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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Por que um dia para a água?

    Postado por icrepald - 22 - mar - 2016 às 9:52

    © Christian Kaiser/Greenpeace

    Infelizmente, a água não é um recurso pensado e cuidado diariamente – é necessária uma data para que lhe seja dedicada alguma atenção

    No Dia Mundial da Água em 2015, a sociedade estava mobilizada para falar e pensar a água, porque entendeu a fundamentalidade do recurso. Passado um ano, a chuva lavou a memória da seca e, novamente, o escasso recurso parece ter sido esquecido.

    A falta de água não é apenas consequência da falta de chuva e das mudanças climáticas, mas também das ações do homem. O Brasil conta com 12% da água doce do mundo. Mesmo assim, enfrenta secas em locais que historicamente possuem abundância do recurso, como é o caso de São Paulo e Rio de Janeiro.

    As chuvas de verão que retiraram o sistema cantareira do volume morto, resultaram em  enchentes em diversos municípios com mortes e prejuízos sociais, evidenciando as alterações em cursos d’água causadas pelas grandes cidades.

    As cidades encobrem rios e poluem águas, de forma a contribuir com a escassez hídrica, e transformar chuva em enchente. A captação de água é cada vez mais longe dos centros urbanos, em áreas rurais, onde os mananciais ficam suscetíveis às oscilações climáticas devido ao desmatamento de áreas que deveriam ser de preservação permanente. No Sistema Cantareira, o desmatamento histórico é de mais de 70%. De acordo com o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE), há 35% de cobertura florestal, 46% de pasto, e 56% de eucalipto, um cenário de completa devastação.

    O problema é crônico, mas há soluções permanentes, sem que as alternativas sejas obras que no futuro não serão mais eficientes, pois apenas contribuem para transferir a seca para outro manancial, como é o caso emblemático da transposição do rio Paraíba do Sul para o Cantareira, que pode comprometer o próprio Paraíba do Sul, também castigado pela estiagem. Além disso, as obras foram realizadas sem estudos de impactos ambientais, em caráter emergencial, podendo agravar a situação dos mananciais à medida que não se sabe qual os impactos dessas obras milionárias.

    A recuperação das águas brasileiras passa pelo desmatamento zero e recuperação de áreas de preservação; pela economia de água por meio da utilização de água de reuso e reestruturação da infraestrutura de distribuição de água; por fim, pelo tratamento de esgoto e despoluição dos rios. Não existem  soluções mágicas, faz-se necessário um trabalho árduo de governo e município para que as cidades tenham a infraestrutura necessária para utilizar a água de maneira sustentável, e que o desmatamento não comprometa as fontes de abastecimento urbano e rural.

    O Greenpeace pede, no Dia Mundial da Água, por justiça para a água e para as pessoas que dependem dela. A água é um recurso de direito de todos, e no momento em que todos possuírem esse direito, estaremos mais próximos de um país menos desigual.  



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  • Voe em paz, passarinha!

    Postado por therrero - 21 - mar - 2016 às 17:31

    Na luta por um mundo mais verde e justo, grande parte das vezes, o que nos motiva a continuar nosso trabalho são as pessoas com as quais nos conectamos. Pessoas que, com atitudes simples, fazem valer a pena tudo o que estamos fazendo, que nos ajudam a entender nossa conexão com o meio ambiente e nossas responsabilidades. E são capazes de nos mostrar nosso melhor, nosso potencial.

    Uma dessas pessoas é Juliana Molás que, em sua trajetória junto ao Greenpeace Brasil, foi captadora de recursos e voluntária. Durante sua luta contra um câncer, essa ativista nunca deixou de sorrir ou de se preocupar com o meio ambiente!

    Neste sábado ela se foi, deixando memórias de alegria e um grande aperto no peito de quem ficou. Sobre a Juliana, podemos dizer que o seu sorriso marcante, o seu jeito de viver a vida e a sua conexão com a natureza nos inspiraram o tempo todo! Sempre presente em atividades e manifestações, Juliana foi uma ativista de diversas causas: lutou pelo direito à liberdade, pela preservação do meio ambiente, pelo respeito às mulheres e muitas outras frentes.

