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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • O Acordo de Paris e as lições de casa para o Brasil

    Postado por Márcio Astrini e Pedro Telles* - 14 - dez - 2015 às 15:00

    O texto aprovado na COP 21 é menos do que o mundo precisa, mas dá um rumo aos esforços que precisam ser feitos. O Brasil ainda deve rever suas metas e torna-las mais ambiciosas

    (©Greenpeace)

    Era noite de sábado (12/12/2015) na cidade de Paris quando o ministro de relações exteriores da França e presidente da Conferência do Clima bateu, simbolicamente, um martelo verde em formato de folha na mesa da presidência da COP 21. Ele anunciava que, a partir daquele momento, o mundo passava a contar com um acordo climático. Neste instante, 196 nações concordavam com um documento inédito. O acordo estava feito, e o trabalho pelo clima, apenas começando.

    Desde o início, sabíamos que a COP 21 era uma cartada importante nas discussões sobre o futuro do planeta. A conferência aconteceu sob a afirmação inequívoca da ciência de que as mudanças climáticas ocorrem por ação do homem, de que a Terra já aqueceu 0,8 oC e de que nunca tivemos tanta concentração de gás carbônico – principal responsável pelo aquecimento global – flutuando sobre nossas cabeças. 

    Meses antes, junto à ciência, o Papa Francisco lançou ao mundo um encíclica, chamando os chefes de Estado à ação e as pessoas à mobilização. Em sua carta, ele foi certeiro: mudanças climáticas são, antes de tudo, um assunto social e têm consequências graves para os mais pobres. Se nada for feito, isso aumentará as desigualdades no mundo. 

    No primeiro dia da COP 21, mais de 140 chefes de nação estavam presentes. Eles fizeram discursos inflamados e promessas às dúzias. Foram pressionados por mais de 2.300 eventos em 175 países que colocaram pessoas nas ruas cobrando mais ação resultados. O recado estava dado.

    Falhar em Paris seria um desastre. Ao mesmo tempo, o triunfo não significaria solução pronta e acabada. O acordo estabelecido naquela noite reflete isso.

    Que acordo é esse?

    O Acordo de Paris é histórico, mas está longe de ser perfeito. É o ponto de partida sem o qual ficaria muito difícil chegarmos a uma solução para o problema climático. Seu principal mérito é apontar claramente que a era dos combustíveis fósseis começou a ruir. Mas ainda há um grande abismo entre seu conteúdo e o que é necessário se fazer na vida real.

    O texto traz pontos importantes, como estabelecer que o mundo deve perseguir o objetivo de não aquecer mais do que 1,5 oC. Também diz que devemos neutralizar as emissões dos gases que provocam o efeito estufa entre os anos de 2050 e 2100. O acordo deveria ser mais preciso, limitando taxativamente o aquecimento máximo a 1,5 oC, e ter 2050 como ponto final para o uso de combustíveis fósseis. O maior problema, no entanto, não está aí. As promessas de cortes de emissões feitas pelos países, ainda que cumpridas em sua totalidade, nos levarão a um aquecimento entre 2,7 oC e 3,5 oC. Isto é, as promessas cumprem metade do que precisamos fazer. E, fique claro, são apenas promessas.

    Se o planejado é insuficiente, precisamos rever imediatamente o prometido e definir ações mais ambiciosas. Eis aí outro problema: a avaliação de como as coisas estão andando só ocorrerá daqui a três anos, e a revisão dos planos (que já sabemos serem insuficientes), daqui a uma década. Simplesmente não faz sentido tanta espera. Rever essas datas é crucial.

    Em relação a finanças, foi aprovado o fundo de 100 bilhões de dólares ao ano até 2020. É uma quantia que deve minimizar os impactos já sofridos pelas mudanças do clima – e é uma boa notícia. No entanto, assuntos como a ajuda para adaptação aos países mais necessitados, a transferência de tecnologia para que poluidores em desenvolvimento realizem as mudanças necessárias e a transparência na análise destas ações, entre outros tópicos, ainda estão escritos em letras fracas, em parágrafos nebulosos. E precisarão ser melhorados nas próximas conferências.

