Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Índios: alvo certeiro da violência fundiária

    Postado por Nathália Clark - 30 - abr - 2014 às 17:57

    Charge produzida pelo cartunista e ativista político Carlos Latuff, na época da divulgação de vídeo em que deputados federais incitam ódio, preconceito e violência contra indígenas

    Que a investida anti-indígena no Brasil dos dias de hoje não encontra paralelo desde os tempos da ditadura militar, a gente já sabia. Mas essa constatação refletida na crueza dos números é um tanto quanto assustadora. O relatório Conflitos no Campo 2013, divulgado pela CPT (Comissão Pastoral da Terra) na última segunda-feira (28), demonstra que os indígenas vêm incontestavelmente protagonizando as estatísticas de violência e assassinatos relacionados à disputa por terras no país, especialmente nos estados do Mato Grosso do Sul e Bahia.

    Das 1.266 ocorrências relacionadas ao conjunto dos conflitos no campo no Brasil, 205 estão relacionadas a indígenas. Dessas, 154 referem-se a conflitos por terra ou retomada de territórios e 11 a conflitos pela água. No quadro de violências, das 829 vítimas de assassinatos, ameaças de morte, prisões, intimidações, tentativas de assassinato e outros, 238 são indígenas. Das 34 mortes por assassinato, 15 são de indígenas. São também índios 10 das 15 vítimas de tentativas de assassinato, e 33 das 241 pessoas ameaçadas de morte. 

    Acesse aqui o relatório completo

    Somente no Mato Grosso do Sul, 15 índios foram ameaçados de morte, 7 sofreram tentativa de assassinato e 3 foram assassinados. Roraima também apresenta incidência indígena em 100% dos casos de assassinatos. Na Bahia, dos 6 assassinatos, 4 são de indígenas; e das 3 tentativas de assassinato, 1 é contra indígena, além de 3 ocorrências de ameaça de morte. “Não se tem registro de situação semelhante em outro momento dos 29 anos que a CPT publica o relatório Conflitos no Campo Brasil”, diz a nota da entidade. 

    A maior parte dos óbitos de índios (5) ocorreu em Roraima, com o povo Yanomami. Em seguida vem a Bahia (4), onde uma disputa antiga entre fazendeiros e índios Tupinambá no sul do estado obrigou o governo federal a enviar a Força Nacional para conter a violência. Mato Grosso do Sul registrou três mortes de índios Guarani. Amazonas, Pará e Paraná registraram uma morte de indígena cada. As demais vítimas, um total de 19, são posseiros, sem-terras, trabalhadores rurais, pescadores e assentados.

    Apesar de o número geral de conflitos no campo em 2013 ter sofrido um pequeno recuo com relação ao ano de 2012 – foram registrados 1266 conflitos contra 1364 no ano anterior – a Amazônia continua sendo o principal palco dessas disputas. Nela se concentram 20 dos 34 assassinatos constatados (59%) e 174 das 241 pessoas ameaçadas de morte (72%). Das populações tradicionais que foram vítimas de algum tipo de violência em 2013, 55% também se localizam na região. Os conflitos, segundo o relatório, ocorrem principamente com madeireiros, mineradores, grileiros, além do próprio governo federal, com a instalação de grandes obras de infraestrutura.

    Sob a guarda do Estado

    Segundo o portal G1 apurou, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República informou que 99 indígenas ameaçados de morte foram incluídos no Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos, que fornece proteção especial e no qual está incluído o cacique Babau Tupinambá, recentemente liberado da prisão por uma acusação infundada de assassinato contra um agricultor.

    A prisão de Babau ilustra a situação de um dos conflitos mais acirrados em andamento acontece no Sul da Bahia, onde seu povo reivindica a demarcação de uma área de 480 km², localizada nos municípios de Ilhéus, Una e Buerarema, originalmente ocupada por eles. O problema aparece quando os donos das 600 propriedades rurais se opõem à devolução da área aos indígenas.

    De acordo com a Funai, atualmente há 426 terras indígenas regularizadas, que representam 12,2% do território nacional. Mas a maioria delas (98,75%) se encontra na Amazônia Legal, enquanto que 554.081 dos 896.917 índios existentes no Brasil, segundo o Censo do IBGE de 2010, estão nas outras regiões, que concentram 1,25% da extensão de terras indígenas demarcadas. Leia mais >

  • Rainhas da biodiversidade, abelhas correm perigo

    Postado por Alan Azevedo - 30 - abr - 2014 às 10:31

     

    A natureza age como um corpo único, interligado de uma maneira altamente complexa e sustentável. Uma alteração em certo ponto da cadeia natural se reflete, muitas vezes, no resto do processo como um todo. E esse impacto, se não corrigido, torna-se cada vez mais visível na biodiversidade do planeta.

