Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Greenpeace: 25 anos no Brasil lutando pelo meio ambiente e pela vida

    Postado por Renato Guimarães - 26 - abr - 2017 às 9:10 1 comentário

    No dia 26 de abril de 1992, um pequeno grupo de ativistas fazia a primeira ação da organização no Brasil. Desde lá, os desafios cresceram. E as conquistas também.

    A primeira ação do Greenpeace no Brasil foi contra a energia nuclear, em 1992, na frente da usina de Angra. (Foto: © Steve Morgan/Greenpeace)

    26 de abril de 1992. Em uma manhã nublada de outono, 800 de cruzes brancas são fincadas no chão. Ao fundo, a torre sinistra da Usina Nuclear de Angra e voluntários e ativistas do Greenpeace à frente da primeira ação pública da organização no Brasil. Eles se colocavam contra a usina de energia nuclear e  homenageavam os mortos na tragédia de Chernobyl. Em 1986, os reatores da central nuclear de Chernobyl explodiram, deixando um rastro de destruição.

    Aqueles poucos voluntários e ativistas, que se colocaram contra uma arriscada fonte de energia como a nuclear, se multiplicaram. Hoje, em torno de variadas causas, eles somam 65 mil doadores, quase 3 mil voluntários e mais de 5 milhões de cyberativistas, que nos seguem nas redes sociais. A participação de cada uma dessas pessoas tornou o Greenpeace uma das maiores e mais respeitadas entidades ambientalistas do Brasil.

    Mais importante ainda é o apoio individual, expresso em doação de dinheiro, tempo e inteligência, que garante a principal característica do Greenpeace: sua total independência de interesses políticos ou corporativos. Vale reforçar que não ganhamos nem um tostão de empresas ou governos.

    São 25 anos confrontando desmatadores ilegais da Amazônia, as poderosas indústrias do petróleo e de energia nuclear, produtores de transgênicos, além de projetos de infraestrutura babilônicos que ameaçam o meio ambiente e as comunidades tradicionais.

    Já viu o vídeo que celebra nosso aniversário de 25 anos? Veja aqui e compartilhe com seus amigos e parentes.

    Junte-se a nós

    Em 2001, depois de uma intensa campanha do Greenpeace, o povo indígena Deni conseguiu ter seu território demarcado, protegendo sua comunidade e a floresta da qual dependem para viver. (©Daniel Beltra/ Greenpeace)

    Os recursos doados ao Greenpeace permitem que a organização realize pesquisas e estimule soluções para nosso planeta. Nós apoiamos e estudamos o potencial das energias renováveis, como a solar e eólica e as fontes renováveis para o transporte público e privado. Nós trabalhamos arduamente pela Moratória da Soja, para frear o desmatamento da Amazônia. Fazemos parcerias com comunidades indígenas para proteger a floresta contra o desmatamento ilegal. E, esse ano, mostramos ao mundo pela primeira vez um recife de corais que estava escondido nas águas turvas do mar, onde o Rio Amazonas encontra o mar – e que já está ameaçado pela exploração de petróleo. Esses exemplos são só alguns entre tantas outras lutas e vitórias.

    Junte-se a nós

    Em novembro de 2016, um protesto realizado por lideranças do povo Munduruku em frente ao Palácio da Justiça, em Brasília, cobrou a demarcação da Terra Indígena Sawré Muybu, no rio Tapajós, no Pará. A atividade contou com o apoio do Greenpeace. (Foto: ©Otávio Almeida/Greenpeace)

    Os desafios continuam

    Dois meses depois da ação que estreou o trabalho do Greenpeace no Brasil, recebemos pela primeira vez o Rainbow Warrior (Guerreiro do Arco-íris), navio-símbolo da organização. O veleiro estava aqui para apoiar o trabalho da organização durante a Eco-92 (ou Rio-92) – a primeira grande conferência da ONU sobre meio ambiente, que aconteceu no Rio de Janeiro.

    Quem esteve presente naqueles dias guarda na memória o clima festivo e, ao mesmo tempo, de luta trazido por milhares de representantes da sociedade civil global reunidos no Rio de Janeiro.

    Um momento particularmente emocionante foi quando o Dalai Lama chegou para visitar o Rainbow Warrior. De repente, fez-se um silêncio respeitoso, enquanto o líder religioso cumprimentava a conversava com cada pessoa presente.

    Em março de 2017, mais de 500 pessoas se reuniram na praia de Copacabana e formaram uma imagem de 100 metros de comprimento. A ação fez parte da campanha Defenda os Corais da Amazônia. (Foto: © Rafael Rolim/Spectral Q/ Greenpeace)

    Infelizmente, ao longo destes anos, nem sempre a recepção ao Greenpeace foi tão amistosa. Houve momentos de tensão, especialmente em ações na Amazônia, onde lutamos pela proteção da floresta, agindo contra o desmatamento ilegal, contra projetos de infraestrutura e o avanço da fronteira agrícola. Apesar disso, a organização segue firme com suas ações não-violentas em favor do meio ambiente.

