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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Presidente da Câmara quer consenso na PEC 215

    Postado por Nathália Clark - 28 - mai - 2014 às 23:46 1 comentário

    Presidente Henrique Eduardo Alves recebe comitiva indígena na Câmara dos Deputados (JBatista / Câmara dos Deputados).

     

    O terceiro dia da Mobilização Nacional Indígena foi agitado. E terminou com um saldo positivo para os mais de 600 índios de cerca de 100 diferentes povos de todo o Brasil presentes em Brasília. Durante a reunião com uma comitiva de lideranças na Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Enrique Eduardo Alves (PMDB-RN), se comprometeu a não aprovar ou deixar que siga para votação, até que haja um consenso, a Proposta de Emenda Constitucional que visa passar para o Congresso Nacional a prerrogativa de decisão sobre a demarcação de terras indígenas.  

    “Sem consenso, a PEC 215 não irá para plenário. Esse é o meu compromisso”, assumiu o deputado federal. O presidente da Câmara ressaltou ainda que “por mais forte numericamente que possa ser a bancada (ruralista), eu digo a vocês que com a responsabilidade que eu tenho não posso ser instrumento de uma proposta que fere as nações indígenas”. 

    Segundo avaliação da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), essa foi uma vitória, ainda que modesta. “Apesar de não ter sido um compromisso por escrito, ele afirmou isso na presença de várias lideranças indígenas, da imprensa e dos demais parlamentares presentes. E nós fizemos questão de nos assegurar e reiterar que ele estava falando mesmo em consenso, e não na vontade da maioria, já que essa Casa é composta por uma maioria ruralista e anti-indígena”, afirmou Sonia Guajajara.

    Após a reunião, a comitiva seguiu para o Senado Federal, para uma conversa com o presidente, Renan Calheiros (PMDB-AL). Barrar a PEC 38, de teor semelhante ao da 215, com a diferença de que dá ao Senado a competência para aprovar os processos demarcatórios, foi o pedido dos indígenas ao senador. Um pouco mais enfático do que seu colega de partido e cadeira, Calheiros refutou o avanço destas PECs e garantiu que durante a sua presidência, o destino delas será a gaveta: “Não passarão”.

    Enquanto isso, no gramado do lado de fora, o restante do grupo aguardava seus representantes entoando cânticos e danças. Integrantes do Movimento Uma Gota no Oceano, que tem como bandeira principal a campanha Tamuaté-aki, em apoio às demandas indígenas, os atores Maria Paula e Tony Garrido marcaram presença na mobilização, conversando e dando depoimentos junto aos índios.

    Nas redes sociais, até o pré-candidato à presidencia pelo PV, Eduardo Jorge, se pronunciou em defesa dos índios. “Precisamos reconhecer o direito dos povos indígenas à terra e de tomar suas próprias decisões. Reconhecer também a contribuição de sua cultura ao patrimônio universal. Não podemos deixar passar uma PEC como a 215, que torna exclusividade do Congresso Nacional a demarcação de terras indígenas. O governo brasileiro como um todo deve garantir os direitos dos habitantes ancestrais do Brasil.”

    Coletiva denuncia violência

    Durante a tarde também aconteceu uma coletiva de imprensa, convocada pelo Comitê Popular da Copa, organizador na marcha de terça-feira, para devolver a violência a quem lhe é de direito, ou seja, denunciar os ataques feitos pela polícia contra a sociedade civil – e não o contrário, como noticiaram maliciosa e oportunistamente alguns veículos da grande mídia.

    Segundo balanço divulgado pelo comitê, quatro mil pessoas participaram da passeata que parou o centro de Brasília no final da tarde de ontem. Pelo menos oito manifestantes ficaram feridos, entre eles seis indígenas.

    Na entrevista, os representantes do comitê reforçaram que a marcha era pacífica e que foi fechado um acordo prévio com a Polícia Militar para que ela seguisse tranquilamente até o Estádio Mané Garrincha. Segundo os índios que apoiaram o protesto, eles estavam dançando e cantando quando foram surpreendidos pela cavalaria e pela tropa de choque da PM.

