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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Da lama ao pó: o impacto da tragédia do Rio Doce para a saúde

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 30 - mar - 2017 às 14:30

    Estudo inédito investiga os principais problemas físicos e psicológicos de quem, até hoje, continua sendo atingido pelo crime da mineradora Samarco

    Fonte: Instituto Saúde e Sustentabilidade

     A imagem acima é o grito dos problemas enfrentados hoje no corpo e na alma por quem ainda vivencia, direta ou indiretamente, o maior desastre socioambiental do país – a destruição da bacia do Rio Doce pelo rompimento de uma barragem de rejeitos da mineradora Samarco, que é controlada pelas empresas Vale e BHP Billiton. No diagrama, feito  a partir dos resultados de pesquisas  junto à população, problemas respiratórios, de pele, dengue e emocionais se destacam entre os males mais recorrentes ou percebidos. Porém, os danos podem ir além, quando levado em conta as doenças crônicas que poderão vir a se desenvolver ou se agravar, sem que a Samarco ou o sistema público de saúde estejam se preparando para isso.

     O estudo “Avaliação dos Riscos em Saúde da População afetada pelo Desastre de Mariana”, realizado pelo Instituto Saúde e Sustentabilidade (ISS), é o primeiro a ser divulgado de uma série de pesquisas que contemplam mais outras cinco áreas: Água, Fauna, Flora, Impactos Sociais e Direitos Humanos. Todos conduzidos por pesquisadores independentes de universidades e institutos brasileiros, e financiados com doações captadas pelo coletivo Rio de Gente e gerenciadas pelo Greenpeace.

    Segundo a médica e diretora do ISS, Evangelina Vormmitag, que coordenou o estudo, não existe nenhum outro desastre na literatura científica com essa magnitude e essas características, envolvendo tantos fatores – água, ar, solo e animais contaminados, danos emocionais e mentais –, na proporção que foi o Rio Doce. "Por isso os efeitos para a saúde são tão abrangentes”, explica.

    Para avaliar o impacto, os pesquisadores consideram os efeitos na saúde decorrentes de um desastre em três fases:

    - Resgate, com os efeitos mais agudos, momentâneos e entre minutos, horas e dias, como acidentes, afogamentos, lesões ou óbitos;

    - Recuperação, entre semanas e meses, como as doenças infecciosas, transmissíveis por vetores ou não, como dengue, hepatite A, diarreia, intoxicações, lesões de pele, doenças respiratórias, exacerbação de doenças crônicas;

    -  Reconstrução, sintomas que surgem entre meses e anos, como as doenças comportamentais, psicológicas e mentais. Soma-se a estes efeitos, a preocupação adicional da exposição à lama tóxica, seja por inalação, contato com a pele ou até por ingestão.

    Moradores de Barra Longa fazem a limpeza da cidade coberta pela lama de rejeitos, após o desastre - Foto: Caio Santos Leia mais >

     

    Cidade perdida na poeira

    Moradores de Barra Longa (MG) foram escolhidos para a pesquisa em função do município ser considerado um dos piores em situação. “Em Bento Rodrigues, onde a lama destruiu tudo, não se mexeu mais e ninguém ficou por lá para ser afetado. Em Barra Longa, o pó da lama seca chegou aos quarteirões mais altos em função do trânsito de veículos e da própria reconstrução da cidade, atingindo todo mundo”, conta a médica.

    A poluição do ar pode ter sido agravada ainda pelos blocos de lama seca produzidos pela Samarco para serem usados na repavimentação das ruas destruídas. Com o tráfego de caminhões, isso levanta ainda mais poeira.

    De uma população de quase 6 mil habitantes, a pesquisa ouviu 289 famílias e seus 576 membros, calculados de forma estatística e sorteados a partir da lista das famílias do Programa Social de Família da Secretaria Municipal de Saúde de Barra Longa. Dos entrevistados, 35% afirmaram que a saúde piorou após o desastre. Para realizar a pesquisa, eles responderam um questionário e entrevistas sobre os sintomas que vêm sentindo após o desastre da Samarco. Esse estudo é o início de uma verificação mais profunda sobre as responsabilidades que a empresa deverá arcar quanto ao adoecimento da população de Barra Longa.

    Dentre os problemas relatados, 40% são respiratórios; 15,8% afecções de pele; 11% transtornos mentais e comportamentais; 6,8% doenças infecciosas; 6,3% de doenças do olho; e 3,1% problemas gástricos e intestinais. Para crianças de até 13 anos completos, as doenças respiratórias são 60% das queixas.

    Desde o desastre, 56% dos respondentes afirmaram terem deixado de realizar alguma de suas atividades habituais e domésticas, e 49,5% chegaram a ficar acamados. Também houve a preocupação de inquirir sintomas, uma vez que os indivíduos poderiam não ter o diagnóstico da doença. Os prevalentes foram dor de cabeça, tosse e dor nas pernas, alergias de pele, febre e rinite. Vale ressaltar que dor nas pernas é um sintoma comum de intoxicação por minério.

    Como o próprio estudo conclui, “a saúde da população está comprometida e de diversas formas. Os dados levantados espelham o sofrimento da população a multivariadas queixas e doenças, e ao prejuízo da sua qualidade de vida”.

    Clique para baixar o estudo:

     

    "Angústia com o futuro"

    O que chamou a atenção dos pesquisadores na realização do estudo, no entanto, foi a escassez de dados de saúde contabilizados e monitorados desde o desastre pelo poder público. Uma pesquisa epidemiológica em saúde foi realizada pelo Ministério da Saúde em julho de 2016, em Barra Longa, e até hoje os resultados não foram divulgados.

    “Tenho angústia com o futuro, pois há a necessidade de avaliar as pessoas que foram afetadas em relação a doenças crônicas, que são as mais perversas, e não há dados oficiais de saúde. Barra Longa tem dados de mortalidade, morbidade, notificação compulsória. Daqui a 30 anos, como será a atribuição de casos de câncer ou doenças do sistema imunológico? 80% dos efeitos da poluição do ar são problemas cardiovasculares. É a primeira causa ambiental de morte no mundo, associada a doença crônica não transmissível”, alerta a médica.

    Ela defende que a empresa provesse as necessidades mínimas para a população, pois os efeitos são bastante específicos e necessitam de atendimento especializado. “A Samarco disponibilizou clínicos gerais na UPA da cidade, mas não há atendimento de especialistas, como dermatologista ou psiquiatra. Por conta dessas doenças, as pessoas têm que se deslocar pra outras cidades e comprar remédios, mas seus gastos não são ressarcidos pela Samarco. Há quem não receba nenhuma compensação”, alerta.

