Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Por que a Cúpula do Clima foi boa?

    Postado por Bernardo Camara - 25 - set - 2014 às 18:10

    Na véspera da Cúpula, milhares de pessoas ajudaram a colocar as mudanças climáticas de volta à agenda global.

     

    Nos últimos dias, mais de cem líderes de governos do mundo todo estiveram nos Estados Unidos para participar da Cúpula do Clima da ONU. A presidenta Dilma Rousseff também passou por lá. Não saíram grandes acordos dali. Mas o jornal britânico The Guardian registrou cinco motivos que fizeram do encontro uma marca na política climática global. A lista vale ser reproduzida.

    Motivo 1: Os políticos falaram. E muito. Cada uma das 120 lideranças mundiais discursou por alguns minutos sobre mudanças climáticas. Isso é significativo por pelo menos duas razões. A primeira é que a maioria deles nunca havia abrido a boca para comentar o assunto. A cúpula os forçou a tornar públicas as medidas que pretendem tomar contras as mudanças climáticas. A segunda razão é justamente essa: suas palavras estão registradas, e podem ser cobradas nos próximos encontros onde compromissos serão firmados. 

    Motivo 2: A China – maior emissor de gases estufa do planeta – afirmou que vai anunciar, “o mais breve possível”, uma data limite para que suas emissões atinjam um pico e comecem a ser reduzidas. Até então, o país não havia esboçado publicamente qualquer previsão disso. Quando o compromisso vier dos chineses, os Estados Unidos vão sofrer uma enorme pressão para também estipular datas internas.

    Motivo 3: O encontro estimulou uma série de compromissos do mercado, de governos e de outros atores em aspectos específicos. No campo florestal, por exemplo, 24 grandes empresas prometeram tirar de sua cadeia de produção fornecedores de óleo de palma que têm desmatado. Um grupo de bancos e fundos de pensão também se comprometeram a investir US$ 200 bilhões em projetos de baixo carbono, enquanto 2 mil cidades ao redor do mundo anunciaram planos de reduzir suas emissões.

    Motivo 4: ACúpula apresentou uma nova lógica para que essas ações possam sair do papel. Vários líderes, como Obama e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, declararam que não há mais necessidade de escolher entre crescimento econômico e redução de emissões: os países podem ter os dois. A fala deles estava apoiada num estudo lançado na última semana, o Climate Economy (Economia do Clima). O relatório traz novas e fortes evidências de que agir contra as mudanças climáticas faz muito bem à economia.

    Motivo 5:
    Talvez o mais importante dos cinco: o movimento pelo clima está com novo fôlego. Na véspera do encontro, as mais de 400 mil pessoas que tomaram as ruas em Nova York e outras milhares que fizeram o mesmo em outras cidades do mundo colocaram o assunto em pauta novamente. As manifestações mostraram aos governos que muita gente se importa com o que está sendo dito e feito sobre clima. Leia mais >

  • Aproveite a Semana da Mobilidade e cobre seu candidato!

    Postado por Heloísa Mota - 23 - set - 2014 às 16:41

     

    No último dia 16, teve início a Semana da Mobilidade, engrossando as comemorações e as atividades do Dia Mundial Sem Carro, que acontece todo dia 22 de Setembro. Com o objetivo de aumentar a conscientização e estimular o uso de transportes alternativos aos automóveis, a Semana da Mobilidade traz protestos pacíficos e criativos para as ruas das cidades de vários países no mundo, como por exemplo, a Marcha dos Super Heróis Urbanos, que levou ciclistas e pedestres fantasiados para a Avenida Paulista na noite de ontem.

    Porém, em 2014, a Semana da Mobilidade é ainda mais especial no Brasil, pois antecede as eleições presidenciais e estaduais, e abre oportunidade para a cobrança dos candidatos por ações efetivas para melhorar a mobilidade urbana. Pensando nisso, os voluntários do Greenpeace estão se mobilizando para cobrar dos candidatos mais investimento e, principalmente, planejamento em mobilidade urbana.

