trabalhando, seja de ônibus, à pé, de bicicleta, moto ou de carro. Entendi, pela primeira vez, que o outro não é um obstáculo e o trânsito não precisa ser competitivo – não somos pilotos de Fórmula 1. 

    Sozinhos éramos invisíveis, mas juntos, pedalávamos por respeito nas ruas. Não pedíamos ciclovias porque ciclovias são importantes, mas não o mais importante. O que traz a segurança é mais ciclista na rua, é respeito à vida. O que traz segurança é entender que somos todos responsáveis pelas vidas uns dos outros. Que o maior protege o menor. Assim como irei cuidar dos pedestres ao pedalar, também o motorista deve cuidar do ciclista ao dirigir. O que traz a segurança não são capacetes e afins .

    O que traz segurança, repito, não são as ciclovias. Até porque os 400 km prometidos pelo Haddad, ou mesmo os 1.500 km que definidos no novo Plano de Mobilidade de São Paulo, construído com a participação ativa da sociedade, não chega a 10% dos 17 mil quilômetros de vias da cidade. Eventualmente, o ciclista irá sair da ciclovia e, aí, só o respeito à vida, a legitimidade e o cuidado de todos com todos irá garantir a segurança.

    Willian Cruz e Priscila Cruz foram casar de bicicleta (©Vitor Leal)

    Mas ciclovias são importantes. Ciclovias são celeiros de novos ciclistas. É pela sensação de proteção nesses espaços segregados que pessoas que sempre quiseram pedalar e nunca se sentiram à vontade começam a transitar pela cidade. É com essa afluência de novos ciclistas, que são também pedestres, motoristas, usuários de táxi e de transporte público, que a segurança se dá. Eu, como motorista, tomarei mais cuidado com aquela pessoa na bike porque me identifico. Porque tenho uma amiga, um colega de trabalho, minha mãe, meu namorado, alguém que eu conheço e amo, pedala. E podia ser essa ciclista que está ali, pedalando na minha frente. Mais ciclistas na rua significa mais amor e cuidado no trânsito.

    Corta para 2015

    Já são 318,2 km de ciclovias entregues e novos trechos inaugurados a cada dia. E, enquanto uns fazem, outros tentam destruir. Ao mesmo tempo em que o atual prefeito trabalha para cumprir seu compromisso de 400km de ciclovias, vereadores, promotoras públicas e pré-candidatos à prefeitura, encastelados no discurso demagógico e falacioso de “sou a favor de ciclovias, mas tem que ter planejamento”, ignoram que São Paulo passou 30 anos fazendo planos cicloviários sem fazer de fato as ciclovias.

    Na tentativa de enfraquecer um adversário político, acabam minando uma política pública que salva vidas. Aquilo que é uma conquista para a humanização das cidades, para a proteção da vida, para a redução da poluição, aumento da saúde e qualidade de vida das pessoas e, acima de tudo, uma reivindicação de décadas do movimentos de ciclistas, acaba sendo partidarizada e jogada dentro de uma lógica política das mais mesquinhas. Pior: dizem falar em nome dos ciclistas, na pretensa intenção de defendê-los. Negligenciam o fato de que os ciclistas estão representados, discutem e influenciam o formato e os locais a receberem ciclovias. Daí as ciclovias tanto pedidas e finalmente entregues são taxadas de “Ciclovias do Haddad” quando, na verdade, elas são Ciclovias da Cidade. Da cidade que queremos.

    O que esses críticos das ciclovias, autoproclamados defensores dos ciclistas e do bom planejamento, ignoram – por negligência ou má fé – que, ao construir esse discurso, estão colocando vidas em risco. O discurso de ódio e inflamação da opinião pública, com pitadas de mentira (veja aqui) e desinformação, faz com que motoristas, já cansados e estressados de um trânsito que, sinto informar, só vai piorar, passem dos limites e ataquem quem não deveria ter que se defender.