    Florestas reconhecidas, mas sem desmatamento zero

    A questão florestal teve bons e maus momentos ao longo da conferência em Paris. As florestas foram reconhecidas como cruciais para a preservação do clima, e ajudas financeiras foram anunciadas para sua proteção. Os direitos indígenas e de populações tradicionais também são citados em diversas partes do texto, reconhecendo-os como guardiões desses pedaços verdes, que colorem e trazem vida ao nosso planeta. 

    Como já foi dito, no entanto, este não é um acordo perfeito. Não há, nos trechos sobre florestas, um ponto fundamental: o conceito de fim do desmatamento. Além de grave, é uma contradição. Há menos de três meses, na Assembleia Geral em que se determinaram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a própria ONU deliberou que os países acabassem com o desmatamento até 2020. Nada mais natural que a medida aparecesse também no acordo climático. E não aconteceu.

    Também preocupa que o texto abra uma porta para que a preservação florestal seja usada como um mecanismo de compensação de emissões. Isso seria uma autorização para que a limpeza da atmosfera, promovida pelas florestas, permita aqueles que não cumpriram seu papel, de cortar emissões, continuem a poluir. É uma espécie de “vale-sujeira”. Não é o que precisamos.  

    O Acordo de Paris, como podemos ver, é menos do que o mundo precisa, mas tem pontos positivos e dá um rumo global aos esforços que precisam ser feitos. Perto do que tínhamos, é um avanço. Para o que precisamos, ainda falta muito. “Este acordo não irá nos tirar do buraco onde estamos, mas ajuda nossa escalada para fora dele”, disse o presidente mundial do Greenpeace, Kumi Naidoo.

    O trabalho que o governo brasileiro tem pela frente

    O Brasil teve um papel determinante na costura do acordo que saiu da COP 21. Lideramos um dos grupos de negociações e, certamente, nossos representantes ajudaram em muito para que o acordo ocorresse. De volta para casa, porém, nossa atual trajetória ambiental e as promessas que o Brasil enviou para a COP de Paris precisam de mudanças profundas.

    O país, hoje, encontra-se claramente na contramão de alguns dos pontos positivos do acordo. O reconhecimento dos direitos indígenas talvez seja o mais visível deles. Enquanto nos fóruns da ONU eles ganham relevância e respeito, por aqui enfrentam uma tentativa diária e desumana de aniquilação. Não faltam exemplos vindos do Congresso, do Planalto e do dia a dia.

    Nos corredores do poder em Brasília, parlamentares e o governo tentam saquear suas terras, com projetos de mineração e hidrelétricas. A PEC 215, projeto que muda a constituição, pode ser traduzido como o fim dos direitos dessas populações. O atual governo é o que menos demarcou terras indígenas, e o segundo pior no quesito áreas que conservam florestas. Anualmente, os índices de violência e assassinatos dessas populações batem infelizes recordes.

    Outra lição de casa que precisamos fazer imediatamente é rever a fraca e insuficiente promessa que o país enviou à ONU antes da conferência se iniciar. Nela, o plano de combate ao desmatamento, nosso maior causador de emissões, simplesmente não existe. O governo afirma que vai cumprir a lei florestal até o ano de 2030. Não parece sério. Cumprir a lei não é plano, é obrigação. E é algo a ser feito imediatamente, e não daqui a uma década e meia. Além disso, desmatamento não traz apenas danos ambientais, mas causa imensos prejuízos econômicos e sociais. O mínimo que podemos aceitar é zerar o desmatamento.

    Na parte de energia, a contradição é ainda mais evidente. A conferência concordou que o mundo deve caminhar para o fim do uso dos combustíveis fósseis. Por aqui, o plano do governo é de que, nos próximos 10 anos, 70% dos investimentos na área de energia terão como destino fontes poluentes.

    Somos uma das nações com maior potencial para aproveitamento de fontes limpas, mas enviamos à ONU um plano para que, daqui a 15 anos, tenhamos o mesmo percentual de energia renovável de hoje. O compromisso do governo quase não inclui a fonte solar – a mais abundante do país. Além de baixar a conta de luz do cidadão, essa fonte de energia gera empregos e garante segurança energética. Mas sua participação nos planos futuros do país é quase nula.