    Confiram algumas iniciativas bacanas:

    - Foto oportunidade na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, cobrando os principais candidatos ao governo um posicionamento sobre o trânsito que piora a cada dia na capital carioca: “Só nadando pra fugir do trânsito, e aí candidato, nada?”;

    - Vaga Viva em Manaus, mostrando que, com boa vontade política, no espaço de um carro estacionado muitas coisas boas podem acontecer;

    - Mensagens expondo os números absurdos da mobilidade urbana em vários pontos da cidade de Salvador, onde as pessoas já passam um mês por ano no trânsito: “Chega de perder tempo no trânsito! Cobre do seu candidato uma solução!”.

    A Semana da Mobilidade acabou ontem, mas ainda dá tempo de cobrar seu candidato antes do primeiro turno das eleições. Uma cidade para pessoas, com mais qualidade de vida, depende de mais investimento em mobilidade; e aí candidato, qual seu plano?

    Conheça as demandas do Greenpeace para mobilidade acessando nosso vídeo:

      Leia mais >

  • Dia Mundial Sem Carro terá Marcha dos Super-Heróis Urbanos

    Postado por Pedro Telles* - 19 - set - 2014 às 11:55 1 comentário

    Em 22 de Setembro, Dia Mundial Sem Carro, usuários de diversos veículos a propulsão humana como bicicleta, skate e patins, assim como pedestres e carroceiros, se unirão na Avenida Paulista para realizar a Marcha dos Super-Heróis Urbanos.

    A marcha chamará atenção para a necessidade de se implementar políticas públicas de mobilidade que levem São Paulo além de um modelo de urbanização centrado no transporte individual motorizado, que há anos já se mostra insustentável. Atualmente, quem se locomove sem carro na cidade pode ser considerado praticamente um super-herói, mas essa realidade pode - e deve - mudar.

    O evento ocorrerá paralelamente à tradicional Bicicletada que ocorre todos os anos no Dia Mundial Sem Carro, e os participantes são inclusive convidados a virem fantasiados.

    Marcha dos Super-Heróis Urbanos
    Data: 22/Set, 2a-feira, Dia Mundial Sem Carro
    Horário: 19h
    Local da concentração: Praça do Ciclista (cruzamento da Av. Paulista com a Consolação)
    Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/697812443629764/ Leia mais >

  • A rua é nossa

    Postado por Bernardo Camara - 19 - set - 2014 às 11:44



    Já nem lembro a última vez que entrei num carro e girei a chave para ir a algum lugar. Mas lembro de quantos ‘bom dia’ recebi ontem, quando fui caminhando para a feira. Ou daquela sensação deliciosa de descer a ladeira de bike, indo para o trabalho, com o vento batendo na cara.

    Parece discurso de gente deslumbrada, riponga. Mas nem é. Carro, hoje, invariavelmente me remete a engarrafamento e prisão. Penso em bike e caminhada e as palavras que me vêm à mente são exatamente opostas: liberdade e trânsito fluido. Não é difícil entender porque tenho escolhido a segunda opção.

    E não estou sozinho. Com a Semana de Mobilidade batendo à porta, resolvemos reunir um grupo de pessoas que não costuma ser incluído nos debates sobre mobilidade urbana: as crianças. Perguntamos a elas como imaginam que seria uma rua dos sonhos – dá uma olhada no vídeo fofíssimo ali em cima!

    Elas não querem algodão doce no lugar do asfalto nem tapetes voadores. O que elas querem é muito prático: mais árvores para caminhar na sombra, mais espaço para brincar, mais flores para dar cor às cidades. Querem ruas menos agitadas, onde há espaço inclusive para carros. Numa rua dos sonhos, tem que caber todo mundo.