    Hoje, novos desafios se apresentam. O sistema de proteção ambiental brasileiro está sob risco, com diversas medidas de enfraquecimento propostas principalmente pela bancada ruralista no Congresso. Projetos de exploração petrolífera fazem o Brasil caminhar na direção contrária da luta global contra as mudanças climáticas.

    Por isso, os próximos anos serão de luta ainda mais intensa em favor do meio ambiente e da vida. E o apoio de cada pessoa continua sendo tão fundamental como tem sido ao longo desses 25 anos.

    #JuntosSomosGreenpeace!

    Junte-se a nós

    Comemore conosco

    Como parte da celebração deste aniversário, o Rainbow Warrior III está chegando ao Rio de Janeiro. Por alguns dias, nosso navio estará no Píer Mauá, aberto para visitação do público. Quem passar por lá conhecerá nosso navio-símbolo e mais detalhes desses 25 anos de luta. Participe!

    *Renato Guimarães é diretor de Engajamento do Greenpeace Brasil Leia mais >

  • Seminário Socioambiental - O Amapá que Queremos Ver

    Postado por therrero - 25 - abr - 2017 às 14:30 1 comentário

    Nos dias 12 e 13 de maio, organizações da sociedade civil vão se reunir para debater o modelo de desenvolvimento que hoje vigora no Amapá. E conversar sobre um futuro justo aos ecossistemas e ao modo de vida das populações tradicionais

    Garimpo e contaminação por mercúrio, exploração de petróleo em áreas arriscadas, barragens no Rio Araguari e grilagem de terras: esses são alguns dos problemas que o estado do Amapá enfrenta hoje. São frutos e um modelo de desenvolvimento em curso na Amazônia, que é incompatível com a necessidade de manutenção de ecossistemas e do modo de vida de populações tradicionais.

    Diante desse cenário, a sociedade civil se organizou para realizar o primeiro Seminário Socioambiental – O Amapá que Queremos Ver, que acontecerá nos dias 12 e 13 de maio. O objetivo é ser um espaço plural de discussões e de fortalecimento dessa rede de instituições e grupos interessados em pensar: Afinal, que futuro queremos para o Amapá? O Greenpeace é uma das 33 instituições participando da iniciativa.

    Além de mesas de debate, haverá uma mesa com jornalistas e uma agenda cultural, com música e arte. Os detalhes da agenda ainda serão confirmados. Fique de olho!

    Contexto no Amapá

    Apesar de ser um dos menores estados da Amazônia Legal, o Amapá possui uma variedade impressionante de biomas e uma biodiversidade incomparável. Riquezas que vêm sendo colocadas em risco pela reprodução desse sistema ultrapassado – que enxerga na exploração irrestrita e predatória de recursos naturais a única forma de crescimento econômico, ignorando todo o potencial da floresta e seus povos.

    É na costa desse estado que duas empresas internacionais pretendem explorar petróleo. A francesa Total e a britânica BP já compraram o direito de explorar blocos na região e estão esperando o governo brasileiro (no caso, o Ibama) aprovar o início das atividades. Perto de onde elas pretendem perfurar estão os Corais da Amazônia – um ecossistema que só foi visto debaixo d’água pela primeira vez em janeiro deste ano. Se um vazamento de petróleo acontecer ali, existe um risco de que tanto os corais quanto a costa do Amapá sofram efeitos colaterais da contaminação do óleo. Leia mais >

    Grandes obras de infraestrutura, como hidrelétricas e portos, a mineração, além da extração ilegal de madeira, pesca predatória, pecuária extensiva, e a abertura de novas áreas para o cultivo de soja são alguns exemplos de ameaças ao equilíbrio socioambiental na região, responsáveis por mudanças extremas na paisagem e pela escalada de verdadeiros dramas sociais, como o despejo de famílias rurais e violência no campo.

  • Relembre a última passagem do Rainbow Warrior pelo Brasil

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 20 - abr - 2017 às 11:00

    Entre visitas do público e ações de campanhas, nosso país foi uma “prova de fogo” para o barco mais icônico do Greenpeace 

    Na sua rota pelo Brasil, a partida do Rainbow Warrior do Rio de Janeiro em direção a Santos.

     

    Em sua primeira grande expedição, meses após ser lançado ao mar, o Raibow Warrior III veio ao Brasil, passando por diversas cidades do país: Manaus (AM), Santarém (PA), Macapá (AP), Belém (PA), São Luiz (MA), Recife (PE), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ) e Santos (SP). Em cada parada, o barco abriu suas portas para a visitação pública, mas também atuou em prol de diversas campanhas do Greenpeace Brasil.

     

    Na sua passagem pela Amazônia, o Rainbow Warrior apoiou a campanha pelo Desmatamento Zero.

     

    Na Amazônia, além de lançar a campanha do Desmatamento Zero na capital do Amazonas, o navio ainda participou de uma assembleia flutuante, ajudou a denunciar uma madeireira ilegal da região e fez sua primeira ação. O protesto bloqueou o navio Clipper Hope, que estava prestes a fazer um carregamento de ferro gusa, matéria-prima do aço cuja cadeia produtiva envolve desmatamento ilegal, invasão de terras indígenas e trabalho escravo.

    Em São Luiz do Maranhão, o bloqueio ao navio 'Clipper Hope', no Porto de Itaqui.