    Assim como preservar florestas, investir em energia limpa não é apenas uma questão ambiental, ou um favor que fazemos para a contagem de carbono na atmosfera. É uma grande oportunidade para a economia do Brasil e para a vida dos brasileiros. É uma questão de lógica, e depende apenas da vontade de nossos governantes. Esperamos que eles se inspirem no texto que ajudaram a construir.

    Por enquanto, o Acordo de Paris nos dá um sopro de esperança. Já a realidade, é uma tormenta de preocupações.

    *Márcio Astrini é coordenador de Políticas Públicas e Pedro Telles é da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil
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  • É hora da energia solar chegar à casa dos brasileiros

    Postado por Barbara Rubim - 11 - dez - 2015 às 16:51

    Dia 16/12, um projeto de lei será votado e pode facilitar o acesso e a compra de painéis solares no Brasil

    Jovens instalam placas solares no telhado em Vila Isabel, Rio de Janeiro/RJ. (©Otávio Almeida/Greenpeace) Leia mais >

    Na próxima quarta-feira, a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados deve votar um projeto de lei que pode fazer com que a energia solar chegue à casa de todos os brasileiros: o PL do Sol (8322/14). Além de prever isenções para os componentes de um sistema fotovoltaico, o PL também traz alternativas para a ausência de linhas de financiamento para os cidadãos que desejam gerar sua própria energia. Portanto, ficará mais barato e fácil para que todos nós, brasileiros, tenhamos um sistema fotovoltaico em casa.

    Hoje, cerca de 20% do preço de um sistema fotovoltaico é composto por tributos. Se o PL for aprovado, o valor que pagaremos para ter energia solar em casa cairá até 15%. Além disso – e talvez uma das novidades mais importantes – todo trabalhador terá a opção de resgatar seu dinheiro do FGTS para adquirir um sistema e economizar na conta de luz.

    O Brasil conta com mais de mil sistemas de geração de energia solar em casas e estabelecimentos. Se aprovado, o PL do Sol poderá elevar este número para 1 milhão de sistemas até 2020.

    Para isso, contudo, é preciso que a sociedade civil pressione fortemente os parlamentares. Esse Projeto de Lei já deveria ter sido votado há dois meses, mas foi adiado, devido a pressões do Governo – que é contra a proposição e quer que o brasileiro continue a pagar mais caro por sua conta de luz.

    Assine a petição desse link e mande mensagens para os deputados da Comissão de Minas e Energia. Algumas sugestões de mensagens estão aqui. Vamos mostrar aos parlamentares e governantes que queremos um Brasil Solar! 

  • COP21 está chegando ao final, mas o acordo ainda está longe de ser o ideal

    Postado por therrero - 10 - dez - 2015 às 20:48

    O principal ponto que ainda está aberto e merece atenção é a revisão das metas nacionais antes de 2020

    Marcha pelo Clima em Genebra (© Anouk van Asperen / Greenpeace)

    Nos corredores da COP21, um novo texto acaba de sair do forno, trazendo mais novidades sobre como deve ser acordo de Paris. Falta apenas um dia para a conferência acabar e, comparando a versão anterior, vemos alguns avanços nesse texto. “Restam ainda alguns pontos-chave em aberto. E eles ainda devem gerar muita polêmica entre os negociadores nas próximas horas”, diz Pedro Telles, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

    Em relação ao teto de temperatura que devemos estabelecer para os próximos anos, permanece o trecho que diz ser 1,5 oC. O mais provável é que isso não mude mais até o acordo final. Portanto, os países que o assinarão terão que se esforçar para  não permitir que a temperatura do planeta suba mais que 1,5 oC.

    O acordo prevê que poderemos ter até 2050 um pico de emissões de gases. Depois disso, seria hora de neutralizar essas emissões para evitar que a temperatura da Terra suba mais do que 1,5 oC. Isso manteria o aquecimento global com um mínimo de controle, afinal, os estudos mostram que se passarmos de 2 oC, as consequências para todas as populações e para o meio ambiente serão bem mais drásticas.

