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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Diário de Bordo: Uma espiada nos corais

    Postado por rgerhard - 27 - jan - 2017 às 15:00

    Chegamos ao primeiro lugar do nosso mergulho!

    Esperanza chega ao primeiro local de observação dos Corais da Amazônia. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace

     

    Quando o sol nasceu nesta quinta-feira (26), estávamos exatamente onde o GPS apontava ser a região dos recifes de corais da Amazônia. Foram 270 milhas navegadas, mas valeu a pena cada um dos incontáveis balanços sobre as ondas do Atlântico. O entusiasmo pela proximidade desse bioma ainda pouco conhecido contagiava um a um. 

    O mar estava calmo e muito claro. Eram as condições ideais para colocar o submarino debaixo d’água. Foi bem aqui onde os cientistas, em 2014, coletaram os primeiros exemplares desse ecossistema. Ou seja, estamos a 60 metros acima dos corais.

    Mas antes de colocar o submarino na água, decidimos usar uma câmera submarina para confirmar o que estava realmente abaixo de nós. Assim, marcaríamos os pontos ideais para o submarino. Foi um momento e tanto! Com uma câmera subaquática, sem uma resolução tão alta, pudemos ver em tempo real, por um monitor, as formações recifais a 50 metros de profundidade! Eles estavam ali!

    Marinheiro do Greenpeace recolhe uma câmera submarina. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace

     

    Em uma rápida visualização, os cientistas confirmaram a presença de muitas esponjas e rodolitos (algas calcárias), além de pelo menos sete espécies de peixes que os especialistas não sabiam que viviam ali. Entre eles, alguns peixes herbívoros. “Isso indica que ali existem algas, ou seja, a luz do sol consegue penetrar apesar da influência da água doce do Rio Amazonas. Essas algas são bem similares à flora de recifes rasos”, nos contou Ronaldo Francini Filho, biólogo da Universidade Federal da Paraíba.

    Cientistas observam imagens de uma câmera submarina em tempo real. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace

     

    Por uma segunda vez, descemos a camera, desta vez à noite, e um pouco mais fundo, a 80 metros. Novamente, muitas esponjas e rodolitos foram avistados, mas havia também alguns corais negros, uma espécie em forma de filamentos, de áreas de pouca luz, em regiões com mais de 40 metros de profundidade.

    O dia acabou tarde, mas a expectativa com o dia seguinte, nosso momento tão esperado, superou qualquer cansaço. Finalmente mergulharemos com o submarino para ver de pertinho e registrar imagens melhores desse tesouro natural.

    No entanto, esses pequenos vislumbres do dia bastaram para reforçar no time do Greenpeace a certeza da nossa luta, o porquê de estarmos aqui: defender um novo bioma que já está ameaçado. Não podemos permitir que nenhuma empresa inicie a exploração de petróleo nessa região e ponha todo esse capricho da natureza em risco por causa de um vazamento de óleo.

    Continue conosco nessa aventura e assine a petição para pressionar a Total e BP a desistir dos seus planos de buscar petróleo na região. 

    ASSINE A PETIÇÃO  

    Fim de um belo e produtivo dia em meio ao Atlântico. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace.

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    Thais Herrero é jornalista do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza

  • Diário de Bordo: o show dos golfinhos

    Postado por rgerhard - 26 - jan - 2017 às 13:45 1 comentário

    Apesar do tempo fechado e um dia repleto de reuniões, fomos premiados com uma companhia especial no fim da tarde

      

    Após um dia de navegação, deixamos a água mais barrenta para atingir o oceano azul, ainda que sob influência do Rio Amazonas. Com isso, passamos a enfrentar ondas mais fortes que acordaram muitos de nós antes das 6h da manhã. Muita chuva no lado de fora das escotilhas e um balanço no navio que fez todos tomarem remédio para enjoo.

    Como teríamos o dia todo de navegação pela frente, aproveitamos para fazer reuniões de alinhamento dos próximos passos. Alguns dos cientistas fizeram o treinamento para usar o submarino. Nele cabem apenas duas pessoas, o piloto e o passageiro, que atua como co-piloto, daí as muitas responsabilidades no mergulho.

    Um dos pilotos presentes é John Hocevar, diretor da campanha de Oceanos do Greenpeace Estados Unidos. Ele já pilotou submarinos outras vezes. A primeira foi no Barrien Sea, perto do Alasca, e a segunda no Golfo do México, após o desastre da BP com a plataforma Deep Horizon, em 2011, que derramou petróleo por uma extensão enorme. Naquela ocasião, o submarino foi usado para avaliar o estrago causado pelo óleo em recifes de corais profundos.

