Parece miragem, mas estão lá: duas usinas nucleares capengas no meio da imensidão verde e azul da costa sul do Rio de Janeiro onde jaz Itaorna, uma pequena praia com ventos sul-sudeste propícios à prática do surf. E um ameaçador espaço vazio onde será erguida um terceiro reator, Angra 3. Não bastasse a completa eliminação de uma paisagem, o complexo nuclear de Angra representa um erro estratégico e gasto financeiro além das necessidades do país.

Enquanto negocia com o governo francês cooperação na área nuclear, inclusive militar, o Brasil desperdiça uma chance de ouro de embarcar no imenso trem de oportunidades que estão surgindo para produzir e consumir energia de forma sustentável, economica viável e pacífica. A crise climática e econômica chacoalhou as estruturas do planeta e quem não se mexer agora vai pagar um preço alto lá na frente. Demos o recado na quarta-feira passada, na Ponte Rio-Nitéroi, na véspera da reunião do G20 em Londres, e novamente hoje pela manhã em Angra dos Reis, na extinta praia de Itaorna, quando fizemos flutuar torres eólicas em frente às usinas. Vejas as fotos aqui.
Veja o vídeo da ação em Angra dos Reis:


Basta de empurrar o problema com a barriga, queremos investimentos em energia renovável, que é capaz de garantir a energia necessária para abastecer o país. Queremos programas de eficiência energética. São essas medidas que podem contribuir efetivamente para combater as crises climática e econômica.

Usinas nucleares são uma perigosa ilusão, uma miragem que nos tira da rota. Mesmo em países tidos como exemplo do pretenso sucesso da indústria nuclear, como a França, que tem uma centena de reatores em funcionamento e ainda assim continua sem conseguir reduzir suas emissões de CO2, como revela o especialista francês Yves Marignac, diretor-executivo da agência de informação Wise-Paris. Em entrevista concecida ao Greenpeace durante a passagem do Arctic Sunrise ao Rio de Janeiro, Marignac afirmou:

O programa nuclear francês é vendido pela França como um modelo a ser seguido por outros países mas na realidade ele não oferece boas alternativas para a segurança energética e questões climáticas. A França não está melhor do que outros países europeus nesse contexto. Não existem soluções para os problemas de proteção, de acúmulo de lixo radioativo, de segurança e de proliferação e também não traz nenhum impacto positivo para a economia francesa.
Veja no post abaixo o vídeo da entrevista.

Leia também a entrevista que Yves Marignac deu à revista Época, publicada na edição desta semana.

Não precisamos cometer os mesmos erros do passado para garantir o desenvolvimento, a soberania, a força no cenário internacional. Durante três meses, percorremos o Brasil com o Arctic Sunrise para passar a mensagem de que é preciso salvar o planeta, e que é agora ou agora. Não temos mais tempo para ficar investindo em miragens.