    Ontem isso aconteceu comigo. Ontem, ao subir a rua dos Pinheiros, completamente parada pelo trânsito motorizado, deixando para trás carros e mais carros ansiosos por acelerar, tive uma conversa bizarra com uma motorista. Quando, mais para cima, o trânsito fluiu, ela passou ao meu lado buzinando loucamente, como se fosse eu o culpado por todo o estresse que ela estava vivendo. Logo à frente, parou no farol. Encostei ao seu lado e, calmo, perguntei se era ela quem havia buzinado. Ela abriu o vidro de seu carro de luxo e vociferou que eu não devia estar na rua: “devia ir para as ciclovias superfaturadas do PT”.

    Ouvi outro relato, do mesmo dia, de um motorista que, depois de colidir com uma bicicleta dentro da ciclovia, disse: “tem que morrer mesmo, esse povo de bicicleta”, “se não sair da frente, vou matar”. O discurso de ódio, da partidarização de uma política pública benéfica para a cidade, coloca em risco a vida das pessoas.

    Devemos sim discutir as ciclovias de São Paulo. Devemos sim falar sobre os problemas que nelas existem. Mas devemos fazer essa discussão sob a ótica da melhoria, transformando-as em política de Estado e não de um partido. Porque prefeitos se vão, mas a cidade fica. Porque mais bicicletas nas ruas significa um trânsito mais humano para todos, do pedestre ao motorista. Porque, pode parecer bobagem, mas ciclovias trazem  benefícios até para os motoristas, já que melhoram o fluxo dos automóveis. E, finalmente, porque devemos proteger a vida.

    Aproveito para desafiar você, que lê este texto, a parar por dez minutos ao lado de uma ciclovia e observar os rostos das pessoas nas bicicletas e das pessoas nos carros e responder o que é melhor para a cidade.

    *Vitor Leal é da campanha de clima e energia do Greenpeace Brasil Leia mais >

  • A revolução das baterias Tesla

    Postado por Larissa Rodrigues* - 6 - mai - 2015 às 9:47 2 comentários

    Novas baterias Tesla prometem revolucionar armazenamento de eletricidade em residências e incentivar indivíduos a gerar sua própria energia (©divulgação)

     
    A empresa norte-americana Tesla, conhecida por fabricar carros elétricos, lançou uma nova super bateria que promete revolucionar o armazenamento de eletricidade em residências com um custo competitivo. A Tesla Powerwall já pode ser reservada online e nos próximos meses as baterias nos formatos de 7 kWh e 10 kWh já estarão disponíveis nos Estados Unidos por $ 3.000 e $ 3.500 dólares, respectivamente, sendo que o preço deve diminuir ao longo dos anos. Para se ter uma ideia, uma residência de duas pessoas no Brasil consome, em média, 2,5 kWh por dia.

    A bateria é alvo de atenção do mundo inteiro já que pode significar o fim do argumento de que combustíveis fósseis como petróleo e carvão são necessários para garantir segurança energética. “Além disso, baterias com grande capacidade de armazenamento dão mais independência para os cidadãos e consumidores gerarem sua própria energia a partir de fontes renováveis e decidirem usá-la quando for mais conveniente”, comenta Larissa Rodrigues, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

    Dessa forma, é possível guardar a eletricidade gerada a partir do Sol para usar à noite, por exemplo. A Tesla Powerwall também pode viabilizar sistemas de eletricidade aos brasileiros que hoje não tem acesso à rede. O uso de baterias em larga escala traz a preocupação sobre descarte e reciclagem de componentes e de acordo com a empresa norte-americana isso já está previsto para suas baterias reduzindo em grande medida possíveis impactos.

    “Antes de pensar na utilização em larga escala destas baterias, o Brasil ainda tem muita lição de casa para fazer no sentido de incentivar o uso das energias renováveis”, comenta Rodrigues. Para que o potencial do Sol e dos ventos seja de fato aproveitado e para que os brasileiros possam se tornar mais independentes, é necessário que entraves como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) que incide sobre a geração de eletricidade do cidadão que já escolhe produzir sua própria energia sejam resolvidos. Outras questões, como a criação de linhas de financiamento com baixos juros, também precisam ser resolvidas.

