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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Acompanhe ao vivo a Mobilização Indígena

    Postado por Nathália Clark - 28 - mai - 2014 às 13:18 1 comentário

    Como parte da Mobilização Nacional Indígena, uma comitiva formada por representantes de povos de cada região do Brasil se reunirá nesta quarta-feira (28), às 15h30, com o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para discutir a agenda legislativa de ataque aos seus direitos garantidos pela Constituição Federal. Os demais ficarão reunidos no gramado em frente ao Congresso Nacional.

    A partir das 15h, a equipe do Greenpeace transmitirá ao vivo as atividades da mobilização. A atriz e apresentadora Maria Paula, que faz parte do Movimento Uma Gota no Oceano – que apoia a Mobilização Indígena através da campanha Tamuaté-aki –, participará da transmissão realizando entrevistas com as lideranças.

    Na tarde de ontem, a repressão policial durante a manifestação puxada pelo Comitê Popular da Copa – e apoiada pelos mais de 600 índios presentes em Brasília para a Mobilização Nacional –, deixou seis indígenas feridos.

    Às 14h, o Comitê da Copa chamou uma coletiva de imprensa para denunciar a violência das forças armadas nacionais contra a sociedade civil. Os índios feridos e dois representantes da mobilização estarão presentes para falar sobre o ataque que vem ocorrendo sistematicamente aos povos tradicionais.

    Como parte igualmente afetada pelo modelo de desenvolvimento escolhido pelo governo brasileiro para o país, que inclui a construção de rodovias, empreendimentos e eventos que impactam diretamente as populações tradicionais e a sociedade urbana, em detrimento de serviços básicos como saúde e educação, e do qual a Copa do Mundo é um exemplo claro, os indígenas apoiam os movimentos sociais na luta por direitos, e participaram da marcha de ontem para demonstrar isso. Leia mais >

  • Violência e dissimulação em marcha anti-Copa

    Postado por Nathália Clark - 27 - mai - 2014 às 21:45 1 comentário

    Seis indígenas, um fotógrafo da Reuters e um padre foram feridos durante ataque da polícia em manifestação em Brasília (Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr).

     

    Após manifestarem na Praça dos Três Poderes e protocolarem uma denúncia no Supremo Tribunal Federal (STF) contra dois deputados federais, os mais de 500 indígenas presentes na capital federal para a Mobilização Nacional Indígena engrossaram o coro junto a cerca de 400 trabalhadores sem teto, além de dezenas de movimentos e organizações sociais, coletivos e ativistas de diversas áreas que participaram do Comitê Popular da Copa, que aconteceu na tarde desta terça-feira (27), em Brasília (DF).

    O objetivo da manifestação é explicitar os diversos crimes e violações cometidos contra a população para possibilitar a realização de uma Copa do Mundo que não traz benefícios para a população. Dentre eles estão: a remoção de 250 mil pessoas de suas casas para a construção de obras, a mudança da legislação para a efetivação de políticas de exceção, a criminalização dos movimentos sociais, dentre outros.

    Durante a manifestação pacífica – e a menos de três semanas do evento esportivo que vai colocar o Brasil nos holofotes de todo o mundo –, a polícia mostrou novamente suas armas contra a população, como em junho do ano passado. Seis indígenas, um fotógrafo da Reuters e um padre foram feridos durante o ataque da PM. Três pessoas foram presas.

    Antes de se juntarem à marcha que seguiu pela Esplanada dos Ministérios até o estádio Mané Garrincha, os índios ocuparam a marquise do Congresso Nacional em protesto contra o abuso de propostas legislativas a seus direitos Constitucionais, e entoaram discursos inflamados em frente ao Ministério da Justiça.

    Frente à desvirtuação do foco da grande imprensa quanto às notícias sobre a violência na manifestação, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) divulgou uma carta repudiando a ação das forças armadas brasileiras e esclarecendo o verdadeiro ocorrido.

    Veja abaixo a íntegra da carta:

    A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) vem a público repudiar a violenta e despropositada ação da Polícia Militar do Distrito Federal, que reprimiu na tarde desta terça-feira, 27/05, ato pacífico em que participavam cerca de 600 lideranças indígenas de todo o país.