    A viagem aos Corais da Amazônia é uma jornada bem diferente para ele. “Não sabemos bem como são os organismos ali. É muito animador isso, Tenho a expectativa de que encontremos espécies únicas aqui. E mostrar isso ao Brasil vai ser muito importante”, afirma.

    Ele aponta para o fato de sabermos mais sobre a superfície da Lua do que sobre as profundezas do nosso oceano. “Quando falamos de oceanos, as pessoas pensam nas praias ou na superfície do mar. Mas podemos mudar o nosso modo de pensar. Ao ver os Corais da Amazônia, acho que muitas pessoas se questionarão se essa região deve ser perfurada ou não para a retirada do petróleo”, afirma.

    O fim do dia nos trouxe um presente: as belas imagens acima proporcionadas por um grupo de golfinhos que nadou por muito tempo ao lado do navio. Segundo um dos cientistas, eles são atraídos pelas ondas que o navio faz, e ficam por perto para brincar entre eles com as marolas.

    ASSINE A PETIÇÃO  

    Thais Herrero é jornalista do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza Leia mais >

  • Diário de bordo: Partimos!

    Postado por rgerhard - 25 - jan - 2017 às 14:34

    Estamos há 24 horas navegando e já em mar aberto, que se encontra bem agitado enquanto escrevo este texto. Alcançamos até 9,5 nós de velocidade, algo em torno de 18 km/h. É o suficiente para deixar tudo balançando à nossa frente

      

    A tripulação trabalhou desde a manhã de segunda-feira, 23 de janeiro, para deixar tudo pronto para o grande momento da partida. Máquinas ajustadas, paredes recém-pintadas, painéis elétricos checados e a cozinha abastecida. O Esperanza estava pronto na manhã de terça-feira, 24. Às 10h45, os motores foram ligados e zarpamos do porto de Santana, no Amapá.

    A bordo do Esperanza navegam 20 tripulantes e outras 19 pessoas, entre a equipe do Greenpeace, jornalistas e cientistas. Nosso objetivo é claro: chegar até a região onde estão os recifes de corais da Amazônia, cerca de 110 km da costa. Ali, vamos tentar fazer as primeiras imagens dos recifes debaixo d’água e tentar observar como vivem seres praticamente desconhecidos.

    ASSINE A PETIÇÃO  

    O dia estava chuvoso, como é típico da temporada úmida na Amazônia. Mas tão logo o navio se distanciou do porto, a chuva foi diminuindo e um sol tímido iluminou nosso caminho sobre as águas do Rio Amazonas. Um sinal de boa vontade para a nossa aventura, que está apenas começando. 

    “Estou muito feliz de estar no Brasil, e ajudando essa campanha com o Esperanza”, comenta o nosso experiente capitão Joel Stewart, há 28 anos conosco no Greenpeace. Ele é acompanhado no mesmo entusiasmo pelos cientistas, que também não escondem a ansiedade.

    “Sair com o navio hoje foi inspirador, diria até rejuvenecedor”, afirma o professor do Laboratorio de Microbiologia da UFRJ, Fabiano Thompson. Para Ronaldo Francini Filho, biólogo da Universidade Federal da Paraíba, “é como um sonho se tornando realidade”. Afinal, todo mundo que trabalha com os oceanos um dia já sonhou em mergulhar em um submarino.

    E isso está prestes a acontecer, com uma dose extra de emoção e encantamento: ver pela primeira vez os corais recém-descobertos. Continue conosco. Em breve, contaremos mais sobre essa jornada e quem faz parte dela.

    Equipe do Greenpeace a bordo do Esperanza Foto: Marizilda Cruppe / Greenpeace

     

    Thais Herrero é jornalista, do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza Leia mais >

  • Brasileiros querem gerar a própria energia

    Postado por rgerhard - 4 - jan - 2017 às 14:30 3 comentários

    Pesquisa Datafolha mostra que, a despeito da resistência das distribuidoras elétricas, estamos mais conscientes dos benefícios da autogeração de energia; próximo passo é facilitar o acesso

     

    Instalação de placas solares em escola de Uberlândia Foto: Otávio Almeida/Greenpeace

     

    Num país que fechou o segundo ano em recessão e iniciou 2017 com 12 milhões de desempregados, todo mundo quer e precisa economizar. Pode ser no supermercado, no transporte e, porque não, na conta de luz.

