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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Samarco, Vale, BHP e governo diante da tragédia

    Postado por Fabiana Alves* - 15 - jan - 2016 às 16:59 4 comentários

    Esse artigo foi originalmente escrito para o site Dislexia de Bacamarte

    O acidente da Samarco, no Complexo de Germano, em Minas Gerais, no dia 5 de novembro, tem diversos culpados. Nessa tragédia, é importante analisar quatro personagens principais e suas condutas passadas: Samarco, BHP Billiton, Vale e o governo federal. Cada um com sua parcela de culpa, empresas e governo lucraram no passado por meio de más práticas, para perder no futuro diante da tragédia. 

    A Samarco foi criada em 1977  e é formada por dois acionistas, a BHP Billiton e a Vale. A Samarco administra o Complexo de Germano em Minas Gerais e quatro usinas de pelotização no Espirito Santo, para a exportação de pelotas de minério de ferro para o exterior. A mineradora não possui histórico de acidentes seja pela fundação recente, seja pelo fato de administrar apenas um complexo, o qual acaba de causar uma tragédia 38 anos após sua instalação.

    Ao contrário da Samarco, a anglo-australiana BHP Billiton é experiente em causar danos ambientais e humanos em países periféricos, principalmente se somados os de responsabilidade da antiga BHP (Broken Hill Proprietary Company Limited), empresa australiana, e da Billiton, empresa anglo-holandesa. As duas empresas passaram por processo de fusão em 2001. 

    Uma mina de ouro em Papua-Nova Guiné operou na década de 1980 por anos, sem barragem, jogando todos os dejetos químicos no rio Oki Tedi. Apenas em 1999, a BHP assumiu o desastre ambiental. A já constituída BHP Billiton também tem histórico de falta de segurança e más condições de trabalho em minas no Peru.

    A Vale, antiga estatal Vale do Rio Doce, foi condenada em junho pela justiça do trabalho a pagar R$ 804 milhões por mais de dois mil acidentes de trabalho e doze mortes no Complexo de Carajás desde 2000. O número alarmante chamou a atenção da justiça brasileira. 

    Enquanto isso, o legislativo brasileiro avança na votação do PL 654/2015, que flexibiliza licenças ambientais para projetos considerados estratégicos, com um rito de 8 meses para aprovações. Mesmo com a tragédia em Mariana, o congresso parece não entender a dimensão das consequências sócio ambientais de grandes empreendimentos, como aqueles ligados à mineração e hidrelétricas.

    Quanto ao desastre em Mariana, o governo brasileiro está corretamente cobrando da empresa Samarco multas, indenizações para as famílias atingidas e recuperação e monitoramento do Rio Doce. Porém, não teria o governo também responsabilidade em conduzir a recuperação da região e endurecer seu código de mineração e suas licenças ambientais, ambos em discussão no Congresso? 

    As empresas envolvidas viram suas ações despencarem devido ao acidente. O avalanche de lama do rio Doce também alcançou as ações das empresas com desinvestimentos massivos. A Vale está sendo processada por investidores, nos Estados Unidos, por mentir quanto à segurança e sustentabilidade de seus empreendimentos, e omitir informações da tragédia em Minas Gerais. Pequenos acidentes diários de mortes de trabalhadores e falhas de segurança tomam as dimensões devidas quando um acidente de grandes proporções acontece. 

    Já passou do momento de as empresas se responsabilizarem pelos danos que causam ao meio ambiente e consequentemente às pessoas. A transparência e a informação são as armas que impedem que companhias aumentem seus lucros às custas da degradação ambiental e humana. A moeda de troca nessa tragédia chama-se dividendo, e se as grandes corporações não começarem a tomar medidas que assegurem uma produção segura e sustentável, enfrentarão a lama do desinvestimento. Quanto ao governo, enquanto os eleitores não votarem com a mesma preocupação com que compram suas ações, ainda haverá tragédias.

    Fabiana Alves é da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil Leia mais >

  • Temos um vencedor para o Solariza!