    Com firmeza e muita doçura, Jú sempre soube defender seu ponto de vista e seus ideais.

    Neste domingo, o grupo de voluntários do Greenpeace, plantou uma árvore em sua homenagem. Plantamos uma vida que nos trará alegria, aprendizado e cuidará do meio ambiente da mesma forma que ela o fez.

    Aprendemos muito com você, Juliana Molás.
    Agradecemos pela amizade, dedicação e amor!
    Seu abraço e sua alegria contagiante nos farão falta!
    Voe em paz, passarinha!

    Seus amigos do Greenpeace. Leia mais >

  • Homens de Preto vs. Brasil Solar

    Postado por Thaís Herrero - 21 - mar - 2016 às 16:04 1 comentário

    Greenpeace Brasil lança animação sobre as burocracias enfrentadas pela energia solar, e como podemos vencê-las

    Era uma vez um país que, para gerar eletricidade, dependia de hidrelétricas e termelétricas. Uma destruía florestas e a outra, liberava grandes quantidades de gases poluentes e de efeito estufa. De tanto depender apenas dessas fontes, um dia, esse país apagou. Não tinha mais água nos reservatórios. Os combustíveis fósseis já estavam muito caros. E agora, cadê a luz?

    Bem acima de cada nariz existia uma solução, que era ignorada: o sol, bem ali, brilhando e emitindo raios que poderiam ser convertidos em energia, bastasse que as pessoas tivessem em seus telhados placas fotovoltaicas.

    Parecia um caminho fácil. Só que ninguém contava com os homens de preto: eles traziam as burocracias, a falta de vontade do governo e a oposição das distribuidoras de energia. Essas empresas faziam de tudo para não deixar os consumidores gerarem sua própria energia, com medo de perder seus altos lucros.

    Essa história parece distante? Há algo muito parecido acontecendo no Brasil. Apesar de ser um dos países com alta incidência de luz do sol e maior potencial para transformá-lo em energia, apenas 0,02% da nossa matriz elétrica é solar. Enquanto isso, nossa conta de luz não para de subir porque a eletricidade que chega em nossas casas tem custado cada vez mais – pro nosso bolso e pra saúde do meio ambiente. 

    Para aumentar a adesão à fonte solar existem alguns caminhos: menos impostos sobre as placas solares; menores tarifas das contas de luz; liberdade para que o trabalhador possa usar o FGTS para comprar um sistema fotovoltaico; ou se os bancos tivessem linhas de financiamento especiais para quem vai se tornar um microgerador.

    No final no ano passado, foi aprovada a Resolução Normativa 687, que favorece a micro e minigeração solar. Só que agora, as distribuidoras de energia estão tentando reduzir os incentivos trazidos pela resolução. Ou seja, estão pondo mais uma pedra no caminho da população rumo à sua autonomia de eletricidade.

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    Esse vídeo abaixo conta essa história. E mostra como podemos combater os homens de preto e, assim, termos um final feliz. Assista e se junte ao Greenpeace Brasil nessa luta!

    Ah! A história não termina aqui! Tem um segundo capítulo chegando em breve.

     

  • Legado antidemocrático

    Postado por Marcio Astrini - 18 - mar - 2016 às 15:04 2 comentários

    Arte: Greenpeace

    A presidente Dilma Rousseff sancionou, na última quinta-feira (17), a Lei 13.260/16, que tipifica o crime de terrorismo no Brasil. Mesmo com alguns vetos ao texto, seu conteúdo continua sendo inconsequente e representa uma ameaça à democracia. Apenas o veto total colocaria fim aos perigos do projeto. Dilma não o fez.

    Com definições demasiado abrangentes e penas desproporcionais a condutas já previstas no Código Penal, o projeto deixa ao sabor da interpretação ocasional da autoridade de plantão o que pode ou não ser considerado terrorismo. Na prática, isso abre brechas para perseguições políticas e para a criminalização de movimentos e indivíduos.

