Paul McCartney em show no Rio de Janeiro, durante a turnê "Up and Coming". (© MPL Communications Ltd / MJ Kim)

 

O ex-Beatle Paul McCartney publicou hoje carta que trocou com Vladimir Putin pedindo a libertação dos vinte oito ativistas do Greenpeace e dois jornalistas freelancers presos desde 18 de setembro na Rússia após protesto pacífico contra a exploração de petróleo no Ártico.

Em sua carta, Paul faz um apelo para que os presos possam voltar a ver suas famílias: “Há quarenta e cinco anos escrevi uma música sobre a Rússia para o Álbum Branco (‘White Album’), numa época em que os ingleses não se inclinavam tanto a elogiar seu país. Essa música tinha uma das passagens mais bonitas dos Beatles: ‘Been away so long I hardly knew the place, gee it’s good to be back home’ (ou ‘Estive longe por tanto tempo que mal reconhecia onde estava, nossa é bom estar de volta em casa’, em tradução livre). Você poderia realizar isso para os prisioneiros do Greenpeace?”.

Essa manhã, Paul postou no Twitter: “…O Embaixador Russo gentilmente respondeu que a situação dos presos ‘não está corretamente retratada pela mídia’…”. Então Paul escreveu: “Seria ótimo se esse mal-entendido pudesse ser resolvido e os ativistas pudessem ir para casa com suas famílias para o Natal. Vivemos na Esperança, Paul McCartney”.

O ex-Beatle é muito popular na Rússia – e com Vladimir Putin também. Em 2003 ele se apresentou para mais de 100 mil pessoas incluindo o presidente na Praça Vermelha, em Moscou. Antes do show, Paul foi levado a um tour pessoal com o presidente no Kremlin, e ouviu dele: “Você é amado aqui [na Rússia]”.

O tratamento é dado, inclusive, pelo primeiro nome: “Vladimir, milhões de pessoas de diversos países seriam enormemente gratos se você intervisse para trazer um fim à essa questão. Eu entendo, é claro, que a Justiça russa é separada da esfera presidencial. Mesmo assim, pergunto-me se você não poderia exercer sua influência para reunir os detentos com suas famílias?”

A carta foi escrita dia 14 de outubro, e Paul decidiu liberá-la um mês depois, alegando que escrevia para assegurar que o Greenpeace certamente não é uma organização anti-Rússia. “E, acima de tudo, eles são pacíficos. Na minha experiência, não-violência é parte essencial do trabalho deles”, afirma Paul McCartney.