     

    No Nordeste, o Rainbow Warrior promoveu as energias renováveis, como a solar e contou com grande participação do público, com direito a festa de Maracatu no porto e visitas ilustres, como a de Carlinhos Brown.

    Rainbow Warrior no Recife atraiu milhares de pessoas por dia

     

    Carlinhos Brown na ponte de comando do Rainbow Warrior, em Salvador

     

    Ao chegar à cidade maravilhosa, para a Rio+20, a grande conferência da ONU para o desenvolvimento sustentável, o Rainbow Warrior foi palco de discussões sobre como formar um polo verde de Tecnologia da Informação na capital fluminense e também de protesto de índios Xavantes que há 20 anos aguardam a desocupação de suas terras por fazendeiros.

    A tripulação e ativistas do Greenpeace se unem aos índios Xavante, do Mato Grosso, em ato pela defesa das suas terras, durante a Rio+20

     

    Para quem participou de alguma dessas visitas e está com saudade do nosso Guerreiro do Arco-Íris, o momento de reencontrá-lo é agora. Ele estará no Rio de Janeiro novamente, de portas abertas para recebê-lo entre os dias 29 de abril e 1 de maio; e de 4 a 6 de maio. Confira os detalhes aqui. Leia mais >

  • Rio Doce: impactos da lama no corpo e na alma do povo Krenak

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 19 - abr - 2017 às 14:30

    Estudo realizado pela UFMG mapeia violações aos direitos humanos e impactos no modo de vida sofridos pela comunidade indígena em função do rompimento da barragem da Samarco; o caso será denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos

    Vivendo próximo às margens do Rio Doce, os índios Krenak estão entre os mais prejudicados pela tragédia.

     

    Se agricultores, pescadores e mesmo a população urbana ainda sofrem com a destruição da Bacia do Rio Doce, causada pela mineradora Samarco, quais os danos humanos e para o modo de vida de comunidades que possuíam uma relação até espiritual com o rio? Foi o que os pesquisadores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) procuraram investigar junto ao povo Krenak, que vive às margens do Rio Doce. Embora o estudo não pretenda quantificar as perdas sofridas pela população indígena em função da dificuldade de se mensurar alguns tipos de danos, como valores étnicos e culturais, os pesquisadores mapearam ao menos 14 violações aos direitos humanos.

    No estudo "Direito das populações afetadas pela barragem de Fundão: povo Krenak", realizado pela Clínica de Direitos Humanos da Divisão de Assistência Judiciária da Universidade Federal de Minas Gerais, os pesquisadores apontam tanto violações a direitos relacionados aos impactos socioambientais e econômicos até ao direito à propriedade ancestral dos povos indígenas e o direito à manifestação do sentimento religioso e o próprio direito ao acesso à justiça, que vem sendo negligenciado. Diante disso, a situação dos Krenak será levada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Em audiência já aceita, a ser realizada entre 22 e 26 de maio, em Buenos Aires, na Argentina, o Estado brasileiro será denunciado por sua responsabilidade nessas violações. 

    Pesquisadores da UFMG realizaram três visitas para escutar a comunidade e coletar dados.

    O desastre proferido pela empresa Samarco, que é controlada pela Vale e a australiana BHP Billiton, inviabilizou o uso do Rio Doce pelos Krenak. Conhecidos também por Aimorés, são os últimos Botocudos do Leste, denominação dada pelos portugueses no final do século XVIII aos grupos que usavam botoques auriculares e labiais. Vivem hoje numa reserva de quatro mil hectares, nas margens do Rio Doce entre as cidades de Resplendor e Conselheiro Pena, em Minas Gerais. A comunidade indígena tinha no rio sua principal fonte de água para consumo humano e animal, pesca e, principalmente, seu elemento sagrado. “O Uatú, como é chamado na língua Krenak, é elemento essencial da identidade coletiva do povo, uma forma de elo entre o passado, o presente e o futuro”, aponta o estudo, que é fruto da parceria entre o projeto Rio de Gente e o Greenpeace.

    “Para muita gente era só uma água que corria ali, mas para o meu povo era um borum, era um Krenak, um irmão que tomava conta da nossa saúde, da nossa religião, da nossa cultura. E essa empresa maldita que é a Vale acabou o matando. O que mais me deixa triste é que meu povo, ao longo de muitos anos, vinha alertando a sociedade sobre as maldades que estavam sendo cometidas em nosso rio, o Uatú, mas ninguém nos ouviu”, desabafa Shirley Krenak, uma das lideranças da comunidade.

    A família de Dalva Luisa Viana, do povo indígena Krenak, que perdeu a única fonte de água que tinham disponível e um rio sagrado para sua cultura.

     

    Na realização da pesquisa, foram feitas três visitas à comunidade com objetivo de abrir diálogo, coletar dados e avaliar os danos para além da esfera socioambiental e econômica,  considerando, sobretudo, os prejuízos culturais e espirituais, para que, a partir dos resultados, se busque formas de reparação ou compensação. “Os danos espirituais são irreparáveis, porém temos tentado construir e consolidar a memória coletiva em relação ao rio para que essa espiritualidade possa ser reconstruída a cada dia. O rio está morto, mas os Krenak não aceitam que falem que a cultura ou a língua deles morreram, pois são um povo de resistência, de luta”, diz a coordenadora do estudo, Letícia Soares Peixoto Aleixo.