    É nessa pegada que vários países celebram, na próxima segunda-feira, o Dia Mundial Sem Carro. No Brasil, a iniciativa começou em 2001 e a cada ano arrasta mais pessoas para fora dos veículos. Mais gente que desliga o motor e consegue enxergar – e construir – cidades mais saudáveis, diversas, democráticas. E mais gostosas de viver. Leia mais >

  • Democracia, direitos e os 30 do Ártico

    Postado por Alan Azevedo - 19 - set - 2014 às 11:13

    Os 30 ativistas do Greenpeace após serem libertados em São Peterbusrgo pela justiça da Rússia. © Dmitri Sharomov / Greenpeace

     

    O direito ao protesto pacífico é um princípio básico de uma sociedade sã – um direito inerente ao ser humano, que se levanta e se expressa para desafiar leis injustas e governos falhos, opondo-se à destruição e dando voz aos sem vozes.

    Hoje faz um ano que um protesto pacífico do Greenpeace no Ártico foi interrompido por agentes da Guarda Costeira russa. Hoje faz um ano que trinta ativistas foram injustamente acusados de pirataria e mantidos em detenção por mais de dois meses em Murmansk e São Petersburgo, na Rússia.  Depois de enorme pressão internacional eles estão livres, inocentados de um crime que nunca cometeram.

    Leia mais:

    No entanto, a justiça arbitrária condena muitos outros ativistas no mundo inteiro. Brasil, Índia, Espanha, EUA e Rússia estão no fogo cruzado entre governo e indústrias que se sentem ameaçados pela sociedade civil. Por isso silenciá-la. A estratégia desses poderosos atores é criminalizar protestos pacíficos, diminuindo o espaço democrático por todo o mundo.

    Aqui no Brasil, a capital paulista aprovou o Projeto de Lei 50/2014, que prevê a proibição de máscaras em protestos. A lei acaba por criar uma situação absurda, que anula uma forma tradicional das pessoas se manifestarem nos mais diferentes contextos – desde marchas e protestos até festividades culturais. O Greenpeace, como exemplo, utiliza máscaras e fantasias em suas ações e protestos. Veja galeria de fotos.

    A situação é parecida na Espanha, que está para aprovar um lei que multa manifestantes. Já na Rússia, o ativista Yevgeny Vitishko, membro da ONG ambientalista North Caucasus, foi preso em protesto pacífico contra as Olimpíadas de Inverno de Sochi por pintar numa cerca as palavras “as florestas são para todos”. Vitishko foi condenado a três anos de prisão.

    Em solo indiano, o povo de Mahan, uma das mais antigas florestas da Índia, está sofrendo muita pressão de mineradoras que querem operar na região. Muitos ativistas passaram a apoiar a comunidade, e as ameaças se estenderam. Dois ativistas do Greenpeace já foram presos.

    É impossível olhar para esses exemplos – e tantos outros – sem associá-los a um debate maior sobre direito de protesto, livre expressão e liberdade. Acomodar-se e achar que essa é uma batalha para outras pessoas lutarem é a parte fácil. Difícil, mas necessário, é enfrentar a repressão na esperança de um mundo mais justo.

    Compartilha essa ideia? Veja maneiras de ajudar aqui. Leia mais >

  • Neste fim de semana vai dar Praia Limpa em Torres!

    Postado por Heloísa Mota - 19 - set - 2014 às 10:58

    Neste domingo, a Praia da Guarita será palco de uma ação especial de limpeza de praia do Projeto Praia Limpa Torres (Associação dos Surfistas de Torres) + Grupo de Voluntários do Greenpeace de Porto Alegre pela preservação da natureza. Essa campanha de limpeza de praias acontece em todo o mundo e é apelidada de “Clean Up the World” ou “International Costal Clean Up”, pelas organizações que iniciaram o projeto na Austrália e EUA nos anos 80.

    Trata-se da maior ação global para limpeza de praias do planeta. O evento já envolveu mais de 35 milhões de pessoas em diversas partes do mundo e a longo prazo vem possibilitando mudanças de atitudes e comportamentos em escala global. A ideia da campanha é simples. Voluntários atuam na limpeza da sua comunidade, transformando o ambiente em um local mais agradável e saudável para viver.