    Postado por icrepald - 14 - jan - 2016 às 12:26

    Com o objetivo de mapear o pontencial solar dos domicílidos brasileiros, o jogo online ultrapassou a meta de simular a geração de energia suficiente para desligar duas termelétricas e duas nucleares  

    quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

    O jogador Fmata, de Aparecida de Goiânia (GO), foi o usuário que mais solarizou telhados na plataforma criada pelo Greenpeace. Sozinho, ele simulou a instalação de painéis fotovoltaicos no equivalente a mais de 26 mil telhados. E em cinco meses de jogo, os usuários solarizaram mais de 8 milhões de telhados online, o equivalente a cerca de 16 GWh de energia – isso seria suficiente para desativar também o Complexo Jorge Lacerda, o maior grupo de usinas a operar a carvão na América Latina, localizado em Santa Catarina.

    Por ter acumulado mais telhados solarizados na primeira fase do jogo, Fmata será premiado com um sistema de placas fotovoltaicas em sua própria residência e a oportunidade de participar da instalação solar na Amarati, instituição beneficente vencedora do “crowdroofing” promovido durante o Solariza. A entrega dos prêmios acontece ao longo do primeiro semestre e será documentada pelo Greenpeace.

    Versão 2.0

    O Solariza foi criado para mostrar ao Governo Federal que, com tanto sol e telhado, já passou da hora de deixar a energia solar iluminar o presente e o futuro do Brasil. A expectativa inicial era de simular a geração de energia suficiente para desligar as caras e poluentes termelétricas de Piratininga (SP) e Candiota (RS), e as nucleares Angra I e II (RJ) em dezembro de 2015. Mas os usuários ultrapassaram a meta do jogo em setembro do ano passado e continuaram solarizando os telhados brasileiros – mostrando que, se fosse mais barato instalar placas fotovoltaicas no País, o Brasil teria o potencial para inaugurar uma revolução energética.

    Os benefícios dessa transição seriam muitos, como geração da própria eletricidade, produção de uma energia limpa e contas de luz mais baratas. Para isso, são essenciais duas medidas simples: a criação de linhas de crédito subsidiadas que popularizem a aquisição do sistema; e a possibilidade de utilização do Fundo de Garantia (FGTS) para a compra e instalação de um sistema fotovoltaico (assine a petição endereçada à Presidente Dilma Rousseff com essas demandas aqui). 

    Agora só falta o Governo facilitar ao acesso à energia solar no País. E tudo o que podemos fazer é continuar pressionando e mostrando caminhos possíveis. Uma das formas de você nos ajudar é jogar a segunda fase do Solariza, que será lançada neste ano, com novas missões e premiações. Fique de olho! Leia mais >

  • Juntos somos mais

    Postado por icrepald - 23 - dez - 2015 às 15:15

    Terminamos 2015 com vitórias que seriam impossíveis sem você: obrigado!

    quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

    Este foi um ano de muitos desafios, muitas ações e conquistas para o Greenpeace no Brasil. Com a ajuda de nossos colaboradores, nós pudemos colocar em prática todas as nossas campanhas – de gado, de florestas, de água, de mobilidade, de madeira, de energia solar etc. –, para pressionar governantes e empresas a se engajarem por um mundo mais limpo e justo.

    Neste vídeo de retrospectiva, você pode ver um resumo do nosso trabalho em Amazônia e Clima e Energia em 2015. 

     

    Isso tudo só foi viável porque contamos com a ajuda de pessoas como você, que compartilham e apoiam nossas ações.

    Continue com a gente em 2016: ano novo, luta nova! Leia mais >

  • Queremos ônibus que não poluem

    Postado por Iara Crepaldi - 18 - dez - 2015 às 19:19

    Em sintonia com demandas da sociedade civíl, Ministério Público Estadual cobra definição de Haddad sobre transição da frota de ônibus para veículos movidos a combustíveis renováveis

    Foto Greenpeace/Iara Crepaldi

    Lembra do Busão dos Sonhos que você ajudou a imaginar para a licitação de transportes de São Paulo em agosto? Na época, entre outras atividades de mobilização para engajar a população no planejamento da cidade, o Greenpeace Brasil, a Rede Nossa São Paulo e a Ciclocidade fizeram uma nota técnica sobre o conteúdo da licitação e apresentaram o documento junto com uma carta de demandas à prefeitura.

    Uma das exigências foi a de um cronograma e de metas claras para que tivéssemos uma frota de ônibus movida a combustíveis 100% renováveis até 2018, conforme determina a lei municipal de mudanças climáticas (14.933/2009). A demanda foi motivada pela inexistência de um planejamento para realização da transição na licitação.