    Clique na imagem para baixar o estudo:

     

    Influência danosa

    O estudo aponta ainda que até mesmo o acordo emergencial celebrado entre a comunidade Krenak e a Vale para o abastecimento da comunidade com água potável e não potável tem produzido efeitos danosos ao modo de vida coletivo deles, a ponto de a presença cotidiana da empresa no território indígena se tornar uma ameaça à coesão social da comunidade.

    Além da (des)informação levada pela empresa aos atingidos, observa-se uma expansão vertiginosa de cercas na terra indígena. “Alguns membros das comunidades relataram que esse aumento se deveu especialmente às brigas entre vizinhos em razão do acúmulo de lixo e garrafas PET de água mineral vazias. Narraram que na aldeia não passa caminhão [de lixo] e antes não tinha tanto [lixo]. Alguns lamentaram o aumento das cercas, dizendo que antes “não tinha o meu e o seu, tudo era de todo mundo”, escreveram os pesquisadores.

    As garrafas plásticas de água distribuídas pela Samarco têm sido um problema para a aldeia, que não tem coleta de lixo.

     

    Um longa luta distante do fim

    Segundo Letícia, passado um ano da tragédia, as empresas Samarco e suas controladoras Vale e a australiana BHP Billiton não se movimentaram muito, e a justiça é lenta. Por isso, a Clínica de Direitos Humanos também está prestando assistência judiciária e buscando sensibilizar operadores do Direito à causa dessa etnia. “Estamos tentando outras alternativas, como mesas de negociação, acordos paralelos, intervenções em projetos de lei, produção de notas técnicas e até o acionamento de instâncias internacionais, como foi o caso da Comissão Interamericana de Direitos Humanos”, conta Letícia.

    Na Comissão, será entregue uma “Petição Inicial” produzida a partir do estudo, que reúne todas as violações históricas de direitos sofridas pelo povo Krenak. Os problemas da comunidade com a mineração remontam à luta dessa população pela demarcação de suas terras, pois a Vale possui uma linha férrea que cruza as terras indígenas e as separam – a Ferrovia Vitória-Minas. Foi uma luta para que os Krenaks tivessem seu território demarcado, após sofrerem genocídio do colonizador e, posteriormente, agressões físicas e psicológicas na ditadura militar brasileira, passando pela construção da usina hidrelétrica de Aimorés até o rompimento da barragem de Fundão, em 2015. O objetivo é responsabilizar o estado brasileiro por essas violações para que ele, enfim, pressione a Samarco e Vale a repararem o crime que cometeram na Bacia do Rio Doce.

    A ferrovia Vitória-Minas, da Vale, cruza o território dos Krenaks Leia mais >

     

    “Aprendi a nadar com o meu pai, no Rio Doce. Hoje, resta aos meus filhos nadar numa caixa d’água. Mas essa empresa não vai acabar com meu povo não. Conforme o tempo passa, nos tornamos mais resistentes”, diz Shirley Krenak. 

    De acordo com a coordenadora da Campanha de Água do Greenpeace, Fabiana Alves, “o estado de Minas Gerais está tão dependente de mineradoras e omisso nessa situação, que a alternativa é pressioná-lo para não permitir que a ganância pelo lucro continue violando os direitos de povos indígenas”.

    Enquanto isso, no Congresso brasileiro

    Tramitam diversas proposições que objetivam enfraquecer as legislações de proteção ambiental no país. Dentre as mais graves, está a tentativa de flexibilizar o licenciamento ambiental. O interesse não é tornar o processo mais efetivo e responsável, apenas mais rápido.

    Caso a lei seja mudada para pior, como querem nossos deputados e senadores e boa parte do governo, todos nós estaremos expostos a maiores riscos, afetando de forma direta populações mais vulneráveis, como os Krenak, e alimentando a possibilidade de ocorrência de novos desastres ambientais, como foi o da Bacia do Rio Doce. O maior desastre socioambiental brasileiro deixou um rastro de 21 mortos e arrasou com as esperanças e a vida de centenas de famílias.

    Do ponto de vista econômico, o enfraquecimento do licenciamento também poderá trazer efeitos negativos, alimentando conflitos sociais e aumentando o número de contestações legais contra empreendimentos, diminuindo a segurança jurídica para investimentos no país.

  • As causas do Rainbow Warrior III pelo mundo

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 18 - abr - 2017 às 12:00

    Com apenas cinco anos de idade, o mais novo Guerreiro do Arco-Íris mantém o espírito dos seus antepassados: defender o planeta através de seus mares e oceanos. Veja algumas ações que ele já realizou 

    Pela agricultura ecológica

    Em janeiro deste ano o barco esteve pela primeira vez em Cuba com um time de cientistas e agricultores mexicanos para promover um encontro com seus pares cubanos, responsáveis por pesquisar e praticar a agroecologia em grande escala na ilha por mais de duas décadas. Embora Cuba seja conhecida pelo seu sistema de saúde eficiente, poucos sabem que 65% da produção de alimentos da ilha, em pelo menos 25% de suas terras agrícolas, é sem o uso de pesticidas e fertilizantes químicos ou culturas geneticamente modificadas (transgênicos).