    O texto, de origem do executivo, tramitou e foi aprovado no Congresso em regime de urgência, sem qualquer tipo de discussão com a sociedade. Mais de 90 organizações da socidade civil, personalidades e até o próprio partido da Presidente Dilma repudiaram publicamente a iniciativa. Como se não bastasse, a promulgação da lei ocorre em meio a um ambiente de extrema divisão política, ânimos acirrados e conflitos. O momento, portanto, é nitidamente inoportuno e torna o conteúdo do texto ainda mais absurdo.

    O governo justifica que o projeto teria como finalidade mostrar comprometimento do país com a segurança durante os Jogos Olímpicos, além de ser uma resposta ao GAFI (Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro e o Financiamento do Terrorismo), que supostamente sinalizara aplicar sanções ao Brasil. Tais argumentos não se sustentam.

    Nenhum país do mundo que tenha aprovado esse tipo de legislação conseguiu a proeza de se tornar mais seguro. O efeito recaiu, na verdade, no colo da sociedade civil, que viu sua atuação cerceada. Recentemente, o Estado chileno foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (OEA) por tipificar como terrorismo protestos de grupos indígenas.

    Países que possuem histórico relevante de terrorismo vêm descobrindo que mais vale treinar suas forças de segurança, dotando-as de inteligência e tecnologia, que promulgar leis malfeitas e imprecisas. Não à toa, dois relatores da ONU criticaram o projeto brasileiro por sua ambiguidade e potencial nocivo ao exercício dos direitos humanos e das liberdades fundamentais. O próprio GAFI jamais falou em tipificar terrorismo como forma de combatê-lo.

    A sanção da presidente Dilma Rousseff ao texto, ela mesma acusada de terrorismo durante a Ditadura Militar, é um dos maiores retrocessos político-criminais desde a redemocratização do país. Em 21 de agosto deste ano, a edição das Olimpíadas no Brasil, argumento utilizado pelo planalto para a edição da lei, se encerrará. Já o enfraquecimento de nossa democracia irá perdurar, como um lamentável legado.

    Marcio Astrini é de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil Leia mais >

  • Greenpeace Brasil apoia a Casa Santa Gemma e o Abrigo Paulo de Tarso em financiamento coletivo para que ambas possam gerar a sua própria energia renovável

    Maria Antonia Coelho recebe visita de estudantes no Abrigo Paulo de Tarso. (©Geraldo Pestalozzi/Greenpeace)

    As cidades de Uberlândia (MG) e Nazaré (BA) estão a quilômetros de distância, em diferentes estados do Brasil, mas possuem algo que as une: duas entidades beneficentes que acolhem pessoas que não têm mais família para recorrer, e a quem um lar faz muita falta. São elas a Casa Santa Gemma, que recebe moradores de rua, e o Abrigo Paulo de Tarso, especializada em cuidar de idosos. 

    Em comum, essas duas instituições também têm as dificuldades para pagar as contas todos os meses. Com muito esforço, elas se mantêm e compram alimentos, remédios e itens de higiene pessoal, pagam seus funcionários e as despesas das sedes. E, nos últimos anos, se depararam com um problema a mais: o preço da energia elétrica que não para de subir, tornando a conta de luz um peso extra no orçamento apertado.

    Existe, no entanto, uma forma de ajudar a Casa Santa Gemma e o Abrigo Paulo de Tarso a continuarem seu importante trabalho: as entidades se uniram ao Greenpeace Brasil em um financiamento coletivo (crowdfunding) com o objetivo de levantar o dinheiro suficiente para a instalação de painéis solares em suas sedes.

    Já que estão em regiões muito ensolaradas do Brasil, nada mais justo do que incentivá-las a aproveitar a luz do sol que pode virar energia elétrica. Quando tiverem um sistema de energia fotovoltaica em seus telhados, as entidades poderão praticamente zerar os gastos com a conta de luz.