    Vale lembrar que somente há três anos foi permitido ao brasileiro gerar sua própria energia e obter descontos em sua conta de luz e, de lá pra cá, quase 400 sistemas de mini ou microgeração foram conectados à rede. O número tem crescido, mas ainda é tímido perto do potencial brasileiro para a geração distribuída, sobretudo com utilização da energia solar fotovoltaica.

    *Larissa Rodrigues é da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil Leia mais >

  • Não confie, não tema, não implore

    Postado por Thiago Almeida - 30 - abr - 2015 às 17:13


    Capa do livro "Don’t Trust Don’t Fear Don’t Beg", de Ben Stewart

    Os 30 do Ártico, grupo de 28 ativistas e dois jornalistas que enfrentaram dois meses de prisão na Rússia após fazerem protesto pacífico em águas internacionais, não foram esquecidos.

    Acaba de ser lançado o livro “Don’t Trust Don’t Fear Don’t Beg” (“Não Confie Não Tema Não Implore”, em tradução livre), que foi escrito por Ben Stewart, membro do Greenpeace UK que trabalhou pela libertação dos 30.

    O livro é um relato pessoal e emocionante sobre como foi o protesto, a reação desproporcional e ilegal das forças armadas russas e os bastidores da campanha internacional pela libertação dos 30 do Ártico. Todo o dinheiro da venda do livro será doado para organizações que trabalham com justiça social e meio ambiente.

    E seguimos na luta para salvar o Ártico!

    *Thiago Almeida é da campanha Salve o Ártico do Greenpeace Brasil Leia mais >

  • Dá um desconto pra ONU, vai...

    Postado por Fabiana Alves - 30 - abr - 2015 às 15:15

    Protesto dos ativistas do Greenpeace em São Paulo. (© Julia Moraes / Greenpeace)

     

    Relator da ONU (Organização das Nações Unidas) para Água e Saneamento, o mineiro Leo Heller condenou a existência, em plena crise hídrica, dos contratos firmados pela Sabesp que dão descontos para grandes consumidores de água no Estado de São Paulo.

    Em evento da Aliança pela Água realizado ontem na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, o relator afirmou que os contratos entre Sabesp e empresas que consomem mais de 500 mil litros de água por mês são “inaceitáveis caso estejam limitando o acesso à água da população em detrimento de outros usos”. A Sabesp defendeu nas últimas semanas o aumento da tarifa para o consumidor em 22,7% devido a perdas econômicas com a crise hídrica. Os descontos para grandes consumidores somam R$ 140 milhões por ano.

    Aumentar a tarifa para a população e continuar com descontos progressivos para grandes consumidores, alegando perdas de receita, representa mercantilização da água e desvio do que consta na Lei da Água: em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano. Portanto, a política da empresa, controlada pelo governo do Estado de São Paulo, fere a lei brasileira e atenta contra os direitos humanos dos paulistanos, ao não dar prioridade do uso da água à população.

    O contratos de demanda firme continuam em vigência apesar de mais de 15 mil pessoas terem assinado a petição no site www.aguaparaquem.org.br pedindo pelo seu fim.  

    Alckmin historicamente ignora relatores da ONU

    Leo Heller substituiu no ano passado a portuguesa Catarina de Albuquerque, que em visita ao Brasil em 2014, havia declarado que a crise poderia ter sido evitada se houvesse planejamento. De acordo com publicação do jornal espanhol El País, o governador exigiu que a ONU se retratasse quanto às afirmações.

    O relator concorda com sua antecessora e afirma que essa crise não é hídrica; é uma crise de falta de planejamento das autoridades competentes.

    O Greenpeace pede para que Sabesp, Arsesp e o governador Geraldo Alckmin acabem com os descontos para grandes consumidores. Nós reafirmamos que a falta de planejamento do governo do Estado agravou e resultou no quadro de falta de água atual.

    *Fabiana Alvez é da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil Leia mais >

  • Seminário: Benefícios, desafios e perspectivas da energia solar

    Postado por Marina Yamaoka - 30 - abr - 2015 às 12:00

    O Greenpeace tem o prazer de convidar para o seminário “Benefícios, desafios e perspectivas da energia solar” organizada pela Câmara dos Vereadores e com apoio da organização.