    “Os indígenas foram vítimas da repressão do Estado em uma caminhada pacífica”, salientou Marcos Xukuru, da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME). Ele informou que depois que a tropa de choque barrou a passagem dos manifestantes, eles foram atacados por uma saraivada de bombas de gás e de balas de borracha. Xukuru ressaltou que, se houve reação de alguns indígenas, foi em legítima defesa.

    Xukuru e outras lideranças indígenas presentes à coletiva voltaram a condenar o fato de o governo gastar bilhões com os estádios e obras da Copa, enquanto as demarcações de terras indígenas continuam paralisadas e as políticas de educação, saúde e proteção dos territórios seguem precárias. Leia mais >

  • Protesto em Israel contra madeira ilegal

    Postado por Luana Lila - 28 - mai - 2014 às 14:52

    Ipê florido no meio da floresta Amazônica. Essa é a árvore preferida de Israel, que importa grandes quantidades dessa madeira ilegal 'lavada'. (© Greenpeace / Daniel Beltrá)

     

    Ativistas do Greenpeace fizeram uma ação em Tel Aviv, Israel, para expor o problema da extração ilegal de madeira na Amazônia brasileira. Escaladores abriram faixas com os dizeres: “Pare o crime na Amazônia” (em inglês). Oito ativistas foram presos. Uma carta foi entregue na prefeitura de Tel Aviv para exigir que a cidade pare de utilizar madeira da Amazônia sem garantias de origem.

    A atividade ocorre após o lançamento da investigação de dois anos do Greenpeace que revelou o descontrole e os altos índices de ilegalidade que imperam no setor madeireiro na região. 

    Israel se tornou um dos destinos chave para a madeira proveniente da Amazônia brasileira: em 2013, o país foi o 11º maior importador em termos de valor (US$) para todas as madeiras amazônicas, totalizando cerca de 5 mil toneladas de madeira, a grande maioria supostamente de ipê, espécie da qual é o atual 8º maior importador. Cerca de 80% das importações do país vieram de dois Estados: Pará e Mato Grosso, onde, respectivamente, 78% e 54% das explorações madeireiras aconteceram em áreas sem autorização e, portanto, de forma ilegal.

    Leia mais:

    A ação ocorreu em resposta aos planos da prefeitura de usar madeira em deques e pergolados de obras públicas em Tel Aviv, onde quase todos os projetos atuais preveem a utilização de ipê. O moderno complexo do Porto da cidade, por exemplo, já construiu deques feitos de ipê totalizando mais de 20 mil metros quadrados. Acredita-se que este seja um dos maiores projetos do mundo que utiliza esta espécie de madeira.

    Além do Porto de Tel Aviv, outros exemplos são a mais antiga estação de trens em Jerusalém e, mais recentemente, o Passeio de Tel Aviv, onde está sendo feito um projeto de reforma para instalar deques e pérgulas  com o uso de ipê.

    A investigação do Greenpeace também apontou que a empresa contratada para a primeira fase do projeto do Passeio de Tel Aviv negocia com fornecedores brasileiros que compram de várias pequenas serrarias ligadas com a lavagem de madeira ilegal. Leia mais >

    Na Amazônia, o atual sistema oficial de controle da exploração florestal não é capaz de oferecer garantias de que a origem da madeira seja legal. Por este motivo, há cerca de duas semanas o Greenpeace lançou a campanha “chega de madeira ilegal”, onde pede a consumidores de todo o mundo que só adquiram madeira proveniente da Amazônia caso esta apresente garantias de origem e rastreabilidade de produção.

    A denúncia e os protestos também se espalharam por outros países que compram madeira brasileira como Itália, França, Espanha, Inglaterra e Estados Unidos. Como resposta, o ministro italiano de Agricultura e Florestas, Maurizio Martina, anunciou a aprovação de decreto que regulamenta a aplicação da legislação europeia de combate à madeira ilegal. Na França, ativistas embargaram simbolicamente um carregamento de madeira vindo da Amazônia brasileira, com indícios de ilegalidade. Na semana passada, ativistas do Greenpeace bloquearam, no estado de Virgínia, Estados Unidos, a entrada da empresa Lumber Liquidators, uma das maiores varejistas de produtos de madeira do país, durante reunião de sócios e investidores da companhia.