     

     

    Unidos pela energia do sol

    Nosso Guerreiro do Arco-Íris é também um grande embaixador do astro-rei, o sol. Em agosto de 2016, ele iniciou em Beirute, no Líbano, um tour pelo Mediterrâneo, passando por vários países até a Turquia para promover a campanha “O Sol nos Une”, que destaca o enorme potencial da energia solar em toda a região árabe. Em cada local, mensagens de apoio da população a mais investimentos nesse tipo de energia limpa a renovável foram recolhidas e entregues aos líderes das negociações climáticas na COP22, no Marrocos.

     

    Pela pesca sustentável

    Esta é uma causa permanente do Rainbow Warrior. Em agosto de 2015 o barco dedicou uma expedição pelo Oceano Pacífico para confrontar a indústria pesqueira e denunciar o comércio imoral de barbatana de tubarão e a prática do transbordo, considerada um buraco negro na cadeia de abastecimento. Grandes navios-mãe suprem os pequenos barcos pesqueiros com provisões e combustível e recolhem suas cargas em compartimentos refrigerados, sobretudo atum, sempre em águas internacionais. Isso permite que fiquem com suas tripulações sendo exploradas meses e até anos em áreas remotas, e longe dos portos e da fiscalização.

     

    Em defesa do clima

    Em 2014, o Rainbow Warrior realizou uma intensa campanha contra os combustíveis fósseis pelo Mediterrâneo.  Em Veneza, na Itália, o barco exibiu uma mensagem "Salve o clima! Não há planeta B", que podia ser vista da Praça San Marco. No Canal da Sicília, semanas depois, ativistas ocuparam a plataforma petrolífera "Prezioso", operada pela companhia italiana ENI, de onde desdobraram uma faixa de 120 metros quadrados, confrontando o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi.

     

     

    Alerta contra a energia nuclear

    Em julho de 2013, o Rainbow Warrior foi até o porto de Busan, na Coreia do Sul, pedir que o governo ampliasse a zona nuclear oficial de evacuação para um raio de 30 km do reator Kori 1, o mais antigo do país. Em março de 2016, foi a vez de protestar contra a Usina de Fukushima, próximo aos cinco anos do desastre muclear.

     

    Agora, o Rainbow Warrior chega ao Rio de Janeiro no fim deste mês para chamar a atenção dos brasileiros para a importância de se defender os Corais da Amazônia, que já são considerados o maior bioma marinho do país. No entanto, também já estão ameaçados pela exploração de petróleo a poucos quilômetros dos recifes.  Leia mais >

  • Conheça a origem do nome Rainbow Warrior

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 17 - abr - 2017 às 8:00

    O barco que chega ao Rio de Janeiro é o terceiro Guerreiro do Arco-Íris, que como um espírito imortal, revive graças à esperança de milhares de pessoas e o seu amor pelo planeta

    O combate à caça de focas foi uma das grandes causas do primeiro Rainbow Warrior

     Durante a primeira viagem dos fundadores do Greenpeace, o jornalista canadense Robert Hunter leu um livro sobre mitos e lendas indígenas. Um trecho impressionou a tripulação: ele narrava a previsão feita 200 anos antes por uma velha índia Cree, da América do Norte, chamada Olhos de Fogo, sobre o futuro do planeta:

    “Um dia a terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos nas correntezas dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência sagrada pela Terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris.”

     Foi assim que, alguns anos depois, o nome Rainbow Warrior (Guerreiro do Arco-Íris, em inglês) foi pintado no casco do primeiro barco do Greenpeace, se tornando sinônimo do ativismo ambiental e de uma defesa incansável por um mundo melhor.

    O primeiro Rainbow Warrior era um velho barco pesqueiro de arrasto inglês, construído em 1955 e adquirido pelo Greenpeace em 1978, para ser usado nas campanhas contra a caça a baleias, focas e golfinhos, além de confrontar testes nucleares nos oceanos. Um atentado com bombas promovido por espiões do governo francês antes de um desses testes o afundou em 1985. Hoje esse velho guerreiro descansa no fundo de uma baía, na Nova Zelândia, cercado pela vida que tanto defendeu – foi transformado em um recife artificial.

    Transformado em recife artificial, há mais de 30 anos o primeiro Rainbow Warrior repousa no fundo do mar, coberto de vida.

     

    O segundo Rainbow Warrior foi adquirido em 1989 com recursos da indenização recebida do governo francês, condenado pelo atentado em um tribunal internacional. Assim como o anterior, o barco pesqueiro de arrasto navegou  por todos os mares do mundo com o Greenpeace por 22 anos, defendendo inúmeras causas pelo planeta. Em 2011, ele foi doado para uma ONG de Bangladesh para ser usado como um navio-hospital.

    O Rainbow Warrior II em sua rota para o Atol de Moruroa para protestar contra os testes nucleares franceses.