    Com seu zumbido alto e ferrão dolorido, as abelhas são responsáveis por um processo essencial à vida do homem e do planeta: são as rainhas da polinização. Ao buscarem o pólen nos campos para a produção de mel na colmeia, as abelhas espalham esses minúsculos grãos (futuras sementes) na região que habitam, colaborando para a manutenção da biodiversidade.

    Leia mais:

    No entanto, as colônias de abelha estão cada vez mais escassas e o processo de polinização fragilizado. O Greenpeace foi pesquisar em campo o que acontece com a população de abelhas na Europa e produziu o estudo “O Fardo das Abelhas”, ou “The Bees’ Burden” em inglês, que aponta como o uso de agrotóxicos e pesticidas nas plantas pode acabar com as abelhas. O documento pode ser lido aqui, em inglês.

    O relatório analisou o pólen coletado pelas abelhas e levado de volta à colmeia: mais de dois terços estavam contaminados por 17 diferentes químicas tóxicas. Um total de 53 tipos de compostos químicos foi detectado ao decorrer do estudo. Este projeto é um dos maiores já realizados na Europa, com mais de 100 amostras retiradas de 12 países europeus numa mesma estação.

    Veja o vídeo do Greenpeace 'SOS Abelhas'
     

    A larga escala de produtos químicos sugere que as abelhas estejam expostas a uma perigosa mistura de inseticidas, fungicidas e acaricidas, sendo que esse pólen que vai para a colmeia serve de alimento às larvas, abelhas operárias, zangões e até a abelha rainha.

    É urgente a necessidade de protegermos nossas abelhas e nossa agricultura, já que os agrotóxicos afetam profundamente a qualidade de vida dos humano também. Políticas públicas e leis vigorosas contra os produtos químicos devem ser tomadas, banindo definitivamente das plantações as substâncias tóxicas.

    Uma das maneiras de começar esse processo seria incentivar a agricultura orgânica, que produz comida sem agrotóxicos, visando a não poluição e técnicas de proteção de peste a longo prazo. A agricultura orgânica e sustentável é uma das principais maneiras de salvar as abelhas e produzir comida saudável à população.

    Junte-se a nós tomando iniciativa agora. Faça parte do movimento global para salvar as abelhas e garantir a agricultura orgânica assinando a nossa petição. Leia mais >

  • Papo Greenpeace sobre transportes

    Postado por Juliana Costa - 29 - abr - 2014 às 19:12 5 comentários

    Veja como foi o Papo Greenpeace:

     

    Vamos conversar sobre transportes? Na terça-feira, dia 29 às 20h, Iran Magno, coordenador da campanha de Clima & Energia, participará do #PapoGreenpeace. Ele nos contará mais sobre a nova campanha do Greenpeace por um transporte mais eficiente e sobre a mobilidade urbana das cidades brasileiras. Hoje, no Brasil, o setor de transportes é um dos que mais contribuem para o aquecimento global.

    Facebook Twitter

    Sua participação é muito importante. Envie sua pergunta pelo Twitter com a hashtag #PapoGreenpeace ou deixe um comentário com a sua pergunta no evento do Facebook. O papo será transmitido aqui, nesse blog, basta acessar esse link alguns minutos antes de começar.

    Já é hora de o Brasil ter carros mais eficientes como os da Europa. Leia mais >

  • Violação de direitos humanos à luz do dia

    Postado por Nathália Clark - 24 - abr - 2014 às 19:12 1 comentário

    Antes de se entregar à Polícia, cacique Babau Tupinambá discursa em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos, na Câmara dos Deputados (Foto: Mário Vilela / Funai).

     

    Nesta quinta-feira (24), semana que sucede o Dia do Índio, foi realizada uma sessão conjunta das comissões de Direitos Humanos da Câmara e do Senado, que discutiu a situação dos conflitos agrários e direitos indígenas no Brasil. No evento, que contou com a participação de parlamentares, representantes da sociedade civil, indígenas e do governo, foi denunciada a paralisação da demarcação de Terras Indígenas em todo o país, além das propostas e projetos do Legislativo e medidas do Executivo que pretendem criar uma série de obstáculos ao já arrastado processo demarcatório.