    “A situação da madeira brasileira está completamente fora de controle. Os sistemas que deveriam controlar a extração de madeira na Amazônia estão na verdade servindo pra legalizar boa parte da extração predatória e ilegal. Iremos denunciar isso ao redor do mundo até que os problemas sejam solucionados”, afirmou Marina Lacorte, da campanha Amazônia do Greenpeace.

    Leia mais: Comércio israelense de madeiras da floresta amazônica

  • O que o satélite não vê

    Postado por Márcio Astrini - 28 - mai - 2014 às 14:37 1 comentário

     

    O Deter, sistema de detecção em tempo real do desmatamento do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) identificou, entre agosto de 2013 e 30 de abril deste ano, 1,5 mil km² de alertas de desmatamento, o que representa, segundo cálculos do Ministério do Meio Ambiente, uma redução de 20% na comparação com o período anterior. O anúncio vem um dia depois da publicação de informações de que o desmatamento na Mata Atlântica sofreu alta de 9%.

    O sistema Deter, ao contrário do Prodes, não mede o tamanho total do desmatamento, mas pode indicar um quadro de tendência. Mesmo assim, qualquer notícia de diminuição da derrubada da floresta é bem vinda. Porém, devemos considerar alguns fatos.

    Independente do número oficial, a quantidade de floresta que continua a ser perdida na Amazônia é alarmante e injustificável, ainda mais considerando que somos um país que pode continuar se desenvolvendo e até mesmo dobrar a produção de alimentos sem derrubar mais nenhum hectare de floresta.

    Além disso, houve um aumento de concentração de nuvens em torno de 20% em comparação ao mesmo período da medição anterior. As nuvens limitam a capacidade de detecção dos satélites, o que pode impedir a visualização de áreas que sofreram desmate. Por fim, e caso confirmada, a queda anunciada ainda seria menor do que o aumento de 28% registrado no ano passado, o que  nos deixaria mais distantes de acabar com o desmatamento do que estávamos há dois anos atrás.

    Mais do que em números, precisamos nos concentrar no que acontece no chão da floresta e que não sai nas fotografias enviadas pelos satélites. Há cerca de uma semana, lançamos uma campanha que denuncia o total quadro de descontrole e ilegalidade que imperam num dos maiores vetores de desmatamento da Amazônia, que é a extração madeireira. Segundo o IMAZON, entre 2011 e 2012 houve um aumento de 151% da extração ilegal de madeira apenas no Estado do Pará. A extração ilegal serve, na maioria das vezes, para financiar a operação do desmatamento, que é o que compõe os números finais do estrago florestal. Pior que isso, hoje os sistemas oficiais do governo que deveriam controlar e combater essa situação prestam o vergonhoso serviço de gerar documentos para “legalizar” madeira ilegal, alimentando o quadro atual.

    Somente nos estados do Maranhão e Pará, quase 500 mil m³ de madeira serrada apresentaram documentos fraudulentos em 2013 – o suficiente para carregar 14 mil caminhões. Entre 2007 e 2012, uma falha nos sistemas permitiu que fosse irregularmente autorizada a comercialização de 1,9 milhão de metros cúbicos de produtos florestais, volume equivalente à uma área de 64 mil hectares de floresta explorada de forma ilegal, mais do que a área urbana da cidade do Rio de Janeiro. Leia mais >

    Ineficiência de sistemas de controle, planos de manejo fraudulentos, impunidade, falta de governança na floresta, afrouxamento das leis ambientais  e o sucateamento dos órgãos de fiscalização são a base dos lamentáveis números de floresta perdida que são anunciados anualmente. E esses crimes contra a floresta acontecem principalmente em salas refrigeradas e gabinetes, locais que, mesmo sem nuvens, não são detectados pelos satélites.

  • Acompanhe ao vivo a Mobilização Indígena

    Postado por Nathália Clark - 28 - mai - 2014 às 13:18 1 comentário

    Como parte da Mobilização Nacional Indígena, uma comitiva formada por representantes de povos de cada região do Brasil se reunirá nesta quarta-feira (28), às 15h30, com o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para discutir a agenda legislativa de ataque aos seus direitos garantidos pela Constituição Federal. Os demais ficarão reunidos no gramado em frente ao Congresso Nacional.