    “A ideia de ter um pico em 2050 e a neutralização em seguida não é a pior opção entre as que tínhamos em outras versões do acordo. Mas está longe do ideal porque permite muitos anos de emissões e um risco eminente de subir demais a temperatura do globo. Vamos continuar pressionando por um texto que proponha a descarbonização até o meio do século, para garantir um futuro mais seguro”

    Em relação à meta de cada país, as chamadas INDCs, o teor do texto está ruim. Se for mantido o  proposto até agora, as metas só serão revisadas depois de 2020. Como alguma das INDCs são pouco ambiciosas e cortam poucas emissões de gases de efeito estufa, isso significa que ficaremos por pelo menos dez anos com compromissos fracos para combater o aquecimento global. “Esses dez anos são um tempo crucial para os países se adaptarem e cortarem suas emissões. Por isso, a sociedade civil presente aqui na COP pressionará os negociadores até os últimos momentos para que eles estabeleçam uma revisão pré-2020", disse.

    Segundo Martin Kaiser, da área de política internacional do Greenpeace, estamos assistindo a uma exibição de impotência internacional, na COP21. “O texto fala de neutralizar os gases de efeito estufa. Mas por que essa conferência não pode simplesmente dizer que precisamos desistir do carvão, do petróleo e do gás natural pelo menos até 2050? E por que só há uma única menção à palavra “renováveis” e uma em relação à África, sendo que as renováveis com certeza vão dominar a economia do século?”

    Sobre o posicionamento de países desenvolvidos e em desenvolvimento, o texto mantém um direção boa, ainda que tenha pontos em aberto. A linguagem é forte e garante apoio e flexibilidade a países em desenvolvimento.

    A COP 21 está chegando ao final, mas é difícil dizer que esteja perto de um acordo final. Há muitos pontos em aberto que podem garantir um acordo bom ou não. As próximas horas dirão se os presentes na conferência voltarão para casa com a missão cumprida. Leia mais >

  • Greenpeace abre as portas a parceiros para mudar o mundo

    Postado por Clarissa Beretz - 10 - dez - 2015 às 17:38

    Organização convida cerca de 250 personalidades para se engajar em suas campanhas

    Se para mudar o mundo precisamos de todo mundo, o Greenpeace lançou este convite para artistas, atletas, influenciadores das redes digitais e formadores de opinião de diversos perfis. Na terça 08/12 a organização abriu as portas de seu escritório, em São Paulo, para apresentar sua história, forma de atuação, campanhas em desenvolvimento e projetos para 2016.

    Vamos Mudar o Mundo 

    A cantora Pitty, a nadadora Joanna Maranhão, o comediante Felipe Andreoli, a modelo Yasmin Brunet e os atores Paulo Vilhena, Alessandra Negrini e Caco Ciocler foram alguns dos que participarem dessa “imersão”.  Eles puderam conversar com nossos coordenadores de campanha e ativistas e, em primeira mão, assistir ao filme  “How to Change the World”, documentário sobre a origem da organização, com previsão de lançamento público para o ínicio de 2016. Antes do filme, contudo, os convidados participaram da foto “Vamos mudar o mundo", expondo a mensagem em um grande banner aberto na rua.

     

    Você também pode se unir a este grupo de atletas e artistas engajados. Junte-se a nós e #vamosmudaromundo, acesse: www.vamosmudaromundo.org.br

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  • COP21: 1,5 graus Celsius na veia, 100% energia renovável e desmatamento zero

    Postado por Paulo Adário* - 10 - dez - 2015 às 12:36

    Nova proposta de acordo mantém três opções de metas de longo prazo para limitar o aquecimento global. É melhor do que o teto de 2 graus Celsius

    Mobilização Mundial pelo Clima em São Paulo. População fez pressão para que o acordo de Paris inclua o desmatamento zero. (©Zé Gabriel / Greenpeace)

    O novo texto para a proposta de acordo sobre o clima que saiu na tarde de quarta-feira (9 de dezembro) na COP21, em Paris, é meio barro, meio tijolo. Pode dar num muro de lamentações ou abrir portas para um cenário mais otimista para esse planetinha azul rodopiando no espaço.

