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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • COP21: 1,5 graus Celsius na veia, 100% energia renovável e desmatamento zero

    Postado por Paulo Adário* - 10 - dez - 2015 às 12:36

    Nova proposta de acordo mantém três opções de metas de longo prazo para limitar o aquecimento global. É melhor do que o teto de 2 graus Celsius

    Mobilização Mundial pelo Clima em São Paulo. População fez pressão para que o acordo de Paris inclua o desmatamento zero. (©Zé Gabriel / Greenpeace)

    O novo texto para a proposta de acordo sobre o clima que saiu na tarde de quarta-feira (9 de dezembro) na COP21, em Paris, é meio barro, meio tijolo. Pode dar num muro de lamentações ou abrir portas para um cenário mais otimista para esse planetinha azul rodopiando no espaço.

    Entre coisas boas, o documento mantém três opções de metas de longo prazo para limitar o aumento da temperatura, entre elas o teto de 1,5 graus Celsius. É melhor do que o teto de 2 graus Celsius. E isso inclui o compromisso com um mundo de 100% de energias renováveis no ano de 2050, e com mais florestas do que temos hoje.

    Entre os pontos ruins, sumiu do texto qualquer referência à "integridade dos ecossistemas" - que serve de proteção contra plantações de eucaliptos et caterva ou produção de biocombustíveis, que podem ser positivos em termos da conta de carbono mas desastrosos em termos de preservação do patrimônio florestal.

    Aliás, as florestas parecem o Voldemort do Harry Poter – "aquele de quem não se diz o nome". As florestas são chamadas de "sinks and reservoirs" a que os países são "encorajados a conservar e fortalecer". Só vi uma vez a palavra no novo texto, e nenhuma referência à importância delas para a captação e estocagem de carbono ou para a resiliência de povos indígenas e populações tradicionais.

    Pelo menos os "direitos do povos indígenas" são ressaltados. Esses povos são os maiores defensores das florestas, onde vivem e da qual dependem. 

    É claro que eu não esperaria referências à preservação da biodiversidade – afinal, apesar de a Conferência de Clima e Conferência sobre a Biodiversidade terem o mesmo berço, a Eco-92 do Rio de Janeiro, e reunirem praticamente os mesmos países-membros da ONU, elas são como as linhas paralelas: jamais se encontram.

    A referência a Redd+ (medidas para redução de emissões por desmatamento ou degradação florestal), sumiu do preâmbulo do documento. Foi substituído por referência a "internationally agreed approaches", ou seja, a acordos internacionais anteriores. Não é tão ruim se lembrarmos que Redd+ vem sendo discutido desde a COP13 de Bali (2007) e foi resolvido na COP19 de Varsóvia (2013).

    O pior mesmo é a linguagem covarde usada para tratar a questão do desmatamento: os países são "encorajados a incentivar a redução das emissões por desmatamento e degradação florestal e promover a conservação e o manejo sustentável das florestas e o fortalecimento dos estoques de carbono florestal em países em desenvolvimentos".

    Isso representa um retrocesso inaceitável se comparado com a linguagem adotada pela mesma ONU na reunião de cúpula organizada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, em 2014 – que gerou a Declaração de Nova York – e nas Metas de Desenvolvimento Sustentável aprovadas na reunião da Assembleia-geral de setembro deste ano.

    Essas metas não só são uma poderosa plataforma para fortalecer a contribuição das florestas na defesa do equilíbrio climático no futuro, mas confirmam compromissos assumidos na Declaração de Nova York de, até 2020, parar o desmatamento e restaurar 350 milhões de hectares de florestas degradadas. Logo, ajudam a pavimentar a estrada daqui até 2020, quando o esperado Acordo de Paris entrar em vigor.

    O texto sendo discutido até agora é de uma lamentável miopia: o desmatamento é responsável por cerca de 5 a 8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) lançados na atmosfera a cada ano. É algo como 11% a 17% das emissões globais de gases de efeito estufa. Além disso, as florestas funcionam como poderosa fonte de captação de CO2. E são vitais para cerca de um 1,8 bilhão de pessoas que delas dependem para sua sobrevivência diária, além de ser o lar de 50 milhões de indígenas e populações tradicionais em todo o mundo.

    Protegê-las – e proteger seus grande protetores, os povos indígenas – é fundamental. E fará toda a diferença para o futuro que teremos em nosso planeta.