    A partir das 15h, a equipe do Greenpeace transmitirá ao vivo as atividades da mobilização. A atriz e apresentadora Maria Paula, que faz parte do Movimento Uma Gota no Oceano – que apoia a Mobilização Indígena através da campanha Tamuaté-aki –, participará da transmissão realizando entrevistas com as lideranças.

    Na tarde de ontem, a repressão policial durante a manifestação puxada pelo Comitê Popular da Copa – e apoiada pelos mais de 600 índios presentes em Brasília para a Mobilização Nacional –, deixou seis indígenas feridos.

    Às 14h, o Comitê da Copa chamou uma coletiva de imprensa para denunciar a violência das forças armadas nacionais contra a sociedade civil. Os índios feridos e dois representantes da mobilização estarão presentes para falar sobre o ataque que vem ocorrendo sistematicamente aos povos tradicionais.

    Como parte igualmente afetada pelo modelo de desenvolvimento escolhido pelo governo brasileiro para o país, que inclui a construção de rodovias, empreendimentos e eventos que impactam diretamente as populações tradicionais e a sociedade urbana, em detrimento de serviços básicos como saúde e educação, e do qual a Copa do Mundo é um exemplo claro, os indígenas apoiam os movimentos sociais na luta por direitos, e participaram da marcha de ontem para demonstrar isso. Leia mais >

  • Violência e dissimulação em marcha anti-Copa

    Postado por Nathália Clark - 27 - mai - 2014 às 21:45 1 comentário

    Seis indígenas, um fotógrafo da Reuters e um padre foram feridos durante ataque da polícia em manifestação em Brasília (Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr).

     

    Após manifestarem na Praça dos Três Poderes e protocolarem uma denúncia no Supremo Tribunal Federal (STF) contra dois deputados federais, os mais de 500 indígenas presentes na capital federal para a Mobilização Nacional Indígena engrossaram o coro junto a cerca de 400 trabalhadores sem teto, além de dezenas de movimentos e organizações sociais, coletivos e ativistas de diversas áreas que participaram do Comitê Popular da Copa, que aconteceu na tarde desta terça-feira (27), em Brasília (DF).

    O objetivo da manifestação é explicitar os diversos crimes e violações cometidos contra a população para possibilitar a realização de uma Copa do Mundo que não traz benefícios para a população. Dentre eles estão: a remoção de 250 mil pessoas de suas casas para a construção de obras, a mudança da legislação para a efetivação de políticas de exceção, a criminalização dos movimentos sociais, dentre outros.

    Durante a manifestação pacífica – e a menos de três semanas do evento esportivo que vai colocar o Brasil nos holofotes de todo o mundo –, a polícia mostrou novamente suas armas contra a população, como em junho do ano passado. Seis indígenas, um fotógrafo da Reuters e um padre foram feridos durante o ataque da PM. Três pessoas foram presas.

    Antes de se juntarem à marcha que seguiu pela Esplanada dos Ministérios até o estádio Mané Garrincha, os índios ocuparam a marquise do Congresso Nacional em protesto contra o abuso de propostas legislativas a seus direitos Constitucionais, e entoaram discursos inflamados em frente ao Ministério da Justiça.

    Frente à desvirtuação do foco da grande imprensa quanto às notícias sobre a violência na manifestação, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) divulgou uma carta repudiando a ação das forças armadas brasileiras e esclarecendo o verdadeiro ocorrido.

    Veja abaixo a íntegra da carta:

    A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) vem a público repudiar a violenta e despropositada ação da Polícia Militar do Distrito Federal, que reprimiu na tarde desta terça-feira, 27/05, ato pacífico em que participavam cerca de 600 lideranças indígenas de todo o país.

    Por volta das 17h40 os indígenas, que estão em Brasília participando da Mobilização Nacional em Defesa dos Direitos Territoriais de seus povos, se uniram ao ato convocado pelo Comitê Popular da Copa – DF e marchavam tranquilamente em direção ao Estádio Nacional Mané Garrincha quando foram surpreendidos pela Cavalaria da Polícia com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, spray de pimenta e tiros de bala de borracha.

