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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • No meio do mundo os povos se encontram

    Postado por Luana Lila - 2 - jun - 2014 às 9:38

    Marcha de abertura do Fórum Social Pan-Amazônico, em Macapá (©Greenpeace)

     

    “No meio do mundo os povos se encontram” foi o slogan do VII Fórum Social Pan-Amazônico que aconteceu em Macapá, no Amapá, entre os dias 28 e 31 de maio. O fórum reuniu movimentos sociais e comunidades dos países da Bacia Amazônica, como Brasil, Equador, Venezuela, Bolívia, Guiana Francesa, Colômbia e Peru, com o objetivo de promover a justiça social e ambiental, apoiando a formulação de uma estratégia conjunta de lutas para os povos da Amazônia.

    Entre os principais temas do fórum, os megaprojetos planejados para a Amazônia sofreram intensas críticas por promoverem a destruição do meio ambiente e atingirem comunidades e povos tradicionais. As hidrelétricas foram especialmente rechaçadas por serem construídas sem consulta prévia e desconsiderando o saber local, a cultura e os modos de vida desses povos, expulsando-os  de seus lugares de origem.

    O fórum colocou-se contra a construção das hidrelétricas e em apoio a luta do povo Munduruku contra as hidrelétricas no rio Tapajós, apoiando a geração de energia elétrica a partir da diversificação de fontes.

    Um júri simulado sobre as hidrelétricas do Tapajós foi realizado para que a população que será afetada e estava presente no fórum pudesse expor suas preocupações em relação ao projeto, já que, até agora, nenhuma comunidade da região foi consultada sobre o tema. “Para que, quem e como gerar energia?” é a questão que foi levantada a respeito das hidrelétricas. Organizações, lideranças e movimentos sociais que participaram do fórum assumiram o compromisso de levar o tema para a COP 20, a ser realizada no fim do ano, no Peru.

     

    O fórum discutiu também a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), ratificada pelo Brasil em 2002, que prevê a consulta prévia e informada aos povos indígenas. O assunto foi abordado na carta de encerramento do fórum: “Nossas comunidades indígenas, campesinas, quilombolas, ribeirinhas e tradicionais devem ter suas terras garantidas, respeitadas e protegidas contra os megaprojetos predatórios, destruidores da natureza e da vida humana. Para isto é fundamental, por parte de nossos países, a adesão, respeito e cumprimento aos tratados internacionais que estabelecem o Direito a Consulta Prévia, Livre, Bem Informada e de Boa Fé, como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho e a Declaração de Direitos dos Povos Indígenas da Organização das Nações Unidas”.

    Outros megaprojetos denunciados foram os projetos de mineração a céu aberto, de exploração petrolífera na selva e a expansão de monoculturas. Povos indígenas e quilombolas pediram a garantia de seus territórios, a partir do imediato reconhecimento e homologação de suas terras.

    “Um fórum como esse é importante pra que os diversos movimentos de toda Amazônia possam tomar consciência, identificar estratégias e unificar suas lutas. Os desafios que cercam a Amazônia são similares, trata-se de combater um modelo de desenvolvimento baseado em grandes projetos que não respeitam a Amazônia e os povos que dela vivem”, disse Danicley de Aguiar, da Campanha Amazônia do Greenpeace.

    Na Carta de Macapá, que encerrou o fórum, a mensagem para a próxima edição do evento, a ser realizada em 2016, no Peru, foi de fortalecimento da luta: “A Amazônia é um céu de muitas estrelas. Aqui, em Macapá, assumimos o compromisso de trabalhar para ampliarmos nossa constelação, incorporando ao Fórum Social Panamazonico todos os movimentos e organizações que lutam em defesa de nossos territórios, nossos direitos e os da natureza. Este é o nosso caminho, a nossa luta e o nosso destino”.  Leia mais >

  • Câmara dos Vereadores freia mobilidade de SP

    Postado por Barbara Rubim - 30 - mai - 2014 às 18:15

    Na última quarta-feira, a Câmara dos Vereadores de São Paulo aprovou o Projeto de Lei que põe fim ao rodízio na cidade, mostrando estar em total descompasso com as demandas sociais por uma melhor mobilidade e com os esforços da Prefeitura em priorizar o transporte coletivo.