    A ação chegou ao Brasil no final dos anos 90 e leva o nome de Dia Mundial da Limpeza em Rios e Praias – Teremos atividades na Praia da Guarita que variam desde a coleta do lixo, campanhas educativas, abraço simbólico, atrações culturais e musicais e distribuição de brindes para os voluntários. Será uma ação diferenciada e emocionante...todos juntos por Torres e pelo Planeta, venham participar!” – convida o coordenador do Projeto Praia Limpa Torres, Alexis Sanson.”

    QUANDO: Domingo, 21 de setembro, às 10h.

    ONDE: Praia da Guarita, Torres, RS. Leia mais >

  • Debate sobre mobilidade e eleições é adiado

    Postado por Guilherme Munhoz - 16 - set - 2014 às 17:29 3 comentários

    Em razão da violenta operação policial realizada hoje no centro de SP, programa no Estúdio Fluxo será remarcado.

    A reintegração de posse da Ocupação São João, no centro de São Paulo, levada à  cabo de maneira violenta por parte da Polícia Militar desde a manhã desta terça-feira 16 de setembro, transformou a região em um campo de batalha. Ruas fechadas, balas de borracha e bombas de gás de lacrimogêneo são as maiores provas da truculência da polícia paulista.

    Pela impossibilidade dos convidados do Greenpeace de acessar o estúdio do Fluxo, localizado ao lado do edifício objeto da reintegração de posse, nosso programa de debate sobre mobilidade urbana e eleições está adiado. Mesmo porque o dia de hoje pede uma reflexão maior sobre o direito à cidade, à moradia e a cada vez mais contumaz violência da PM.

    Ao contrário do imaginado, a situação não acalmou ao longo do dia. Neste fim de tarde, movimentos sociais em defesa do direito à moradia estão se reagrupando no centro para resistir à violência fardada. O Greenpeace se solidariza à população agredida na luta pelo seu direito básico por moradia e uma vida digna.  Leia mais >

  • Represa do Jaguari, que abastece o sistema Cantareira. (Foto: Fernanda Carvalho/ Fotos Públicas)

    Uma nova medição do volume de água do Sistema Cantareira, que abastece 8 milhões de pessoas na cidade de São Paulo e mais dez cidades vizinhas, indica que seu nível já está abaixo de 10% da capacidade total. O cálculo divulgado na última quinta-feira (11) inclui o chamado “volume morto”, que normalmente não entra nas contas porque seu uso não é seguro - contudo, desde maio a Sabesp vem captando água de lá.

    Apesar de São Paulo estar sofrendo com baixos níveis de chuva, o principal responsável por essa crise histórica é o governo do estado. A gestão de recursos hídricos é deficiente há muito tempo, e mais de uma década atrás relatórios já indicavam a necessidade de reformas estruturais que não foram implementadas devidamente. Neste cenário de crise, as prefeituras também podem atuar de maneira mais firme, uma vez que elas têm contratos com a Sabesp que não estão sendo adequadamente cumpridos e assumem parte da responsabilidade por garantir que a água chegue aos cidadãos.

    Não faltam caminhos para solucionar o problema, e para preparar-nos para lidar com instabilidades no ciclo da chuva - que devem se agravar caso não se tome medidas para barrar as mudanças climáticas a nível global.

    Com o objetivo de pressionar o governo do estado a agir e simultaneamente coletar propostas sustentáveis de manejo da água com o apoio da população, um grupo cidadãos paulistanos criou a petição “A crise da água tem solução, adotem medidas pelo manejo sustentável da água em São Paulo”, conectada a uma plataforma virtual colaborativa.

    O Greenpeace apoia a iniciativa, e está ao lado daqueles que demandam ação urgente para a superação dessa crise!