    O Tenente Coronel Moreno, da Polícia Militar, havia feito acordo com o Comitê Popular da Copa para assegurar a chegada do protesto pacífico ao Estádio Nacional Mané Garrincha. Porém, quando os manifestantes se aproximaram do estádio, começaram a ser atacados pela polícia.

    Seis lideranças indígenas foram atingidas por balas de borracha, entre elas uma mulher do povo Pankararu, do Nordeste. Um fotógrafo da Agência Reuters sofreu ferimento na perna por resquícios da explosão de uma bomba de efeito moral. Um padre que acompanhava o povo Xerente foi atingido na mão por uma bala de borracha. Além dos feridos, três manifestantes foram presos.

    Diante desses fatos, exigimos a apuração imediata dos abusos cometidos pela polícia que são parte da estratégia de criminalização dos movimentos sociais e dos nossos povos.

    Brasília-DF, 27 de maio de 2014.

    Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB Leia mais >

  • Indígenas denunciam parlamentares ao STF

    Postado por Nathália Clark - 27 - mai - 2014 às 14:17

    Manifestação na Praça dos Três Poderes, em Brasília, marcou o primeiro dia de aparição pública da Mobilização Nacional Indígena.

     

    A Praça dos Três Poderes, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, tornou-se o pátio principal para as mais de 500 lideranças indígenas, de cerca de 100 diferentes povos de todo o Brasil, organizadas na Mobilização Nacional Indígena.

    No final da manhã desta terça-feira (27), após danças, cantos e manifestações que incluíram a abertura de cartazes que pediam a demarcação de suas terras, uma comissão protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma queixa-crime contra os deputados federais Luiz Carlos Heinze (PP-RS) e Alceu Moreira (PMDB-RS), pelo episódio em que protagonizam um vídeo gravado durante audiência pública da Comissão de Agricultura, realizada em novembro do ano passado com produtores rurais de Vicente Dutra (RS), no qual incitam a violência contra indígenas, quilombolas e homossexuais.

    Documento foi protocolado no STF na manhã desta terça-feira.

    Leia a íntegra da queixa-crime

    A comissão, composta pela direção da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e por lideranças indígenas de cada uma das regiões do país, entregou ao Supremo um documento em que pedem que os ministros apurem as declarações racistas e homofóbicas desses parlamentares. O documento solicita ainda a apuração dos crimes de incitação à violência e ao ódio contra as comunidades que reivindicam seus territórios tradicionais.

    Os ataques foram desferidos por Moreira e Heinze, atual presidente da Frente Parlamentar Agropecuária na Câmara dos Deputados, em discurso na audiência, financiada com dinheiro público. Os parlamentares incentivam os agricultores a formar milícias e pedem que eles impeçam as retomadas de terras proferidas por indígenas com violência. 

    Assista aqui ao vídeo

    Segundo Cretã Kaingang, liderança do Sul do Brasil, o conflito fundiário em Faxinalzinho (RS) foi acirrado por essas declarações: “Nunca quisemos tirar o direito de ninguém. Apenas queremos o pouco que restou de nossas terras. Os deputados estão querendo jogar pequenos agricultores e a sociedade não-índia contra nós”, afirma a liderança. Leia o pronunciamento dos Kaingang de Kandóia-Votouro sobre o conflito.

    Durante o trajeto das delegações indígenas de Luziânia (GO) – onde fica localizada a chácara do Cimi, que abriga as comitivas indígenas – para Brasília (DF), a Polícia Rodoviária Federal parou os cinco ônibus na BR-040, altura do município de Santa Maria, para contar a quantidade de indígenas em cada ônibus. Segundo as lideranças, os policiais afirmaram ter recebido ordens para informar quantas pessoas estavam se deslocando para a Esplanada dos Ministérios. Leia mais >

  • Pelo fim da madeira ilegal na Amazônia

    Postado por André Sampaio - 26 - mai - 2014 às 17:14 1 comentário

    Entre agosto de 2011 e julho de 2012, estima-se que 78% das áreas com atividades madeireiras no Pará , não tinham autorização de exploração.