    Entre coisas boas, o documento mantém três opções de metas de longo prazo para limitar o aumento da temperatura, entre elas o teto de 1,5 graus Celsius. É melhor do que o teto de 2 graus Celsius. E isso inclui o compromisso com um mundo de 100% de energias renováveis no ano de 2050, e com mais florestas do que temos hoje.

    Entre os pontos ruins, sumiu do texto qualquer referência à "integridade dos ecossistemas" - que serve de proteção contra plantações de eucaliptos et caterva ou produção de biocombustíveis, que podem ser positivos em termos da conta de carbono mas desastrosos em termos de preservação do patrimônio florestal.

    Aliás, as florestas parecem o Voldemort do Harry Poter – "aquele de quem não se diz o nome". As florestas são chamadas de "sinks and reservoirs" a que os países são "encorajados a conservar e fortalecer". Só vi uma vez a palavra no novo texto, e nenhuma referência à importância delas para a captação e estocagem de carbono ou para a resiliência de povos indígenas e populações tradicionais.

    Pelo menos os "direitos do povos indígenas" são ressaltados. Esses povos são os maiores defensores das florestas, onde vivem e da qual dependem. 

    É claro que eu não esperaria referências à preservação da biodiversidade – afinal, apesar de a Conferência de Clima e Conferência sobre a Biodiversidade terem o mesmo berço, a Eco-92 do Rio de Janeiro, e reunirem praticamente os mesmos países-membros da ONU, elas são como as linhas paralelas: jamais se encontram.

    A referência a Redd+ (medidas para redução de emissões por desmatamento ou degradação florestal), sumiu do preâmbulo do documento. Foi substituído por referência a "internationally agreed approaches", ou seja, a acordos internacionais anteriores. Não é tão ruim se lembrarmos que Redd+ vem sendo discutido desde a COP13 de Bali (2007) e foi resolvido na COP19 de Varsóvia (2013).

    O pior mesmo é a linguagem covarde usada para tratar a questão do desmatamento: os países são "encorajados a incentivar a redução das emissões por desmatamento e degradação florestal e promover a conservação e o manejo sustentável das florestas e o fortalecimento dos estoques de carbono florestal em países em desenvolvimentos".

    Isso representa um retrocesso inaceitável se comparado com a linguagem adotada pela mesma ONU na reunião de cúpula organizada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, em 2014 – que gerou a Declaração de Nova York – e nas Metas de Desenvolvimento Sustentável aprovadas na reunião da Assembleia-geral de setembro deste ano.

    Essas metas não só são uma poderosa plataforma para fortalecer a contribuição das florestas na defesa do equilíbrio climático no futuro, mas confirmam compromissos assumidos na Declaração de Nova York de, até 2020, parar o desmatamento e restaurar 350 milhões de hectares de florestas degradadas. Logo, ajudam a pavimentar a estrada daqui até 2020, quando o esperado Acordo de Paris entrar em vigor.

    O texto sendo discutido até agora é de uma lamentável miopia: o desmatamento é responsável por cerca de 5 a 8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) lançados na atmosfera a cada ano. É algo como 11% a 17% das emissões globais de gases de efeito estufa. Além disso, as florestas funcionam como poderosa fonte de captação de CO2. E são vitais para cerca de um 1,8 bilhão de pessoas que delas dependem para sua sobrevivência diária, além de ser o lar de 50 milhões de indígenas e populações tradicionais em todo o mundo.

    Protegê-las – e proteger seus grande protetores, os povos indígenas – é fundamental. E fará toda a diferença para o futuro que teremos em nosso planeta.

    *Paulo Adário é estrategista sênior de florestas do Greenpeace.
    (esse texto foi originalmente publicado no Blog do Planeta, da Revista Época)

     

     

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  • Novo rascunho da COP 21 traz esperanças, mas é cedo para comemorar

    Postado por therrero - 9 - dez - 2015 às 16:18

    Foi publicado hoje uma prévia do futuro acordo para conter o aquecimento global. Há pontos importantes garantidos, mas nos próximos três dias de conferência tudo pode acontecer

    Ato na Torre Eiffel, em Paris, pedindo mais energias renováveis como uma das soluções para diminuir as emissões de gases de efeito estufa.