    Nesta quinta-feira – um dias após o prefeito Fernando Haddad divulgar nota sobre teste de ônibus elétrico para a frota da cidade e falar sobre a importância da transição para combustíveis renováveis ou tração elétrica até 2018 –, o Ministério Público do Estado de São Paulo abriu um inquerito que retoma a solicitação das três ONGS à prefeitura.

    No inquérito, o MP solicita posicionamento definitivo sobre cumprimento da lei até 2018, e a prefeitura tem vinte dias úteis para explicar como essa transição ocorrerá ou justificar por que não irá executá-la.

    O prefeito Fernando Haddad já havia sinalizado que a prefeitura pretende cumprir a lei, mas, assim como o MPE, nós também continuamos querendo saber como. Haddad, explica pra gente o que você vai fazer na nossa cidade? Leia mais >

  • 48 coisas para fazer nas 48 horas sem Whats App

    Postado por Juliana Costta - 17 - dez - 2015 às 12:35
    O Whats App ficará fora do ar por 48 horas e você pode aproveitar todo esse tempo sobrando para ajudar o meio ambiente. Para te dar uma mão, listamos 48 coisas que você pode fazer nesse momento:
     
    1 - Doe um tweet por dia para o Greenpeace
    2 - Assine a petição pelo Desmatamento Zero e ajude a acabar com o desmatamento no Brasil
    4 - Encha o SAC do Pão de Açúcar e exija carne sem desmatamento
    5 - Compre seu ingresso para o show Sou Minas Gerais. O valor será revertido para ajudar a cidade de Mariana (MG)
    6 - Jogue o Solariza e concorra a uma instalação de painéis de energia solar para sua casa
    7 - Doe para o Greenpeace e ajude-nos a continuar expondo empresas e governos que destroem o meio ambiente
    8 - Curta nossa página do Facebook
    9 - Cobre dos supermercados o fim da carne vinda de áreas de desmatamento e com utilização de trabalho escravo
    10 - Ajude a divulgar as campanhas do Greenpeace com seu blog
    11 - Peça para o governo mais incentivos para energia solar e, assim, ajudar a reduzir o valor da sua conta de energia
    13 - Siga-nos no Snapchat: greenpeacebr
    14 - Torne-se um ativista pacífico com os materiais que criamos “Faça você mesmo”
    16 - Proteste nas “ruas” da internet sendo um ciberativista
    17 - Peça o fim dos contratos que permitem as grandes empresas de São Paulo ganharem desconto por gastar mais água
    20 - Vá de bike para o trabalho ou para casa e aproveite esse tempo para curtir a cidade
    22 - Pressione os Senadores e Senadoras para não aprovarem o PLS 654. Se aprovado, ele enfraquecerá o licenciamento ambiental no Brasil, e desastres como o de Mariana poderão se tornar rotina
    24 - Conheça o nosso trabalho em Clima e Energia
    24 - Confira a nova edição da Revista Greenpeace
    25 - Conheça a história do Greenpeace Brasil
    26 - Venha trabalhar conosco. Conheça as vagas em aberto
    27 - Compre um Calendário Greenpeace 2016
    28 - Conheça as plataformas que estão trabalhando no pré-sal – e descubra que a maioria delas são verdadeiras latas velhas
    29 - Exija a verdade da Volkswagen! Assine a petição
    30 - Encha o SAC do Pão de Açúcar, de novo. Eles precisam garantir que a carne que vendem não seja responsável pelo desmatamento na Amazônia
    31 - Assine a newsletter do Greenpeace e fique por dentro de tudo o que fazemos até quando o Whats App estiver no ar!
    33 - Entenda a importância da primeira Conferência Indigenista, que acontece esta semana
    34 - Divulgue o show Sou Minas Gerais. Toda a verba arrecadada será revertida para ajudar as vítimas do município de Mariana (MG)
    35 - Inspire-se com a história da liderança indígena Sônia Guajajara
    36 - Ajude a fazer do #DesmatamentoZero um grande movimento. Adquira uma camiseta feita em parceria com o estilista Ronaldo Fraga
    37 - Confira a matéria especial que fizemos em parceria com os Jornalistas Livres sobre Mariana (MG)
    38 - Ajude a Mudar o mundo. #VamosMudaroMundo
    39 - A energia solar teve duas vitórias importantes no Brasil neste mês. Confira quais foram
    40 - Ligue para o Pão de Açúcar e exija carne sem desmatamento 0800 77 327 32
    41 - Confirme presença no evento do Facebook do show Sou Minas Gerais
    42 - Receba uma ligação do Greenpeace e converse conosco
    43 - Use apenas transporte público e converse com uma pessoa que você não conhece
    44 - Siga-nos no YouTube e receba o conteúdo antes de todo mundo
    45 - Exija, pelas redes sociais, que a Volkswagem diga a verdade – e que tenha carros com motores mais eficientes e menos poluidores
    46 - Entenda como Acordo de Paris, feito na #COP21, pode ajudar a vivermos num mundo melhor
    47 - Leia o nosso HQ animado sobre a história do povo Munduruku e como eles serão impactados pela construção de hidrelétricas
    48 - E, por fim, visite a casa daquele amigo para quem você escreveria uma mensagem. E mostre esta lista para ele.
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  • O Acordo de Paris e as lições de casa para o Brasil