     

    Seu espírito, no entanto, nunca esteve tão forte. Ele habita hoje  o terceiro Rainbow Warrior, um jovem guerreiro cheio de energia, construído do zero com doações de mais de 100 mil pessoas ao redor do mundo, e que vem cruzando os oceanos impulsionado pelos ventos graças às suas enormes velas de 50 metros de altura.

    Com quase 6 anos de idade, o Rainbow Warrior III foi criado especialmente para ser um barco de campanha Leia mais >

     É com este guerreiro que você tem um encontro marcado a partir do final deste mês – ele estará no Rio de Janeiro, de portas abertas para recebê-lo e contar um pouco dessas aventuras. Clique aqui para saber mais sobre essa visita.
  • Rainbow Warrior vem para o Rio de Janeiro

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 13 - abr - 2017 às 11:50

    O mais emblemático barco do Greenpeace estará aberto à visitação do público para comemorarmos juntos os nossos 25 anos de atuação no Brasil

     

    Sim, é verdade. Depois de passar pelo Chile e pela Argentina, o nosso Guerreiro do Arco-Íris chega em águas cariocas no dia 27 de abril. Será uma grande oportunidade para conhecê-lo de perto. Ele ficará aberto para a visitação do público, enquanto permanece atracado no Píer Mauá, ao lado do Museu do Amanhã. Sua vinda tem dois motivos bem especiais:

    - O primeiro deles é apoiar a campanha pela defesa dos Corais da Amazônia, que estão sob a ameaça de exploração de petróleo pela companhia francesa Total. Um vazamento de óleo pode ser mortal para a vida do recife, e o navio se juntará à resistência de 1 milhão de pessoas que já se posicionaram contra esse projeto absurdo.

    - O segundo motivo é de muita alegria: celebrar os 25 anos de Greenpeace no Brasil. Em todos esses anos, o Rainbow Warrior navegou por águas brasileiras tanto na nossa costa quanto na Amazônia, se considerarmos também as duas versões anteriores do barco. A última foi também no Rio de Janeiro, durante a Rio+20, em junho de 2012.

    Se você quiser vê-lo de pertinho, entrar na ponte de comando, conhecer nossa tripulação e saber das causas que defendemos, então não perca essa chance!

    PROGRAME-SE:

    A visita ao Rainbow Warrior 3 é gratuita e estará aberta ao público em dois períodos:

    - De 29 de abril a 1 de maio;

    - De 4 a 6 de maio.

     Local: Píer Mauá, próximo ao Museu do Amanhã.

      

     Em breve divulgaremos mais detalhes sobre a visitação, mas para que ela ocorra da melhor forma possível, clique na imagem abaixo e preencha o formulário:

    Leia mais >

  • Somos 1 milhão de defensores dos Corais da Amazônia

    Postado por Thaís Herrero - 13 - abr - 2017 às 11:34

    Pessoas do mundo todo já assinaram a petição para que as petrolíferas Total e BP desistam dos planos de perfurar o fundo do mar perto dos Corais

    Há quatro meses, começamos a campanha Defenda os Corais da Amazônia, fomos até a foz do rio Amazonas e gravamos as primeiras imagens submarinas desse bioma único e especial que temos no Brasil. Ao mostrá-lo ao mundo todo, ficou mais clara a importância de preservar esse tesouro natural brasileiro. E ficou evidente porque temos que protegê-lo dos planos absurdos de empresas que querem explorar petróleo bem próximo dos onde os corais estão.

    Ao longo desse tempo, pessoas do mundo todo se uniram à causa. Hoje, somos mais de 1 milhão de defensores e defensoras dos Corais da Amazônia, espalhados por países como Brasil, França, Inglaterra, Argentina, Bélgica, Holanda e Coreia do Sul. 

    Essas pessoas assinaram a petição e estão pressionando as petrolíferas Total (que é francesa) e a BP (que é britânica) a cancelarem seus planos de perfurar o fundo do mar na foz do Rio Amazonas, em busca por petróleo. A exploração de petróleo irá trazer o risco iminente de um vazamento no mar, que colocará em risco o bem-estar dos Corais da Amazônia e dos animais que vivem ali e dependem desse ecossistema. Um derramamento pode, até mesmo, alcançar a costa do Amapá e impactar quem vive lá.

    O número de defensores e defensoras é grande, mas temos continuar aumentando nosso time! Quanto mais gente apoiando a campanha, mais chances temos de garantir o bem estar dos corais e do nosso oceano! Se você ainda não é um desses 1 milhão, assine já a petição!



    A surfista Maya Gabeira é uma das 1 milhão de pessoas que defendem os Corais da Amazônia! (Foto: Barbara Veiga/Greenpeace) Leia mais >

     Um desafio para os defensores
    Para celebrar esse momento, estamos lançando um desafio! Envie uma foto ou vídeo mostrando o seu apoio aos Corais da Amazônia. Os 3 conteúdos mais criativos ganharão uma camiseta exclusiva da campanha! Curtiu? Poste seu conteúdo com a hashtag #DefendaOsCorais no Facebook, Twitter, Instagram (Importante: Certifique-se que a sua postagem seja pública, caso contrário não conseguiremos ver e escolher sua ideia) ou pelo email .