    Uma melhor mobilidade significa dar aos cidadãos mais opções para se deslocar na cidade. O fim do rodízio vai na contramão disso exatamente porque significa reafirmar a opção pelo transporte individual.

    Leia mais:

    O fato é que o tal do rodízio sempre foi assunto controverso, atraindo muitos inimigos porque, durante um dia da semana, a opção mais cômoda (o carro) teria que ser deixada de lado em prol de um bem maior. Sim, pois o rodízio cumpre dupla função. A primeira é a de tentar melhorar o trânsito na cidade (estima-se que levou à redução de cerca de 15% dos carros na rua), que poderia ser ainda pior. A segunda – e mais importante – é a de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e de poluentes, ou seja, assegurar uma melhor qualidade de vida ao cidadão.

    O princípio é simples: se cada um abre mão de um pouquinho, inicia-se a construção de um todo que é melhor para a coletividade, para mim e para você.

    Essa ideia de construir um coletivo melhor, infelizmente, passou bem longe da Câmara nessa semana, quando os vereadores aprovaram o PL 15/2006, de autoria do Adilson Amadeu (PTB). A votação não foi nominal e esse PL, de tão absurdo, estava fora de pauta desde 2007.

    Contudo, ainda há esperança: o projeto ainda não foi sancionado pelo Prefeito Fernando Haddad, que, ao que tudo indica, não apoia a proposta. Isso mostra, pelo menos nesse caso, existe bom senso em São Paulo, mas só lá no Executivo. Leia mais >

  • Dia de luta e luto para indígenas de todo Brasil

    Postado por Nathália Clark* - 30 - mai - 2014 às 15:16 5 comentários

    Índios se acorrentam ao mastro da bandeira nacional em frente ao Ministério da Justiça em protesto (Foto: Oswaldo Braga de Souza - ISA).

    O último dia da Mobilização Nacional Indígena terminou com ares de tristeza. Nesta quinta-feira, (29), o ministro da (in)Justiça, José Eduardo Cardozo, sinalizou que vai manter a suspensão das demarcações de terras indígenas em todo o país e informou que vai insistir em modificar os procedimentos demarcatórios, conforme proposta que veio a público no final de 2013.

    Cardozo teve uma reunião, na tarde de ontem, em Brasília, com líderes indígenas depois que, às 8h da manhã, as mais de 500 pessoas que participavam da manifestação interditaram as entradas do Ministério da Justiça e ocuparam parte do Eixo Monumental, principal via do centro de Brasília. Um grupo de quilombolas também se juntou ao protesto.

    Bandeira Guarani içada ao lado da bandeira nacional pede demarcação de terras indígenas (©Greenpeace).

    Pouco antes do encontro com o ministro, cinco índios acorrentaram-se ao mastro da bandeira do Brasil, em frente ao ministério, e arriaram o pavilhão nacional a meio mastro para simbolizar o luto dos povos indígenas pelo descaso do governo com seus direitos. Eles também hastearam uma bandeira negra feita pelo povo Guarani no mastro ao lado, que dizia “Assina logo, Cardozo”, em referência ao pedido para que ele libere as portarias declaratórias. O protesto foi pacífico, apesar da presença de um grande contingente de policiais dentro e fora do prédio ao longo do dia.

    Segundo os líderes indígenas, o ministro afirmou que seguirá implantando “mesas de diálogo” locais – envolvendo governos, produtores rurais e índios – para discutir as demarcações sob a justificativa de evitar a judicialização desses processos. Para o movimento indígena, na prática, esse expediente está paralisando a oficialização de novas TIs. Cardozo teve coragem de afirmar ainda que o assassinato do indígena Oziel Terena, em 30 de maio de 2013, foi resultado da portaria declaratória de sua terra, a TI Buriti, em 2010.

    Atividade eleitoreira

    Ministro Eduardo Cardozo (no meio) e a presidente da Fudação Nacional do Índio, Maria Augusta Assirati (à esquerda), em reunião com líderes indígenas (Foto: José Cruz - Agência Brasil).