    Leia Mais:

    A subprocuradora-geral da República, Deborah Duprat, discursou na audiência, dizendo que “a inércia do poder Executivo, somada ao desconhecimento profundo do poder Judiciário, ou uma certa lealdade ao princípio da propriedade privada, ainda tão fortemente arraigado nos órgãos do Estado, vêm criando um ambiente de ataque constante a esses povos no Brasil”. Ela citou ainda um requerimento proposto pelo deputado Paulo Cesar Quartiero (DEM-RR), recém-aprovado na Comissão de Agricultura da Câmara, que visa discutir a retirada da ratificação do Brasil na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

    “Se isso fosse possível, em nada alteraria os dispositivos constitucionais relacionadas aos povos indígenas e quilombolas. É só mais uma iniciativa que vem se somar a tantas outras que tentam abolir os direitos conquistados na Constituição, na Convenção 169 e na declaração da ONU para povos indígenas, que atestam que essa é uma sociedade plural, que esse Congresso tem a obrigação de defender”, declarou.

    Já a presidente interina da Funai, Maria Augusta Assirati, também presente na reunião, afirmou que as ações de desintrusão de terras indígenas exigem muito esforço do Estado por enfrentarem grande resistência por parte de fazendeiros locais e grupos políticos, que se organizam para impedir que os indígenas ocupem seus territórios tradicionais. “Existe esse passivo e o Estado brasileiro ainda não conseguiu se redimir com os povos indígenas com relação a isso.”

    Cacique se entrega à Polícia

    Durante a audiência, o cacique Babau Tupinambá, líder indígena do sul da Bahia que teve mandado de prisão expedido no dia 20 de fevereiro, acusado de matar um pequeno agricultor, concedeu um depoimento emocionado antes de se declarar “pronto” para se entregar à Polícia Federal.

    “Estão querendo nos tirar do nosso território, lugar de onde nunca saímos desde o primeiro encontro com os portugueses na praia de Ilhéus. E pra isso querem nos matar. Querem não, estão nos matando. Daqui eu vou sair direto para a prisão, acusado de assassinato. Nós não matamos ninguém. Esses que degradam com nós, sim, esses matam. Oito parentes já foram fuzilados dentro da nossa aldeia. Isso está sendo divulgado aqui? Não. Porque não interessa. O que vemos é nossa gente sendo sitiada, acuada, dizimada. Isso é uma vergonha para um país que tem tanta terra. Dito isso, pode por favor avisar ao delegado encarregado de vir me prender, que eu estou pronto.”

    Babau seguiu de lá direto para a sede da PF em Brasília. Sua caçada teve início quando foi impedido de viajar até o Vaticano, para um encontro com o papa Francisco, a convite da CNBB. Sua prisão preventiva foi decretada pela Justiça Estadual do município de Una (BA), sob a alegação de que o cacique não foi encontrado para depor em inquérito que investiga a morte de um agricultor da região. Babau afirmou sempre ter estado à disposição das autoridades, inclusive por fazer parte do Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

    Segundo uma fonte da PF, a prisão foi decretada para impedir o cacique de viajar. Cleber Buzatto, secretário-executivo do Cimi, disse acreditar que o mandado tem a intenção de viabilizar o seu assassinato, já intentado em outras ocasiões. O inquérito policial que baseou a decisão judicial foi realizado em apenas 10 dias, sem efetivo policial suficiente e sem ouvir o contraditório. Já o assassinato do agricultor foi efetivado em local a 40km de distância de onde Babau vive.

    No Vaticano, o cacique faria denúncias sobre a situação dos Tupinambá, que há anos demandam o reconhecimento de suas terras sem sucesso e são vítimas de violências e violações dos direitos humanos. Sua aldeia, Serra do Padeiro, fica na TI Tupinambá de Olivença, de 47 mil hectares, que está em processo de demarcação desde 2004 e aguarda parecer do Ministro da Justiça desde 2011.