    Segundo Carlos Moura Santos, diretor do Abrigo Paulo de Tarso, o dinheiro economizado com as placas solares poderá ser investido em fisioterapia para os idosos. “Sabemos que a fisioterapia é muito importante para manter a saúde e o bem-estar dos idosos que moram aqui. Mas nosso orçamento não permite que paguemos um profissional”. Hoje, já existe uma sala pronta para receber um fisioterapeuta, mas, como aponta Carlos, é usada apenas por uma voluntária que oferece algumas horas de fisioterapia por semana. “Queremos mais. Queremos um profissional que atenda todos os idosos e que seja remunerado por isso.”

    Já na Casa Santa Gemma, a economia na conta de luz irá tornar realidade um sonho antigo: uma residência para abrigar mulheres. Sem gastar tanto com energia elétrica, vai ser mais fácil construí-la e mantê-la. “Até agora, só recebemos homens porque nossa estrutura é precária. Queremos abrir nossas portas para as mulheres, tirar mais pessoas das ruas e ajudá-las a reconstruir suas vidas”, diz Jack Albernaz, um dos fundadores da entidade.

    Solarização

    Essas entidades não foram escolhidas por acaso. Ambas fizeram parte de uma votação no jogo Solariza,  no qual os internautas podiam votar em uma entidade carente que deveria ganhar um sistema de energia fotovoltaica. A Casa Santa Gemma ficou em segundo lugar e o abrigo Paulo de Tarso, em terceiro.

    A vencedora foi a associação Amarati, que atende pessoas de todas as idades com lesões neurológicas. “Dizem que o sol é para todos, então, achamos que as outras duas entidades mereciam uma chance de também ter painéis solares”, diz Bárbara Rubim, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace. “Afinal, o dinheiro que elas economizarão com as contas de luz será muito valioso e importante para que mantenham o trabalho em suas comunidades”, completa.

    Para ajudar a Casa Santa Gemma e o Abrigo Paulo de Tarso a terem painéis solares e uma conta de luz mais baixa, você pode doar a quantia que desejar no site do crowdfunding. Doa agora!
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  • Um verão global está só no começo

    Postado por Pedro Telles* - 16 - mar - 2016 às 12:19

    Fevereiro bateu novo recorde de temperatura, mostrando que o aquecimento global avança mais rápido do que esperávamos. O Acordo de Paris se faz urgente, mais do que nunca

     Este ano teve o fevereiro mais quente já registrado pela humanidade. Vivemos em um planeta 1,35°C mais quente do que a média histórica para esse mês. O último janeiro também foi o mais quente – 1,15°C acima da média histórica para o primeiro mês do ano. Isso não é uma coincidência. Nos últimos anos, recordes de temperatura vêm sendo quebrados sistematicamente. E tudo indica que 2016 será o ano mais quente da História – repetindo o que foi observado em 2014 e 2015.

    O período que a Nasa utiliza para comparar o crescimento das temperaturas são os anos entre 1951 e 1980. E eles já são 0,3°C mais quente do que o período pré-Revolução Industrial. Ou seja, estamos falando de um planeta que está ficando mais quente e, a própria média de referêcia já é mais quente do que a temperatura por aqui séculos atrás.

    No final do ano passado, mais de 190 países assinaram o Acordo de Paris e firmaram o compromisso de barrar em 1,5°C o aquecimento global, sendo esse um teto minimamente seguro. Ao que tudo indica, estamos próximos de romper essa barreira, o  que nos coloca em uma zona de alto risco.

    Hoje, 16 de março, é o Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas. E é um bom momento para lembrar que, quando falamos em aumento de temperatura, estamos falando de mudanças drásticas no ambiente em que vivemos e direitos humanos para as pessoas que serão afetadas. O derretimento das geleiras e o aumento no nível dos oceanos, que impactarão várias cidades litorâneas – podendo até sumir com algumas delas – são só dois dos muitos efeitos colaterais previstos.