    “Ele disse que não irá assinar nada, nenhuma portaria declaratória, que irá insistir na tentativa de construir ‘mesas de diálogo’ porque é nessas mesas que há a possibilidade de promover a negociação nos conflitos em áreas indígenas”, informou Wilton Tuxá, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). “O que o governo quer é fazer acordos políticos para ganhar votos. O travamento das demarcações é uma atividade eleitoreira. Certamente os povos indígenas do Brasil vão dar uma resposta a este governo”, finalizou Tuxá.

    De acordo com uma liderança indígena que participou da reunião, Cardozo disse que é necessário negociar com os produtores rurais mesmo nos processos onde não há contestação judicial porque, quando a demarcação avança, novos conflitos aparecem.

    “A reunião foi péssima porque o ministro não demonstrou que tem interesse em resolver nosso problema. Ele não quer se prejudicar com os ruralistas”, avaliou Sônia Guajajara, da coordenação da Apib. Em nota, o ministro afirmou apenas que sua “pasta está empenhada em encontrar soluções para as questões apresentadas por meio da mediação”.

    Os líderes indígenas entregaram uma carta com suas reivindicações. Nela, exigem que Cardozo dê sequência às demarcações e arquive de vez sua proposta de alterar o procedimento de formalização das TIs, que, na prática, pode paralisar definitivamente as demarcações.

    São 37 os processos de demarcação nas mãos do ministro hoje. Sem pendências, eles aguardam apenas a assinatura das portarias declaratórias que reconhecem a posse permanente das comunidades indígenas sobre seus territórios.

    A Mobilização Nacional Indígena terminou as atividades de uma nova rodada de manifestações em Brasília ontem, depois da reunião. O objetivo foi protestar contra a série de propostas e medidas do governo federal e do Congresso que atentam contra os direitos territoriais indígenas.

    *Esta matéria foi escrita pelo Comitê de Comunicação da Mobilização Nacional Indígena Leia mais >

  • Ativistas removidos de plataforma no Ártico

    Postado por Alan Azevedo - 29 - mai - 2014 às 16:44 1 comentário

    Um agente norueguês, vestido de preto, retira ativista do Greenpeace, de vermelho. (©Greenpeace)

     

    Depois de 48 horas, os ativistas do Greenpeace foram removidos pela força de segurança norueguesa da plataforma Transocean Spitsbergen, contratada pela Statoil, que se encontra no Mar de Barents, região do Ártico pertencente à Noruega. Os ativistas escalaram e ocuparam a plataforma na terça-feira de manhã para protestar contra os planos de exploração de petróleo do governo norueguês.

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    O grupo de voluntários é internacional: Dinamarca, Finlândia, Filipinas e Suécia. Dentre eles está Sini Saarela, finlandesa de 32 anos que ficou presa por dois meses na Rússia por escalar outra plataforma no Ártico em setembro passado. Logo antes de ser retirada da Transocean Spitsbergen, Siri conseguiu gravar uma mensagem que foi transmitida ao navio Esperanza, do Greenpeace:

    “Estamos ocupando a plataforma da Statoil há dois dias. Durante esse período ela ficou impedida de navegar ou operar. A polícia está aqui agora, é só uma questão de tempo para nos levarem”. A Transocean Spitsbergen segue agora para o local de perfuração.

     

    Embora os ativistas tenham sido removidos, eles contam com o apoio de mais de 5 milhões de pessoas no mundo inteiro que assinaram a petição para salvar o Ártico das empresas que ameaçam o equilíbrio da região e consequentemente o equilíbrio do nosso planeta.

    O Governo da Noruega se comprometeu a não permitir operações de extração de petróleo perto da borda do gelo ártico – onde o gelo encontra o mar. Entretanto, baseado num pesquisa recente do Polar Institute, a plataforma da Statoil está a 25 quilômetros da borda do gelo, sendo que a distância segura seria de 100 quilômetros. Leia mais >

  • Presidente da Câmara quer consenso na PEC 215

    Postado por Nathália Clark - 28 - mai - 2014 às 23:46 1 comentário

    Presidente Henrique Eduardo Alves recebe comitiva indígena na Câmara dos Deputados (JBatista / Câmara dos Deputados).