    Resistência tradicional na metrópole

    Também nesta quinta, às 17h, no vão do MASP, em São Paulo, aconteceu o Grande Ato de Resistência Guarani, campanha organizada pela Comissão Guarani Yvyrupa. A mobilização teve por objetivo cobrar do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a demarcação das TIs Tendendé Porã e Jaraguá, na Grande São Paulo. Cerca de 3,5 mil pessoas estiveram presentes em apoio ao movimento. Leia mais >

  • Redescobrindo o Brasil em tempo de retrocesso

    Postado por Nathália Clark - 22 - abr - 2014 às 19:01 3 comentários

    Neste 22 de abril, dia em que se comemora o Descobrimento do Brasil – e três dias depois da data que celebra o Dia do Índio – os brasileiros se perguntam: o Brasil foi de fato descoberto ou invadido? E questionam se ainda é possível a construção de um país mais justo, que honre os direitos de todos os seus habitantes, incluindo os mais antigos e tradicionais ocupantes dessa Terra Brasilis.

    Depois de séculos de opressão, na Constituinte de 1988, o Congresso Nacional brindou os povos indígenas com o reconhecimento do direito originário a seus territórios – isto é, um direito que já existia mesmo antes da adoção da lei em si. Entretanto, hoje, mais de duas décadas depois, o mesmo Congresso está analisando propostas e projetos, como a PEC-215, o PLP-227 e o PL-1610, que, se aprovados, enfraquecerão os direitos desses povos de ocuparem plenamente suas terras Brasil afora.

    Contra tamanho retrocesso e em apoio a todas as causas da Mobilização Nacional Indígena, um grupo de artistas lançou hoje a campanha Tamuaté-aki, para cobrar dos parlamentares brasileiros mais respeito aos direitos conquistados democraticamente pelos mais de 900 mil indígenas de mais de 300 povos no Brasil, além das dezenas de grupos em situação de isolamento voluntário que evitam o contato com a sociedade.

    Assista ao vídeo de divulgação da campanha:

     

    A petição pública da campanha tem a intenção, em pleno período pré-eleitoral, de pedir a todos os deputados e senadores que demonstrem seu apoio aos índios e sua oposição a qualquer proposta que vise desconstruir os direitos desses povos consagrados na Constituição Federal. Com a iniciativa individual de cada cidadão, o Parlamento brasileiro pode, mais uma vez, garantir que o Brasil seja um país mais justo, mais diverso e mais livre, para todos os povos.

    Em algumas regiões do país, quase tudo o que sobrou da cobertura vegetal nativa se encontra no interior das terras indígenas e das unidades de conservação. Em uma década – entre 1998 e 2009 –, somente na Amazônia, o desmatamento dentro de áreas protegidas foi de 1,22 milhões de hectares, segundo relatório Áreas Protegidas na Amazônia Brasileira, Avanços e Desafios, produzido pelo Imazon e ISA em 2011.

    Dentre elas, as terras indígenas apresentaram o menor percentual de perda de cobertura florestal: 1,5% do total de suas áreas foram desmatadas. E isso só pode representar uma coisa: defender Terra Indígena é defender a floresta. 

    Esse dado comprova que a diversidade sociocultural dos povos tradicionais caracteriza um patrimônio da sociedade brasileira como um todo, e por isso merece a atenção particular de cada um. A demarcação dos territórios indígenas, hoje paralisada pelo Executivo e ameaçada pelo Congresso, é condição básica de sobrevivência para essas populações e, portanto, para uma herança que é de todos.

    Minuta do atraso

    Enquanto a sociedade se mobiliza, o governo anda para trás. O Ministério da Justiça, órgão que hoje possui a atribuição de analisar os pedidos de demarcação de terras indígenas, divulgou há algumas semanas, uma Minuta de Proposta para promover alterações no procedimento demarcatório dessas áreas.

    Com o documento, o ministro José Eduardo Cardozo tenta reavivar, 50 anos depois, mecanismos da ditadura militar para a demarcação de territórios tradicionais. A proposta do Ministério contraria decisões recentes, inclusive tomadas pela Corte Suprema do país, o STF, caso do julgamento sobre a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, entre outros.

    A minuta também permite a interferência de grupos contrários à demarcação desde os primeiros momentos do procedimento de identificação e delimitação das terras indígenas, inviabilizando até mesmo o trabalho de campo dos profissionais técnicos. 