    *Paulo Adário é estrategista sênior de florestas do Greenpeace.
    (esse texto foi originalmente publicado no Blog do Planeta, da Revista Época)

     

     

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  • Novo rascunho da COP 21 traz esperanças, mas é cedo para comemorar

    Postado por therrero - 9 - dez - 2015 às 16:18

    Foi publicado hoje uma prévia do futuro acordo para conter o aquecimento global. Há pontos importantes garantidos, mas nos próximos três dias de conferência tudo pode acontecer

    Ato na Torre Eiffel, em Paris, pedindo mais energias renováveis como uma das soluções para diminuir as emissões de gases de efeito estufa.

    Um futuro acordo global que poderá conter as mudanças climáticas e será o resultado da COP 21, está um pouco mais próximo de ser fechado. Nesta quarta-feira (9/12), um novo rascunho foi divulgado por Laurent Fabius, ministro das Relações Exteriores francês e presidente da conferência da ONU.

    O texto está com 29 páginas (no último sábado eram 48) e 75% a menos colchetes – sinais adotados nas negociações para indicar os pontos sem consenso entre as delegações. Ou seja, os representantes de governos presentes na reunião, ao que tudo indica, estão diminuindo os impasses.

    Um tema que parece estar assegurado no rascunho é o tempo do ciclo de revisão do futuro acordo. A decisão final deve ser para que os países revisem as metas a cada cinco anos. É um prazo bom (a outra opção era de dez anos) porque permitirá as alterações com mais agilidade, e que, a cada cinco anos, as reduções de gases possam ser cada vez mais elevadas.

    Entre colchetes está o tema dos direitos dos povos indígenas. Esses povos estão entre os mais vulneráveis às mudanças climáticas e já pediram, em ato nesta quarta-feira, que sejam respeitados e incluídos na pauta a COP21.

    Laurent Fabius reconheceu três pontos em conflito: a diferenciação entre as responsabilidades que serão assumidas entre países ricos e pobres, a ambição do futuro pacto e a transferência financeira para a mitigação e adaptação ao aquecimento nos países em desenvolvimento.

    Segundo Pedro Telles, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil,  parece que o texto segue em uma boa direção, mas ainda é cedo para comemorar.

    “O texto que temos hoje nos dá esperanças de sair de Paris com um acordo  relevante e que nos permita enfrentar as mudanças climáticas. Ao mesmo tempo que muitos pontos cruciais ainda podem ser perdidos nos próximos passos das negociações. Os dias serão bem intensos até o acordo final. E vamos continuar pressionado para que não tenhamos perdas, apenas ganhos que tornem o acordo mais ambicioso e garanta um futuro seguro para todos nós.”  Leia mais >

  • Ursa Aurora se une a povos indígenas na COP21

    Postado por therrero - 9 - dez - 2015 às 14:22

    Urso polar gigante do Greenpeace encontrou representantes de povos indígenas, como os Mundurukus, durante a COP21. Ela chegou para pressionar um acordo que barre as mudanças climáticas e proteja as populações mais vulneráveis

    Em frente à ursa Aurora, Leusa Kaba Munduruku, Márcio Astrini, coordenador de relações públicas do Greenpeace, e Rozeninho Saw Munduruku (© Joel Lukhovi / Survival Media Agency)

    Uma convidada especial chegou nesta quarta-feira para a Conferência do Clima da ONU, em Paris: Aurora, a ursa polar gigante, símbolo da campanha do Greenpeace para barrar a exploração de combustíveis fósseis no Ártico.

    Aurora, que pesa três toneladas e tem o tamanho de um ônibus de dois andares, compareceu à COP 21 e se uniu a ativistas da sociedade civil e a representantes de povos indígenas do mundo todo. O objetivo de sua aparição é chamar atenção e pressionar os negociadores presentes na conferência a fechar um acordo ambicioso para conter o aquecimento global. E, ainda, garantir que os direitos desses povos sejam incluídas no texto desse acordo global.

    “A menos de três dias do fim da conferência, as negociações não podem parar. Os ministros aqui presentes devem trazer a ambição para o acordo de longo prazo, assim, poderemos ter a descarbonização total do mundo até 2050, e dar apoio financeiro aos países mais vulneráveis”, disse Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace Internacional. E concluiu: "Assim como lutamos para proteger o clima, devemos também lutar pelos direitos dos povos indígenas, que estão na linha de frente da crescente crise climática”.

    No evento, estiveram presentes dois representantes dos povos indígenas brasileiros: Maria Leusa Kaba Munduruku e Rozeninho Saw Munduruku. Seu povo vive na bacia do Tapajós, na Amazônia, mas está ameaçado pela construção de uma usina hidrelétrica. Se o governo do Brasil construí-la, parte das terras dos Mundurukus será inundadas. "Estamos aqui pra defender nosso rio, nossa floresta e nossa vida. Por isso, somos contra a construção de hidroelétricas na Amazônia", disse Maria Leuza.