     

    O terceiro dia da Mobilização Nacional Indígena foi agitado. E terminou com um saldo positivo para os mais de 600 índios de cerca de 100 diferentes povos de todo o Brasil presentes em Brasília. Durante a reunião com uma comitiva de lideranças na Câmara dos Deputados, o presidente da Casa, Enrique Eduardo Alves (PMDB-RN), se comprometeu a não aprovar ou deixar que siga para votação, até que haja um consenso, a Proposta de Emenda Constitucional que visa passar para o Congresso Nacional a prerrogativa de decisão sobre a demarcação de terras indígenas.  

    “Sem consenso, a PEC 215 não irá para plenário. Esse é o meu compromisso”, assumiu o deputado federal. O presidente da Câmara ressaltou ainda que “por mais forte numericamente que possa ser a bancada (ruralista), eu digo a vocês que com a responsabilidade que eu tenho não posso ser instrumento de uma proposta que fere as nações indígenas”. 

    Segundo avaliação da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), essa foi uma vitória, ainda que modesta. “Apesar de não ter sido um compromisso por escrito, ele afirmou isso na presença de várias lideranças indígenas, da imprensa e dos demais parlamentares presentes. E nós fizemos questão de nos assegurar e reiterar que ele estava falando mesmo em consenso, e não na vontade da maioria, já que essa Casa é composta por uma maioria ruralista e anti-indígena”, afirmou Sonia Guajajara.

    Após a reunião, a comitiva seguiu para o Senado Federal, para uma conversa com o presidente, Renan Calheiros (PMDB-AL). Barrar a PEC 38, de teor semelhante ao da 215, com a diferença de que dá ao Senado a competência para aprovar os processos demarcatórios, foi o pedido dos indígenas ao senador. Um pouco mais enfático do que seu colega de partido e cadeira, Calheiros refutou o avanço destas PECs e garantiu que durante a sua presidência, o destino delas será a gaveta: “Não passarão”.

    Enquanto isso, no gramado do lado de fora, o restante do grupo aguardava seus representantes entoando cânticos e danças. Integrantes do Movimento Uma Gota no Oceano, que tem como bandeira principal a campanha Tamuaté-aki, em apoio às demandas indígenas, os atores Maria Paula e Tony Garrido marcaram presença na mobilização, conversando e dando depoimentos junto aos índios.

    Nas redes sociais, até o pré-candidato à presidencia pelo PV, Eduardo Jorge, se pronunciou em defesa dos índios. “Precisamos reconhecer o direito dos povos indígenas à terra e de tomar suas próprias decisões. Reconhecer também a contribuição de sua cultura ao patrimônio universal. Não podemos deixar passar uma PEC como a 215, que torna exclusividade do Congresso Nacional a demarcação de terras indígenas. O governo brasileiro como um todo deve garantir os direitos dos habitantes ancestrais do Brasil.”

    Coletiva denuncia violência

    Durante a tarde também aconteceu uma coletiva de imprensa, convocada pelo Comitê Popular da Copa, organizador na marcha de terça-feira, para devolver a violência a quem lhe é de direito, ou seja, denunciar os ataques feitos pela polícia contra a sociedade civil – e não o contrário, como noticiaram maliciosa e oportunistamente alguns veículos da grande mídia.

    Segundo balanço divulgado pelo comitê, quatro mil pessoas participaram da passeata que parou o centro de Brasília no final da tarde de ontem. Pelo menos oito manifestantes ficaram feridos, entre eles seis indígenas.

    Na entrevista, os representantes do comitê reforçaram que a marcha era pacífica e que foi fechado um acordo prévio com a Polícia Militar para que ela seguisse tranquilamente até o Estádio Mané Garrincha. Segundo os índios que apoiaram o protesto, eles estavam dançando e cantando quando foram surpreendidos pela cavalaria e pela tropa de choque da PM.