    A energia elétrica teve papel protagonista em várias manchetes em 2015: praticamente todo mês um aumento novo era anunciado, totalizando mais de 50% na média nacional e 80% em algumas regiões. Ela perdeu um pouco o brilho em 2016, e parece cedo para dizer o que será deste ano, apesar de já estarmos em janeiro.

    É por isso que, quando recebemos o resultado da pesquisa sobre micro e minigeração de energia encomendada ao Datafolha, não nos surpreendeu o dado de que para 48% da população economizar na conta de luz é a principal motivação para gerar sua própria energia, por meio de placas solares, por exemplo.

    O segundo lugar, no entanto, foi sim surpreendente: 17% das pessoas se veem mais motivadas pela possibilidade de se tornarem independentes das distribuidoras de energia. No resultado regional, esse número sobe para 25% no Norte e Centro-Oeste.

    Verdade seja dita, a independência da distribuidora de energia é, na maioria das vezes, simbólica, mas ainda assim poderosa. O consumidor pode escolher acoplar baterias ao seu sistema - que podem, de forma prática, torná-lo completamente independente da distribuidora de energia -, ou não, caso em que precisará utilizar a própria rede elétrica como bateria, consumindo dela à noite, por exemplo.

    A curiosidade fica em saber se há um efeito de ação-reação nessa resposta ou não. Será que esses 17% sabem que algumas dessas distribuidoras estão, hoje, entre as mais resistentes à autogeração de energia? Essa oposição vem das mais diversas formas: ao querer impor aos clientes uma nova forma de tarifa pela qual é cobrado, separadamente, tanto a eletricidade consumida como a utilização da rede de distribuição; no recorrente descumprimento dos prazos e na exigência muitas vezes abusiva de documentações para que haja a conexão das placas solares ou das torres eólicas à rede elétrica.

    Se a oposição é forte, maior é o potencial de crescimento da micro e minigeração. Hoje são mais de 6.000 sistemas conectados à rede elétrica, um crescimento de mais de 300% se comparado ao mesmo período do ano passado. E a Agência Nacional de Energia Elétrica já deu a letra: até 2024 o Brasil pode ter mais de 1,2 milhão de sistemas. Com 80% da população já sabendo da possibilidade de gerar sua própria energia, só falta mesmo facilitar seu acesso, afinal 72% disseram que fariam a aquisição do sistema de autogeração se houvessem linhas de crédito com juros baixos e 50% estaria disposta a usar seu FGTS.

    Em qualquer das hipóteses, contudo, gerar sua própria energia é um ato de independência e empoderamento. Representa fortalecer os pequenos e médios negócios e devolver ao cidadão o poder de escolher de onde ele quer que sua eletricidade venha, deixando claro que não é de grandes empreendimentos que muitas vezes ferem direitos humanos e princípios éticos que tanto precisamos ver fortalecidos. Leia mais >

    Voluntários do Greenpeace Brasil promovem a energia solar em São Paulo Foto: Marina Yamaoka/Greenpeace

     
  • Conheça nossas vitórias em 2016

    Postado por fesouza - 21 - dez - 2016 às 16:20

     Em 2016 o Greenpeace lutou por diversas causas. Nossas conquistas só são possíveis graças a milhões de pessoas, como você, que fazem a diferença para mudarmos o nosso mundo para melhor.Conheça algumas das nossas vitórias abaixo.

    Começamos o ano com sucesso na campanha Carne ao Molho Madeira, em que três grandes redes de supermercado do Brasil se comprometeram a não comprar carne contaminada com o desmatamento da Amazônia.

    Conseguimos cancelar o projeto da hidrelétrica de São Luiz de Tapajós, no coração da Amazônia, que ameaça a biodiversidade e o modo de vida dos povos tradicionais que vivem na região. Lançamos ainda o relatório [Revolução Energética], que mostra que é possível o Brasil ter 100% de energia renovável até 2050, aproveitando o sol e o vento na geração de energia limpa. Por isso, continuamos incentivando a adoção de energia fotovoltaica por todo o País.

    Outro sucesso deste ano foi a criação da campanha de Agricultura e Alimentação, para questionar o modelo agrícola praticado no Brasil: as sementes transgênicas, os agrotóxicos, a expansão da agropecuária sobre a Amazônia e os impactos climáticos da nossa produção. Com isso, alcançamos a aprovação da Lei 6670/2016, que visa diminuir a quantidade de agrotóxicos nos nossos alimentos.