    Você também estará dando mais visibilidade e força à campanha. Vamos mostrar ao mundo os planos gananciosos da petrolífera britânica BP e da francesa Total, que querem explorar petróleo na região e, com isso, podem colocar em risco os Corais da Amazônia.

  • O Bugio chegou para você defender a causa em que acredita

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 12 - abr - 2017 às 11:16

    A mais nova plataforma de campanhas online do Greenpeace é a oportunidade para aqueles que querem fazer a diferença no mundo a partir do local onde vivem. Suas causas por um meio ambiente mais justo e saudável terão força e ganharão voz com esta ferramenta de mobilização. Conheça agora!

     Clique na imagem acima para acessar O Bugio

    O rugido do bugio não passa indiferente na floresta. O som mais alto emitido por um animal da América Latina é usado para convocar, alertar ou mostrar força ao grupo. Inspirado nele, lançamos a nossa plataforma online para campanhas de indivíduos não conformados que se preocupam com o meio ambiente e a qualidade de vida, sobretudo nas cidades. Com O Bugio, as pessoas poderão amplificar sua voz e mostrar sua força na defesa de uma causa que acreditam ou para lidar com uma questão que precise ser combatida ou resolvida.

    A plataforma é aberta e gratuita. Com poucos passos, qualquer pessoa pode começar uma campanha, a partir da criação de uma petição online. Todos os assuntos serão bem-vindos, desde que não promovam o ódio, violência, bullying ou discriminação. Algumas campanhas poderão receber o suporte do time de Mobilização do Greenpeace para crescer e ganhar as ruas.

    Essa ferramenta está em uso em outros países e já registra várias vitórias. No Brasil, ela já começa com campanhas bem interessantes e de impacto, como o pedido de ciclovias para Belo Horizonte (MG); contra a instalação de um aterro numa área repleta de nascentes em Presidente Prudente (SP); pela proteção da Serra do Curral, importante área natural próxima à Belo Horizonte (MG), contra a poluição de uma fábrica de papel e celulose na cidade de Guaíba (RS), entre outras. 

    O que está esperando para fazer parte desta comunidade de transformadores? A coragem é contagiosa, ao dar o primeiro passo, você inspira outros. Crie sua petição, compartilhe e passe da intenção para a ação. Ao mobilizar pessoas, transformamos o nosso redor para termos um planeta melhor, mais saudável e mais feliz!

    Seja o líder ou o apoiador de uma campanha local e faça uma revolução urbana."

      Leia mais >

  • Rio Doce: águas subterrâneas também estão contaminadas

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 11 - abr - 2017 às 18:20

    Estudo revela que mesmo os poços artesianos estão com níveis de metais pesados na água acima do permitido pelo governo brasileiro; pequenos agricultores são os mais prejudicados

    A várzea do rio Doce é porosa, permitindo o contato da água contaminada com os aquíferos. A escavação de poços em meio à lama também é responsável pela água com altos níveis de ferro e manganês no subsolo

     

    Após o desastre criminoso causado pela mineradora Samarco no Rio Doce, agricultores familiares se socorreram em poços da região para irrigar suas plantações e ter água para beber. O que o estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro revela agora é que, meses depois, além do rio, a água subterrânea também está contaminada por altos níveis de metais pesados, que prejudicam o desenvolvimento das plantações e entram na cadeia alimentar, oferecendo riscos à saúde no longo prazo.

    O estudo "Contaminação por metais pesados na água utilizada por agricultores familiares na Região do Rio Doce", coordenado pelo professor João Paulo Machado Torres, do Instituto de Biofísica da UFRJ, é fruto da parceria entre o projeto Rio de Gente e o Greenpeace. O objetivo foi avaliar se os agricultores ainda têm condições de plantar com água limpa. As margens de rios em Minas Gerais e Espírito Santo sempre foram usadas para a agricultura, onde os produtores coletam a água diretamente do rio. Em casos de desastres como o do Rio Doce, a procura imediata são pelos poços artesianos para manter as plantações. A pesquisa, portanto, é também de segurança alimentar.

    Em Colatina, muitas plantações estão ao lado do Rio Doce, e os produtores continuam usando essa água para irrigação, por falta de alternativa.

     

    Um time de pesquisadores analisou a presença de metais pesados na água em três regiões diferentes da bacia do Rio Doce. As coletas foram feitas em Belo Oriente (MG), com amostras de poços, da água cedida pela prefeitura ou pela Samarco à população, do rio em Cachoeira Escura e nos distritos de Bugre e Naque; em Governador Valadares (MG), foram 16 pontos no distrito de Baguari, além das Ilhas Fortaleza e Pimenta; e Colatina (ES), na parte sul do Rio Doce, a cerca de 427 km de Mariana.

    A realidade encontrada foi de agricultores usando água sem saber que estão com altos níveis de ferro e manganês. Em geral, a mesma para a irrigação é usada também para beber.

    Belo Oriente apresentou 5 pontos de coleta com valores de ferro e manganês acima do permitido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Em Governador Valadares houve 12 pontos e, em Colatina, 10 pontos com os valores acima do permitido. De acordo com o estudo, a água desses locais não é adequada para consumo humano, e em alguns casos, também não se recomenda a irrigação das plantas – situação de alguns pontos de Governador Valadares e Colatina. “Os resultados não são animadores. É preocupante a falta de informação das autoridades em relação a questões fundamentais para a saúde da população”, afirma Fabiana Alves, da Campanha de Água do Greenpeace.