    Postado por Márcio Astrini e Pedro Telles* - 14 - dez - 2015 às 15:00

    O texto aprovado na COP 21 é menos do que o mundo precisa, mas dá um rumo aos esforços que precisam ser feitos. O Brasil ainda deve rever suas metas e torna-las mais ambiciosas

    (©Greenpeace)

    Era noite de sábado (12/12/2015) na cidade de Paris quando o ministro de relações exteriores da França e presidente da Conferência do Clima bateu, simbolicamente, um martelo verde em formato de folha na mesa da presidência da COP 21. Ele anunciava que, a partir daquele momento, o mundo passava a contar com um acordo climático. Neste instante, 196 nações concordavam com um documento inédito. O acordo estava feito, e o trabalho pelo clima, apenas começando.

    Desde o início, sabíamos que a COP 21 era uma cartada importante nas discussões sobre o futuro do planeta. A conferência aconteceu sob a afirmação inequívoca da ciência de que as mudanças climáticas ocorrem por ação do homem, de que a Terra já aqueceu 0,8 oC e de que nunca tivemos tanta concentração de gás carbônico – principal responsável pelo aquecimento global – flutuando sobre nossas cabeças. 

    Meses antes, junto à ciência, o Papa Francisco lançou ao mundo um encíclica, chamando os chefes de Estado à ação e as pessoas à mobilização. Em sua carta, ele foi certeiro: mudanças climáticas são, antes de tudo, um assunto social e têm consequências graves para os mais pobres. Se nada for feito, isso aumentará as desigualdades no mundo. 

    No primeiro dia da COP 21, mais de 140 chefes de nação estavam presentes. Eles fizeram discursos inflamados e promessas às dúzias. Foram pressionados por mais de 2.300 eventos em 175 países que colocaram pessoas nas ruas cobrando mais ação resultados. O recado estava dado.

    Falhar em Paris seria um desastre. Ao mesmo tempo, o triunfo não significaria solução pronta e acabada. O acordo estabelecido naquela noite reflete isso.

    Que acordo é esse?

    O Acordo de Paris é histórico, mas está longe de ser perfeito. É o ponto de partida sem o qual ficaria muito difícil chegarmos a uma solução para o problema climático. Seu principal mérito é apontar claramente que a era dos combustíveis fósseis começou a ruir. Mas ainda há um grande abismo entre seu conteúdo e o que é necessário se fazer na vida real.

    O texto traz pontos importantes, como estabelecer que o mundo deve perseguir o objetivo de não aquecer mais do que 1,5 oC. Também diz que devemos neutralizar as emissões dos gases que provocam o efeito estufa entre os anos de 2050 e 2100. O acordo deveria ser mais preciso, limitando taxativamente o aquecimento máximo a 1,5 oC, e ter 2050 como ponto final para o uso de combustíveis fósseis. O maior problema, no entanto, não está aí. As promessas de cortes de emissões feitas pelos países, ainda que cumpridas em sua totalidade, nos levarão a um aquecimento entre 2,7 oC e 3,5 oC. Isto é, as promessas cumprem metade do que precisamos fazer. E, fique claro, são apenas promessas.