    Foi em 2016 também que dissemos NÃO ao uso do carvão e conseguimos o veto ao artigo 20 da Medida Provisória 735, que ofereceria US$5 bilhões em novos subsídios à geração de energia com carvão mineral.

    Para relembrar um ano do maior desastre ambiental do país, em que muito pouco foi feito para reparar os danos da lama de rejeitos da Samarco em toda a bacia do Rio Doce, escrevemos "Justiça" em letras de oito metros de altura nos destroços do povoado de Bento Rodrigues. Também buscamos proteger 51 espécies de baleias e golfinhos da caça comercial, ao defender a criação de Santuário das Baleias do Atlântico Sul, que contou com uma petição de quase um milhão de assinaturas de vários países. A iniciativa não foi aceita, mas continuaremos insistindo.

    Alcançamos mais de 5 milhões de pessoas em nossas redes sociais, e conseguimos formar mais dois grupos de voluntários, um no Maranhão e outro no Rio Grande do Sul.

    Neste ano bastante intenso, jamais esqueceremos do quão importante foi a sua ajuda para nós. Por isso queremos agradecer a todos que estiveram ao nosso lado fazendo tudo isso acontecer. Seja um doador do Greenpeace e colabore para um 2017 cheio de novas conquistas! Leia mais >

    Junte-se a nós

  • Economia que faz o bem

    Postado por rgerhard - 14 - dez - 2016 às 16:20 1 comentário

    Duas entidades beneficentes receberam placas solares e, com o dinheiro economizado na conta de luz, poderão ajudar mais quem precisa de cuidados

    Foto: Daniel Kfouri/Greenpeace

     

    Na mão marcada pelo tempo de uma vida, passado, presente e futuro se encontram. Na foto acima, um dos velhinhos da Casa Santa Gemma, que abriga moradores de rua em Uberlândia (MG), segura pela primeira vez uma célula fotovoltaica. A instituição foi uma das que recebeu sete placas solares com o apoio do Greenpeace Brasil. A outra foi o Abrigo Paulo de Tarso, em Nazaré, no interior da Bahia, onde foram instaladas mais 20 placas.

    Este é o resultado inicial da campanha de financiamento coletivo que lançamos em março, “Traga o Sol a quem precisa”, para que as duas sedes de acolhimento pudessem se beneficiar da energia elétrica solar. “Com a participação de 608 pessoas, foi possível arrecadar cerca de R$ 40 mil, que ajudaram o projeto a se tornar realidade”, pontua Bárbara Rubim, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

    A instalação das placas foi feita no final de outubro, na Casa Santa Gemma e, em meados de novembro, no Abrigo Paulo de Tarso, por uma empresa especializada contratada pelo Greenpeace.

    A projeção é de que a redução no consumo de energia elétrica da concessionária local seja de 70% para a casa de atendimento aos moradores de rua mineira enquanto o abrigo para idosos baiano deverá cortar pela metade a sua conta de luz, graças às placas solares.

    “Com a economia obtida na conta de luz, as duas entidades poderão tanto cobrir parte de suas despesas fixas, como medicamentos, como investir na ampliação dos seus sistemas fotovoltaicos no futuro, alcançando, assim, autonomia total na geração de energia elétrica. Nosso objetivo é continuar dando-lhes apoio neste processo até a sua conclusão”, conta Bárbara.

    Menos risco no futuro

    Mais que economizar recursos, ao instalar as placas solares as entidades beneficentes dão sua contribuição para amenizar os problemas socioambientais que poderão vir com o aquecimento global e suas consequências, como mostramos nesse estudo. Aliás, os mais vulneráveis também são os mais afetados.

    Como a mudança do clima tem afetado bastante o regime de chuvas, o Brasil deve se preocupar seriamente em diversificar suas fontes de geração de energia elétrica para não ficar dependente apenas da água, pois os reservatórios têm registrados níveis baixos. E conforme as hidrelétricas reduzem sua produção por falta d’água, o Sistema Nacional Integrado (SNI) aciona as termelétricas movidas a gás natural ou óleo diesel, que emitem mais dióxido de carbono, agravando ainda mais o problema do clima.