     

    Depois de lançar a campanha “Chega de Madeira ilegal”, o Greenpeace divulga uma animação que ilustra como funciona a extração e a importação de nível internacional da madeira extraída na Amazônia e quais danos a prática esta causando ao bioma.

    Grande parte da madeira exportada da Amazônia é ilegal. As madeireiras encontram furos no sistema para legalizar a exploração ilegal através de documentos falsos. Entre agosto de 2011 e julho de 2012, estima-se que 78% das áreas com atividades madeireiras no Pará - maior produtor e exportador de madeira da Amazônia - não tinham autorização de exploração.

    Os madeireiros manipulam o sistema de controle, extraem madeiras de áreas de preservação e as exportam com “documentos oficiais”, que afirmam que a madeira é de origem legal. O sistema de controle que devia proibir a atividade está sendo usado para legitimar a exportação, o que gera lucro para as madeireiras e incentiva o aumento de tal prática.

    A exploração ilegal de madeira na Amazônia está acabando com a floresta tropical que abriga a maior variedade de fauna e flora do mundo e é fundamental para combater as ameaças causadas pelas mudanças climáticas. Também gera conflitos com populações locais e índios, que resultam em morte e desrespeito aos direitos humanos.

    Assista ao vídeo, entenda como esse processo funciona e ajude-nos a salvar a Amazônia.   

       Leia mais >

  • O grito da floresta

    Postado por Luana Lila - 26 - mai - 2014 às 16:42 1 comentário

    Marcha em homenagem a Zé Claudio e Maria (©Greenpeace/Fabio Nascimento)

     

    O povo caminha em marcha, cantando à capela e pisando firme na estrada de chão batido que corta o Projeto de Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, em Nova Ipixuna, no sudeste do Pará. Começa o terceiro ato em memória a José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do
    Espírito Santo, que foram assassinados por pistoleiros em 24 de maio de 2011 numa covarde emboscada.

    A morte do casal há muito estava anunciada. Zé Claudio incomodava madeireiros, fazendeiros e grileiros da região ao levantar a voz para proteger a floresta. Há anos ele vivia ameaçado, mas não se calava. No fim de 2010, foi palestrante do TEDx Amazônia, em Manaus, onde falou
    sobre as ameaças que sofria: “Eu vivo com a bala na cabeça a qualquer hora.... A mesma coisa que fizeram no Acre com Chico Mendes querem fazer comigo. A mesma coisa que fizeram com a Irmã Dorothy querem fazer comigo. Eu posso estar hoje aqui conversando com vocês e daqui a um mês vocês podem ouvir a notícia de que desapareci”.

     


    Cerca de seis meses depois dessa palestra, Zé Claudio seguia de moto com Maria na garupa pela estrada esburacada do assentamento. Eles costumavam passar em alta velocidade para evitar os pistoleiros. Mas a estrada é cheia de pontes improvisadas e buracos gigantes que se
    formam com a chuva forte característica da Amazônia e a falta de infraestrutura do assentamento. Nesse dia, Zé Claudio foi obrigado a reduzir a velocidade para conseguir equilibrar a moto numa dessas pinguelas. E foi ali que estavam os dois pistoleiros que dispararam tiros em direção a eles. Zé Claudio e Maria tombaram. A orelha de Zé Claudio foi cortada como uma espécie de prova dos pistoleiros para os mandantes de que o “serviço” havia sido executado.

    Logo após a morte do casal, irmãos e irmãs de Zé Claudio e Maria que viviam no assentamento foram obrigados a se mudar pra cidade, com as contínuas perseguições e ameaças que deixariam qualquer um aterrorizado, com medo de se tornarem as próximas vítimas. No terceiro ano da morte do casal, a família recebeu o apoio inesperado de várias pessoas através do site Vakinha, que colaboraram para arrecadar fundos com o objetivo de organizar o ato "A floresta vai gritar", que promoveu a marcha para celebrar a vida e a luta de Zé Cláudio e Maria.