    Por conta da resistência às hidrelétricas do governo brasileiro quer construir, Maria Leuza e Rosenildo receberam na segunda-feira (7/12), em Paris, o Prêmio Equador 2015. Eles estiveram ao lado de outros 20 povos de todo o mundo que lutam para proteger o planeta e diminuir os impactos das mudanças climáticas.

    Segundo Kumi Nadoo, precisamos estar unidos para garantir os direitos dos povos indígenas. “É por isso que o Greenpeace apoia a inclusão desse tema no acordo global. Temos que pressionar os líderes que nós elegemos para que eles respeitem os apelos por justiça. E para que se esforcem para um mundo abastecido por fontes renováveis em vez de ser pelas perigosas e sujas fontes fósseis.”

    “Quando esta ursa polar solta seu rugido, ela faz isso por bilhões de pessoas e, principalmente por aquelas que estão na linha de frente das mudanças climáticas”, disse Naidoo. Leia mais >

  • Revista Greenpeace #4: esperança na transformação

    Postado por icrepald - 9 - dez - 2015 às 9:52

    terça-feira, 8 de dezembro de 2015

    Foto: Leonardo Sá

    Lançada nesta quarta-feira (9/11), a quarta edição da revista do Greenpeace reúne histórias que realimentam nossa esperança na mudança urgente que precisamos promover no mundo

    Com novo projeto editorial e gráfico, a publicação apresenta reportagens, histórias, personagens e ideias que mostram que o mundo precisa mudar - e já está mudando.

    A principal matéria da revista destaca a tragédia do rompimento da barragem em Mariana (MG) - ocorrido há um mês - em reportagem especial feita pelos Jornalistas Livres. A equipe independente investiga as causas por trás dessa tragédia.   

    A revista também traz fotos recentes do crescente desmatamento da Amazônia, sua relação direta com a pecuária; e a história do povo Munduruku, que luta para salvar o rio Tapajós, do qual depende para viver. A resistência destes índios é contada em um formato diferente: em quadrinhos assinados por Alexandre de Maio e Júlia Zanolli.

    A Conferência do Clima da ONU (a COP 21), em curso em Paris, é o gancho da revista para apresentar um infográfico que ilustra o estrago que a humanidade fez no mundo até hoje, entre outros conteúdos. A seção, portanto, reforça a urgência da mudança.

    Iniciativas e pessoas mostram por onde seguir transformando o mundo: a liderança indígena Sônia Guajajara é a perfilada da revista, e o filósofo e sócio-fundador do Instituto Socioambiental (ISA) Márcio Santilli e o diretor do departamento de mobilidade de Amsterdã, Fokko Kuik, são os entrevistados da vez.   Leia mais >

    A revista ainda inclui um mapa ilustrado com as melhores ações do Greenpeace em 2015 e nosso vídeo-retrospectiva sobre o trabalho realizado pela organização no Brasil.

    A quarta edição da revista quadrimestral inaugura um novo projeto gráfico, assinado por Pedro Matallo, do Estúdio Luzia, além de novas seções, formatos e arquitetura de navegação.

    Esperamos que você se inspire com o que vai encontrar. Boa leitura!

    Clique aqui e leia a Revista Greenpeace #4  

  • Associação Amarati é a vencedora da votação do Solariza

    Postado por Thaís Herrero - 8 - dez - 2015 às 11:33

    A entidade de Jundiaí (SP) foi a escolhida com 42% dos votos para ganhar um sistema de energia solar

    Atividades na Associação Amarati. (Foto: Joao Ballas/Amarati)

    Associação de Educação Terapêutica Amarati foi a vencedora da votação popular que escolheu uma entidade beneficente para ganhar um sistema de geração de energia solar. Foram 42% dos 19.496 votos totais. 

    A entidade de Jundiaí (SP) oferece tratamento a mais de 250 pessoas com lesões neurológicas ou com necessidades especiais. Isso inclui desde a assistência médica, odontológica e psicológica aos atendidos e seus familiares, quanto o apoio educacional e profissional. São 33 anos de atuação e um trabalho reconhecido no Brasil.

    Essa doação pelo Greenpeace de um sistema de energia solar faz parte do jogo Solariza. Quando o lançamos, nos comprometemos a doar os painéis fotovoltaicos – e sua instalação – a uma entidade beneficente caso chegássemos à meta coletiva de instalar placas solares em 6 milhões de casas no mapa virtual do jogo. Esse número representa a geração de energia suficiente para desligar duas poluentes usinas termelétricas e as nucleares Angra 1 e 2, no Rio de Janeiro.

