O marinheiro de primeira viagem que resolve acompanhar os altos e baixos do desmatamento na Amazônia acaba se perdendo na sopa de letras – Deter, SAD, Prodes – e números que vem à tona a cada mês. Nesta terça-feira, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) soltaram novos dados de seus sistemas de alerta: o Deter e o SAD, respectivamente.

Os dois sistemas foram criados com objetivos semelhantes, de acender a luz amarela quando alguma derrubada fosse identificada na floresta. Aviso dado, os órgãos de fiscalização podem ir ao local checar o que está acontecendo e autuar os responsáveis, caso o alerta seja confirmado.

Ao contrário do Prodes, que sai anualmente, nem Deter, nem SAD vieram ao mundo para medir tamanho de desmatamento. Usando imagens de satélite e dados do sensor Modis, ambos se debruçam sobre uma resolução baixa, que só enxerga devastações maiores de 25 hectares. Os números relativos a áreas desmatadas divulgados a cada mês, portanto, indicam apenas se há uma tendência de queda ou de aumento dos cortes rasos e degradação. Nunca o fato.

Já faz alguns anos, porém, que o governo tem usado o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) para faturar, a cada mês, boas manchetes na imprensa. E aí, o que era para ser tendência corriqueiramente se transforma em fato.

O problema é que, além da já natural imprecisão desses sistemas na medição do tamanho das áreas, a dinâmica do desmatamento mudou um bocado de uns anos para cá, tornando os números ainda mais distantes da realidade.

Conforme mostra o gráfico abaixo, as derrubadas deixaram de ser grandes e concentradas. Agora, quem desmata o faz em pequenas áreas espalhadas: quase 60% são menores que 25 hectares. Ou seja, mais da metade da devastação da Amazônia passa batida pelo Deter e pelo SAD.