    “Esse é o momento de não sofrer mais. A luta é desleal mas a gente tem que ter força e coragem. A gente vai enfrentar. A regra lá no assentamento é o medo. Mas a gente tem que saber que todo mundo junto tem mais força do que eles. Se escondendo a gente estaria dando
    vitória para os assassinos”, disse Claudelice Silva dos Santos, de 32 anos, irmã mais nova de Zé Cláudio. “Esse é um ato de retomada, resistência e o recomeço da luta”, concluiu.

    Desmatamento e assassinatos: uma longa história de violência

    Três anos depois do assassinato, a marcha seguiu com cerca de 150 pessoas que caminhavam sob o sol forte da Amazônia, afundando os pés na lama dessa mesma estrada onde ocorreu a tragédia, caminhando por cerca de oito quilômetros até o local do crime para celebrar uma
    homenagem.

    Ao longo do caminho, a paisagem ao redor da estrada não lembrava em nada a floresta Amazônica. Por todo o horizonte só se via pasto, algumas castanheiras com seus galhos contorcidos, mortas, e os babaçus, que são os primeiros que se erguem depois que uma floresta é desmatada. Um enorme contraste em relação ao lote de Zé Claudio, que é totalmente rodeado pela mata imponente e bela. Produzindo óleo de castanha, polpa de cupuaçu e outros produtos extraídos da floresta, ele a mantinha preservada e sabia extrair renda dela.

    Claudelice explicou que, na região, o ciclo do desmatamento começa com a retirada das espécies de árvores mais valiosas pelos madeireiros, seguida da venda dos galhos que restaram para os carvoeiros e, por fim, a chegada do gado e das pastagens. Zé Claudio dizia que, quando
    ele chegou ao assentamento, 85% do local era de floresta nativa e depois, com a chegada dos madeireiros, restou pouco mais de 20%, “um desastre pra quem vive do extrativismo como eu, que sou castanheiro desde os sete anos de idade, vivo da floresta e protejo ela de todo o jeito”, disse ele, na palestra do TEDx.

    Foi somente depois da repercussão nacional e internacional do assassinato do casal que o Governo Federal resolveu atuar na área, determinando uma rigorosa fiscalização do Ibama. Fornos de carvão e serrarias ilegais foram destruídos e fechados, a extração de madeira
    diminuiu, mas o problema persiste. Segundo dados oficiais do governo, desde a morte da irmã Dorothy Stang, em 2005, até hoje, a Amazônia perdeu mais de 85 mil quilômetros quadrados de mata nativa.

    A impunidade prevalece no campo

    Na marcha estavam representados também Chico Mendes, Dorothy Stang, Dema, Dezinho e outros tantos nomes que tombaram nessa luta injusta e desigual que se trava na Amazônia há mais de 30 anos e que continua deixando mártires pelo caminho.

    Três anos depois que Zé Claudio e Maria morreram, a família ainda tem sido intimidada. Uma caminhonete passou pela marcha e o motorista deixou um recado: “Diz pra essa moça que tá falando no microfone tomar cuidado com o que ela fala”.

    O caso ganhou fama internacional, repercutiu em diversos países, mas, com a absolvição de suspeitos de serem mandantes, o clima de ameaça não cessa. De acordo com a CPT (Comissão Pastoral da Terra), desde 2005, 199 pessoas foram assassinadas na Amazônia. Outro levantamento mostrou que, de 1985 a 2013, foram registrados 699 assassinatos na Amazônia Legal, com 981 vítimas no total. De todos esses, apenas 35 foram julgados, condenando 20 mandantes e 27 executores. Leia mais >

  • As emissões escondidas

    Postado por Marcio Astrini* - 26 - mai - 2014 às 16:38

    Apesar de altas, emissões da atividade madeireira não são contabilizadas. Foto: Greenpeace/Marizilda Cruppe

     

    O saldo negativo do descontrole da atividade madeireira na Amazônia pode ir além dos danos florestais, de biodiversidade e impactos sociais. É isso o que nos revela um estudo que contou com a participação de 10 autores de 11 instituições do Brasil e da Inglaterra.

    A pesquisa mostra que, somente em 2010, a quantidade de carbono perdido na Amazônia por degradação (pela atividade madeireira e pela ocorrência de fogos rasteiros) equivale a cerca de 40% do total de carbono emitido no mesmo período por conta do desmatamento, uma conta de 54 bilhões de toneladas. Hoje, esse volume não aparece nos cálculos oficiais das emissões brasileiras.