    O Brasil tem um dos maiores potenciais para energia solar no mundo e, no entanto, ainda investe muito pouco na fonte. Além de ser uma energia limpa e renovável, a energia solar pode ser a solução para a crise elétrica que o País enfrenta e trazer benefícios econômicos e sociais, como a geração de empregos verdes.

    Os convidados e moderadores debaterão junto ao público quais são os entraves ao desenvolvimento da energia solar no Brasil, os benefícios e as perspectivas futuras da fonte.

    Contamos com a sua presença, inscreva-se: http://goo.gl/forms/tdCvnruKjf e confirme a presença no evento do Facebook.

    Informações

    12 de maio de 2015, terça-feira

    Horário: 14h-18h

    Local: Auditório Nobre do Palácio Anchieta (Câmara dos Vereadores)

    Endereço: Viaduto Jacareí, 100 – Bela Vista – São Paulo, SP

    Programação:

    14h - Abertura

    Jair Tatto, vereador (PT) e Sérgio Leitão, diretor de Políticas Públicas do Greenpeace

    14h20 - Crise do setor, perspectivas de crescimento da demanda e o papel da geração distribuída no Brasil e na cidade de São Paulo

    Roberto Zilles, doutor em Engenharia de Telecomunicações e professor associado ao IEE-USP 

    15h - Mesa redonda: Os benefícios da geração distribuída ao país

    Fernando Camargo, da LCA Consultores, apresentará o potencial para geração de empregos verdes e seu impacto na economia do Brasil. Além disso, Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Clima e Energia do Greenpeace, discutirá os benefícios ambientais da energia solar.

    16h – Vídeo: Solar: energia que transforma vidas

    16h10 – Mesa redonda: Microgeração no Brasil – o que precisa mudar?

    Debate sobre os entraves para o desenvolvimento da energia solar no Brasil. Questões tributárias, financiamento e a resolução 482 da ANEEL serão apresentadas por Rodrigo Sauaia, diretor executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR)

    Gustavo Malagoli, diretor da Alsol, abordará experiências práticas, bons exemplos e a importância do papel do Município para a energia solar.

    17h20 - Encerramento  Leia mais >

  • Uma jornada em busca de justiça

    Postado por Luana Lila - 30 - abr - 2015 às 9:25

    Ato de resistência e luta em memória a Zé Claudio e Maria, realizado em maio do ano passado. Agora, a família precisa de apoio para realizar um novo ato, marcando os 4 anos do assassinato do casal de extrativistas que defendia a floresta (© Greenpeace/Fábio Nascimento)


    O dia 24 de maio marca quatro anos do assassinato do casal Zé Claudio e Maria, que dedicou suas vidas para proteger a Amazônia, combatendo a extração ilegal de madeira e a grilagem. Para lembrar a data e protestar contra a impunidade dos criminosos, a família organiza o IV ato em memória ao casal: A Floresta Vai Gritar: Não à Impunidade, no assentamento Projeto de Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, no sudeste do Pará, onde eles viviam.

    No ano passado nós do Greenpeace estivemos lá acompanhando o terceiro ato em memória ao casal. Ao lado dos familiares e os movimentos sociais locais, caminhamos em passeata pela mesma estrada enlameada em que o casal costumava passar até chegarmos ao ponto onde eles foram covardemente assassinados, em uma emboscada de pistoleiros. Ali se vê uma placa em homenagem aos dois, mas que, por ironia da impunidade que se perpetua na Amazônia, também foi cravada com uma bala três meses depois de ter sido colocada no local, mostrando o total conforto dos criminosos com seus atos.

    Assim como aconteceu com outras lideranças assassinadas na Amazônia, como Chico Mendes e Dorothy Stang, apenas para citar os nomes mais conhecidos entre os milhares que já tombaram defendendo a floresta, a morte do casal estava há muito tempo anunciada. Apesar de todo essa histórico e de toda essa gente, elas continuam ocorrendo, como se a lista que identifica os nomes das pessoas ameaçadas fosse na verdade uma sentença de morte e não a possibilidade de o Estado brasileiro agir para evitar os crimes.