    Para Fabiana Alves, da Campanha de Água do Greenpeace Brasil, os impactos na saúde mostram a amplitude de um desastre ambiental e é apenas uma das consequências da negligência de empresas em seus projetos de infraestrutura exploratória. “A população atingida tem que ser monitorada para uma ampla análise e suporte real à saúde dos atingidos. O que resta nesse momento é demandar que os órgãos municipais se organizem para esse monitoramento necessário, já que a Samarco não interesse em fazê-lo", diz Fabiana.

    Nesta outra nuvem, entrevistados resumem a percepção do crime ambiental no Rio Doce em uma palavra. Fonte: ISS

     

    Enquanto isso, no Congresso brasileiro

    Tramitam diversas proposições que objetivam enfraquecer as legislações de proteção ambiental no país. Dentre as mais graves, está a tentativa de flexibilizar o licenciamento ambiental. O interesse não é tornar o processo mais efetivo e responsável, apenas mais rápido.

    Caso a lei seja mudada para pior, como querem nossos deputados e senadores e boa parte do governo, todos nós estaremos expostos a maiores riscos, afetando de forma direta populações mais vulneráveis e alimentando a possibilidade de ocorrência de novos desastres ambientais, como foi o de Mariana (MG), onde a empresa Samarco, formada por Vale e BHP Billiton varreu do mapa cidades e populações e destruiu por completo a Bacia do Rio Doce. O maior desastre socioambiental brasileiro deixou um rastro de 21 mortos e arrasou com as esperanças e a vida de centenas de famílias.

    Do ponto de vista econômico, o enfraquecimento do licenciamento também poderá trazer efeitos negativos, alimentando conflitos sociais e aumentando o número de contestações legais contra empreendimentos, diminuindo a segurança jurídica para investimentos no país.

  • Cerca de 600 pessoas, muitas delas estudantes de escolas públicas, estiveram em Copacabana para fazer ação junto ao artista norte-americano John Quigley

    Peixe-borboleta gigante na praia de Copacabana, Rio de Janeiro, em ação pela defesa dos Corais da Amazônia. Cerca de 600 pessoas estiveram no evento, organizado pelo Greenpeace e pelo artista John Quigley. (Foto: ©Fernanda Ligabue/Spectral Q/Greenpeace)

     
    As areias da praia de Copacabana ganharam cores e formas diferentes na manhã desta quarta-feira, 29 de março. Cerca de 600 pessoas estiveram lá em uma intervenção artística para a Campanha Defenda os Corais da Amazônia. A ação foi articulada pelo Greenpeace em parceria com o artista norte-americano John Quigley, famoso por suas instalações de proporções gigantes, para serem avistadas do céu. Na orla carioca, o desenho teve 100 metros de comprimento.

    Essas pessoas se somaram às mais de 800 mil que assinaram nossa petição pedindo que a empresa francesa Total e a britânica BP não perfurem o fundo do mar perto dos corais para buscar por petróleo. “Ao fazermos esse desenho pelos Corais da Amazônia, nós nos tornamos porta-vozes da vida. Pela vida dos peixes, dos corais e de todas as formas de vida que não falam a nossa língua humana”, disse John.

    Do grupo que participou da ação, cerca de 200 eram estudantes de escolas públicas do Rio de Janeiro. Para levá-las até lá, o Greenpeace passou semanas conversando com professores e diretores, contando a importância da proteção dos Corais da Amazônia.

    ASSINE A PETIÇÃO E PRESSIONE A TOTAL

    John Quigley já fez várias intervenções com o Greenpeace, mas essa para ele foi especial. Quando soube que teríamos estudantes jovens para formar as letras da mensagem, John diz que ganhou um fôlego a mais para se inspirar e criar o desenho, que no final, foi um enorme peixe-borboleta.

    O artista norte-americano John Quigley manteve a animação das pessoas presentes. "Vocês são lindos", não parava de dizer. (Foto: © Barbara Veiga / Spectral Q / Greenpeace)

     
    O clima animado, mesmo debaixo de uma chuva que insistiu em cair, e de integração dominou boa parte da montagem da imagem. John falava inúmeras vezes “Vocês são lindos” para os jovens. Para ele, o momento em que esses estudantes participam de uma atividade que une arte, meio ambiente e ativismo pode mudar a vida deles para sempre. “Talvez muitos das pessoas aqui tenham ouvido pela primeira vez na vida como são lindos, como foram importantes ao fazer parte de uma obra de arte”, falou com emoção. “Se pudéssemos monitorar a vida futura deles, tenho certeza que muitos estarão envolvidos em causas ambientais.”

    A frase “Defenda os Corais da Amazônia” foi só uma das etapas. A segunda foi transformá-la em outra mensagem: “Petróleo Não!”, afinal, é um vazamento de petróleo a grande ameaça aos Corais.

    A segunda mensagem da ação foi um recado direto às duas empresas – Total e BP – que têm planos de perfurar o fundo do mar próximo aos Corais da Amazônia ( ©Rafael Rolim/Spectral Q/ Greenpeace)

     
    Esse também foi um recado direto à empresa francesa Total e à britânica BP – as duas  compraram o direito de explorar blocos de petróleo na costa do Amapá, perto dos corais. E já podem começar a fazer isso ainda esse ano.

    Segundo Thiago Almeida, da Campanha de Clima do Greenpeace Brasil, ver tantas pessoas engajadas pela defesa dos Corais da Amazônia mostra às petrolíferas que a população não quer arriscar a vida no fundo do mar. “A exploração de petróleo é uma atividade do passado. Diante de tantos acidentes que já ocorreram, muitos que destruíram a vida marinha e as comunidades costeiras, não podemos aceitar as perfurações próximas aos Corais da Amazônia”, disse Thiago Almeida.

    “O que o Greenpeace e a equipe do John Quigley fizeram hoje na praia de Copacabana foi histórico. Unimos a beleza dos corais com a força das pessoas para pedir por um futuro em que a ganância das empresas não fiquem à frente da natureza”, completou Thiago.

    Grupo posicionado, formando as letras da mensagem. Ao fundo, um navio petroleiro passando pelo mar de Copacabana. (©Foto: Marizilda Cruppe/Spectral Q/Greenpeace)

     

    Depois da chuva, o sol saiu e garantiu o sucesso da ação (Foto: © Barbara Veiga / Spectral Q / Greenpeace) Leia mais >

     

    A orla de Copacabana com a obra de arte de John Quigley, em parceria com o Greenpeace. (Foto: © Fernanda Ligabue / Spectral Q / Greenpeace

     

    ASSINE A PETIÇÃO E PRESSIONE A TOTAL

  • Nesta segunda-feira (27), ativistas do Greenpeace, incluindo a diretora executiva da organização, foram brevemente detidos após protesto pacífico realizado na maior refinaria da gigante petrolífera francesa Total, na Bélgica, contra exploração de petróleo nos Corais da Amazônia

    Ativistas escalaram a coluna de flare da refinaria para pedir que a Total não destrua o recife de Corais da Amazônia

     Logo cedo pela manhã, mais de 40 ativistas de sete países escalaram uma chamine e uma grande coluna de flare na maior refinaria da empresa, no porto da Antuérpia, o coração das suas operações na Bélgica. Eles desdobraram um banner com a mensagem: “Total, não destrua o recife”. Já em um dos tanques de combustível da companhia, os ativistas-escaladores colocaram uma grande imagem dos Corais da Amazônia. A ação foi transmitida ao vivo pelo Facebook – confira aqui.