    Depois da meta, abrimos as inscrições para as entidades interessadas em ganhar o sistema e foram quase 200. E a Amarati ficou entre as três finalistas. Esse número mostra que o país tem muito interesse na geração de energia solar, principalmente para poder baratear a conta de luz, que está cada vez mais alta. E é preciso, portanto, faciltar o acesso aos painéis, que ainda têm altos impostos – e por isso, preços nada convidativos. Em outubro, o governo derrubou um dos impostos para quem gera sua própria eletricidade, mas precisamos de mais incentivos.

    Quando as placas solares estiverem instaladas na sede da entidade, a Amarati contará com a eletricidade vinda de uma fonte limpa, renovável e sem custos, afinal, o sol que chega em nossos telhados é gratuito! A conta de luz ficará mais barata, garantindo maior segurança financeira à entidade. O dinheiro que antes eles gastavam nessas contas, poderá ser revertido para as atividades com as pessoas atendidas.

    Parabéns à Amarati e às entidades finalistas da votação: Abrigo Paulo de Tarso e Casa Santa Gemma pelo trabalho importante que prestam ao Brasil. E um obrigado para todas as entidades que se inscreverem, aos jogadores do Solariza e aos que votaram. Juntos, vamos fazer o sol brilhar mais nos telhados de todo o país! Leia mais >

  • Até o Papa está torcendo – e rezando – pela COP21

    Postado por therrero - 7 - dez - 2015 às 16:45

    Papa Francisco (Foto: Jefrey Bruno/Aleteia)

    Na manhã do domingo 6 de dezembro, o Papa Francisco fez uma oração especial. Segundo a Rádio Vaticano, ele orou pedindo o sucesso da Conferência do Clima, a COP 21, que está acontecendo em Paris. Ao se pronunciar aos fiéis na Praça São Pedro, o Papa afirmou estar acompanhando de perto as negociações que irão culminar num acordo para combater o aquecimento global.

    Ele ainda retomou um dos pontos de sua encíclica, publicada em junho desse ano: “Que tipo de mundo queremos deixar para aqueles que virão depois de nós, para as crianças que estão crescendo?” E ainda disse: “Pelo bem do lar que compartilhamos e pelas futuras gerações, todo esforço deve ser feito em Paris para diminuir os impactos das mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, para combater a pobreza e deixar florescer dignidade humana”.

    Para Martin Kaiser, chefe de política climática internacional do Greenpeace, as palavras do Papa Francisco foram muito bem-vindas porque trazem um poderoso peso moral à questão. “Sua intervenção será sentida nos corredores da conferência”, disse.

    “O Papa já havia dito que precisamos eliminar gradualmente os combustíveis fósseis, mas se estamos caminhando para essa meta até 2050 – como a ciência diz que devemos –, então qualquer coisa em Paris deve explicitar esse objetivo. Ainda não há garantias de que vamos chegar a um acordo digno e os adversários do progresso estarão tramando como travar as negociações. Seria bom que as palavras do Papa fizessem alguns deles pararem para pensar”, afirou Kaiser. Leia mais >

  • Como foi a primeira semana de COP 21

    Postado por Pedro Telles* - 7 - dez - 2015 às 12:34

    A Conferência do Clima da ONU começou agitada pelas manifestações da sociedade e pela presença de chefes de estado. Esfriou com o passar dos dias e as negociações entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, que discutem a responsabilização pelas mudanças climáticas e os prazos das metas

    Balão do Greenpeace foi erguido ao lado da Torre Eiffel com a mensagem de que precisamos de 100% energias renováveis. (©Micha Patault/Greenpeace)

    Chegamos à metade da COP21 – a importante conferência da ONU sobre mudanças climáticas, que precisa gerar um novo acordo global – com algumas notícias boas e também algumas preocupações.

    No final de semana que antecedeu a conferência em Paris, belas intervenções e atividades mostraram que cidadãos do mundo inteiro estão mais mobilizados do que nunca e seguirão agindo pelo clima durante e após a COP 21. Essas pessoas querem que seus governantes acompanhem o ritmo. A enorme Mobilização Mundial pelo Clima,corrente humana, os pares de sapatos, simbolizando ativistas que não puderam se manifestar em Paris, e o balão do Greenpeace próximo à Torre Eiffel (na foto acima) são apenas alguns exemplos dessa força da sociedade civil.

    Seguindo o embalo dessas manifestações, os dois primeiros dias da COP 21 foram agitados. Inspirados discursos de chefes de Estado e de governos deram o tom inicial das negociações e trouxeram ambição para o futuro acordo global. Em paralelo, diversos anúncios de peso mostraram que muitos já estão se mexendo. A Índia puxou o lançamento de uma aliança pela energia solar e 120 países estão envolvidos. O compromisso de ter 100% energias renováveis até 2050 foi firmado por dezenas de nações que estão presentes em Paris. E por prefeitos também. No dia 4 de dezembro, quase mil governantes locais se comprometeram com o fim do consumo de combustíveis fósseis – como o petróleo e o carvão, principais causas das mudanças climáticas no mundo. Entre esses governos estão o do Rio de Janeiro, Londres, Fukushima, São Franciso e Lima.