    Nesse contexto, o terceiro setor e a sociedade civil devem fazer a energia solar chegar de vez em todos os locais: nas casas das pessoas, nas escolas, nos prédios públicos, nas empresas, e não só por meio do financiamento coletivo. “É um trabalho importante a ser feito por todos: precisamos que o governo federal crie incentivos para se investir mais e mais em energias renováveis e limpas e termos um mercado que caminhe com suas próprias pernas”, diz Bárbara. Os velhinhos, e todos nós, apoiamos e agradecemos.

    Greenpeace instala placas fotovoltaicas na entidade beneficente Casa Santa Gemma, em Uberlândia (MG). O sistema de placas contribuirá para a economia na conta de energia elétrica, possibilitando que os voluntários da entidade revertam mais verba para assistência dos moradores. Foto: Daniel Kfouri/Greenpeace Leia mais >

     

  • Mais de 20% de todos os agrotóxicos usados no Brasil são ilegais

    Postado por Alan Azevedo - 25 - nov - 2016 às 13:43

    É isso mesmo. O dado alarmante foi revelado por Fernando Figueiredo, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) e convidado a compor a mesa de debate de audiência pública da Comissão de Reforma Agrária do Senado desta quinta-feira (24).

    O tema da audiência era contrabando e falsificação de agrotóxicos e seus impactos na economia. Possíveis embargos internacionais às exportações brasileiras e perdas de arrecadação tributárias avaliadas em um milhão de dólares no último ano preocupam. Mas nada se compara ao risco que a sociedade corre ao estar sujeita a esses agrotóxicos ilegais.

    Questionada se existe uma análise capaz de dizer os riscos à saúde causados por essas substâncias piratas, Sílvia Fagnani, diretora-executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (SINDIVEG), respondeu: “Não é possível afirmar os riscos ou o que tem dentro desses produtos contrabandeados”. E afirmou que se fossem feitos por uma empresa, ela seria a terceira ou quarta maior do mercado nacional.

    Resumindo: além de representar um grande risco econômico, trata-se de um grave problema de saúde pública. Brasileiros e brasileiras estão consumindo alimentos com substâncias químicas que nem especialistas no tema sabem o que é ou o que pode ser.

    A questão do risco alimentar vem forte dentro dessa discussão. Durante debate nesta quarta-feira (23) da Comissão Especial do Projeto de Lei 6299/2002, que visa enfraquecer a legislação de agrotóxicos com o objetivo de facilitar seu uso e liberação, Eloísa Dutra Caldas, coordenadora do Laboratório de Toxicologia da Universidade de Brasília, lembrou que o Brasil não tem um órgão público voltado à avaliação de riscos de substâncias químicas legais usadas nas lavouras. “Meu sonho é que o Brasil tenha uma agência avaliadora de riscos”, disse ela.

    Para os agrotóxicos regulamentados existe o Limite Máximo de Resíduos (LMR), que estipula por lei a quantidade permitida de resíduo de um pesticida específico no alimento. No entanto, não é um indicador de saúde, e sim puramente agronômico, não levando em conta o uso cruzado de diferentes substâncias. Por sua vez, o índice de Ingestão Diária Máxima (IDM), além de obter seus resultados por meio de testes em ratos e não em seres humanos, não considera o consumo cumulativo de pesticidas ao longo da vida de uma pessoa.

    Se o uso legal e licenciado de agrotóxicos já apresenta brechas em suas análises, imagine então produtos contrabandeados ou até falsificados, que são produzidos pelos próprios traficantes em fazendas ilegais. E pensar que estes compõem mais de 20% de todos os insumos químicos aplicados nas lavouras brasileiras é assustador.

    Segundo pesquisa IBOPE encomendada pelo Greenpeace, 81% da população brasileira considera que a quantidade de agrotóxicos aplicados nas lavouras é “alta” ou “muito alta”. As pessoas não querem mais comer comida com pesticidas – ainda mais sabendo que parte significativa deles é ilegal e sem qualquer controle. Ao invés de tentar flexibilizar, é preciso endurecer a legislação de agrotóxicos e caminhar para a redução gradual de seu uso até se ver livre da aplicação de químicos nos campos. Por isso, o Greenpeace e outras organizações da sociedade civil apresentaram no início de novembro ao Congresso o Programa Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos (PNARA) em forma de sugestão de Projeto de Lei.

    Agricultura da conciliação?

    Os últimos dias no Congresso Nacional mostram que o debate sobre o modelo de produção de alimentos do país está se tornando questão cada vez mais relevante para a sociedade civil, que quer consumir comida sem agrotóxicos. Com o espaço que sistemas alternativos de produção vêm tomando e as críticas crescentes da sociedade sobre o uso de pesticidas, o agronegócio se coloca na defensiva e passa a adotar um discurso mais brando no lugar da radicalização de costume.