     

    Ativistas-escaladores em ação na chaminé da refinaria da Total, na Bélgica.

      

    Eles também mostraram uma instalação de arte projetada pelo renomado artista de rua Bonom (nome verdadeiro Vincent Glowinski), antes de manchá-la com 'óleo'; o mesmo destino que poderia atingir os Corais da Amazônia, em caso de vazamento de petróleo.

    Ao deixar a delegacia, depois de ter sido detida por duas horas, a diretora executiva do Greenpeace Internacional, Bunny McDiarmid, comentou que a demonstração não-violenta pacífica é a única maneira de conectar publicamente a maior refinaria da Total, na Antuérpia, ao recife de corais, na costa da Amazônia, sob ameaça do projeto de exploração da Total. “Não é mais a distância de um mundo. Protesto não violento deve ser a norma para conter a implacável indústria de combustíveis fósseis, determinada a destruir o nosso planeta em prol do lucro. O movimento contra os combustíveis fósseis está crescendo em todo o mundo, se acostumem a ele”, afirmou.

    Os ativistas também escalaram um tanque de combustível da Total.

     

    A imagem dos Corais da Amazônia foi estampada no tanque de combustível da Total

     

    Sede da Total tingida de preto

    Simultaneamente à ação na Bélgica, nossos ativistas também fizeram uma ação na sede da empresa, em Paris. Eles derramaram oleo falso na frente do prédio e exibiram mensagens em defesa dos Corais da Amazônia.

    ASSINE A PETIÇÃO E PRESSIONE A TOTAL

    Óleo falso foi derramado na sede da Total para alertar sobre o risco de vazamento de petróleo na região dos Corais da Amazônia. Leia mais >

     
  • Exame no Sistema Cantareira revela saúde frágil

    Postado por rgerhard - 22 - mar - 2017 às 8:20

    Para este Dia Mundial da Água, 22/3, realizamos uma “tomografia” no maior sistema de abastecimento de água do País e descobrimos que, apesar da recuperação dos reservatórios em função das chuvas, ele continua vulnerável em sua função de fornecer água limpa

     

    Assim como a tomografia utiliza imagens em alta definição para visualizar as estruturas e órgãos internos do corpo humano, usamos imagens de satélite para avaliar o Sistema Cantareira para além do nível d’água. No estudo encomendado pelo Greenpeace foi observado o uso e a cobertura do solo, que vai muito além do entorno do reservatório – compreende mais de 288 mil hectares e 12 municípios - clique na imagem acima para baixar o infográfico.

    O que esse exame revelou foi uma enorme “pressão alta” no sistema: 70% de toda a paisagem já foi alterada pelas atividades humanas, sobretudo pastagens e plantios de eucalipto. Da vegetação natural restam apenas 15%. Das APPs,  as Áreas de Proteção Permanente, que ficam nas margens de rios e topos de morros e não podem ser desmatadas, pois têm o dever de proteger os cursos d’água, 74% já estão ocupadas por atividades econômicas.

    Vista panorâmica da represa Jacareí, parte do Sistema Cantareira, cercada por pastos e condomínios, em meio à crise hídrica de 2015. Foto: Zé Gabriel/Greenpeace.

     Como as células de defesa de um organismo, as matas ciliares servem de filtro natural para que poluentes e detritos não cheguem aos rios. Para o “paciente” Cantareira, cujo sistema imunológico anda baixo, os riscos imediatos desta pouca proteção são de erosão e assoreamento; eutrofização, causada pela contaminação por fertilizantes e agrotóxicos usados em plantações e pastagens; e poluição por esgoto doméstico. “Outro risco a longo prazo da eliminação da floresta é a redução ou perda da função ecossistêmica de regular o clima e o fluxo hidrogeológico, que pode se refletir em menor ocorrência e aproveitamento das chuvas”, explica o pesquisador Leandro Tavares Azevedo Vieira, doutor em Ecologia e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, que conduziu o estudo com a pesquisadora Thais Nícia Azevedo Vieira, mestre em Ecologia da Paisagem.

    A represa Jacareí, parte do Sistema Cantareira, durante a crise hídrica de 2015: cenas como essa se repetirão se as áreas desmatadas não forem recuperadas. Leia mais >

     

    Sem floresta não tem água

    O tratamento para esse tipo de problema é mais que conhecido: recuperar as matas nas APPs já é determinado por lei, mas isso precisa avançar para as pastagens degradadas. E por onde começar? No estudo, os pesquisadores classificaram todo o território em três níveis de prioridade de recuperação: média, alta e muito alta. Foi levado em conta quatro fatores relacionados ao maior aproveitamento hídrico em cada área:

    1. Proteção dos recursos hídricos, a partir das áreas de proteção permanente. Em todo o Sistema Cantareira, 73% das APPs estão sendo ocupadas;

    2. Recarga hídrica, pela capacidade de infiltração da água na rocha por meio de análise do tipo de aquífero da região e da composição e profundidade dos solos;

    3. Relevo do terreno – os mais declivosos tendem a absorver menos água superficial da chuva;

    4. Ocorrência de chuvas, que está diretamente ligada à quantidade de água que entra no Sistema.

    Segundo esses critérios, o que se pode observar é que as áreas mais prioritárias (31% de todo o sistema) se concentram na região norte do Cantareira, onde há mais chuvas, maior recarga nos aquíferos e maior densidade de APPs. Outro ponto a ser observado é que a maioria das áreas destinadas à recuperação pelo programa Nascentes, do Governo do Estado de São Paulo, estão localizadas, em sua maioria, nas áreas de média prioridade.

    Neste Dia Mundial da Água precisamos cobrar mais ação do poder público. Ainda que os reservatórios tenham se recuperado aos níveis anteriores à seca, não podemos continuar dependentes da generosidade de São Pedro. A crise hídrica foi como uma febre que passou sem que a infecção do paciente tenha sido curada.

    “O Sistema Cantareira continua vulnerável e não são canos e dutos de interligação que evitarão uma nova falta d’água no futuro. O governo do estado de São Paulo precisa cadastrar adequadamente as propriedades rurais e incentivar a recuperação florestal nas áreas essenciais de proteção. Sem floresta não tem água”, diz Fabiana Alves, da Campanha de Água do Greenpeace.