    A empolgação dos primeiros dias, contudo, se diluiu com o passar da semana. Negociações climáticas nunca são fáceis – não à toa, conferências acontecem há 21 anos e ainda não conseguimos chegar a um acordo global à altura do desafio. Mas esse ano, essa COP 21 precisa que ser diferente. O principal assunto que trava o debate é o da diferenciação das nações: Qual o nível de responsabilidade que os países desenvolvidos e os em desenvolvimento devem assumir em relação aos compromissos para barrar as mudanças climáticas? Como tomar essa decisão se considerarmos que os primeiros são historicamente mais culpados pelo problema e os segundos sofrerão as consequências? 

    A situação só fica mais complicada com o fato de nações em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil, emitirem hoje mais de 60% dos gases de efeito estufa que geram as mudanças climáticas. Então, como garantir que esses países, pesos-pesados na economia global e na conta das emissões, assumirão responsabilidades à altura de sua capacidade de ação? Em barco afundando, não adianta discutir de quem fez o maior buraco – é preciso ação, ou todos afundarão jutos.

    Além desse debate sobre diferenciação, que dificulta o progresso especialmente quando países discutem assuntos relacionados a financiamento (quem paga a conta?), também há riscos em dois temas-chave: como fazer as promessas se tornarem mais ambiciosas com o passar do tempo? E qual será a meta de longo prazo acertada globalmente?

    Para a construção do acordo, todos os países foram convidados a apresentar seus compromissos nacionais, que começam a valer em 2020. Alguns querem prazos de 5 anos para esses compromissos, outros querem 10 anos. E há os que propõem uma primeira revisão já em 2018, assim elevaremos o nível de ambição antes mesmo do primeiro ciclo começar. A soma dos 158 compromissos nacionais de corte de emissões já apresentados ainda não é suficiente para conter o aquecimento global. Então, tanto uma revisão antes de 2020, quanto ciclos mais curtos (de 5 anos) são fundamentais para garantir uma ação rápida o suficiente para garantir um futuro seguro ao planeta.

    Em relação à meta de longo prazo, também está em jogo em Paris um compromisso coletivo para as próximas décadas. O cenário ideal é que países se comprometam com 100% de energias renováveis ou com zero emissões de carbono (principal gás de efeito estufa) até 2050. Contudo, muitos governos preferem uma meta que aponte apenas para o final do século, ou uma meta menos concreta e mais simbólica. Ainda há opções no texto de negociação que, se escolhidas, nos colocariam nesse cenário ideal – mas não será fácil garantir que elas continuarão lá. 

    O governo brasileiro apresentou um compromisso nacional fraco, bem recebido pelos negociadores, mas que, na prática, significará a condenação das florestas a conviver com pelo menos 15 anos de crime ambiental, e que não aumentará o uso de energias renováveis pelo país.

    Ainda assim, o Brasil tem papel fundamental nas negociações da ONU. Nosso governo defende lados positivos no acordo (como o ciclo de revisão de cinco anos e a meta de descarbonização do planeta) e faz a mediação para que conversas se desenrolem e entre outras nações. Só que nossos negociadores poderiam ser mais ambiciosos, posicionando-se firmemente a favor de uma primeira revisão dos compromissos antes de 2020, e defendendo uma meta de longo prazo para 2050 – e não para o fim do século.

    Nessa segunda semana de COP 21, que começa dia 7 de dezembro, as conversas subirão de nível. Ministras e ministros de todos os países assumirão a lideranças das negociações. Se a conferência acabará com um acordo relevante ou com um fracasso, depende deles. O texto de negociação que chegará às suas mãos foi fechado no sábado, e ainda inclui opções positivas para todos os assuntos-chave – apesar de a disputa para garantir sua manutenção ser dura. Estaremos de olho, e pressionando pelo melhor acordo para todos nós.

    A cada dia fica mais claro como seremos afetados pelas mudanças climáticas, e que as populações mais pobres sofrerão os maiores impactos. Também fica mais óbvio como as soluções para contermos o aquecimento do planeta beneficiarão toda a população. E os efeitos positivos vão muito além da superação das mudanças climáticas em si. Manter a situação como ela está só interessa aos poucos que lucram com isso. Por isso, sair de Paris sem um bom acordo é simplesmente inaceitável.