    Durante audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (22), Rodrigo Justus, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em tom conciliador, sugeriu que o Fundo Amazônia, além de servir para “caçar desmatador”, também deveria investir em pesquisas de diferentes modelos de produção sem uso de agrotóxicos, como o sistema agroflorestal ou agroecológico. “Estamos abertos a novos modelos”, afirmou.

    Audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, dia 22 de novembro (© Alan Azevedo / Greenpeace)

    Fernando Rebelo, do IBAMA, defendeu que a intenção de quem incentiva a produção ecológica não é de acabar com o modelo convencional. “Não queremos quebrar o agronegócio. Se um executivo da Coca-Cola, há 30 anos, dissesse que a empresa precisaria produzir suco, ele ia ser mandado embora. Hoje, o suco e a água mineral vão salvar a Coca-Cola”.

    A analogia cai como uma luva sobre o agronegócio. Em alguns anos, quando a vontade da maioria for contra consumir produtos químicos em seus alimentos, o setor que movimenta cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) pode de fato quebrar caso não se adapte à demanda nacional e internacional. Vale lembrar que o Brasil utiliza muitos agrotóxicos proibidos na União Europeia e em diferentes países como China, Estados Unidos e Índia, o que limitará cada vez mais as exportações de grãos e também de carne, uma vez que a alimentação animal se dá por meio da soja e do milho quimicamente tratados.

    “Ver o setor do agronegócio tomando a defensiva frente a uma disputa que está perdendo é um bom sinal para nós. Se quiserem conciliar interesses por uma agricultura responsável, sustentável e que não ofereça riscos à saúde humana, muito que bem. Mas no fundo as ideias são inconciliáveis. O que queremos mesmo é o fim do uso dos agrotóxicos”, defende Rafael Cruz, da Campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace Brasil. Leia mais >

  • Durante a COP22, pessoas foram às ruas apoiar fontes de energia limpas, como a solar e a eólica. A marcha foi organizada pelo MCoalition for Climate Justice. (Foto: ©Jeremy Sutton-Hibbert/ Greenpeace)

    A 22a Conferência do Clima da ONU, que se deu em Marrakesh, acabou nesta sexta-feira (18/11) cumprindo a importante missão de manter vivo o espírito do Acordo de Paris. E entregou o básico do que era esperado em termos de decisões formais. Passou o recado de que governos e a sociedade civil de todo o mundo seguirão adiante enfrentando as mudanças climáticas, e deu alguns passos importantes apesar de não superar expectativas.

    A grande pergunta que assombrou a conferência foi sobre o futuro deste processo, e da ação climática como um todo, com a eleição de Donald Trump para presidente dos Estados Unidos. Trump, que nega a ciência do clima e já ameaçou abandonar o Acordo de Paris, é evidentemente uma pedra no caminho.

    Pouco após o abalo inicial da notícia, porém, muitos governos – apoiados por fortes chamados de ONGs, movimentos e até empresas mais comprometidas com o clima – passaram a destacar que seguirão adiante. Um número expressivo deles inclusive aumentou o nível de seus compromissos.

    Vale citar os 48 países do Climate Vulnerable Forum que se comprometeram com a meta de 100% de energias renováveis, e a Marrakech Action Proclamation, que não traz novidades mas reforça o compromisso político. A situação dos EUA sem dúvidas é bem desafiadora, mas este não é um tema em que este país dá as cartas sozinho. Outros pesos-pesados (como a China) seguirão ativos e anunciaram que não aceitarão retrocessos.

    No que diz respeito às negociações em si, esta COP tinha como objetivo começar a construção de medidas para a implementação do Acordo de Paris, detalhando como acontecerá na prática aquilo a que o acordo promete (lembrando que o primeiro ciclo de compromissos do acordo começa a valer em 2020). É mais ou menos como o processo de regulamentação de uma lei depois que ela é aprovada. 

    Um dos pontos-chave era a definição da data em que todas as medidas devem estar definidas. Felizmente foi batido o martelo de 2018, apesar de alguns países inicialmente terem preferido um prazo mais longo ou flexível. Outro ponto importante era o de construir condições para que uma revisão do progresso marcada também para 2018 seja usada para estimular governos a elevar a ambição de seus compromissos nacionais. O chamado para isso se fortaleceu bastante, mas o tema segue em aberto nas negociações em si. Um terceiro tema de destaque é o de apoio financeiro a países em desenvolvimento, e esse infelizmente segue avançando lentamente, com promessas significativas mas praticamente nenhum avanço concreto com relação a como torná-las realidade.