    No Brasil, o número de desastres naturais relacionados às mudanças climáticas só aumenta. As pesadas chuvas, seguidas de inundação e deslizamentos, que têm atingido diversas cidades são apenas um exemplo dos eventos extremos que veremos se agravarem por aqui com o aquecimento global. Outras consequências graves serão secas mais longas e intensas, e uma ampliação da área de risco para doenças transmitidas por mosquitos como dengue e zika.

    No próximo dia 22 de abril, os países que estavam na COP 21 devem assinar o Acordo de Paris, em um evento da ONU em Nova York. Assinaturas em papéis, no entanto, não são suficientes para alterar a realidade do nosso planeta. Esses governantes precisam também agir rapidamente para transformar o Acordo em leis e, assim, acelerar a implementação das medidas previstas no documento. O aquecimento do planeta já é um problema urgente, e precisamos agir com mais intensidade para minimizar os impactos que serão sentidos por nós e por outros seres vivos ao redor do mundo.

    (*Pedro Telles é da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil)

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  • Existe pouca vida ao longo do Rio Doce

    Postado por icrepald - 11 - mar - 2016 às 17:10

    sexta-feira, 11 de março de 2016

    Grupo Independente para Avaliação do Impacto Ambiental (GIAIA) publica novo relatório mostrando que as calhas dos rios Doce, Gualaxo e do Carmo estão seriamente afetadas

    Qual é a situação ambiental ao longo da bacia do Rio Doce hoje, após o desastre da Samarco em Mariana (MG)? Haverá de fato recuperação ambiental e quando? Essas são algumas das questões que grupos de pesquisadores independentes estão tentando responder, de forma clara e imparcial. Entre eles, o GIAIA acaba de lançar o relatório "Análise da Comunidade Bentônica", revelando os resultados dos impactos da tragédia sobre os bentos (organismos que vivem no fundo do leito do rio). Os bentos são compostos por espécies de animais e plantas, cuja presença e diversidade é muito utilizada para avaliar a situação da conservação e alteração de ambientes. De acordo com a análise de ocorrência dos bentos, as calhas dos rios Doce, Gualaxo e do Carmo foram seriamente afetadas.

    Os resultados ainda são preliminares e precisam ter continuidade, mas apontam que, ao longo dos 11 pontos de coleta, os pesquisadores encontraram poucos indivíduos bentônicos, e, em sete dos pontos, não foi encontrado nenhum indivíduo vivo. No relato, os únicos organismos encontrados vivos foram larvas de besouro, minhocas e alguns camarões. Comparando os resultados obtidos com levantamentos anteriores realizados na calha do Rio Doce, em seus afluentes e lagos, já havia uma baixa ocorrência destes organismos. Os pesquisadores atribuem isso à intensidade de ocupação do solo na região e à baixa qualidade de água em decorrência de ação humana.

    O estudo enfatiza que “além dos organismos bentônicos terem sido afetados pelo rejeito de ferro, a comunidade do médio curso do Rio Doce, estava sofrendo com a poluição orgânica”. Outras questões devem ser consideradas em futuras expedições científicas, pois estes organismos têm sua ocorrência e riqueza influenciada por alterações e também pela densidade e constituição de sedimentos, conforme cita o estudo: “a enxurrada de lama de rejeitos carregou e eliminou esses organismos no momento do acidente”.

    Existem muitas lacunas de pesquisa biológica e dos impactos na população humana atingida, que ainda precisam ser preenchidos. Houve intensa alteração na paisagem nas calhas dos rios afetados, e os estudos que o GIAIA acaba de apresentar demonstram que estamos apenas no começo do entendimento dos reais impactos socioambientais gerados pelo incidente.