    Por volta das 17h40 os indígenas, que estão em Brasília participando da Mobilização Nacional em Defesa dos Direitos Territoriais de seus povos, se uniram ao ato convocado pelo Comitê Popular da Copa – DF e marchavam tranquilamente em direção ao Estádio Nacional Mané Garrincha quando foram surpreendidos pela Cavalaria da Polícia com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, spray de pimenta e tiros de bala de borracha.

    O Tenente Coronel Moreno, da Polícia Militar, havia feito acordo com o Comitê Popular da Copa para assegurar a chegada do protesto pacífico ao Estádio Nacional Mané Garrincha. Porém, quando os manifestantes se aproximaram do estádio, começaram a ser atacados pela polícia.

    Seis lideranças indígenas foram atingidas por balas de borracha, entre elas uma mulher do povo Pankararu, do Nordeste. Um fotógrafo da Agência Reuters sofreu ferimento na perna por resquícios da explosão de uma bomba de efeito moral. Um padre que acompanhava o povo Xerente foi atingido na mão por uma bala de borracha. Além dos feridos, três manifestantes foram presos.

    Diante desses fatos, exigimos a apuração imediata dos abusos cometidos pela polícia que são parte da estratégia de criminalização dos movimentos sociais e dos nossos povos.

    Brasília-DF, 27 de maio de 2014.

    Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB Leia mais >

  • Indígenas denunciam parlamentares ao STF

    Postado por Nathália Clark - 27 - mai - 2014 às 14:17

    Manifestação na Praça dos Três Poderes, em Brasília, marcou o primeiro dia de aparição pública da Mobilização Nacional Indígena.

     

    A Praça dos Três Poderes, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, tornou-se o pátio principal para as mais de 500 lideranças indígenas, de cerca de 100 diferentes povos de todo o Brasil, organizadas na Mobilização Nacional Indígena.

    No final da manhã desta terça-feira (27), após danças, cantos e manifestações que incluíram a abertura de cartazes que pediam a demarcação de suas terras, uma comissão protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma queixa-crime contra os deputados federais Luiz Carlos Heinze (PP-RS) e Alceu Moreira (PMDB-RS), pelo episódio em que protagonizam um vídeo gravado durante audiência pública da Comissão de Agricultura, realizada em novembro do ano passado com produtores rurais de Vicente Dutra (RS), no qual incitam a violência contra indígenas, quilombolas e homossexuais.

    Documento foi protocolado no STF na manhã desta terça-feira.

    Leia a íntegra da queixa-crime

    A comissão, composta pela direção da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e por lideranças indígenas de cada uma das regiões do país, entregou ao Supremo um documento em que pedem que os ministros apurem as declarações racistas e homofóbicas desses parlamentares. O documento solicita ainda a apuração dos crimes de incitação à violência e ao ódio contra as comunidades que reivindicam seus territórios tradicionais.

    Os ataques foram desferidos por Moreira e Heinze, atual presidente da Frente Parlamentar Agropecuária na Câmara dos Deputados, em discurso na audiência, financiada com dinheiro público. Os parlamentares incentivam os agricultores a formar milícias e pedem que eles impeçam as retomadas de terras proferidas por indígenas com violência. 

    Assista aqui ao vídeo

    Segundo Cretã Kaingang, liderança do Sul do Brasil, o conflito fundiário em Faxinalzinho (RS) foi acirrado por essas declarações: “Nunca quisemos tirar o direito de ninguém. Apenas queremos o pouco que restou de nossas terras. Os deputados estão querendo jogar pequenos agricultores e a sociedade não-índia contra nós”, afirma a liderança. Leia o pronunciamento dos Kaingang de Kandóia-Votouro sobre o conflito.

