À beira de uma das praias mais conhecidas do Brasil, Porto de Galinhas, uma convenção internacional muito menos conhecida de todos nós,  a ICCAT, irá definir os passos para a preservação da mais nobre espécie entre os atuns, o atum azul.

ICCAT – Comissão Internacional para a Conservação de Atuns e afins estará sendo, historicamente, realizada no Brasil, em Porto de Galinhas, na próxima semana. Esse órgão internacional foi fundado no Brasil há mais de 10 anos atrás, mas infelizmente, vem apresentando retrocessos em proteger espécies da pesca predatória.

O atum azul é uma das maiores e mais exploradas espécies de atum e sua carne é muito valorizada, principalmente pela culinária Japonesa – o famoso sushi de atum.

Tal apreço tem causado um processo de sobrepesca desta espécie e nos últimos anos seus estoques diminuíram drasticamente em diversas partes do mundo, tendo sido praticamente extinto em águas brasileiras.

O fato é que, independente dos sinais claros que a natureza nos fornece, pescadores de atuns, legais e ilegais, continuam atrás dessa iguaria que chega a ser vendida por mais de 200 mil dólares um único peixe com algumas centenas de quilos.

Além da pesca do atum azul, diversos outros problemas envolvem a pesca de grandes atuns como a captura incidental de outras espécies (tartarugas, tubarões, albatrozes e golfinhos). A ICCAT é a convenção internacional para a Conservação dos atuns e afins do Oceano Atlântico e cabe a ela regulamentar os parâmetros da pescaria, mas também propor ações de ordenamento pesqueiro e manejo de espécies.

Nos últimos anos as decisões tomadas por este órgão têm falhado no intuito de preservar estas espécies e falhado mais ainda em ouvir as recomendações do seu próprio comitê científico. O forte lobby de países produtores do peixe com alto valor agregado junto a convenção tem transformado as decisões em meros paliativos, longe de representarem medidas efetivas para sua preservação. Nos próximos dez dias organizações ambientais, cientistas e governos dos países signatários desta convenção irão novamente tentar estabelecer novos parâmetros para preservação dos atuns.

Estaremos lá em Porto de Galinhas para acompanhar de perto as ações que serão discutidas e tomadas.

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E, quem sabe você, que adora comer atum nos restaurantes japoneses, não tenta pelo menos esse mês não comer atum e contribuir para que a opinião das potências pesqueiras seja mudada.