    Assim como esta, novas iniciativas têm surgido, abrindo mais possibilidades de investigação e produção de resultados, para consolidar uma base de dados confiável que possa estar à disposição das autoridades e da sociedade. Atualmente, está em curso o edital Rio Doce, idealizado por artistas que se sensibilizaram com a gravidade da situação e promoveram shows beneficentes em Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP). Os recursos obtidos por esta iniciativa foram destinados ao projeto coletivo #RiodeGente, do qual o Greenpeace participa como gestor do edital de pesquisas que está aberto a propostas até o dia 22 de março.

    Serão apoiados projetos no valor máximo de 70 mil reais durante seis meses, totalizando R$ 350 mil reais. Leia aqui o edital e as respectivas linhas de pesquisa propostas pelo coletivo #RiodeGente. “Os temas buscam gerar resultado para ajudar a entender os impactos da tragédia e gerar dados independentes para o monitoramento da recuperação do meio ambiente e compensação justa para as pessoas”, explica Nilo D’Ávila, coordenador de campanhas do Greenpeace Brasil.

    Leia a íntegra do relatório "Análise da Comunidade Bentônica" do GIAIA aqui.

    Quer ser um dos pesquisadores a calcular o impacto dessa tragédia? Leia mais sobre o Edital Rio Doce aqui.

    Saiba mais:

    Relatos e histórias das vítimas da tragédia

    Voluntários do Greenpeace protestam na sede da Vale

    Greenpeace protesta contra BHP Billiton na Austrália

    Resultados preliminares da água do Rio Doce

    Abrolhos, a nova vítima da tragédia

    Um Rio de Gente para ajudar Mariana

    Leia mais >

     

  • Fukushima: 5 anos depois, a energia nuclear ainda é um fantasma que nos ronda

    Postado por Thiago Almeida - 11 - mar - 2016 às 8:58

    O segundo maior desastre nuclear da História não foi o suficiente para que os governos do mundo todo desistissem dessa fonte de energia cara, suja e perigosa

    Em frente às usinas nucleares de Angra dos Reis (RJ), ativistas protestam contra os investimentos do governo brasileiro para construir Angra 3.

    Onde você estava em 11 de março de 2011? No Japão, um terremoto, seguido de um tsunami mudava para sempre o país. Os abalos sísmicos causaram o colapso de reatores da usina nuclear de Fukushima, liberando radiação e contaminando os arredores da cidade. Hoje, cinco anos depois, ainda há muitos vestígios dessa tragédia.

    Todos os dias, chegam aos mares japoneses 300 toneladas de água com algum nível de contaminação por radiação, como mostra um estudo do Greenpeace Japão, já admitido pelo governo. E, atualmente, mais de 100 mil pessoas ainda estão longe de suas casas. Elas não podem voltar ao local do desastre por conta dos altos índices de radioatividade. E não sabem se algum dia poderão.

    Os casos de câncer de tireoide cresceram muito entre a população que morava perto da usina. E há efeitos colaterais não tão óbvios: essas pessoas também sofreram – e sofrem – preconceito por serem vistas como “contaminadas”. O índice de depressão entre elas é mais alto do que no resto da população japonesa e há muitos casos de suicídio.

    Os riscos que uma usina nuclear, como a de Fukushima, poderia trazer já eram conhecidos por nós desde o acidente nuclear de Chernobyl, em 1986. E deveríamos ter aprendido a lição. Ainda que representantes do setor e alguns governos digam que as usinas nucleares são seguras, fatos mostram o contrário – e nem estamos falando de Fukushima e Chernobyl.

    Entre 1946 e 2013, foram 174 os acidentes e incidentes em usinas nucleares em vários países. E, o mais assustador: temos 50% de chance de ver um novo acidente como o de Chernobyl nos próximos 27 anos. E de presenciar um da proporção de de Fukushima nos próximos 50 anos.

    Com tantas tecnologias que já temos hoje, provando que é possível gerar energia a partir de fontes limpas, renováveis e seguras, não há razão para que o mundo continue investindo em nucleares. Depois do acidente no Japão, a Alemanha tomou uma atitude exemplar: divulgou planos eliminando gradualmente a energia nuclear de suas matrizes energéticas e hoje é o campeão em energia solar.