    *Pedro Telles é da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil Leia mais >

  • Ataque a direitos indígenas é denunciado na COP 21

    Postado por Luana Lila - 4 - dez - 2015 às 18:08 1 comentário

    Lideranças brasileiras reunidas na COP 21, em Paris, denunciam ataque a direitos indígenas feito pelo governo (©Fábio Nascimento/Greenpeace)

    Lideranças brasileiras se reuniram hoje durante a Conferência do Clima (COP 21) em Paris para denunciar uma série de iniciativas do governo federal e do Congresso nacional que ferem os direitos indígenas, como a PEC 215, que pretende rever a demarcação de terras indígenas, e uma Medida Provisória (MP) proposta pelo governo federal que permite o avanço de grandes projetos de infraestrutura dentro de terras indígenas. Estavam ´presentes Maria Leusa Kaba Munduruku, liderança do povo Munduruku, Antonia Melo, do movimento Xingu Vivo, o cacique Raoni, do povo Kayapó, e o deputado do PSOL Ivan Valente. 

    Confira a seguir as principais falas:

    Maria Leusa Kaba Munduruku, liderança do povo Munduruku na resistência contra a construção de uma série de hidrelétricas no rio Tapajós. Ela está em Paris para receber o Prêmio Equador, das Nações Unidas, em reconhecimento ao povo Munduruku pela luta em defesa de seu território

    “Esse governo nos ameaça. Ele querer tirar nossa terra, que é nossa mãe. Querem matar o lugar onde cultivamos nossa vida. Não adianta vir com dinheiro.  Não vamos trocar nossa mãe por dinheiro. O governo não vai fazer projetos em nosso território, não vamos deixar. Homens, mulheres e crianças estão prontos para a guerra”. 

    “Pedimos aos alemães e chineses [empresas estrangeiras] que estão ajudando a construir as hidrelétricas no rio Tapajós que não façam isso. Nós viemos aqui pedir isso para vocês. Nós queremos viver, somos humanos. Não queremos o que é do governo. Por que eles querem tirar o que é nosso?”.

    Raoni Metuktire,cacique Kayapó

    “Vim para denunciar a PEC 215, Belo Monte e tudo o que o governo vem fazendo com os índios no Brasil. Esse governo quer tirar os nossos direitos que estão escritos na Constituição. A PEC 215 vai servir para eles explorarem nossas terras, para fazer hidrelétricas. Isso vai matar nossa terra e vai ser um problema para o Brasil e para o mundo, porque vão acabar com a florestas.

    “Sobre a MP, não adianta querer dar dinheiro para pagar os problemas que eles nos causam, nós queremos nossa terra. Não vamos ficar quietos. Não vamos viver e nem morrer em silêncio”.

    Antônia Melo, liderança do Movimento Xingu Vivo, que resiste à construção da hidrelétrica de Belo Monte e denuncia as irregularidades cometidas pela obra

    “Belo Monte é um projeto de insanidade e de morte. Mas não é fato consumado e não será nunca. Eles estão construindo um projeto que é da ditadura. E com esses projetos tudo o que é ruim acontece junto. Desmatamento, madeira ilegal, morte dos animais. E as pessoas também sofrem com o aumento do uso de drogas, problemas na saúde, na moradia, aumento da prostituição e da violência nas cidades onde esses projetos chegam”.

    “A mineração está por trás desses projetos. O governo se alia a empresas para saquear a natureza e a vida das pessoas. Hoje existem mais de 40 barragens projetadas na Amazônia e mais de 2000 pedidos de mineração na Amazônia. Não é coincidência, uma coisa está ligada à outra”.

    Ivan Valente, deputado federal pelo PSOL

    “Vim para mostrar que os índios estão sendo atacados no Brasil. A PEC 215 significa tirar os direitos deles e significa que nunca mais haverá (novas) terras indígenas no Brasil. Esse ataque não é apenas aos índios, mas às futuras gerações. Os índios guardam a floresta”. 

    “O Brasil está votando uma nova lei para licenciamento ambiental. Com ela, em oito meses se poderá liberar construções de infraestrutura, como hidrelétricas, sem consulta. Somos contra as obras de hidrelétricas na Amazônia”.
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  • Carta aberta a Geraldo Alckmin

    Postado por icrepald - 4 - dez - 2015 às 10:11

    sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

    Sistema Cantareira (Foto: Zé Gabriel)

    Após três meses de espera, no dia 26 de novembro, o Greenpeace recebeu resposta negativa da Sabesp em relação à carta que fora enviada pela organização, no dia 11 de junho, ao governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e ao presidente da Sabesp, Gerson Kelman. No documento, o Greenpeace havia exigido o fim imediato dos descontos de demanda firme, além de ter apresentado a opinião dos paulistanos sobre a prática, que foi registrada por meio de Pesquisa Datafolha, realizada em maio deste ano.