    Durante o trajeto das delegações indígenas de Luziânia (GO) – onde fica localizada a chácara do Cimi, que abriga as comitivas indígenas – para Brasília (DF), a Polícia Rodoviária Federal parou os cinco ônibus na BR-040, altura do município de Santa Maria, para contar a quantidade de indígenas em cada ônibus. Segundo as lideranças, os policiais afirmaram ter recebido ordens para informar quantas pessoas estavam se deslocando para a Esplanada dos Ministérios. Leia mais >

  • Pelo fim da madeira ilegal na Amazônia

    Postado por André Sampaio - 26 - mai - 2014 às 17:14 1 comentário

    Entre agosto de 2011 e julho de 2012, estima-se que 78% das áreas com atividades madeireiras no Pará , não tinham autorização de exploração.

     

    Depois de lançar a campanha “Chega de Madeira ilegal”, o Greenpeace divulga uma animação que ilustra como funciona a extração e a importação de nível internacional da madeira extraída na Amazônia e quais danos a prática esta causando ao bioma.

    Grande parte da madeira exportada da Amazônia é ilegal. As madeireiras encontram furos no sistema para legalizar a exploração ilegal através de documentos falsos. Entre agosto de 2011 e julho de 2012, estima-se que 78% das áreas com atividades madeireiras no Pará - maior produtor e exportador de madeira da Amazônia - não tinham autorização de exploração.

    Os madeireiros manipulam o sistema de controle, extraem madeiras de áreas de preservação e as exportam com “documentos oficiais”, que afirmam que a madeira é de origem legal. O sistema de controle que devia proibir a atividade está sendo usado para legitimar a exportação, o que gera lucro para as madeireiras e incentiva o aumento de tal prática.

    A exploração ilegal de madeira na Amazônia está acabando com a floresta tropical que abriga a maior variedade de fauna e flora do mundo e é fundamental para combater as ameaças causadas pelas mudanças climáticas. Também gera conflitos com populações locais e índios, que resultam em morte e desrespeito aos direitos humanos.

    Assista ao vídeo, entenda como esse processo funciona e ajude-nos a salvar a Amazônia.   

       Leia mais >

  • O grito da floresta

    Postado por Luana Lila - 26 - mai - 2014 às 16:42 1 comentário

    Marcha em homenagem a Zé Claudio e Maria (©Greenpeace/Fabio Nascimento)

     

    O povo caminha em marcha, cantando à capela e pisando firme na estrada de chão batido que corta o Projeto de Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, em Nova Ipixuna, no sudeste do Pará. Começa o terceiro ato em memória a José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do
    Espírito Santo, que foram assassinados por pistoleiros em 24 de maio de 2011 numa covarde emboscada.

    A morte do casal há muito estava anunciada. Zé Claudio incomodava madeireiros, fazendeiros e grileiros da região ao levantar a voz para proteger a floresta. Há anos ele vivia ameaçado, mas não se calava. No fim de 2010, foi palestrante do TEDx Amazônia, em Manaus, onde falou
    sobre as ameaças que sofria: “Eu vivo com a bala na cabeça a qualquer hora.... A mesma coisa que fizeram no Acre com Chico Mendes querem fazer comigo. A mesma coisa que fizeram com a Irmã Dorothy querem fazer comigo. Eu posso estar hoje aqui conversando com vocês e daqui a um mês vocês podem ouvir a notícia de que desapareci”.

     


    Cerca de seis meses depois dessa palestra, Zé Claudio seguia de moto com Maria na garupa pela estrada esburacada do assentamento. Eles costumavam passar em alta velocidade para evitar os pistoleiros. Mas a estrada é cheia de pontes improvisadas e buracos gigantes que se
    formam com a chuva forte característica da Amazônia e a falta de infraestrutura do assentamento. Nesse dia, Zé Claudio foi obrigado a reduzir a velocidade para conseguir equilibrar a moto numa dessas pinguelas. E foi ali que estavam os dois pistoleiros que dispararam tiros em direção a eles. Zé Claudio e Maria tombaram. A orelha de Zé Claudio foi cortada como uma espécie de prova dos pistoleiros para os mandantes de que o “serviço” havia sido executado.