    Se o planejado é insuficiente, precisamos rever imediatamente o prometido e definir ações mais ambiciosas. Eis aí outro problema: a avaliação de como as coisas estão andando só ocorrerá daqui a três anos, e a revisão dos planos (que já sabemos serem insuficientes), daqui a uma década. Simplesmente não faz sentido tanta espera. Rever essas datas é crucial.

    Em relação a finanças, foi aprovado o fundo de 100 bilhões de dólares ao ano até 2020. É uma quantia que deve minimizar os impactos já sofridos pelas mudanças do clima – e é uma boa notícia. No entanto, assuntos como a ajuda para adaptação aos países mais necessitados, a transferência de tecnologia para que poluidores em desenvolvimento realizem as mudanças necessárias e a transparência na análise destas ações, entre outros tópicos, ainda estão escritos em letras fracas, em parágrafos nebulosos. E precisarão ser melhorados nas próximas conferências.

    Florestas reconhecidas, mas sem desmatamento zero

    A questão florestal teve bons e maus momentos ao longo da conferência em Paris. As florestas foram reconhecidas como cruciais para a preservação do clima, e ajudas financeiras foram anunciadas para sua proteção. Os direitos indígenas e de populações tradicionais também são citados em diversas partes do texto, reconhecendo-os como guardiões desses pedaços verdes, que colorem e trazem vida ao nosso planeta. 

    Como já foi dito, no entanto, este não é um acordo perfeito. Não há, nos trechos sobre florestas, um ponto fundamental: o conceito de fim do desmatamento. Além de grave, é uma contradição. Há menos de três meses, na Assembleia Geral em que se determinaram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a própria ONU deliberou que os países acabassem com o desmatamento até 2020. Nada mais natural que a medida aparecesse também no acordo climático. E não aconteceu.

    Também preocupa que o texto abra uma porta para que a preservação florestal seja usada como um mecanismo de compensação de emissões. Isso seria uma autorização para que a limpeza da atmosfera, promovida pelas florestas, permita aqueles que não cumpriram seu papel, de cortar emissões, continuem a poluir. É uma espécie de “vale-sujeira”. Não é o que precisamos.  

    O Acordo de Paris, como podemos ver, é menos do que o mundo precisa, mas tem pontos positivos e dá um rumo global aos esforços que precisam ser feitos. Perto do que tínhamos, é um avanço. Para o que precisamos, ainda falta muito. “Este acordo não irá nos tirar do buraco onde estamos, mas ajuda nossa escalada para fora dele”, disse o presidente mundial do Greenpeace, Kumi Naidoo.

    O trabalho que o governo brasileiro tem pela frente

    O Brasil teve um papel determinante na costura do acordo que saiu da COP 21. Lideramos um dos grupos de negociações e, certamente, nossos representantes ajudaram em muito para que o acordo ocorresse. De volta para casa, porém, nossa atual trajetória ambiental e as promessas que o Brasil enviou para a COP de Paris precisam de mudanças profundas.

    O país, hoje, encontra-se claramente na contramão de alguns dos pontos positivos do acordo. O reconhecimento dos direitos indígenas talvez seja o mais visível deles. Enquanto nos fóruns da ONU eles ganham relevância e respeito, por aqui enfrentam uma tentativa diária e desumana de aniquilação. Não faltam exemplos vindos do Congresso, do Planalto e do dia a dia.

    Nos corredores do poder em Brasília, parlamentares e o governo tentam saquear suas terras, com projetos de mineração e hidrelétricas. A PEC 215, projeto que muda a constituição, pode ser traduzido como o fim dos direitos dessas populações. O atual governo é o que menos demarcou terras indígenas, e o segundo pior no quesito áreas que conservam florestas. Anualmente, os índices de violência e assassinatos dessas populações batem infelizes recordes.

    Outra lição de casa que precisamos fazer imediatamente é rever a fraca e insuficiente promessa que o país enviou à ONU antes da conferência se iniciar. Nela, o plano de combate ao desmatamento, nosso maior causador de emissões, simplesmente não existe. O governo afirma que vai cumprir a lei florestal até o ano de 2030. Não parece sério. Cumprir a lei não é plano, é obrigação. E é algo a ser feito imediatamente, e não daqui a uma década e meia. Além disso, desmatamento não traz apenas danos ambientais, mas causa imensos prejuízos econômicos e sociais. O mínimo que podemos aceitar é zerar o desmatamento.