    Um futuro acordo global que poderá conter as mudanças climáticas e será o resultado da COP 21, está um pouco mais próximo de ser fechado. Nesta quarta-feira (9/12), um novo rascunho foi divulgado por Laurent Fabius, ministro das Relações Exteriores francês e presidente da conferência da ONU.

    O texto está com 29 páginas (no último sábado eram 48) e 75% a menos colchetes – sinais adotados nas negociações para indicar os pontos sem consenso entre as delegações. Ou seja, os representantes de governos presentes na reunião, ao que tudo indica, estão diminuindo os impasses.

    Um tema que parece estar assegurado no rascunho é o tempo do ciclo de revisão do futuro acordo. A decisão final deve ser para que os países revisem as metas a cada cinco anos. É um prazo bom (a outra opção era de dez anos) porque permitirá as alterações com mais agilidade, e que, a cada cinco anos, as reduções de gases possam ser cada vez mais elevadas.

    Entre colchetes está o tema dos direitos dos povos indígenas. Esses povos estão entre os mais vulneráveis às mudanças climáticas e já pediram, em ato nesta quarta-feira, que sejam respeitados e incluídos na pauta a COP21.

    Laurent Fabius reconheceu três pontos em conflito: a diferenciação entre as responsabilidades que serão assumidas entre países ricos e pobres, a ambição do futuro pacto e a transferência financeira para a mitigação e adaptação ao aquecimento nos países em desenvolvimento.

    Segundo Pedro Telles, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil,  parece que o texto segue em uma boa direção, mas ainda é cedo para comemorar.

    “O texto que temos hoje nos dá esperanças de sair de Paris com um acordo  relevante e que nos permita enfrentar as mudanças climáticas. Ao mesmo tempo que muitos pontos cruciais ainda podem ser perdidos nos próximos passos das negociações. Os dias serão bem intensos até o acordo final. E vamos continuar pressionado para que não tenhamos perdas, apenas ganhos que tornem o acordo mais ambicioso e garanta um futuro seguro para todos nós.”  Leia mais >

  • Ursa Aurora se une a povos indígenas na COP21

    Postado por therrero - 9 - dez - 2015 às 14:22

    Urso polar gigante do Greenpeace encontrou representantes de povos indígenas, como os Mundurukus, durante a COP21. Ela chegou para pressionar um acordo que barre as mudanças climáticas e proteja as populações mais vulneráveis

    Em frente à ursa Aurora, Leusa Kaba Munduruku, Márcio Astrini, coordenador de relações públicas do Greenpeace, e Rozeninho Saw Munduruku (© Joel Lukhovi / Survival Media Agency)

    Uma convidada especial chegou nesta quarta-feira para a Conferência do Clima da ONU, em Paris: Aurora, a ursa polar gigante, símbolo da campanha do Greenpeace para barrar a exploração de combustíveis fósseis no Ártico.

    Aurora, que pesa três toneladas e tem o tamanho de um ônibus de dois andares, compareceu à COP 21 e se uniu a ativistas da sociedade civil e a representantes de povos indígenas do mundo todo. O objetivo de sua aparição é chamar atenção e pressionar os negociadores presentes na conferência a fechar um acordo ambicioso para conter o aquecimento global. E, ainda, garantir que os direitos desses povos sejam incluídas no texto desse acordo global.

    “A menos de três dias do fim da conferência, as negociações não podem parar. Os ministros aqui presentes devem trazer a ambição para o acordo de longo prazo, assim, poderemos ter a descarbonização total do mundo até 2050, e dar apoio financeiro aos países mais vulneráveis”, disse Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace Internacional. E concluiu: "Assim como lutamos para proteger o clima, devemos também lutar pelos direitos dos povos indígenas, que estão na linha de frente da crescente crise climática”.