    Contra mais esse retrocesso, dessa vez vindo diretamente do Executivo, organizações indígenas e indigenistas que participam da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) divulgaram um parecer, no último dia 08 de abril, em que analisam a proposta e sintetizam nove principais conclusões, sendo a última delas um recado claro para o governo federal:

    “Uma eventual publicação da Portaria em questão reforçará compreensão, por parte dos povos indígenas, organizações de apoio aos povos e da sociedade em geral de que o Governo Dilma é claramente anti-indígena, aliado de primeira hora dos ruralistas, alinhado aos interesses do poder econômico nacional e transnacional, notoriamente do agronegócio, e obstinado por um modelo de desenvolvimento neocolonizador, usurpador de territórios, etnocida e ecocida”.

    Isso talvez responda à pergunta inicial do texto. Ou precisa desenhar? Leia mais >

  • Dia do Índio – pra quem?

    Postado por Nathália Clark - 19 - abr - 2014 às 0:05

    Índios Guarani ocupam sede do Museu Anchieta, em São Paulo, em campanha pela demarcação de suas terras (Foto: Comissão Guarani Yvyrupa).

    Esse 19 de abril, cunhado nacionalmente como Dia do Índio, não será movimentado como o do ano passado em Brasília, já que a data coincidiu com o feriado de Páscoa e as sedes do poder federal estão desertas, como de costume. Mas isso não significa que os povos indígenas estejam calados e satisfeitos.

    “‘Dia do índio’, para nós, será o dia em que o Ministro Cardozo assinar a demarcação de nossas terras!”, disse Neike Xondaro Kuery, liderança do povo Guarani na última quarta-feira (16). Sua fala representa a insatisfação de todos os representantes das mais de 300 etnias que resistem no Brasil hoje.

    Em alguns estados, como São Paulo e Pará, as manifestações, protestos e ações que demonstram a preocupação com a garantia de seus territórios, seus direitos constitucionais e sua sobrevivência não deixaram a semana passar em branco.

    Na capital paulista, a Comissão Guarani Yvyrupa lançou, na última segunda-feira (14), uma petição para pedir que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, assine as portarias de demarcação das Terras Indígenas Tenondé Porã, no extremo sul da Grande São Paulo, e Jaraguá, ao norte da metrópole.

    No dia 16, os índios, primeiros habitantes do estado, ocuparam o Largo do Pátio do Colégio Anchieta, espaço interno do Museu Anchieta, no centro de São Paulo. Lá permaneceram até o dia 17, quando foi lançada a campanha "Resistência Guarani SP", para manter a mobilização em defesa da demarcação das duas áreas.

    A petição será encaminhada ao ministério, junto com uma caneta com trançado tradicional Guarani e outros presentes produzidos pela comunidade. Veja aqui o vídeo da campanha.

    Enquanto isso, no campo…

    Mais especificamente nas Terras Indígenas Cachoeira Seca e Menkragnoti, respectivamente dos povos Arara e Kayapó, denúncias da Funai (Fundação Nacional do Índio) e das próprias lideranças indígenas sobre a exploração ilegal de madeira levaram o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) a realizar duas operações de fiscalização recentes.

    Na TI Cachoeira Seca, a ação, que aconteceu entre os dias 5 e 10 de abril com o apoio de servidores da Funai e de agentes da Polícia Federal, resultou em multas no valor de R$ 7,5 milhões e no embargo de 700 hectares de área no interior da terra indígena. Foram apreendidos três tratores, um caminhão adaptado para carregar toras, uma serraria portátil, quatro motosserras, três espingardas e 57 metros cúbicos de madeira em tora.

    Foram destruídas ainda duas serrarias portáteis e um trator encontrados abandonados no interior da terra indígena, juntamente com madeira extraída da área. O maquinário foi destruído com o objetivo de cessar o dano ambiental que os equipamentos continuariam causando na área.

    Já na Terra Índigena Menkragnoti, de cerca de 4,9 milhões de hectares, a parceria entre o Ibama e os Kayapós resultou na detenção em flagrante de 40 pessoas, na destruição de 11 acampamentos de madeireiros e na apreensão de 26 motoserras, além de multas no valor de R$ 50 milhões. Leia mais >

  • De olho na Gazprom

    Postado por Alan Azevedo - 17 - abr - 2014 às 16:20

    Prirazlomnaya, plataforma da Gazprom responsável pelo início das perfurações no Ártico. (©Denis Sinyakov/Greenpeace)

     

    Mesmo com forte pressão internacional, a Gazprom iniciou este ano a exploração de petróleo no Ártico. Embora a petroleira russa tenha apresentado um plano de contingência contra vazamentos recheado de brechas e inconsistências, o primeiro carregamento de petróleo proveniente do Ártico está previsto para chegar à Europa já em maio.