    Na parte de energia, a contradição é ainda mais evidente. A conferência concordou que o mundo deve caminhar para o fim do uso dos combustíveis fósseis. Por aqui, o plano do governo é de que, nos próximos 10 anos, 70% dos investimentos na área de energia terão como destino fontes poluentes.

    Somos uma das nações com maior potencial para aproveitamento de fontes limpas, mas enviamos à ONU um plano para que, daqui a 15 anos, tenhamos o mesmo percentual de energia renovável de hoje. O compromisso do governo quase não inclui a fonte solar – a mais abundante do país. Além de baixar a conta de luz do cidadão, essa fonte de energia gera empregos e garante segurança energética. Mas sua participação nos planos futuros do país é quase nula.

    Assim como preservar florestas, investir em energia limpa não é apenas uma questão ambiental, ou um favor que fazemos para a contagem de carbono na atmosfera. É uma grande oportunidade para a economia do Brasil e para a vida dos brasileiros. É uma questão de lógica, e depende apenas da vontade de nossos governantes. Esperamos que eles se inspirem no texto que ajudaram a construir.

    Por enquanto, o Acordo de Paris nos dá um sopro de esperança. Já a realidade, é uma tormenta de preocupações.

    *Márcio Astrini é coordenador de Políticas Públicas e Pedro Telles é da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil
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  • É hora da energia solar chegar à casa dos brasileiros

    Postado por Barbara Rubim - 11 - dez - 2015 às 16:51

    Dia 16/12, um projeto de lei será votado e pode facilitar o acesso e a compra de painéis solares no Brasil

    Jovens instalam placas solares no telhado em Vila Isabel, Rio de Janeiro/RJ. (©Otávio Almeida/Greenpeace) Leia mais >

    Na próxima quarta-feira, a Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados deve votar um projeto de lei que pode fazer com que a energia solar chegue à casa de todos os brasileiros: o PL do Sol (8322/14). Além de prever isenções para os componentes de um sistema fotovoltaico, o PL também traz alternativas para a ausência de linhas de financiamento para os cidadãos que desejam gerar sua própria energia. Portanto, ficará mais barato e fácil para que todos nós, brasileiros, tenhamos um sistema fotovoltaico em casa.

    Hoje, cerca de 20% do preço de um sistema fotovoltaico é composto por tributos. Se o PL for aprovado, o valor que pagaremos para ter energia solar em casa cairá até 15%. Além disso – e talvez uma das novidades mais importantes – todo trabalhador terá a opção de resgatar seu dinheiro do FGTS para adquirir um sistema e economizar na conta de luz.

    O Brasil conta com mais de mil sistemas de geração de energia solar em casas e estabelecimentos. Se aprovado, o PL do Sol poderá elevar este número para 1 milhão de sistemas até 2020.

    Para isso, contudo, é preciso que a sociedade civil pressione fortemente os parlamentares. Esse Projeto de Lei já deveria ter sido votado há dois meses, mas foi adiado, devido a pressões do Governo – que é contra a proposição e quer que o brasileiro continue a pagar mais caro por sua conta de luz.

    Assine a petição desse link e mande mensagens para os deputados da Comissão de Minas e Energia. Algumas sugestões de mensagens estão aqui. Vamos mostrar aos parlamentares e governantes que queremos um Brasil Solar! 

  • COP21 está chegando ao final, mas o acordo ainda está longe de ser o ideal

    Postado por therrero - 10 - dez - 2015 às 20:48

    O principal ponto que ainda está aberto e merece atenção é a revisão das metas nacionais antes de 2020

    Marcha pelo Clima em Genebra (© Anouk van Asperen / Greenpeace)

    Nos corredores da COP21, um novo texto acaba de sair do forno, trazendo mais novidades sobre como deve ser acordo de Paris. Falta apenas um dia para a conferência acabar e, comparando a versão anterior, vemos alguns avanços nesse texto. “Restam ainda alguns pontos-chave em aberto. E eles ainda devem gerar muita polêmica entre os negociadores nas próximas horas”, diz Pedro Telles, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

    Em relação ao teto de temperatura que devemos estabelecer para os próximos anos, permanece o trecho que diz ser 1,5 oC. O mais provável é que isso não mude mais até o acordo final. Portanto, os países que o assinarão terão que se esforçar para  não permitir que a temperatura do planeta suba mais que 1,5 oC.