    Não por acaso, o Brasil continua sendo o país mais perigoso para se trabalhar na defesa do meio ambiente, como foi divulgado recentemente em um relatório da ONG Global Witness. Enquanto a impunidade continuar sendo a regra crimes como esses continuarão ocorrendo. E, enquanto a Amazônia continuar sendo vista sob um modelo de desenvolvimento predatório e excludente que coloca a floresta abaixo para grilar terras, essas mortes também continuarão acontecendo.

    No caso de Zé Claudio e Maria, o mandante do crime continua solto e mantém um lote no mesmo assentamento em que eles viviam. Sua presença ali tão perto intimida a família, que, por sua vez, resiste bravamente e continua pedindo por justiça.

    Por isso, nesse ano eles vão novamente percorrer o caminho que selou o destino do casal em protesto à impunidade. Mas, para isso, precisam de apoio. “Além de mostrar a nossa resistência, o ato marca a nossa indignação com a impunidade, que gera mais violência e funciona como carta branca para os assassinatos continuarem”, explica Claudelice Santos, irmã caçula de Zé Claudio e idealizadora do ato.

    As pessoas que são mortas protegendo a Amazônia estão à frente de uma luta diária e invisível pelo direito de ser diferente. Zé Claudio explicava aos vizinhos que uma castanheira em pé valia mais do que derrubada, pois com o extrativismo ele conseguia extrair lucro da castanheira continuamente, enquanto, quando era derrubada, a árvore dava o lucro apenas uma vez. Depois que ele se foi, ninguém mais faz essa luta diária e local para iluminar as ideias de quem vive ali. O vazio deixado quando uma vida como essa é apagada impacta não só as famílias, mas a todos que, mesmo de longe, se preocupam com a defesa da vida.

    Um exemplo disso é contraste entre os 80 hectares que pertencia ao casal, rodeado pela mata nativa, e o restante da paisagem desoladora do assentamento, onde a maior parte da floresta foi posta abaixo.

    Por isso o ato de resistência da família é tão importante e o nosso apoio mostra à família e a todos os que resistem que eles não estão sozinhos.  

    “É muito emocionante a gente saber que as pessoas se importam com essa causa que o Zé e a Maria tanto defenderam e que a gente está dando continuidade. Pra nós, as doações significam apoio, significam que as pessoas se identificam com a causa, que não é só ambiental, é humanitária também”, afirma Claudelice.

    Corra porque falta apenas uma semana para doar! A família precisa de seu apoio. Para ajudar, acesse: http://migre.me/pFWhf

    Saiba mais: leia as reportagens sobre o terceiro ato em memória ao casal realizado no ano passado:

    Veja como foi o ato do ano passado:

      Leia mais >

  • E o OSPAR vai para… o Ártico!

    Postado por Luciano Dantas - 29 - abr - 2015 às 10:26

    Você sabe o que é OSPAR? A Convenção para Proteção da Vida Marinha do Nordeste Atlântico, em tradução livre, é um comitê formado por quinze países europeus, mais a União Europeia, que atua para proteger as águas internacionais nórdicas (cerca de 230 mil km2) dos danos provocados pela ação humana.

    O poder político da OSPAR é significativo, mas com pouco envolvimento público, e até hoje inativo no Ártico. No entanto, assim como heróis de cinema, os representantes da Convenção podem mudar o destino da região, protegendo uma área que representa 10% do Santuário Global reivindicado por quase sete milhões pessoas.

    A comissão tem uma oportunidade histórica de salvar o Ártico. Leia mais >

    “O Ártico tem um papel fundamental na regulação do clima, sendo o ‘ar-condicionado’ do planeta. O gelo do Ártico reflete parte do calor que vem do sol, além de ser importante na manutenção de correntes oceânicas, e também o lar de quatro milhões de pessoas e uma fauna única. Precisamos preservar esse ecossistema tão importante para a Terra”, afirma Thiago Almeida, da Campanha de Ártico do Greenpeace Brasil. 

    Além de seguir o mandato da Organização das Nações Unidas (ONU), pedindo uma rede global de áreas marinhas protegidas, a comissão tem a oportunidade histórica de estender um tapete vermelho não para uma festa de gala do Oscar, mas sim como limite para que as companhias de petróleo não sigam explorando essa região verdadeiramente sagrada.