    O próprio Japão já está investindo mais em fontes renováveis. Hoje, cinco anos depois do desastre nuclear, é o segundo maior mercado de energia solar do mundo. Entre 2012 e 2015, instalou 19 GW em painéis solares. Ainda assim, o governo japonês já religou algumas usinas nucleares e mostra que ainda não está pronto para fazer a revolução energética, apesar da chance que teve.

    Enquanto isso, no Brasil

    Nosso país segue a passos lentos e planeja ter até 2035 apenas 3,5 GW de energia solar, mesmo estando em uma das regiões com melhor incidência e potencial para aproveitar a fonte fotovoltaica. E, para piorar, o governo continua investindo na perigosa nuclear, ignorando os acidentes que já aconteceram em outros locais.

    A usina de Angra 3 está em obra e já é um monumento bilionário. Prometida para 2012, seu custo passou de R$ 7 bilhões para R$ 14,9, e sua entrega está prevista para 2018 – embora o governo agora fale em 2021 . As usinas que a precederam, Angra 1 e Angra 2, custaram mais de US$ 16 bilhões e têm capacidade instalada de 2 GW. Isso equivalente a menos de 2% de todo o parque gerador brasileiro.

    Essas duas usinas correm o risco de terem a vida útil encurtada e serem desligadas em alguns anos. Seus depósitos temporários estão quase saturados de lixo radioativo. Não há no mundo lugar de armazenamento permanente para este fim. O custo? Para resolver a destinação destes dejetos atômicos, mais de R$ 1 bilhão do nosso dinheiro terá que ser desembolsado.

    O Brasil continua insistindo em fontes de muito impacto social e ambiental, mesmo podendo gerar energia eólica e solar suficientes para abastecer todo o país. Mas quem sabe o Sol não leve alguma iluminação para a visão obtusa dos nossos governantes e os inspire para criar as condições favoráveis para as energias renováveis – tanto de políticas públicas, quanto de mercado.  E quem sabe no futuro, não olhemos para a História lamentando os acidentes nucleares, mas vendo que soubemos aproveitar a solução, que estava bem perto de nós.

    (*Thiago Almeida é da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil) Leia mais >

  • Extra, extra: a crise hídrica acabou – ooops, a água acabou!

    Postado por iaracrepaldi - 8 - mar - 2016 às 17:12

    terça-feira, 8 de março de 2016

     7 motivos para não acreditarmos que a falta de água não acabou

    1. Geraldo Alckmin contabiliza volume morto para anunciar fim da crise – tipo considerar o cheque especial como saldo  

    O Governador não tem autorização na Agência Nacional de Águas para contar o volume morto como parte do sistema de abastecimento. Na realidade, o Cantareira tem em torno de 29 % de sua capacidade e o Alto Tietê, 40%. http://bit.ly/1SQ2fmL

    2. Sabesp incentiva o desperdício e não o abastecimento da população. Miga, assim tá difícil!

    Sabesp anuncia reestruturação tarifária, mas não diz se vai acabar com descontos para grandes consumidores usarem mais água.  http://bit.ly/1Psujps

    3. Os rios estão totalmente poluídos, nem as capivaras aguentam! Será que o futuro é a água de Marte?

     

    Se continuarmos despejando o esgotos em nossos rios, a água salgada de Marte pode ser uma solução! http://bit.ly/1SQ2fmL

    4. Como pode a crise acabar, se o Cantareira está só com 29% de capacidade?   

     

    Na mesma época, em 2013, o sistema tinha 57% de seu volume útil. E as águas de março já estão fechando o verão. http://migre.me/t5Vhw

    5. É água ou chorume? Estado de São Paulo só trata 56% do esgoto.