    “Os indígenas foram vítimas da repressão do Estado em uma caminhada pacífica”, salientou Marcos Xukuru, da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME). Ele informou que depois que a tropa de choque barrou a passagem dos manifestantes, eles foram atacados por uma saraivada de bombas de gás e de balas de borracha. Xukuru ressaltou que, se houve reação de alguns indígenas, foi em legítima defesa.

    Xukuru e outras lideranças indígenas presentes à coletiva voltaram a condenar o fato de o governo gastar bilhões com os estádios e obras da Copa, enquanto as demarcações de terras indígenas continuam paralisadas e as políticas de educação, saúde e proteção dos territórios seguem precárias. Leia mais >

  • Protesto em Israel contra madeira ilegal

    Postado por Luana Lila - 28 - mai - 2014 às 14:52

    Ipê florido no meio da floresta Amazônica. Essa é a árvore preferida de Israel, que importa grandes quantidades dessa madeira ilegal 'lavada'. (© Greenpeace / Daniel Beltrá)

     

    Ativistas do Greenpeace fizeram uma ação em Tel Aviv, Israel, para expor o problema da extração ilegal de madeira na Amazônia brasileira. Escaladores abriram faixas com os dizeres: “Pare o crime na Amazônia” (em inglês). Oito ativistas foram presos. Uma carta foi entregue na prefeitura de Tel Aviv para exigir que a cidade pare de utilizar madeira da Amazônia sem garantias de origem.

    A atividade ocorre após o lançamento da investigação de dois anos do Greenpeace que revelou o descontrole e os altos índices de ilegalidade que imperam no setor madeireiro na região. 

    Israel se tornou um dos destinos chave para a madeira proveniente da Amazônia brasileira: em 2013, o país foi o 11º maior importador em termos de valor (US$) para todas as madeiras amazônicas, totalizando cerca de 5 mil toneladas de madeira, a grande maioria supostamente de ipê, espécie da qual é o atual 8º maior importador. Cerca de 80% das importações do país vieram de dois Estados: Pará e Mato Grosso, onde, respectivamente, 78% e 54% das explorações madeireiras aconteceram em áreas sem autorização e, portanto, de forma ilegal.

    Leia mais:

    A ação ocorreu em resposta aos planos da prefeitura de usar madeira em deques e pergolados de obras públicas em Tel Aviv, onde quase todos os projetos atuais preveem a utilização de ipê. O moderno complexo do Porto da cidade, por exemplo, já construiu deques feitos de ipê totalizando mais de 20 mil metros quadrados. Acredita-se que este seja um dos maiores projetos do mundo que utiliza esta espécie de madeira.

    Além do Porto de Tel Aviv, outros exemplos são a mais antiga estação de trens em Jerusalém e, mais recentemente, o Passeio de Tel Aviv, onde está sendo feito um projeto de reforma para instalar deques e pérgulas  com o uso de ipê.

    A investigação do Greenpeace também apontou que a empresa contratada para a primeira fase do projeto do Passeio de Tel Aviv negocia com fornecedores brasileiros que compram de várias pequenas serrarias ligadas com a lavagem de madeira ilegal. Leia mais >

    Na Amazônia, o atual sistema oficial de controle da exploração florestal não é capaz de oferecer garantias de que a origem da madeira seja legal. Por este motivo, há cerca de duas semanas o Greenpeace lançou a campanha “chega de madeira ilegal”, onde pede a consumidores de todo o mundo que só adquiram madeira proveniente da Amazônia caso esta apresente garantias de origem e rastreabilidade de produção.

    A denúncia e os protestos também se espalharam por outros países que compram madeira brasileira como Itália, França, Espanha, Inglaterra e Estados Unidos. Como resposta, o ministro italiano de Agricultura e Florestas, Maurizio Martina, anunciou a aprovação de decreto que regulamenta a aplicação da legislação europeia de combate à madeira ilegal. Na França, ativistas embargaram simbolicamente um carregamento de madeira vindo da Amazônia brasileira, com indícios de ilegalidade. Na semana passada, ativistas do Greenpeace bloquearam, no estado de Virgínia, Estados Unidos, a entrada da empresa Lumber Liquidators, uma das maiores varejistas de produtos de madeira do país, durante reunião de sócios e investidores da companhia.