    Na próxima semana, os chefes de delegação devem se reunir em Londres, e o Greenpeace estará lá para pedir aos possíveis heróis do Ártico fazerem história, decretando a proteção deste ecossistema vital ao nosso planeta.

    Assine aqui a petição para se juntar a esse movimento que já conta com quase 7 milhões de apoiadores. O Ártico precisa de todos nós assim como nós precisamos dele.

  • Relator da ONU sobre água vem conhecer de perto a crise hídrica em São Paulo

    Postado por Luciano Dantas - 28 - abr - 2015 às 10:59

    Reunião com Leo Heller, que acontece nessa quarta em São Paulo, é aberta à participação da sociedade civil e terá transmissão ao vivo

    A Aliança pela Água, rede formada cerca de 50 entidades entre ONGs, coletivos e movimentos sociais, entre eles o Greenpeace, promove nesta quarta-feira 29, em São Paulo, uma reunião aberta com Leo Heller, engenheiro brasileiro e relator das Nações Unidas para Água e Saneamento.

    O evento é gratuito e tem como principal objetivo promover troca de informações entre o relator e a sociedade civil paulista: Heller poderá esclarecer o papel das Nações Unidas em momentos de escassez de água, e os paulistanos poderão informá-lo sobre os vários aspectos da crise da segurança hídrica no estado. A reunião será transmitida ao vivo via streaming, no site da Aliança Pela Água: http://aguasp.com.br/


    O evento terá transmissão ao vivo pela internet, no site da Aliança Pela Água

    Nomeado relator das Nações Unidas em 2014, Leo Heller é o responsável por organizar missões para locais em que a falta d’água ameace os direitos humanos e por elaborar recomendações para governos e para as diferentes instâncias da ONU.

    Em março deste ano, a Aliança pela Água e a Conectas Direitos Humanos denunciaram, em reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU realizada em Genebra. as graves violações de direitos e os riscos à qualidade da água  que já vêm ocorrendo em diversos pontos da região metropolitana de São Paulo. Leia aqui o pronunciamento na íntegra.

    Reunião aberta com Leo Heller, relator da ONU para água e saneamento
    Local: Sala dos Estudantes – Faculdade de Direito do Largo São Francisco
    Horário: 14h-17h
    Transmissão ao vivo pelo site da Aliança Pela Água: http://aguasp.com.br Leia mais >

  • 23 anos de luta

    Postado por Luciano Dantas - 26 - abr - 2015 às 8:00

    O Greenpeace Brasil completa 23 anos de ação e engajamento por um mundo melhor

    26 de abril de 1992 - há exatos 23 anos o Greenpeace dava as caras pela primeira vez em terras tupiniquins. Foi durante o encontro da ECO-92 que o navio Rainbow Warrior rumou para Angra dos Reis com objetivo de relembrar o trágico acidente na usina nuclear de Chernobyl. Para tanto, 800 cruzes foram fixadas no pátio da usina de Angra, relembrando os seis anos do acidente e marcando a chegada da organização ambientalista ao Brasil.

    O primeiro Rainbow Warrior chega ao Rio de Janeiro para a Eco-92 (©Greenpeace/Steve Morgan)

    Ao longo de mais de duas décadas, o Greenpeace Brasil leva às ruas do País a luta pela proteção da Amazônia - queremos desmatamento zero -, o combate às mudanças climáticas e a construção de um cenário energético cada vez mais limpo, com maior presença de fontes renováveis, como energia solar. Também estamos nas ruas pedindo mais transporte público de qualidade nas grandes cidades e, neste começo de 2015, contra a má gestão da água diante da maior crise hídrica nas nossas metrópoles.