    *Pedro Telles é assessor de Políticas Públicas do Greenpeace Leia mais >

  • Yeb Saño: O Ártico e as mudanças climáticas

    Postado por Yeb Saño* - 8 - set - 2014 às 14:16

    Eu nasci a 8046 km de distância do Polo Norte e agora que cresci, percebi que o meu futuro está totalmente ligado com o destino do Ártico. Quando discursei nas negociações da ONU em Varsóvia, no ano passado, exigindo ação imediata de apoio às consequências do tufão Haiyan, não passava pela minha mente o tamanho da repercurssão que causaria. O tufão Haiyan foi o mais brutal da história das Filipinas, deixando mais de 6.200 mortos, 1,9 milhões de desabrigados e 6 milhões de deslocados. Palavras não podem descrever o sofrimento.

    A ciência é clara: as mudanças climáticas podem afetar a sociedade de maneiras cada vez mais agressivas. Mesmo que o tufão Haiyan não tenha se originado somente pelas mudanças climáticas, meu país se recusa a aceitar que caso nada seja feito, os tufões farão parte de nosso cotidiano. Não podemos continuar trilhando um caminho que pode comprometer nossas crianças e seus futuros. 

    Após o trágico acontecimento, mais de 750.000 pessoas assinaram uma petição demonstrando sua solidariedade às Filipinas. Esse apoio global me motivou em um dos momentos mais tristes da minha vida, proporcionando um novo fio de esperança. Então, por que eu, um negociador do clima das Filipinas, me tornei um defensor do Ártico? A razão é simples: o Ártico é visto como protagonista no desdobramento de uma crise climática originada pelo homem. Os últimos sete anos foram marcados como os verões mais quentes no Ártico, resultando na menor extensão de gelo no mar. 

    Com uma paisagem deslumbrante e uma geografia extraordinária, os icebergs exercem função climática essencial. Refletem a energia do sol e mantem o metano bloqueado no subsolo. O derretimento do Polo Norte resultaria em um aumento drástico no nível do mar, ou seja, o que acontece no Ártico não fica só no Ártico .

    Ao fazer um balanço dos danos causados ​​por Haiyan e ao me preparar para mais uma rodada de negociações climáticas da ONU, cheguei a uma conclusão: é uma história com um toque irônico e trágico. As companhias de petróleo estão se movendo para o continente ao mesmo tempo em que as geleiras estão derretendo, o que facilita a exploração de petróleo na área. Após apontar todos os danos causados pelo tufão Haiyan e entrar nessa batalha, não acredito que existam companhias capazes de cogitarem a ideia de explorar petróleo em uma área que possui forte importância no cenário climático. 

    Demandas globais de petróleo que poderiam justificar economicamente a exploração no Ártico, resultariam em um catastrófico impacto climático, aumentando a temperatura global em 6 graus Celsius. As companhias de gás e petróleo que sondam a área estão mostrando total desrespeito aos esforços feitos para prevenir o planeta das drásticas mudanças climáticas a que estamos sujeitos.

    Foi por esse motivo que assinei a “Declaração Internacional pelo Futuro do Ártico”, que convoca todos os cidadãos do mundo a redobrar seus esforços para combater as alterações climáticas e trabalhar conjuntamente com os Estados do Ártico para tomar medidas que preservem o ambiente polar.

    Ao meu ver, a principal razão para assinar a petição foi simples: não pode haver uma resposta internacional racional para a mudança climática que permita a expansão da perfuração de petróleo em áreas recém-fundidas do Ártico. 

    Habitantes que vivem aos redores da região Ártica tem grande privilégio e uma forte responsabilidade. Como guardiões de um ecossistema incrível, eles são os primeiros a testemunhar os impactos das mudanças climáticas. As geleiras derretendo e o mar de gelo encolhendo devem figurar entre as mais dramáticas mudanças ambientais na história da humanidade. 

    O próximo capítulo dessa história continua incerto. Vamos aproveitar este momento para fazer um balanço do nosso passado e nosso futuro? Será que vamos proteger o Ártico para as gerações futuras, ou vamos permitir que o Oceano Ártico seja poluído e explorado por combustíveis fósseis?

    Em nossa resposta à crise do Ártico, a posteridade nos julgará.