    “A situação da madeira brasileira está completamente fora de controle. Os sistemas que deveriam controlar a extração de madeira na Amazônia estão na verdade servindo pra legalizar boa parte da extração predatória e ilegal. Iremos denunciar isso ao redor do mundo até que os problemas sejam solucionados”, afirmou Marina Lacorte, da campanha Amazônia do Greenpeace.

    Leia mais: Comércio israelense de madeiras da floresta amazônica

  • O que o satélite não vê

    Postado por Márcio Astrini - 28 - mai - 2014 às 14:37 1 comentário

     

    O Deter, sistema de detecção em tempo real do desmatamento do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) identificou, entre agosto de 2013 e 30 de abril deste ano, 1,5 mil km² de alertas de desmatamento, o que representa, segundo cálculos do Ministério do Meio Ambiente, uma redução de 20% na comparação com o período anterior. O anúncio vem um dia depois da publicação de informações de que o desmatamento na Mata Atlântica sofreu alta de 9%.

    O sistema Deter, ao contrário do Prodes, não mede o tamanho total do desmatamento, mas pode indicar um quadro de tendência. Mesmo assim, qualquer notícia de diminuição da derrubada da floresta é bem vinda. Porém, devemos considerar alguns fatos.

    Independente do número oficial, a quantidade de floresta que continua a ser perdida na Amazônia é alarmante e injustificável, ainda mais considerando que somos um país que pode continuar se desenvolvendo e até mesmo dobrar a produção de alimentos sem derrubar mais nenhum hectare de floresta.

    Além disso, houve um aumento de concentração de nuvens em torno de 20% em comparação ao mesmo período da medição anterior. As nuvens limitam a capacidade de detecção dos satélites, o que pode impedir a visualização de áreas que sofreram desmate. Por fim, e caso confirmada, a queda anunciada ainda seria menor do que o aumento de 28% registrado no ano passado, o que  nos deixaria mais distantes de acabar com o desmatamento do que estávamos há dois anos atrás.

    Mais do que em números, precisamos nos concentrar no que acontece no chão da floresta e que não sai nas fotografias enviadas pelos satélites. Há cerca de uma semana, lançamos uma campanha que denuncia o total quadro de descontrole e ilegalidade que imperam num dos maiores vetores de desmatamento da Amazônia, que é a extração madeireira. Segundo o IMAZON, entre 2011 e 2012 houve um aumento de 151% da extração ilegal de madeira apenas no Estado do Pará. A extração ilegal serve, na maioria das vezes, para financiar a operação do desmatamento, que é o que compõe os números finais do estrago florestal. Pior que isso, hoje os sistemas oficiais do governo que deveriam controlar e combater essa situação prestam o vergonhoso serviço de gerar documentos para “legalizar” madeira ilegal, alimentando o quadro atual.

    Somente nos estados do Maranhão e Pará, quase 500 mil m³ de madeira serrada apresentaram documentos fraudulentos em 2013 – o suficiente para carregar 14 mil caminhões. Entre 2007 e 2012, uma falha nos sistemas permitiu que fosse irregularmente autorizada a comercialização de 1,9 milhão de metros cúbicos de produtos florestais, volume equivalente à uma área de 64 mil hectares de floresta explorada de forma ilegal, mais do que a área urbana da cidade do Rio de Janeiro. Leia mais >

    Ineficiência de sistemas de controle, planos de manejo fraudulentos, impunidade, falta de governança na floresta, afrouxamento das leis ambientais  e o sucateamento dos órgãos de fiscalização são a base dos lamentáveis números de floresta perdida que são anunciados anualmente. E esses crimes contra a floresta acontecem principalmente em salas refrigeradas e gabinetes, locais que, mesmo sem nuvens, não são detectados pelos satélites.