    Para piorar, os altos índices de ilegalidade da atividade madeireira na Amazônia podem agravar ainda mais a situação. Entre 2011 e 2012, cerca de 78% das áreas que tiveram extração de madeira no Pará ocorreram de forma ilegal. No Mato Grosso, esse índice atingiu 54%. Madeira retirada ilegalmente não utiliza técnicas de baixo impacto, deixando para trás um enorme rastro de destruição e de prejuízos econômicos e climáticos para o país e para o mundo.

    O estudo completo deve ser publicado na próxima quarta-feira, dia 28, no periódico acadêmico Global Change Biology. Entre os titulares do projeto está a Dra. Érika Berenguer, pesquisadora da Universidade de Lancaster e que por muito tempo colaborou com as campanhas desenvolvidas pelo Greenpeace no Brasil. Parabéns Érika. Agradecimentos e admiração pelo seu trabalho.

    *Marcio Astrini é coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace. Leia mais >

  • Mobilização Nacional Indígena - edição 2014

    Postado por Nathália Clark - 23 - mai - 2014 às 12:31 1 comentário

    Na próxima semana, de segunda a quinta-feira (26 a 29 de maio), povos e organizações indígenas de todo o país promoverão novas manifestações e eventos em defesa de seus direitos e de suas terras. As atividades acontecerão em Brasília, durante a segunda edição da Mobilização Nacional Indígena. Na quarta (28/5), às 9h, está confirmado um Ato Público em Defesa da Agenda Legislativa Indígena, na Câmara dos Deputados.

    Os protestos ocorrem num cenário de ataque generalizado aos direitos indígenas, em especial os direitos territoriais, da parte de vários setores do governo e de um conjunto de atores políticos e econômicos capitaneados pela bancada ruralista no Congresso Nacional.

    Um dos principais objetivos da mobilização da semana que vem é impedir a aprovação da série de projetos contra os direitos indígenas em tramitação no parlamento, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que pretende transferir aos congressistas a atribuição de aprovar a demarcação das Terras Indígenas (TIs); o Projeto de Lei (PLP) 227, que visa abrir essas áreas à exploração econômica; o PL 1610, que regulamenta a mineração nas TIs, entre vários outros.

    Também serão alvos dos protestos, entre outras medidas do governo, a proposta de alteração do procedimento de demarcação das TIs do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e a Portaria 303 da Advocacia-Geral da União (AGU), que objetiva generalizar a todas as TIs as condicionantes definidas para a TI Raposa Serra do Sol (RR), contrariando decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Na prática, todas essas propostas do Executivo e do Legislativo pretendem paralisar definitivamente os processos de demarcação, já suspensos pelo governo federal.

    Enquanto isso, a tramitação de projetos importantes para consolidar os direitos indígenas e que são bandeiras do movimento indígena, como o Estatuto dos Povos Indígenas e o Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI), está paralisada há anos nos corredores do Congresso, sem qualquer avanço. A Mobilização Nacional Indígena também defende a aprovação dessas duas propostas.

    “Vivenciamos uma pactuação dos poderes do Estado e dos representantes do capital contra os direitos indígenas. Está em curso uma virulenta campanha de criminalização, deslegitimação, discriminação, racismo e extermínio dos povos indígenas”, alerta Sônia Guajajara, da coordenação executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Ela destaca, como exemplos dessa campanha, as prisões arbitrárias de integrantes do povo Kaingang no Sul do País, dos cinco tenharim em Humaitá (AM) e, na Bahia, do cacique Babau Tupinambá.

    A Mobilização Nacional Indígena é promovida pela Apib, com apoio do Centro de Trabalho Indigenista (CTI), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Instituto Socioambiental (ISA), Greenpeace, Instituto de Educação do Brasil (IIEB), entre outras organizações indígenas e indigenistas. Em apoio à Mobilização, foi relançado nesta sexta-feira o site A República dos Ruralistas, que passou por uma atualização, com inclusão de novos parlamentares. Leia mais >

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