    Clique para baixar o estudo na íntegra:

  • Greenpeace prepara intervenção de arte e ativismo em Copacabana

    Postado por Thaís Herrero - 20 - mar - 2017 às 11:30 1 comentário

    No dia 29 de março, junto ao artista internacional John Quigley, uniremos mais de mil pessoas no Rio de Janeiro para formar um enorme desenho pela defesa dos Corais da Amazônia

    Atividade de John Quigley em 2012, na praia do Flamengo, juntou 1.500 pessoas. No dia 29 de março, uma ação como essa acontecerá em defesa dos Corais da Amazônia. (Foto: Chico Paulo/ Spectral Q) Leia mais >

    Na manhã do dia 29 de março, a praia de Copacabana receberá uma ação histórica do Greenpeace: pelo menos mil pessoas estarão em suas areias para formar um banner humano, de proporções gigantescas.

    A atividade é aberta a todo o público interessado, sem restrições. E é coordenada em parceria com o artista norte-americano John Quigley. Ele é conhecido por suas intervenções que unem arte e ativismo e formam imagens enormes – que são melhor avistadas do céu, em uma demonstração de como nós, unidos, temos força e poder para grandes ações. Ele já fez outras atividades com o Greenpeace, como as imagens que ilustram esse texto.

    O desenho formado na praia será mais uma forma de chamar atenção para a necessidade de defendermos os Corais da Amazônia – um bioma que mal tivemos tempo de conhecer e que já está ameaçado pela ganância de empresas que querem explorar petróleo na região Norte do Brasil. A petrolífera francesa Total, por exemplo, tem planos para começar a perfurar a área ainda neste ano. Nossa petição, já teve mais de 700 mil assinaturas para barrar essas empresas.

    Quanto mais gente, melhor

    Além da montagem do desenho gigante, haverá aula de ioga, meditação e música. Para que consigamos mais de mil pessoas em Copacabana, contamos com toda a nossa base de colaboradores, ativistas e parceiros. E com a disseminação dos convites de forma viral.  

    Então, divulgue essa iniciativa. Em nossa página do Facebook há mais informações! Vamos mostrar para as grandes empresas que preferimos dizer SIM às nossas riquezas naturais e NÃO ao risco de um vazamento de petróleo.

    Quando: 29 de março, das 8h às 10h
    Onde: Posto 2, Praia de Copacabana, Rio de Janeiro (RJ)
    Confirme sua presença

  • Exploração petrolífera na foz do Amazonas ameaça comunidades locais

    Postado por Carolina Santos - 23 - fev - 2017 às 15:20 4 comentários

    Da pesca ao açaí, as pequenas comunidades na costa do Amapá que dependem diretamente dos recursos naturais da região já se organizam para defender seus direitos e produzir de forma cada vez mais sustentável

    Comércio de Açaí no Mercado da Rampa de Santa Inês (Rampa do Açaí), em Macapá (Amapá). O açaí e a pesca artesanal são as principais atividades econômicas da região do Bailique (© Rogério Reis / Greenpeace)

    Antes da expedição que fez as primeiras imagens dos Corais da Amazônia, o navio Esperanza recebeu a bordo, ainda no porto de Santana, em Macapá, cerca de 40 representantes da sociedade civil, entre comunidades, organizações socioambientais e lideranças do Amapá. Em comum, o grupo compartilha o esforço de proteger a Floresta Amazônica.

    A intenção de nosso encontro foi iniciar com eles as discussões sobre atividades que geram grandes impactos socioambientais na região, entre elas a exploração petrolífera planejada, a partir do ponto de vista de quem está na floresta e faz parte dela. Em breve, o Greenpeace realizará um seminário na região, com parceiros, para discutir temas como o uso da terra, a barragem do Rio Araguari, os impactos da mineração, além da própria exploração de petróleo.

    Em tempos de ataques aos direitos das comunidades tradicionais por parte do Governo e do Congresso Federal, as iniciativas que estimulam o empoderamento e a autogestão dessas populações se tornam cada vez mais importantes. Nesse sentido, foi  muito interessante conhecer a brilhante experiência de organização local do Bailique, por meio dos protocolos comunitários.

    Qualidade e sustentabilidade na Foz do Amazonas

    O Bailique é um arquipélago de oito ilhas a leste do estado do Amapá, onde vivem cerca de 11 mil habitantes distribuídos em 52 comunidades, e cujo acesso é exclusivamente fluvial. A principal atividade econômica é a pesca artesanal e o açaí.

    Há cerca de três anos, a rede Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), em parceria com diversos colaboradores, como a Regional GTA do Amapá; o Conselho Comunitário do Bailique (CCB); a Colônia Z-5 de Pescadores; o Instituto Estadual de Florestas (IEF) do Amapá; e o DPG / CGEN) / MMA), iniciaram um projeto para desenvolver um “Protocolo Comunitário” no Bailique, a partir da aprovação da maioria das comunidades que habitam o arquipélago.

    Segundo a Rede GTA, protocolos comunitários “são regras internas criadas pela própria comunidade que definem os procedimentos, critérios e instrumentos de gestão territorial e de manejo e uso de recursos naturais na região”. Os protocolos norteiam as atividades econômicas que serão desenvolvidas, mas o ponto mais importante é que eles devem refletir as características tradicionais, o modo como a comunidade se relaciona interna e externamente, o conhecimento local popular.

    Assim, como explica a cartilha produzida pelo GTA, a construção de protocolos comunitários visa empoderar os povos e comunidades tradicionais para dialogar com qualquer agente externo de modo igualitário, especialmente na hora de fazer negócios com terceiros, fortalecendo o entendimento da comunidade sobre seus direitos e deveres e estabelecendo a importância da conservação da biodiversidade e de seu uso sustentável. Além disso é uma importante ferramenta de gestão de territórios, assim como do controle e da forma de uso de recursos naturais.

    Depois de três anos do início desta articulação, muitas iniciativas caminham em direção à consolidação do Protocolo Comunitário, como a criação da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique (ACTB). Ela é a instância comunitária responsável pela participação social e a execução das ações estabelecidas no território.

    Uma dessas iniciativas é a capacitação técnica para o bom manejo florestal na produção do açaí. Com o apoio da Associação, do GTA, e da Oficina-Escola de Lutheria da Amazônia, 79 produtores de açaí da região receberam, em novembro do ano passado, a certificação FSC, após serem auditados pela equipe do Instituto de Manejo e Certificação Florestal (IMAFLORA). Isso atesta que o seu produto não está vinculado a degradação florestal.  

    Em janeiro deste ano, o Greenpeace foi convidado a participar do 9° Encontrão do Protocolo Comunitário. Foi um momento muito importante para os produtores, pois foi quando receberam em mãos o certificado emitido pela FSC.