    O acordo prevê que poderemos ter até 2050 um pico de emissões de gases. Depois disso, seria hora de neutralizar essas emissões para evitar que a temperatura da Terra suba mais do que 1,5 oC. Isso manteria o aquecimento global com um mínimo de controle, afinal, os estudos mostram que se passarmos de 2 oC, as consequências para todas as populações e para o meio ambiente serão bem mais drásticas.

    “A ideia de ter um pico em 2050 e a neutralização em seguida não é a pior opção entre as que tínhamos em outras versões do acordo. Mas está longe do ideal porque permite muitos anos de emissões e um risco eminente de subir demais a temperatura do globo. Vamos continuar pressionando por um texto que proponha a descarbonização até o meio do século, para garantir um futuro mais seguro”

    Em relação à meta de cada país, as chamadas INDCs, o teor do texto está ruim. Se for mantido o  proposto até agora, as metas só serão revisadas depois de 2020. Como alguma das INDCs são pouco ambiciosas e cortam poucas emissões de gases de efeito estufa, isso significa que ficaremos por pelo menos dez anos com compromissos fracos para combater o aquecimento global. “Esses dez anos são um tempo crucial para os países se adaptarem e cortarem suas emissões. Por isso, a sociedade civil presente aqui na COP pressionará os negociadores até os últimos momentos para que eles estabeleçam uma revisão pré-2020", disse.

    Segundo Martin Kaiser, da área de política internacional do Greenpeace, estamos assistindo a uma exibição de impotência internacional, na COP21. “O texto fala de neutralizar os gases de efeito estufa. Mas por que essa conferência não pode simplesmente dizer que precisamos desistir do carvão, do petróleo e do gás natural pelo menos até 2050? E por que só há uma única menção à palavra “renováveis” e uma em relação à África, sendo que as renováveis com certeza vão dominar a economia do século?”

    Sobre o posicionamento de países desenvolvidos e em desenvolvimento, o texto mantém um direção boa, ainda que tenha pontos em aberto. A linguagem é forte e garante apoio e flexibilidade a países em desenvolvimento.

    A COP 21 está chegando ao final, mas é difícil dizer que esteja perto de um acordo final. Há muitos pontos em aberto que podem garantir um acordo bom ou não. As próximas horas dirão se os presentes na conferência voltarão para casa com a missão cumprida. Leia mais >

  • Greenpeace abre as portas a parceiros para mudar o mundo

    Postado por Clarissa Beretz - 10 - dez - 2015 às 17:38

    Organização convida cerca de 250 personalidades para se engajar em suas campanhas

    Se para mudar o mundo precisamos de todo mundo, o Greenpeace lançou este convite para artistas, atletas, influenciadores das redes digitais e formadores de opinião de diversos perfis. Na terça 08/12 a organização abriu as portas de seu escritório, em São Paulo, para apresentar sua história, forma de atuação, campanhas em desenvolvimento e projetos para 2016.

    Vamos Mudar o Mundo 

    A cantora Pitty, a nadadora Joanna Maranhão, o comediante Felipe Andreoli, a modelo Yasmin Brunet e os atores Paulo Vilhena, Alessandra Negrini e Caco Ciocler foram alguns dos que participarem dessa “imersão”.  Eles puderam conversar com nossos coordenadores de campanha e ativistas e, em primeira mão, assistir ao filme  “How to Change the World”, documentário sobre a origem da organização, com previsão de lançamento público para o ínicio de 2016. Antes do filme, contudo, os convidados participaram da foto “Vamos mudar o mundo", expondo a mensagem em um grande banner aberto na rua.