    Logo após a morte do casal, irmãos e irmãs de Zé Claudio e Maria que viviam no assentamento foram obrigados a se mudar pra cidade, com as contínuas perseguições e ameaças que deixariam qualquer um aterrorizado, com medo de se tornarem as próximas vítimas. No terceiro ano da morte do casal, a família recebeu o apoio inesperado de várias pessoas através do site Vakinha, que colaboraram para arrecadar fundos com o objetivo de organizar o ato "A floresta vai gritar", que promoveu a marcha para celebrar a vida e a luta de Zé Cláudio e Maria.

    “Esse é o momento de não sofrer mais. A luta é desleal mas a gente tem que ter força e coragem. A gente vai enfrentar. A regra lá no assentamento é o medo. Mas a gente tem que saber que todo mundo junto tem mais força do que eles. Se escondendo a gente estaria dando
    vitória para os assassinos”, disse Claudelice Silva dos Santos, de 32 anos, irmã mais nova de Zé Cláudio. “Esse é um ato de retomada, resistência e o recomeço da luta”, concluiu.

    Desmatamento e assassinatos: uma longa história de violência

    Três anos depois do assassinato, a marcha seguiu com cerca de 150 pessoas que caminhavam sob o sol forte da Amazônia, afundando os pés na lama dessa mesma estrada onde ocorreu a tragédia, caminhando por cerca de oito quilômetros até o local do crime para celebrar uma
    homenagem.

    Ao longo do caminho, a paisagem ao redor da estrada não lembrava em nada a floresta Amazônica. Por todo o horizonte só se via pasto, algumas castanheiras com seus galhos contorcidos, mortas, e os babaçus, que são os primeiros que se erguem depois que uma floresta é desmatada. Um enorme contraste em relação ao lote de Zé Claudio, que é totalmente rodeado pela mata imponente e bela. Produzindo óleo de castanha, polpa de cupuaçu e outros produtos extraídos da floresta, ele a mantinha preservada e sabia extrair renda dela.

    Claudelice explicou que, na região, o ciclo do desmatamento começa com a retirada das espécies de árvores mais valiosas pelos madeireiros, seguida da venda dos galhos que restaram para os carvoeiros e, por fim, a chegada do gado e das pastagens. Zé Claudio dizia que, quando
    ele chegou ao assentamento, 85% do local era de floresta nativa e depois, com a chegada dos madeireiros, restou pouco mais de 20%, “um desastre pra quem vive do extrativismo como eu, que sou castanheiro desde os sete anos de idade, vivo da floresta e protejo ela de todo o jeito”, disse ele, na palestra do TEDx.

    Foi somente depois da repercussão nacional e internacional do assassinato do casal que o Governo Federal resolveu atuar na área, determinando uma rigorosa fiscalização do Ibama. Fornos de carvão e serrarias ilegais foram destruídos e fechados, a extração de madeira
    diminuiu, mas o problema persiste. Segundo dados oficiais do governo, desde a morte da irmã Dorothy Stang, em 2005, até hoje, a Amazônia perdeu mais de 85 mil quilômetros quadrados de mata nativa.

    A impunidade prevalece no campo

    Na marcha estavam representados também Chico Mendes, Dorothy Stang, Dema, Dezinho e outros tantos nomes que tombaram nessa luta injusta e desigual que se trava na Amazônia há mais de 30 anos e que continua deixando mártires pelo caminho.

    Três anos depois que Zé Claudio e Maria morreram, a família ainda tem sido intimidada. Uma caminhonete passou pela marcha e o motorista deixou um recado: “Diz pra essa moça que tá falando no microfone tomar cuidado com o que ela fala”.