    O Greepeace analisou o plano de contingência (Oil Spill Response Plan, ou ORSP em inglês) publicado no site da própria Gazprom, e inúmeras falhas foram encontradas, o que coloca em xeque sua efetividade.

    Entre as brechas do texto, algumas podem ser consideradas graves. Falta definir a operação de contingência em caso de vazamento de 1,5 a 5 toneladas de óleo (previsto em constituição), sendo que a Gazprom não leva em consideração as condições extremas da região. Além disso, o OSRP dá preferência à limpeza mecânica, comprovadamente ineficaz em alto-mar e inútil em caso de água encoberta por camada de gelo.

    Foram quase vinte anos para que a Gazprom finalmente conseguisse extrair petróleo do Ártico. Pergunta: como, portanto, um documento incompleto de contingência pode ser considerado satisfatório? É essa questão que o Greenpeace vai fazer ao Procurador Geral da Rússia até a chegada do carregamento na Europa.

    A irresponsabilidade da Gazprom pode custar muito caro ao planeta inteiro. Nós vamos continuar de olho, pressionando pela preservação do Ártico. Leia mais >

  • Fraude no sistema: o conto da madeira legal

    Postado por Luana Lila - 15 - abr - 2014 às 23:42

    Balsa carregada com madeira no Pará, em 2012 (© Rodrigo Baleia/Greenpeace)

     

    Duas recentes ações do Ministério Público Federal para tentar barrar esquemas de fraudes no comércio de madeira no Pará exemplificam o descontrole que impera sobre a atividade madeireira na Amazônia.

    Segundo uma das ações, uma falha “aberrante” na comunicação entre os sistemas utilizados pelos estados para controlar o comércio de produtos florestais permitiu a produção irregular de um total de 26,8 mil metros cúbicos de carvão vegetal e madeira serrada. Em outra, a falha permitiu que fosse irregularmente autorizada a comercialização de 1,9 milhão de metros cúbicos de produtos florestais no estado entre 2007 e 2012. Esse volume equivale a uma área de 64 mil hectares de floresta explorada de forma ilegal, pouco mais do que a área urbana do Rio de Janeiro.

    “As denúncias feitas pelo MPF revelam um esquema criminoso que se alimenta da madeira produzida de forma ilegal e totalmente predatória, cujo resultado é a destruição da floresta”, disse Marcio Astrini, da Campanha Amazônia do Greenpeace. “E o pior de tudo é que essas fraudes servem para esquentar madeira irregular, que é vendida ao consumidor como se tivesse sido produzida de forma responsável”, completou.

    Quando mal feita, a extração madeireira é o primeiro passo para a destruição total da floresta. A degradação causada por ela é uma ameaça silenciosa, difícil de ser detectada pelos satélites e que abre espaço para a ocorrência de incêndios ou para o desmatamento total da área, além do incalculável prejuízo à biodiversidade local.

    Ambas as ações do procurador da República Bruno Valente foram propostas contra o estado do Pará e contra a empresa Tecnomapas, que desenvolveu o sistema de comercialização utilizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente. A ação que apontou a falha de comunicação entre os sistemas foi proposta também contra o Ibama e contra nove madeireiras envolvidas no esquema. Nos dois casos, o MPF pede à Justiça que os envolvidos sejam obrigados a corrigir, dentro de dez dias, as falhas que possibilitam as fraudes e que o dano ambiental seja reparado.

    Entenda as fraudes

    A partir da aprovação de um plano de manejo são gerados créditos florestais, que têm o papel de controlar a produção do setor. As falhas apontadas pelo Ministério Público permitiram a inflação desses créditos no sistema, cujos excedentes foram então utilizados para “esquentar” a madeira ilegal.

  • A Era das Renováveis

    Postado por Daniel Mittler e Kaisa Kosonen* - 14 - abr - 2014 às 16:56

    Ativistas pedem mais energias renováveis e o fim da energia suja, em Berlim, durante lançamento de relatório de mudanças climáticas (©Gordon Welters/Greenpeace)

    A semana foi longa em Berlim. Especialistas do mundo inteiro estiveram reunidos para discutir e finalizar as tão aguardadas conclusões da terceira parte do relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas). E a mensagem é clara: agir para impedir as mudanças climáticas é uma oportunidade, não um fardo.