    De acordo com o estudo Datafolha, 82% da população da capital considera o governo estadual culpado pela crise de abastecimento no estado. Além disso, 78% dos paulistanos são contra os contratos de demanda firme praticados entre grandes consumidores e a Sabesp. Mesmo em condições normais, sem falta de água, o nível de reprovação aos contratos ainda é alto, 59% dos entrevistados consideram a prática péssima, e esse número aumenta para 77% nas condições atuais de falta de água.

    Em sua resposta, a Sabesp nega a visível insatisfação da sociedade em relação à gestão dos recursos hídricos do estado ao afirmar que a população foi induzida a responder contra os contratos de demanda firme uma vez que não possuía informação suficiente para avaliá-los.

    No entanto, os argumentos apresentados pela companhia é que induzem a população a fazer uma avaliação equivocada da situação. Nas palavras da Sabesp, os contratos de demanda firme, antes da falta de água em São Paulo, eram “contratos com empresas que podem diminuir custos com a água em até 40%”. Ainda de acordo com a companhia, por meio desta prática, “a Sabesp disponibiliza uma alternativa para as empresas diminuírem as suas despesas fixas, no caso, as despesas com água, em seus processos administrativos e produtivos.” A empresa ainda apresenta em sua página o quanto uma grande empresa pode economizar na tarifa: “pela estrutura tarifária normalmente utilizada pela Sabesp de R$ 10,18 por metro cúbico para comércios e indústrias, teria um custeio de R$ 61.080,00, enquanto que, pelo Contrato de Demanda Firme que possui um valor de R$ 7,51 por m³, o valor cairia para 45.060,00, gerando uma economia de R$ 16.020,00 na fatura por mês.” Vale lembrar que quanto mais uma empresa consome de água, menos ela paga pela tarifa, chegando a descontos de até 75%.

    O Greenpeace defende cobrança tarifária maior para grandes consumidores, por ser relevante para subsidiar tarifas sociais. No entanto, não é para isso que os contratos de demanda firme existem - ao contrário, o que fazem é diminuir a cobrança por meio de descontos, ou seja, eles diminuem o valor arrecadado por litro de água. Portanto, não são os contratos de desconto para grandes consumidores que fazem o papel de subsidiar as menores tarifas. Esse papel é desemprenhado pelas tarifas que são diferenciadas e progressivas como residencial/social, residencial/favelas, residencial/normal, comercial/entidade de assistência social, comercial/normal, industrial, pública com contrato e pública sem contrato. Os descontos de até 75% na tarifa de grandes empresas, muitas vezes, aproxima o preço que elas pagam pelo litro de água ao valor cobrado de outras categorias de consumidores menores, o que fere a progressividade tarifária. Esse é o caso de Viscofan e Volkswagen, (Veja lista aqui)

    Portanto, como a própria Sabesp ilustra em seu cálculo e diferentemente do que afirma em sua carta, os contratos de demanda firme não possuem função social, eles foram criados para que as empresas consumam mais água da Sabesp, sem que haja qualquer mecanismo de incentivo à economia do recurso. A garantia de demanda contínua pode beneficiar os lucros da Sabesp, mas rejeita a premissa da economia de água, no momento em que fecha contrato com grandes empresas que, necessariamente, terão que consumir mais água para obter maiores descontos tarifários. 

    Além de defender a manutenção desses contratos com argumentos imprecisos e que levam a uma interpretação tendenciosa da prática, a Sabesp acusa o Greenpeace de induzir os paulistanos em suas respostas à pesquisa Datafolha, como se o cidadão não soubesse ou não entendesse decisões de governo.

    Em resposta a esse argumento, o Datafolha explica que: “Em momento algum a palavra subsídio é utilizada no questionário e nenhum tipo de relação direta entre o consumo das empresas e dos cidadãos é estabelecido, tanto no conceito quanto nas perguntas formuladas pelo Datafolha. Dessa forma, não há nenhum problema na formulação da pergunta e portanto os resultados refletem a opinião da população a respeito do tema.”

    Se os contratos de demanda firme realmente têm função social, a Sabesp deveria explicar a perda de quase R$ 170 milhões devido a esses contratos. Esse dinheiro não poderia ser utilizado para subsidiar as tarifas sociais, como defende o próprio governo? Além disso, o lucro da Sabesp não serve apenas para financiar tarifas menores, mas também para retribuir acionistas, já que se trata de um empresa de capital misto. 