    O caso ganhou fama internacional, repercutiu em diversos países, mas, com a absolvição de suspeitos de serem mandantes, o clima de ameaça não cessa. De acordo com a CPT (Comissão Pastoral da Terra), desde 2005, 199 pessoas foram assassinadas na Amazônia. Outro levantamento mostrou que, de 1985 a 2013, foram registrados 699 assassinatos na Amazônia Legal, com 981 vítimas no total. De todos esses, apenas 35 foram julgados, condenando 20 mandantes e 27 executores. Leia mais >

  • As emissões escondidas

    Postado por Marcio Astrini* - 26 - mai - 2014 às 16:38

    Apesar de altas, emissões da atividade madeireira não são contabilizadas. Foto: Greenpeace/Marizilda Cruppe

     

    O saldo negativo do descontrole da atividade madeireira na Amazônia pode ir além dos danos florestais, de biodiversidade e impactos sociais. É isso o que nos revela um estudo que contou com a participação de 10 autores de 11 instituições do Brasil e da Inglaterra.

    A pesquisa mostra que, somente em 2010, a quantidade de carbono perdido na Amazônia por degradação (pela atividade madeireira e pela ocorrência de fogos rasteiros) equivale a cerca de 40% do total de carbono emitido no mesmo período por conta do desmatamento, uma conta de 54 bilhões de toneladas. Hoje, esse volume não aparece nos cálculos oficiais das emissões brasileiras.

    Para piorar, os altos índices de ilegalidade da atividade madeireira na Amazônia podem agravar ainda mais a situação. Entre 2011 e 2012, cerca de 78% das áreas que tiveram extração de madeira no Pará ocorreram de forma ilegal. No Mato Grosso, esse índice atingiu 54%. Madeira retirada ilegalmente não utiliza técnicas de baixo impacto, deixando para trás um enorme rastro de destruição e de prejuízos econômicos e climáticos para o país e para o mundo.

    O estudo completo deve ser publicado na próxima quarta-feira, dia 28, no periódico acadêmico Global Change Biology. Entre os titulares do projeto está a Dra. Érika Berenguer, pesquisadora da Universidade de Lancaster e que por muito tempo colaborou com as campanhas desenvolvidas pelo Greenpeace no Brasil. Parabéns Érika. Agradecimentos e admiração pelo seu trabalho.

    *Marcio Astrini é coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace. Leia mais >

  • Mobilização Nacional Indígena - edição 2014

    Postado por Nathália Clark - 23 - mai - 2014 às 12:31 1 comentário

    Na próxima semana, de segunda a quinta-feira (26 a 29 de maio), povos e organizações indígenas de todo o país promoverão novas manifestações e eventos em defesa de seus direitos e de suas terras. As atividades acontecerão em Brasília, durante a segunda edição da Mobilização Nacional Indígena. Na quarta (28/5), às 9h, está confirmado um Ato Público em Defesa da Agenda Legislativa Indígena, na Câmara dos Deputados.

    Os protestos ocorrem num cenário de ataque generalizado aos direitos indígenas, em especial os direitos territoriais, da parte de vários setores do governo e de um conjunto de atores políticos e econômicos capitaneados pela bancada ruralista no Congresso Nacional.

    Um dos principais objetivos da mobilização da semana que vem é impedir a aprovação da série de projetos contra os direitos indígenas em tramitação no parlamento, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que pretende transferir aos congressistas a atribuição de aprovar a demarcação das Terras Indígenas (TIs); o Projeto de Lei (PLP) 227, que visa abrir essas áreas à exploração econômica; o PL 1610, que regulamenta a mineração nas TIs, entre vários outros.

    Também serão alvos dos protestos, entre outras medidas do governo, a proposta de alteração do procedimento de demarcação das TIs do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e a Portaria 303 da Advocacia-Geral da União (AGU), que objetiva generalizar a todas as TIs as condicionantes definidas para a TI Raposa Serra do Sol (RR), contrariando decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Na prática, todas essas propostas do Executivo e do Legislativo pretendem paralisar definitivamente os processos de demarcação, já suspensos pelo governo federal.

    Enquanto isso, a tramitação de projetos importantes para consolidar os direitos indígenas e que são bandeiras do movimento indígena, como o Estatuto dos Povos Indígenas e o Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI), está paralisada há anos nos corredores do Congresso, sem qualquer avanço. A Mobilização Nacional Indígena também defende a aprovação dessas duas propostas.