     

    Você também pode se unir a este grupo de atletas e artistas engajados. Junte-se a nós e #vamosmudaromundo, acesse: www.vamosmudaromundo.org.br

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  • COP21: 1,5 graus Celsius na veia, 100% energia renovável e desmatamento zero

    Postado por Paulo Adário* - 10 - dez - 2015 às 12:36

    Nova proposta de acordo mantém três opções de metas de longo prazo para limitar o aquecimento global. É melhor do que o teto de 2 graus Celsius

    Mobilização Mundial pelo Clima em São Paulo. População fez pressão para que o acordo de Paris inclua o desmatamento zero. (©Zé Gabriel / Greenpeace)

    O novo texto para a proposta de acordo sobre o clima que saiu na tarde de quarta-feira (9 de dezembro) na COP21, em Paris, é meio barro, meio tijolo. Pode dar num muro de lamentações ou abrir portas para um cenário mais otimista para esse planetinha azul rodopiando no espaço.

    Entre coisas boas, o documento mantém três opções de metas de longo prazo para limitar o aumento da temperatura, entre elas o teto de 1,5 graus Celsius. É melhor do que o teto de 2 graus Celsius. E isso inclui o compromisso com um mundo de 100% de energias renováveis no ano de 2050, e com mais florestas do que temos hoje.

    Entre os pontos ruins, sumiu do texto qualquer referência à "integridade dos ecossistemas" - que serve de proteção contra plantações de eucaliptos et caterva ou produção de biocombustíveis, que podem ser positivos em termos da conta de carbono mas desastrosos em termos de preservação do patrimônio florestal.

    Aliás, as florestas parecem o Voldemort do Harry Poter – "aquele de quem não se diz o nome". As florestas são chamadas de "sinks and reservoirs" a que os países são "encorajados a conservar e fortalecer". Só vi uma vez a palavra no novo texto, e nenhuma referência à importância delas para a captação e estocagem de carbono ou para a resiliência de povos indígenas e populações tradicionais.

    Pelo menos os "direitos do povos indígenas" são ressaltados. Esses povos são os maiores defensores das florestas, onde vivem e da qual dependem. 

    É claro que eu não esperaria referências à preservação da biodiversidade – afinal, apesar de a Conferência de Clima e Conferência sobre a Biodiversidade terem o mesmo berço, a Eco-92 do Rio de Janeiro, e reunirem praticamente os mesmos países-membros da ONU, elas são como as linhas paralelas: jamais se encontram.

    A referência a Redd+ (medidas para redução de emissões por desmatamento ou degradação florestal), sumiu do preâmbulo do documento. Foi substituído por referência a "internationally agreed approaches", ou seja, a acordos internacionais anteriores. Não é tão ruim se lembrarmos que Redd+ vem sendo discutido desde a COP13 de Bali (2007) e foi resolvido na COP19 de Varsóvia (2013).

    O pior mesmo é a linguagem covarde usada para tratar a questão do desmatamento: os países são "encorajados a incentivar a redução das emissões por desmatamento e degradação florestal e promover a conservação e o manejo sustentável das florestas e o fortalecimento dos estoques de carbono florestal em países em desenvolvimentos".

    Isso representa um retrocesso inaceitável se comparado com a linguagem adotada pela mesma ONU na reunião de cúpula organizada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, em 2014 – que gerou a Declaração de Nova York – e nas Metas de Desenvolvimento Sustentável aprovadas na reunião da Assembleia-geral de setembro deste ano.

    Essas metas não só são uma poderosa plataforma para fortalecer a contribuição das florestas na defesa do equilíbrio climático no futuro, mas confirmam compromissos assumidos na Declaração de Nova York de, até 2020, parar o desmatamento e restaurar 350 milhões de hectares de florestas degradadas. Logo, ajudam a pavimentar a estrada daqui até 2020, quando o esperado Acordo de Paris entrar em vigor.

    O texto sendo discutido até agora é de uma lamentável miopia: o desmatamento é responsável por cerca de 5 a 8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) lançados na atmosfera a cada ano. É algo como 11% a 17% das emissões globais de gases de efeito estufa. Além disso, as florestas funcionam como poderosa fonte de captação de CO2. E são vitais para cerca de um 1,8 bilhão de pessoas que delas dependem para sua sobrevivência diária, além de ser o lar de 50 milhões de indígenas e populações tradicionais em todo o mundo.

    Protegê-las – e proteger seus grande protetores, os povos indígenas – é fundamental. E fará toda a diferença para o futuro que teremos em nosso planeta.

    *Paulo Adário é estrategista sênior de florestas do Greenpeace.
    (esse texto foi originalmente publicado no Blog do Planeta, da Revista Época)

     

     

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