    Desde que a mídia começou a questionar os contratos de demanda firme, a Sabesp parou de assinar novos contratos e retirou as cláusulas que tornavam os grandes consumidores dependentes da água fornecida pela companhia, pois estes eram proibidos de buscar fontes alternativas de água. Também foi abolida a cláusula que obrigava as empresas a terem consumo mínimo para obter descontos. E a tarifa de água aumentou em todas as faixas de cobrança da Sabesp, para o mais rico e para o mais pobre. No entanto, os tais contratos continuam em vigor, e há a expectativa de que sejam retomados assim que a água volte aos reservatórios.

    É por esse motivo que o Greenpeace solicita novamente a extinção dos contratos de demanda firme, pois não contribuem para que a gestão hídrica do estado de São Paulo prossiga mercantilizada, sem atentar para o fato de que água é um direito e que a economia desse recurso  deve ser feita sempre, a despeito da falta de abastecimento. Afinal, foi o descuido com a demanda abusiva de água, sem tecnologias de reutilização, economia e diminuição de desperdício, aliados à degeneração dos mananciais que abastecem São Paulo, que culminaram em uma das maiores crises hídricas do estado.

    Resposta da SabespLeia mais >

  • Energias renováveis são protagonistas dos primeiros dias da COP 21

    Postado por therrero - 2 - dez - 2015 às 10:25

    Lançamento de iniciativas, compromissos de um futuro 100% renováveis em alguns países e investimentos no setor irão garantir que as fontes renováveis avances e garantam a redução de emissões de gases de efeito estufa

    Marcha pelo Clima em São Paulo. Milhares de brasileiros foram às ruas para pressionar os líderes que estão na COP 21 a fazer um acordo ambicioso contra as mudanças climáticas. (©Zé Gabriel / Greenpeace)

    Conferência do Clima começou só há 3 dias e já temos boas notícias para o setor energético. Se depender dos compromissos firmados até agora, o futuro será de fontes mais limpas e energia 100% renovável. É um cenário crucial para diminuir as emissões de gases de efeito estufa e para evitar que a Terra aqueça mais do que 2 graus Celsius.

    O governo da Índia foi um dos protagonistas até agora. Lançou uma aliança envolvendo 120 nações para impulsionar a energia solar nos países em desenvolvimento. O objetivo é que os governos mais ricos transfiram tecnologia e financiem a adesão à energia solar como forma, inclusive, de acabar com a pobreza em outras nações. Entre as que aderiram à aliança estão Chile, Estados Unidos, Indonésia e Nigéria.

    O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, descreveu a iniciativa como “o amanhecer de uma nova esperança”, não apenas para o setor energético mas, principalmente, para as comunidades que ainda vivem sem eletricidade – situação de 300 milhões de indianos que moram em áreas rurais. "O sonho de acesso universal à energia limpa está se tornando realidade. Esta será a base da nova economia do próximo século", disse Modi. A Índia está investindo inicialmente 30 milhões de dólares na aliança. E a próxima etapa é conseguir mais 400 milhões de dólares dos demais países.

    Outro apoio de peso para as renováveis veio de alguns dos maiores bilionários do planeta. Vinte personalidades, como Bill Gates e Mark Zuckerberg, criaram um fundo privado. O Breakthrough Energy Coalition, como foi chamado, terá parcerias público-privadas entre governos, instituições de pesquisas e os investidores dando um boom nas fontes renováveis no mundo todo.

    O governo de Dubai, maior cidade dos Emirados Árabes, também anunciou investimentos para se tornar uma referência energético. Até 2030 todos os telhados de edifícios deverão ter placas fotovoltaicas. O objetivo de longo prazo é que a cidade gere 25% de sua energia a partor de fontes limpas até 2030. Até 2050, a meta é ter 75%.

    Esse ano de 2050 será um momento de virada no cenário de geração energética. Dos países mais afetados pelas mudanças climáticas, 43 já se comprometeram a ter 100% energias renováveis até lá. "O ideal é que todos os governantes presentes na COP saiam de Paris com uma meta assim. E a sociedade civil está aqui pressionando essas decisões”, afirmou Pedro Telles, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. 

    Em seu discurso, na segunda-feira (30/11), Dilma Rousseff disse que o Brasil irá aumentar sua matriz de energias renováveis nos próximos anos. Se olharmos os números propostos, no entanto, veremos que o governo não traz ambições e estaremos em 2030 com praticamente o mesmo percentual de renováveis de hoje. 

    Já sabemos que o país tem potencial de explorar muito mais a energia do sol e dos ventos. O governo deve aproveitar a oportunidade da COP 21 e propor mudanças concretas para que sejamos um desses países a liderar a revolução energética e ter 100% energias renováveis em 2050. 

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