  • Acompanhe ao vivo a Mobilização Indígena

    Postado por Nathália Clark - 28 - mai - 2014 às 13:18 1 comentário

    Como parte da Mobilização Nacional Indígena, uma comitiva formada por representantes de povos de cada região do Brasil se reunirá nesta quarta-feira (28), às 15h30, com o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para discutir a agenda legislativa de ataque aos seus direitos garantidos pela Constituição Federal. Os demais ficarão reunidos no gramado em frente ao Congresso Nacional.

    A partir das 15h, a equipe do Greenpeace transmitirá ao vivo as atividades da mobilização. A atriz e apresentadora Maria Paula, que faz parte do Movimento Uma Gota no Oceano – que apoia a Mobilização Indígena através da campanha Tamuaté-aki –, participará da transmissão realizando entrevistas com as lideranças.

    Na tarde de ontem, a repressão policial durante a manifestação puxada pelo Comitê Popular da Copa – e apoiada pelos mais de 600 índios presentes em Brasília para a Mobilização Nacional –, deixou seis indígenas feridos.

    Às 14h, o Comitê da Copa chamou uma coletiva de imprensa para denunciar a violência das forças armadas nacionais contra a sociedade civil. Os índios feridos e dois representantes da mobilização estarão presentes para falar sobre o ataque que vem ocorrendo sistematicamente aos povos tradicionais.

    Como parte igualmente afetada pelo modelo de desenvolvimento escolhido pelo governo brasileiro para o país, que inclui a construção de rodovias, empreendimentos e eventos que impactam diretamente as populações tradicionais e a sociedade urbana, em detrimento de serviços básicos como saúde e educação, e do qual a Copa do Mundo é um exemplo claro, os indígenas apoiam os movimentos sociais na luta por direitos, e participaram da marcha de ontem para demonstrar isso. Leia mais >

  • Violência e dissimulação em marcha anti-Copa

    Postado por Nathália Clark - 27 - mai - 2014 às 21:45 1 comentário

    Seis indígenas, um fotógrafo da Reuters e um padre foram feridos durante ataque da polícia em manifestação em Brasília (Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr).

     

    Após manifestarem na Praça dos Três Poderes e protocolarem uma denúncia no Supremo Tribunal Federal (STF) contra dois deputados federais, os mais de 500 indígenas presentes na capital federal para a Mobilização Nacional Indígena engrossaram o coro junto a cerca de 400 trabalhadores sem teto, além de dezenas de movimentos e organizações sociais, coletivos e ativistas de diversas áreas que participaram do Comitê Popular da Copa, que aconteceu na tarde desta terça-feira (27), em Brasília (DF).

    O objetivo da manifestação é explicitar os diversos crimes e violações cometidos contra a população para possibilitar a realização de uma Copa do Mundo que não traz benefícios para a população. Dentre eles estão: a remoção de 250 mil pessoas de suas casas para a construção de obras, a mudança da legislação para a efetivação de políticas de exceção, a criminalização dos movimentos sociais, dentre outros.

    Durante a manifestação pacífica – e a menos de três semanas do evento esportivo que vai colocar o Brasil nos holofotes de todo o mundo –, a polícia mostrou novamente suas armas contra a população, como em junho do ano passado. Seis indígenas, um fotógrafo da Reuters e um padre foram feridos durante o ataque da PM. Três pessoas foram presas.

    Antes de se juntarem à marcha que seguiu pela Esplanada dos Ministérios até o estádio Mané Garrincha, os índios ocuparam a marquise do Congresso Nacional em protesto contra o abuso de propostas legislativas a seus direitos Constitucionais, e entoaram discursos inflamados em frente ao Ministério da Justiça.

    Frente à desvirtuação do foco da grande imprensa quanto às notícias sobre a violência na manifestação, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) divulgou uma carta repudiando a ação das forças armadas brasileiras e esclarecendo o verdadeiro ocorrido.

    Veja abaixo a íntegra da carta:

    A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) vem a público repudiar a violenta e despropositada ação da Polícia Militar do Distrito Federal, que reprimiu na tarde desta terça-feira, 27/05, ato pacífico em que participavam cerca de 600 lideranças indígenas de todo o país.