    Para o presidente da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique, Geová de Oliveira Alves, isso é importante pois o processo como um todo faz com que os produtores de açaí adotem uma postura diferente na forma de tratar seus recursos, sua cultura e meios de vida. “Eles passam a valorizar mais ainda o que cada um tem de melhor nas suas terras. E tendem a se capacitar mais para manter isso. É um processo de aprendizagem contínuo e com resultados excelentes, tanto para o homem quanto para a floresta”, avalia Alves.

    Para ele, outra vantagem da certificação é que o processo produtivo como um todo ganha outro status: há maior agregação de valor. “O mundo passa a reconhecer que você tem um produto de altíssima qualidade, que respeita os valores comunitários, a natureza e os direitos de todos”.

    Neste encontro, outras questões importantes foram discutidas, como a criação de uma cooperativa para garantir a melhor inserção do produto no mercado. Com a certificação em mãos, alguns desafios ainda preocupam os produtores, como o escoamento da produção, à procura de um mercado diferenciado para a aquisição do seu açaí certificado. Leia mais >

    Benefícios para quem?

    No modelo de desenvolvimento seguido em nosso país, a comunidade do Bailique pouco conhece seus bônus. Já os ônus são diariamente vivenciados pelos habitantes. O abastecimento de energia, por exemplo, é inadequado e deficiente, apesar de a população estar ao lado da barragem do Rio Araguari. Desta grande obra para a geração hidroelétrica, construída há três anos, o efeito mais marcante sentido pelos moradores locais do Bailique é a aceleração do processo de erosão na região.

    A deficiência no abastecimento de energia, inclusive, afeta as duas principais atividades econômicas da região, a pesca e a produção de açaí, afetando a segurança alimentar dos habitantes.

    O desenvolvimento a todo custo que é perseguido pelo país, traz agora uma nova ameaça socioambiental para a região: a possibilidade da exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas. No caso de um acidente com vazamento, ele poderia ter graves consequências para o Bailique, que depende totalmente dos recursos naturais.

    Porém, apesar dos desafios e da deficiência do Estado em garantir os direitos fundamentais dessa população, a comunidade do Bailique é um excelente exemplo de como uma população tradicional pode usar ferramentas e mecanismos para fazer a gestão de seu território. Ao mesmo tempo em que assegura a reprodução física e cultural do seu  modo de vida e transmite seus saberes tradicionais, também conserva o seu meio, que é a Floresta Amazônica. São comunidades que estão buscando uma inserção diferenciada no mercado, mostrando que é possível, sim, produzir e se desenvolver economicamente em sintonia com o meio ambiente.  Um sopro de esperança em tempos tão difíceis.

    Carolina Santos faz parte da campanha de Florestas do Greenpeace Brasil

  • Nota de Repúdio à proposta de redução de UCs no Amazonas

    Postado por Felipe Souza - 22 - fev - 2017 às 16:32 1 comentário

    Em carta aberta, ONGs pedem que o Governo não leve adiante a proposta de redução das Unidades de Conservação do sul do Amazonas.

    Um grupo de Organizações da Sociedade Civil lançou uma nota de repúdio direcionada  a Michel Temer e outros representantes do governo, pedindo que não levem adiante a proposta de alteração para Áreas de Conservação feita por parlamentares do Amazonas. A Medida Provisória ou Projeto de Lei colocará em risco a Reserva Biológica do Manicoré, do Parque Nacional do Acari, das Florestas Nacionais do Aripuanã e de Urupadi, e a extinção da Área de Proteção Ambiental dos Campos de Manicoré.

    Veja o documento na íntegra:

    "Manaus, 20 de fevereiro de 2017.

    Exmo. Sr. Michel Temer – Presidente da República

    Exmo. Sr. Eliseu Padilha – Ministro Chefe da Casa Civil

    Exmo Sr. Eunício Oliveira – Presidente do Senado Federal

    Exmo Sr. Rodrigo Maia – Presidente da Câmara dos Deputados

    Exmo Sr. José Sarney Filho – Ministro do Meio Ambiente

    Exmo Sr. Ricardo Soavinski – Presidente do ICMBIO

    Vimos por meio desta manifestar nosso repúdio à proposta de se constituir um instrumento legal (Projeto de Lei ou Medida Provisória) que promova as alterações nos limites da Reserva Biológica do Manicoré, do Parque Nacional do Acari, das Florestas Nacionais do Aripuanã e de Urupadi, e sobre a extinção da Área de Proteção Ambiental dos Campos de Manicoré.

    A criação destas Unidades de Conservação - UCs foi parte de uma série de ações desenvolvidas pelo Governo Brasileiro com apoio da Sociedade Civil com a finalidade de reduzir os fortes impactos socioambientais observados no sul do estado do Amazonas, decorrente do processo de ocupação irregular que resultou no aumento expressivo da taxa de desmatamento na região. Entendemos que a manutenção destas áreas protegidas como foram originalmente estabelecidas, obedecendo a critérios técnicos, é crucial para a conservação da biodiversidade regional e para o desenvolvimento de políticas diferenciadas para os municípios da região, gerando importantes subsídios para o desenvolvimento regional sustentável e contendo a expansão das atividades predatórias e ilegais em curso. Além disso, contribui efetivamente com as metas e compromissos estabelecidos pelo Governo Brasileiro tanto em suas políticas públicas internas, estruturadas através do Programa Áreas Protegidas da Amazônia  ARPA e do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia - PPCDAM, assim como nos Acordos Internacionais, destacando-se a Convenção da Diversidade Biológica e a Convenção do Clima.

    Remover esta proteção de 1 milhão de hectares contribuirá para o - já notável - aumento do desmatamento na Amazônia , comprometendo também a credibilidade do Brasil diante da comunidade  internacional, influenciando negativamente a imagem conquistada após esforços bem sucedidos no combate ao desmatamento e às mudanças climáticas. Tal decisão colocaria em risco não só a biodiversidade, as metas e compromissos assumidos, mas também o futuro hídrico e econômico do país, já que a Amazônia fornece água suficiente para abastecer grande parte da população brasileira e ainda ao agronegócio do país.

    Sendo assim, Exmos. Srs., reivindicamos que indefiram qualquer proposta de instrumento legal (Projeto de Lei ou Medida Provisória) que proponha estas reduções e nos colocamos à disposição para apoiar a efetiva implementação destas importantes Unidades de Conservação."