     

    Com esgoto sendo jogado nos rios, o governo capta água cada vez mais longe, gastando mais dinheiro e gerando impacto ainda maior no meio ambiente. E tratar água da Billings é impossível. http://migre.me/t5VwY 

    6. As árvores do Sistema Cantareira deram lugar a plantações e condomínios.  Leo, ajuda?

     

     

    A região tem mais de 70% de perda das matas originais. Sem floresta, não tem água, querides… http://migre.me/tb1uv

    7. E o Alckmin ainda ganhou um P-R-Ê-M-I-O por tudo isso – em cerimônia com a presença de Eduardo Cunha!

    Modéstia parte, merecido - diz Alckmin, que também recebeu o Trofeú Torneira Seca durante o evento. http://migre.me/t5VIn


    A crise hídrica ainda não acabou. Temos que continuar economizando e encontrando alternativas para que a falta de água não seja nossa realidade constante.

    Junte-se a nós em www.aguapraquem.org.br

    Conteúdo originalmente publicado no Buzzfeed: http://www.buzzfeed.com/greenpeacebrasil/7-motivos-para-nao-acreditarmos-que-a-falta-de-a-281p1 Leia mais >

  • Qual é o valor de um desastre ambiental no Brasil?

    Postado por iaraCrepaldi - 3 - mar - 2016 às 18:19

    quinta-feira, 3 de março de 2016

    Foto: Bruno Bou

    Questionado por organizações da sociedade civil e Ministério Público Federal, acordo para desfecho do maior desastre ambiental brasileiro sai às pressas, sem pesquisa significativa ou envolvimento dos afetados

    Anunciado como uma grande conquista pela Presidente Dilma nesta quarta-feira (02 de março), o termo de compromisso para indenizar as vítimas da tragédia de Mariana (MG) e recuperar o Rio Doce não é motivo de comemoração.

    Firmado entre a União, o governo dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo e as mineradoras Samarco, Vale e BHB Billinton, no dia 24 de fevereiro, o acordo determina um fundo de R$ 20 bilhões para reparação dos danos do desastre em 15 anos, e confere às mineradoras o poder de acertar o valor das indenizações diretamente com os atingidos.

    O não envolvimemto dos afetados pela tragédia na confecção do acordo dá o tom inicial de sua falta de credibilidade e transparência. O documento também sai antes que os impactos do desastre da Samarco tenham sido devidamente dimensionados, portanto avalia superficialmente os danos da catástrofe ao longo da bacia do Rio Doce. Investimentos em pesquisa precisam ser realizados antes de ser estabelecido um valor para essa tragédia (confira edital de pesquisas promovidas pelo projeto Rio de Gente).  

    O acordo corre ainda o risco de ser impugnado pelo Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF), que disse considerá-lo insuficiente. Além disso, a versão final do termo de compromisso deixa claro apenas o pagamento de R$ 4,4 bilhões de reais nos primeiros três anos, sendo que o restante deveria ser avaliado e recalculado ao longo de dez anos. 

    O Greenpeace não concorda com um documento construído dessa maneira e exige sua revisão imediata, garantindo de forma explícita a participação das vítimas desta tragédia.“Este acordo foi feito sem a participação da sociedade e vai ser implementado sem o acompanhamento e a influência da população. Dos sete membros do comitê de implementação, seis são indicados pelas empresas e um, pela união e pelos governos dos estados de Mina Gerais e do Espírito Santo. Mas não há qualquer participação das vítimas ou de representantes dos indivíduos e das comunidades atingidas. Nem sequer em um conselho consultivo foi pensado”, critica Nilo D’Ávila, coordenador de campanhas do Greenpeace Brasil.

    Leia nota de repúdio ao acordo, escrita pelo Comitê Nacional em Defesa dos Territórios frente à Mineração e pela Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale, e apoiada por diversas organizações, como o Greenpeace.  Leia mais >

    Saiba mais:

    Relatos e histórias das vítimas da tragédia

    Voluntários do Greenpeace protestam na sede da Vale

    Greenpeace protesta contra BHP Billiton na Austrália

    Resultados preliminares da água do Rio Doce

    Abrolhos, a nova vítima da tragédia

    Um Rio de Gente para ajudar Mariana

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