    No evento, estiveram presentes dois representantes dos povos indígenas brasileiros: Maria Leusa Kaba Munduruku e Rozeninho Saw Munduruku. Seu povo vive na bacia do Tapajós, na Amazônia, mas está ameaçado pela construção de uma usina hidrelétrica. Se o governo do Brasil construí-la, parte das terras dos Mundurukus será inundadas. "Estamos aqui pra defender nosso rio, nossa floresta e nossa vida. Por isso, somos contra a construção de hidroelétricas na Amazônia", disse Maria Leuza.

    Por conta da resistência às hidrelétricas do governo brasileiro quer construir, Maria Leuza e Rosenildo receberam na segunda-feira (7/12), em Paris, o Prêmio Equador 2015. Eles estiveram ao lado de outros 20 povos de todo o mundo que lutam para proteger o planeta e diminuir os impactos das mudanças climáticas.

    Segundo Kumi Nadoo, precisamos estar unidos para garantir os direitos dos povos indígenas. “É por isso que o Greenpeace apoia a inclusão desse tema no acordo global. Temos que pressionar os líderes que nós elegemos para que eles respeitem os apelos por justiça. E para que se esforcem para um mundo abastecido por fontes renováveis em vez de ser pelas perigosas e sujas fontes fósseis.”

    “Quando esta ursa polar solta seu rugido, ela faz isso por bilhões de pessoas e, principalmente por aquelas que estão na linha de frente das mudanças climáticas”, disse Naidoo. Leia mais >

  • Revista Greenpeace #4: esperança na transformação

    Postado por icrepald - 9 - dez - 2015 às 9:52

    terça-feira, 8 de dezembro de 2015

    Foto: Leonardo Sá

    Lançada nesta quarta-feira (9/11), a quarta edição da revista do Greenpeace reúne histórias que realimentam nossa esperança na mudança urgente que precisamos promover no mundo

    Com novo projeto editorial e gráfico, a publicação apresenta reportagens, histórias, personagens e ideias que mostram que o mundo precisa mudar - e já está mudando.

    A principal matéria da revista destaca a tragédia do rompimento da barragem em Mariana (MG) - ocorrido há um mês - em reportagem especial feita pelos Jornalistas Livres. A equipe independente investiga as causas por trás dessa tragédia.   

    A revista também traz fotos recentes do crescente desmatamento da Amazônia, sua relação direta com a pecuária; e a história do povo Munduruku, que luta para salvar o rio Tapajós, do qual depende para viver. A resistência destes índios é contada em um formato diferente: em quadrinhos assinados por Alexandre de Maio e Júlia Zanolli.

    A Conferência do Clima da ONU (a COP 21), em curso em Paris, é o gancho da revista para apresentar um infográfico que ilustra o estrago que a humanidade fez no mundo até hoje, entre outros conteúdos. A seção, portanto, reforça a urgência da mudança.

    Iniciativas e pessoas mostram por onde seguir transformando o mundo: a liderança indígena Sônia Guajajara é a perfilada da revista, e o filósofo e sócio-fundador do Instituto Socioambiental (ISA) Márcio Santilli e o diretor do departamento de mobilidade de Amsterdã, Fokko Kuik, são os entrevistados da vez.   Leia mais >

    A revista ainda inclui um mapa ilustrado com as melhores ações do Greenpeace em 2015 e nosso vídeo-retrospectiva sobre o trabalho realizado pela organização no Brasil.

    A quarta edição da revista quadrimestral inaugura um novo projeto gráfico, assinado por Pedro Matallo, do Estúdio Luzia, além de novas seções, formatos e arquitetura de navegação.

    Esperamos que você se inspire com o que vai encontrar. Boa leitura!

    Clique aqui e leia a Revista Greenpeace #4  

  • Associação Amarati é a vencedora da votação do Solariza

    Postado por Thaís Herrero - 8 - dez - 2015 às 11:33

    A entidade de Jundiaí (SP) foi a escolhida com 42% dos votos para ganhar um sistema de energia solar

    Atividades na Associação Amarati. (Foto: Joao Ballas/Amarati)

    Associação de Educação Terapêutica Amarati foi a vencedora da votação popular que escolheu uma entidade beneficente para ganhar um sistema de geração de energia solar. Foram 42% dos 19.496 votos totais. 