    Assinam:

    Associação de RPPNs e Reservas Privadas de Minas Gerais – ARPEMG
    Associação Conservação da Vida Silvestre – WCS Brasil
    Confederação Nacional de RPPN – CNRPPN
    Conselho Nacional das Populações Extrativistas - CNS
    Conservação Internacional Brasil – CI-Brasil
    Fundação Vitória Amazônica - FVA
    Greenpeace Brasil
    Grupo de Trabalho Amazônico - GTA
    Instituto Centro de Vida – ICV
    Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola - IMAFLORA
    Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM
    Instituto de Pesquisas Ecológicas – IPE
    Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – IMAZON
    Instituto Internacional de Educação do Brasil - IEB
    Instituto Socioambiental - ISA
    Oficina Escola de Lutheria da Amazônia – OELA
    Rede Acreana de Mulheres e Homens - RAMH
    Rede Nacional Pró Unidades de Conservação
    Serviço e Cooperação com o Povo Yanomami - SECOYA
    TNC Brasil
    WWF Brasil

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  • Um recife vitaminado pela floresta

    Postado por Thaís Herrero - 22 - fev - 2017 às 15:00

    Entenda porque chamamos de Corais da Amazônia os recifes localizados no Oceano Atlântico

    Árvores em áreas alagadas na foz do Rio Amazonas, no Amapá. (© Daniel Beltrá / Greenpeace)

    Desde que o navio Esperanza passou pelo Brasil, para lançarmos a campanha Defenda os Corais da Amazônia, muita gente nos pergunta porque chamamos esse sistema de corais assim. Falamos que eles são da Amazônia, mas não nos rios da floresta. Os recifes estão onde o Oceano Atlântico. É a região onde o mar encontra o rio Amazonas e, por isso, são fortemente influenciados pelas águas turvas do rio. Esse é que chamamos de "fator Amazonas"

    Para entender o que isso significa, o rio, cuja vazão é a maior do mundo, joga 300 mil metros cúbicos (ou 300 milhões de litros) de água doce no mar, por segundo. Junto dessa água vêm muitos sedimentos, como terra, restos da vegetação e de animais carregados ao longo do leito do rio. Se a Floresta Amazônica é chamada de pulmão do mundo, o Rio Amazonas seria a maior veia do planeta.

    Quando chega ao oceano, a água doce não se mistura igualmente. Fica mais na superfície porque é mais leve que a salgada. Essa camada superior é o que os especialistas chamam “pluma” do rio.

    A pluma é riquíssima em matéria orgânica e mineral, micróbios e organismos que fazem parte do sistema do oceano.  O efeito que ela causa no mar é o “Fator Amazonas”. Devido ao grande volume e força do rio, a pluma pode alcançar até a África, em algumas épocas do ano.

    Mas qual a relação da pluma com os recifes de corais da Amazônia? Tudo. Primeiro, vale lembrar que os recifes estão na foz do rio, ou seja, a área de maior concentração de pluma. Este fator era a condição apontada justamente para a improbabilidade de ocorrência de recifes na região.

    O cientista Nils Asp Neto explica que os recifes marinhos têm dois fatores limitantes para sua existência: um é a luz que penetra até o fundo do mar; o outro é a quantidade de nutrientes. Regiões marinhas que não sofrem interferência de rios têm poucos nutrientes, mas muita luz chegando até o fundo. Os organismos fotossintetizantes se beneficiam dessa luminosidade, mesmo tendo pouco nutriente ao seu redor. É o caso de algumas regiões costeiras brasileiras, como o Rio Grande do Norte e Pernambuco.

    Árvores caídas pelos bancos do Rio Amazonas, a aproximadamente 1,7 km da cidade de Macapá, no Amapá. (Foto: © Daniel Beltrá / Greenpeace)

    Pelo que os cientistas já puderam estudar, na foz do rio Amazonas acontece o contrário: há muito nutriente, mas pouca luz. Os sedimentos em suspensão na pluma funcionam como uma barreira opaca. “O que temos visto aqui na foz do Amazonas é que existe uma área de transição onde os nutrientes do Rio Amazonas chegam, mas não há tanta turbidez. É uma faixa em uma situação ideal. Os recifes da Amazônia devem estar tirando muita vantagem disso”, diz Nils.

    A pluma que eventualmente reduz a luz na água ao mesmo tempo funciona como um “suplemento vitamínico” para que os organismos vivam com condições boas de energia. Quando a pluma se desloca pelas correntes marinhas e uma maior transparência permite que a luz chegue ao fundo, os organismos fotossintetizantes se revigoram.

    >> Confira algumas das primeiras imagens dos recifes de corais da Amazônia   

    Nos recifes da Amazônia, principalmente na porção norte, onde a concentração da pluma é maior, há muitas esponjas. Elas são filtradoras e se alimentam da chamada “neve marinha”. Os nutrientes da pluma são usados pelo fitoplâncton como alimento; o fitoplancton é comido pelo zooplancton; e quando o zooplâncton morre, se decompõem, virando a neve marinha. E as esponjas se alimentam disso.

    Portanto, a pluma tem grande participação na existência dos recifes de corais da foz do Amazonas. É uma das razões deles serem tão especial. Esse bioma único no mundo ainda é pouco conhecido por nós e pelos cientistas que estudam o tema. Apenas há alguns dias fizemos as primeiras imagens deles debaixo d’água. E esse tesouro recém-revelado já está em perigo: duas empresas petrolíferas pretendem perfurar a região em breve, em busca de petróleo.

    É por isso que o Greenpeace está unindo defensores dos Corais da Amazônia por todo o mundo. Precisamos proteger esse capricho da natureza, tão raro, e por isso tão especial.

    Imagem na região dos corais da Amazônia. Esponja amarela em fundo e rodolito. O peixe é um olho-de-boi, ou olhete. (Foto ©Greenpeace) Leia mais >

     
  • Paulistanos querem ônibus não poluentes em São Paulo

    Postado por rgerhard - 21 - fev - 2017 às 20:30

    Em atividade realizada em frente à Prefeitura, uma ampla maioria (97%) manifestou seu apoio. Agora, a Prefeitura precisa responder se exigirá os combustíveis renováveis na licitação de ônibus

     

    Nesta terça-feira (21), fomos para a frente da Prefeitura de São Paulo realizar uma atividade com a população. A pergunta foi simples e pode parecer óbvia: você quer ônibus que não poluem em São Paulo? Por meio da passagem por um portal, as pessoas poderiam se manifestar pelo SIM ou pelo NÃO e maioria, claro, 3484 contra 119, declarou seu apoio aos ônibus não poluentes. Afinal, quem gosta de viver em meio à fumaça? Agora reflita: se esta é uma questão tão evidente, por que o poder público ainda não tomou providências quanto a isso?

    A pergunta parece óbvia, mas nossos políticos e gestores públicos continuam ignorando a vontade popular

     

    Em breve, São Paulo terá uma grande oportunidade de colocar isso em prática. “A licitação que vai contratar as novas empresas de ônibus será lançada nos próximos meses, por isso o momento de pressionar o prefeito João Doria é agora. Ele pode exigir que, assim como o ar-condicionado, os combustíveis renováveis, que são mais limpos, sejam obrigatórios na nova frota”, afirma Davi Martins, da campanha de Mobilidade do Greenpeace.