    Para prevenir uma catástrofe climática precisamos mudar urgentemente o modo como geramos energia. E o caminho para que isso seja feito é conhecido: nós precisamos e podemos parar de queimar carvão, óleo e gás.

    Chegou a vez da ‘Era das Renováveis’. 

    Energia limpa não é cara, mas o preço que teremos que pagar por não agir será elevado caso governos e empresas continuem agindo da mesma forma: vidas, sustento de famílias e economias.

    As fontes renováveis estão crescendo, evoluindo, são cada vez mais acessíveis e podem ser a solução que tanto precisamos. Elas são a melhor alternativa econômica para suprir o aumento da demanda energética.

    O problema agora é como lidar com o atual sistema de energia sujo e ultrapassado. Quando falamos com pessoas que trabalham nas maiores empresas de energia, elas admitem privadamente que precisam mudar para as energias limpas. No entanto, o investimento feito por companhias como a Vattenfall ou a E.On, empresas sueca e alemã que geram e distribuem energia na Europa, faz com que o prejuízo fosse muito grande se de fato essa mudança acontecesse.

    Agora é o momento de mostrar para as indústrias de combustíveis fosseis que é preciso mudar e que a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis deve começar imediatamente.

    Sabemos que as energias renováveis resultarão em melhor eficiência energética que, por sua vez, acarretará em maior número de oportunidades de emprego. Ao investir em energias renováveis até 3,2 milhões de oportunidades de trabalho podem ser criadas no setor a partir de 2030. Na África do Sul, por exemplo, 149 mil empregos poderiam ser oferecidas à população, 38 mil vagas a mais do que no modelo atual.

    Não temos tempo a perder. A emissão de gases do efeito estufa aumentou drasticamente entre 2000 e 2010 comparado às décadas anteriores. Mais da metade do aumento da emissão de carbono é causado pela China, que recentemente adotou medidas para melhorar a qualidade do ar, podendo deixar o ar mais limpo e os cidadãos chineses com fôlego novamente. A meta é melhorar o quadro atual até 2020.

    Caso o projeto se concretize, a China poderia mudar o rumo do debate global sobre o clima. O governo chinês poderia acabar com a atual mentalidade "você primeiro" que envenenou o progresso nas negociações climáticas da ONU. Em vez de lutar para ver quem é o maior poluidor, os governos têm que encarar a realidade e aceitar que os dias dos combustíveis fósseis estão contados.

    É verdade que os países possuem capacidades diferentes para investir em um futuro sem emissões de gases poluentes. Países que, no passado, emitiram pouco devem ser apoiados pelos países ricos para eliminar sua matriz energética suja e antiga. E o mais importante é que as ações para mitigar as mudanças do clima não devem mais ser vistas como algo doloroso.

    Não seria maravilhoso se a China liderasse uma nova e ambiciosa meta de redução de emissões de gases poluentes? Imagine o quão embaraçoso seria para os Estados Unidas e para União Europeia lidar com essa novidade. Será que a UE sustentaria sua proposta “ambiciosa” de corte de 40% nas emissões até 2030? Ou será que se sentiriam pressionados a fazer uma oferta mais justa, como a redução das emissões em pelo menos 55%?

    Um novo tratado climático deve ser adotado em Paris no ano que vem quando governos se reunirão em Conferência das Nações Unidas. É necessário que a meta do uso de 100% de energias renováveis, eliminando gradualmente os combustíveis fósseis, esteja incluída. Apenas assim os governos entenderão as verdadeiras implicações das conclusões do relatório do IPCC.

    *Daniel Mittler é diretor de políticas do Greenpeace Internacional e Kaisa Kosonen é consultora de políticas do Greenpeace Internacional Leia mais >

  • Um dia para fugir do trânsito e do aperto

    Postado por Heloísa Mota* - 14 - abr - 2014 às 16:51

    Ciclistas trocam carro por bicicleta (©Steve Morgan/Greenpeace)

     

    Com o intuito de incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte nas cidades, e desmistificar as principais preocupações da população acerca do tema, o Bike Anjo, em parceria com outras organizações promove, pelo segundo ano consecutivo, o Dia de Bike ao Trabalho. Anote na agenda: dia 09 de Maio de 2014.

    A iniciativa procura mostrar, na prática, todos os benefícios que o uso da bicicleta pode trazer em termos de qualidade de vida, meio ambiente e até para a produtividade profissional. Afinal, pedalar até o trabalho é saudável, evita congestionamento e não emite nenhum gás de efeito estufa.