    Pesquisadores coletam amostras da água do Rio Doce em Belo Oriente (MG).

     

    Para saúde, o risco é de acumulação desses metais no organismo ao longo do tempo, considerando as altas doses a que as pessoas estão expostas. O manganês pode causar problemas neurológicos, com sintomas da Síndrome de Parkinson. Já o ferro, em quantidades acima das permitidas, está relacionado a problemas enzimáticos que danificam rins, fígado e o sistema digestivo. “Após o desastre, a lama se transformou numa poeira muito fina, que também pode ser inalada. A absorção pulmonar acaba sendo mais eficiente para o manganês”, diz o pesquisador André Pinheiro de Almeida.

    “O quadro dessa tragédia deixa uma cicatriz. As questões de água e saneamento precisam ser levadas a sério. Será que essas pessoas não se envergonham do que fizeram?”, questiona o coordenador do estudo, João Paulo Machado Torres.

    Agricultura comprometida

    A curto prazo, o grande impacto tem sido na agricultura. Os pesquisadores aplicaram questionários com os pequenos produtores rurais dessas localidades para analisar como seus modos de vida foram atingidos pela lama. Segundo o relatório, “88% dos entrevistados afirmaram terem alterado o tipo de cultivo e/ou criação realizada pela família após o incidente.” A produção, principalmente de peixes e cabras, foi extremamente afetada pelo desastre, sendo que a criação de peixes ou pesca praticamente desapareceram na Bacia. As culturas e produções afetadas necessitam de altas concentrações de água. “O rio foi ferido de morte”, diz Torres.

    A camada de lama destruiu plantações e hoje, seca, continua afetando a vida e a saúde dos pequenos produtores.

     

    O estudo ainda demonstra que antes de romper a barragem, 98% dos entrevistados utilizavam água do Rio Doce para atividade econômicas do dia-a-dia. Após o desastre, apenas 36% continuam utilizando a mesma água. Destes, 87% utilizam a água para irrigação. Quase 60% dos entrevistados considera a água imprópria para uso, o que demonstra as incertezas e falta de informação que ameaça o direito das populações que vivem à beira do rio.

    “É uma água de péssima qualidade, com gosto e cheiro ruins, que inviabiliza o plantio de muitas espécies. Elas morrem logo após as regas ou não se desenvolvem bem”, informa Almeida. Segundo ele, muitos agricultores entrevistados têm passado dificuldades financeiras, quando não abandonaram suas terras, porque não conseguem mais produzir com o solo e a água que têm. Os mais afetados são aqueles localizados nas ilhas da região.

    A água contaminada na irrigação prejudica o desenvolvimento das plantas, afetando a sobrevivência de muitos produtores.

     

    Fica constatado, portanto, que a empresa Samarco e suas controladoras Vale e BHP necessitam arcar de maneira responsável com os estragos feitos. Ainda que a barragem tenha se rompido em novembro de 2015, os danos continuam afetando a população até hoje. Deve haver um esforço conjunto entre municípios e a empresa responsável para monitorar o nível de contaminação da água e a saúde das pessoas que dependem do Rio Doce.

    Afinal, numa tragédia desse tamanho, não é possível imaginar que tudo estará normal em cinco ou dez anos. O metal não vai deixar de ser metal nem sair do rio sozinho. A cada chuva, mais desses contaminantes que estão acumulados nas margens vão parar nas águas.

    “A contaminação por metais pesados pode ter consequências futuras graves para as populações do entorno, que necessitam de suporte e apoio pós-desastre. Isso deve ser arcado pela empresa e monitorado pelo governo brasileiro”, defende Fabiana Alves, da Campanha de Água do Greenpeace Brasil.

    Clique na imagem abaixo para baixar o estudo:

     

    Enquanto isso, no Congresso brasileiro

    Tramitam diversas proposições que objetivam enfraquecer as legislações de proteção ambiental no país. Dentre as mais graves, está a tentativa de flexibilizar o licenciamento ambiental. O interesse não é tornar o processo mais efetivo e responsável, apenas mais rápido.

    Caso a lei seja mudada para pior, como querem nossos deputados e senadores e boa parte do governo, todos nós estaremos expostos a maiores riscos, afetando de forma direta populações mais vulneráveis e alimentando a possibilidade de ocorrência de novos desastres ambientais, como foi o de Mariana (MG), onde a empresa Samarco, formada por Vale e BHP Billiton varreu do mapa cidades e populações e destruiu por completo a Bacia do Rio Doce. O maior desastre socioambiental brasileiro deixou um rastro de 21 mortos e arrasou com as esperanças e a vida de centenas de famílias.

    Do ponto de vista econômico, o enfraquecimento do licenciamento também poderá trazer efeitos negativos, alimentando conflitos sociais e aumentando o número de contestações legais contra empreendimentos, diminuindo a segurança jurídica para investimentos no país.

     

      Leia mais >

31 - 40 de 3045 resultados.