    Se isso for ignorado, corremos o risco de ter mais 20 anos de ônibus a diesel poluindo o ar da nossa cidade e afetando a saúde de todos, não importa a idade. “Sofro de asma e bronquite, sinto o ar fedido e abafado”, diz a operadora de telemarketing Taiane Reis Santos, de 19 anos. Tenho netos que sofrem de alergia e preciso limpar a casa todos os dias”, conta a dona de casa Margarida Helena da Silva, de 53 anos.

    Durante a atividade, nossos ativistas conversaram com a população e explicaram a importância da licitação como o momento de exigir ônibus não poluentes

     

    A lei, no entanto, está do nosso lado para ser cobrada. A Política Municipal de Mudanças Climáticas determina que, a partir de 2018, todos os ônibus sejam abastecidos com combustíveis renováveis, como biodiesel, que é de base vegetal, os elétricos ou os híbridos, que são uma mistura dos dois. Basta que o prefeito se comprometa a exigir isso das empresas na licitação. A desculpa do custo maior não é válida. Produzimos um relatório mostrando que há várias condições e fatores que fazem com que essa transição não pese no bolso do usuário, por meio de aumento da tarifa - veja aqui como.

    “Foi uma pena que a Ecofrota e os trólebus foram reduzidos. A poluição é visível, sentida no nosso nariz, na nossa garganta. Temos que exigir mudanças e o meio para isso é fazer pressão”, diz o administrador Miguel Francisco Jaime, 52, um dos que atravessou a porta do SIM para os ônibus mais limpos.

    Pessoas de todas as idades são afetadas pela poluição, por isso, chega de fumaça!

     

    Desde a gestão Haddad, o Greenpeace tem cobrado o poder municipal a levar a questão da poluição a sério. Como a licitação foi empurrada para a nova gestão, temos conversado com as equipes da Secretaria de Mobilidade e Transportes e da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, mas até o momento não há uma posição clara sobre o assunto. Também enviamos, há algumas semanas, uma carta solicitando reunião com o prefeito João Doria, mas não houve resposta, e por isso chegou o momento de cobrar essa posição, antes que seja tarde.

    Até que isso seja comunicado pela Prefeitura, continuaremos com a nossa atividade de consulta à população na internet. Acesse aqui o nosso portal virtual e responda essa mesma pergunta que fizemos nas ruas. Na sequência, você poderá enviar uma mensagem diretamente para a Prefeitura e os secretários responsáveis, manifestando sua posição.

    Vamos juntos garantir um ar mais puro, começando por São Paulo!

    Mandamos a mensagem para o prefeito e agora aguardamos a reposta. Respirar um ar limpo é direito de todos! Leia mais >

     
  • Fotografia a serviço do meio ambiente

    Postado por Rosana Villar - 20 - fev - 2017 às 17:00

    O  premiado fotógrafo Daniel Beltrá veio ao Brasil para retratar a Costa do Amapá, em defesa dos Corais da Amazônia. Aproveitamos para bater um papo sobre ativismo, conservação ambiental e, claro, fotografia.

    O Parque Nacional do Cabo Orange é um dos mais importantes locais para aves, como flamingos e guarás (foto), e mais de 400 espécies avistadas em áreas alagadas, mangues e áreas costeiras. (Foto: © Daniel Beltrá /Greenpeace)

    Dono de uma coleção considerável de prêmios, Daniel Beltrá especializou-se em retratar as belezas e mazelas ambientais ao redor do mundo e considera-se antes de tudo um ambientalista, que encontrou na fotografia uma forma de expressar sua paixão e luta pelo meio ambiente.

    O fotógrafo, que tem longa parceria com o Greenpeace – já se vão 25 anos de história – esteve no Brasil à convite da campanha Defenda os Corais da Amazônia, para registrar a natureza exuberante do estado do Amapá, que tem sua preservação comprometida pela iminência do petróleo em sua costa.   

    A exploração de petróleo no Amapá oferece riscos não apenas aos recifes de corais na região da foz do Rio Amazonas, mas também às populações tradicionais de cidades litorâneas e de ecossistemas sensíveis, como os mangues, que dependem do mar e das marés para existir.

    >> Confira as primeiras imagens dos Corais da Amazônia vistos debaixo d'água

    Uma grande barragem foi construída no Amapá, destruindo centenas de quilômetros quadrados de floresta. Muitas pequenas e médias barragens ainda estão planejadas. A energia gerada por elas vai para as grandes cidades. A população local tem pouco acesso a eletricidade. (Foto: © Daniel Beltrá /Greenpeace)

    Nascido em Madri, na Espanha, e radicado em Seattle, nos Estados Unidos, Daniel tem quase sempre como modelo sua grande musa inspiradora, a Natureza. Uma paixão antiga, dos tempos em que estudava biologia, antes de tornar-se fotógrafo profissional quase que por acidente.

    Através de suas lentes já passaram as curvas gélidas do Ártico à Antártida, rios e florestas amazônicas e tragédias inesquecíveis, como o desastre do Golfo do México. Trabalhos reconhecidos por dois Word Press Photos, dois prêmios do Museu de História Natural de Londres, um BBVA Foundation award, entre dezenas de outros, por sua importância na luta pela proteção do meio ambiente.

    Em sua passagem pelo Brasil batemos um papo com Daniel sobre ativismo, conservação ambiental no mundo de hoje e, claro, fotografia. Confira.

    Há quanto tempo você colabora com Greenpeace?
    A primeira vez que estive com o Greenpeace foi em 1990. Tinha ido como convidado, estava pela Agência Espanhola de Notícias (EFE) no navio Sirius, no Mediterrâneo. Fomos fazer um monitoramento de mamíferos marinhos. Mas o primeiro trabalho que fiz como contratado pelo Greenpeace foi em novembro de 1992. Um barco quebrou na costa da Galícia, na Espanha, e houve um grande derramamento de óleo. Foi curioso, porque quando eles me ligaram para saber se eu queria ir, eu já estava no aeroporto indo. Iria de qualquer jeito.

    Qual foi a atividade com o Greenpeace que mais te marcou até hoje?
    A ida à Mururoa, uma ilha na Polinésia Francesa, onde a França fazia testes nucleares. Lá havia uma base militar francesa. Fomos até o local para fazer os registros em dois navios, o Vega e o Rainbow Warrior II, saímos do Panamá. Quando estávamos realizando a ação, a marinha francesa chegou e tivemos que nos apressar, mas consegui esconder os filmes das máquinas antes de nos prenderem. Três dias depois fomos soltos pela polícia e um amigo que trabalhava na Reuters me ajudou a transmitir umas cinco fotos – que acabaram nas capas de todos os jornais no dia seguinte. No final, queriam me expulsar da Polinésia, mas consegui sair antes. Houve uma revolta nacional, as pessoas fizeram manifestações no aeroporto, queimaram edifícios, a população local se revoltou totalmente contra os franceses que estavam fazendo os testes nucleares e um ano depois a França decidiu não fazer testes lá nunca mais. Gosto de pensar que o que fizemos foi importante nesse sentido, que há uma transcendência. E também gosto de lembrar da ação e da aventura, pois foi uma aventura incrível.