    A entidade de Jundiaí (SP) oferece tratamento a mais de 250 pessoas com lesões neurológicas ou com necessidades especiais. Isso inclui desde a assistência médica, odontológica e psicológica aos atendidos e seus familiares, quanto o apoio educacional e profissional. São 33 anos de atuação e um trabalho reconhecido no Brasil.

    Essa doação pelo Greenpeace de um sistema de energia solar faz parte do jogo Solariza. Quando o lançamos, nos comprometemos a doar os painéis fotovoltaicos – e sua instalação – a uma entidade beneficente caso chegássemos à meta coletiva de instalar placas solares em 6 milhões de casas no mapa virtual do jogo. Esse número representa a geração de energia suficiente para desligar duas poluentes usinas termelétricas e as nucleares Angra 1 e 2, no Rio de Janeiro.

    Depois da meta, abrimos as inscrições para as entidades interessadas em ganhar o sistema e foram quase 200. E a Amarati ficou entre as três finalistas. Esse número mostra que o país tem muito interesse na geração de energia solar, principalmente para poder baratear a conta de luz, que está cada vez mais alta. E é preciso, portanto, faciltar o acesso aos painéis, que ainda têm altos impostos – e por isso, preços nada convidativos. Em outubro, o governo derrubou um dos impostos para quem gera sua própria eletricidade, mas precisamos de mais incentivos.

    Quando as placas solares estiverem instaladas na sede da entidade, a Amarati contará com a eletricidade vinda de uma fonte limpa, renovável e sem custos, afinal, o sol que chega em nossos telhados é gratuito! A conta de luz ficará mais barata, garantindo maior segurança financeira à entidade. O dinheiro que antes eles gastavam nessas contas, poderá ser revertido para as atividades com as pessoas atendidas.

    Parabéns à Amarati e às entidades finalistas da votação: Abrigo Paulo de Tarso e Casa Santa Gemma pelo trabalho importante que prestam ao Brasil. E um obrigado para todas as entidades que se inscreverem, aos jogadores do Solariza e aos que votaram. Juntos, vamos fazer o sol brilhar mais nos telhados de todo o país! Leia mais >

  • Até o Papa está torcendo – e rezando – pela COP21

    Postado por therrero - 7 - dez - 2015 às 16:45

    Papa Francisco (Foto: Jefrey Bruno/Aleteia)

    Na manhã do domingo 6 de dezembro, o Papa Francisco fez uma oração especial. Segundo a Rádio Vaticano, ele orou pedindo o sucesso da Conferência do Clima, a COP 21, que está acontecendo em Paris. Ao se pronunciar aos fiéis na Praça São Pedro, o Papa afirmou estar acompanhando de perto as negociações que irão culminar num acordo para combater o aquecimento global.

    Ele ainda retomou um dos pontos de sua encíclica, publicada em junho desse ano: “Que tipo de mundo queremos deixar para aqueles que virão depois de nós, para as crianças que estão crescendo?” E ainda disse: “Pelo bem do lar que compartilhamos e pelas futuras gerações, todo esforço deve ser feito em Paris para diminuir os impactos das mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, para combater a pobreza e deixar florescer dignidade humana”.

    Para Martin Kaiser, chefe de política climática internacional do Greenpeace, as palavras do Papa Francisco foram muito bem-vindas porque trazem um poderoso peso moral à questão. “Sua intervenção será sentida nos corredores da conferência”, disse.

    “O Papa já havia dito que precisamos eliminar gradualmente os combustíveis fósseis, mas se estamos caminhando para essa meta até 2050 – como a ciência diz que devemos –, então qualquer coisa em Paris deve explicitar esse objetivo. Ainda não há garantias de que vamos chegar a um acordo digno e os adversários do progresso estarão tramando como travar as negociações. Seria bom que as palavras do Papa fizessem alguns deles pararem para pensar”, afirou Kaiser. Leia mais >

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