    Para os interessados, o site do Dia De Bike ao Trabalho (http://debikeaotrabalho.org/) possui dicas preciosas: como preparar a bicicleta, a melhor rota a ser feita, as roupas mais confortáveis, o que fazer nos dias de chuva, como se comunicar no trânsito e onde encontrar ciclistas experientes que podem te dar uma mãozinha neste e em outros dias de pedaladas. É fácil, simples e não custa nada.   Leia mais >

    O Greenpeace apoia a iniciativa e para mostrar que é possível, separamos o depoimento de três colegas que aceitaram o desafio e garantem que a escolha traz ótimos resultados.  

    Quebrando os tabus sobre mulheres de bicicletas, Gabriela Vuolo trocou o carro pela magrela há cerca de um ano, quando percebeu que levava muito tempo para percorrer pequenas distâncias. Segundo a campaigner do Greenpeace Brasil, a bicicleta também fez bem para o seu humor e para o bolso. “Percebi que eu não gostava da transformação que acontecia comigo quando eu pegava o carro (link com o vídeo https://www.youtube.com/watch?v=RMZ3bsrtJZ0)– eu reclamava das pessoas que buzinavam, falavam mal, entravam em guerra com os outros carros; mas no instante em que meu carro parava no congestionamento, eu me via fazendo essas mesmas coisas. E pra completar, resolvi colocar tudo na ponta do lápis. A quantidade de dinheiro gasto pra manter um carro em São Paulo, especialmente se você só percorre distâncias curtas, é absurda e não compensa.”

    Hoje, ela usa a bicicleta para o trabalho, e para outros lugares também, quase todos os dias, e se diverte muito mais do que antes. “Passei a perceber a cidade e as distâncias de outro jeito e interagir mais com as pessoas pelo caminho – eu sorrio pra elas, elas sorriem de volta. Também é verdade que tem dias que dá uma preguiça de manhã. E tudo bem – a bicicleta não precisa ser uma escravidão, há outros meios de transporte possíveis. Mas o fato é que com o passar do tempo, eu notei que sinto falta quando fico muitos dias longe da bike, por tudo de bom que ela me traz”.

    O mesmo aconteceu com Matheus Dutra, de Porto Alegre, Analista de Sistemas e Arquiteto de Software e voluntário do Greenpeace Brasil. O gaúcho de 30 anos usa a bicicleta como meio de transporte há anos e recomenda: “optei pela bicicleta como meio de transporte em função da praticidade, velocidade e agilidade de locomoção que ela oferece, além da enorme economia financeira. Isso sem contar o condicionamento físico que ganhei dados os 24 quilômetros que percorro só no trajeto casa-trabalho. Com a bicicleta, tenho mais vitalidade para enfrentar o dia-a-dia”.

    Apesar de confessar as dificuldades enfrentadas para conquistar seu espaço no trajeto de dez quilômetros por grandes avenidas de Osasco até São Paulo, Thiago Rocha, 22 anos e analista de Marketing do Greenpeace Brasil, não troca a bicicleta pelo transporte público ou pelo veículo individual, e dá dicas para quem está começando: “Para quem está iniciando, recomendo fazer um reconhecimento pelo trajeto antes de iniciar a pedalada, a fim de traçar o melhor percurso com menos riscos”.

    O resultado de todos esses cuidados é inspirador: “O prazer de pedalar, poder observar a cidade de outra perspectiva e praticar um esporte, e tudo isso apenas no caminho do trabalho ou voltando pra casa é realmente incrível. Cada vez mais vejo novos ciclistas no trajeto que faço diariamente e isso mostra que as pessoas estão mudando e se conscientizando, a rua é um espaço de todos e se aprendermos a dividir esse espaço, veremos mais bicicletas nas ruas, menos carros e consequentemente um transito mais agradável”, completa Thiago.

    O Greenpeace trabalha pelo desenvolvimento da mobilidade urbana nas cidades brasileiras. Não só carro na rua, mas transporte público barato e de qualidade e respeito com os transportes alternativos é uma de nossas principais metas.

    E você, está esperando o que para começar a pedalar no Dia de Bike ao Trabalho!? Inscreva-se já (http://debikeaotrabalho.org/comoaderir/)!

    *Heloísa Mota faz parte da equipe de mobilização do Greenpeace Brasil

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