    Água poluída de uma mina. Isso é agora um problema crônico na região, com altos e perigosos níveis de mercúrio encontrados a milhares de milhas das minas, afetando inclusive os peixes. (Foto: © Daniel Beltrá /Greenpeace)

    Qual o objetivo desta sua viagem ao Brasil?
    Vim pela campanha Defenda os Corais da Amazônia, mas não para fotografar os corais diretamente. Tenho bastante experiência na Amazônia. Estou registrando a região que poderia ser impactada em caso de um vazamento de petróleo e sei bem o que pode acontecer [Beltrá ganhou o Veolia Environnement Wildlife Photographer of the Year em 2011 com uma foto de pelicanos cobertos de óleo após o desastre na plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, em 2010, operada pela BP, a mesma empresa que planeja explorar petróleo próximo aos corais da Amazônia].

    Qual atividade mais te marcou aqui no Brasil?
    Não posso falar de uma particular. Mas, em geral, a destruição da floresta é algo que me marca muito. Lembro das primeiras vezes sobrevoei a Amazônia, de ver as queimadas, as vezes milhares de focos em um dia. Uma vez, voando de Manaus para Brasília a noite, contei mais de cem focos. É muito impressionante, o tamanho da destruição. Mas, por outro lado, no norte da fronteira você vê aquela floresta densa, muito rica e protegida.

    Você se especializou no registro fotográfico de natureza e questões ambientais, por que?
    Desde muito pequeno sempre fui um apaixonado pela natureza, saía muito para o campo, pegava todos os bichos que encontrava em minha casa, guardava sementes. Na época da universidade, comecei a estudar engenharia florestal e depois passei em Biologia, mas o que eu gostava de verdade era defender a natureza, porque quando você gosta muito de uma coisa você quer lutar para preservá-la.  Na fotografia encontrei uma ferramenta muito boa para isso.

    Como?
    Primeiro, porque com a fotografia você converte as pessoas em testemunhas de coisas que são muito difíceis de se imaginar. Se você fala de desmatamento da Amazônia algumas pessoas terão dificuldade de compreender o tamanho do problema, mas se você vê as fotos aéreas, é muito impressionante. Não tem como ficar insensível a isso. Segundo porque com a fotografia consigo ajudar a traduzir um pouco da ciência para o grande público. Quando você fala de aquecimento global, há coisas que são difíceis de entender, mas através da fotografia podemos contar essa história.

    Áreas inundadas próximas à foz do Rio Amazonas e do Rio Araguari. A campanha Defenda os Corais da Amazônia quer evitar que empresas explorem petróleo em uma região oceânica na foz do Rio Amazonas. (Foto: © Daniel Beltrá /Greenpeace)

    Você se considera um ativista ambiental?
    Sim. Gosto muito da fotografia, mas costumo dizer que sou apenas um ativista com uma câmera. A câmera é o meio que utilizo, mas acho que mostrar o está acontecendo atualmente com o mundo é mais importante que a própria fotografia.

    Você tem acompanhado as questões ambientais há quase 30 anos e pôde testemunhar diversos erros e acertos da humanidade neste sentido. A partir dessa sua vivência, que caminho você acha que o mundo está seguindo?
    Acho que o mundo está indo por um caminho muito ruim. Sou otimista por natureza, há muitas pessoas fazendo trabalhos bons pela preservação ambiental. Mas não sei o que pode acontecer. Busco acreditar que temos o poder de alcançar o que quisermos e que, se decidirmos mudar as coisas, podemos mudá-las de verdade. É como se você estivesse num barquinho sem remos no meio do mar, com uma praia bem distante. Você vai ficar lá esperando ou vai nadar o máximo que puder para chegar até a praia? Se o mundo anda mal, se está tudo ruim, você vai ficar apenas esperando sem fazer nada? Mudar o jogo é algo que depende de nós.

    Como foi seu começo na fotografia?
    Eu fazia algumas fotos porque gostava, mas nunca tinha trabalhado com foto. Um dia, estava na minha casa, e o ETA, um grupo terrorista da Espanha, explodiu uma bomba na embaixada norte americana em Madri. Estava tomando banho em casa quando ouvi no rádio, o locutor disse "explodiram uma bomba, temos poucas informações, se você sabe o que está havendo, ligue para a agente", e eu resolvi pegar minha câmera e ir lá dar uma olhada. Peguei meu carro, cheguei rápido, a rua ainda não estava fechada, então tirei várias fotos e pronto. Daí fui para a EFE, a agência de notícias espanhola, e alguém da equipe de fotografia que estava de plantão naquela noite disse que não tinha interesse porque já havia mandado uma equipe para o local. Eu já estava saindo pelo corredor, triste, quando um cara me chamou e disse "hey, garoto, o que você disse que tem aí?" Falei que eram as fotos da bomba, então o cara, que era o técnico do laboratório, pegou o filme para revelar. Assim que ele viu o material ligou para o editor e disse "chega amanhã mais cedo, quero que você conheça alguém". Assim consegui meu primeiro emprego como fotógrafo.

    Cerca de 1 bilhão de toneladas de lama e de sedimentos são levados dos Andes para a Amazônia a cada ano, formando ou criando planícies de inundação – ou chegando ao mar pela "pluma" do rio. (Foto: © Daniel Beltrá /Greenpeace) Leia mais >

     Você acha que fotografia é mais sorte, técnica ou talento?
    Como tudo na vida, é trabalho duro e um pouquinho de todo o resto. É bom ter técnica, mas não é o mais importante. Hoje em dia complicamos muito a fotografia. As pessoas se preocupam muito mais com todas as mil opções que as câmeras têm, enquanto deveriam estar mais concentrados no que estão olhando através do pequeno quadrado. Eu tive a sorte de começar na fotografia em outra época, as câmeras eram bem mais simples, você se preocupava com a luz, duas ou três coisas na câmera e só. Hoje algumas pessoas se preocupam tanto em regular as configurações da câmera que se esquecem da composição. Para as pessoas que estão começando, eu digo sempre que é preciso trabalho duro e insistência. Digo para buscarem temas perto de casa, para que você possa trabalhar com regularidade, e ser um editor critico consigo mesmo. Pois se você não e critico, alguém vai ser.

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