    Origem

    O Greenpeace foi fundado em 1971 por jovens idealistas no Canadá, após o governo dos EUA anunciar que faria testes nucleares nas Ilhas Amchitka. Para impedir tal ato, um grupo de ecologistas, jornalistas e hippies partiu no pequeno barco de pesca Phyllis Cormack,  com uma bandeira tremulando em seu mastro com os dizeres Green e Peace. O ato, pacífico e em prol do planeta, marcou o nascimento da organização e do ativismo ambiental tal qual o conhecemos. Os ativistas não conseguiram sequer chegar a seu destino e muito menos impediram os EUA de detonarem a bomba, mas sua obstinação e coragem despertaram atenção da população para os testes e, após forte pressão popular, as atividades foram suspensas em Amchitka, então declarada santuário ecológico.

    O barco Phyllis Cormack entrando na baía de São Francisco. (©Greenpeace/Rex Weyler)

    Futuro

    Os 23 anos de atividade no Brasil incluem diversas vitórias e nosso compromisso com o meio ambiente e a luta por um mundo mais justo só cresce. Seguiremos trabalhando, contando com seu apoio para que não só nosso país, mas todo o planeta sejam verdadeiramente justos, verdes e sustentáveis. E que nossos filhos e as futuras gerações recebam de nós um planeta saudável. A você, que está conosco nessa luta diária, nosso muito obrigado em nome de todo o  time do Greenpeace Brasil!

    Ativistas do Greenpeace abrem banner com a mensagem "A Falta de água começa aqui" em área recém-desmatada na Amazônia. (© Marizilda Cruppe/Greenpeace) Leia mais >

     
  • Os desastres se acumulam, o governo se abstém

    Postado por Pedro Telles* - 23 - abr - 2015 às 17:18

    quinta-feira, 23 de abril de 2015

    Imagens aéreas mostram destruição causada por tornado em Xanxerê (©divulgação) Leia mais >

     

    O começo da semana foi marcado por um desastre natural com graves consequências na região Sul do Brasil : a cidade de Xanxerê, em Santa Catarina, foi atingida por um tornado que deixou dois mortos, seis mil desabrigados, e destruiu metade da área do município. Além das irreparáveis perdas humanas, os prejuízos cálculados já chegam na casa dos R$50 milhões, e a cidade pode levar um ano para ser reconstruída.

    Infelizmente, o tornado que atingiu Xanxerê não é um fenômeno isolado. Entre 1990 e 2010, 96 milhões de brasileiros foram afetados de alguma forma por desastres naturais, e a frequência destes têm aumentado com o passar dos anos. Diversos fatores contribuem para a intensificação destes eventos, mas há um fator em comum com potencial de agravar o risco de todos eles: mudanças climáticas.

    Enquanto isso, em Brasília, o governo sinalizou que vai ignorar desastres como o de Santa Catarina e descontinuou um importante estudo sobre os impactos previstos para as mudanças climáticas no Brasil. Denominado “Brasil 2040”, o estudo está sob responsabilidade da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência, e tem como objetivo estimar possíveis impactos das mudanças climáticas sobre recursos hídricos, geração de energia, agricultura, saúde e infraestrutura.

    Ou seja, impactos que afetarão a vida de toda sociedade. O novo ministro da SAE, Roberto Mangabeira Unger, indicou que não pretende produzir um relatório final que consolide os resultados e apresente propostas e prioridades para medidas de adaptação a serem adotadas no país.

    Se o estudo for de fato engavetado, o governo indicará que de fato caminha na contramão de urgências óbvias. Do tornado em Xanxerê à grave crise hídrica que afeta o Sudeste, já estamos vivendo fenômenos naturais extremos que retratam com clareza o que podemos esperar se não colocarmos o enfrentamento às mudanças climáticas como prioridade das nossas políticas ambientais, econômicas e sociais.

    Para além das gavetas do ministro Mangabeira, este é um ano-chave para o clima: em dezembro, espera-se que uma nova rodada de negociações na ONU resulte em um ambicioso acordo global pela redução da emissão dos gases de efeito estufa, responsávei pelas mudanças climáticas. Enquanto isso, diversos países desenvolvem e implementam planos para se adaptar à nova realidade de um mundo onde o desafio climático é central. O Brasil tem todas as condições de se tornar uma verdadeira referência no assunto, para além da retórica de diplomatas - mas precisa demonstrar isso na prática.

    *Pedro Telles é da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil

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