    *Yeb Sano é negociador-chefe da ONU para as Filipinas e signatário da Declaração Internacional pelo Futuro do Ártico. Leia mais >

  • O relatório está pronto, chegou a hora de agir

    Postado por Kaisa Kosonen* - 8 - set - 2014 às 14:11

    Angela Merkel e David Cameron, assim como a presidenta Dilma Rousseff, podem fazer a lição de casa e ir até Nova Iorque e cumprir seus compromissos reais. (©Gordon Welters / Greenpeace)

     

    Novas histórias estão circulando sobre o relatório de mudanças climáticas do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) – um resumo que condensa três outros relatórios sobre clima para políticos. A síntese será oficialmente lançada na Conferência do Clima, 31 de outubro, mas o conteúdo das mais de 5000 páginas é de conhecimento geral, ainda que seja ignorado por muitos: as mudanças climáticas ameaçam tanto nossa geração quanto as gerações futuras. Durante nossa vida na Terra, o planeta sofrerá mudanças catastróficas a menos que as emissões de carbono sejam reduzidas e que os combustíveis fósseis sejam substituídos por fontes renováveis e limpas.

    As mudanças climáticas podem parecer algo complexo e fora de nosso alcance, mas pode ser simples se tomarmos a iniciativa de diminuir a queima de combustíveis fósseis - petróleo, carvão e gás – responsável pela maioria das emissões de carbono que causam o aquecimento global.

    A escolha é nossa. A cada dia que permitimos e contribuímos com o uso de combustíveis fósseis e enquanto novas minas de carvão e campos de petróleo são planejados, nós somos parte do problema. Mas a cada dia que desafiamos os políticos e empresas, exigindo energia limpa e segura, passamos a fazer parte da solução, parte de um movimento que cresce rapidamente pela mudança que já está acontecendo em países como China e Estados Unidos.

    Agora, como os governantes estão se preparando para um novo acordo climático global a ser assinado em dezembro de 2015 em Paris, a luta climática vem sendo travada nas principais capitais do mundo, onde são tomadas as decisões sobre o uso do carvão, extração de petróleo, novos gasodutos e infraestrutura das grandes cidades.

    A boa notícia é que as mudanças climáticas voltaram a fazer parte da agenda política global – com a maior intensidade possível. O secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, está convocando chefes de Estado para uma Conferência Climática no dia 23 de setembro, em Nova Iorque. Ele tem como objetivo criar um impulso político para a COP 20 (Conferência do Clima da ONU), que este ano ocorre no Peru. Na melhor das hipóteses, poderíamos testemunhar sinais de um novo tipo de liderança de economias emergentes, como a China, que recentemente criou políticas radicais para reduzir o uso de carvão e promover as energias renováveis, mas que ainda precisa levar essa medida interna para o âmbito internacional.

    A taxa de crescimento do uso de carvão na China está estagnada em zero e mostra sinais de declínio para os primeiros seis meses deste ano. Esta é uma mudança em relação à taxa média anual de crescimento de 10% em 2003 - 2011. Ao mesmo tempo, o uso de carvão também mudou drasticamente nos Estados Unidos, resultando em declínio absoluto de emissões. Não é surpresa o carvão ser um fator comum entre líderes dos dois principais emissores do mundo, já que ambos buscam um terreno em comum no encontro promovido por Ban Ki-Moon.

    Mas onde estão as autoridades europeias? Aquelas que costumavam liderar ações pelo clima? Eles vão permitir que China e EUA façam o principal acordo climático sem intervir? Por que a chanceler alemã, Angela Merkel, planeja não participar do lançamento do relatório do IPCC, enquanto o primeiro ministro britânico, David Cameron, ainda não confirmou sua participação? É para evitar o constrangimento de não ter atingido os objetivos traçados até 2030 pela União Europeia?

    Bom, isso ainda pode ser corrigido.

    Angela Merkel e David Cameron, assim como a presidenta Dilma Rousseff, podem fazer a lição de casa e ir até Nova Iorque e cumprir seus compromissos reais.

    *Kaisa Kosonen da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Nórdico Leia mais >

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