    Sobre o papel do Brasil, houve atitudes louváveis e outras detestáveis. Por um lado, a COP e o que fizemos aqui foi importante para garantir o veto a novos subsídios a carvão que nosso Congresso havia aprovado em outubro. Esse veto ter acontecido durante a COP contribuiu para fortalecer a mensagem de que o mundo segue adiante no combate às mudanças climáticas. 

    Também vimos a volta do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, agora coordenado por Alfredo Sirkis com o apoio de Natalie Unterstell, que promoveram suas duas primeiras reuniões com a sociedade civil brasileira durante a conferência. E vimos a Moratória da Soja brasileira ser elogiada como grande exemplo de iniciativa de proteção às florestas em diversos eventos paralelos.

    Por outro lado, o Ministro da Agricultura Blairo Maggi falou barbaridades em vários momentos – incluindo uma ironia com assassinatos de ambientalistas e insistentes indicações de que não pretende agir mais com relação ao clima. O governo não divulgou os novos dados de desmatamento do PRODES, que geralmente saem antes da COP. E eles devem apontar para um aumento do problema.

    Houve também intensos debates entre organizações e movimentos brasileiros em torno da falsa solução dos offsets, por meio da qual tenta-se compensar (e não reduzir) emissões via proteção de florestas – um tema cheio de armadilhas que voltou à tona em tempos recentes. Nosso time de negociadores manteve a postura balanceada pela qual é conhecido, defendendo alguns pontos importantes mesmo sem se destacar tanto quanto ano passado, na COP de Paris – o que de qualquer forma não era muito favorecido pelo contexto e pauta de Marrakesh.

    Seguimos adiante. O desafio certamente aumenta com Trump na presidência dos EUA, mas a esperança felizmente segue firme. No Brasil e no mundo, mais do que nunca precisamos elevar a ambição com compromissos claros rumo a 100% de energias renováveis e desmatamento zero em nossas florestas.

    *Pedro Telles é da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. Leia mais >

  • Dossiê produzido pelo Greenpeace mostra que é possível zerar as emissões de carbono e poluentes da frota de ônibus de São Paulo sem impactar a tarifa ao usuário e com benefícios para o clima, a saúde e a economia da cidade

    Na cidade de São Paulo, quase metade da fuligem que polui o ar é gerada pelos ônibus do transporte público Foto: Rafael Neddermeyer/ Públicas

     

    Usar combustíveis limpos e renováveis na frota de ônibus da cidade de São Paulo é obrigatório desde 2009 por meio da Política Municipal de Clima. Essa medida, no entanto, sempre foi negligenciada sob o argumento da inviabilidade técnica e financeira. O Greenpeace elaborou um dossiê que demonstra o oposto: além de viável – e mais eficiente que o veículo movidos a biocombustíveis –, a adoção dos ônibus elétricos em toda a frota é indutora de benefícios para a saúde, para a economia e para o clima. E sem pesar no bolso do usuário.

    A publicação Dossiê Ônibus Limpo: Benefícios de uma transição para combustíveis renováveis na frota de São Paulo foi produzida em agosto de 2016 a partir de levantamento de dados operacionais do sistema de transporte da capital, os custos de manutenção e das fontes disponíveis, de testes realizados por fabricantes de veículos em outras cidades, e de pesquisas em saúde ambiental.

    “Queremos elevar a discussão técnica e cobrar que a nova licitação de ônibus da Prefeitura de São Paulo incorpore a adoção gradativa de combustíveis limpos, como exige a Lei Municipal do Clima, que determina a transição completa até 2018”, diz Bárbara Rubim, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

    A publicação também é uma forma trazer mais informações independentes para que a sociedade cobre por mudanças no setor. Afinal, quem não gostaria de um sistema de transporte público mais silencioso, moderno, sem aquela fumaça preta tóxica que mata cerca de 4.700 pessoas por ano na região metropolitana e contribui com o aquecimento global? Cerca de 47% do material particulado (fuligem) e 13% das emissões de CO2 que poluem o ar da capital paulistana são gerados pelos ônibus a diesel. Com emissão zero de os ônibus elétricos podem tornar essa realidade possível.