    “Vivenciamos uma pactuação dos poderes do Estado e dos representantes do capital contra os direitos indígenas. Está em curso uma virulenta campanha de criminalização, deslegitimação, discriminação, racismo e extermínio dos povos indígenas”, alerta Sônia Guajajara, da coordenação executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Ela destaca, como exemplos dessa campanha, as prisões arbitrárias de integrantes do povo Kaingang no Sul do País, dos cinco tenharim em Humaitá (AM) e, na Bahia, do cacique Babau Tupinambá.

    A Mobilização Nacional Indígena é promovida pela Apib, com apoio do Centro de Trabalho Indigenista (CTI), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Instituto Socioambiental (ISA), Greenpeace, Instituto de Educação do Brasil (IIEB), entre outras organizações indígenas e indigenistas. Em apoio à Mobilização, foi relançado nesta sexta-feira o site A República dos Ruralistas, que passou por uma atualização, com inclusão de novos parlamentares. Leia mais >

  • As novas faces da República dos Ruralistas

    Postado por Nathália Clark - 23 - mai - 2014 às 11:32 1 comentário

     

    Lançado no fim de setembro do ano passado, o site A República dos Ruralistas está de cara nova – ou melhor, traz novas caras. Relançado nesta sexta-feira (23), ele vem como aquecimento para a Mobilização Nacional Indígena, que acontece na próxima semana, de 26 a 29 de maio. A página, que mapeia os principais integrantes da bancada que representa os grandes proprietários do agronegócio no Congresso, passou por uma atualização e teve a inclusão de 18 novos perfis de parlamentares, sendo 12 senadores e 6 deputados federais.

    Acesse aqui o site.

    Entre eles figuram nomes que dispensam maiores apresentações, como o da presidente da Confederação Nacional da Agricultura, senadora Kátia Abreu (PMDB-TO); do deputado Alceu Moreira (PMDB-RS), um dos protagonistas do vídeo em que incita a violência contra indígenas no seu estado; senador Blairo Maggi (PR-MT), conhecido com o “Rei da Soja”; senador Romero Jucá (PMDB-RR), autor do PL 1610, que visa autorizar a mineração em terras indígenas; deputado Moreira Mendes (PSDB-RO), autor do PL 3842, que modifica o conceito de trabalho escravo; do ex-presidente do Brasil e atual senador José Sarney (PMDB-AP); dentre outros.

    A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI), o Greenpeace e o Instituto Socioambiental (ISA), como contribuição para a Mobilização Nacional Indígena. Classificando os parlamentares por “ruralista”, “anti-indígena” e/ou “grande proprietário de terras”, a plataforma apresenta dados sobre a atuação parlamentar, o patrimônio fundiário e financeiro, os financiadores de campanha e as ocorrências judiciais das principais lideranças ruralistas – e anti-indígenas – no Congresso Nacional.

    De fontes públicas, tais como o Tribunal Superior Eleitoral e os sites da ONG Transparência Brasil, os dados sistematizados reforçam a ligação desses parlamentares com empresas multinacionais do agronegócio, crimes ambientais e contra populações tradicionais e pequenos agricultores. Tornam claros também os interesses particulares e corporativos das propostas que defendem. Leia mais >

  • É oficial: deputados são contra áreas protegidas

    Postado por Nathália Clark - 22 - mai - 2014 às 16:18 1 comentário

    Rio Araguari circundando as matas do Parque Nacional das Serras do Tumucumaque, no Amapá, maior unidade de conservação do país (©Greenpeace/Rogério Reis/Tyba).

    Ela passou quase despercebida no dia em que foi registrada na Câmara dos Deputados, em 22 de abril, mas chocou as comunidades ambientalista, indigenista e científica assim que veio à tona. A Frente Parlamentar em Defesa das Populações Atingidas por Áreas Protegidas (Unidades de Conservação e Terras Indígenas), liderada pelo deputado federal ruralista Weverton Rocha (PDT-MA), conta com a assinatura de 214 outros deputados, entre eles figuras conhecidas por seu ferrenho posicionamento anti-indígena e anti-conservacionista, que agora é oficializado.