    Por volta das 17h40 os indígenas, que estão em Brasília participando da Mobilização Nacional em Defesa dos Direitos Territoriais de seus povos, se uniram ao ato convocado pelo Comitê Popular da Copa – DF e marchavam tranquilamente em direção ao Estádio Nacional Mané Garrincha quando foram surpreendidos pela Cavalaria da Polícia com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, spray de pimenta e tiros de bala de borracha.

    O Tenente Coronel Moreno, da Polícia Militar, havia feito acordo com o Comitê Popular da Copa para assegurar a chegada do protesto pacífico ao Estádio Nacional Mané Garrincha. Porém, quando os manifestantes se aproximaram do estádio, começaram a ser atacados pela polícia.

    Seis lideranças indígenas foram atingidas por balas de borracha, entre elas uma mulher do povo Pankararu, do Nordeste. Um fotógrafo da Agência Reuters sofreu ferimento na perna por resquícios da explosão de uma bomba de efeito moral. Um padre que acompanhava o povo Xerente foi atingido na mão por uma bala de borracha. Além dos feridos, três manifestantes foram presos.

    Diante desses fatos, exigimos a apuração imediata dos abusos cometidos pela polícia que são parte da estratégia de criminalização dos movimentos sociais e dos nossos povos.

    Brasília-DF, 27 de maio de 2014.

    Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB Leia mais >

  • Indígenas denunciam parlamentares ao STF

    Postado por Nathália Clark - 27 - mai - 2014 às 14:17

    Manifestação na Praça dos Três Poderes, em Brasília, marcou o primeiro dia de aparição pública da Mobilização Nacional Indígena.

     

    A Praça dos Três Poderes, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, tornou-se o pátio principal para as mais de 500 lideranças indígenas, de cerca de 100 diferentes povos de todo o Brasil, organizadas na Mobilização Nacional Indígena.

    No final da manhã desta terça-feira (27), após danças, cantos e manifestações que incluíram a abertura de cartazes que pediam a demarcação de suas terras, uma comissão protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma queixa-crime contra os deputados federais Luiz Carlos Heinze (PP-RS) e Alceu Moreira (PMDB-RS), pelo episódio em que protagonizam um vídeo gravado durante audiência pública da Comissão de Agricultura, realizada em novembro do ano passado com produtores rurais de Vicente Dutra (RS), no qual incitam a violência contra indígenas, quilombolas e homossexuais.

    Documento foi protocolado no STF na manhã desta terça-feira.

    Leia a íntegra da queixa-crime

    A comissão, composta pela direção da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e por lideranças indígenas de cada uma das regiões do país, entregou ao Supremo um documento em que pedem que os ministros apurem as declarações racistas e homofóbicas desses parlamentares. O documento solicita ainda a apuração dos crimes de incitação à violência e ao ódio contra as comunidades que reivindicam seus territórios tradicionais.

    Os ataques foram desferidos por Moreira e Heinze, atual presidente da Frente Parlamentar Agropecuária na Câmara dos Deputados, em discurso na audiência, financiada com dinheiro público. Os parlamentares incentivam os agricultores a formar milícias e pedem que eles impeçam as retomadas de terras proferidas por indígenas com violência. 

    Assista aqui ao vídeo

    Segundo Cretã Kaingang, liderança do Sul do Brasil, o conflito fundiário em Faxinalzinho (RS) foi acirrado por essas declarações: “Nunca quisemos tirar o direito de ninguém. Apenas queremos o pouco que restou de nossas terras. Os deputados estão querendo jogar pequenos agricultores e a sociedade não-índia contra nós”, afirma a liderança. Leia o pronunciamento dos Kaingang de Kandóia-Votouro sobre o conflito.

    Durante o trajeto das delegações indígenas de Luziânia (GO) – onde fica localizada a chácara do Cimi, que abriga as comitivas indígenas – para Brasília (DF), a Polícia Rodoviária Federal parou os cinco ônibus na BR-040, altura do município de Santa Maria, para contar a quantidade de indígenas em cada ônibus. Segundo as lideranças, os policiais afirmaram ter recebido ordens para informar quantas pessoas estavam se deslocando para a Esplanada dos Ministérios. Leia mais >

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