    Alguns dados do dossiê:

    - No caso dos ônibus elétricos puros, testes têm demonstrado que o custo de manutenção pode ser 25% menor e a economia com combustível pode chegar a 64,7% em comparação com os convencionais a diesel;

    - O leasing de baterias é uma alternativa para reduzir drasticamente o custo dos ônibus elétricos, aproximando-o do valor do veículo a diesel;

    - Por meio da tecnologia V2G (Vehicle to Grid), os ônibus não são apenas consumidores de energia, mas parte do sistema elétrico. Eles podem incorporar as fontes eólica e solar, servir de backup e fornecer energia à rede, tornando todo o sistema mais eficiente;

    - A redução na queima do diesel convencional poupa vidas e recursos: em dez anos, uma redução de 20% poderia evitar mais de 7 mil mortes e os cofres públicos economizariam R$ 53 milhões em gastos de saúde decorrentes de problemas cardiorrespiratórios.

    Faça aqui o download  

    Elétricos ou biocombustíveis?

    Na Conferência do Clima da ONU, no Marrocos, a participação do setor de transporte no combate às mudanças do clima foi um dos temas debatidos. No Brasil, ele é responsável por cerca de 46% das emissões relacionadas à queima de combustíves fósseis, mas é o setor que tem recebido menos atenção em relação aos usos de energia, na avaliação do ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho.

    Nesta quarta-feira (16), o governo brasileiro lançou, em parceria com outros 19 países, uma iniciativa de promoção dos biocombustíveis, sobretudo etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel de soja, como a solução para reduzir as emissões do setor. "Precisamos urgentemente encontrar soluções de curto e médio prazo para emissões de transportes e implantar todas as medidas sustentáveis que pudermos dispor", afirmou o ministro.

    Embora os biocombustíveis sejam uma tecnologia mais limpa comparada ao diesel, para um corte mais agressivo de emissões no setor de transporte, especialmente de passageiros nos centros urbanos, o mundo ruma rapidamente em direção aos veículos elétricos, e uma metrópole como São Paulo deve estar na vanguarda desse movimento”, afirma Bárbara Rubim, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

    Em função disso, para a frota de ônibus coletivo nas cidades, os biocombustíveis podem ser encarados como uma solução paliativa, pois amenizam o problema agora, mas precisarão ser substituídos depois, quando metas mais agressivas de redução de emissões serão exigidas. Assim, o custo acabará sendo maior. "Além dos veículos, temos de considerar toda a infraestrutura necessária para atendê-los. Nosso dossiê mostra que os investimentos de aquisição dos ônibus elétricos se pagam em médio prazo, e essa infraestrutura elétrica, mais duradoura, irá promover uma modernização que beneficiará a cidade como um todo”, diz Bárbara.

    A meta brasileira é reduzir 37% das emissões de CO2 até 2025 e 43% até 2030. Para isso, alguns meios são ampliar a bioenergia sustentável na matriz energética para aproximadamente 18% do setor e aumentar em 45% a participação de energias renováveis na matriz energética brasileira.

     

    A licitação que definirá os ônibus de São Paulo nos próximos 20 anos precisa contemplar combustíveis limpos e renováveis Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Leia mais >

     
  • Em declaração, Diretoras Executivas do Greenpeace Internacional, Jennifer Morgan e Bunny McDiarmid, disseram:

    "A prevenção de uma catástrofe climática acaba de ficar mais difícil, mas não impossível. O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, pode ser a ameaça mais infame e poderosa no que diz respeito a assuntos climáticos, mas não desistiremos. Trabalharemos ainda mais e convidaremos cada vez mais pessoas para se juntarem a este poderoso movimento. O risco é muito alto para as gerações atuais e futuras e o tempo é curto.

    Não permitiremos que a administração de Trump distraia o mundo ou roube-o do crescente impulso em direção à revolução por energia limpa e todos os benefícios que isso traz para o clima e para a saúde pública, emprego e segurança global.

    A transformação da energia renovável não pode ser freada". China, Índia e outros países estão competindo para serem as superpotências globais de energia limpa, e os EUA, como Donald Trump aprenderá, não quer ser deixado para trás.

    Pessoas em todo o mundo intensificarão seus trabalhos com os muitos campeões do clima nos EUA, como senadores, membros do congresso, governadores, prefeitos, CEOs, cidadãos e membros do Partido Republicano. O Greenpeace continuará a trabalhar com os milhões de pessoas em todo o mundo que acreditam que um planeta mais verde, seguro, pacífico e justo é possível." Leia mais >

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