    Estão entre os listados nomes como o de Alceu Moreira (PMDB-RS), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária na Região Sul; Bernardo Vasconcellos (PR-MG), primeiro relator do projeto que pretende liberar mineração em unidades de conservação de proteção integral; e Giovanni Queiroz (PDT-PA), que ocupa a vaga de suplente destinada a seu partido na comissão especial da PEC 215; entre outros defensores dos interesses políticos de grandes proprietários de terra e do agronegócio escuso.

    A maioria dos parlamentares que compõem a Frente também votaram a favor do novo Código Florestal, que liberou as florestas do país para novos desmatamentos e anistiou criminosos ambientais. Criada supostamente para rever o processo fundiário que envolve UCs e TIs, a Frente Parlamentar ignora o processo de reversão dessas áreas protegidas que já está em curso.

    Não bastassem as reduções, extinção e recategorização de unidades de conservação, o processo de demarcação de terras indígenas também se encontra paralisado. Um estudo recente realizado por cientistas da Universidade Federal de Pernambuco e do Imazon revelou que, em apenas três décadas, foram realizadas 93 alterações em UCs localizadas em 16 estados brasileiros, o que fez com que fossem retirados de proteção 5,2 milhões de hectares, uma área maior do que o estado do Rio de Janeiro.

    De encontro a isso, o governo Dilma criou apenas três UCs, totalizando pouco mais de 44 mil hectares, o número mais baixo em cerca de 20 anosSituação similar ocorre com relação à expansão da reforma agrária e à homologação de Terras Indígenas, que têm seus processos parados desde o início da atual gestão. Leia mais >

  • A denúncia do Greenpeace no mundo

    Postado por Luana Lila - 21 - mai - 2014 às 15:45

    A extração predatória e ilegal de madeira está destruindo a floresta. Na foto, caminhão carrega madeira em Uruará, Belém (© Greenpeace/Marizilda Cruppe)

     

    Na semana passada o Greenpeace lançou a campanha Chega de madeira ilegal para expor o resultado de uma pesquisa de dois anos que revelou que a exploração de madeira na Amazônia continua ocorrendo de forma tão ilegal e predatória como sempre. Mas, desta vez, com um empurrãozinho do próprio sistema que deveria controlar a produção e o comércio de produtos florestais da região.

    Em menos de uma semana desde que a campanha está nas ruas, as denúncias do Greenpeace já começaram a rodar o mundo e mostrar resultado. No Brasil, foram enviados mais de 15 mil e-mails aos principais pré-candidatos à presidência exigindo que se posicionem sobre o problema e apresentem soluções. Já na Itália, o ministro de Agricultura e Florestas, Maurizio Martina, anunciou a aprovação do decreto que regulamenta a aplicação da legislação europeia de combate à madeira ilegal. Nos Estados Unidos, mais de 40 mil pessoas também aderiram à campanha e enviaram mensagem pedindo que uma empresa local pare de comprar madeira sem garantia de origem.

    Enquanto a maior floresta tropical do mundo vai sendo destruída e vendida tora após tora, quantidades absurdas de madeira com origem suja e documentação limpa circulam por aí. Os estados da Amazônia, que administram a madeira que sai da floresta e entra nos mercados, não são capazes de provar que controlam o setor. Por sua vez, o consumidor nunca terá certeza de que não está contribuindo com a destruição da Amazônia.

    “É muito importante que os consumidores dessa madeira estejam alertas sobre a falta de controle que impera sobre o setor madeireiro na Amazônia. O mercado nacional ou estrangeiro precisa exigir garantias de que a origem  da madeira não tenha contribuído para o desmatamento e a destruição da floresta. Exigir garantias e cobrar o governo brasileiro por soluções é essencial para por um fim à essa situação inaceitável”, disse Marcio Astrini, da Campanha Amazônia do Greenpeace.

    Você pode ajudar a dar um ponto final nesses crimes ambientais. Mande uma mensagem à presidenta Dilma e aos candidatos à Presidência da República para que a retirada de madeira seja feita de forma responsável na Amazônia, respeitando a floresta e seus povos. Leia mais >

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