Enquanto representantes da Indústria Nuclear Brasileira (INB), técnicos da Comissão Nuclear (CNEN) e representantes locais tentam chegar a um mínimo acordo sobre o que fazer com o carregamento de cerca de 100 toneladas de urânio que tentou entrar na cidade e foi barrado pela população, os nove caminhões recheados do material radioativo permanecem estacionados a céu aberto no batalhão de polícia do município de Guanambi, a 30km de Caetité. Ambas as cidades querem que o comboio volte da onde veio, São Paulo.

A população de Guanambi não quer nem saber de carregamento radioativo. Cerca de 250 pessoas começaram manifestação contra a presença dos caminhões na cidade e marcham agora rumo ao batalhão. As lideranças resolveram também deslocar a reunião, que acontecia em Caetité desde cedo, para a porta do departamento de polícia, para garantir que para lá os caminhões também não vão.

Enquanto isto, Alfredo Tranjan, presidente da INB, confirmou que a única licença de transporte que o carregamento tinha era da própria CNEN, órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, que ao mesmo tempo que autoriza, é responsável por fiscalizar e multar. Ou seja, um claro caso de conflito de interesses. Esta licença, porém, ninguém sabe, ninguém viu.

Tranjan confirmou ainda que o local – pátio de uma delegacia a céu aberto - não é apropriado para a espera de toneladas de material radioativo. Perguntado se a carga estava estacionada tão ilegalmente quanto supostamente veio, Tranjan respondeu haver um tempo permitido para pernoite, porém não determinado e flexível.

Enquanto isto, exposta ao risco de contaminação e desinformada sobre o perigo, a população de Guanambi espera.

Estudantes reunidos em Guanambi protestam contra urânio estacionado no município. Lunaé Parracho / Greenpeace

 

Alfredo Trajan, presidente da INB, em conversa com o Greenpeace. Lunaé Parracho / Greenpeace